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Exame Físico Geral Introdução O exame físico pode ser dividido em duas etapas: a primeira constitui o que se costuma designar como exame físico geral, somatoscopia ou ectoscopia, por meio do qual são obtidos dados gerais, independentemente dos vários sistemas orgânicos ou segmentos corporais (obtém-se, com isso, uma visão do paciente como um todo); a segunda etapa corresponde ao exame dos diferentes sistemas e aparelhos (obtém-se uma visão mais específica). • Preliminares adequadas ✓ Local adequado; ✓ Iluminação boa e correta; ✓ Posição do paciente; ✓ Parte examinada descoberta (sempre respeitando o pudor do paciente). Semiotécnica O paciente deve ser examinado nas posições de decúbito, sentado, de pé e andando, examinando-o primeiro sentado na beira do leito ou da mesa do exame (a menos que o paciente não consiga fazê-lo). Também se pode iniciar o exame com o paciente deitado, caso ele se sinta mais confortável. • Sequência ✓ Avaliação do estado geral; ✓ Avaliação do nível de consciência; ✓ Fala e linguagem; ✓ Avaliação do estado de hidratação; ✓ Altura e outras medidas antropométricas; ✓ Peso; ✓ Avaliação do estado de nutrição; ✓ Desenvolvimento físico; ✓ Fácies; ✓ Atitude e decúbito preferido no leito; ✓ Pele, mucosas e fâneros (estruturas visíveis da pele – cabelos, pelos e unhas); ✓ Tecido celular subcutâneo e panículo adiposo; ✓ Musculatura; ✓ Movimentos involuntários; ✓ Enfisema subcutâneo; ✓ Exame dos linfonodos; ✓ Veias superficiais; ✓ Circulação colateral; ✓ Edema; ✓ Temperatura corporal; ✓ Postura ou atitude na posição de pé; ✓ Biotipo ou tipo morfológico; ✓ Marcha. 1. Avaliação do Estado Geral Decorre de uma avaliação subjetiva interpretada de acordo com a experiência de cada um, ou seja, é o que aparenta o paciente visto em sua totalidade. No caso da avaliação do estado geral, usamos os seguintes termos: estado geral bom, estado geral regular e estado geral ruim. A avaliação do estado é importante para sabermos como o corpo do paciente está reagindo a determinado fator. Por exemplo, se o paciente possui uma doença grave e está com um estado geral bom, significa que o corpo está conseguindo reagir bem, apontando para um bom prognóstico. 2. Avaliação do Nível de Consciência A avaliação do nível de consciência e do estado mental implica em dois aspectos: a avaliação neurológica e a psiquiátrica. O nível de consciência indica os vários estágios de consciência, que vão desde o estado de vigília (percepção consciente do mundo e de si mesmo) até o estado de coma grau IV. Para evitar confusões entre classificar o paciente apenas como “em vigília” ou “em coma”, utilizamos o termo obnubilado, que serve para indicar a presença de distúrbios de ideação e certa confusão mental apresentados pelo paciente. • Fatores para se considerar durante a avaliação ✓ Perceptividade ➔ Capacidade para responder perguntas simples, informar aspectos corriqueiros, fazer cálculos elementares ou atender ordens; ✓ Reatividade ➔ Capacidade de reagir a estímulos inespecíficos, como um barulho ou dor; ✓ Deglutição ➔ Capacidade de levar alimentos à boca e degluti-los; ✓ Reflexos ➔ Resposta a manobras de reflexos tendinosos, como o patelar. • Graus de coma segundo os fatores acima ✓ Coma leve, vígil ou grau I ➔ Paciente capaz de atender a ordens simples e responder perguntas pessoais, reagindo bem à dor e com deglutição normal; ✓ Coma de grau médio ou grau II ➔ Perceptividade reduzida, responde apenas à dor energética de forma inapropriada. Ainda apresenta deglutição dificultada, mas com reflexos inalterados; ✓ Coma profundo, carus ou grau III ➔ Completa perda da consciência, sem perceptividade, sem deglutição, sem reação a estímulos dolorosos, arreflexia (ausência de reflexos) tendinosa, cutânea e pupilar, relaxamento total da musculatura e incontinência esfinctérica. ✓ Coma depassé ou grau IV ➔ Contém todos os elementos referidos no coma de grau III, além de comprometimento das funções vitais. Caracteriza-se como sendo quase sempre um estado irreversível, e o EEG mostra silêncio elétrico cerebral. Obs.: Atualmente a ECG (Escala de Coma de Glascow) está sendo mais utilizada para determinar o nível de consciência. Falaremos mais dela no outro resumo, de nome “Sinais Vitais”. 3. Fala e Linguagem O examinador deve examinar esse elemento durante a entrevista, principalmente durante a fala do paciente. Ela pode ser classificada de várias formas, indo desde o timbre da voz até a repetição de palavras ou troca de letras. • Classificação das Alterações da Fala ✓ Disfonia ou afonia ➔ Alteração no timbre da voz (rouca, fanhosa ou bitonal); ✓ Dislalia ➔ Alterações menores da fala, como troca de letras (cebolinha); ✓ Disritmolalia ➔ Uma forma de dislalia, mas diz respeito ao ritmo da fala, como ao gaguejar; ✓ Disartria ➔ Alterações nos músculos da fonação, incoordenação cerebral (voz arrastada), hipertonia no parkinsonismo (voz baixa, monótona e lenta) ou perda do controle piramidal (paralisa pseudobulbar); ✓ Disfasia ➔ Apresenta distúrbio na elaboração cortical da fala (traduz lesão do hemisfério dominante – destro, esquerdo e canhoto, direito), podendo ocorrer desde alterações mínimas até a perda total da fala. Ela pode ser dois tipos: recepção ou sensorial, ou seja, quando o paciente não entende o que é dito; expressão ou motora, quando o paciente entende, mas não consegue se expressar. Frequentemente observa-se os dois tipos em uma mesma pessoa, ocorrendo uma disfasia mista; ✓ Disgrafia ➔ Perda da capacidade de escrever; ✓ Dislexia ➔ Perda da capacidade de ler. 4. Avaliação do Estado de Hidratação A hidratação do paciente é dada analisando-se os seguintes parâmetros: • Alterações abruptas do peso: Principalmente em crianças; • Alterações da pele referentes à umidade: Elasticidade e turgor; • Alterações da mucosa quanto à umidade: Varia de normal à seca (síndrome de Sjogren – síndrome autoimune do tecido conjuntivo que destrói as glândulas exócrinas, apresentando secura das mucosas). A mucosa seca pode ser confundida com a boca seca, mas esta ocorre por obstrução das glândulas bucais, a mucosa permanece brilhosa; • Fontanelas (crianças): A depressão é indicativo de desidratação, e a acentuação/abaulamento é sinal de hipertensão craniana; • Alterações Oculares: Olhos encurvados/retraídos/fundos (enoftalmia) e hipotônicos são um sinal de desidratação; • Estado geral do paciente. Graus de Desidratação Ademais, a hidratação pode ser classificada de acordo com a intensidade (baseada na perda de peso) e a osmolaridade (baseada no nível sanguíneo de sódio). • Intensidade ✓ Leve ou de 1º grau: Até 5% de perda; ✓ Moderada ou de 2º grau: 5-10%; ✓ Grave ou de 3º grau: >10%. • Osmolaridade ✓ Isotônica: Limite normal de sódio (130-150 mEq/l); ✓ Hipotônica: Abaixo do normal (<130 mEq/l); ✓ Hipertônica: Acima do normal (>150 mEq/l). Obs.: O estado de hidratação é definido em cruzes (+), sendo +/4+ o menor grau de hidratação e ++++/4+ o estado crítico de desidratação. 5. Altura e Outras Medidas Antropométricas Na prática diária, a única medida rotineira a ser coletada é a planta-vértice (a altura), que vai desde a planta dos pés até o vértice da cabeça. Para isso, utiliza-se uma haste milimetrada, com a pessoa ereta e em pé, calcanhar rente à haste e encostado no chão e a cabeça com o olhar na linha do horizonte (plano de Frankfurt). No caso de crianças de até 4 anos o processo é feito com ela deitada, junto do uso de fita métrica ou régua. Vale ressaltar que pacientes idosos, com doenças como a osteoporose ou com cifose/escoliose acentuada podem apresentar medidas inferiores às normais devido à perda de densidade óssea, desgaste das vértebras e dos discos intervertebrais. Após a mensuração, compara-se esta com a tabela da página 95 (PDF = 131)do Porto (é gigante para colocar aqui). • Outras Medidas ✓ Envergadura ➔ Distância entre os extremos dos membros superiores em abdução de 90º. Normalmente ela equivale à altura; ✓ Distância pubovértice ➔ Distância entre a sínfise pubiana e o ponto mais alto da cabeça; ✓ Distância puboplantar ➔ Distância entre a sínfise pubiana e a planta dos pés. Obs.: Ponto médio da altura do adulto está na sínfise pubiana, enquanto que no recém- nascido se encontra na cicatriz umbilical. 6. Peso O peso médio do recém-nascido a termo é de 3,3 kg. Logo após o nascimento ocorre uma perda fisiológica de 3 a 5%, a qual se recupera entre o 7° e o 10° dia de vida. Geralmente, a criança dobra de peso entre o 4º e o 5º mês, triplica com 1 ano de idade e quadruplica aos 2 anos. Do 2º ano até a puberdade apresenta um ganho de peso relativamente estável de 2 a 2,5 kg/ano. O peso na idade adulta, por sua vez, é classificado da seguinte maneira: • Peso Ideal: Usar tabela ou regra simples de Broca: O peso ideal se aproxima do número de centímetros que excede um metro de altura e se expressa em kg. Para mulheres, subtraem-se 5% desse valor. Assim, um homem de 1,70 teria 70 kg, enquanto uma mulher de mesma altura teria 66,5 kg; • Peso Máximo Normal: Somam-se 5-10% ao peso ideal, dependendo do biótipo; • Peso Mínimo Normal: Subtraem-se 5-10% ao peso ideal, dependendo do biótipo. 6.1. Índice de Massa Corpórea (IMC) 𝐼𝑀𝐶 = 𝑃𝑒𝑠𝑜 (𝐴𝑙𝑡𝑢𝑟𝑎)2 6.2. Circunferência Abdominal Mede-se a circunferência abdominal logo acima da crista ilíaca, passando pelo ponto médio entre o rebordo costal e a espinha ilíaca posterossuperior e pelo quadrado lombar. Os valores normais são: Homem: Até 102 cm. Mulheres: Até 88 cm. 6.3. Circunferência da Panturrilha (CP) A CP é importante para avaliar o estado nutricional de pacientes hospitalizados, principalmente aqueles em coma, pois permite analisar a depleção da massa muscular. Também pode ser utilizada para averiguar a existência de sarcopenia no idoso, bem como depleção muscular em casas de desnutrição. Abaixo estão os pontos de corte para idosos: ✓ >35: Normal ✓ <35 cm: Acompanhamento; ✓ 31-34 cm: Vigilância nutricional; ✓ <31 cm: Depleção da massa muscular (sarcopenia). 6.4. Relação Cintura-Quadril Mede-se a circunferência da cintura (C) em um ponto médio entre o final dos arcos costais e a do quadril (Q), no nível das espinhas ilíacas anterossuperiores. Os valores normais são: Homens: RCQ < 0.9 Mulheres: RCQ < 0,8 6.5. Obesidade Central ou Periférica No homem, a gordura tende a se armazenar na parte superior do corpo ou na região abdominal, adquirindo um aspecto de maçã (obesidade tipo androide ou central). Já na mulher, o acúmulo de gordura predomina no quadril e nas coxas, adquirindo um aspecto de pera (tipo ginecoide ou periférica). Ps.: Ultimamente utiliza-se somente a medida da circunferência abdominal (CA). 6.6. Variações do Peso O peso pode variar entre uma situação de caquexia (extrema magreza) até a obesidade mórbida. Atualmente divide-se essas variações em: magreza, caquexia, sobrepeso e obesidade. • Magreza Paciente abaixo do peso normal, não indicando, necessariamente, subnutrição. Em termos numéricos, a magreza equivale a 10-15% dos valores padronizados em função da estatura, sexo e idade. Existem dois tipos de magreza: Constitucional: Traço genético. Patológica: Ocorre por consequência de doenças, como hipertireoidismo, diabetes etc. • Caquexia Designação dada para um acentuado grau de magreza com comprometimento do estado geral do paciente, aparecendo principalmente na AIDS, neoplasias malignas e graves desnutrições. • Sobrepeso e Obesidade Significa que o paciente está acima do peso máximo. Possui grande importância clínica por estar associado a diversos distúrbios metabólicos, influenciando na morbidade e mortalidade. A partir do excesso de tecido adiposo e da sua disposição corporal, é possível definir dois tipos de obesidade: Obesidade Central/Androide: A gordura se concentra no tórax e no abdome. É típica de homens, embora possa ocorrer em mulheres. A deposição de gordura é tanto subcutânea quanto intra-abdominal. Além disso, esse tipo de obesidade está associado à diabetes tipo 2. Obesidade Periférica/Ginecoide: Mais frequente em mulheres, a gordura se espalha pelas coxas, nádegas e regiões pélvicas. Nesse caso, a gordura predomina no tecido subcutâneo, favorecendo o aparecimento de celulite, mas não se correlacionando com as enfermidades encontradas nos homens obesos. A síndrome de Cushing tem na obesidade uma de suas características clínicas. A gordura se acumula rapidamente e predomina no tronco, poupando as pernas. O indivíduo pode parecer pletórico. Outros elementos dessa síndrome são: distrofia sexual., hirsutismo, estrias abdominais avermelhadas, gibosidade dorsal, hiperglicemia e hipertensão arterial. Lembre-se sempre que a perda/ganho de peso depende do tempo, de forma que perdas acentuadas em um menor prazo são mais graves do que durante um maior tempo. Ou no caso de edemas (observar efeito dos diuréticos), pacientes idosos (doenças) etc. Além disso, sempre que houver um súbito aumento de peso (3-5 kg), deve-se suspeitar em retenção de água antes de passar para diagnósticos mais específicos. 7. Avaliação do Estado de Nutrição Os parâmetros para se avaliar a nutrição, segundo o porto, são: peso, musculatura, panículo adiposo, desenvolvimento físico, estado geral, pele, pelos e olhos. Apesar disso, a American Dietetics Association (ADA) e a American Society of Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN) recomendam outros parâmetros: ingestão insuficiente de energia, perda de peso, perda de gordura subcutânea, perda de massa muscular, acúmulo de líquido localizado ou generalizado, capacidade funcional diminuída. A hiponutrição ou desnutrição é uma condição na qual o peso está abaixo do normal, a musculatura é hipotrófica e o panículo adiposo é escasso. A pele se torna seca e rugosa, adquirindo aspecto de lixa. Os cabelos e pelos ficam finos, mudam de cor, tornam-se secos e quebradiços. A conjuntiva ocular fica seca, com falta/redução de lágrimas, fotofobia, ausência de reflexo etc., quase tudo relacionado com a avitaminose A (xeroftalmia). Após constatar o estado de desnutrição, classificamos ela de acordo com Gomez: Déficit de peso superior a 10% ➔ Desnutrição de 1º grau Déficit de peso superior a 25% ➔ Desnutrição de 2º grau Déficit de peso superior a 40% ➔ Desnutrição de 3º grau 8. Desenvolvimento Físico O desenvolvimento físico classifica-se em: Normal; Hiperdesenvolvimento ➔ Diz respeito ao gigantismo; Hipodesenvolvimento ➔ Assemelha-se com o nanismo, apesar de serem diferentes; Hábito grácil ➔ Corresponde a uma constituição frágil e delgada, com ossos finos, pouco desenvolvimento muscular, altura e peso abaixo do normal; Infantilismo ➔ Persistência das características infantis na idade adulta. Limites máximos e mínimos para altura (Brasil) Masculino = 1,90 m Feminino = 1,80 m Mínimo = 1,50 m • Principais Distúrbios de Desenvolvimento ✓ Gigantismo Acromegálico: Hiperfunção do lóbulo anterior da hipófise. Conta com estatura elevada, cabeça maior, arcadas supraorbitárias, malares e mento proeminentes, nariz aumentado, pele grossa e extremidades enormes; ✓ Gigantismo Infantil: Possuem extremidades inferiores longas, parecendo eunucos. Tem hiperfunção da hipófise anterior antes da soldadura das epífises. Caso a hiperfunção persista, tem-se a acromegalia; ✓ Nanismo; ✓ Nanismo Acondroplásico: Desigualdade entre a cabeça e do tronco (esses são normais), e o comprimento dos membros, dos quais as pernas são curtas e arqueadas; ✓ Cretinismo: Falta de desenvolvimento de todas as partes do corpo, com conservação das proporções na criança. Apresenta ventre volumoso, lábios e pálpebrasgrossos, nariz chato, pele grossa e seca, com baixo nível mental; ✓ Nanismo Hipofisário: Cabeça e tronco proporcionais, mas pequenos. Membros desproporcionalmente longos, com envergadura maior que a altura. Órgãos genitais hipodesenvolvidos, aspecto senil precoce (progeria); ✓ Nanismo do Raquitismo: Mau desenvolvimento e deformidades da coluna e dos ossos longos, apresentado escoliose com encurtamento dos ossos das pernas. Tórax cariniforme, rosário raquítico etc. 9. Fácies O fácies é o conjunto de dados exibidos na face do paciente, resultante da expressão anatomofisiológica. Não apenas os elementos estáticos, mas, e principalmente, a expressão do olhar, os movimentos das asas do nariz e a posição da boca. Certas doenças imprimem na face traços característicos, e, algumas vezes, o diagnóstico nasce da simples observação do rosto do paciente • Principais Tipos de Fácies ✓ Normal ou Atípica: Possui várias variações, facilmente reconhecida por todos, mas ainda assim é preciso ver traços de tristeza, ansiedade, medo etc. ✓ Hipocrática: Olhos fundos, parados e inexpressivos. Nariz afilado, lábios delgados podendo apresentar “batimento da asa do nariz”, sudorese facial, palidez cutânea e cianose labial. Relaciona-se com doenças graves. ✓ Renal: Edema periorbital com palidez cutânea; ✓ Leonina: Pele espessa com vários lepromas, principalmente na fronte. Supercílios caem, nariz espesso e largo, lábios grossos e proeminentes. Mento e bochecha deformados e barba escassa ou sem barba; ✓ Adenoidiana: Nariz pequeno e afiliado, boca entreaberta devido à dificuldade de respirar (hipertrofia das adenoides → obstrução das coanas); ✓ Parkinsoniana/cérea/máscara: Cabeça ligeiramente inclinada para frente, imóvel. Olhar fixo, supercílio elevado, fronte enrugada (expressão de espanto), com fisionomia impassível; ✓ Basedowiana: Exoftalmia (olhos salientes e brilhantes), pode possuir aspecto de espanto/ansiedade, bócio (hipertireoidismo); ✓ Mixedematosa: Rosto arredondado, nariz e lábios grossos, pele seca e espessa, acentuação dos sulcos, pálpebras infiltradas e enrugadas, supercílios escassos, cabelos secos e opacos, fisionomia de desânimo/apatia. Relaciona-se com o hipotireoidismo; ✓ Acromegálica: Saliência das arcadas supraorbitárias, proeminência das maçãs do rosto e do maxilar inferior, nariz, lábios e orelhas grandes; ✓ Cushingoide ou de Lua Cheia: Arredondamento do rosto, atenuação dos traços faciais e acne. Relaciona-se com a doença de Cushing por hiperfunção do córtex da adrenal; ✓ Mongoloide: Prega epicântica, olhos oblíquos e distantes um do outro, rosto redondo, boca quase sempre entreaberta, fisionomia de pouca inteligência ou idiotia. Relaciona-se com a síndrome de Down; ✓ Depressiva: Rosto cabisbaixo, olhos opacos e fixos num ponto distante, olhar permanece voltado ao chão, acentuação do sulco nasolabial, rebaixamento do canto da boca, fisionomia triste, sofrida e indiferente. Relaciona-se com os transtornos de humor; ✓ Pseudobulbar: Crises de choro ou riso involuntárias, mas conscientes, levando à tentativa de contenção e, consequentemente, ao aparecimento de espasmos. Relaciona-se com a paralisia pseudobulbar; ✓ Paralisia Facial Periférica: Assimetria facial, impossibilidade de fechar as pálpebras, atenuação do sulco nasolabial e repuxamento da boca para o lado; ✓ Miastênica ou de Hutchinson: Ptose palpebral bilateral com franzimento da testa e levantamento da cabeça. Relaciona-se com a miastenia gravis; ✓ Deficiente Mental: Traços faciais apagados e grosseiros, boca entreaberta, hipertelorismo, estrabismo, fisionomia apagada (olhar sem foco, perdido, alheio ao ambiente); ✓ Etílica: Olhos avermelhados com ruborização facial, hálito etílico, voz pastosa, sorriso indefinido. Relaciona-se com a embriaguez; ✓ Esclerodérmica ou de Múmia: Quase completa imobilidade facial (pele apergaminhada, endurecida e aderente aos planos profundos), repuxamento dos lábios, nariz fino, imobilização das pálpebras, fisionomia inexpressiva, parada e imutável. Fácies Renal Fácies Leonina Fácies Adenoidiana Fácies Parkinsoniana Fácies Basedowiana Fácies Acromegálica Fácies Cushingoide Fácies Pseudobulbar Fácies Miastênica Fácies Esclerodérmica 10. Atitude e Decúbito Preferido no Leito Atitude é a posição adotada pelo paciente para ficar no leito ou fora dele, seja por comodidade, hábito ou alívio de sintomas. Para tal feito, o paciente pode fazer isso de forma voluntária, ou involuntária – aquela com a qual nós, médicos, nos preocupamos, juntamente com as voluntárias feitas para aliviar sintomas. Assim, pode-se dividir as atitudes em: indiferente, voluntárias e involuntárias. • Atitudes Voluntárias ✓ Ortopneica: Posição para aliviar a dispneia (ou apneia) decorrente de IC, asma e ascites. O paciente fica sentado à beira do leito com os pés apoiados em uma superfície, e as mãos apoiadas no colchão. Em estados mais severos, o paciente permanece deitado com os pés estendidos, mas recostado com a ajuda de 2+ travesseiros para manter o tórax ereto; ✓ Genupeitoral (Prece Maometana): Posição que facilita o enchimento cardíaco nos casos de derrame pericárdico. Nela, o paciente fica de joelhos com o tronco fletido sobre as coxas, com o tórax e o rosto apoiados numa superfície (assemelha-se com a posição “de quatro” no sexo, com o rebaixamento da cabeça ao colchão); ✓ Posição de Cócoras (Squatting): Proporciona alívio da hipóxia generalizada devido à diminuição do retorno venoso no coração (cardiopatias congênitas cianóticas). Como o próprio nome indica, o paciente fica de cócoras. ✓ Parkinsoniana: O paciente com Parkinson, ao se pôr de pé, faz uma semiflexão da cabeça, tronco e membros inferiores, e quando caminha parece estar correndo atrás do seu próprio eixo de gravidade; ✓ Decúbito: É a posição na qual o paciente adora, conscientemente ou por hábito, para obter alívio de algum padecimento. Decúbito Lateral: Adotada durante dores pleuríticas. Ao ficar nessa posição, o paciente reduz a movimentação dos folhetos pleurais do lado dolorido (ele se deita sobre o lado da dor); Decúbito Dorsal: Observada nos processos inflamatórios pelviperitoneais. O paciente fica com as pernas fletidas sobre as coxas, e as coxas sobre a bacia; Decúbito Ventral: Comum em portadores de cólica intestinal. O paciente fica de bruços, com/sem um travesseiro sob o ventre. Ps.: Decúbitos com variados graus de flexão da coluna são observados nas lombalgias (posição antálgica). • Atitudes Involuntárias ✓ Passiva: Quando o paciente fica na posição em que é colocado no leito, sem que ocorra contração muscular. Observada em pacientes inconscientes ou comatosos. ✓ Ortótono: Todo o tronco e membros ficam rígidos, sem se curvarem para qualquer lado. (orthos =reto; tonus =tensão); ✓ Opistótono: Contratura da musculatura lombar, observada nos casos de tétano e meningite. O corpo fica apoiado na cabeça e nos calcanhares, em um arco. (opisthen = para trás; tonus = tensão); ✓ Emprostótono: Contrário do opistótono, ou seja, o corpo forma uma concavidade voltada diante, observada no tétano, meningite e raiva. (emprosthen =para diante; tonus =tensão); ✓ Pleurostótono: O corpo se curva lateralmente, sendo observada no tétano. É observada no tétano, meningite e na raiva. (pleurothen = de lado; tonus = tensão); ✓ Posição em Gatilho: Caracteriza-se pela hiperextensão da cabeça, flexão das pernas sobre as coxas e encurvamento do tronco com cavidade para diante; ✓ Torcicolo e Mão Pêndula da Paralisia Facial: Atitudes involuntárias de determinados segmentos do corpo. 11. Musculatura A avaliação da musculatura consistena inspeção e palpação, investigando cada grupo muscular. A palpação é feita com as polpas digitais em forma de pinça, com todos os dedos. Primeiro palpa-se o músculo em repouso, e depois em contração. Assim, permite-se o colhimento de informações referentes à troficidade (massa muscular propriamente dita) e tonicidade (semicontração própria do músculo). Baseando-se nesses dois parâmetros, podemos classificar a musculatura em: • Quanto à Troficidade: ✓ Normal; ✓ Hipertrófica: Aumento da massa muscular; ✓ Hipotrófica: Redução da massa muscular. • Quanto à Tonicidade: ✓ Normal; ✓ Hipertonicidade/Espasticidade/Rígida: Contração ou semicontração muscular, até mesmo no repouso (aumento do relevo muscular + consistência à palpação); ✓ Hipotonicidade/Flacidez: Tônus reduzido ou ausente (redução do relevo muscular + redução da consistência à palpação). 12. Movimentos Involuntários • Tremores Movimentos alternantes, regulares, de pequena-média amplitude, afetando principalmente as partes distais dos membros. Existem dois meios de se pesquisar por tremores: ✓ Solicita-se que o paciente estenda as mãos com as palmas voltadas para baixo e com os dedos separados. Pode-se colocar uma folha de papel sobre o dorso da mão; ✓ Pede-se que o paciente leve um copo, em uma das mãos, da mesa à boca. Variações: index-nariz. Indispensável para identificar tremores de ação e de repouso. A partir daí, é possível categorizar o tremor em diferentes tipos, descritos a seguir: ✓ Tremor de Repouso: Surge durante o repouso e desaparece com os movimentos e o sono; é um tremor oscilatório, em regra mais evidente nas mãos, simulando o gesto de enrolar cigarro. Ocorre no parkinsonismo; ✓ Tremor de Atitude ou Postura: Surge quando o membro é colocado em uma determinada posição, não sendo muito evidente no repouso ou no movimento. Ocorre no pré-coma hepático, quando é designado flapping ou asterix, e na doença de Wilson. Contudo, o tremor de atitude mais frequente é o tremor familiar, que é regular, não muito grosseiro, acentuado pelas emoções e, como sua própria designação indica, acomete vários membros de uma família; ✓ Tremor de Ação: É o que surge ou se agrava quando um movimento é executado. Aparece nas doenças cerebelares; ✓ Tremor Vibratório: É fino e rápido como se fosse uma vibração. Pode surgir no hipertireoidismo, no alcoolismo e na neurossífilis, mas a grande maioria é de origem emocional. • Movimentos Coreicos (Coreia) São movimentos involuntários, amplos, desordenados, de ocorrência inesperada e arrítmicos, multiformes e sem finalidade. Localizam-se nas faces e membros. Para observá-lo melhor, solicita-se que o paciente fique sentado à beira do leito, com as pernas pendentes, ou deitado de forma relaxada. Os movimentos coreicos relacionam-se com a síndrome coreica, sendo encontrados dois tipos clínicos: ✓ Coreia de Sydenham: Denominada também de coreia infantil ou dança de São Guido. Possui etiologia infecciosa e está relacionado com a moléstia reumática; ✓ Coreia de Huntington: Distúrbio neurológico hereditário raro, caracterizado por movimentos corporais anormais e incoordenação, afetando também habilidades mentais e personalidade. • Movimentos Atetósicos (Atetose) Movimentos involuntários que ocorrem nas extremidades. Eles são lentos e estereotipados, lembrando movimentos reptiformes ou os movimentos de tentáculos de polvo, podendo ser uni ou bilaterais. A atetose é caracterizada por lesões dos núcleos da base. • Hemibalismo São movimentos abruptos, violentos, amplos, rápidos e limitados a metade do corpo (lesões extrapiramidais). • Mioclonias São breves contrações musculares, rítmicas ou arrítmicas, localizadas ou difusas, que acometem um músculo ou um grupo muscular. São relatados como abalos, choques, trancos e sacudidas. Eles ocorrem devido a descargas neuronais subcorticais, ocorrendo em casos como na epilepsia tipo pequeno mal. • Mioquinias São contrações fibrilares de tipo ondulatório que surgem em músculos íntegros, como o orbicular das pálpebras, quadríceps e gêmeos (tremor na carne). Elas não apresentam significado patológico. • Asterix (flapping) São movimentos rápidos, de amplitude variável, que ocorrem nos segmentos distais e parecem com o bater de asas de aves. Para se avaliar o flapping, pede-se para o paciente estender os braços e superestender as mãos, formando um ângulo de quase 90º com o braço. Após isso, o médico força para trás a mão do paciente. É bem frequente na insuficiência hepática. • Tiques São movimentos que aparecem em determinado grupo muscular, repetindo-se sucessivamente. Podem ser dominados pela vontade, e classificam-se em funcionais ou orgânicos. Além disso, os tiqueis podem ser dos seguintes tipos: ✓ Simples: Envolvem grupos musculares isolados, resultando em piscamento, abertura da boca, elevação dos ombros etc.; ✓ Complexos: Caracterizam-se por padrões elaborados de movimento (contrações faciais bizarras, desvios oculares, gesticulação obscena etc.). Além disso, existem os tiques vocais, que podem ser: ✓ Simples: Incluem-se ato de limpar a garganta, estalos com os lábios etc.; ✓ Complexos: Palavras ou fragmentos de palavras, repetições das palavras emitidas ou escutadas etc. • Convulsões São movimentos musculares súbitos e sem coordenação, involuntários e paroxísticos, podendo ser generalizado ou afetar apenas um segmento corporal. Ocorrem devido a descargas bioelétricas, como nas epilepsias etc. Elas se classificam em: ✓ Tônicas: Mantidas permanentemente e imobilizam articulações; ✓ Clônicas: Rítmicas (contrai-relaxa-contrai-relaxa); ✓ Tônico-clônicas: Mistura das duas. • Tetania É caracterizada por crises exclusivamente tônicas quase sempre localizadas nas mãos e pés (espasmos carpopodais). É possível desencadeá-la com uma compressão feita pelo manguito do tensiômetro. Para fazer isso, insufla-se o manguito em um nível pressórico médio entre a pressão sistólica e diastólica, durante 10 minutos. Após isso pode ocorrer algum movimento na respectiva extremidade, caracterizando o espasmo carpopodal. Também é chamado de “mão de parteiro” ou sinal de Trousseau. Ocorre na hipocalcemia e na alcalose por hiperventilação. • Fasciculações Contrações breves, arrítmicas e limitadas a um feixe muscular → Não confundir com as mioquinias. • Discinesias Orofaciais São movimentos rítmicos, repetitivos e bizarros, que comprometem a região facial. São expressos em forma de careta. • Distonias São similares aos atetoides, mas envolvem maiores porções corporais, podendo resultar em posturas grotescas e contorcidas. 13. Enfisema Subcutâneo O enfisema subcutâneo é a existência de bolhas de ar debaixo da pele. Para reconhece-lo usa-se a palpação, deslizando a mão sobre a região suspeita até sentir uma crepitação. O ar pode ser originado do tórax (pneumotórax) ou advir de um local com bactérias produtoras de gás (gangrena gasosa). 14. Circulação Colateral A circulação colateral significa a presença de um circuito venoso anormal visível ao exame de pele. É bom tomar cuidado para não confundir a circulação colateral com o desenho venoso observado em pessoas mais brancas, que nada mais é do que a uma rede venosa. Para diferenciá-los, basta saber que o desenho venoso está na topografia normal, é simétrica, não intensa e as veias não são sinuosas. A circulação colateral, quando identificada, indica dificuldade ou impedindo do fluxo venoso através dos troncos venosos principais. Para tal feito, a circulação colateral deve ser analisada conforme sua: localização, direção do fluxo sanguíneo e existência de frêmito e/ou sopro. • Localização Subdivide-se em tórax, abdome, raiz dos membros superiores e segmento cefálico. • Direção do Fluxo Sanguíneo Para averiguar a direção do fluxo, comprime-se com as polpas digitais dos dois dedos indicadores,colocados rentes um ao outro, um segmento da veia a ser analisada. A partir daí, os dedos vão se afastando lentamente conforme o trajeto da veia, sempre mantendo a compressão. Após se afastarem de 5-10 cm, verifica-se se aquele segmento está exangue. Em caso positivo, retira-se apenas um dos dedos, enquanto o outro mantém a compressão e observa-se o enchimento daquele vaso. Se logo em seguida a veia é preenchida por sangue, significa que o fluxo está indo em direção ao dedo que está fazendo a compressão. Todavia, caso permaneça a existência do colapso venoso, repete-se a manobra, mas dessa vez retira-se o outro dedo que estava comprimindo. É bom realizar a manobra pelo menos 3 vezes, de modo a não permitir dúvidas. A partir daí, classifica-se a direção em: ✓ Fluxo venoso abdome-tórax; ✓ Fluxo venoso ombro-tórax; ✓ Fluxo venoso pelve-abdome. • Existência de Frêmito e/ou Sopro O frêmito é perceptível pelo tato, enquanto o sopro é pela ausculta. A única condição em que se costuma perceber frêmito e/ou sopro é quando há recanalização da veia umbilical (síndrome de Cruveillier-Baumgarten). Conhecidas a localização e a direção do fluxo, podem ser caracterizados quatro tipos fundamentais de circulação colateral: ✓ Braquicefálica: Caracteriza-se pelo aparecimento de veias superficiais ingurgitadas, com o sangue fluindo de fora para dentro, na direção das veias ‘conforme o tronco braquicefálico atingido: direito e esquerdo. Assim, se o obstáculo estiver no tronco braquicefálico direito, haverá estase na veia jugular externa direita, ficando não pulsátil. Já se for no tronco braquicefálico esquerdo, a jugular esquerda estará túrgida e não pulsátil, com empastamento da fossa supraclavicular esquerda; ✓ Cava Superior: O obstáculo se situa na veia cava superior. A rede venosa se distribui na metade superior do tórax (principalmente na anterior), braços e pescoço. A direção do fluxo é toracoabdominal, demonstrando que o sangue tenta chegar na cava inferior pelas veias xifoidianas e torácicas laterais superficiais. Além disso pode-se observar estase jugular bilateral não pulsátil e edema superior de tronco, pescoço e face; ✓ Porta: Pode ocorrer por obstrução nas veias supra-hepáticas, na circulação hepática ou na própria veia porta. A rede venosa se localiza na face inferior do tronco, principalmente nas regiões periumbilicais, epigástrica e face anterior do tórax. Em situações mais intensas, ainda pode ser vista nos flancos e nas fossas ilíacas. Nesse caso, a direção do fluxo é de cima para baixo, á procura da veia cava inferior. Outras vezes, a rede venosa se concentra na região umbilical, de onde se irradia como raios de uma roda, recebendo o nome de “cabeça de medusa”; ✓ Cava Inferior: O obstáculo se situa na veia cava inferior, e a circulação colateral vai se localizar na parte inferior do abdome, região umbilical, flancos e face anterior do tórax. O sangue fluirá no sentido abdome-tórax à procura da veia cava superior. A causa mais frequentes desse tipo de circulação é a compressão extrínseca por neoplasias intra-abdominais. 15. Edema Como já foi estudado, edema é o excesso de líquido acumulado no espaço intersticial ou no interior das próprias células. Do ponto de vista semiológico, apenas o edema cutâneo (pele e tela celular subcutânea) interessa. É na anamnese que se inicia a investigação do edema (tempo, localização e evolução), mas por meio do exame físico investiga-se outros parâmetros, como: localização e distribuição, intensidade, consistência, elasticidade, temperatura, sensibilidade da pele circunjacente e outras alterações da pele adjacente. • Localização e Distribuição O primeiro passo é saber se o edema é localizado (a um segmento do corpo) ou generalizado. Para todos os efeitos, caso não se defina o edema como localizado, ele será generalizado por exclusão. Geralmente os edemas acometem membros inferiores, mas também existem regiões que devem ser investigadas, como: face (principalmente regiões subpalpebrais) e região pré-sacra. • Intensidade A intensidade é definida por meio da seguinte técnica (sinal de Cacifo): Pega-se a polpa digital do polegar ou do indicador e realiza-se uma compressão de encontro a uma estrutura rígida (como na tíbia, no maléolo, ossos da face e sacro). Em caso de edema, formar-se-á uma fóvea. A partir da profundidade da fóvea formada, classifica-se o edema por + (cruzes), variando de + (uma cruz) até ++++ (quatro cruzes). Apesar de essa ser a principal forma, também pode-se avaliar o edema por outras duas técnicas: ✓ Pesando-se o paciente 1 vez/dia pela manhã/noite. Em caso de grandes variações, suspeita-se de retenção de líquido ou eliminação de água. Vale ressaltar que todo paciente com edema deve ser pesado diariamente; ✓ Medindo-se o perímetro da região edemaciada, e comparando-se um lado com o outro. • Consistência Também é avaliado pelo sinal de Cacifo descrito acima. Classifica-se em dois tipos: ✓ Edema mole: Facilmente depressível, significando apenas que o tecido subcutâneo está infiltrado de água; ✓ Edema duro: Maior resistência para formar a fóvea, traduzindo a existência de proliferação fibroblástica que ocorre nos edemas de longa duração. • Elasticidade É indicada tanto com a sensação ao realizar a compressão para fazer o sinal de Cacifo, quanto pela volta da pele ao seu estado posterior à compressão. Após isso, classifica-se em: ✓ Edema elástico: A pele retorna imediatamente à sua situação normal (fóvea dura pouco tempo), típico nos edemas inflamatórios; ✓ Edema inelástico: A fóvea demora a voltar para sua posição original. • Temperatura da Pele Circunjacente Usa-se o dorso dos dedos ou as costas da mão, comparando com a região homóloga. Após isso, classifica-se em: ✓ Normal; ✓ Pele quente: Sinal de edema inflamatório; ✓ Pele fria: Comprometimento da irrigação sanguínea daquele local. • Sensibilidade da Pele Circunjacente Novamente utiliza-se o sinal de cacifo, classificando o edema em doloroso (inflamatório) e indolor. • Outras Alterações da Pele Adjacente ✓ Coloração ➔ Palidez (transtorno de irrigação sanguínea), cianose (perturbação venosa localizada) ou vermelhidão (processo inflamatório); ✓ Textura e espessamento ➔ Lisa e brilhante (edema recente e intenso), espessa (edema de longa duração) e enrugada (edema está sendo eliminado). • Fisiopatologia e Causas de Edema Edema Renal: Quando causado pela síndrome nefrótica, o edema é intenso (+++ a ++++), acompanhado geralmente de derrames cavitários. Já na síndrome nefrítica e na pielonefrite ele é discreto/moderado (+ a ++). Além disso, é um edema mole, inelástico, indolor e a pele circunjacente possui temperatura normal. É causado por retenção de sódio e água e aumento da permeabilidade capilar. Edema Cardíaco: O edema constitui um dos sinais cardeais da insuficiência cardíaca congestiva e se caracteriza por ser generalizado, predominando nos membros inferiores. Diz-se que é vespertino por ser mais observado no período da tarde após o paciente manter-se de pé por várias horas. Tanto é assim, que nos pacientes acamados a retenção hídrica se acumula na região pré-sacra. O edema cardíaco varia de intensidade (+ a + + + +), é mole, inelástico, indolor, e a pele adjacente pode apresentar-se lisa e brilhante. Ocorre pela retenção de sódio e água associada ao aumento da pressão hidrostática. Na cirrose hepática, o edema é generalizado, mas quase sempre discreto (+ a + +). Predomina nos membros inferiores, e é habitual a ocorrência de ascite concomitante. É mole, inelástico e indolor. Edema Carencial/Discrásico: O edema da desnutrição proteica, também chamado edema carencial ou discrásico, é generalizado, predominando nos membros inferiores. É mole, inelástico, indolor e não costuma ser de grande intensidade (+ a + +). Causado por reduçãoda pressão osmótica das proteínas. Edema Alérgico: Acompanha os fenômenos angioneuróticos, e o fator principal na sua formação é o aumento da permeabilidade capilar. Da reação antígeno-anticorpo surgem diferentes substâncias, entre as quais a histamina e as cininas que, agindo ao nível do capilar, alteram sua permeabilidade. Tal alteração permite a passagem de água para o interstício entre as células. Esse tipo de edema pode ser generalizado, mas costuma restringir-se a determinadas áreas, principalmente a face. Instala-se de modo súbito e rápido, e a pele, por esse motivo, torna-se lisa e brilhante, podendo também apresentar- se com a temperatura aumentada e a coloração avermelhada. Trata-se de um edema mole e elástico. Edema Medicamentoso: A causa principal do edema medicamentoso é a retenção de sódio. Predomina nos membros inferiores, mas, quando é mais intenso, pode ser facial. Por fim, cumpre lembrar o edema pré-menstrual, que surge na semana que antecede a menstruação, e o edema que acompanha as alterações que advêm no climatério. Causado principalmente pela retenção de sódio e por drogas bloqueadoras do canal de cálcio. Edema Pré-menstrual: Por fim, cumpre lembrar o edema pré-menstrual, que surge na semana que antecede a menstruação, e o edema que acompanha as alterações que advêm no climatério. • Edema Localizado Edema Varicoso: O edema observado nos portadores de varizes localiza-se nos membros inferiores, preponderando em uma ou outra perna: acentua-se com a longa permanência na posição de pé; não é muito intenso (+ a ++); a princípio é de consistência mole, porém, nos casos muito antigos, torna-se cada vez mais duro; é inelástico, e, com o passar do tempo, a pele vai alterando sua coloração, até adquirir tonalidade castanha ou mesmo mais escura. Pode tornar-se espessa e de textura mais grosseira. Edema Trombótico: O edema da trombose venosa é mole, chega a ser intenso, e a pele costuma estar pálida. Em certos casos, adquire tonalidade cianótica. Classicamente essas condições são chamadas flegmasia alba dolens e flegmasia alba cerulea. O mecanismo básico na formação do edema varicoso e da trombose venosa encontra-se no aumento da pressão hidrostática, seja por insuficiência das valvas das veias, seja por oclusão do próprio vaso. Edema da Flebite: O edema da flebite em parte decorre do componente inflamatório que aumenta a permeabilidade capilar e também das alterações já assinaladas no caso de varizes e de tromboses venosas. Como os demais edemas inflamatórios, caracteriza-se por ser localizado, de intensidade leve a mediana (+ a ++), elástico, doloroso, com a pele adjacente se apresentando lisa, brilhante, vermelha e quente. Edema Postural: Ocorre nos membros inferiores das pessoas que permanecem por longo tempo na posição de pé ou que ficam com as pernas pendentes por várias horas, como acontece em viagens longas. Decorre de aumento da pressão hidrostática. É localizado, discreto (+ a ++), mole, indolor e desaparece rapidamente na posição deitada. 16. Temperatura Corporal • Regulação da Temperatura Corporal Quando a temperatura corporal atinge 37°C inicia-se a sudorese, que a partir deste ponto aumenta rapidamente com um mínimo de elevação na temperatura corporal. A taxa de produção de calor é reduzida a partir deste instante. O aquecimento da área termostática pré-óptica aumenta a taxa de eliminação do calor corporal de dois modos: estimulando as glândulas sudoríparas e causando vasodilatação dos vasos cutâneos. Quando o corpo é resfriado abaixo de 37°C, são postos em ação mecanismos especiais para conservar o calor corporal. A conservação do calor implica vasoconstrição na pele, a qual reduz a perda de calor por condução e convecção, e piloereção para reter o calor entre os pelos e abolir a transpiração. • Locais de Verificação da Temperatura e Valores Normais A temperatura corporal pode apresentar variações na dependência do local em que será procedida a sua mensuração. Desse modo, ele pode ser: axilar, oral, retal, timpânico, arterial pulmonar, esofágico, nasofaringiano e vesical. No Brasil, o local habitual é o oco axilar. É importante conhecer as diferenças fisiológicas existentes entre os três locais - oco axilar, boca e reto -, porque, em determinadas situações patológicas (abdome agudo, afecções pélvicas inflamatórias), devem ser medidas as temperaturas axilar e retal, tendo valor clínico uma diferença maior que 0,5°C. ✓ Temperatura axilar: 35,5 a 37°C, com média de 36 a 36,5°C; ✓ Temperatura bucal: 36 a 37,4°C; ✓ Temperatura retal: 36 a 37 ,5°C, ou seja, 0,5°C maior que a axilar. • Febre A febre inicia-se basicamente por uma lesão tecidual. Uma questão frequentemente levantada é se a febre é ou não benéfica ao paciente. Pode-se dizer que, em algumas infecções, a hipertermia parece ser nitidamente benéfica. É o caso da neurossífilis, das infecções gonocócicas e da brucelose crônica. Assim sendo, a febre é mais um sinal de alerta do que um mecanismo de defesa. Além disso, a febre apresenta alguns aspectos nocivos. Desse modo, a maior velocidade de todos os processos metabólicos acentua a perda de peso, e a espoliação do nitrogênio aumenta o trabalho e a frequência do coração. A sudorese agrava a perda de líquidos e sais. Pode haver mal-estar consequente à cefaleia, fotofobia, indisposição geral ou uma desagradável sensação de calor. Quando a temperatura se eleva subitamente, o paciente pode mesmo sentir frio ou, mais frequentemente, calafrios. Por vezes, ele não se dá conta de que está febril porque outros sintomas dominam o quadro clínico. • Características Semiológicas da Febre ✓ Início: Pode ser súbito (acompanha vários sinais febris) ou gradual (um ou outro sintoma – cefaleia, sudorese e/ou inapetência; ✓ Intensidade: Tomando como base a temperatura axilar, a febre pode ser: leve/febrícula (até 37,5ºC), moderada (37,6º a 38,5ºC) e alta/elevada (+38,6ºC); ✓ Duração: O conceito de febre prolongada é usado quando esta permanece por mais de 1 semana. Somente algumas doenças causam febre prolongada: tuberculose, malária, septicemia, endocardite infecciosa, febre tifoide, colagenoses, linfomas, pielonefrite, brucelose e esquistossomose; ✓ Modo de Evolução: Normalmente só é possível saber a evolução da febre a partir de um quadro clínico, chamado de quadro térmico (4-6 horários em “X” dias). O mais comum é a mensuração da temperatura de manhã e a tarde. A partir daí podemos classificar a febre em: Febre contínua: Permanece sempre acima do normal com variações de até 1ºC, como na febre tifoide e na pneumonia; Febre irregular/séptica: Picos muito altos, mas intercalados por temperaturas baixas ou apirexia. São bem imprevisíveis, como no caso da septicemia. Também aparece na tubérculos e na malária; Febre remitente: Há hipertermia diária, com variações de mais de 1ºC e sem períodos de aperexia. Comum na pneumonia, tuberculose e septicemia; Febre intermitente: A febre é ciclicamente interrompida por um período de temperatura normal. Os períodos de aperexia são denominados: cotidiana (primeira), terçã (segunda) e quartã (última). Comum na malária; Febre recorrente/ondulante: Caracterizada por vários dias de temperatura normal, até que sejam interrompidos por períodos de febre elevada. Durante a febre não há grandes variações. ✓ Término: Pode terminar em crise (febre desaparece subitamente, ocorrendo sudorese profusa e prostação – como no acesso malárico) ou em lise (a febre vai sumindo gradualmente). • Causas da Febre ✓ Aumento da produção de calor (como no hipertireoidismo); ✓ Bloqueio na perda de calor (como na IC congestiva e ictiose); ✓ Lesão tecidual (infecções por microrganismos, lesões mecânicas, neoplasias malignas etc.) • Hipotermia Caracteriza-se pela redução da temperatura corporal para níveis abaixo de 35,5ºC na região axilar e 36ºCno reto. • Controle da Temperatura e Envelhecimento ✓ Hipotermia Sensação de frio diminuída; Capacidade de perceber as alterações da temperatura diminuída; Resposta autonômica vasoconstritora ao frio anormal; Resposta de calafrios diminuída; Termogênese diminuída. ✓ Hipertermia Limiar central de temperatura elevado; Sudorese diminuída ou ausente; Capacidade de percepção do calor diminuída; Resposta vasodilatadora ao calor diminuída; Reserva cardiovascular diminuída. 17. Postura ou Atitude na Posição de Pé O biótipo do paciente possui muitas relações com a postura. Assim, longilíneos costumam apresentar características de uma má postura. • Boa postura ✓ Cabeça ereta ou ligeiramente inclinada para diante; ✓ Peito erguido, fazendo adiantar ao máximo essa parte do corpo; ✓ Abdome inferior achatado ou levemente retraído; ✓ Curvas posteriores nos limites normais. • Postura sofrível ✓ Cabeça levemente inclinada para diante; ✓ Peito achatado; ✓ Abdome protruso, passando a ser a parte mais saliente do corpo; ✓ Curvas posteriores exageradas. • Má postura ✓ Cabeça acentuadamente inclinada para diante; ✓ Peito deprimido; ✓ Abdome saliente e relaxado; ✓ Curvas posteriores extremamente exageradas. 18. Biotipo ou Tipo Morfológico A determinação do biotipo encontra sua principal utilidade para a correta interpretação das variações anatômicas que acompanham cada tipo morfológico, pois há uma relação entre a forma exterior do corpo e a posição das vísceras. • Longilíneo (Don Quixote) ✓ Pescoço longo e delgado; ✓ Tórax afilado e chato; ✓ Membros alongados com franco predomínio sobre o tronco; ✓ Ângulo de Charpy menor que 90°; ✓ Musculatura delgada e panículo adiposo pouco desenvolvido; ✓ Tendência para estatura elevada. • Mediolíneo ✓ Equilíbrio entre os membros e o tronco; ✓ Desenvolvimento harmônico da musculatura e do panículo adiposo; ✓ Ângulo de Charpy em torno de 90°. • Brevilíneo (Sancho Pança) ✓ Pescoço curto e grosso; ✓ Tórax alargado e volumoso; ✓ Membros curtos em relação ao tronco; ✓ Ângulo de Charpy maior que 90°; ✓ Musculatura desenvolvida e panículo adiposo espesso; ✓ Tendência para baixa estatura. 19. Marcha Deve ser analisada solicitando-se ao paciente que caminhe certa distância (acima de 5 m), descalço, de preferência com calção, com olhos abertos e fechados, indo e voltando sob a observação do examinador • Tipos de Marcha ✓ Marcha senil: Caracteriza-se por aumento da flexão dos cotovelos, cintura e quadril. Diminuem também o balanço dos braços, o levantamento dos pés e o comprimento dos passos (marcha de pequenos passos); ✓ Marcha helicópode, ceifante ou hemiplégica: Ao andar, o paciente mantém o membro superior fletido em 90° no cotovelo e em adução e a mão fechada em leve pronação. O membro inferior do mesmo lado é espástico, e o joelho não flexiona. Por essa razão, a perna tem de se arrastar pelo chão, descrevendo um semicírculo quando o paciente troca o passo. Este modo de caminhar lembra o movimento de uma foice em ação, daí o nome de marcha ceifante. Ocorre nos pacientes que apresentam hemiplegia, cuja causa mais comum é acidente vascular cerebral; ✓ Marcha anserina ou de pato: Para caminhar, o paciente acentua a lordose lombar e inclina o tronco ora para a direita ora para a esquerda, lembrando o andar de um pato. É observada em doenças musculares e traduz uma diminuição da força dos músculos pélvicos e das coxas; ✓ Marcha parkinsoniana: O doente anda como um bloco, enrijecido, sem o movimento automático dos braços. A cabeça permanece inclinada para frente e os passos são miúdos e rápidos, dando a impressão de que o doente “corre atrás do seu centro de gravidade” e que irá sofrer uma queda para frente. Ocorre na síndrome parkinsoniana; ✓ Marcha cerebelar ou marcha do ébrio: Ao caminhar, o doente ziguezagueia como uma pessoa embriagada. Este tipo de marcha traduz incoordenação de movimentos em decorrência de lesões do cerebelo ✓ Marcha tabética: Para se locomover, o paciente mantém o olhar fixo no chão; os membros inferiores são levantados abrupta e explosivamente e, ao serem recolocados no chão, os calcanhares tocam o solo de modo intenso. Com os olhos fechados, a marcha piora acentuadamente ou se torna impossível. Indica perda da sensibilidade proprioceptiva por lesão do cordão posterior da medula. Um exemplo é a tabes dorsalis (neurolues); ✓ Marcha de pequenos passos: Caracterizada por passos muito curtos, e, ao caminhar, o paciente arrasta os pés como se estivesse “patinando”. Ocorre na paralisia pseudobulbar e em doenças extrapiramidais. Às vezes, o paciente não consegue sair do lugar (“freezing”). Idosos também podem apresentar marcha de pequenos passos; ✓ Marcha vestibular: O paciente com lesão vestibular (labirinto) apresenta lateropulsão quando anda; é como se fosse empurrado para o lado quando tenta se mover em linha reta. Se o paciente é solicitado a ir de frente e voltar de costas, com os olhos fechados, em um ambiente amplo, ele descreverá uma figura semelhante a uma estrela, daí ser denominada também marcha em estrela; ✓ Marcha escarvante: Quando o doente tem paralisia do movimento de flexão dorsal do pé, ao tentar caminhar toca com a ponta do pé o solo e tropeça. Para evitar isso, levanta acentuadamente o membro inferior, lembrando o “passo de ganso” dos soldados prussianos; ✓ Marcha em tesoura ou espástica: Os dois membros inferiores enrijecidos e espásticos permanecem semifletidos, os pés se arrastam, e as pernas se cruzam uma na frente da outra quando o paciente tenta caminhar. O movimento das pernas lembra uma tesoura em ação. Este tipo de marcha é bastante frequente nas formas espásticas da paralisia cerebral; ✓ Marcha claudicante: Ao caminhar, o paciente “manca” para um dos lados. Ocorre na insuficiência arterial periférica e em lesões do aparelho locomotor.