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CLINICA NEURO AVC DEFINIÇÃO • AVC: rápido desenvolvimento de um deficit neurológico focal causado pela interrupção do suprimento sangüíneo a uma determinada área do encéfalo. • É uma doença crônica, que teme evolução súbita e rápida; • Pode ser isquêmico (oclusão do vaso, cérebro começa a ter uma falha energética e necrosa) ou hemorrágico (rompimento de artéria, de um aneurisma). • Ataque isquêmico transitório (AIT), por convenção, é um deficit neurológico focal durando menos que 24 horas. o Definições recentes de AIT o descrevem como sintomas focais que duram menos que uma hora e não deixam evidência de infarto. ▪ O individuo abre um quadro de AVC, mas depois de 1 horas melhora. ▪ Não aparece nos exames de imagem; o AIT é um preditor de AVC. ▪ O risco de AVC é maior nos primeiros 90 dias após o AIT (entre 8 e 10%), com praticamente metade destes ocorrendo nos primeiros 7 dias. ▪ Em cinco anos, cerca de 30% das pessoas que tiveram um AIT terão um AVC • Para ser um AVC, tem que aparecer isquemia ou hemorragia nos exames de imagem, e os sintomas permanecem por mais de 24 horas; • AVC não piora com o tempo, tem uma piora súbita, e tendem a ir melhorando em relação ao quadro inicial. DE ONDE VEM A CIRCULAÇÃO CEREBRAL • Ventrículo esquerdo → Aorta → carótida → se ramifica nas aa. Cerebrais; • Pode ter AVC de origem: o Cardioembólico: ▪ Trombo cardíaco; ▪ Fibrilação atrial: forma rombos por causa do turbilhonamento sanguíneo. o Trombótico. • Temos duas circulações cerebrais o A circulação anterior (sistema carotídeo), que vem das carótidas e sobe pelo pescoço (interna – cérebro e a externa – face). A carótida interna dará progem a cerebral média (irriga a parte lateral do cérebro, capsula interna, núcleos da base) e a cerebral anterior (irriga a parte medial do cérebro). o Circulação Posterior (sistema vertebro-basilar): Temos um ramo da artéria subclávia que sobe pela parte posterior do pescoço e dá origem à artéria basilar, que irriga cerebelo, tronco encefálico, occipital. SISTEMA CAROTÍDEO (circulação anterior) • Irriga frontal, temporal e parietal. • Homúnculo de Penfield: o Parte lateral: MMSS e face → cerebral média; o Parte medial: MMII → cerebral anterior; • Cápsula interna: hemicorpo → cerebral média. A. cerebral anterior • Irriga a face medial do cérebro; • AVC que acomete a perna; • Lesão bilateral: alteração cognitiva, de memória, comportamental; o Demência vascular: microinfartos. A. cerebral média • Vai acometer face e braço; • Pote ter acometimento leve de perna pelo edema do AVC, mas pode ser resolvido conforme o edema vai reduzindo e a revascularização vai voltando; • Circunda a face externa do cérebro, frontal, parietal, occipital; • Hemisfério esquerdo: linguagem, área de brocka, perde a fala; • Hemisfério direito: negligencia espacial; • Sinal: desvio de rima; • Sintomas: o SAMU: o S: Sorria (paralisia); o A: abrace (perda de força); o MU: Cante uma música. • É uma artéria de grande calibre, por isso a maioria dos AVCs embólicos ocorre nela. SISTEMA VÉRTEBRO-BASILAR • Subclávia continua e dá origem ao ramo para posterior → A. vertebral (passa pelos forames vertebrais) → junta em uma única artéria → A. basilar. • Irriga posterior de parietal, occipital, tronco encefálico, cerebelo, talamo. A. cerebral posterior • Área visual primária; • Bifurcação da artéria basilar; • Face inferior do lobo occipital; • Direita: hemianopsia (perde visão contralateral); Polígono de Willis • A basilar fica grudada na ponte (formação reticular, responsável por acordar o cérebro), então a oclusão dela perda a consciência, entra em coma; o Nesses casos, o AVC é gravíssimo; o Síndrome do encarcerado (locked-in): perde tudo da ponte para baixo, não movimenta mais nada, apenas os olhos, pois ainda tem a função visual e cognitiva. É de lesão bilateral da basilar; • Cerebral posterior (sai da basilar), irriga o occipital; • Aa. Comunicantes (esquerda e direita): aneurisma; • O sistemas estão conectados para um compensar o outro, se o sistema anterior falhar, o posterior tenta compensar; • A. cerebelar póstero-inferior (PICA): sintomas cerebelares; o Irriga a parte de trás e de baixo do cerebelo; • AICA: Inferior e anterior; • A. Cerebelar posterior Circulação posterior - Outras regiões corticais (incluindo os lobos temporal medial e parietal): • Suprimento sanguíneo: Suprida pela artéria cerebral posterior em algumas, mas não em todas as pessoas; • Sintomas de isquemia - Neuropsicológicos, como déficits de memória, alexia, acalculia, agrafia, prosopagnosia; - Tálamo • Suprimento sanguíneo: A. cerebral posterior; • Sintomas de isquemia: defeitos de campo visual; • Perda sensorial, pois toda informação sensorial passa pelo tálamo. - Tronco cerebral • Artérias basilar, cerebelar superior e cerebelar anterior inferior; • Sintomas de isquemia: fraqueza nos membros, perda sensorial, paralisia dos nervos cranianos, síndromes clássicas do tronco cerebral com sinais cruzados, síndrome do encarceramento, síndrome do "topo da basilar"; - Cerebelo • Suprimento sanguíneo: artérias cerebelares superiores, ântero-inferiores e póstero-inferiores; • Sintomas de isquemia: vertigem, ataxia, nistagmo e outros sinais cerebelares. FATORES EPIDEMIOLÓGICOS • Incapacidade crônica em adultos; FATORES DE RISCO Não modificáveis: • Incidência dobra com o aumento da idade; • Incidência muito parecida em homens e mulheres, mas em mulheres aumenta após a menopausa (fatores hormonais); • Fatores raciais; • Hereditariedade. Modificáveis: • Hipertensão arterial; • Tabagismo; • Sedentarismo; • Dislipidemia; • Diabetes; • Abuso de álcool; • Obesidade; • Contraceptivos hormonais. TOAST - classificação da etiologia do AVC • Aterosclerose de grandes artérias; • Infartos lacunares: AVC pequeno, não gera sequelas; • Cardioembólicos; • Outras etiologias: dissecção de artéria, problemas de coagulação sanguínea, anemia falciforme, AIDS, pós-covid; • Indeterminado. CLASSIFICAÇÃO DO AVC • Isquêmico: hipodenso na TC; • Hemorrágico: hiperdenso na TC. o Hemorragia: subaracnóidea ou intraparenquimatosa. o Subaracnóidea: bem grave. Aneurisma que rompe entre as meninges. SÍNDROME NEUROVASCULAR AGUDA • A isquemia gera um edema,que vai comprimindo as áreas em volta (área de penumbra), é uma área que iria morrer, está em sofrimento; • 4:30h é o tempo de interromper para reverter a área de penumbra; • Quanto mais cedo chega, mais neurônios salvos; • O tratamento é estabelecido dentro de 4:30h. RECONHECER OS SINAIS DO AVC NIH STROKE SCALE (NIHSS) • Nível de consciência; o Questões gerais (qual mês, sua idade); o Seguir comandos (lado não comprometido); • Testa nervo abducente; • Testa campos visuais; • Pedir para sorrir e fechar os olhos fortes (paralisia facial); • Testas movimentos (90º de obro e manter 10 segundos) – ambos os lados; • Testar movimento das pernas (45º até 5 segundos); • Testas ataxia (cerebelo e coordenação); • Testar sensibilidade com alfinete, doloroso e tátil (comparando); • Testar linguagem: mostra uma imagem e solicite que narre a cena; • Testar articulação da fala (disartria); • Testar a negligencia (os dois lados ao mesmo tempo). Essa escala define a gravidade do AVC: Vai até 42 pontos • 0-7: leve; • 8-16: moderado; • >16: severo. • Quanto maior a pontuação, mais grave o AVC, mais sequelas o paciente pode ter; ATENDIMENDO No hospital: Unidade de AVC • Trombolítico: para dissolver o trombo; • Stent que puxa o trombo (intra-arterial) – só para grandes artérias; • Hemicraniectomia (retirada a calota) – em casos de AVCs hemorrágicos ou malignos. Reabilitaçãoe Plasticidade: • Alguns podem aumentar a curva de melhora pela terapia; • Efeito priming: adicionar terapias para recuperação e aumentar a curva de plasticidade do paciente; o Essa curva de plasticidade nem sempre chega a 100%, e a partir daí surgem as compensações. • Aproveitar ao máximo a curva de plasticidade para melhora, pois uma vez que as compensações aparecem, é difícil reverter. KNGF Clinical Practice Guideline For Physical Therapy in Patients With Strocke • Fase aguda e subaguda inicial (>24 horas): o Restaurar funções; o Aprendizado x compensações; Adaptações ambientais; o Maximizar participação. o Os primeiros 6 meses são cruciais. Primeiras 24 horas de AVC = fase hiperaguda: apenas posicionamento • São para diagnóstico; • Não pode fazer exercício, não pode nem elevar o leito, é o momento de estabilização. Fase aguda – até 7 dias (hospital) • Treino de mobilidade intensivo é benefício (estudo australiano); • Sempre com TOT; - Mobilização precoce: • Tirar do leito, fazer exercícios contra gravidade; • Perna em 45º por 5 segundos; - Sentar ativo: • Estimular o controle postural; • Estimular a primeira fase do sentar para em pé, rolar para sentar, etc; • Divide por fases, e vai treinando; • Estratégia de alcance para o lado que está caindo, treino de controle do equilíbrio sentado, alcance além do comprimento do membro. - Protocolo • Abaixo de 24 horas a gente não mobiliza; • Geralmente, ou é posicionamento, ou é orientação; • Se for leve, pode permitir no máximo que vá ao banheiro; • Acima de 24 horas pode começar os exercícios, mas tomar cuidado, pois nem todo paciente pode atende aos critérios de segurança para fazer exercício. o o Na fase aguda do AVC, a pressão é alta, mas depois volta ao normal; • No inicio das 24 horas, o AVC isquêmico fica com a cabeceira a 0º, pq se subir a cabeceira perde a circulação cerebral. • Identificar o nível de mobilização do paciente previamente (a partir da escala), saber exatamente o que precisa ganhar; • Cuidado: sinais vitais precisam estar estabilizados para exercícios (existem parâmetros adequados); o Obs.: PA fica elevada pós AVC (normal); • Mobilização precoce (> 24h, ativa e orientada à tarefa); • Cuidados na indicação da dose de mobilização precoce; • Ambiente enriquecido no hospital: o Atividades em área externa, banho de sol, marcha em terreno irregular, marcha ultrapassando e contornando obstáculos, subir e descer rampas, ouvir e cantas músicas. Fase pós-alta hospitalar (subaguda e crônica – 3 a 6 meses) • Restaurar funções; • Aprendizado x compensações; • Adaptações ambientais; • Maximizar participação; • White paper: CORE TASKS; • Reaprendizado motor (motivação, foco externo e prática); • Terapia orientada à tarefa (tarefas parcelas e completas); • Solução ativa e especificidade do treinamento; • Pacientes graves: treino de adaptação funcional (bilateral)