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Meningites 
Surto x Epidemia x 
Endemia: 
SURTO: 
O Surto epidêmico é definido como uma epidemia de proporções 
reduzidas, atingindo pequena comunidade humana. Exemplo: surtos 
em creches, escolas, instituições fechadas. 
EPIDEMIA: 
A Epidemia é a ocorrência, numa coletividade ou região, de casos da 
mesma doença (ou surto epidêmico) em número que ultrapassa o 
quantitativo de casos normalmente esperados. O número de casos que 
caracteriza a presença de uma epidemia varia de acordo com o agente 
infeccioso, o tamanho e o tipo da população exposta, sua experiência 
prévia com a doença ou a ausência de casos anteriores e o tempo e o 
lugar da ocorrência. Ao descrever uma epidemia, deve ser 
especificado o período, a região geográfica e outras particularidades 
da população em que os casos ocorreram. 
ENDEMIA: 
É a ocorrência habitual de uma doença ou de um agente infeccioso, 
em determinada área geográfica; pode significar, também, a 
prevalência usual de determinada doença nessa área. As doenças 
transmissíveis são chamadas de endêmicas quando em uma área 
geográfica ou grupo populacional apresenta um padrão de ocorrência 
relativamente estável com elevada incidência ou prevalência. 
Doenças endêmicas como a malária estão entre os principais 
problemas de saúde em países tropicais de baixa renda. Se ocorrerem 
mudanças nas condições do hospedeiro, do agente ou do ambiente, 
uma doença endêmica poderá se tornar epidêmica. 
PANDEMIA: 
Epidemia de grandes proporções, atingindo grande número de pessoas 
em uma grande área geográfica (um ou mais continentes). 
Indicadores 
epidemiológicos: 
INCIDÊNCIA: 
A incidência de uma doença, em um determinado local e período, é o 
número de casos novos da doença que iniciaram no mesmo local e 
período. Traz a ideia de intensidade com que acontece uma doença 
numa população, mede a frequência ou probabilidade de ocorrência 
de casos novos de doença na população. Alta incidência significa alto 
risco coletivo de adoecer. 
PREVALÊNCIA: 
Prevalecer significa ser mais, preponderar, predominar. A prevalência 
indica qualidade do que prevalece, prevalência implica em acontecer 
e permanecer existindo num momento considerado. Portanto, a 
prevalência é o número total de casos de uma doença, existentes num 
determinado local e período. 
A quantidade de casos existentes de uma doença, em uma determinada 
população, em um certo momento, é a prevalência da doença. 
Teoricamente, o momento corresponde a um "ponto" no tempo 
(prevalência instantânea). Em circunstâncias operacionais, é possível 
m e n n i i g t e s 
estabelecer o momento tomando-se diferentes unidades de tempo 
(semana, mês, ano); a prevalência sugere "volume". 
Uma segunda medida da frequência de uma doença é dada pela 
incidência, que corresponde à quantidade de casos novos, ocorridos 
em uma determinada população durante um certo período; a 
incidência sugere "velocidade" ou "intensidade". O número absoluto 
de casos novos de uma doença, ocorridos durante um certo período, 
em uma população sob risco de adquirir a doença, é o coeficiente de 
incidência da doença na população, no período considerado. 
LETALIDADE: 
A letalidade mede a severidade de uma doença e é definida como a 
proporção de mortes dentre aqueles doentes por uma causa específica 
em um certo período de tempo. 
Taxa de letalidade relaciona o número de óbitos por determinada 
causa e o número de pessoas que foram acometidas por tal doença. 
Esta relação nos dá ideia da gravidade do agravo, pois indica o 
percentual de pessoas que morreram por tal doença e pode informar 
sobre a qualidade da assistência médica oferecida à população. 
MORTALIDADE: 
É o número de óbitos no período pelo número total de população no 
período. O número absoluto de óbitos ocorridos em uma determinada 
população, durante um certo período, ponderado pelo tamanho da 
população, no meio do período, é o coeficiente geral de mortalidade 
dessa população, no período considerado. Como a informação 
fornecida pelo coeficiente geral de mortalidade é limitada, a análise 
da mortalidade de uma população requer a construção de indicadores 
específicos, que forneçam informação a respeito de quem morre, e 
sobre as causas dos óbitos. A principal desvantagem da taxa de 
mortalidade geral é o fato de não levar em conta que o risco de morrer 
varia conforme o sexo, idade, raça, classe social, entre outros fatores. 
Não se deve utilizar esse coeficiente para comparar diferentes 
períodos de tempo ou diferentes áreas geográficas. 
É a variável característica das comunidades de seres vivos; refere-se 
ao conjunto dos indivíduos que morreram num dado intervalo do 
tempo. Representa o risco ou probabilidade que qualquer pessoa na 
população apresenta de poder vir a morrer ou de morrer em 
decorrência de uma determinada doença. Diversas vezes temos que 
medir a ocorrência de doenças numa população através da contagem 
de óbito e para estudá- las corretamente; estabelecemos uma relação 
com a população que está envolvida. É calculada pelas taxas ou 
coeficientes de mortalidade. Representam o “peso” que os óbitos 
apresentam numa certa população. 
MORBIDADE: 
As taxas de mortalidade são particularmente úteis na investigação de 
doenças com alta letalidade. Entretanto, muitas doenças apresentam 
baixa letalidade, como, por exemplo, a maioria das doenças mentais, 
doenças musculoesqueléticas, artrite reumatoide, varicela e caxumba. 
Nessa situação, dados de morbidade são muito mais úteis do que as 
taxas de mortalidade. Os dados sobre morbidade são frequentemente 
úteis no entendimento de certas tendências na mortalidade. Mudanças 
nas taxas de mortalidade podem ser decorrentes de modificações no 
padrão de morbidade ou de letalidade de determinada doença. Assim 
como a mortalidade, a morbidade está sempre referida a uma 
população e a um período de tempo determinados. Por outro lado, 
enquanto o óbito marca uma mudança radical e irreversível, o 
adoecimento é transitório, e admite uma gama de gradações (a doença 
leve, equivalente a uma perturbação pequena, tem um significado 
bastante distinto da doença grave, que pode levar à morte). Deste 
modo, embora seja possível construir indicadores genéricos de 
morbidade (traduzindo "doença" por internação, consulta médica, 
consumo de medicamentos, interrupção das atividades cotidianas por 
motivo de saúde, etc.), os indicadores de morbidade frequentemente 
se referem a uma doença específica, ou a um grupo de doenças 
específico. Fontes de dados de morbidade incluem: admissões e altas 
hospitalares; consultas ambulatoriais e de atenção primária; serviços 
de especialistas (como tratamentos para acidentes); registros de 
doenças (como câncer e malformações congênitas). 
FATORES DE RISCO: 
Um fator de risco refere-se a aspectos de hábitos pessoais ou de 
exposição ambiental, que está associado ao aumento da probabilidade 
de ocorrência de alguma doença. Uma vez que os fatores de risco 
podem ser modificados, medidas que os atenuem podem diminuir a 
ocorrência de doenças. O impacto dessas intervenções pode ser 
determinado através de medidas repetidas utilizando-se os mesmos 
métodos e definições. 
PATOGENICIDADE E VIRULENCIA: 
Alguns indicadores (tradicionalmente utilizados em doenças 
infecciosas) dizem respeito a características do agente etiológico. A 
patogenicidade é a capacidade do agente de provocar a doença no 
hospedeiro infectado, e édada pela proporção de doentes em relação 
ao total de infectados. A virulência é a capacidade do agente de 
provocar casos graves (proporção de casos graves em relação ao total 
de doentes); a virulênciado agente tem influência sobre a letalidade 
da doença. 
ESTILO DE VIDA DOS INDIVÍDUOS: 
Relacionado com os fatores comportamentais e de estilos de vida das 
pessoas. Para uma ação eficaz neste nível são necessárias políticas 
públicas que estimulem a mudança de comportamento por meio de 
programas educativos, comunicação social, acesso facilitado a uma 
alimentação saudável, criação de espaços públicos para a prática de 
esportes e exercícios físicos, bem como proibição à propaganda do 
tabaco e do álcool em todas as suas formas. 
REDES SOCIAIS E COMUNITÁRIAS: 
As relações de solidariedade e confiança entre pessoas e grupos são 
importantes para a promoção e proteção da saúde individual e 
coletiva. Para atuar neste nível são incluídas as políticas que buscam 
estabelecer redes de apoio e fortalecer a participação das pessoas e das 
comunidades. 
CONDIÇÕES DE VIDA E TRABALHO: 
Esse nível se relaciona com as condições materiais e psicossociais nas 
quais as pessoas vivem e trabalham. As políticas que atuam nesse 
nível normalmente são de responsabilidade de vários setores, como 
oferecer a população água limpa e tratada, saneamento básico, 
habitação, alimentos saudáveis e nutritivos, emprego, ambientes de 
trabalho saudáveis, serviços de saúde e educação de qualidade etc. 
 
 
CONDIÇÕES SOCIECONÔMICAS, CULTURAIS E 
AMBIENTAIS: 
Este nível é conhecido como à atuação ao nível dos 
macrodeterminantes, através de políticas macroeconômicas e de 
mercado de trabalho, de proteção ambiental e de promoção de uma 
cultura de paz e solidariedade que possam promover um 
desenvolvimento sustentável, diminuindo as desigualdades sociais e 
econômicas, as violências, a degradação ambiental e seus efeitos 
sobre a sociedade. 
Vigilância 
epidemiológica x 
vigilância sanitária: 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: 
Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que 
proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer 
mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde 
individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as 
medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. 
A vigilância em saúde é a coleta, análise e interpretação sistemática 
de dados em saúde para o planejamento, implementação e avaliação 
das atividades em saúde pública. Os dados obtidos pela vigilância 
devem ser disseminados, permitindo a implementação de ações 
efetivas para a prevenção da doença. Os mecanismos de vigilância 
incluem a notificação compulsória de algumas doenças, registros de 
doenças específicas (base populacional ou hospitalar), pesquisas 
populacionais repetidas ou contínuos e a agregação de dados que 
mostram padrões de consumo e atividade econômica. 
 
VIGILÂNCIA SANITÁRIA : 
Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capazes de 
eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos 
problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e 
circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, 
abrangendo: I – o controle de bens de consumo que direta ou 
indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as 
etapas e processos, da produção ao consumo; e II – o controle da 
prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com 
a saúde. 
No Brasil, a ANVISA é responsável por criar normas e regulamentos 
e dar suporte para todas as atividades da área no País. A ANVISA 
também é quem executa as atividades de controle sanitário e 
fiscalização em portos, aeroportos e fronteiras. 
A vigilância sanitária pode atuar em: 
Agentes etiológicos 
meningites: 
BACTERIANA: 
Os principais agentes bacterianos são: Neisseria meningitidis 
(meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo), 
Haemophilus influenzae. 
Podemos citar ainda outros agentes bacterianos, como: 
Mycobacterium tuberculosis, Streptococcus sp. – especialmente os do 
grupo B, Streptococcus agalactie, Listeria monocytogenes, 
Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella 
pneumoniae, Enterobacter sp. 
Dentre os fatores associados à meningite bacteriana podemos citar: 
1. Faixa etária, porta de entrada ou foco séptico inicial; 
2. Tipo e local da infecção no sistema nervoso central (SNC); 
3. Imunidade prévia; situação epidemiológica local. 
VIRAL: 
As meningites virais têm distribuição universal e, em geral, evolução 
benigna, baixa letalidade e menor risco de sequelas. São 
frequentemente associadas à ocorrência de surtos, podendo ocorrer 
casos isolados. A incidência se eleva nos meses do outono e da 
primavera. 
FÚNGICA: 
Os principais fungos causadores de meningite são do gênero 
Cryptococcus, sendo as espécies mais importantes a C. neoformans e 
a C. gattii. Outros fungos menos frequentes são: Candida albicans, 
Candida tropicalis, Histoplasma capsulatum, Paracoccidioides 
brasiliensis, Aspergillus fumigatus. 
A meningite criptocócica tem caráter predominantemente oportunista, 
acometendo principalmente indivíduos com estado imunológico 
comprometido (aids ou outras condições de imunossupressão). No 
entanto,a espécie C. gattii pode acometer imunocompetentes, 
residentes em áreas tropicais e subtropicais, com caráter epidêmico. 
Em geral, cursa com comprometimento neurológico importante, 
apresentando evolução grave. Associa- -se a elevado risco de 
complicações, como hipertensão intracraniana e de sequelas, como 
paralisia permanente de nervos cranianos, déficit cognitivo e 
hidrocefalia. 
Quadro clínico: 
O quadro clínico da meningite caracteriza-se por febre de início 
súbito, associada à cefaleia, prostração, náuseas, vômitos, hiporexia, 
rigidez de nuca, mialgia, agitação, fotofobia e sinais meníngeos. 
Em neonatos e lactentes, o quadro é caracterizado por irritabilidade, 
baixa aceitação da dieta, hipertonia/hipotonia, febre, convulsões, 
choque séptico, convulsão, abaulamento de fontanela, grito meníngeo 
(criança grita ao ser manipulada, principalmente, quando se flete as 
pernas para trocar a fralda). A presença de rigidez da nuca quase nuca 
está presente, sendo necessário analisar o quadro geral, abaulamento 
da fontanela e dados epidemiológicos para a suspeição de 
meningococo. 
A irritação meníngea se associa com os sinais abaixo: 
• Sinal de Kernig: flexão passiva da coxa sobre a bacia, em ângulo 
reto, com dor e resistência à extensão do joelho. 
• Sinal de Brudzinski: flexão involuntária da perna ao se tentar fletir 
a cabeça do paciente. 
MENINGITE VIRAL: 
Tendo seu principal representante o enterovírus, associadas ao quadro 
de meningite, são comuns manifestações gastrointestinais (vômitos, 
hiporexia, diarreia e dor abdominal), respiratórias (tosse, faringite) e 
ainda erupção cutânea. No exame físico observa-se um bom estado 
geral associado aos sinais de irritação meníngea. Em geral, cursa com 
bom prognóstico e a recuperação do paciente é completa. Tende a ser 
autolimitada, a duração do quadro é geralmente inferior a uma 
semana. 
MENINGITE CRIPTOCÓCICA: 
Deve ser sempre considerada em pacientes com AIDS que apresentam 
cefaleia, febre, demência progressiva e confusão mental. 
MENINGITE BACTERIANA: 
O período de encubação é de 2-10 dias e a apresentação clínica pode 
apresentar-se na forma de 3 síndromes, que não necessariamente estão 
todas presentes. 
• Síndrome toxêmica: queda importante do estado geral, febre alta, 
delirium, e quadro confusional. Sinal de Faget (dissociação pulso- -
temperatura) pode estar presente. 
• Síndrome da Hipertensão Intracraniana (HIC): cefaleia, náuseas 
e vômitos. 
• Síndrome da irritação meníngea: rigidez nucal, sinal de Kernig, 
sinal de Brudzinsk e desconforto lombar. Somente 50% dos pacientes 
apresentam essa tríade. Outros achados são convulsões e sinais 
neurológicosfocais. A presença de lesões cutâneas é bem 
características da N. meningitidis. 
A infecção por meningococo pode levar a meningite e 
meningococcemia, sendo denominada como doença meningocócica, 
que é um problema de saúde pública devido ao risco de surtos. 15-
20% possuem evolução rápida e muitas vezes fulminante devido a 
septicemia meningocócica, apresentando prostração intensa, palidez, 
sinais de toxemia, exantema e/ou petéquias, sufusões hemorrágicas, 
hipotensão, rebaixamento do sensório, associados ou não a quadro de 
meningite, com risco de evolução para choque, CIVD e óbito. 
compondo a Síndrome de Waterhouse-Friderichsen. 
MENINGITE TUBERCULOSA: 
Se não tratada, classicamente possui curso da doença dividido em 3 
estágios: 
• Estágio I: tem duração de 1 a 2 semanas, sintomas inespecíficos 
(febre, mialgias, sonolência, apatia, irritabilidade, cefaleia, anorexia, 
vômitos, dor abdominal e mudanças súbitas do humor), e pode estar 
lúcido. 
• Estágio II: surgimento de evidências de dano cerebral com 
aparecimento de paresias, plegias, estrabismo, ptose palpebral, 
irritação meníngea e HIC. Podem surgir manifestações de encefalite, 
com tremores periféricos, distúrbios da fala, trejeitos e movimentos 
atetóides. 
• Estágio III ou período terminal: déficit neurológico focal, 
opistótono, rigidez de nuca, alterações do ritmo cardíaco e da 
respiração e rebaixamento do nível de consciência, incluindo o coma. 
Solicitação de exames: 
A meningite bacteriana é uma emergência médica que exige 
diagnóstico imediato e instituição rápida de terapia antimicrobiana. 
Atraso no tratamento é o fator mais importante na determinação da 
morbidade e da mortalidade de pacientes com meningite bacteriana. 
O diagnóstico de meningite bacteriana não é difícil em um paciente 
febril com sintomas e sinais meníngeos desenvolvendo-se no contexto 
de uma doença predisponente. O diagnóstico pode ser menos evidente 
num paciente idoso, obnubilado, com pneumonia ou então num 
paciente confuso, com alcoolismo, em iminência de delirium tremens. 
Quando se suspeita do diagnóstico de meningite bacteriana, devem 
ser realizadas hemoculturas em paralelo ao exame e cultura do LCR, 
devendo ser prontamente instituída terapia antimicrobiana. Se houver 
suspeita de lesão com efeito de massa (abscesso cerebral, empiema 
subdural) a partir de informações da história, dos dados clínicos ou 
dos achados do exame físico (papiledema, sinais cerebrais focais), 
devem ser realizados primeiramente exames de imagem, antes do 
LCR, incluindo TC com ou sem realce por contraste, ou ressonância 
magnética (RM), por causa do risco de herniação cerebral ao se fazer 
a punção lombar. Os antibióticos podem e devem ser iniciados 
imediatamente, mesmo antes de realizar a punção lombar, pois são 
necessárias aproximadamente duas horas para que os antibióticos 
afetem as culturas de LCR. Punção lombar diagnóstica não deve ser 
adiada para realizar a TC ou a RM, exceto em pacientes com 
alterações neurológicas focais sugestivas de coleções ou outras lesões 
intracranianas com efeito de massa. Nesses pacientes, é fundamental 
iniciar a terapia antimicrobiana para meningite de origem 
desconhecida ou abscesso cerebral antes de realizar TC ou RM. 
Pacientes com meningite adquirida na comunidade raramente 
apresentam anormalidades significativas detectadas na TC, na 
ausência de alterações neurológicas focais. 
EXAME DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO: 
A pressão inicial do LCR em geral está moderadamente elevada (de 
200 a 300 mm H2O em adultos). Elevações importantes (≥450 mm 
H2O) ocorrem em pacientes com edema cerebral agudo complicando 
a meningite, mesmo na ausência de lesão com efeito de massa. As 
variáveis analisadas pelo exame de LCR costumam estar francamente 
alteradas em pacientes com meningite e tais achados podem ajudar a 
sugerir a causa, mesmo antes que os resultados da cultura estejam 
disponíveis. Em pacientes com fraturas do crânio, LCR escoado por 
rinorreia pode se distinguir de secreções nasais pela presença de 
glicose no LCR e não na secreção nasal. 
Quando há suspeita de meningite bacteriana, devem-se obter 
imediatamente hemoculturas, e o tratamento antimicrobiano empírico 
e a terapia adjuvante com dexametasona devem ser iniciados sem 
demora. O diagnóstico de meningite bacteriana é estabelecido pelo 
exame do LCS. A necessidade de avaliação neurorradiológica (TC ou 
RM) antes da PL requer discernimento clínico. Em paciente 
imunocompetente sem história conhecida de traumatismo craniano 
recente, com nível de consciência normal e sem evidências de 
papiledema ou déficits neurológicos focais, é considerado seguro 
realizar a PL sem exame de neuroimagem prévio. Se a PL for adiada 
com a finalidade de se obter um exame de neuroimagem, deverá ser 
iniciada a antibioticoterapia empírica após a coleta para hemoculturas. 
A antibioticoterapia instituída algumas horas antes da PL não 
modifica significativamente a contagem de leucócitos ou a 
concentração liquórica de glicose e tampouco impede a visualização 
de microrganismos pela coloração de Gram ou detecção de ácidos 
nucleicos bacterianos pela reação em cadeia da polimerase (PCR). 
Quase todos os pacientes com meningite bacteriana são submetidos a 
exames neurorradiológicos durante a evolução da doença. A RM é 
preferível à TC devido à sua superioridade na demonstração de áreas 
de edema e isquemia cerebrais. Nos pacientes com meningite 
bacteriana, frequentemente observa-se captação difusa de contraste 
pelas meninges após a administração de gadolínio. A captação 
meníngea não é diagnóstica de meningite, pois ocorre em qualquer 
doença do SNC associada a aumento da permeabilidade da barreira 
hematencefálica. 
A meningoencefalite viral, e particularmente a encefalite pelo herpes-
vírus simples (HSV), pode simular a apresentação clínica de 
meningite bacteriana. A encefalite herpética apresenta-se com 
cefaleia, febre, alteração da consciência, déficits neurológicos focais 
(p. ex., disfasia, hemiparesia) e crises convulsivas focais ou 
generalizadas. Os achados liquóricos, dos exames neurorradiológicos 
e do eletrencefalograma (EEG) distinguem entre encefalite por HSV 
e meningite bacteriana. O perfil típico do LCS nas infecções virais do 
SNC é o de pleocitose linfocitária com concentração de glicose 
normal, diferente da pleocitose por PMN e hipoglicorraquia típicas da 
meningite bacteriana. Não se observam anormalidades na RM da 
meningite bacteriana não complicada (afora a captação meníngea de 
contraste). Em contrapartida, na encefalite por HSV, nas imagens de 
RM ponderadas em T2, com recuperação de inversão com atenuação 
do líquido (FLAIR) e ponderadas em difusão, são observadas lesões 
de sinal hiperintenso nos lobos orbitofrontais, anteriores e 
temporomediais na maioria dos pacientes dentro de 48 horas após o 
início dos sintomas. Alguns pacientes com encefalite por HSV exibem 
no EEG um padrão periódico típico. 
Vias de contágio: 
A transmissão ocorre através do contato com secreções respiratórias 
do portador do agente patogênico (inalação de gotículas de secreção 
de vias aéreas), havendo necessidade de contato íntimo (moradores da 
mesma casa, pessoas que compartilham dormitório ou alojamento, 
comunicante de creche ou escola, namorado). As meningites virais 
(especificamente causadas por enterovírus) geralmente são 
transmitidas por via fecal-oral. Apresenta um período de incubação 
de, em geral, 2 a 10 dias com média de 3 a 4 dias. Para os enterovírus, 
situa-se entre 7 e 14 dias. Para os casos de meningite tuberculosa, a 
incubação ocorre nos 6 primeiros meses da infecção. 
No caso das meningites bacterianas, o agente etiológico pode 
atravessar a barreira hematoencefálica por: 
• Acesso direto: fraturas de crânio, defeito congênito de fechamento 
do tubo neural (espinha bífida, meningocele, meningomielocele, 
meningoencefalocele)e iatrogênica (punção liquórica inadequada). 
• Contiguidade: otites médias, mastoidites ou sinusites. 
• Via hematogênica: ultrapassa a barreira hematoencefálica por 
ligação com receptores endoteliais, lesão endotelial ou em áreas mais 
susceptíveis, como o plexo coroide. 
• Derivações liquórica. 
A lise bacteriana e liberação da suas endotoxinas (Gram-negativas), 
ácido teicoico e peptidioglicano (Gram-positivas) da parede celular, 
induzem a produção de citocinas inflamatórias que aumentam a 
permeabilidade da barreira hematoencefálica, causando edema 
vasogênico e hidrocefalia através deste mecanismo. 
Por este mesmo mecanismo, há formação de edema intersticial junto 
com a hidrocefalia. Além disso, a migração de leucócitos resulta em 
degranulação e liberação de metabólitos tóxicos que geram edema 
citotóxico, crises epilépticas e até mesmo acidente vascular. A 
consequência desses eventos é o aumento da pressão intracraniana e 
até mesmo coma. 
Já a transmissão pode ocorrer até 24 horas após o início da 
antibioticoterapia adequada, no caso de etiologias bacterianas. 
No caso das meningites virais, os vírus atingem o SNC por via 
hematogênica (enterovírus) ou neuronal (HSV). No caso dos 
enterovírus, ao passarem pelo estômago, são capazes de resistir ao pH 
ácido e prosseguem para o trato gastrointestinal inferior. Outros vírus 
se replicam na nasofaringe e se disseminam em linfonodos locais. 
Após os enterovírus se ligarem a receptores dos enterócitos, eles se 
replicam em uma célula suscetível, progridem para a placa de Payer 
(onde ocorre replicação mais intensa) e então uma viremia atinge 
coração, SNC, fígado, sistema reticuloendotelial. Acredita-se que o 
enterovírus atinja o SNC através de junções íntimas endoteliais e 
posteriormente alcance o plexo coroide e o líquor. 
A infecção causada pelo HSV (vírus herpes simples) atinge o SNC 
pela via neuronal, através do nervo trigêmeo e olfatório; ou ainda nos 
casos de meningite asséptica, o vírus se dissemina após uma lesão 
genital primária, ascendendo pelas raízes sacrais até a meninge. O 
vírus pode ainda ficar latente nas raízes nervosas do trigêmeo e 
olfatório, reativando anos depois, causando encefalite ou quadros de 
meningite asséptica. 
quimioprofilaxia: 
A quimioprofilaxia é a melhor medida para prevenção de casos 
secundários e de surtos. Está indicada somente para os contatos 
próximos de casos de meningite por H. influenzae e doença 
meningocócica. Considera-se como contato próximo moradores do 
mesmo domicílio, indivíduos que compartilham o mesmo dormitório 
(em alojamentos, quartéis, entre outros), parceiro, comunicantes de 
creches e escolas, pessoas diretamente expostas às secreções do 
paciente, indivíduo que conviveu com o doente por quatro ou mais 
horas diárias, por pelo menos cinco dos sete dias que antecederam a 
admissão hospitalar do caso. 
A droga de escolha é a Rifampicina. Deve ser iniciada, idealmente, 
até 48 horas da exposição, podendo ser usada até 10 dias no caso de 
doença meningocócica ou até 30 dias no caso do Haemophilus 
influenza. Todos os contatos devem ser monitorados durante 10 dias. 
Para os menores de um ano contactantes não vacinadas, deve ser 
utilizada a vacina tetravalente nas meningites por H. influenzae. 
Indicações de quimioprofilaxia: 
• Todos os contatos próximos de um caso de doença meningocócica, 
independente do estado vacinal 
• Contato próximo com casos de doença invasiva por Haemophilus 
influenzae. 
 • Profilaxia para o profissional de saúde: indicada somente para 
casos com exposição às secreções respiratórias e vômitos do doente, 
durante procedimentos invasivos como intubação orotraqueal, ou 
quando permaneceram no mesmo ambiente que o doente por um 
período superior a quatro horas, sem utilização de equipamentos de 
proteção individual (EPI). 
 
A vacinação é considerada a principal medida preventiva, sendo as 
vacinas específicas para determinados agentes etiológicos e utilizadas 
na rotina para imunização de crianças menores de 2 anos. Estão 
disponíveis no Calendário Nacional de Vacinação da Criança do 
Programa Nacional de Imunizações (PNI/MS): 
• Vacina conjugada Pentavalente: protege contra meningite e outras 
infecções causadas pelo H. influenzae tipo b, além de difteria, tétano, 
coqueluche e hepatite B. 
• Vacina BCG: protege contra as formas graves de tuberculose (miliar 
e meníngea). 
• Vacina pneumocócica conjugada 10-valente: protege contra 
doenças invasivas e outras infecções causadas pelo pneumococo 
(proteção contra dez sorogrupos). 
• Vacina meningocócica conjugada C: protege contra doença 
invasiva causada por meningococo do sorogrupo C. 
• Vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23): 
indicada para imunodeprimidos, portadores de doenças crônicas e 
população indígena acima de 2 anos de idade. 
• Surto e vacinação de bloqueio 
• Surto: ocorrência de três ou mais casos pelo mesmo sorogrupo 
confirmados laboratorial- mente (cultura ou PCR) em até 3 meses, na 
mesma área geográfica, que não sejam comunicantes entre si. 
• Vacinação de bloqueio: indicada para população exposta, quando 
há a confirmação de um surto de doença meningocócica causada pelo 
sorogrupo C. 
• Vacina meningocócica conjugada C: interrompe a cadeia de 
transmissão do meningococo na comunidade. 
Esquemas: 
 
Referências 
bibliográficas: 
• Medicina Interna de Harrison - [Dennis L.] Kasper... [et al.] 19ª edição 
- Porto Alegre - AMGH, 2017. 
• Goldman - Cecil Medicina, editado por Lee Goldman, Andrew I. 
Schafer [et al.] 25ª edição - Rio de Janeiro - Elsevier, 2018. 
• Resumos da Med 
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