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Gasometria

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Gasometria
ELEMENTOS E VALORES DE NORMALIDADE 
 pH: 7,35 – 7,45 
 PO2: > 80 – 100 mmHg 
 PCO2: 35 – 45 mmHg 
 LAC: < 2 
 Sat O2 > 94% 
 HCO3: 20 – 26 
 - 3 < base excesso < +3 
 FiO2: 10% = 5 mmHg de aumento na PaO2 
 Anion Gap [Na + K – (Cl + HCO3)]: 8 -16 
pH: 7,35 – 7,45 
É, talvez, a variável mais importante da 
depender do motivo pelo qual foi solicitada a 
gasometria. Podemos solicitar a gasometria para 
verificar o pH do sangue. 
O pH sanguíneo possui uma faixa de variação 
muito pequena para ser considerado normal, variando 
de 7,35 até 7,45. Tudo que estiver entre essa faixa é 
normal de pH, não tem muita análise a ser feita com o 
pH normal. Entretanto, se tivermos: 
 pH < 7,35 -> acidose sanguínea 
 pH > 7,45 -> alcalose sanguínea 
Tanto a acidose quanto a alcalose são regidas, 
basicamente, por dois fatores: respiratório e 
metabólico. Ou seja, o sangue vai ser ácido ou básico 
devido a um fator respiratório ou metabólico que esteja 
causando aquele distúrbio (seja ele ácido ou básico). 
Existem vários tipos de distúrbios sanguíneos, um 
deles – a acidose – pode ser acidose respiratória ou 
acidose metabólica. Do mesmo modo, a alcalose pode 
ser respiratória ou metabólica. 
 Acidose Metabólica -> causa primordial 
relacionada ao bicabornato 
 Acidose Respiratória -> causa primordial 
relacionada ao CO2 
 Alcalose Metabólica -> causa primordial 
relacionada ao bicarbonato 
 Alcalose Respiratória -> causa primordial 
está relacionada com o CO2 
Sabendo os parâmetros é preciso entender o 
que acontece em cada situação: pH normal, pH ácido e 
pH básico. 
pH normal 
O pH normal representa o fisiológico em que 
acontecem todas as reações do corpo que devem 
acontecer e que precisam de um pH normal, 
especialmente as reações enzimáticas. 
O corpo possui uma série de reações químicas 
dependentes de enzimas; se o pH estiver muito ácido 
ou muito básico, essas enzimas desnaturam e perdem 
sua função / não fazem tão bem quanto deveriam. Ou 
seja, pH ácido ou básico em excesso (quanto mais fora 
da faixa de normalidade pior) têm uma série de 
implicações clínicas nos órgãos e nas reações 
químicas do corpo. 
pH acido 
O pH < 7,35 é ácido. É preciso entender que tanto 
o pH ácido quanto o pH básico são prejudiciais (salvo 
algumas situações específicas). 
O pH ácido desvia a curva de O2-hemoglobina 
para a direita. Ou seja, o pH ácido em alguns momentos 
pode ser protetor, fisiologicamente falando, porque ao 
desviar a curva de O2-hemoglobina para a direita torna 
o O2 mais fácil de ser carreado para os tecidos; a 
reação do O2-hemoglobina fica mais fraca, ou seja, o 
tecido consegue tirar o O2 da hemoglobina com mais 
facilidade, o que é benéfico em determinados cenários. 
Em casos de hipoxemia e má perfusão, o pH 
tende a ficar fisiologicamente mais ácido, entretanto 
existe um limite. Se o pH ficar menor de 7,2/7,25, esse 
desvio de curva do O2-hemoglobina para a direita vai 
continuar existindo, porém esse pH vai começar a 
ameaçar a vida do paciente. Até 7,25 pode ser 
compensatório o pH ácido para perfundir melhor o 
~emergencias clinicas~ 
tecido e deixar o O2 mais facilmente carreado pelo 
desvio da curva O2-hemoglobina para a direita. 
Entretanto, valores abaixo disso permitem que o 
desvio da curva continue, mas o paciente terá uma 
serie de consequências e o risco fica muito maior do 
que o benefício para o paciente. 
 pH < 6,8 é incompatível com a vida (paciente 
provavelmente não está mais vivo) 
 pH < 7,15 é extremamente ameaçador a vida 
Quanto mais tempo o paciente passa em 
acidose, mais órgãos são afetados: rins, coração e 
cérebro. Quanto mais tempo o paciente passa com pH 
< 7,15 maior será, também, sua gravidade e nível de 
preocupação para a equipe de saúde. Se esse prejuízo 
se estender, o prognostico do paciente é péssimo: 
morte, doente renal crônico dialítico, perde 
funcionalidade do coração, dentre outras 
consequências. 
 Quanto menor o pH, mais ameaçador é a vida -> 
existe uma proporcionalidade. 
pH alcalino 
O pH > 7,45 é alcalino e faz o contrario do que o 
ácido faz: desvia a curva O2-hemoglobina para a 
esquerda, aumentando a ligação do oxigênio com a 
hemoglobina, o que dificulta seu carreamento aos 
tecidos. 
Em síntese: o pH pode ser normal, ácido ou 
básico e seus principais influenciadores são as partes 
metabólica (através do bicarbonato) e respiratória 
(através do CO2). 
PO2: > 80 – 100 mmHg 
O valor de 80 – 100 que é dado como normal, nem 
sempre é de fato normal. A PO2 sozinha não fornece 
um valor confiável se o paciente está oxigenando bem. 
Isso porque a PO2 sem a fração inspirada de oxigênio 
(FiO2) é um valor pífio; o ideal é que se tenha a FiO2 e 
a PO2 para ver se a relação PO2/FiO2 está boa. 
 Obs: lembrar que a FiO2 inspirada em ar 
ambiente é de 21%. 
Os gases se distribuem com concentração 
uniforme. Ou seja, do mesmo modo que no Brasil, a 
FiO2 nos Andes também será de 21%; o que é menor 
nos Andes é a pressão do O2 na atmosfera, mas a 
concentração é a mesma. Uma vez que a pressão lá é 
menor, desloca menos ar visto que para que isso 
ocorra é preciso ter diferença no gradiente de pressão. 
Se não houver gradiente delta de pressão bom, não 
consegue puxar oxigênio. 
Existe uma série de parâmetros para PO2/FiO2: 
 > 400 = excelente 
 > 300 = bom 
 > 200 = aceitável 
 < 200 = moderado 
 < 100 = ruim 
 < 50 = péssima 
Um individuo pode estar com a PaO2 de 80, por 
exemplo, mas se estiver usando uma FiO2 de 100% 
teremos 80/1 = 80. A troca gasosa será de 80, 
considerada como ruim. Muito comum encontrarmos 
trocas gasosas péssimas (< 50) em pacientes com 
Covid em que mesmo ofertando FiO2 a 100%, a troca 
gasosa era de 40 – 42 devido a PaO2 do paciente. 
Outro exemplo: se o paciente tiver uma PaO2 de 
80 em uso de uma máscara de Venturi a 50%, a relação 
de troca será 80/0,5 = 160 (moderada). 
Importante ressaltar que o valor de normalidade 
se refere ao ar ambiente e, principalmente, quando 
pensamos em PaO2/FiO2 estamos pensando em 
relação de trocas gasosas. Ou seja, para saber se o 
paciente está trocando bem dividimos sua PaO2 pela 
FiO2 = relação de troca gasosa. 
Se houver uma relação de troca gasosa 
moderada a ruim podemos dizer que o paciente está 
hipoxêmico. Se tiver com uma troca gasosa boa está 
tranquilo. 
Quando falamos na pressão isolada de PO2, 
enquanto estiver de 80 – 100 está mantendo uma 
quantidade suficiente de O2 no corpo para perfundir os 
órgãos. Se a perfusão estará boa ou não vai depender 
da hemodinâmica / circulação; mas o fato de manter 
entre 80 – 100 ele terá, pelo menos, o mínimo 
necessário para perfundir. Se estiver abaixo de 80 o 
paciente tem hipóxia, o PO2 abaixo de 80 indica que não 
terá O2 suficiente para perfundir adequadamente todos 
os órgãos. Enquanto que níveis acima de 100 nos diz 
que há O2 em excesso no sangue daquele paciente. Ou 
seja: 
 PO2 < 80: hipóxia 
 PO2 80 - 100: normalidade 
 PO2 > 100: hiperóxia 
Hipóxia e hiperóxia são dois extremos. Apesar 
de a hipóxia (situação em que falta O2) ser comumente 
mais grave, a hiperóxia também tem suas 
consequências como o aumento da reação inflamatória 
e liberação de radicais livres. 
 Importante: a hiperóxia deve ser evitada ao 
máximo, especialmente, em casos de IAM por 
aumentar as taxas de mortalidade e nos pacientes com 
DPOC devido ao risco de narcose cerebral. Não 
devemos oxigenar em excesso o DPOCítico, bem como 
não devemos ventilar sem necessidade o paciente com 
IAM. 
Perceber que se o indivíduo estiver mantendo a 
PO2 entre 80 e 100 significa que existe uma PO2 que 
consegue manter uma certa quantidade de O2 
suficiente para perfundir os tecidos. Se a PO2 cai, não 
vai haver O2 suficiente e algum tecido vai deixar de 
receber o O2 que deveria. Normalmente o corpo 
prioriza rins, coração e cérebro

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