Logo Passei Direto
Buscar
Material

Prévia do material em texto

93
3, 2
6 3 5 ,625 3 , 2
1,
,1 52 2
Acadêmico, prosseguimos nossos estudos sobre alguns protagonistas que
atuam juntamente na gestão escolar. Neste tópico, abordaremos sobre o supervisor
pedagógico. Pretendemos discorrer sobre um breve contexto histórico da função,
do início do supervisor no mundo fabril sendo repassado para o contexto escolar,
como supervisor pedagógico.
Ao longo da leitura pretendemos evidenciar as características da função
e as distintas fases que trouxeram especi cidades de acordo com cada época
social para a pro ssão de supervisor pedagógico. Apontaremos, também, sobre a
importância do trabalho do supervisor na formação continuada dos professores,
com a comunidade escolar e na organização dos projetos pedagógicos.
3 5 562 ,6 5, 2 6 3 5 ,6 2 ,21
12 5 6,
O termo ȱ surgiu no período da Revolução Industrial, para
assegurar a produção quantitativa e qualitativa em menor tempo nas indústrias.
Na época, os supervisores atuavam na orientação dos pro ssionais para que
conseguissem exercer suas funções de forma produtiva na indústria e no comércio.
Dessa forma, seu surgimento se deve à necessidade da vigilância e controle dos
pro ssionais nos modos de produção, com funções especí cas baseadas em
planejar, comandar e controlar.
Profa. Graciele Alice Carvalho Adriano, 2017
94
2 2 2 2
FIGURA 24 - SUPERVISÃO FABRIL
FONTE: Disponível em: <http://www.realsafety.org/2014/11/safety-supervisors-the-5-
most-common-mistakes/>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Segundo Lima (2001), a partir da organização dos trabalhos desenvolvidos
nas indústrias, a função de supervisor alcançou outros campos de atuação, como
militar, esportivo, político e educacional. Na época, a intenção de todas as áreas
que estruturaram a função de supervisor era alcançar seus objetivos e metas na
realização dos trabalhos.
O primeiro registro legal sobre a atuação do supervisor escolar no Brasil
foi em 1931, esses executavam as normas prescritas pelos órgãos superiores,
chamados de orientadores pedagógicos ou orientadores de escola, tendo como
função básica a inspeção. No nal da década de 1950 e inícioda década de 1960, um
acordo rmado entre o Brasil e os Estados Unidos da América para implantação
do Programa deAssistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar (PABAEE)
determinou a atuação do supervisor escolar para o controle e inspeção (ANJOS,
1988).
Na década de 1970, os supervisores educacionais passaram a desenvolver
ações relativas ao inspetor escolar, voltadas para o controle e execução dos
trabalhos. Nesse período passa a ser atribuída ao supervisor educacional uma
3 3 3
95
funçãosistematizada,contribuindopara ofuncionamentodas instituiçõesescolares,
interligando os diversos setores educacionais. Para o exercício da função, surge a
necessidade de quali cações técnicas, acadêmicas, com formação especí ca para o
cargo (ANJOS, 1988). Segundo Saviani (2003, p. 14):
[...] a ação supervisora passa da condição de função para a de pro ssão,
pela mediação da ideia de supervisão. Com efeito, para que uma função
seja organizada como pro ssão é preciso que ela seja destacada do âmbito
em que opera, o que implica um processo de abstração no qual a ideia é
construída. Nesse processo a função é de nida, isto é, identi ca-se o que é
própriodela e que a distinguedasdemais, especi cando-se os seus atributos.
Desta forma, surge a necessidade da preparação pro ssional especí ca
para o desenvolvimento da função de supervisor educacional com conhecimentos
necessários para o desenvolvimento de uma pro ssão que advém domundo fabril
para o educacional. Nesse sentido, surge a necessidade de saberes próprios da
pro ssão que atuará internamente na área educacional, mais precisamente nos
ambientes escolares.
Saviani (2003) aponta que o Parecer do Conselho Federal de Educação
nº 252/69 contribuiu para a legalização da pro ssão de supervisor educacional.
O Parecer, respaldado na Lei nº 5.540/68, da Reforma Universitária, atuou na
reformulação do curso de Pedagogia, indicando a necessidade da especialização
com habilitações de inspeção, administração, supervisão e orientação.
A nova estrutura do curso de Pedagogia decorrente do Parecer nº
252/69 abria, pois, claramente a perspectiva de pro ssionalização
da supervisão educacional na esteira da orientação educacional, cuja
pro ssão já havia sido regulamentada por meio da Lei 5.564, de 21 de
dezembro de 1968 [...], com efeito, estavam preenchidos dois requisitos
básicos para se constituir uma atividade com o ������ de pro ssão: A
necessidade social, isto é, um mercado de trabalho permanente [...] e a
especi cação das características da pro ssão ordenadas em torno de um
mecanismo, também permanente, de preparo dos novos pro ssionais, o
que se traduziu no curso de Pedagogia reaparelhado para formar, entre
os vários especialistas, o supervisor educacional (SAVIANI, 2003, p. 31).
Assim, o curso de Pedagogia formaria os pro ssionais da educação para
exercerem certas funções técnicas, como administração, orientação, supervisão,
exercidas pelo pro ssional habilitado como professor. Naquela época, o Brasil
vivia a ditadura e os pro ssionais com as funções de administração, orientação e
supervisão deveriam scalizar o trabalho desenvolvido pelos professores.
Na década de 1980 o país vivenciou um momento crítico da educação,
fundamentadonas re exões sobreo contexto educacional brasileiro.Nesseperíodo,
a atuação do supervisor educacional sofreu críticas referentes ao desenvolvimento
de seus trabalhos. Ferreira (2003, p. 78) contribui a rmando que: “Na década
de 80, a crise socioeconômica e a Nova República dão início a uma nova fase, a
luta operária ganha força e os professores lutam pela reconquista do direito de
participar da de nição da política educacional e da luta pela recuperação da escola
96
2 2 2 2
pública”.
A década de 1980 foi marcada pela pós-ditadura, um período onde os
pro ssionais da educação lutaram pela recuperação da escola pública, incidindo
na promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação/96 (BRASIL, 1996).
FIGURA 25 - ATUAÇÃO DO SUPERVISOR PEDAGÓGICO
FONTE: Disponível em: <http://clickgratis.blog.br/gestaoIIpolonf/534377/o-papel-do-
supervisor-escolar.html>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Desta forma, a década de 1990, com a promulgação da Lei de Diretrizes e
BasesdaEducaçãoNacional n° 9.394, de 20/12/1996, estrutura uma novaatuação da
supervisão educacional. O supervisor educacional passa a contribuir na produção
de novos conhecimentos, favorecendo ambientes para a construção de processos
de ensino e aprendizagem, objetivando os fazeres pedagógicos. A LDB n° 9.394/96
assegura aos supervisores educacionais práticas como assessoramento, apoio,
colaboração, auxílio técnico e cooperação, deixando a função de inspetor para um
mediador de mudanças e transformações nas escolas (BRASIL, 1996).
6 6 6 3 5 ,6 2 ,21
Ao longo do percurso histórico da função de supervisor educacional, o
pro ssional assumiu funções distintas em cada época de atuação. Desta forma,
passou por três fases: scalizadora, construtivista e criativa (NÉRICI, 1978).
3 3 3
97
FIGURA 26 - FASES DA FUNÇÃO DE SUPERVISOR EDUCACIONAL
FONTE: Nérici (1978)
Assim como podemos observar no organograma, a função de supervisor
educacional, segundo Nérici (1978), passou por algumas fases com características
distintas:
• : Nesta fase, a função de supervisão educacional estava
associada à inspeção escolar. O trabalho direcionado para a função técnica e
administrativa prezava o cumprimento das leis de ensino, condições físicas do
prédio, situações legais dos professores, cumprimento das ações desenvolvidas
nas atividades escolares, como provas, transferências, matrículas, férias,
documentação dos estudantes e outras. Seguir determinações rígidas e
in exíveis, de formageneralizadaparatodoterritórionacional, desconsiderando
as diversidades existentes em cada região ou instituição.
: Também conhecida como fase de supervisão orientadora,
onde o supervisor exercia a função de orientador escolar. Os supervisorespassam por uma expressiva modi cação na forma de atuar em relação à fase
anterior, iniciam os questionamentos sobre a necessidade de se pensar em
melhorias na atuação dos professores. Surgem os cursos de aperfeiçoamento,
capacitação e atualização docente, buscando novos conceitos e metodologias
para aprimorar o trabalho educativo.
: A função de supervisor educacional se desvincula da inspeção
escolar. Assumem uma função com objetivo de agir no aprimoramento
do processo de ensino e aprendizagem. Iniciam um trabalho que inclui a
participaçãode todos os envolvidos na escola, nasdecisõesde forma cooperativa
e democrática.
98
2 2 2 2
O supervisor educacional exerce uma função de liderança, ocupa um cargo
que compõe a equipe da gestão da escola, juntamente com os outros pro ssionais,
como o diretor da escola, orientador e coordenador. Desta forma, sua ação pode
ocorrer de dois tipos, segundo Nérici (1978), baseados na sua forma de pensar e
conceber as relações que se estabelecem com a comunidade escolar.
Comopodemos observar, a supervisão podeacontecer de forma autocrática
ou democrática. Na supervisão escolar autocrática ocorre o desenvolvimento da
ação autoritária do supervisor, determinando ordens, sugestões e direções para
a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem. O supervisor age como se
conseguisse controlar todos os processos desenvolvidos na escola, buscando
soluções para as di culdades. Atua com autoridade e intimidação, ignorando
a cooperação e as relações interpessoais que se estabelecem entre os outros
pro ssionais no contexto escolar (NÉRICI, 1978).
A supervisão escolar democrática, ao contrário, preza a liberdade de
expressão, respeito, compreensão, criatividade e a parceria entre todos os
envolvidosna comunidadeescolar. O trabalhodesenvolvido pelo supervisor segue
um parâmetro democrático, considerando as contribuições de todos os envolvidos
quando necessita assumir alguma decisão. Sobretudo, respeita a individualidade
de cada pro ssional que atua na escola, estimula a iniciativa e criatividade,
desenvolve as relações interpessoais considerando as características singulares do
grupo no processo de ensino e aprendizagem (NÉRICI, 1978).
A função do supervisor educacional passou por vários momentos na
história da educação, em cada período exercendo de forma especí ca a organização
social. A princípio a função foi exercida por administradores e professores, sem
formação ou conhecimento especí co para a pro ssão. Com o passar do tempo
e a promulgação das leis nacionais, o supervisor educacional passou a ser um
pro ssional especializado, com uma atuação voltada para a garantia de qualidade
nos processos de ensino e aprendizagem.
3 3 3
99
2 2 6 3 5 ,625 ,21 1
21 325 1 ,
A atuação do supervisor educacional destina-se ao acompanhamento
dos processos de ensino e aprendizagem, desenvolvidos no contexto da escola.
Assim, segundo Alarcão (2001), existem nos sistemas de ensino do país diversas
nomenclaturas para de nir o supervisor que atua nas escolas: supervisor escolar;
supervisor educacional; coordenador pedagógico; supervisor pedagógico.
A função do supervisor educacional, atualmente, encontra-se voltada para
a coordenação do trabalho pedagógico, articulando os conhecimentos, liderança
e o envolvimento no processo de ensino e aprendizagem, juntamente com a
comunidade escolar. Desta forma, o supervisor educacional se encontra na fase
criativa, objetivando a coordenação dos trabalhos desenvolvidos na escola.
Przybylski (1982) aponta o conceito de supervisão educacional como uma
forma de orientação e acompanhamento dos processos de ensino, observando e
assessorando os professores para uma atuação educativa junto aos estudantes.
Supervisão escolar é o processo que tem por objetivo prestar ajuda
técnica no planejamento, desenvolvimento e avaliação das atividades
educacionais em nível de sistema ou unidade escolar, tendo em
vista o resultado das ações pedagógicas, o melhor desempenho e o
aprimoramento permanente do pessoal envolvido na situação ensino-
aprendizagem (PRZYBYLSKI, 1982, p. 16).
Nesse sentido, a função do supervisor educacional passa a ser uma
referência para a comunidade escolar, enquanto responsável pela coordenação
do trabalho pedagógico. Exerce uma ação de líder, responsável pela articulação
dos conhecimentos e saberes dos professores em relação às propostas educativas
da escola. Atua também como mobilizador da equipe escolar, intencionando a
melhoria do trabalho pedagógico. Para Balzan (1983), a ação desenvolvida pelo
supervisor diz respeito à sua concepção quanto ao contexto social, transcendendo
o espaço da sala de aula. O autor a rma ainda que o supervisor necessita:
compreender que os problemas com os quais ele e os demais educadores
vêm se defrontando, embora manifestos em salas de aulas, têm suas
raízes além do ensino, do currículo e mesmo da área educacional, são
parte de um contexto mais amplo: social, político, econômico e cultural
(BALZAN, 1983, p. 41).
Desta forma, o supervisor será o responsável por buscar alternativas para
suprir as necessidades educacionais apresentadas no contexto escolar. Atuando
de forma criativa, buscará parcerias com os outros pro ssionais que compõem a
comunidade escolar, estabelecendo uma relação dialógica sobre as di culdades
encontradas. Assim, agirá como facilitador do desenvolvimento de projetos
coletivos na escola, de forma democrática, inserindo os professores, estudantes e a
comunidade nos trabalhos desenvolvidos no contexto educativo.
100
2 2 2 2
FIGURA 27 - FUNÇÃO DO SUPERVISOR PEDAGÓGICO
FONTE: Disponível em: <https://pt.slideshare.net/AnaMarciaCostaTimoti/
estatuto-da-apm-ana-marcia-timoti>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Atualmente, o supervisor educacional apresenta uma função interligada
com a concepção de mudança, referente às novas propostas curriculares. Nesse
sentido, uma das ações da supervisão consiste em assumir a responsabilidade pela
formação continuada dos professores desenvolvida na escola. Necessita intervir
para que encontros aconteçam, buscando momentos de re exão dos professores
quanto às suas ações teóricas e práticas, ao complexo processo de ensino e
aprendizagem.
Talre exão,viaderegra,produzmelhoresresultadosquandoestimulada
e conduzida por alguém reconhecidamente experiente, capaz de
transformar o processo de re exão individual em um processo coletivo,
de tal sorte que na busca de novos caminhos se transforme numa ação
orientada para objetivos mais amplos assumidos coletivamente pelo
grupo (ALONSO, 2003, p. 177).
O desenvolvimento da formação continuada consiste numa tarefa
desa adorapara o supervisor,masnecessáriaparaaefetivaçãododesenvolvimento
de práticas inovadoras. Como um momento em que os professores possam
exteriorizar suasaspirações,dúvidas, trocadeexperiênciasemateriaispedagógicos.
Nesse sentido, a função de supervisor educacional exige certas competências que
são necessárias para a concretização dos objetivos educacionais, necessitando de
paciência, compreensão, aceitação, empatia, colaboração e outros que designam
aspectos para o desenvolvimento positivo das relações interpessoais.
3 3 3
101
FIGURA 28 - ATUAÇÃO DO SUPERVISOR EDUCACIONAL
FONTE: A autora
Comopodemosobservar, a atuação da supervisãoeducacional compreende
várias atividades desenvolvidas juntamente aos professores, comunidade escolar,
na formação continuada e em projetos educacionais. Estudamos, até o momento,
que a função de supervisor educacional deveria se pautar na observação,
compreensão e construção de atitudes e relacionamentos para além do sistema
conservador de ensino. Necessitaperceber suaatuação não comoumsimples ato de
execução de tarefas, mas como uma ação e ciente, criativa, dinâmica, interagindo
e contribuindo para o desenvolvimento do ambiente educacional.
DICAS
Para conhecer mais sobre o conceito 
de formação continuada ou formação de 
professores, acesse o vídeo intitulado "Por uma 
boa formação de professores", de António Nóvoa. 
Você irá se surpreender com a fala do estudiosoque escreveu vários livros sobre o assunto. Confira! 
Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=SXcEuowXf-c>. Acesso em: 30 maio 2017.
102
5 6 2 2 3, 2
à :
• O termo supervisãoȱsurgiu no período da Revolução Industrial, para assegurar
a produção quantitativa e qualitativa em menor tempo nas indústrias. Na época,
os supervisores atuavam na orientação dos pro ssionais para que conseguissem
exercer suas funções de forma produtiva na indústria e no comércio.
• O primeiro registro legal sobre a atuação do supervisor escolar no Brasil foi em
1931, e executavam as normas prescritas pelos órgãos superiores, chamados de
orientadores pedagógicos ou orientadores de escola, tendo como função básica a
inspeção.
• A LDB n° 9.394/96 assegura aos supervisores educacionais práticas como
assessoramento, apoio, colaboração, auxílio técnico e cooperação, deixando a
função de inspetor para um mediador de mudanças e transformações nas escolas.
• O supervisor educacional exerce uma função de liderança, ocupa um cargo
que compõe a equipe da gestão da escola, juntamente com os outros pro ssionais,
como o diretor da escola, orientador e coordenador.
• A função do supervisor educacional, atualmente, encontra-se voltada para a
coordenação do trabalho pedagógico, articulando os conhecimentos, liderança
e o envolvimento no processo de ensino e aprendizagem, juntamente com a
comunidade escolar.

Mais conteúdos dessa disciplina