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Localização e Escala em Projetos

Aula sobre localização e determinação da escala de projetos: apresenta objetivos de aprendizagem, estudo de caso de uma fábrica fictícia de cadeiras, análise de fatores técnicos, de mercado e ambientais para escolha do local, logística, escala/tamanho, arquitetura/engenharia e Orçamentos Comparados.

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3ºAula
Localização e Determinação da 
Escala do Projeto
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, vocês serão capazes de:
•	 compreender como a localização e a logística são itens fundamentais para um bom projeto; 
•	 entender que a escolha da localização dependerá de diversos fatores e entender a importância que cada um deles 
tem para o sucesso do projeto;
•	 desenvolver o passo a passo para determinação do local ideal para a execução de um projeto; 
•	 conhecer a ferramenta dos Orçamentos Comparados;
•	 saber como a escala e o tamanho influenciam no sucesso do projeto.
Caros(as) alunos(as)!
Nesta aula, daremos continuidade aos estudos da 
elaboração e análise de projetos. Sempre buscando uma maior 
assertividade na execução de um projeto, veremos como a 
localização, o tamanho e a escala são fatores determinantes do 
sucesso dos projetos. Através do exemplo da fictícia fábrica 
de cadeiras que deseja expandir suas operações, veremos, na 
prática, questões como qual o melhor lugar para se instalar um 
novo projeto, com o tamanho e capacidade ideal. 
Boa aula!
Bons estudos!
18Elaboração e Análise de Projetos
1 – Localização e logística
2 – Escala e tamanho
3 – Arquitetura e engenharia do projeto
1 - Localização e Logística 
Ao longo da construção de um projeto, uma fase 
importante é a determinação da localização. De acordo com 
Ende e Reisdorfer (2015), é importante identificar qual será a 
melhor localização possível, e complementa que, deverá ser 
considerada como ótima, aquela que permitir aumentar as 
vendas e ao mesmo tempo reduzir os custos, resultando ao 
máximo os benefícios líquidos e a lucratividade do projeto. 
A dificuldade na determinação da localização de um 
projeto irá depender da natureza desse projeto, por 
exemplo, se for um projeto de substituição de equipamento 
antigo por um novo, a localização será relativamente fácil de 
determinar, porém, se for um projeto de montagem de uma 
nova unidade, qual seria a melhor localização, uma próxima 
da atual, próxima dos fornecedores ou próxima dos clientes? 
São questionamentos que abordam temas tanto produtivos 
como logísticos e que serão abordados em detalhes nessa aula 
(CASAROTTO, 2011).
A escolha da localização dependerá de diversos fatores 
e deverá ser realizada levando em conta as alternativas 
locacionais disponíveis. Segundo Frydman et. al. (1986), 
alguns pontos a serem analisados – de natureza técnica, de 
mercado e ambiental – são:
•	 disponibilidade dos fatores de produção e bens de 
produção intermediários (tais como mão de obra, 
energia, matérias-primas); 
•	 Infraestrutura existente e programada, importante 
avaliar o risco de interrupção do fornecimento 
de insumos por problemas de difícil acesso, por 
exemplo, o que afetaria a cadeia de suprimentos;
•	 proximidade de centros consumidores;
•	 atividades econômicas características da região em 
que vai se implantar o projeto; 
•	 potencial de desenvolvimento regional; 
•	 mobilização de mão-de-obra necessária face às 
demais atividades já existentes; 
•	 disponibilidade atual ou previsão para serviços de 
alimentação, educação, transportes, saúde, recreação, 
habitação e saneamento; 
•	 envolvimento com os órgãos responsáveis pelo 
controle do meio ambiente para levantamento de 
fatores como necessidade de controle de poluição, 
restrições ao uso da terra, clima, resistência do solo 
e outros;
•	 outros aspectos sociais do projeto como convênio 
com escolas e hospitais.
Neste mesmo sentido, Woiler e Mathias (2008) apontam 
três fatores considerados muito importantes, pelos autores, 
Seções de estudo
no momento de escolher a localização para instalação de um 
negócio, os quais são: 
•	 Ponto da empresa – é importante especialmente se o 
negócio for comercial e exigir circulação de pessoas, 
gerando oportunidade de compra por impulso 
ou facilidade de acesso, ou ainda, se for industrial 
e depender dos fatores relacionados ao processo 
produtivo que vimos no tópico anterior; 
•	 Mercado consumidor – deve ser feita uma pesquisa 
sobre a potencialidade do mercado consumidor onde 
se irá montar a empresa. Nesta análise, verificam-
se as preferências dos futuros clientes, qualidade 
dos produtos, preços que podem ser praticados e 
benefícios oferecidos pela localização; e
•	 Concorrentes – deve-se avaliar os produtos, 
atendimento, padrões de qualidade, condições 
de venda aos clientes, entre outros, pois é sempre 
importante para poder identificar o diferencial que o 
negócio terá a oferecer aos seus clientes. 
A empresa terá de levar em conta os custos e benefícios 
associados a cada possível localização levantada. O problema 
da escolha da melhor localização pode ter uma abordagem 
complexa, em função do número de fatores envolvidos e do 
volume de investimento que vai ser efetuado, de modo que, 
em alguns casos, é recomendável proceder à resolução através 
de um processo de tentativa-e-erro, ou seja, determinar a 
localização ótima (ou satisfatória) através de um processo de 
aproximações sucessivas (WOLIER, 2010).
Como vimos, cada projeto e sua respectiva localização 
possuem suas particularidades, o que torna cada um deles 
único em suas características e, portanto, na sua localização. 
Assim, para se decidir o que, em geral, pode ser uma localização 
ideal, vamos estudar alguns elementos considerados como 
importantes para Casarotto (2011):
a) A disponibilidade e características dos insumos 
– As necessidades específicas dos insumos podem 
ser conhecidas por meio da análise do fluxo 
produtivo, devendo-se prestar especial atenção 
à disponibilidade, tempos de entrega e custos de 
transporte dos insumos. Há matérias-primas que, 
pela sua natureza física ou pelas dificuldades de 
outra ordem qualquer, não são de fácil transporte. Se 
essas matérias-primas constituem parte importante 
dos insumos, não é conveniente transportá-las 
desde longas distâncias, e torna-se necessário 
decidir por uma localização próxima da sua origem 
(BUARQUE, 1998). Um exemplo disto seria uma 
fábrica de produtos lacticínios, a qual deve estar 
localizada próxima das fazendas fornecedoras de 
leite.
b) A disponibilidade e nível profissional dos 
recursos humanos – Em termos gerais, a tendência 
sempre é procurar localizações onde a mão de obra 
seja abundante e de salários relativamente baixos. Mas 
isso nem sempre pode ser a melhor escolha. Neste 
sentido, deve-se observar a produtividade hora/ 
homem da região em função do nível profissional 
necessário para as funções necessárias ao projeto, 
19
logo, levando isso em conta, é importante investigar a 
disponibilidade dos diferentes níveis de competência 
da mão de obra das localizações possíveis, averiguar 
os níveis de salário de cada região das diferentes 
opções de localização, e estimar o impacto da mão 
de obra no custo total do processo produtivo para 
cada uma das diferentes localidades, determinando 
se há diferenças significativas. 
c) Disponibilidade de Serviços Básicos – Esta 
questão impacta e em muito na decisão da localização, 
pois a disponibilidade e o custo destes possuem 
vínculo direto no custo do produto. Por exemplo, 
quando uma região não dispõe de uma distribuição 
de energia elétrica confiável, essa localidade poderia 
ser inviável para montar um projeto industrial 
ou inclusive de serviço de saúde, tal como um 
hospital. No geral, uma região que possui bons 
serviços básicos apresenta também outros serviços 
adicionais, especialmente de infraestrutura, tais 
como: aquedutos, bom serviço de esgoto, diversas 
escolas, hospitais etc. 
d) Políticas de incentivo federais, estaduais e 
municipais – Um dos determinantes para uma 
boa localização é, em muitas ocasiões, as políticas 
governamentais federais, estaduais e/ou municipais, 
por meio das quais os governos arranjam incentivos 
tributários e vantagens financeiras para que as 
empresas façam investimentos na região. Pois é de 
interesse do país, dos estados e/ou dos municípios, 
desenvolver suas economias e reduzira desigualdade 
social. Os governos, com o objetivo de reduzir 
desigualdades regionais, oferecem certos incentivos 
e vantagens para a instalação em regiões menos 
desenvolvidas. Tais vantagens – financiamento, 
isenção de impostos etc. – podem, muitas vezes, 
justificar uma determinada localização, ainda que 
não seja a localização ótima de acordo com outros 
critérios (BUARQUE, 1998). 
Em relação a escolha da localização, a empresa pode ser 
classificada – de acordo com o fator que dá maior preferência 
(ENDE & REISDORFER, 2015) – como:
•	 Orientada para o mercado dos produtos; 
•	 Orientada para as fontes dos insumos: matérias-
primas, materiais secundários e mão de obra; 
•	 Orientada para pontos intermediários entre o 
mercado dos produtos e as fontes dos insumos; 
•	 De localização independente. 
A figura a seguir, ilustra alguns dos fatores que influenciam 
a tomada de decisão em relação à localização de um projeto. 
FIGURA 1 – FATORES QUE ORIENTAM A ESCOLHA DA LOCALIZAÇÃO.
Fonte: adaptado de Ende e Reisdorfer (2015). 
Olhando para a imagem, podemos perceber que 
escolhemos a localização baseada nos pontos que possuem 
fatores de produção e outros elementos próximos ao projeto, 
isso pois, o estudo da localização de um projeto possui 
um determinante decisivo, que são os custos de transporte 
associados às matérias-primas, matérias secundárias, produtos 
acabados e outros (WOILER & MATHIAS, 2008).
Portanto, questões relacionadas à logística são fundamentais a serem 
consideradas na escolha da localização.
 
De acordo com Laponi (1996), existem dois passos que são 
determinantes para a correta escolha da localização, os quais 
serão abordados nessa aula, que são: 
•	 Determinar a viabilidade do tamanho do projeto; e 
•	 Determinar como será a logística do projeto.
Em relação à logística, devemos perceber que, se não 
há uma boa localização, o projeto pode se tornar inviável, 
pois os custos de logística podem ter peso considerável, 
principalmente quando analisar os custos de transporte dos 
insumos e os custos de transporte de distribuição para os 
centros de consumo. Isto acontece especialmente porque nos 
projetos com matérias-primas de alta densidade de transporte, 
ou com uma baixa densidade de valor, quando o aumento 
do tamanho da fábrica pode forçar o projeto a utilizar 
matérias-primas de locais muito distantes, tornando os custos 
superiores ao máximo permissível (BUARQUE, 1998).
20Elaboração e Análise de Projetos
QUADRO 1- EXEMPLO PARA FIXAÇÃO
EXEMPLO PARA FIXAÇÃO 
PROJETO – “FÁBRICA CADERAMA”
Para termos uma visão mais clara do que foi visto até aqui em relação à 
localização de um projeto e seus custos logísticos, vamos supor que uma 
empresa que já produz cadeiras para escritório, a Fábrica Caderama 
(nome fictício criado para ser usado em um exemplo acadêmico, não 
tendo vínculo com nenhuma empresa real) está analisando a opção de 
montar mais uma fábrica para dar conta de vender para os estados do 
Nordeste do Brasil e também para exportar ao Mercosul, visto que: 
•	 a única fábrica que a Caderama possui está localizada no Rio Grande 
do Sul, e está quase ao máximo de sua capacidade instalada;
•	 a logística atual para as vendas no Nordeste é muito cara, pois 
foi observado que há muitos custos de logística decorrentes do 
transporte desde o Rio Grande do Sul até os estados de Bahia, 
Ceará, Maranhão e Paraíba e dos países vizinhos do Mercosul. 
O primeiro passo que deveríamos fazer neste caso, é determinar o 
potencial do mercado do Nordeste e do Mercosul, para assim justificar o 
início de todo um projeto de empreendimento. Neste sentido, podemos 
preencher, por exemplo, um quadro da demanda insatisfeita de cadeiras 
nesses estados, levantados por pesquisa de mercado na região.
QUADRO 1.1 - DEMANDA INSATISFEITA POR 
CADEIRAS.
Fonte: elaborado pela autora. 
QUADRO 2- EXEMPLO PARA FIXAÇÃO 
(CONTINUAÇÃO)
Deste quadro podemos deduzir que a nova fábrica deve ser montada 
para produzir durante os próximos 5 anos: 
•	 Não menos de 10.000.000 de cadeiras ao ano, pois menos disto a 
potencial fábrica deixa de aproveitar o potencial de mercado. 
•	 Não mais de 15.000.000 de cadeiras, desta maneira a potencial 
fábrica terá que trabalhar com excesso de capacidade instalada, 
se apresentar capacidade ociosa e custos fixos excessivos 
desnecessários. 
•	 A procura por cadeiras teve um acréscimo de 84,11% em 4 anos, 
assim, o potencial desta demanda poderia atingir os 20.976.000 
(11.400.000 + 84,11%) no ano de 2025. 
•	 Numa fábrica localizada próxima de um centro logístico que 
possa dar conta dos quatro estados. Os volumes da demanda são 
expressivos, portanto, justifica esse novo centro logístico. Agora, 
se esse volume de demanda insatisfeita fosse bem menor, talvez 
seria melhor só fazer um projeto menor que possa aumentar a 
produção da fábrica atual do Rio Grande do Sul. 
Assim, podemos observar que deste relatório do estudo de mercado 
pode-se determinar algumas questões importantes tanto do tamanho 
como da localização do projeto. Entretanto, isto é só o início das 
definições operativas do projeto.
 Fonte: elaborado pela autora. 
PARA CONHECIMENTO
Uma das alternativas para ajudar a minimizar impactos negativos na 
localização e no tamanho de um projeto é a gestão produtiva e de 
logística através da cooperação de empresas afins na cadeia produtiva 
de um determinado produto. Hoje, esta cooperação entre organização 
é conhecida como cluster, que pode ser definido como: Clusters são 
agrupamentos de empresas com características semelhantes, que 
coabitam num mesmo local ou região e colaboram entre si em busca 
de mais eficiência produtiva. No Brasil, são equivalentes aos Arranjos 
Produtivos Locais (APLs). 
Os clusters nascem pelo motivo que eles aumentam a produtividade, 
por meio da qual as empresas podem concorrer. O desenvolvimento e 
aprimoramento dos clusters são uma importante agenda para os governos, 
empresas e outras instituições. As iniciativas de desenvolvimento de 
clusters são um novo norteador nas políticas econômicas, apoiando no 
esforço inicial da estabilização macroeconômica, privatizações, abertura 
de mercados, e reduzindo os custos de fazer transações comerciais.
1.1 – Localização específica
Afinal, a localização específica ideal deve ser próxima: ao 
mercado, aos fornecedores, ou aos centros logísticos? 
Cada projeto é extremamente único, de forma que, tudo 
dependerá dos processos, dos tempos e dos custos. Assim, 
podemos generalizar dizendo que a localização ideal será 
aquela que possa permitir menores custos de produção e/
ou menores gastos de distribuição, ou seja, a localização 
ideal pondera sempre o custo-benefício da decisão, podendo 
potencializar ao máximo a geração de lucro e sustentabilidade 
econômica do projeto (KUHNEN & BAUER, 2001). 
Podemos observar que, para produzir uma unidade de 
um produto, precisa-se de uma convergência de fatores, tais 
como Casarotto (2011) expõe: 
•	a	quantidade	e	disponibilidade	de	 insumos	que	serão	
processados e convertidos em uma unidade de produto, 
exemplo: plástico, metal, couro, corante, entre outros que 
serão transformados em cadeiras;
•	 a	 disponibilidade	 de	 recursos	 humanos,	 podemos	
montar uma indústria de cadeiras bem no interior de um 
estado, onde está em falta profissional técnico nessa área. Será 
difícil de encontrar profissional altamente qualificado numa 
área rural, poderia ser melhor montar a indústria de cadeiras 
próxima de uma área urbana, onde haverá recursos humanos 
disponíveis para trabalhar. 
Esses foram dois exemplos de recursos produtivos que 
o projeto poderia precisar, porém como vimos, há os fatores 
determinantes no momento de determinar a localização, 
segundo Buarque (1998): 
•	terrenos	disponíveis,	clima,	fatores	topográficos;
•	distância	da	fonte	de	combustível	industrial;
•	facilidades	de	transporte;
21
•	 distância	 e	 dimensão	 do	 mercado	 e	 facilidades	 de	
distribuição; 
•	 disponibilidade	 de	 energia,	 água,	 telefone,rede	 de	
esgotos; 
•	condições	de	vida,	leis	e	regulamentos,	incentivos;	
•	estrutura	tributária;	
•	fator	ambiental,	regulamentos	e	exigências	ambientais	
existentes.
Todos esses fatores determinam as condições da logística 
da produção, as quais devem estar alinhadas ao custo unitário a 
se produzir. Assim, a localização específica possui um vínculo 
direto com os custos, os processos produtivos, o mercado e o 
tamanho, como podemos observar na figura a seguir.
FIGURA 2 – OS CUSTOS EM FUNÇÃO DO 
MERCADO, PROCESSOS PRODUTIVOS, TAMANHO E 
LOCALIZAÇÃO.
Fonte: elaborado pela autora. 
Observando a figura, a viabilidade de um custo unitário 
está em função dos processos produtivos, o mercado, a 
localização e o tamanho. Todos esses elementos estão 
interligados. Nesse sentido, a localização ideal deverá estar 
alinhada com esses fatores (CASAROTTO, 2011). 
1.2 – Orçamentos comparados
 
Ende e Reisdorfer (2015) salientam que, em muitos 
negócios, particularmente relacionados diretamente ao 
mercado de consumo, a decisão da localização será a mais 
importante a ser tomada. No entanto, mesmo cientes da 
importância da localização, se deixam influenciar pelos 
gastos exigidos e se equivocam na escolha. A título de 
direcionamento de foco, algumas perguntas são importantes 
de serem respondidas antes de definir a localização, tais como: 
•	 Quais são os objetivos da empresa na hora de eleger 
a localização? 
•	 Como se observa a facilidade de acesso, quanto 
aos desejos de compra? 
•	 Quais são os custos envolvidos, inclusive 
com logística, insumos e recursos necessários 
ao funcionamento/operacionalização do 
estabelecimento? 
•	 Quais os tipos de negócios estão localizados 
próximos ao local que se instalará o negócio da 
cooperativa? 
•	 Quais as vantagens e desvantagens das localizações 
centrais e as distantes dos centros de maior fluxo de 
pessoas e produtos? 
Para ajudar a responder essas questões levantadas, 
podemos definir alguns elementos de análise dessa localização 
ideal, dividindo-a em dois grupos: a Macrolocalização e a 
Microlocalização. Casarotto (2011) detalha cada um desses 
grupos da seguinte forma:
•	 Macrolocalização: a análise macro da localização 
consiste em observar toda a região onde deverá 
ser montado o projeto, de maneira a determinar 
a melhor localização possível, em função do 
custo-benefício dos custos produtivos e logísticos 
(transporte). Assim, determinando o custo total da 
logística poderemos determinar o local ideal. Neste 
sentido, o início desta análise será definir se o projeto 
precisa ficar mais próximo dos fornecedores ou dos 
centros de consumo, e
•	 Microlocalização: a análise micro da localização 
refere-se aos detalhes do lugar específico que já foi 
escolhido pela análise da macrolocalização estudada 
acima. Detalhes que devem levar em consideração 
os seguintes pontos: 
•	 descrição e detalhes da estrutura do local atual;
•	 área definida para o projeto e possíveis ampliações 
futuras; 
•	 volume e características de águas residuais; 
•	 impacto de poluição sonora de processos industriais 
e inclusive de processos comerciais; 
•	 estudar as regulamentações da zona industrial;
•	 entre outros. 
Existem alguns outros fatores micros a serem observados, 
que são:
•	 custo do terreno;
•	 transporte de mão-de-obra; 
•	 proximidade de rodovias e terminais;
•	 topografia;
•	 tipo de solo;
•	 comunicações;
•	 matérias-primas e insumos locais;
•	 possibilidades de ampliações;
•	 limitações para edificações;
•	 poluição ambiental.
Como podemos observar, são vários os fatores que 
devem ser analisados, além de outros específicos do projeto a 
se levantar. Assim, é fundamental que cada gestor de projeto 
busque as comparações e as alternativas que apresentem bases 
sólidas para defender uma determinada localização. Portanto, 
uma análise sistemática e técnica com todos os elementos 
estudados na macro e microlocalização podem eliminar 
apreciações subjetivas e emocionais que poderiam ter um 
impacto negativo e, inclusive, causar problemas futuros de 
uma localização mal escolhida (CASAROTTO, 2011). 
Para facilitar na escolha do melhor local, podemos 
utilizar uma ferramenta, que faz uso de uma tabela incluindo 
as diferentes localizações possíveis, e os elementos a favor 
e contra que podem afetar o negócio, permitindo a melhor 
comparação das alternativas. A escolha final se dará analisando 
a opção que oferece o maior retorno econômico/ financeiro 
produzido pelo projeto (ENDE & REISDORFER, 2015).
22Elaboração e Análise de Projetos
Esse método é conhecido como Orçamentos 
Comparados, e considera os fatores mais influentes na 
escolha da localização, sendo fatores locacionais quantitativos, 
de acordo com Laponi (1996) como: 
a) Entradas necessárias do projeto, devendo ser 
considerados pontos como matéria-prima volumosa 
ou pesada, ou de difícil transporte.
b) Saídas do projeto, como onde está localizado o 
mercado consumidor, margem agregada alta ou 
baixa do produto final.
c) Processo, sendo que pode haver condições 
atmosféricas ideais, condições de terreno e de clima, 
proximidade com água, entre outros. 
d) Impostos, fatores legais e incentivos.
e) Meio ambiente.
As etapas para utilização do modelo Orçamentos 
Comparados são:
•	 seleção dos fatores locacionais importantes para 
aquele projeto; 
•	 escolha das possíveis zonas; 
•	 pesquisas locais específicas nas zonas pré-
qualificadas (geográfica, fonte de matéria-prima, 
tarifas no transporte, mão de obra qualificada ao que 
se é necessário, pesquisa de mercado);
•	 atribuição de pesos aos fatores locacionais 
escolhidos:
→	 peso	 de	 acordo	 com	 participação	 no	 custo	 de	
produção,
→ peso de acordo com participação no custo de 
investimento.
•	 comparação final.
QUADRO 3 – EXEMPLO PARA FIXAÇÃO.
EXEMPLO PARA FIXAÇÃO 
PROJETO – “FÁBRICA CADERAMA”
Voltamos ao exemplo da Fábrica Caderama para aplicarmos a 
metodologia do modelo de Orçamento Comparados. 
Ao analisarem a real necessidade da implantação da nova fábrica no 
Nordeste, como vimos nos quadros de exemplo 1 e 2, os executivos se 
reuniram para a realização da primeira etapa do método de Orçamento 
Comparados: seleção dos fatores locacionais importantes para aquele 
projeto. Após debaterem sobre o assunto, elegeram os pontos: 
•	 proximidade de fornecedores;
•	 incentivos para impostos federais;
•	 taxa sobre salários; 
•	 ambiente da comunidade; 
•	 proximidade dos clientes;
•	 modos de transportes; 
•	 proximidade com áreas urbanas populosas. 
Tendo isto definido, passaram para a segunda etapa: escolha das 
possíveis zonas, e levantaram três possibilidades: 
•	 Zona urbana da Bahia – Local 1; 
•	 Zona rural do Ceará – Local 2; 
•	 Polo industrial do Maranhão – Local 3. 
Como terceira etapa foram realizadas pesquisas locais específicas nas 
zonas pré-qualificadas. Na quarta etapa do processo, atribuíram pesos 
aos fatores locacionais escolhidos, o que deu origem ao quadro de 
comparação das possíveis zonas.
Fonte: elaborado pela autora. 
QUADRO 4 – EXEMPLO PARA FIXAÇÃO 
(CONTINUAÇÃO).
1- ESCOLA DE LOCALIZAÇÃO ÓTIMA - PARTE 1
2 – ESCOLHA DA LOCALIZAÇÃO ÓTIMA – PARTE 2.
Na quinta e última fase de comparação final, conclui-se que, dentre 
os 3 locais escolhidos pela diretoria e analisados, o Polo industrial do 
Maranhão – Local 3 é o mais adequado para a construção na nova 
fábrica.
2 - Escala e Tamanho
Casarotto (2011) afirma que existe um vínculo direto 
entre tamanho e localização. Agora, depois de estudarmos 
o tópico sobre localização, tendo uma visão mais clara das 
opções de localização, podemos observar a relação entre a 
localização e o tamanho do projeto. 
A escala ou o tamanho de um projeto, torna-se um 
elemento direcionador importante, uma vez que representa a 
capacidade de produção a ser instalada no empreendimento. 
O tamanho refere-se à capacidade de produção que pode ser 
atingida pela cooperativa quando em operação durante um 
período de tempo normal (ENDE & REISDORFER, 2015).De acordo com Ende e Reisdorfer (2015), a capacidade 
de produção que define o tamanho do processo pode ser 
definida como: 
•	 Do ponto de vista técnico ou de engenharia: máxima 
produção que pode ser obtida. 
•	 Do ponto de vista econômico: nível de produção 
que corresponde ao custo médio de produção que 
seja mínima. 
23
Encontrar um ponto ótimo para problemas de tamanho e 
localização, é um trabalho de aproximações sucessivas entre as 
diversas etapas, tendo por objetivo a solução ótima quanto ao 
tamanho. Essa solução será aquela que conduza ao resultado 
econômico mais provável para o projeto no seu conjunto 
(CASAROTTO, 2011). Por isso, o tamanho é definido pelo 
jogo de dois grupos de variáveis: as variáveis de viabilidade e 
as variáveis de otimização (BUARQUE, 1998).
QUADRO 5 – EXEMPLO PARA FIXAÇÃO.
EXEMPLO PARA FIXAÇÃO 
PROJETO – “FÁBRICA CADERAMA”
Ainda no exemplo da Fábrica Caderama e seguindo a lógica da viabilidade 
do projeto de cadeira, como vimos nos quadros 1 e 2, o tamanho do 
projeto estará delimitado entre: 
•	 seu máximo de capacidade de absorção do mercado nos próximos 
4 anos, ou seja, 15.000.000 de cadeiras ao ano. 
•	 seu mínimo determinado pelo nível de investimento exigido para 
poder ter uma boa margem operativa, ou seja, 10.000.000 de 
cadeiras ao ano. 
Além destas referências de tamanho, haverá um grande número de 
alternativas “viáveis”, entre as quais poderemos escolher o tamanho 
ótimo do projeto. Mas qual será o determinante desse tamanho ótimo, 
10, 11, 12, 13, 14 ou 15 milhões de cadeiras?
Fonte: elaborado pela autora. 
A resposta para esta questão está no potencial máximo 
de lucro, entre as alternativas a serem analisadas. Assim, esse 
tamanho ótimo fica em função do tamanho que possa gerar o 
maior potencial de lucro possível. Isto pode ser feito por meio 
de aproximações sucessivas que, de acordo com Casarotto 
(2011), consistem em: 
QUADRO 6 – EXEMPLO USADO PARA EXPLICAÇÃO 
DO CONTEÚDO.
EXEMPLO PARA EXPLICAÇÃO 
PROJETO – “FÁBRICA CADERAMA”
•	 Começar com uma alternativa no meio dos extremos de potencial 
de produção, no caso da Fábrica Caderama temos entre: 10.000.000 
e 15.000.000. Ou seja, o ponto de tamanho médio do projeto, e de 
partida, será para produzir 12.500.000 cadeiras. 
•	 Levando em consideração essa alternativa, 12.500.000 cadeiras, 
devemos desenvolver todo o projeto como uma base de nível 
preliminar padronizada. 
•	 Logo, em função de base preliminar, determinar as receitas, custos, 
gastos, lucro e rentabilidade desta alternativa inicial. 
•	 Com essa base de projeto padronizado e vinculando receitas, 
custos e gastos em função das quantidades a serem produzidas, 
devemos repetir as operações de cálculo de todas as receitas, 
custos, gastos, lucro e rentabilidade de cada uma das alternativas. 
Ou seja, simular projetos com alternativas de: 
a) 10.000.000 de cadeiras.
b) 12.500.000 cadeiras. 
c) 15.000.000 de cadeiras.
•	 Em função dos cálculos feitos, determinar a melhor alternativa. 
•	 A melhor alternativa ficará com o tamanho otimizado do projeto. 
•	 Levando em consideração esse tamanho otimizado, aprofundar os 
detalhes com vistas a levantar todas as atividades da execução do 
projeto.
Esses seriam os passos para montar um processo de cálculo que 
poderá determinar o tamanho ideal do projeto, vinculando-se essa 
decisão ao lucro potencial e à rentabilidade do capital, pois esses dois 
são determinantes fundamentais para que o projeto possa ficar mais 
atrativo para o capital dos investidores.
Fonte: elaborado pela autora. 
2.1 – Viabilidade e otimização
Como vimos, o tamanho do projeto pode ser definido 
pelo encontro ótimo de dois grupos de variáveis: as variáveis 
de viabilidade e as variáveis de otimização. Em relação as 
variáveis de viabilidade, Ende e Reisdorfer (2015) definem 
algumas, como: 
•	 Locacional – definido pelos custos de transporte de 
matérias-primas;
•	 Engenharia – relacionado à escolha da tecnologia e a 
engenharia de produção;
•	 Mercado – existência de déficit de oferta atual ou 
potencial;
•	 Capacidade empresarial e financeira – relativo à 
capacidade de aporte de capitais próprios e/ou de 
terceiros. 
 Já as variáveis de otimização, de acordo com Ende e 
Reisdorfer (2015), são duas:
•	 De custo – é o que apresenta o menor custo médio, 
por unidade de tempo;
•	 Dos equipamentos – é o que apresenta o maior 
rendimento em face das instalações e edificações 
projetadas e existentes.
Muitos potenciais projetos não conseguem sair do 
papel, muitas vezes as empresas não estão preparadas para 
montar toda uma estrutura administrativa para dar conta da 
gestão do projeto potencial. Entretanto, em outras situações, 
especialmente para projetos de grande porte, a questão da 
estrutura administrativa e, em especial, a questão dos recursos 
financeiros, tornam o projeto difícil de ser materializado, ou 
seja, estes fatores podem encaminhar o projeto para uma 
inviabilidade deste (LAPONE, 1996). 
Como expõe Buarque (1998), mesmo quando se reúnem 
todas as condições de viabilidade de certo tamanho de projeto, 
pode ocorrer a inviabilidade pelo lado dos empresários, seja 
através da incapacidade financeira, seja pela incapacidade 
administrativa para realizar um projeto de grandes dimensões. 
No caso de empresas privadas, esse aspecto corresponde a 
um dos mais importantes fatores limitativos da viabilidade do 
tamanho mínimo permitido pelo mercado.
QUADRO 7 – EXEMPLO PARA FIXAÇÃO.
EXEMPLO PARA FIXAÇÃO 
PROJETO – “FÁBRICA CADERAMA”
24Elaboração e Análise de Projetos
Dando continuidade ao exemplo da Fábrica Caderama, o passo seguinte 
é determinar a viabilidade. Para isto, deve-se fazer a escolha do tamanho 
ideal, levando em consideração os seguintes elementos de análise: 
•	 O mercado: como estudamos acima na análise de mercado 
das cadeiras, um tamanho de projeto para produzir acima de 
15.000.000 ao ano seria um projeto inviável economicamente, 
em função do excesso de capacidade instalada, pois onde vamos 
vender tantas cadeiras se o mercado pode absorver até um 
máximo de 11.000.000 de cadeiras adicionais? 
•	 A tecnologia: o mercado de cadeiras é bem competitivo. Assim, 
para poder ter uma margem de lucro atrativa precisa-se de dois 
elementos: 
a) Investimento em tecnologia, visando produzir um maior número de 
cadeiras, e com menor tempo.
b) Economia de Escala: em função do alto investimento em tecnologia, 
o volume a ser produzido e vendido deve ser bem alto, para diluir 
(dissolver) os custos fixos de investimento num maior volume 
produzido, caso contrário a margem operativa não vai dar conta 
desses custos fixos altos. 
Assim, um projeto para montar uma fábrica que possa produzir um 
volume menor de 10.000.000 de cadeiras ao ano, provavelmente será 
inviável, mas se montar um projeto para produzir até 15.000.000 de 
cadeiras esses custos fixos poderão ser diluídos num maior volume de 
vendas e, portanto, há potencial de lucro. Em síntese, nesse volume alto 
haverá menores custos unitários, em função da alta produção que ajuda 
a diluir os custos fixos num maior número de unidades produzidas.
Observe que no estudo de mercado das cadeiras, um projeto viável 
poderá ser para produzir acima de 10.000.000 de cadeiras. Mas será 
que a empresa possui os recursos empresariais e os meios financeiros, 
próprios e de terceiros, para montar o projeto? Eis a questão, pois nem 
toda empresa possui essa capacidade, e por isso são poucas empresas 
que ofertam esse tipo de produto de cadeiras no mercado, que demanda 
muito recurso empresarial e financeiro.
Fonte: elaborado pela autora. 
No caso do nosso exemplo do projeto de cadeiras, a 
empresa não está analisando aumentar a sua capacidade 
produtiva no Rio Grande do Sul, onde seria bem mais fácil, 
mas sim montar todo um projeto de uma nova fábrica no 
Nordeste. Isso em função dos altos custos de transporte e 
do imposto ICM entre estados. Com a fábrica no Nordeste 
a empresa pode aproveitar a sua proximidade com seus 
fornecedorese estar próxima dos centros de consumo do 
Nordeste, inclusive está mais próxima dos centros de consumo 
dos países do MERCOSUL, neste sentido, a localização possui 
um peso importante no momento de ponderar a viabilidade.
3 - Arquitetura e Engenharia do 
Projeto
Uma vez que já temos definido o tamanho ideal do 
projeto, o seguinte passo é adentrar nos detalhes operacionais 
e logísticos do tamanho escolhido, dentro de uma área 
geográfica previamente delineada, no caso das cadeiras, entre 
um dos estados do Nordeste. Como expõe o autor Buarque 
(1998), o tamanho do projeto está vinculado diretamente com 
a capacidade operacional do projeto. 
Nesse contexto, já com a alternativa de tamanho 
escolhida, devemos observar os detalhes do processo 
produtivo e econômico do projeto. Detalhes que abrangem 
a análise das etapas operacionais das vendas, da produção, de 
recurso humano (RH), de compras e de gestão de estoques de 
matéria-prima e insumos, de análise de custos e economia de 
escala (CASAROTTO, 2011). 
Esta estrutura operacional começa definindo as vendas 
projetadas, devendo observar o estudo de mercado, o 
qual fornece critérios básicos para determinar a produção 
projetada (ENDE & REISDORFER, 2015). Para termos um 
referente de análise, a seguir vamos estudar os aspectos mais 
importantes do estudo de mercado:
•	 Qual o produto do projeto, bens de consumo, 
produto intermediário, bens duráveis? 
•	 Que tipo de qualidade e nicho está se planejando 
produzir? Uma coisa é produzir cadeiras muito 
sofisticadas, que podem custar mais de R$ 1.000,00; 
outra é produzir em grande escala cadeiras populares. 
•	 Qual a magnitude real do mercado? 
•	 Existe alguma política econômica que possa ajudar e 
incentivar o projeto? 
•	 Existe uma concorrência favorável, em função das 
novas tecnologias? 
•	 Qual o potencial de mercado no futuro? 
•	 Localização próxima ao mercado ou próxima aos 
fornecedores? 
De acordo com Ende e Reisdorfer (2015), a arquitetura 
do projeto possui pelo menos duas características básicas: a 
funcionalidade e a economia de custos. 
•	 A funcionalidade é para permitir os processos 
produtivos mais rápidos e seguros. 
•	 A economia de custos é para evitar obras 
desnecessárias ou nada práticas. 
Os resultados dos estudos arquitetônicos são traduzidos 
por um conjunto de plantas que visam não somente atender 
as necessidades legais, como também orientar a execução das 
obras civis. É importante considerar que a conservação das 
plantas é muito útil para possíveis consertos ou manutenção 
nas partes hidráulicas e elétricas, além de cumprir exigências 
legais. O estudo de engenharia tem o objetivo de determinar 
o processo de produção, os equipamentos e as instalações, 
tornando possível o cálculo dos custos de investimento de 
operação (ENDE & REISDORFER, 2015). 
Definem-se os equipamentos principais necessários ao 
mesmo tempo em que se estuda o processo de produção. 
Conhecidos os tipos de equipamentos necessários, deve-
se determinar o equipamento exato a comprar, definindo 
marca, fornecedor, origem, custo, etc. Para a seleção dos 
equipamentos é necessário ter em conta fatores como custos, 
país de origem, facilidade de crédito e outras considerações 
financeiras, moeda de pagamento, possibilidade de ampliar a 
capacidade produtiva, assistência técnica, manutenção e peças 
de reposição, facilidade de montagem no país, determinando-
se um conjunto de alternativas mais eficazes e a tecnologia 
exata a ser selecionada (ENDE & REISDORFER, 2015). 
A engenharia também deve estudar as necessidades 
detalhadas de cada uma das variáveis indispensáveis para o 
25
funcionamento da empresa, em diferentes níveis de produção. 
Os principais detalhes a serem estudados, de acordo com 
Ende e Reisdorfer (2015) são: 
•	 Matéria-prima – quais são as matérias-primas 
necessárias para o processo de produção e qual é a 
quantidade necessária de cada uma para obtenção de 
uma unidade de produto; origem da matéria-prima 
e custo de transporte de uma unidade desde sua 
origem até onde está localizada a empresa projetada; 
se são produtos perecíveis; se há dificuldades em 
obtê-los; quanto deve haver em armazenagem 
de cada matéria-prima, para evitar problemas de 
abastecimento e como devem ser armazenados. 
•	 Materiais indiretos e secundários – tanto os 
materiais indiretos (aqueles que participam do 
processo de produção, mas não são agregados ao 
produto final) quanto os secundários (agregam-se, 
mas em proporção pequena), devem ser estudados 
da mesma maneira que a matéria-prima. 
•	 Outros insumos – deve-se estudar o requerimento 
dos demais insumos como eletricidade, água, 
combustíveis, lubrificantes e artigos de escritório 
necessários à operacionalização da empresa, sempre 
com a consciência do que é ecologicamente correto. 
•	 Mão de obra – uma vez determinadas as exigências 
dos materiais necessários, é indispensável determinar 
a qualificação e a quantidade de mão de obra, assim 
como sua disponibilidade na região onde a empresa 
irá atuar. 
A apresentação da engenharia deve traduzir, de maneira 
clara e resumida, todo o processo físico de transformação. 
Para a compreensão dos aspectos tecnológicos do projeto, é 
necessário descrever o processo de produção, que inclui os 
produtos, os subprodutos e as matérias-primas, os insumos, 
a mão de obra e os equipamentos utilizados (ENDE & 
REISDORFER; 2015). 
A descrição do processo deve permitir aos futuros leitores 
a compreensão de todas as fases e operações por que passam 
os insumos, até a obtenção do produto final, explicando em 
cada operação o que acontece, qual a sua relação com as fases 
anteriores e posteriores, quais os equipamentos utilizados, 
quais os insumos utilizados e em que quantidade e qual é a 
mão de obra a ser utilizada (ENDE & REISDORFER; 2015). 
Para facilitar a compreensão e ordenar a descrição é 
aconselhável utilizar um fluxograma, onde são apresentadas 
as fases de produção e suas inter-relações. O fluxograma tem 
como objetivo descrever, de forma clara e simples, mediante 
uma representação gráfica, o processo de fabricação do 
produto. Para obter-se o máximo de rendimento do projeto, 
é evidente que os elementos físicos necessários para levar a 
cabo uma determinada produção não podem situar-se de 
uma maneira arbitrária. É necessário definir a distribuição dos 
equipamentos (ENDE & REISDORFER; 2015). 
Nesse sentido, a utilização de um layout pode auxiliar 
na visualização da disposição dos equipamentos. O layout é a 
distribuição espacial dos meios físicos da produção, sendo que 
existem dois tipos de distribuição: por produto e por processo 
(ENDE & REISDORFER; 2015). 
•	 Distribuição	 por	 produto	 –	 os	 equipamentos	 se	
encontram localizados na sequência de um caminho a 
percorrer pelo produto em fabricação. 
•	Distribuição	por	processo	–	consiste	no	agrupamento	
por seções de máquinas e equipamentos que realizem tarefas 
similares. 
O estudo de layout permite determinar as áreas 
necessárias, levando em conta os espaços ocupados pelos 
equipamentos, o espaço de trabalho, as áreas de materiais e 
de circulação. Levando em conta as dimensões do terreno, os 
equipamentos com suas dimensões específicas e descrevendo 
detalhadamente o processo de produção em cada uma de 
suas sequências, localiza-se os equipamentos simplificando 
ao máximo o movimento interno de todos os elementos do 
processo de produção: equipamentos, móveis, mão de obra, 
matéria-prima e demais insumos (ENDE & REISDORFER; 
2015). 
Chegamos, assim, ao final de nossa aula. Espera-se 
que agora tenha ficado mais claro o entendimento de 
vocês sobre Localização e determinação da escala do 
projeto. Vamos, então, recordar?
Retomando a aula
1 – Localização e logística
Ao longo da construção de um projeto, uma fase 
importante é a determinação da localização. A escolha da 
localização dependerá de diversos fatores e deverá ser realizada 
levando em conta as alternativas locacionais disponíveis. Em 
resumo, algunselementos considerados como importantes 
são: a disponibilidade e características dos insumos, a 
disponibilidade e nível profissional dos recursos humanos, a 
disponibilidade de serviços básicos e as políticas de incentivo 
federais, estaduais e municipais. 
Questões relacionadas à logística são fundamentais 
de serem consideradas na escolha da localização, devemos 
perceber que, se não há uma boa localização, o projeto pode 
se tornar inviável. 
2 – Escala e tamanho
Existe um vínculo direto entre tamanho e localização. 
A escala ou tamanho de um projeto, torna-se um elemento 
direcionador importante, uma vez que representa a capacidade 
de produção a ser instalada no empreendimento. 
Encontrar um ponto ótimo para problemas de tamanho 
e localização, é um trabalho de aproximações sucessivas, 
visando a busca de um potencial máximo de lucro, entre as 
alternativas a serem analisadas. Assim, esse tamanho ótimo 
fica em função do tamanho que possa gerar o maior potencial 
de lucro possível.
3 – Arquitetura e engenharia do projeto
Uma vez que já temos definido o tamanho ideal do 
projeto, o passo seguinte é adentrar nos detalhes operacionais 
26Elaboração e Análise de Projetos
e logísticos do tamanho escolhido. Também já tendo definido 
o tamanho, devemos observar os detalhes do processo 
produtivo e econômico do projeto. A arquitetura do projeto 
possui pelo menos duas características básicas: funcionalidade 
e economia de custos.
Os resultados dos estudos arquitetônicos são traduzidos 
por um conjunto de plantas e o estudo de engenharia tem 
o objetivo de determinar o processo de produção, os 
equipamentos e as instalações, tornando possível o cálculo 
dos custos de investimento de operação.
ENDE, Marta Von; REISDORFER, Vitor Kochhann. 
Elaboração e Análise de Projetos. Santa Maria, RS: Universidade 
Federal de Santa Maria, Colégio Politécnico, Rede e-Tec 
Brasil, 2015. Disponível em: https://www.ufsm.br/app/
uploads/sites/413/2018/11/10_elaboracao_analise_
projetos.pdf. Acesso em: 22 maio 2022.
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Como definir a localização dos pontos comerciais? 
Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=9BwEkXg_HAA. Acesso em: 22 maio 2022.
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