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Cardiologia Ana Carolina Freire, 5° período ELETROCARDIOGRAMA (ECG) Primeiro passo Saber a identificação do paciente (idade, gênero, peso, altura...), uma vez que os parâmetros considerados normais do ECG são diferentes a depender da idade do paciente, biótipo também influencia. Segundo passo Checar a padronização do ECG. O papel em que é registrado o ECG é dividido a cada 1 mm por linhas horizontais e verticais, formando um quadrado de 1 mm de lado. EIXO HORIZONTAL Eixo horizontal Representa o tempo em segundos; A cada 5 linhas (ou 5 mm), estas se tornam mais grossas formando um quadrado maior. EIXO VERTICAL Representa a diferença de potencial em milivoltagem (mV). - Um quadrado menor representa a medida da diferença de potencial de 0,1 Mv. - 1 mV Corresponde ao deslocamento de 10 quadrados grandes, também designado pela letra N. -Geralmente essa padronização é representada por um retângulo de 5 mm de lado e 10 mm de altura, que se localiza ao lado de cada derivação eletrocardiográfica. Velocidade padrão de deslocamento 25 mm/s. - O deslocamento de 1 mm, na horizontal, corresponde a 0,04 s. - Se a velocidade aumentar para 50 mm/s impressão que a FC do paciente está mais baixa que o normal e ocorre o inverso se a velocidade for diminuída 10 mm/s. Para confirmar que a padronização está correta em relação à amplitude deve-se olhar para o retângulo que fica no canto do ECG. O convencional é que ele ocupe 10 quadrados pequenos na vertical. Checar antes de iniciar o exame a interpretação do exame, sua qualidade técnica, verificando a presença de artefatos ou posicionamento incorreto dos eletrodos. Deve-se também observar e ajustar a ativação dos filtros (filtro muscular e filtro de rede elétrica) e a faixa de frequência do sinal que deverá estar entre 0,67 Hz e 150 Hz. -Essa faixa permite a análise adequada dos detalhes, reduzindo artefatos gerados pela atividade muscular e pela rede elétrica. TRAÇADO DO ELETROCARDIOGRAMA SISTEMA DE CONDUÇÃO DO CORAÇÃO O ECG é baseado no potencial de ação da célula cardíaca. ! Os cardiomiócitos contraem quando há sístole. Para gerar o estímulo elétrico é preciso que haja uma modificação dos íons, permitindo que a bomba de Na e K faça essa troca de íons e para isso é necessário ter energia. Cada parte do coração tem uma frequência determinada de despolarização (descarregamento que vai fazer com que o coração contraia). Marca-passo A parte do coração que tem a maior frequência de despolarização e ela manda a maior quantidade de pulsos de energia por minuto. Ela inibe a despolarização das outras partes e assim comanda a frequência com a qual o coração irá contrair. ! O marca-passo fisiológico do coração é o nó sinusal. Cardiologia Ana Carolina Freire, 5° período ATIVAÇÃO ELÉTRICA DO CORAÇÃO 1- O nó sinoatrial (SA) despolariza; 2- A atividade elétrica vai rapidamente para o nó AV pelas vias intermodais; 3- A despolarização se espalha mais lentamente através do átrio. A condução atrasa através do nó AV; 4- A despolarização move-se rapidamente pelo sistema de condução ventricular para o ápice do coração; 5- A onda de despolarização se espalha para cima a partir do ápice. A frequência de despolarização do nó sinusal vai de 50 impulsos/minuto no limite inferior e 100 impulsos por minuto no limite superior. Por isso a faixa de 50 a 100 batimentos por minuto é considerada a normal para o coração do paciente adulto. COMPONENTES DO TRAÇADO DO ELETROCARDIOGRAMA Quando temos dois vetores ocorrendo de forma simultânea, pode-se calcular o resultado da interação de suas forças pela resultante. Toda vez que há a gênesis de um estímulo elétrico há a produção de um vetor, e esse vetor depende da posição que é formado. DEFLEXÃO POSITIVA Se o estímulo elétrico gerado segue a mesma direção que o vetor do coração. DEFLEXÃO NEGATIVA Se o estímulo elétrico gerado segue a direção oposta que o vetor do coração. Mesma direção Soma os vetores. Direção oposta Subtrai os vetores. Vetores perpendiculares entre si com o mesmo tamanho Vetor com direção intermediária. ! O vetor perpendicular ocorre com os vetores da despolarização dos átrios. A ativação dos ventrículos é representada por 3 vetores: Vetor 1- Ativação septal, direcionado para a direita. Vetor 2- Direcionado para baixo, à esquerda e para frente. Vetor 3- Ativação das partes basais, ponta para cima. SAQRS- resultante dos 3 vetores. DESPOLARIZAÇÃO DOS ÁTRIOS Onda P Onda gerada pela despolarização dos átrios. Após a despolarização dos átrios, o estímulo chega ao nó atrioventricular (AV), o qual “segura” o estímulo que vem do nó sinoatrial, para posteriormente levar para os ventrículos. Isso ocorre para que o coração realize a sua função de bombeamento do sangue de forma adequada, uma série de contrações organizadas tem que ocorrer. ! Após chegar ao nó AV o estímulo elétrico é retardado, isso faz com que apareça uma linha reta após a onda P no traçado do ECG. Cardiologia Ana Carolina Freire, 5° período DESPOLARIZAÇÃO DOS VENTRÍCULOS Após o AV “liberar” o estímulo elétrico se inicia a despolarização ventricular. A primeira região do ventrículo a ser estimulada é a do septo interventricular (fica entre o ventrículo direito e esquerdo). O vetor gerado por esta ativação se dirige para baixo e para direita. Por este vetor estar se distanciando do eletrodo explorador ele irá aparecer uma deflexão negativa no traçado registrado. Onda Q Primeira deflexão negativa resultante da despolarização ventricular. ! A despolarização ventricular ocorre do endocárdio (parte interna do coração) para o epicárdio (parte externa). Assim, o vetor resultante desse processo aponta de dentro para fora do coração. Como o ventrículo esquerdo possui uma massa muscular bem maior que a do direito, o vetor resultante da ativação dessas duas estruturas aponta para esquerda e para baixo. Como esse vetor se aproxima do eletrodo explorador ele irá aparecer uma deflexão positiva no traçado registrado. Onda R A primeira onda positiva gerada pela despolarização ventricular. ! O tamanho da deflexão no traçado depende da quantidade de músculo cardíaco sendo ativado. Quanto mais músculo mais amplitude. Por isso a deflexão da onda R é maior do que a da onda Q. Após a ativação das paredes livres, observa-se a propagação da energia elétrica para as partes basais de ambos os ventrículos. O vetor resultante da ativação das porções basais dos ventrículos aponta para cima, em geral levemente para direita. Como esse vetor se distancia do eletrodo explorador irá aparecer uma deflexão negativa no traçado. Onda S Deflexão negativa que segue a onda R. Complexo QRS O complexo QRS é a representação elétrica da despolarização ventricular e corresponde à sístole cardíaca (contração ventricular). É composto por 3 ondas: Q,R e S. ! A repolarização atrial não aparece no ECG, já que fica “encoberta” pela ativação (despolarização) dos ventrículos. REPOLARIZAÇÃO DOS VENTRÍCULOS Onda T Deflexão positiva. A repolarização ventricular começa pela região epicárdica e não pela endocárdica, ou seja, as células que se despolarizam por último iniciarão a repolarização primeiro. Onda U Representa o final da repolarização ventricular, tem polaridade positiva e normalmente é proporcional a onda T. Segmento Refere-se à linha reta (isolétrica) entre duas ondas. Intervalo É mais amplo. O intervalo PR vai do início da despolarização atrial ao início da despolarização ventricular e, assim, engloba o período desde o início da onda P até o início do complexo QRS. Cardiologia Ana Carolina Freire, 5° período DERIVAÇÃO As derivaçõesrepresentam a diferença de potencial entre dois pontos, um eletrodo explorador (positivo) e um eletrodo “indiferente” (negativo). Toda vez que o impulso elétrico estiver indo em direção ao eletrodo explorador, a deflexão no eletrocardiograma será positiva e , quando se afastando será negativa. Nas derivações bipolares, os dois eletrodos são colocados diretamente no paciente, como na derivação DI, entre o braço direito (polo negativo) e esquerdo (polo positivo). Nas derivações unipolares, como as precordiais, entre um eletrodo que se encontra no precórdio e outro “eletrodo virtual” representado pelo próprio eletrocardiógrafo. A derivação é um ângulo de enxergar a despolarização celular. 1- Vetor se afastando. 2- Vetor primeiro se aproxima, mas se afasta com maior intensidade. 3- Vetor se proxima e se afasta com a mesma intensidade (isodifásica). 4- Vetor mais se aproxima do que se afasta 5- Vetor se aproximando. Para sabermos a magnitude do vetor deve-se olhar a amplitude registrada no eletrocardiograma em milivolts. -Cada mm corresponde a 0,1 milivolt (no normal padrão-N). PLANO FRONTAL DERIVAÇÕES UNIPOLARES - aVR Potencial no braço direito (-150°) - aVL Potencial no braço esquerdo (-30°) - Avf Potencial na perna (90°) DERIVAÇÕES BIPOLARES DI diferença de potencial entre o braço direito e o braço esquerdo. DII diferença entre o braço direito e a perna esquerda. DIII diferença entre o braço esquerdo e a perna esquerda. PLANO HORIZONTAL DERIVAÇÕES PRECORDIAIS Unipolares - V1 4° EID, ao lado do externo - V2 4° EIE, ao lado do externo - V3 Entre V2 e V4 - V45° EIE, linha hemiclavicular - V5Mesmo nível de V4, linha axilar anterior - V6Mesmo nível de V4, linha médio-axilar REGISTRO DAS DERIVAÇÕES Através de eletrodos periféricos. Braço direito Eletrodo vermelho; Perna direita Eletrodo preto. Braço esquerdo Eletrodo amarelo. Perna esquerda Eletrodo verde. EIXO NO ECG Quando falamos do eixo do complexo QRS no ECG ou eixo elétrico do coração nos referimos ao vetor resultante da despolarização dos ventrículos. Cardiologia Ana Carolina Freire, 5° período A determinação do eixo no plano frontal utiliza as derivações periféricas. Localizar o eixo cardíaco Observe, inicialmente, as derivações DI e aVF para determinar o posicionamento do vetor em um dos quatro quadrantes. Se o registro é positivo, tanto em DI quanto em aVF o eixo está entre 0° e 90°. Quanto mais próximo o sentido do vetor de uma derivação, maior será a amplitude. Se a amplitude é maior em DI do que em aVF, por exemplo, o eixo está mais próximo de DI e, portanto, entre 0° e 45°. INTERPRETAÇÃO DO ECG Ritmo Frequência cardíaca Onda P Intervalo PR Complexo QRS Segmento ST Onda T Onda U Intervalo QT QT corrigido Eixo elétrico Ao receber um ECG: 1-Identificação do paciente. 2-Verificar a padronização. A duração do complexo QRS pode ser registrado de uma maneira diferente. 3-Ritmo. 4- Frequência (60-100). RITMO SINUSAL Ritmo gerado no nó sinoatrial. Ritmo regular. Onda P positiva: D1 D2 AVF (“bom sinal”) Onda P negativa: AVR. Critérios para se definir o ritmo sinusal: - Morfologia e orientação de P normal (entre0 e 90°), ou seja, onda P positiva em DI, DII e aVF e negativa em aVR; - Ondas P com a mesma morfologia; - A cada onda P, se segue um complexo QRS. CÁLCULO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA FC: 1500 dividido pelo número de quadrados menores. “Calcular os quadradinhos entre cada batimento- entre cada complexo QRS” FC: 300 dividido pelo número de quadrados grandes. Frequência cardíaca entre 60-100. Ritmo irregular= contar QRS no D2 longo e multiplicar por 6. Ritmo regular= 1500 dividido por número de quadradinhos ou 300 dividido por número de quadradões. ONDA P É a despolarização atrial. Primeira deflexão do ECG. Duração: 0,08s a 0,11s. Morfologia: arredondada, monofásica e precede o complexo QRS. Positiva em DI, DII e negativa em aVR. Frequência normal: 50 a 100 bpm. < 50 bpm bradicardia sinusal; > 100 bpm taquicardia sinusal. INTERVALO PR É medido do início da onda P até o início do complexo QRS. É o retardo necessário após a contração atrial, é o tempo que o estímulo elétrico formado no nó sinusal chega no nó sinoatrial. O segmento PR representa o enchimento completo de ventrículos e isso aumenta a pressão ventricular. Duração normal entre 0,12 seg (120 ms) a 0,20 seg (200 ms). COMPLEXO QRS Medido do início da deflexão do QRS, podendo ser negativo ou positivo. Duração: < 0,10 seg(100 ms). - 0,05 a 0,10s (0,07-0,11). Varia com a idade, biótipo e FC. Morfologia bastante variável. Bloqueios de condução são caracterizados por aumento do complexo QRS. Cardiologia Ana Carolina Freire, 5° período Ponto J A ligação do ramo ascendente da onda S com a linha isoelétrica/segmento ST. R pequenos indicam perda de estímulo elétrico. A onda S vai estar alargada se tiver algum bloqueio de ramo. SEGMENTO ST Final do QRS (ponto J) até o início da onda T. Duração: não medida e sem significado. Supradesnivelamento e infradesnivelamento são obervados nessa região. Desnivelamento: medido cerca de 0,08 seg (80ms) do ponto J: chamado ponto Y. ONDA T É a onda de repolarização ventricular. Amplitude: abaixo de 0,6 mV. ONDA U Mais visível em V3 e V4. Mesma polaridade de T. 10% da amplitude de T. Amplitude de 0,05 mV. INTERVALO QT Medido do início do QRS até o final da onda T. É alterado pela frequência cardíaca. Duração total da sístole elétrica. FC de 60 a 100/ minuto varia entre 0,30 a 0,40 segundos. É geralmente 10% maior em mulheres. Salvo FC muito baixas, um QT excedendo 0,40 a 0,44s é considerado anormal. Onda T pode fundir com U e com P (FC elevada).