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Otorrino Epistaxe Nayara Alcântara 1 EPISTAXE Fonte: Rotinas em otorrinolaringologia Þ Introdução • Sangramento que se origina da mucosa das fossas nasais, decorrente da alteração da hemostasia normal do nariz. • É considerada a emergência mais comum da otorrino (apesar da maioria dos episódios serem leves e autolimitados, 6 a 10% dos pctes precisam de atendimento especializado). • Possui um pico bimodal, maior incidência em crianças menores que 10 anos e em maiores de 45 anos (ppte idosos entre 70-79 anos). O quadro tende a ser mais grave em idosos. • Há uma variação sazonal na incidência da epistaxe, sendo mais comum durante o inverno. Þ Anatomia e classificação Todo suprimento sanguíneo das fossas nasais vem da a. carótida externa e interna. • Ramos da a. carótida externa: A. esfenopalatina (ramo da a. maxilar); • Ramos da a. carótida interna: A. oftálmica; 1. Epistaxe anterior: • Área anterior- 90% dos casos: porção mais anterior do septo nasal; • Plexo de Kisselbach: localizado na área de little, onde ocorre a confluência das 04 principais artérias- esfenopalatina, etmoidal anterior, labial superior e palatina maior; • Tende a ser de menor intensidade e mais autolimitada; • É o tipo mais comum em crianças. 2. Epistaxe posterior: • Área posterior: ocorre mais em adultos > 40 anos; • Mais raro: até 10% dos casos; • Tendem a ser mais volumosos e precisar de atendimento especializado para a sua resolução; • A artéria mais comumente envolvida é a esfenopalatina; a epistaxe proveniente da etmoidal anterior está mais associada a trauma facial ou lesão iatrogênica durante cirurgia endoscópica nasossinusal; • Plexo de Woodruff: localizado posteriormente à concha média. Þ Etiologia 1. Causas locais: • Espontânea (temperaturas mais frias, menor umidade do ar, etc); • Inflamatórias/infecciosas (rinite, rinossinusite); • Traumáticas: o Trauma digital (coceira ou batida): é uma das causas mais comuns, ppte em crianças o Fraturas nasais o Trauma facial • Corpo estranho (muito comum ppte na pediatria): geralmente cursa epistaxe unilateral com rinorréia purulenta; • Alterações anatômicas: desvio septal, perfurações septais (pode ocorrer em quem usa drogas inalatórias ou fuma muito); • Medicamentosa: um dos principais colaterais do uso crônico de corticoide nasal é a epistaxe. • Iatrogênica (ppte nas cirurgias da otorrino); • Tumores: carcinoma escamocelular, adenoide cístico, melanoma, papiloma invertido e nasoangiofibroma juvenil; • Aneurisma ou pseudoaneurisma de carótida: epistaxe volumosa ou recorrente, ppte em pctes com hitórico de cirurgia de cabeça e pescoço prévia ou trauma. Otorrino Epistaxe Nayara Alcântara 2 2. Causas sistêmicas: • HAS (mais comum. Pico hipertensivo ou HAS não controlada. Pode romper algum vaso e perder a capacidade de contração); • Coagulopatias: hemofilias, hepatopatias, DVWB, leucemias- epistaxe volumosa e recidivante; • Doenças hematológicas que cursam com alteração de plaquetas: aplasia medular; • Drogas anticoagulantes (heparina e outras); • Antiagregantes plaquetários: AAS, clopidogrel; OBS: Lembrar dos fitoterápicos que podem alterar a função plaquetária, como é o caso da Ginkgo biloba. • Esquema de QT: trombocitopenias; • Alteração vascular: aterosclerose, hipertensão, etc • Infecções ou doenças sistêmicas graves: IRA/DRC, sepse, hepatopatias; • Alcoolismo e desnutrição. Þ Avaliação e manejo geral • Anamnese/ proteção da VA / manter o estado hemodinâmico e tranquilizar o paciente • Preferencialmente, manter o pcte sentado e levemente inclinado para frente (caso haja coágulos, pedir que ele escarre conforme a necessidade) • Duração x Intensidade x Recorrência • Anterior (auto-limitada) x posterior (sangramento mais intenso, geralmente em hipertensos) • Sinais de patologia sistêmicas (HAS? Coagulopatia?) • Endoscopia nasal • Estado geral (cuidado para o pcte não chocar) • Exames físico + laboratorial (hemograma completo) Þ Tratamento 1. Epistaxe anterior: • Em geral: sem recercussão, auto-limitada; • Plexo de Kisselbach (principal local de sangramento); mais comum em crianças e adultos jovens; • Limpeza da cavidade nasal para melhor inspeção interior; • Compressão digital: Primeira medida a ser tomada, pode ser otimizada com algodão e vasocontritores (cuidado em hipertensos e crianças). • Outras alternativas: Dedo de luva com gaze ou preservativo. Ou colocar gaze dentro com a pinça baioneta; OBS: Se possível, utilizar algodão embebido com solução de lidocaína com vaso à 2% na narina acometida. Cauterização (ppte por via química, com o nitrato de prata ou ácido tricloroacético 3%): • Resolução de 90% da epistaxe anterior; • Procedimento de escolha APENAS SE PONTO SANGRANTE VISTO pela rinoscopia ou endoscopia nasal; • Pode ser feita por via química ou elétrica; • Complicações: ulceração da mucosa, perfuração septal e queimaduras. 2. Epistaxe Posterior: • Medidas iniciais (controlar níveis pressóricos); • Sonda de Foley + gaze; • Ligadura vascular. Þ Tamponamento nasal • Tampão anterior: o Caso cauterização ineficaz ou ponto de sangramento não localizado; o Anestesia + vasoconstrictor; o Deixar por 12-24h; • Tampão ântero-posterior: o Pctes com epistaxe posterior severa ou sangramento refratário ao tamponamento anterior; o NÃO utilizar em pctes com trauma facial; o Manter durante 24 a 48 horas; OBS: A permanência do tampão por mais de 72h está associada a complicações, como: necrose, síndrome do choque tóxico e rinossinusites. o Hospitalização para adequado manejo (de preferência realizado pelo ORL); o Uso de sondas com duplo balão ou sonda de Foley (maior disponibilidade). o O procedimento: sonda nº 10 a 16 introduzida na fossa nasal até ser visualizada pela orofaringe. Insuflar o cuff com 10 a 15 ml de água destilada. Tracionar a sonda até que ela impacte na rinofaringe e depois fixá-la (essencial para evitar aspiração ou obstrução de VA). • Tampão posterior: o Para epistaxes abundantes e posteriores. o Mínimo de 48h e até 72h. o Introduzir antibiótico e controlar níveis pressóricos. Complicações dos tampões: • Trauma nasal pelo tampão, como perfuração septal (ppte após cauterização) • Dor, sinéquia, aspiração • Infecção (por isso que em epistaxe posterior deve- se internar e iniciar antibiótico); • Hipóxia pela obstrução nasal (ficar atento em pacientes pneumopatas, ppte com DPOC) Otorrino Epistaxe Nayara Alcântara 3 • Angina, necrose, rinossinusite, celulite periorbitária, OM, hipóxia e síndrome do choque tóxico1 1 complicação causada pela toxina produzida pelo S. aureus, manifestando-se com febre, hipotensão e rash. Atenção! As duas principais linhas de tto para epistaxe persistente são a cirurgia e a embolização arterial. Þ Tratamento cirúrgico Indicação: • Tratamento conservador não eficaz ou recorrência após tamponamento; • Ligadura endoscópica de artéria nasal lateral posterior (ramo da artéria esfenopalatina). • Ácido tranexâmico: diminui sangramento intraoperatório (fazer uso tópico, já que por via sistêmica tem um risco elevado de eventos tromboembólicos). Þ Urgências em otorrinolaringologia Como conseguir sucesso na retirada de corpos estranhos? • Boa iluminação, anatomia, imobilização, habilidade. Otorrino Epistaxe Nayara Alcântara 4 Þ Resumo do manejo: