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@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
1 
CORRIMENTO VAGINAL 
INTRODUÇÃO 
O corrimento vaginal é uma das principais queixas 
ginecológicas feitas ao médico da atenção primária à 
saúde (APS). 
Deve-se, primeiramente, diferenciar o Fluxo Vaginal 
considerado Normal, a Mucorreia das Vulvovaginites e 
Cervicites. 
Muitas mulheres sentem imenso desconforto com a 
mucorreia e trazem esse problema com frequência nas 
consultas. 
Uma anamnese adequada deve identificar diferentes 
vulnerabilidades. 
O exame ginecológico é a principal ferramenta da 
propedêutica clínica para realizar o 5diagnóstico 
presuntivo e orientar o tratamento. 
Quando necessário e disponível, o teste de pH vaginal, o 
teste de hidróxido de potássio (KOH) e o exame 
microscópico a fresco podem auxiliar na realização do 
diagnóstico etiológico e na definição do tratamento. 
Muitas vulvovaginites e cervicites são consideradas ISTs, 
devendo-se realizar o diagnóstico precoce e o tratamento 
imediato. 
Atualmente, o Ministério da Saúde (MS), acompanhando 
recomendações da Organização Mundial da Saúde 
(OMS), propõe o uso da abordagem sindrômica, baseada 
em fluxogramas de conduta. 
Classifica os principais agentes etiológico segundo as 
síndromes clínicas por eles causadas. 
UTILIZAÇÃO DE FLUXOGRAMAS AUXILIA 
A identificação das causas de determinada síndrome. 
Indica o tratamento para os agentes etiológicos mais 
frequentes na síndrome. 
Inclui cuidados às parcerias sexuais, o aconselhamento e a 
educação sobre a redução de risco, a adesão ao tratamento 
e o fornecimento e orientação para utilização adequada de 
preservativos. 
Recomenda-se o manejo da queixa de corrimento vaginal 
considerando-se as probabilidades estatísticas implicadas 
e a realização dos testes preditivos mais adequados. 
O uso da MBE possibilitará uma condução clínica mais 
especifica para as queixas e achados exame ginecológico 
identificados. 
QUANDO PENSAR? 
Mulheres que referem um corrimento vaginal tipo "Clara 
de Ovo", sem odor fétido, sem prurido e sem dispareunia. 
− Provavelmente apresentam mucorreia. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
2 
Pode acometer de 5 a 10% das mulheres e acontece 
geralmente por ectopia cervical ou durante a gestação. 
 
MUCORREIA 
Deve-se à maior produção de muco pelo epitélio 
endocervical quando em contato com o ácido vaginal. 
Exame Especular: Visualiza-se uma grande área de 
ectopia e quantidade abundante de muco hialino. 
O pH é normal, variando de 3,8 a 4,2. 
Na gestação, a mucorreia acontece pela maior circulação 
sanguínea na região vaginal. 
− Nesses casos, deve-se tranquilizar a paciente 
explicar o que está acontecendo. Em situações 
extremas, em que a mucorreia é abundante e a área 
de ectopia é grande: Avaliar a necessidade de 
cauterização epitelial. 
QUANDO PENSAR EM OUTRAS? 
As situações patológicas em que a principal queixa é o 
corrimento vaginal decorrem, em cerca de 90% dos casos; 
Principalmente Três Condições: 
1. Vaginose Bacteriana; 
2. Candidíase Vaginal; 
3. Tricomoníase. 
Mesmo que assintomáticas na maior parte dos casos, as 
cervicites gonocócica e não gonocócica também devem 
ser lembradas, por serem consideradas ISTs e causas 
importantes de morbidade. 
VAGINOSE BACTERIANA 
Ocorre pelo desequilíbrio da flora vaginal normal. 
Proliferação aumentada das bactérias anaeróbias, como 
Gardnerella vaginalis, Bacteroides sp., micoplasmas, entre 
outras. 
Associado à ausência ou diminuição acentuada dos 
lactobacilos acidófilos. 
Não é classificada como uma IST, mas pode ser 
precipitada pela relação sexual. 
Corrimento vaginal com odor fétido, mais acentuado após 
o coito e durante o período menstrual, com aspecto 
brancoamareladoa cinzdntado, fluido ou cremoso e, 
eventualmente, bolhoso. 
CANDIDÍASE VAGINAL 
Prurido vulvovaginal e secreção vaginal branco-
acinzentada. 
Os sinais e sintomas dependerão do grau da infecção e da 
localização do tecido inflamado. 
Ardor ou dor à micção, corrimento branco, grumoso, 
indolor e com aspecto de' "Leite Coalhado", hiperemia, 
edema vulvar, fissuras e maceração 
Dispareunia, vagina e colo recobertos por placas brancas, 
ou branco-acinzentadas, aderidas à mucosa. 
Causada por fungos (Candida albicans e outras espécies 
não albicans) que habitam normalmente a mucosa vaginal 
e digestiva. 
Se o meio torna-se favorável, o fungo desenvolve-se. 
A principal forma de transmissão não é a sexual - portanto, 
não é considerada uma IST. 
FATORES PREDISPONENTES 
− Gravidez; 
− Diabetes Melito (DM) Descompensado; 
− Obesidade; 
− Uso de Contraceptivos Orais de Alta Dosagem; 
− Uso de Antibióticos, Corticoides ou 
Imunossupressores; 
− Hábitos de Higiene e Vestuários Inadequados; 
− Contato com Substâncias Alérgenas e/ ou 
Irritantes ou Alterações no Sistema Imunológico. 
TRICOMONÍASE 
Causada pelo Trichomonas vaginalis. 
Caracteriza-se por corrimento abundante, amarelado ou 
amarelo-esverdeado, bolhoso, com prurido e/ou irritação 
vulvar. 
Dor pélvica e sintomas urinários. 
Hiperemiada mucosa com placas avermelhadas (Colpite 
difusa e/ou focal, com aspecto de framboesa). 
Teste de Schiller positivo com aspecto “Tigroide”. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
3 
 
 
 
OUTRAS: CERVICITE GONOCÓCICA 
Causada pela Neisseria gonorrhoeae (Diplococo Gram-
Negativo). 
Assintomática em 60 a 80% dos casos. 
Quando Sintomática: 
− Secreção Endocervical Mucopurulenta, Dor 
pélvica e Dispareunia; 
− Colo Uterino Friável com Fácil Sangramento à 
Manipulação ou Durante o Coito; 
− Sangramento Irregular; Hiperemia Vaginal, 
Disúria e Polaciúria. 
Na gestante poderá estar associada a maior risco de: 
− Prematuridade; 
− Ruptura Prematura de Membrana; 
− Perdas Fetais; 
− Crescimento Intrauterino Restrito; 
− Febre Puerperal. 
No recém-nascido (RN), a principal manifestação clínica: 
− Conjuntivite; 
− Podendo haver septicemia, artrite, abscessos de 
couro cabeludo, pneumonia, meningite, 
endocardite e estomatite. 
OUTRAS: CERVICITES NÃO GONOCÓCICAS 
Podem ser decorrentes de infecção por Chlamydia 
trachomatis (Bacilo GramNegativo), entre outros 
patógenos, geralmente são assintomáticas. 
 
Mais de um terço das mulheres infectadas por clamídia 
terá doença inflamatória pélvica (DIP); 
Um quinto poderá se tornar infértil; 
Um décimo poderá ter gestação ectópica, além de dor 
pélvica crônica; 
A infecção por clamídia durante a gravidez pode estar 
relacionada à: 
− Prematuridade; 
− Ruptura Prematura de Membranas; 
− Endometrite Puerperal; 
− Conjuntivite e Pneumonias do RN. 
ANAMNESE 
SINTOMAS APRESENTADOS 
− Aspecto, Quantidade e Odor do Corrimento; 
− Prurido: 
− Inflamação Local; 
− Disúria; 
− Dispareunia; 
− Dor Pélvica. 
O uso de preservativo e outros métodos anticoncepcionais; 
Pesquisa das parcerias sexuais e do tipo de atividade 
sexual recente (Vaginal e Anal); 
Verificar a relação com mudanças no pH, na flora vaginal 
e em causas não infecciosas de corrimento; 
Inquirir sobre ciclo menstrual, contato vaginal com 
esperma, uso de lubrificantes, sabonetes, realização de 
duchas íntimas. 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
4 
EXAME FÍSICO 
EXAME GINECOLÓGICO − Passos: 
1. Exame da Genitália Externa e Região Anal; 
2. Visualização Integral do Introito Vaginal; 
3. Exame especular para visualização adequada da 
vagina, suas paredes, fundo de saco e colo uterino; 
4. Teste do pH vaginal, se necessário e disponível, 
colocando a fita de papel indicador na parede 
vaginal lateral, por 1 minuto, evitando tocar o colo 
uterino. 
Quando Necessário e Disponível; 
Fazer coleta de material para a realização de 
Bacterioscopia e do Teste de Whiff. 
− Se Positivo: A aplicação de 1 a 2 gotas de KOH a 
10% na lâmina com a secreção vaginal ocasiona o 
surgimento de um odor fétido de peixe em 
purificação, em geral associado à vaginose 
bacteriana. 
Realização do teste do cotonete do conteúdo cervicalse 
indicada investigação de cervicites: 
− Coleta de swab endocervical com cotonete e 
observação de muco em contraste com um papel 
branco. 
Se necessário, realização de coleta de material para 
cultura. 
EXAMES COMPLEMENTARES 
Podem ser úteis na investigação da vaginose bacteriana. 
Pode-se utilizar o Critério de Amsel. 
Confirmação diagnóstica quando presentes três dos quatro 
critérios a seguir: 
− Corrimento Vaginal Acinzentado e Homogêneo; 
− pH Vaginal Maior do que 4,5; 
− Teste das Aminas (de Whiff) positivo; 
− Presença de Clue Cells no Exame 
Bacterioscópico. 
 
CANDIDÍASE 
Exame direto do conteúdo vaginal, adicionando-se KOH a 
10%, revela a presença de micélios (Hifas) e/ou esporos 
birrefringentes; 
No teste do pH vaginal, são mais comuns valores menores 
do que 4; 
A cultura só é válida se for realizada em meios específicos 
chamado Saboraud; 
− Só deve ser indicada para situações em que a 
sintomatologia é muito sugestiva e todos os 
exames anteriores forem negativos; 
− Encontrar o fungo no exame citológico, em pessoa 
assintomática, não indica a necessidade de 
tratamento. 
TRICOMONÍASE 
Exame direto (A Fresco) do conteúdo vaginal ao 
microscópio. 
Coleta-se uma gota do corrimento, colocando-a sobre a 
lâmina com uma gota de solução fisiológica: o Procura-se 
o parasita flagelado, que se move ativamente entre as 
células epiteliais e os leucócitos. 
O teste do pH geralmente mostra valores acima de 4,5. 
Cultura é importante em crianças, em casos suspeitos e 
com exame a fresco e esfregaços repetidamente negativos 
→ Meio específico (Meio de Diamond) e em anaerobiose. 
Exames laboratoriais ou complementares devem ser 
coletados na mesma consulta em que o problema é trazido. 
A conduta não deve ser postergada aguardando seus 
resultados. 
Os exames laboratoriais, quando realizados, confirmação 
a adequação dos tratamentos prescritos. 
 
@anabea.rs | Ana Beatriz Rodrigues 
5 
CONDUTA 
A probabilidade pré-teste (Probabilidade inicial de uma 
vulvovaginite específica em uma mulher com queixa de 
corrimento vaginal) considerada para a análise foi: 
− 34% para Vaginose Bacteriana; 
− 26% para Candidíase Vaginal; 
− 10% para Tricomoníase, adotando-se estudos de 
prevalência em APS como referência. 
DESCARTAR UMA DAS POSSÍVEIS CONDIÇÕES 
INVESTIGADAS 
Quando a probabilidade pós-teste para uma condição 
específica permanece baixa após diferentes testes 
realizados; 
Exemplo: Após a procura da presença dos diferentes 
sinais/sintomas de vaginose bacteriana, candidíase vaginal 
e tricomoníase, não se atinge uma probabilidade pós-teste 
significativa para diagnóstico nem há justificativa para a 
realização de novos testes. 
Devem-se considerar outras possibilidades para a queixa 
de corrimento: secreção fisiológica, cervicite, causas não 
infecciosas (Como higiene inadequada, vaginite atrófica, 
dermatites secundárias a uso de duchas, preservativos, 
sabonetes, absorvente). 
ORIENTAR O PROSSEGUIMENTO 
INVESTIGATIVO 
1. Quando há uma probabilidade moderada de certa 
doença, orientando a busca por outros sinais e sintomas 
ou, se necessário, a realização de exames complementares; 
2. Avaliar a presença de outras caraterísticas clínicas para 
se chegar a uma probabilidade mais adequada com vistas 
a descartar ou diagnosticar a vulvovaginite específica. 
DIAGNOSTICAR UMA DAS POSSÍVEIS 
CONDIÇÕES INVESTIGADAS 
1. Quando se obtém uma probabilidade de segurança para 
definição diagnóstica inicial e tratamento; 
2. Nos casos em que a probabilidade pósteste é acima de 
80%, considera-se atingido o limiar para diagnóstico 
presuntivo da vulvovaginite específica; 
3. Orienta-se implementação de tratamento específico, 
evitando-se submeter a paciente a testes adicionais. 
Adoção de uma abordagem clínica da queixa de 
corrimento vaginal por meio de anamnese exame 
ginecológico fundamentados em MBE, utilizando-se, às 
vezes, testes complementares (pH, KOH e Microscopia); 
Alternativamente, utilizando os fluxogramas propostos 
pelo MS, pode-se chegar ao diagnóstico sindrômico e, 
então, ao tratamento; 
As parcerias sexuais de mulheres com vaginose bacteriana 
não precisam ser tratadas; 
O tratamento sistêmico com antifúngico oral para 
candidíase vulvovaginal deve ser feito somente nos casos 
de difícil controle ou em episódios recorrentes (Quatro ou 
mais episódios por ano); 
As parcerias sexuais dessas pessoas também não precisam 
ser tratadas, exceto se forem sintomáticas ou em caso de 
recorrência (Nestes, indica-se terapia com fluconazol, 150 
mg, a cada 3 dias [dias 1, 4 e 7], totalizando três doses e 
prosseguindo com terapia de manutenção 1 vez por 
semana, durante 6 meses); 
Tricomoníase: As parcerias sexuais devem ser tratadas, 
preferencialmente com medicamentos de dose única; 
Testar para HIV, sífilis e hepatite B as pessoas infectadas 
e suas parcerias sexuais; 
Orientar abstinência sexual até a conclusão do tratamento 
e o desaparecimento dos sintomas; 
Retomada a atividade sexual, recomenda-se o uso de 
preservativo para se evitar uma nova IST; 
Pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA) devem receber 
os mesmos esquemas terapêuticos descritos; 
A ingesta de bebida alcoólica deve ser suspensa durante 
24 horas em tratamentos com dose única de metronidazol 
e por 72 horas quando se utiliza tinidazol; 
As parcerias sexuais de indivíduos com ISTs devem ser 
informadas do problema de saúde, para serem tratadas e 
para evitarem a transmissão para outras pessoas; 
São Consideradas Parcerias Sexuais: 
− Pessoas com as quais a paciente se relacionou 
sexualmente entre 30 e 90 dias, dependendo da 
infecção, excluindo-se os contactantes de 
mulheres com vaginose bacteriana e candidíase 
vaginal. 
Ao chegar ao serviço de saúde, a parceria sexual deve ser 
considerada portadora da mesma síndrome ou doença que 
acometeu a paciente-índice, mesmo que sem nenhum 
sintoma ou sinal, e receber o mesmo tratamento 
recomendado para a sua condição clínica.

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