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TBL 4 - Patologias da coluna vertebral: cervicalgias/cervicobraquialgias e lombalgias/lombociatalgias Maria Laura Gonçalves Vieira – T XIV A CV é composta de sete vértebras cervicais, doze torácicas e cinco lombares, além do sacro, formado por um bloco de cinco vértebras fundidas e pelo cóccix. As vértebras são formadas pelo corpo vertebral e pelo arco posterior, delimitando o canal medular. Em geral, cada grupo de vértebras pode ser identificado por suas características especiais. As vértebras tornam-se progressivamente maiores até o sacro, onde, então, passam a ser sucessivamente menores – o comprimento da CV atinge cerca de 40% da altura do indivíduo. Articulam-se entre si por discos intervertebrais e articulações zigoapofisárias, sendo os primeiros do tipo fibrocartilagem e as segundas do tipo sinovial. No segmento cervical, localizam-se ainda as articulações uncovertebrais, a atlantoaxial e a occipitovertebral. De modo geral, realizamos uma inspeção estática e dinâmica, seguida da palpação (pontos dolorosos, tumorações e assimetrias musculares) e depois de manobras especiais. Níveis de acometimento Doenças da coluna cervical Dor miofascial Associada à presença de trigger points (pontos gatilho), que são pontos hipersensíveis em uma banda muscular tensa palpável. Quando localizados e submetidos à pressão digital, estes pontos contraem-se e desencadeiam a dor (local ou irradiada). Quadro clínico O paciente cursa com dor regional, referida ou irradiada para áreas adjacentes ou distantes. Essa dor é reproduzida com a compressão do ponto gatilho durante o exame físico. Ademais, pode gerar também sinais sensoriais, como parestesia (sensação de formigamento) ou lacrimejamento, a depender da localização do ponto gatilho. Associado a este quadro, comumente, o paciente refere restrição da amplitude de movimento articular e fraqueza muscular. Diagnóstico O diagnóstico é clínico e consiste na associação entre: · · História de dor referida com padrão miofascial. · Identificação do ponto gatilho e aplicação dos critérios diagnósticos. · Identificação dos fatores perpetuadores e amplificadores. Tratamento · · Educação do paciente · Avaliação ergonômica do trabalho, avaliação prática esportiva; Avaliação de postura · Avalição e tratamento de fatores psicológicos · Correção de distúrbios do sono · Melhor tratamento: inativação dos pontos-gatilho! (infiltração a seco ou com anestésicos; inativação manual) · Reabilitação (alongamento/fortalecimento) – evitar recorrência · Medicamentos: adjuvante (AINEs, opioides fracos, relaxantes musculares a curto prazo; antidepressivos duais ou tricíclicos) · Acupuntura: pode ser adjuvante Dor discogênica O disco intervertebral é composto pelo anel fibroso e pelo núcleo pulposo, e a saída do núcleo pulposo para fora dos limites do disco caracteriza a hérnia discal. Quando existe fissura do anel, com penetração do núcleo, mas sem ultrapassar seus limites, têm-se as protrusões discais; progressivamente, há as hérnias subligamentares, que ultrapassam o anel fibroso, mas sem romper o ligamento longitudinal posterior; rompido esse ligamento, as hérnias são extrusas; perdida a continuidade com o núcleo pulposo que deu origem a ela, são exclusas ou sequestradas. Quadro clínico - A manifestação clássica da hérnia discal consiste em dor aguda no segmento afetado (cervicalgia ou lombalgia), geralmente de forte intensidade, com trajeto de irradiação de acordo com a raiz afetada, caracterizando, então, as cervicobraquialgias e as lombociatalgias. Outro quadro de grande importância causado por hérnia mediana volumosa é a síndrome da cauda equina, caracterizada por distúrbios esfincterianos, genitais e hipoestesia em sela, exigindo diagnóstico e intervenção precoces. Tratamento - AINE, analgésico, relaxante muscular e orientações não farmacológicas Mielopatia cervical Ocorre devido ao estreitamento do canal medular na região cervical Quadro clínico - Dor cervical, que pode irradiar para os 4 membros, podendo haver paresia desses membros em casos graves. Diagnóstico: clínico, presença do sinal de Lhermitte (sensação de choques que percorrem a coluna cervical e dorsal, com irradiação para os membros inferiores e, raramente, para os membros superiores, quando o paciente realiza a flexão da coluna cervical) e RM. Tratamento: casos não gravasse, tratamento conservador (AINE, analgésico, relaxante muscular, repouso e reabilitação). Já os casos graves/refratários, com sintomas motores, são indicados avaliação da neurocirurgia. Cervicobraquialgia Quadro clínico - Dores cervicais que irradiam para membros superiores (dor mais intensa nos membros). Fáscia lateral do braço (C5), fáscia lateral do antebraço + 1º e 2º dedo (C6), 3º dedo (C7), fáscia medial do braço (T1). Diagnóstico feito por RM (casos graves – presença de sintomas motores, refratários). 3 manobras: · Manobra de spurlin (pressão crânio-caudal estreita neuroforame e causa dor) · Sensibilização do teste de spurlin (lateraliza a cabeça para o lado do braço acometido) · Teste de distração (“puxa a cabeça para cima” aumenta o espaço do neuroforame e leva a melhora da dor – especificidade alta). Doenças da coluna lombar A dor lombar é definida como a dor que ocorre entre as costelas e a região glútea. É um problema bastante comum, representando um grande encargo financeiro e emocional para os indivíduos e a sociedade. Possui taxa de prevalência de 25%. Segundo OMS, 80% da população sofrerá desse mal ao longo da vida. Em muitos casos, os episódios são autolimitados e desaparecem sem tratamento especifico. Em outros, no entanto, a dor é recorrente ou crônica, causando significativa interferência no emprego e na qualidade de vida. Red flags Atentar para red flags em lombalgias agudas (< 4 semanas). Os “sinais de alerta vermelhos”, indícios de comprometimento sistêmico, podem ser detectados por uma acurada anamnese e um cuidadoso exame físico; tais sinais indicam, provavelmente, tumores, infecções, afecções metabólicas, ginecológicas, endócrinas, vasculares ou dos sistemas digestório, urinário e genital. · · Histórico de câncer · Idade acima de 50 anos · Perda de peso inexplicada · Duração da dor superior a um mês · Dor notuma · Não resposta aos tratamentos anteriores · Histórico de aneurisma da aorta abdominal · Febre · Deficiência neurológica progressiva · Alterações esfincterianas associadas Yellow flags Presença de yellow flags é indicação de maior risco para cronificação da dor lombalgias subagudas (4-12 semanas). Os problemas psicossociais que se manifestam pelos “sinais de alerta amarelos” são detectáveis em pessoas com história atual e/ou pregressa de ansiedade, depressão, litígios, infidelidade, conflitos trabalhistas e conflitos previdenciários. Sinal da cauda equina A síndrome da cauda equina ocorre quando o feixe de nervos que se estende da parte inferior da medula espinhal (abaixo de L2) é comprimido ou danificado. É uma emergência neurocirúrgica. A causa mais comum de síndrome da cauda equina é um disco com hérnia. A síndrome da cauda equina causa dor intensa na região lombar, problemas urinários (como incontinência), perda de sensibilidade nas nádegas, na área genital, na bexiga e no reto, fraqueza em MMII, hipoestesia/anestesia em sela. Lombalgias agudas Investigação depende da patologia que se tem como hipótese diagnostica. Conduta: analgésico + repouso relativo + relaxante muscular + AINE (paciente sem sinais de alarme). Lombalgia mecânica comum Causa mias comum de lombalgia crônica. Paciente com mais de 12 semanas de dor, e no exame de imagem não conseguimos fazer associação de nenhuma alteração com a causa da dor. QC: dor lombar crônica, sem irradiação. Imagina-se que a dor seja proveniente de alterações na coluna e dor nociplástica. Diagnóstico é clínico. Tratamento: não satisfatório na maioria dos casos. Educar e orientar o paciente, reabilitação (fisioterapia, pilates, aeróbico, perda de peso). Nas exacerbações da dor: AINE, analgésico, repouso relativo. Na cronicidade:gabapentinoides, tricíclicos, duloxetina. Cirurgia não leva a melhora do quadro. Dor facetáriaa Dor da osteoartrite na coluna. Dor lombar localizada, sem irradiação, com piora na extensão da coluna. RX dá boas pistas para o diagnóstico. Na fase aguda, tratamento sintomático. Na fase crônica o tratamento visa a reabilitação. Lombociatalgias (hérnias discais, junção de alterações crônico-degenerativas) Dor na lombar que irradia para porção abaixo do joelho (nervo ciático). Estreitam o forame onde saem L4, L5 ou S1. A causa mais comum são as hernias discais. Teste de Lasègue: dor induzida pelo estiramento do nervo ciático ou de uma de suas raízes ocasionado pela extensão gradual e lenta do joelho do membro inferior com quadril em 90 graus e o paciente em decúbito dorsal. Podemos aumentar a sensibilidade do teste com a dorsiflexão do tornozelo. RM exame padrão ouro. Tratamento, na maioria das vezes, é clínico.