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ANA LUISA ARRABAL DE ALMEIDA – TAL440 1. Produtos com baixo teor de sal, sem qualquer preparo culinário antes do consumo. 2. Produtos cárneos salgados e dessecados, que não necessitam de dessalga, preservados por curtos períodos, à temperatura ambiente, mas precisam ser cozidos antes do consumo. 3. Produto cárneo salgado intensamente e dessecados, que necessitam de dessalga e cocção para seu consumo. Ex.: charque e Jerked beef brasileiros. A diferença entre os dois é o sal de cura. -Como acontece o processo de salga e desidratação: determinação dos teores de água na carne (livre, ligadas quimicamente e total). -A água intracelular corresponde a 90-95% no total do músculo e é limitada em mobilidade pelo sarcolema ou parede celular. -Água livre: mantida por forças capilares e forças de tensão superficial. É altamente dependente da estrutura proteica. Equivale à atividade de água (Aw). A água livre está disponível para o crescimento de microrganismos e para reações físicas e enzimáticas que afetam diretamente a qualidade dos alimentos. -Água ligada: parte em menor quantidade, corresponde a água de constituição e interfacial. Apresenta mobilidade restringida devido ao contato com solutos e outros constituintes não aquosos do produto. • Água de constituição: 0,5 gramas de água a cada 100 gramas de proteína. É localizada dentro das moléculas de proteína e possui alta energia de ligação. Corresponde à água ligada mais fortemente aos constituintes não aquosos do alimento através de ligações iônicas. • Água interfacial: 5-10% no total do músculo. Está ligada na superfície das proteínas, em multicamada s nas dobraduras ou fendas da estrutura. Tem mobilidade restrita; estágio intermediário entre a água de constituição e volume de água “livre”. -Osmose: processo no qual a água sai do interior celular para o exterior na tentativa de igualar as concentrações. -NaCl: sua adição reduz a atividade de água do produto. Faz isso solubilizando a água e os íons de sódio e cloreto se ligam à moléculas de H20. A adição de NaCl ocasiona choque osmótico, que causa morte celular ou retardamento no crescimento celular. -Microrganismos: dissolução do sal limita a solubilidade do 02, o que limita o desenvolvimento desses microrganismos. A presença do sal também altera o potencial enzimático e ação das enzimas desses microrganismos, além de forçar as células a gastar energia para excluir íons sódio da célula. Fluxograma básico. -Tombamentos: inversão das pilhas que acontece ao mesmo tempo da salga seca para homogeneizar a pressão durante o processo. Evita a vermelhidão excessiva do produto. -Seleção de matérias primas: trabalho com carnes de boa procedência que passam pelo processo de inspeção. Cuidado ao utilizar carne congelada e sinais de putrefação – a formação de cristais rompe a estrutura celular fazendo com que toda a água interna seja perdida. Dessa formal, o sal não terá água para interagir e o produto fica endurecido. -O sal pode ter a presença de contaminantes – halobactérias. Uso do sal grosso comum entre uma granulometria de 2 a 7 mm, sendo 5 o mais recomendado. -Água: necessita ser potável: sem poluentes, matéria orgânica e contaminantes químicos. -Indústrias que normalmente processam jerked beef e charque processam também vários outros tipos de produtos e cortes cárneos. Há separação dos que possuem maior valor agregado e as charcas são utilizadas para o charque e jerked beef. O processo de separação da carne de charque precisa acontecer em temperatura resfriadas, com remoção das aparas de gordura que estejam grande ou muito solidificadas e padronizar o tipo de corte utilizado. A variação entre os pacotes de jerked beef e charque é muito grande, apesar da tentativa de padronização. -Cortes: quartos dianteiros, traseiros e ponta de agulha. -Seleção dos cortes: presença de um certo teor de gordura, mas não tão grande, pois uma grande quantidade de ácidos graxos insaturados é indesejável pois a rancificação oxidativa é intensa. É desejável teor de gordura subcutânea e intramuscular na porção selecionada para evitar desidratação e perda das propriedades organolépticas (endurecimento). Em carne de sol, esse fator é menos importante. Obs.: rancificação – oxidação de lipídeos que contém na ácidos graxos insaturados. -Tanques contendo entre 25-26,5% de NaCl. Técnicas de injeção e tumbleamento reduzem o tempo de salga para 15-20 minutos (usadas em jerked beef). As mantas salgadas em tanques têm espessura em torno de 2,5 cm e as tumbleadas 5-6 cm. -“Reposição” da salmoura: incorpora fosfatos de potássio, cálcio e magnésio, ácido lático e outras substâncias extraídas das carnes. -Aw: 0,77-0,76. -Mantas de carne são empilhadas em superfície de alvenaria com 20 centímetros de deslocamento do chão, fazendo uma camada de sal grosso para garantir a desidratação. Recomendado é que as pilhas não passem de 1,6 metros pela dificuldade de operação. Essas pilhas vão ficar entre 24 a 48 horas até que se realize a ressalga. -Sistema de drenagem para recuperação da salmoura. -Ressalga: feita quando houver os tombamentos – revezamento da posição das carnes para garantir a desidratação. -Pilha de volta: após 24 horas, a pilha retorna à posição de origem, encerrando a operação de salga seca. -Na salga seca ocorre difusão de água no interior do tecido muscular para a superfície. O exsudato (que escorre da pilha) tem concentração de NaCl igual a 18% e Aw 0,86. Nesse processo, a parte gorda da carne deve estar voltada para baixo. -É a movimentação das pilhas a cada 24 horas para uniformizar a concentração de sal. -Previne vermelhidão no charque e desenvolvimento de bactérias halo resistentes. -Depende do clima, do tamanho das peças, mas deve ser no mínimo 4 tombamentos da pilha. -Perda de líquido que contabiliza como perda de peso em 18% na carne magra e 20% na carne gorda. -É feita por razões ligadas às condições atmosféricas ou por questão de ordem comercial. Quando o clima está chuvoso ou há uma oferta muito grande no mercado do produto normalmente se faz essa pilha. -A realização das pilhas de inverno é um processo alternativo, pois em períodos de chuvas com umidade relativa do ar elevada, a secagem das mantas ao sol é inevitável. Se o tempo de permanência das pilhas é curto, são chamadas de pilhas de espera, entretanto se o tempo é longo, as pilhas são denominadas de pilhas de inverno. Nesse período as pilhas permanecem sem movimentação e isso aumenta a possibilidade de ocorrência de vermelhão no charque. O tempo máximo de duração das pilhas é de quatro meses. As pilhas de inverno recebem uma camada grossa de sal que funciona para vedar as mantas. Nesse sal grosso pode ser adicionado hipoclorito de sódio. -Imediatamente antes de serem estendidas para dessecação há uma remoção do excesso de sal da superfície. Realizada em tanques especiais com água e cloro ativo (0,5mg/litro de água), as peças de carne são lavadas e empilhadas para o escorrimento da água, ou é simplesmente lavada com água corrente e deixada para escorrer, variando de acordo com o processo de cada indústria. Até essa fase observa-se uma perda de peso de 20% em relação à matéria-prima. -É feita em tanques de inox e com água de boa qualidade. -Realizada em cabines cobertas e ventiladas e/ou em áreas abertas (varais). É a etapa responsável pela maior quantidade de contaminação e recomenda-se não ultrapassar a temperatura de 40oC. As peças devem permanecer por um período de 4-5 dias (4-5 sóis). -Saindo do varal passa por esse processo para equalizar a temperatura de todas as mantas de carne. -Secagem em estufa otimiza o processo desecagem. -Diferença no processamento do charque é a injeção da salmoura (30- 35% peso da carne) ou na própria salga úmida. -O processo de injeção da salmoura consiste em injetar diretamente na carne uma solução de água e sal com o auxílio de agulhas especializadas. Essa solução penetra na carne e ajuda a distribuir o sal de maneira mais uniforme, acelerando o processo de salga e melhorando o sabor do produto. Ao final, é possível ter um produto salgado com maior espessura e propriedades sensoriais mais desejadas. Dispensa também o manteamento, processo mecânico utilizado para amaciar a carne. -A salga é realizada a 15oC com embalagem a vácuo (tanto charque quanto jerked beef). -Varia de acordo com a região. Há preferência por cortes com maior teor de gordura já que não resseca tanto quanto as outras carnes. Pode ocorrer à sombra, desde que haja circulação de ar. -Vermelhão do charque por Halobacterium spp. -Quando não é realizado adequadamente o tombamento pode haver alteração de cor da carne. -A coloração típica acastanhada, resultante da oxidação de mioglobina a metamioglobina acontece apenas na salga seca. -A cor final do charque quando comparada com a cor da matéria prima, é função da concentração de sal no seu interior. -Charque: • Atividade de água máxima é 0,8; • Mínimo de sal é 12%; • Umidade máxima de 50% - um pouco menor que da carne de sol. • Teor de cinzas máximo de 23%. • Cortes preferenciais: dianteiro e ponta de agulha. -Jerked beef: • Aw – 0,78 (máx. 0,80); • Teor de Umidade – 55% (máx. 60%); • Teor de Cinzas – Máx de 25%; • NaCl mín. 12%; • Início de produção ilegal (altos teores de umidade); • Presença de nitrito/nitrato; • Mantas mais espessas (dianteiro); • Embalagem a vácuo; • Origem a produtos mais nobres (gastronomia seletiva para valor agregado); -Jerked Beef é mais próximo do charque em questão de teor de umidade e atividade de água. -Carne de sol: • Produto não reconhecido pelo SIF (serviço de inspeção federal); • Produzido em regiões semi-áridas ou muito secas; • Produto artesanal em origem; • Concentrações de sal entre 5 e 6%; • 64-70% de umidade; • Aw final próxima a 0,94; • Tempo de vida útil próximo a 3-4 dias a temperatura ambiente. -Concentração de sal da carne de sol menor que das outras e consequentemente maior teor de umidade. -Característica do miúdo salgado, dessecado curado ou não: recentemente aceito pela legislação. Tem atividade de água máxima de 0,8.