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Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 1 Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO Doença inflamatória crônica que acomete as articulações sacroilíacas, em graus variáveis, a coluna vertebral e, em menor extensão, as articulações periféricas e as ênteses FATORES DE RISCO Sexo masculino Idade entre 20 e 35 anos Parentes de 1º grau HLA-B27 positivos HAS Obesidade Osteoporose Transtornos psiquiátricos EPIDEMIOLOGIA A prevalência da EA varia de 0 a 1.4%, a depender do grupo étnico, a seleção da população a ser estudada e dos critérios para diagnóstico Indivíduos positivos para HLA-B27 a taxa corresponde a 5 a 6% Homens 3:1 Mulheres CARACTERÍSTICAS Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 2 Acometimento de articulações axiais Lesão proeminente das ênteses Associação a determinadas lesões sistêmicas Superposição entre suas formas clínicas Tendência à hereditariedade Ausência de fator reumatoide Associação com o HLA-B27 MECANISMO INFLAMATÓRIO PROCESSO 1. A imunidade inata é ativada a. Possivelmente por microrganismos do trato gastrointestinal que invadem a circulação sistémica b. Devido à ruptura da barreira da mucosa intestinal 2. São libertadas citocinas e interleucinas (ILs) a. IL-17 e IL-23 b. Fator de necrose tumoral alfa c. Fator de crescimento transformador beta 3. Desenvolvimento de entesite a. Inflamação no local de inserção do ligamento ou tendão no osso b. Os pequenos traumatismos causados pelo ‘stress’ mecânico podem tornar as enteses suscetíveis à inflamação c. As articulações estão infiltradas por macrófagos e células T CD4 e CD8 d. Principais articulações envolvidas: Articulações Sacroilíacas (SI) Articulações paravertebrais 4. Erosão do osso subcondral 5. Neoformação com sindesmófitos 6. Fusão dos sindesmófitos nas vértebras 7. Anquilose Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 3 CLÍNICA HDA SINTOMAS INICIAIS Dor lombar (pela sacroileíte), tipicamente unilateral, insidiosa e profunda, acompanhada de rigidez matinal ou após longos períodos de inatividade Rigidez matinal apresenta melhora com atividades físicas e piora com o repouso EVOLUÇÃO DO SINTOMA Dor lombar evolui bilateralmente e persistente, podendo apresentar exacerbações durante o repouso noturno, obrigando o paciente a se levantar Redução na amplitude de movimento da lombar, sobretudo nos planos ânteroposterior e laterolateral MANIFESTAÇÕES ARTICULARES LOMBALGIA INFLAMATÓRIA Pelo menos 4 dos 5 parâmetros Idade de início < 40 anos Início insidioso Melhora com o exercício físico Sem melhora ao repouso Dor noturna que melhora ao levantar SACROILEÍTE Dor de início na articulação sacroilíaca, que segue para coluna lombar, seguido de coluna torácica e por fim coluna cervical Homens costumam sentir dor em região lombar Mulheres costumam sentir dor em região glútea ACOMETIMENTO PERIFÉRICO Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 4 Assimétrico Membros inferiores ENTESITES A entesite pode atacar qualquer lugar onde um osso encontra um tendão Pontos comuns para a ocorrência de entesite: ao redor do calcanhar, joelho, quadril, dedo do pé, cotovelo, espinha dorsal e o fundo do pé A inflamação pode levar à dor e rigidez, especialmente quando está em movimento Pode evoluir para Calcificação ou ossificação: formação de novo tecido ósseo Fibrose: os tecidos na área afetada se tornam corpulentos Diagnóstico Classificação mais utilizada: MASES 2º espaço intercostal na região de borda esternal Cristas ilíacas superiores e anteriores Cristas ilíacas posteriores Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 5 Região de inserção do tendão de Aquiles Outras classificações de MEI, SPARCC e LEI DACTILITE Inflamação de diversos pontos de enteses Edema difuso de dedos Dedo em salsicha Edema e rubor HIPERSENSIBILIDADE ÓSSEA Dor à digitopressão nos locais acometidos pelo processo inflamatório Junções costocondrais Apófises espinhosas das vértebras Cristas ilíacas Trocânteres maiores Tuberosidades isquiais e tibiais Calcâneos MANIFESTAÇÕES EXTRA-ARTICULARES UVEÍTE ANTERIOR AGUDA Manifestação extra-articular mais comum Ocorre em 30 a 40% dos indivíduos durante a evolução da doença, principalmente naqueles que têm HLA-B27 Pode preceder a espondilite Quase sempre é unilateral Origina sintomas de dor, lacrimejamento excessivo, fotofobia e turvação da visão CARDÍACAS Insuficiência aórtica Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 6 Distúrbios de condução cardíacos Cardiomegalia FIBROSE BOLHOSA DOS LOBOS SUPERIORES Tosse produtiva + dispneia progressiva + formação de cistos Invasão por Aspergillus Podem evoluir de forma silenciosa RENAIS Nefropatia ou amiloidose renal secundária NEUROLÓGICOS Síndrome da cauda equina Compressão nervosa ou neurite INTESTINAIS Doença inflamatória intestinal SISTÊMICO Fadiga Anorexia Perda ponderal Febre baixa EXAME FÍSICO INSPEÇÃO DA POSTURA Retificação da Lordose Lombar Acentuação da Cifose Torácica Retificação da Lordose Cervical com projeção da cabeça para a frente Postura do isquiador: postura descrita + semi-flexão dos joelhos EXPANSIBILIDADE TORÁCICA Realização do exame: mãos do paciente repousam sobre ou atrás da cabeça e, com uma fita métrica, o examinador mede o tórax no 4º espaço intercostal anteriormente Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 7 Diferença entre a inspiração máxima (1) e a expiração (2) em centímetros é anotada Deve-se registrar o melhor valor de 2 tentativas Redução da expansão torácica (< 4 cm) em inspiração profunda SCHOBER MODIFICADO Aferir o grau de restrição da flexão anterior da coluna Paciente em posição ereta, marca-se uma linha imaginária que liga ambas as espinhas ilíacas postero- superiores Uma outra é marca é colocada 10 cm acima O paciente se curva ao máximo para frente, mede-se a diferença entre as duas marcas Anotar a diferença em cm, a melhor de duas tentativas deve ser registrada Considera-se alterado se o desvio dessa linha for inferior a 5 cm FLEXÃO AXIAL LATERAL Paciente deve apoiar o calcanhar e o dorso à parede, sem flexionar joelhos e sem curvar-se para frente Posicionar uma marca na coxa (1), curvar-se lateralmente sem fletir os joelhos ou elevar os calcanhares (2), e sem mover os ombros ou os quadris, fazer mais uma marca e registrar a diferença (3) A melhor de duas tentativas é anotada para a esquerda e para a direita separadamente Finalmente, a média da esquerda e da direita é registrada em centímetros Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 8 A medida alternativa é feita com a medição da distância entre o dedo médio do paciente e o chão antes (1). E após o paciente curvar-se lateralmente (2) e anotar a diferença. E repete os outros itens OCCIPÍCIO-PAREDE E TRAGO-PAREDE Teste para avaliar a limitação de movimento da coluna cervical A fusão das articulações interapofisárias impede o alinhamento correto da coluna Observe-se que o paciente não consegue encostar a cabeça na parede Registrar a melhor de duas tentativas em cm para a distância occipício-parede e a média das distâncias trago-parede direita e esquerda ROTAÇÃO CERVICAL O paciente senta-se ereto em uma cadeira, queixo em posição neutra, mãos sobre joelhos O avaliador posiciona um goniômetro no topo da cabeça alinhando com a ponta do nariz (1) O avaliador pede para o paciente virar a cabeça ao máximo para à esquerda, seguindo com o goniômetro, e registra o ângulo entre o plano sagital e o novo plano após rotação (2) Uma segunda leitura é realizada e a melhor de duas é anotada para o lado esquerdo O procedimento é repetido para o lado direito A média do lado esquerdo e do lado direito é registrada em graus (0-90°) Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 9 PATRICK-FABERE Paciente na posição supina, com o quadril eo joelho flexionados, e o pé apoiado sobre o joelho contralateral A pelve é fixada com uma das mãos do examinador, enquanto a outra exerce pressão sobre o membro Dor na região anterior ipsilateral: patologia do quadril Dor posterior, contralateral: sacroileíte TESTE DE GAENSLEN Realizado em decúbito dorsal O examinador realiza um flexão do joelho, enquanto a outra perna fica estendida para fora da maca, sendo realizado uma extensão desta Este procedimento provoca dor na região glútea SINAL DE MENNELL Ajuda a determinar se a dor tem origem na anca, coluna lombar ou articulação sacroilíaca Realizado com o paciente em decúbito ventral Feita a hiperextensão passiva da coxa Este procedimento provoca dor na articulação sacroilíaca, anca ou coluna lombar, dependendo do local onde o médico fixa a articulação. Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 10 EXAMES RADIOGRAFIA SIMPLES INDICAÇÃO Avaliar alterações da coluna vertebral ACHADOS Erosões Esclerose subcondral Pseudoalargamento Anquilose SACROILEÍTE GRAU 1 Visualiza-se a linha da articulação dos dois lados, que está preservada, mas há esclerose do osso subcondral (linha “branca” na margem da articulação) Sacroileíte suspeita, sem anomalias específicas SACROILEÍTE GRAU 2 Sacroileíte mínima Pequenas áreas localizadas com erosão ou esclerose, sem alterações da largura articular SACROILEÍTE GRAU 3 Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 11 Sacroileíte moderada, com esclerose ou erosões das margens articulares, com diminuição da interlinha Observe como a linha da articulação está tortuosa, com um espaço maior SACROILEÍTE GRAU 4 Sacroileíte severa, com anquilose completa das articulações sacroilíacas e desaparecimento da interlinha articular SINAL DE ROMANUS A lesão de Romanus representa um achado precoce nas espondiloartropatias inflamatórias , como espondilite anquilosante e artrite enteropática Se apresenta como irregularidade e erosão envolvendo as bordas anterior e posterior dos platôs vertebrais EVOLUÇÃO RADIOLÓGICA Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 12 Osteófitos Surgem quando o organismo inicia reposição óssea Não é o que ocorre na espondilite anquilosante Sindesmófitos Ossificação paravertebral que assemelha a um osteófito, exceto pela orientação vertical, enquanto o osteófito tem sua orientação no eixo horizontal O osso não vai crescer longitudinal e sim vertical (em direção ao ligamento anterior/posterior da coluna) O paciente perde a mobilidade RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Método mais sensível e específico ACHADOS Edema medular ósseo subcondral periarticular MÉTODO Janela STIR para remover toda a gordura DIAGNÓSTICO CRITÉRIOS DE NEW YORK 1984 CLÍNICO Lombalgia e rigidez articular por mais de 3 meses, que melhoram com exercício, mas não com repouso Limitação da mobilidade da coluna lombar nos planos sagital e frontal Limitação da expansibilidade torácica comparando ao normal, em relação à idade e ao sexo RADIOLÓGICO Sacroileíte grau ≥ a 2 bilateral ou grau 3-4 unilateral EXAMES LABORATORIAIS VHS e PCR aumentadas Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 13 Anticorpos FR e FAN negativos HLA B27+ CONDUTA TERAPÊUTICA 1ª ESCOLHA Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) Fármaco indicado: indometacina 75 a 150mg/dia Alternativa: inibidores seletivos da COX-2 Duração do tratamento: 4 semanas 2ª LINHA Inibidores do TNF Etanercept, adalimumab, golimumab, infliximab Utilizados em pacientes com má resposta aos AINEs Inibidores da IL-17 Secukinumab ou ixekizumab Alternativa aos inibidores do TNF Fármacos antirreumáticos modificadores da doença Sulfassalazina ou metotrexato Utilizados na artrite periférica persistente IMPORTANTE Glicocorticoides sistêmicos NÃO devem ser prescritos INTERVENÇÃO CIRÚRGICA INDICAÇÃO Deformidades graves que resultem em incapacidade funcional Dor severa que condicione diminuição da qualidade de vida Fratura aguda Défices neurológicos OPÇÕES Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 14 Fusão vertebral Osteotomia Artroplastia total da anca DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ESTENOSE ESPINAL LOMBAR Estreitamento do canal lombar que resulta na compressão das raízes nervosas Mais frequente em pacientes mais velhos Frequentes sinais e sintomas neurológicos, incluindo parestesias, fraqueza muscular e diminuição dos reflexos ARTRITE PSORIÁTICA Artrite inflamatória e assimétrica que envolve pequenas e grandes articulações, incluindo as articulações interfalângicas distais e sacroilíacas Espondiloartropatia seronegativa que ocorre em doentes com psoríase ARTRITE REATIVA Espondiloartropatia soronegativa frequentemente precipitada por uma infeção gastrointestinal ou geniturinária Podem apresentar artrite assimétrica, tipicamente nas extremidades inferiores Pode estar associada a febre, tendinite, entesite, úlceras mucocutâneas e conjuntivite ARTRITE REUMATOIDE Doença autoimune seropositiva que resulta na inflamação e destruição das articulações Tipicamente simétrica O esqueleto axial é menos frequentemente afetado FIBROMIALGIA Patologia não articular, com etiologia desconhecida, que causa dor generalizada, incluindo nos músculos, locais de inserção dos tendões (que podem simular entesites) e tecidos moles Os sintomas associados incluem fadiga, rigidez muscular, distúrbios cognitivos, depressão e ansiedade HIPEROSTOSE ESQUELÉTICA IDIOPÁTICA DIFUSA Doença não inflamatória que causa ossificação dos ligamentos vertebrais e das enteses Podem ser assintomáticos ou apresentarem dores progressivas nas costas e pescoço, com redução da amplitude do movimento (particularmente na coluna torácica) Espondilite Anquilosante - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 15 REFERÊNCIAS UpToDate. Uptodate.com. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-of-axial-spondyloarthritis- ankylosing-spondylitis-and-nonradiographic-axial-spondyloarthritis-in-adults?search=espondilite anquilosante&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1#H1. GOUVEIA, Enéias Bezerra; ELMANN, Dório ; SAAD, Maira. Espondilite anquilosante e uveíte: revisão. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 52, p. 749–756, 2012. http://uptodate.com/ https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-of-axial-spondyloarthritis-ankylosing-spondylitis-and-nonradiographic-axial-spondyloarthritis-in-adults?search=espondilite%20anquilosante&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1#H1