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S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso Lesã� rena� agud� Objetivos: estudar a �siopatologia da injúria renal e a relação com a picada de cobras/ compreender a etiologia e epidemiologia da lesão renal por crotalus/ Buscar fatores de risco, diagnóstico e tratamento para lesão renal aguda. Considerações gerais • caracteriza-se por redução abrupta (em horas a dias) da taxa de �ltração glomerular, resultando na inabilidade de o rim exercer suas funções básicas de excreção das escórias nitrogenadas e manutenção da homeostase hidroeletrolítica do organismo. • é reversível, podendo se manter por tempo variável • a mortalidade associada à doença ainda permanece elevada (entre 30 e 50%). ETIOLOGIA • pode ser de origem pré-renal, renal (ou intrínseca) ou pós-renal, a depender do nível de acometimento •A LRA pré-renal S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso -redução da perfusão renal》 eventos que culminam 》 diminuição do volume circulante》 desidratação, diarreia, vômitos,febre, sangramentos, uso de diuréticos e insu�ciência cardiaca. -Caracteriza-se por redução da excreção urinária de sódio e de água, com elevação da osmolaridade urinária. -é facilmente reversível, desde que os fatores precipitantes sejam rapidamente corrigidos. •A LRA renal -causada por fatores intrínsecos ao rim, sendo classi�cada de acordo com principal local afetado: glomérulo; túbulos; interstício; e vasos. -Sua etiologia mais comum é lesão tubular, principalmente de origem isquêmica ou tóxica S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso -a principal e mais frequente causa de necrose tubular aguda (NTA) é isquêmica e o seu principal fator causal tem origem pré-renal, como consequência da redução do �uxo sanguineo não revertida, especialmente se houver comprometimento su�ciente para provocar a morte das células tubulares. -Eventos isquêmicos mais graves (como nas complicações obstétricas e síndrome hemolítico-urêmica), sobretudo se ocorrer coagulação microvascular, podem resultar em necrose cortical irreversível. -Depois das isquêmicas, as causas nefrotóxicas são as mais frequentes •LRA renal nefrotóxicos -Os agentes nefrotóxicos incluem principalmente antibióticos aminoglicosídeos, contrastes radiológicos e quimioterápicos, além de pigmentos (p. ex, mioglobina) e venenos ofídicos. - os medicamentos e as drogas podem causar diversos tipos de danos por: Modi�cações hemodinâmicas, Dano tubular direto, Reação alérgica, causando a nefrite intersticial aguda, Obstrução intratubular, Desenvolvimento da sindrome hemolítico-urêmica. •A LRA por nefrite intersticial - causada por reações alérgicas a medicamentos. -Causas menos frequentes incluem doenças autoimunes (lúpus eritematoso) agentes infecciosos, determinadas, por exemplo, pela leptospirose ou, ainda, pela pielonefrite aguda por bactérias, como E. coli, Proteus sp, Klebsiella sp, entre outras bactérias. •LRA Pós-renal - Ocorre por causa da obstrução das vias urinárias, que pode ser observada em qualquer parte do trato urinário. S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso - uma LRA por causa da obstrução do ureter, deve ser uma obstrução bilateral. -As principais causas são: o Hiperplasia prostática benigna; o Neoplasia de próstata ou bexiga; os Distúrbios retroperitoneais; Bexiga neurogênica; o Cálculos renais bilaterais o Fibrose retroperitoneal. - A reversibilidade depende do tempo de duração da obstrução, pois a elevação da pressão hidráulica da via urinária resulta na ação de vasoconstritores locais 》 obstrução prolongada tem como complicação a lesão parenquimatosa do rim. FISIOPATOLOGIA •as lesões renais isquêmica ou tóxica》 origens mais comuns 》 LRA intrínseca renal》 envolve alterações estruturais e bioquímicas comprometimento vascular e/ou celular 》 vasoconstrição, alteração da função e morte celular, descamação do epitélio tubular e obstrução intraluminal, vazamento transtubular do �ltrado glomerular e in�amação. •As principais alterações �siopatológicas na LRA são: 1)Vasoconstrição intra renal: -causada pelo desequilíbrio entre os fatores vasoconstritores e vasodilatadores, tanto de ação sistêmica quanto local. - Mecanismo particularmente importante na LRA por nefrotóxicos, com ativação de hormônios vasoconstritores (angiotensina Il, endotelina etc.) e/ou inibição de vasodilatadores (prostaglandinas, óxido nitrico etc.) Lesão tubular: associada principalmente a uma redução dos níveis intracelulares de ATP e a lesões de reperfusão. - A reversibilidade do dano às células tubulares dependerá da intensidade, do tempo de duração e do tipo do evento agressor. -A possibilidade de reversão da L.RA decorre da capacidade de regeneração e diferenciação das células tubulares renais, restabelecendo um epitélio íntegro e funcionante. - em situações mais graves com destruição de 90% das células epiteliais do túbulo proximal, os 10% de células remanescentes podem entrar em processo de proliferação estimulados por hormônios e fatores de crescimento, recompondo a epitélio tubular. QUADRO CLÍNICO •o curso clínico da LRA subdivide-se em quatro fases: inicial; oligúria; poliúrica; e recuperação funcional. S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso 1)A fase inicial -começa a partir do momento de exposição ao insulto, isquėmico ou tóxico -Tem duração variável e depende do tempo de exposição ao agente agressor. - ovolume urinário pode estar normal ou diminuído, porém o rim começa a perder a capacidade de excretar adequadamente os compostos nitrogenados. 2)A fase oligúrica - pode ter grau e duração variáveis. - Um volume urinário inferior a 500 m e/dia é insu�ciente para excretar as quantidades necessárias de soluto, já que a produção de produtos osmoticamente ativos se dá ao redor de 600 mOsm/dia e a capacidade máxima de concentração urinária é de 1.200 mOsm/e. - débito urinário inferior a 500 me/dia caracteriza oligúria. -A maioria dos pacientes que se recuperam de uma LRA desenvolve aumento da diurese após 10 a 14 dias do início da oligúria. -Nesse caso, a presença de volume urinário normal é justi�cada pela grande redução na reabsorção tubular de liquido, apesar da pequena �ltração glomerular, surgindo �uxo urinário não oligárquico. Essa situação frequentemente é observada em associação a nefrotóxicos, agentes anestésicos e sepse. 3) a fase poliúrica ou diurética - rápida elevação do volume urinário. - A magnitude da diurese independe do estado de hidratação do paciente 》 representa a incapacidade dos túbulos regenerados em reabsorver sal e água》 a excreção urinária dos compostos nitrogenados não acompanha o aumento da excreção de sal e água》 a concentração plasmática de creatinina ureia 》 aumentam》 sintomas e a necessidade de terapia renal de substituição podem persistir 4) recuperação funcional -Última fase -ocorre após vários dias de diurese normal, com redução gradativa da ureia e creatinina •Manifestações renais 》manifesta-se com uremia》 pelo acúmulo dos compostos nitrogenados, e alterações hidroeletrolíticas. S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso 》Alteração no balanço de água: sobretudo nos pacientes em oligûria, nos quais o balanço hídrico positivo acumulado muito elevado pode repercutir na respiração/ ventilação e ter impacto na mortalidade 》Alteração do balanço de sódio: durante a fase oligúrica, o balanço positivo de sódio pode levar à expansão de volume, hipertensão e insu�ciência cardiaca. Nessa fase, acredita-se que a oferta de solução salina isotônica (300 mE/dia) associada a um controle rigoroso de peso é su�ciente para equilibrar o balanço de sódio. Por sua vez, uma oferta menor de sódio, principalmente na fase poliúrica, pode provocar depleção de volume e hipotensão arterial, 》Alteração do balanço de potássio: a hiperpotassemia é a principal causa metabólica que leva o paciente com LRA ao óbito. Considerando-se que somente 2% do potássio corporal total encontra-se fora da célula, pequenas alterações no conteúdo extracelular de potássio provocam profundos efeitos na excitabilidadeneuromuscular. A elevação do potássio (K") sérico pode se dar na LRA por aumento do catabolismo endógeno de proteínas, por dano tecidual, sangramento intestinal e movimentação de K' do intra para o extracelular pelo mecanismo-tampão dos estados acidóticos. -A complicação mais temível da hiperpotassemia é a toxicidade cardíaca, manifestando-se com arritmias que, se não corrigidas, podem levar rapidamente à morte. Por essa razão, é necessário controle rigoroso do K' sérico nos pacientes com LRA 》Outras alterações: alterações do balanço de cálcio (a hipocalcemia é o achado mais frequente), do balanço de fósforo (hiperfosfatemia é frequente) e acidose metabólica. •Manifestações extra renais -entre 45 e 80%. •As complicações infecciosas 》 L.RA pós-traumática ou pós-cirúrgica, particularmente quando há envolvimento gastrintestinal. •Infecções broncopulmonares 》edema pulmonar concomitante》sinais de hipervolemia 》congestão pulmonar. • cardiovascular》 a presença de pericardite �brinosa (10%),》 atrito pericárdico》 complicada por derrame pericárdico e eventual tamponamento》 Insu�ciëncia cardíaca congestiva (ICC) e hipertensão 》 acidose metabólica e distúrbios eletrolíticos podem contribuir para o surgimento de ICC, bem como de arritmias •Complicações neurológicas 》 o sistema nervoso 》menos tolera a redução råpida da função renal》 a encefalopatia urêmica 》As manifestações S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso sensoriais mais precoces são as alterações cognitiva e de memória. Seguem-se as alterações motoras (asterixes,tremores/�apping, mioclonias)》 convulsões e coma》 os eventos terminais graves e de maior risco clínico • complicações do trato gastrintestinal》 ulceração gástricas ou duodenais CLASSIFICAÇÃO •RIFLE -usado em estudos •AKIN •KIDGO DIAGNÓSTICO •Pode apresentar-se com dor no �anco, hematúria, hipertensão ou hipotensão, edema, letargia, uremia ou débito urinário reduzido; no entanto, é geralmente assintomática e diagnosticada somente com exames laboratoriais. S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso •Um aumento agudo na creatinina sérica é essencial para o diagnóstico. •Sobrecarga hídrica, hipercalemia, hiperfosfatemia, acidose metabólica e níveis elevados de nitrogênio ureico são comuns. 1) Cálculo das frações de excreção de Sódio/ potássio pré-renal (perfusão inadequada) renal intrínseca (ex. drogas e doenças infecciosas como leptospirose) pós-renal (obstrução) •Razão Uréia/ Creatinina séricas: aumentada ( maior que 20 •Dosagem de Sódio urinário: os valores geralmente são maiores que 500 •razão ureia/creatinina diminuída (menor que 20) devido a lesão das células tubulares, há um prejuízo na reabsorção de solutos, sendo a Uréia um deles, que passa a ser eliminado em grande quantidade na urina, diminuindo seu nível sérico 》 diminuição razão ( U/Cr). •Dosagem de Sódio urinário: VR=20 mEq/L.Valores maiores que esse indicam lesão intrínseca. estão por volta de 250-300 •Fração de excreção de Sódio (Na urinário/ Na sérico: valores acima de 1% indicam que a lesão já afetou as celulares tubulares dos néfrons. S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso - tanto a pré quanto a pós, com um insulto prolongado podem vir a se tornar lesão intrínsecas (necrose tubular). TRATAMENTO Resumindo… S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso A� serpente� d� gêner� Crotalu� (cascavéi�) •Responsáveis por cerca de 7,7 % dos acidentes ofídicos registrados no Brasil, •Apresentam o maior coe�ciente de letalidade dentre todos os acidentes ofídicos (1,87%), pela frequência com que evoluem para lesão renal aguda (LRA). Ações do Veneno: 1)Ação neurotóxica: -produzida pela crotoxina》 uma neurotoxina de ação pré-sináptica 》 atua nas terminações nervosas》 inibindo a liberação de acetilcolina. - inibição 》bloqueio neuromuscular 》 as paralisias motoras apresentadas pelos pacientes. 2)Ação miotóxica: -Produz lesões de �bras musculares esqueléticas (rabdomiólise)》 liberação de enzimas e mioglobina》 o sangue》 excretadas pela urina. -Não está perfeitamente identi�cada a fração do veneno que produz esse efeito miotóxico sistêmico, mas há referências experimentais de ação miotóxica local da crotoxina e da crotamina. -A mioglobina excretada na urina foi erroneamente identi�cada como hemoglobina, atribuindo-se ao veneno uma atividade hemolítica in vivo. 3)Ação Coagulante: - atividade do tipo trombina que converte o �brinogênio diretamente em �brina. O consumo do �brinogênio pode levar à incoagulabilidade sanguínea. - não há redução do número de plaquetas. As manifestações hemorrágicas, quando presentes, são discretas. Quadro Clínico: Manifestações Locais: - marcas das presas, edema e eritema discretos. Não há dor, ou se existe, é de pequena intensidade. - Há parestesia local ou regional, que pode persistir por tempo variável, podendo ser acompanhada de edema discreto ou eritema no ponto da picada. S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso Manifestações Sistêmicas •Gerais: Mal-estar, sudorese, náuseas, vômitos, cefaléia, secura da boca, prostração e sonolência ou inquietação, são de aparecimento precoce e podem estar relacionados a estímulos de origem diversas, nas quais devem atuar o medo e a tensão emocional desencadeada pelo acidente. •Neurológicas: decorrentes da ação neurotóxica do veneno: Apresentam-se nas primeiras horas e caracterizam o “fáscies miastênica” (fáscies neurotóxica de Rosenfeld) evidenciadas por ptose palpebral uni ou bilateral, �acidez da musculatura da face, há oftalmoplegia e di�culdade de acomodação (visão turva) ou visão dupla (diplopia) e alteração do diâmetro pupilar (midríase). Com menor frequência pode aparecer paralisia velopalatina, com di�culdade à deglutição, diminuição do re�exo do vômito, modi�cações no olfato e no paladar. As alterações descritas são sintomas e sinais que regridem após 3 a 5 dias. •Musculares: Atividade Miotóxica: Caracterizam-se por dores musculares generalizadas (mialgias), de aparecimento precoce. A urina pode estar clara nas primeiras horas e assim permanecer, ou tornar-se avermelhada (mioglobinúria) e progressivamente marrom nas horas subsequentes, traduzindo a eliminação de quantidades variáveis de mioglobina, pigmento liberado pela necrose do tecido muscular esquelético (rabdomiólise). Não havendo dano renal, a urina readquire a sua coloração habitual em 1 ou 2 dias. •Distúrbios da Coagulação: Pode haver aumento do Tempo de Coagulação (TC) ou incoagulabilidade sanguínea, com queda do �brinogênio plasmático, em aproximadamente 40% dos pacientes. Raramente há pequenos sangramentos, geralmente restritos às gengivas (gengivorragia). •os acidentes crotálicos são classi�cados -em leves, moderados e graves. •Leves: Sinais e sintomas neurotóxicos discretos, de aparecimento tardio, fáscies miastênica discreta, mialgia discreta ou ausente, sem alteração da cor da urina. • Moderado: Sinais e sintomas neurotóxicos: fácies miastênica evidente, mialgia discreta ou provocada ao exame. A urina pode apresentar coloração alterada. •Grave: Sinais e sintomas neurotóxicos evidentes: fácies miastênica, fraqueza muscular, mialgia intensa e urina escura, podendo haver oligúria ou anúria, insu�ciência respiratória. S9P1: FIM DA PICADA| APG 17| SOI IV |Isabella Afonso Complicações: •Locais: Raramente parestesias locais duradouras, porém reversíveis após algumas semanas. •Sistêmicas: Lesão renal aguda (LRA) com necrose tubular, geralmente de instalação nas primeiras 48 horas REFERÊNCIAS BMJ best practice. Lesão renal aguda. Disponível em:https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/83. 2023 Jaleko artmed. Curso de Nefrologia. Disponível em: www.jaleko.com.br. 2023. Acesso em: 28 mar.de 2023 NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/. Acesso em: 26 mar. 2023. RIELLA, Miguel C. Princípios de Nefrologia e Distúrbios Hidroeletrolíticos, 6ª edição.[Digite o Local da Editora]: Grupo GEN, 2018. E-book. ISBN 9788527733267. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733267/. Acesso em: 28 mar. 2023. https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/83 http://www.jaleko.com.br