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Monoartrite INTRODUÇÃO • Artrite séptica • Atrites microcristalinas → Gota • Processo inflamatório da membrana sinovial, de caráter supurativo • Sinonímia - artrite piogênica - artrite bacteriana - artrite purulenta Vias de contaminação • Diversas vias levam à artrite séptica • Geralmente infecção ocorre por via HEMATOGÊNICA (a partir de focos à distância) Fatores de risco Toda monoartrite aguda deve ser puncionada Risco de artrite séptica!! Análise do líquido sinovial Pesquisa de cristais Pesquisa de bactérias e cultura Destruição irreversível das estruturas articulares (em até 50%) ARTRITE SÉPTICA Epidemiologia e etiopatogenia • Frequência do agente etiológico varia de acordo com - grupos etários - hábitos de vida - presença de comorbidades • Agentes etiológicos mais frequentes - Staphylococcus aureus - Neisseria gonorrhoeae Etiopatogenia Via hematogênica: mais comumente, surge através da disseminação hematogênica para a membrana sinovial (a qual não possui membrana basal limitante, permitindo assim que os organismos entrem no espaço articular). A artrite séptica devido à disseminação hematogênica é mais comumente causada por organismos com propensão a aderir aos tecidos sinoviais (como S. aureus) e geralmente envolve grandes articulações. • Inoculação direta de bactérias na articulação: mecanismos incluem mordidas, trauma, artroscopia ou outra cirurgia e injeção intra-articular. • Contiguidade: raramente, a artrite séptica se desenvolve através da extensão da infecção de tecidos adjacentes para o espaço articular. No cenário da osteomielite de osso longo, a infecção na metáfise pode romper o córtex ósseo, levando à descarga de pus na articulação. Isso ocorre nas articulações nas quais a metáfise está dentro da reflexão capsular (ex: joelhos, quadril, ombro e cotovelos). • Outros exemplos incluem complicações da cateterização das veias subclávia e femoral (resultando em artrite séptica das articulações esternoclavicular e quadril, respectivamente) e diverticulite rompida, resultando em dissecção da infecção pelo espaço retroperitoneal para coxa posterior e articulação do quadril. Quadro clínico • Artrites bacterianas - não-gonocócicas - gonocócicas Artrite não-gonocócicas • Agudo • Monoarticular (80 %) • Joelho, quadril, ombro, punho, tornozelo • Febre e calafrios – 80% (exceto idosos) • Comprometimento do estado geral • Manifestações exuberantes • Flogose articular Artrite gonocócicas Neisseria gonorrhoeae • Disseminação hematogênica após transmissão sexual • Importante causa de artrite séptica em adultos jovens sexualmente ativos • Fatores de risco: baixo nível socioeconômico e cultural, regiões urbana, promiscuidade sexual, sexo feminino • Febre (pode não ocorrer) • Fase inicial: poliartrite migratória + tenossinovites (mãos, punhos, tornozelos) • Evolução: mono/ oligoartrite (joelhos e tornozelos) Artrite séptica • Início abrupto • Dor, calor e edema articular • Restrição de movimento articular • Pequenas pústulas ou máculas acastanhadas (tronco e palmoplantar – 50%) • Uretrite assintomática (50%) • Cervicite assintomática • Tríade clássica: dermatite, tenossinovite, poliartrite migratória • Tempo entre a infecção gonocócica e os sintomas: 1 dia a 3 meses Hospedeiro Padrão Tenossinovite Dermatite Culturas positivas Hemoculturas Evolução Laboratório • Artrocentese obrigatória! • Líquido sinovial na artrite séptica - viscosidade reduzida - purulento, turvo, com grumos - 50.000 células/mm³ - predomínio de PMN (>90%) - glicose < 50% da glicemia • Solicitar (sempre) - pesquisa de cristais no líquido sinovial - bacterioscopia (Gram) - orienta tratamento enquanto aguarda-se cultura - positiva em 75% dos pacientes com infecções por cocos gram + - menos sensível na infecção gonocócica Dermatite inicial em paciente com artrite gonocócica A) Vesícula hemorrágica B) Pústula Lesões cutâneas em paciente com artrite gonocócica Pústula em paciente com artrite gonocócica Diagnóstico • Sugerido pela história e pelas manifestações clínicas • Definitivo isolamento do germe no tecido articular ou em outro foco infeccioso Tratramento • Elemento mais significativo para sucesso do tratamento diagnóstico precoce ! URGÊNCIA REUMATOLÓGICA ! evitar sequelas Conceito → deposição de monourato de sódio • Artrite inflamatória e destrutiva (se for crônica) • Causada pela cristalização ácido úrico nas articulações • Associada a hiperuricemia → Ácido úrico normal é abaixo de 6,5 em homem e abaixo de 7 em mulher → Acima de 6.8 pode fazer gota, dependendo da genética. → Nem todos que tem hiperaucemia tem gota. É a minoria dos pacientes que tem ácido úrico alto que tem gota. Se não tiver tido crise de artrite não tem gota. → É necessária para que gota desenvolva → quem tem gota tem hiperaucemia mas nem todos que tem hiperaucemia tem gota → Tem muitos obesos, sedentários, consumidores de carne vermelha, que tem ácido úrico alto → aumenta risco cardiovascular aumentado → Glicemia de jejum alterado, dislipidemia, diabetes → também aumenta risco cardiovascular • O clinico geral tem que saber realizar tratamento de gota • Médicos que dão plantão em pronto-socorro encaminham de forma inadequada pacientes com crise aguda de gota • Para diagnosticar uma pessoa com gota ela tem que ter crise de artrite (inflamação da articulação) Epidemiologia • Prevalência 3-4% • Incidência 3 vezes maior em homens GOTA • Mulheres costumam apresentar a doença após a menopausa • Faixa etária: 40-60anos • História familiar em cerca de 40% dos pacientes Comorbidades: • Hipertensão arterial – 74% • DRC – 71% • Obesidade – 53% • Diabetes mellitus – 26% • IAM – 14% • AVE – 10% • Alto risco de morte por doença cardiovascular! Fator predisponente: • obesidade • consumo exagerado de carne vermelha e frutos do mar (tem muita purina – que é convertida em ácido úrico no sangue) • bebidas alcoolicas (como a cerveja) • refrigerantes → o refrigerante zero tem menos ácido úrico. Fatores protetores: • derivados do leite • cafeína • vitamina C Classificação: Primária: • Não tem uma doença prévia aquele episodio • Decorrente de erro inato no metabolismo das purinas (substancia que vira ácido úrico no organismo) com superprodução de ácido úrico e/ou por defeito a excreção renal de urato (rim não tem capacidade de excretar o ácido úrico) Secundária: • É secundária a outras doenças e condições que concorrem para o acúmulo de ácido úrico corporal ou a sua hipoexcreção • Doenças mielolinfoproliferativas: leucemias, policetemia vera, linfoma (tem mais degradação celular 🡪 aumenta ácido úrico) • Hemoglobinopatias: anemias hemolíticas, drepanocitose • Drogas: diuréticos, salicilatos em baixas doses, L-dopa, quimioterápicos, ácido nicotínico, ciclosporina • Hiperlipidemias: principalmente hipertrigliceridemia • Outras: obesidade, dietas ricas em purinas, inanição, cetose, estados de hiperinsulinemia ou resistência à insulina, psoríase, sarcoidose, hiperparatireoidismo, insuficiência renal, depleção de volume plasmátic Etiopatogenia 1. alta produção de ácido úrico 2. diminuição da excreção de ácido úrico 3. acumula ácido úrico no sangue 4. deposita monourato de sódio 5. quando começa a ter adeposição que começa a ter os quadros de artrite (se o paciente é geneticamente predisposto) • Aumento da purina (endógena e na dieta) → Alta produção de ácido úrico → diminuição da excreção renal → acumulo ácido úrico no sangue (hiperuricemia) → deposição monourato de sódio • Interação entre os cristais de urato e leucócitos polimorfonucleares → ativação de mecanismos inflamatórios humorais e celulares → artrite induzida por cristais de ácido úrico ❖ Tem uma célula apresentadora de antígeno que fagocita esse cristal → apresenta para célula T → célula T envia sinalização para célula B → produção de inflamação → artrite secundária a essa deposição de ácido úrico ❖ deposição de cristais de monourato → fagocitose → inflamação de célula T e B → produção de muita interleucina inflamatória (TNF alfa e interleucina 1) → processo inflamatório (por isso, tem calor, rubor, edema e pode fazer febre) Diminuição da excreção renal • HIPOEXCREÇÃO: principal mecanismo da gota primária • Principal causa de gota: paciente não consegue excretar bem o ácido úrico → Há um defeito genético no transporte do ácido úrico no rim pelos túbulos. • Até 98% pacientes com hiperuricemia primária e gota apresentam diminuição da excreção (excretam mais ou menos 40% menos ácido úrico) • Síntese endógena de purina 80% (todo metabolismo celular gera purina) + purina na dieta (carne vermelha, refrigerante, frutos do mar, castanha, amendoim) + desbalanço na excreção renal → aumento do NÍVEL DE URATO → supersaturação e cristalização de urato → deposição de monourato em diversos locais (articulação, parênquima renal, válvula cardíaca, tecidos subcutaneos) → gota → Contrabalanceado pela excreção renal (responsável pela eliminação de 2/3 do ácido úrico. A eliminação de 1/3 ocorre no intestino) → No paciente com gota existe um desbalanço entre a quantidade que é produzida de purina e o que sai Metabolismo das purinas e ácido úrico Fisiopatologia • Progressão ▪ Hiperuricemia sem deposição de cristais de monurato de sódio ▪ Deposição de cristais sem manifestações de gota ▪ Deposição dos cristais com crises aguda de artrite Concentração sérica urato > 6,8 mg/dL Deposição de monourato de sódio HIPOEXCREÇÃO: principal mecanismo de gota primária HIPERURICEMIA da excreção renal produção de purinas ▪ Gota avançada – 10 anos após crise inicial Quando clínico Podemos dividir o espectro clínico da gota: • Hiperuricemia assintomática: quadro de ácido úrico elevado no sangue sem crise de artrite • Gota aguda intermitente: tem crises de tempo em tempo; com o tempo as crises ficam com intervalos menores porque há maior deposição de ácido úrico • Artrite gotosa avançada Gota aguda intermitente • Início abrupto de dor intensa, edema e eritema na articulação acometida: Monoartrite • 50% acomete 1ª metatarsofalangeana • Preferência por articulações MMII (tornozelo, calcanhar, mediopé, joelhos) • Pode ocorrer em qualquer horário do dia porém com maior incidência durante o sono • Dor atinge maior intensidade após 4-12 horas do seu início • Dor intensa ao toque e contato com lençóis • Grande prejuízo funcional • Pode cursar com febre, calafrios, queda do estado geral → Não é comum ter febre, mas é possível porque há muita produção de interleucina • Episódio auto-limitado, com resolução espontânea em torno de 1-2 semanas → Se a pessoa não tomar nenhum remédio ele fica bom em 1 ou 2 semanas → As vezes a pessoa demora meses para ter nova crise, por isso, pode não procurar médico • Período intercrítico → sem sintomas – média de duração 11 meses → Só procura o médico depois desse período Intercrítico. → Função renal fica ruim porque a pessoa usa muito AINES e pode ser hipertenso, diabético Fatores predisponentes – desestabilização microtofo Fatores desencadeantes de crise aguda de gota: → Início da terapêutica (alopurinol ou uricosúricos) → Dieta rica em purina → Rápida perda de peso (dieta com jejum prolongado) → Álcool → Estresse emocional (Qualquer estresse pode fazer crise vir) → Procedimento cirúrgico ou injuria tecidual → Infecção aguda → Mudanças das condições climáticas → Infarto agudo do miocárdio → Hemorragias ou transfusões → Após hemodiálise → Uso de drogas (diuréticos, cicloposporinas, heparina intravenosa) → Microtrauma (ex: jogo de futebol) • Pode tornar-se oligoarticular ou poliarticular com a progressão da doença, com maior duração e período intercrítico mais curto • Se não realiza tratamento a doença que era monoarticular vai progredindo e acometendo mais articulações • Poliartrite simétrica (túnel, mão) → depois de 20 anos de ácido úrico alto, pode parecer artrite reumatoide devido tantas crises Artrite gotosa avançada • Período intercrítico doloroso → Desaparecem os períodos intercríticos: dor contínua em várias articulações, com poucos sinais flogísticos • Doença caracterizada por artrite destrutiva • Envolvimento simétrico e difuso de pequenas articulações das mãos e pés • Presença de tofos Tofos • Coleção organizada de cristais de monourato de sódio • Afetam geralmente articulações (dedos, punhos, olécrano, bursas etc) • Podem acometer olhos, orelhas, nariz, vísceras (coração, rim) → Há tanto monourato que cristaliza vai depositando de forma extra-articular • Na fase avançada precisa fazer uma cirurgia. • Se a pessoa opera com ácido úrico muito alto → tem várias crises pós-operatórias → receita muito anti-inflamatório → piora cicatrização • Ácido úrico alto após alguns anos depois da cirurgia →deposita novamente • Tem que controlar acido úrico (normal é abaixo de 6,5 em homem e abaixo de 7 em mulher) • O paciente tem que cuidar para o resto da vida porque a gota é uma doença crônica →tem tendência genética a depositar para resto da vida DIAGNÓSTICO - 1ª conduta na monoartrite aguda → punção (pode ser artrite séptica) - Se começa antibiótico antes da punção, na hora de puncionar as vezes não cresce bactéria - Se chegar resultado negativo da punção, basta suspender tratamento com antibiótico e começar tratamento de gota - 2ª conduta → antibioticoterapia Depósitos de cristais em valva mitral q contribuiu p/ estenose valvar Mão que parecer artrose → monurato depositado • História e exame físico • Punção articular ❖ Padrão ouro → confirmação da presença dos cristais de monourato de sódio em microscopia com luz polarizada • Dosagem ácido úrico • Útil para diagnostico de gota em indivíduos sintomáticos → Maioria dos pacientes com hiperuricemia não tem gota • Necessária para acompanhamento → Verificar se o ácido úrico está abaixando com o tratamento • Não adianta dosar na crise: não ajuda → Na crise o ácido úrico sérico pode não estar alto (ele entra na articulação na crise) → Depois que realizou tratamento da monoatrite que solicita dosagem de ácido úrico • Várias doenças causam erosões Imagem Radiografia • Inicialmente normal • Rarefação óssea justarticular, e erosões ósseas (imagens líticas em “saca-bocado” bem delimitadas, resultando do depósito de cristais em forma de tofos epifisários) • Imagens tofáceas, redução espaço articular, deformidades, anquilose óssea TRATAMENTO Princípios • Tratamento crises • Profilaxia de novas crises • Redução concentração sérica de urato ❖ Não abaixa ácido úrico na crise → qualquer alteração no ácido úrico durante a crise (aumento ou diminuição) pode precipitar uma nova crise ❖ Não se dá aluparinol (medicação que abaixa acido úrico – impede que purina vire ácido úrico) na crise → pode piorar e perpetuar a crise ❖ Para tratamento da crise o ácido úrico precisa estar estável no sangue Medidas Gerais • Orientações sobre mudança de estilo de vida e sobre doença e necessidade de adesãoao tratamento Erosões em todas IFD, erosões ósseas em saca-bocado (profundas) com bordos espiculados são típicas da gota Erosões ósseas em saca-bocado Esclerose óssea, calcificações periarticulares, perda espaço articular Drogas desencadeantes: - Diuréticos - Salicilatos dose baixa - Pirazinamida - Etambutol - QT - Ciclosporina - Ácido nicotínico • Restrição bebidas alcóolicas, carnes vermelhas, frutos do mar, miúdos, vísceras, defumados. • Tratamento obesidade e dislipidemias • Suspensão de drogas desencadeantes. ❖ Drogas desencadeantes: diuréticos, salicilatos dose baixa, pirazinamida, etambutol, QT, ciclosporina, ácido nicotinico Tratamento das crises • Repouso de 24 a 48h • AINES: droga de escolha ❖ Se o paciente não tiver problema renal e nenhum problema gastrointestinal ❖ Tratamento de AINES durante 7 dias o Contra-indicação: • Disfunção renal • Fator de risco p/sangramento • Colchicina ❖ Impede que o macrófago reconheça o cristal e fagocite o cristal 🡪 diminui a fagocitose ❖ É usado até melhorar o ácido úrico → pode usar até uns 6 meses ❖ Impede que o paciente tenha uma nova crise ❖ Pode começar a Colchichina junto com antiinflamatório • Corticoesteróides ❖ Indicado para pacientes que não podem tomar AINES ❖ Predinisona (30mg – dose intermediária – de 5 a 7 dias. Para não causar imunosupressão) • Artrocentese alívio / CE intra-articular ❖ Coloca medicação dentro da articulação OBS: Não se dá aluparinol durante a crise. É só o reumatologista que vai administrar aluparinol (depois de ter passado a crise de gota). Se o paciente já estiver tomando ele vai continuar tomando 🡪 não deve ser retirado pelo médico plantonista Tratamento da hiperuricemia • Deve ser discutido e considerado ao diagnóstico • Indicações ❖ ≥ 2 crises/ano ❖ Presença de tofos ❖ Artropatia e/ou nefrolitíase ❖ Presença de comorbidades: doença renal crônica, hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca) • Inibidores da xantina-oxidase • Alopurinol – primeira escolha • Contraindicação: hipersenssibilidade • “Start slow, go slow” – dose máxima 800mg/dia Alopurinol • Análogo purínico • Bloqueia conversão de hipoxantina a xantina e, desta, a ácido úrico por inibição competitiva da xantina-oxidase ❖ Impede que a purina vire ácido úrico Tratamento da hiperuricemia - Principal causa é falha na excreção renal de ácido úrico. Por isso, pode realizar tratamento para aumentar excreção renal. - Porém, se paciente faz litíase, se tem doença renal crônica, se tem tofo não pode usar → na prática clínica quase não usa esse tipo de medicação porque tem muitos efeitos adversos. • Uricosúricos ❖ A maioria dos uricosúricos não são encontrados nas farmácias. É preciso mandar manipular. ❖ Em alguns pacientes que já está usando aluporinol e não está tendo o efeito desejado, começa a associar uricosúrico em dose bem baixa para tentar melhorar. o Probenecida • Excreção renal • Contraindicações: discrasias sanguíneas, nefrolitíase, DRC o Benzobromarona • Metabolismo hepático • Contraindicações: doença hepática, porfiria, nefrolitíase, DRC