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Gasometria

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(não necessariamente 
nessa ordem). A PO2 elevada teremos aumento na 
liberação de radicais livres, resposta inflamatória, 
narcose cerebral no DPOCítico. 
Doenças que causam hipoxemia (PO2 < 80): 
Covid-19 (doença mais hipoxemica do mundo), SARA, 
pneumonia, TEP, atelectasias. 
Principal causa de hiperóxia (PO2 > 100): 
iatrogenia médica. 
Conceituando: narcose cerebral é um RNC que 
pode acontecer devido ao excesso de O2. Para de lavar 
porque tem muito oxigênio e começa a reter CO2. 
Considerado um quadro grave. 
PCO2: 35 – 45 mmHg 
Um dos fatores que regem o pH. 
Quanto ↑ PCO2 = ↓ pH = sangue + ácido 
Quanto maiores os níveis de PCO2 indica que há 
uma concentração maior de gás carbônico no corpo e 
que o sangue tende a ficar mais ácido. 
A definição de Arhenius para ácido diz que são 
substâncias que, quando em meio aquoso, liberam H+. 
Apesar de não ser o teorema mais atual, ele se aplica 
a cerca de 90% dos ácidos. 
O CO2 é uma substancia que libera H+ quando 
em meio aquoso. Então, o acúmulo de CO2 (ácido de 
Arhenius) diminui o pH do sangue, tornando-o 
acidótico. 
 PCO2 elevada -> acidose sanguínea 
 PCO2 baixa -> alcalose sanguínea 
Na alcalose vai haver uma PCO2 baixa, 
consequentemente menos CO2 para diluir e, desse 
modo, menos H+ será liberado, então o sangue fica 
mais alcalótico. 
O valor de normalidade da PCO2 varia entre 35 e 
45 mmHg. 
PCO2 elevada 
 Vasodilatação do SNC 
 Vasoconstricção da periferia 
A PCO2 elevada vasodilata os vasos do SNC, 
fazendo com que haja um aumento da pressão 
intracraniana (PIC). Uma vez que a PIC, segundo a 
Doutrina de Monroe-Kelly, é regida por sangue, líquor 
e cérebro dentro de uma calota craniana fechada; se 
quiser mexer na PIC é preciso tirar sangue, liquor ou 
parênquima cerebral. 
Se vasodilata o SNC e vasoconstringe os vasos 
periféricos aumenta a impedância dos vasos no SNC; 
ou seja, aumenta a capacidade de aquele vaso 
armazenar sangue, deixando mais sangue no cérebro 
e aumentando a PIC. 
Em neurocríticos, portanto, não podemos aceitar 
uma PCO2 elevada, precisa estar entre 35 e 45. Se 
quiser reduzir a PIC as custas de PCO2, pode colocar 
uma PCO2 ainda menor, entre 30 e 35. 
Importante ressaltar que, nem sempre, é 
vantagem reduzir a PCO2 no neurocrítico; o que se 
sabe é que nunca devemos aumentar. A PCO2 do 
neurocrítico deve estar baixa. 
PCO2 baixa 
 Vasoconstricção do SNC 
 Vasodilatação da periferia 
A PCO2 baixa deixa mais sangue na periferia e 
menos na cabeça. Existe, portanto, uma redução da PIC 
quando reduz a PCO2. Ou seja, é possível inferir que a 
redução da PCO2 é uma medida de redução da PIC. 
Entretanto, é importante ressaltar que a redução 
da PCO2, apesar de diminuir a PIC, reduz às custas de 
diminuição do fluxo sanguíneo cerebral; deixando mais 
sangue represado na periferia e menos sangue no 
cérebro. 
A partir disso é possível entender que nem 
sempre é interessante reduzir a PIC as custas da 
redução do fluxo sanguíneo cerebral. Um exemplo 
disso são os pacientes com AVC isquêmico que, apesar 
de possuírem uma PIC elevada, não é viável reduzir o 
fluxo sanguíneo uma vez que já há uma falha na 
perfusão em decorrência do AVC. No AVCi vai fazer a 
redução da pressão arterial em casos > 220 x 120 
mmHg -> nessas situações a AHA sugere uma redução 
de 15 a 20% da PAM ou nos casos em que o paciente 
será submetido a fibrinólise. 
O DPOCítico é o perfil de paciente que costuma 
ter a PCO2 elevada, retendo mais CO2 porque o tórax 
em barril expande, mas não retorna (complacência 
aumentada e elastância reduzida). Retentor crônico de 
CO2, uma vez que não consegue expelir e acaba 
acumulando. 
Complacência = volume / pressão 
Normalmente, o paciente com DPOC apresenta o 
perfil de acidose respiratória, uma vez que retem o CO2 
e deixa o sangue mais ácido, apresentando uma 
acidose respiratória. 
Já a PCO2 muito baixa, normalmente, indica que 
o corpo está tentando lavar CO2 para compensar algo 
(como uma acidose metabólica), diminuindo sua 
quantidade no corpo. Bastante comum em casos de 
sepse que, por si só, já eleva o metabolismo do corpo 
e faz o bulbo aumentar a frequência respiratória (FR). 
Esse aumento da FR na sepse já faz uma lavagem do 
CO2, fazendo com que o sangue tenha uma tendência a 
ficar mais alcalótico por conta dessa queda do CO2. 
O movimento respiratório rápido / taquipneia / 
respiração clássica de Kusmaull – muito presente em 
pacientes com acidose metabólica (rápida e profunda) 
– significa que o paciente está tentando lavar CO2. 
Entretanto, é preciso observar que a PCO2 só irá 
reduzir em pacientes com elastância, complacência e 
resistência boas. Nos pacientes com DPOC se 
aumentar a FR vai reter ainda mais CO2 porque haverá 
menos tempo de esvaziar a caixa torácica, piorando o 
quadro respiratório que já não era bom. Por esse 
motivo que o DPOCítico pode descompensar na 
vigência de uma sepse. 
A acidose sanguínea costuma induzir uma 
respiração rápida e profunda, bem como RNC. A 
respiração rápida e profunda é para tentar lavar o CO2; 
o RNC é devido a própria característica da acidez do 
sangue no cérebro. Paciente costuma ficar torporoso / 
obnubilado. 
Quando penso em CO2 vem a mente ventilação; 
do mesmo modo que quando penso em PO2/FiO2 vem 
a mente trocas gasosas. Para saber se o paciente está 
ventilando bem ou não é preciso avaliar o CO2. 
 Obs: Lembrar que o acúmulo de CO2 é uma 
característica clássica de doenças obstrutivas, como o 
DPOC. 
LACTATO: < 2 
Lactato é o produto direto de uma respiração 
anaeróbia. Produto de uma via onde não é usada a 
respiração celular para obtenção de ATP; considerada 
uma via ineficaz de anaerobiose que tem como produto 
final o lactato. 
A presença de lactato no sangue não é um bom 
sinal. É um dos parâmetros que, quando alterado, mais 
preocupa na gasometria. 
 Lactato normal: < 2 (perfusão tecidual boa) 
 Lactato elevado: > 2 (perfusão tecidual ruim) 
O lactato elevado significa que um ou mais 
tecidos não estão sendo adequadamente perfundidos. 
Da mesma forma que PO2/FiO2 está relacionado 
com trocas gasosas e PCO2 com a ventilação, o lactato 
vai estar relacionado com perfusão tecidual. 
Sat O2: > 94% 
A saturação representa o transporte de O2 no 
sangue e envolve duas coisas: 
1. Carreador: hemoglobina 
2. Conteúdo: oxigênio 
Não adianta ter a carreta com a caçamba vazia, 
do mesmo que não adianta ter a caçamba cheia e a 
carreta não andar, ser lenta ou serem poucas. Ou seja, 
na defasagem de qualquer um dos dois – hemoglobina 
ou oxigênio – não vai haver transporte adequado. 
A saturação do paciente estar adequada significa 
que as quantidades de hemoglobina e oxigênio estão 
suficientes para transportar O2 aos órgãos. 
Da mesma forma que PO2/FiO2 está relacionado 
com trocas gasosas, PCO2 com a ventilação e lactato 
com perfusão tecidual, a saturação vai estar 
relacionada com o transporte de O2. 
É preciso olhar o parâmetro e INTERPRETAR o 
que ele quer dizer. 
HCO3: 20 - 26 
O rim pode excretar ou reter bicarbonato. É a 
substância do organismo responsável por acidificar ou 
alcalinizar o sangue a depender da sua quantidade. 
Sabemos que o bic é uma substância alcalina, então se 
estiver alto vai alcalinizar o sangue (pH alto) e se 
estiver baixo o pH vai tender a ficar menor. 
O bicarbonato e pH são diretamente 
proporcionais. Essa relação é o oposto ao que acontece 
com o CO2: se CO2 alto, pH baixo (inversamente 
proporcionais). 
O bicabornato e o CO2 são substâncias que 
regulam o equilíbrio ácido-básico. Uma vez que no 
excesso de bic o sangue tende a alcalinizar; pouco bic 
o sangue tende a acidificar. 
 pH alto = bic alto = CO2 baixo 
 pH baixo = bic baixo = CO2 alto 
BASE EXCESS: - 3 < BE < +3 
Na prática, é um parâmetro que não costuma 
embasar a análise da gasometria, salvo algumas 
exceções