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APOSTILA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
PARA
POLÍCIA FEDERAL
Para o cargo de Agente Administrativo (nível médio),
conforme edital de 2004
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REDAÇÃO DE EXPEDIENTES
APOSTILA
CONCEITO
Apostila é o aditamento a um ato administrativo anterior, para fins de retificação ou atualização.
"Apostila é o ato aditivo, confirmatório de alterações de honras, direitos, regalias ou vantagens, exarado em
documento oficial, com finalidade de atualizá-lo." (Regulamento de Correspondência do Exército - art. 192)
GENERALIDADES
A apostila tem por objeto a correção de dados constantes em atos administrativos anteriores ou o registro
de alterações na vida funcional de um servidor, tais como promoções, lotação em outro setor, majoração de
vencimentos, aposentadoria, reversão à atividade, etc.
Normalmente, a apostila é feita no verso do documento a que se refere. Pode, no entanto, caso não haja
mais espaço para o registro de novas alterações, ser feita em folha separada (com timbre oficial), que se
anexará ao documento principal. É lavrada como um termo e publicada em órgão oficial.
PARTES
São, usualmente, as seguintes:
a) Título - denominação do documento (apostila).
b) Texto - desenvolvimento do assunto.
c) Data, às vezes precedida da sigla do órgão.
d) Assinatura - nome e cargo ou função da autoridade.
APOSTILA
O funcionário a quem se refere o presente Ato passou a ocupar, a partir de V de janeiro de 1966, a classe
de Professor ............. ....... código EC do Quadro único de Pessoal - Parte Permanente, da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, de acordo com a relação nominal anexa ao Decreto nº 60.906, de 28 de junho
de 1967, publicado no Diário Oficial de 10 de julho de 1967.
DP, ................
(Dos arquivos da UFRGS)
APOSTILA
Diretor
O nome do membro suplente do Conselho Fiscal da Caixa Econômica Federal (CEF) constante na
presente Portaria é José Rezende Ribeiro, e não como está expresso na mesma.
Rio de janeiro (G13), de de
(DOU de 31-3-1971, p. 2.517)
José Flávio Pécora, Secretário-Geral.
ATA
Você certamente já participou de alguma reunião em seu trabalho ou mesmo de uma assembléia do
condomínio onde reside. Deve ter notado que inicialmente é designado um secretário que deverá lavrara atado
encontro. Você sabe o que é e para que serve uma ata?
A ata é um documento em que deve constar um resumo por escrito, detalhando os fatos e as resoluções a
que chegaram as pessoas convocadas a participar de uma assembléia, sessão ou reunião. A expressão
correta para a redação de uma ata é lavrar uma ata.
Uma das funções principais da ata é historiar, traçar um painel cronológico da vida de uma empresa,
associação, instituição. Serve como documento para consulta posterior, tendo em alguns casos caráter
obrigatório.
Por tratar-se de um documento, a ata deve seguir algumas normas específicas. Analisemos algumas delas.
- Deve ser escrito à mão, em livro especial, com as páginas numeradas e rubricadas. Esse livro deve conter
termo de abertura e encerramento.
- A pessoa que numerar e rubricar as páginas do livro deverá também redigir o termo de abertura.
Termo de Abertura - é a indicação da finalidade do livro.
Este livro contém 120 páginas por mim numeradas e rubricadas e se destina ao registro de atas da Escola
Camilo Gama.
Termo de Encerramento - é redigido ao final do livro, datado e assinado por pessoa autorizada.
Eu, Norberto Tompsom, diretor do Colégio Camilo Gama, declaro encerrado este livro de atas.
Parnaíba, 21 de junho de 1996
Norberto Tompsom
- Na ato não deve haver parágrafo, mesmo se tratando de assuntos diferentes, a fim de se evitar espaços
em branco que possam ser adulterados.
- Não são admitidas rasuras. Havendo engano, usam-se expressões, tais como: aliás, digo, a seguir
escreve-se o termo correto. Se a incorreção for notada ao final, usa-se a expressão em tempo, escrevendo-se
em seguida "onde se lê ... leia-se ... ".
A ata obedece a uma estrutura fixa e padronizada. Observe:
Introdução - Deve conter o número e a natureza da reunião, o horário e a data (completa) escritos por
extenso, o local, o nome do presidente da reunião e dos demais participantes.
Desenvolvimento - Também chamado contexto. Nele deverão estar contidos ordenadamente os fatos e
decisões da reunião, de forma sintética, precisa e clara.
Encerramento - É o fecho, a conclusão. Deverá constar a informação de que o responsável, após a leitura
da ata, deu por encerrada a reunião e que o redator a lavrou em tal horário e data. Deverá informar também
que se seguem as assinaturas.
Já está sendo aceita atualmente a ata datilografada depois de encerrada a reunião. Porém, as anotações
são feitas à mão, durante a reunião.
Ao datilografar, todas as linhas da ata devem ser numeradas e o espaço que sobra à margem direita, deve
ser preenchido com pontilhado.
Modernamente, por se necessitar de maior praticidade e rapidez, as empresas vêm substituindo a ata por
um determinado tipo de ficha. É uma ficha prática, fácil de preencher e manusear, embora não possua o
mesmo valor jurídico de uma ata.
MODELOS
a) Modelos de introdução (partes iníciais)
CONSELHO PENITENCIÁRIO FEDERAL
Ata da 791º Reunião Ordinária
Aos dezesseis dias do mês de dezembro do ano de mil, novecentos e setenta, no quarto andar do Bloco "0"
da Avenida L-2, do Setor de Autarquias Sul, na Sala de Despachos do Procurador-Geral da justiça, sob a
presidência do Doutor José Júlio Guimarães Lima, reuniu-se o Conselho Penitenciário Federal. Estiveram
presentes os Conselheiros Hélio Pinheiro da Silva, Elísio Rodrigues de Araújo, Abelardo da Silva Comes,
Nestor Estácio Azambuja Cavalcanti, Miguel Jorge Sobrinho, Otto Mohn e o Membro Informante Tenente Pedro
Arruda da Silva. Aberta a sessão, foi lida e, em votação, aprovada a ata da reunião anterior. Na fase de
comunicações, o Tenente Pedro Arruda da Silva comunicou que, por força constitucional, voltará para a Polícia
Militar do Distrito Federal, deixando, assim, a direção do Núcleo de Custódia de Brasília.
(DOU de 31-3-1971, p. 2.510)
ATESTADO
CONCEITO
Atestado é o documento mediante o qual a autoridade comprova um fato ou situação de que tenha
conhecimento em razão do cargo que ocupa ou da função que exerce.
"Atestados administrativos" são atos pelos quais a Administração comprova um fato ou uma situação de que
tenha conhecimento por seus órgãos competentes. (Hely Lopes Meirelles - Direito Administrativo Brasileiro)
GENERALIDADES
0 atestado comprova fatos ou situações não necessariamente constantes em livr os, papéis ou documentos
em poder da Administração. Destina-se, basicamente, à comprovação de fatos ou situações transeuntes,
passíveis de modificações freqüentes. Tratando-se de fatos ou situações permanentes e que constam nos
arquivos da Administração, o documento apropriado para comprovar sua existência é a certidão. 0 atestado é
mera declaração, ao passo que a certidão é uma transcrição. Ato administrativo enunciativo, o atestado é, em
síntese, afirmação oficial de fatos.
PARTES
a) Título - denominação do ato (atestado).
b) Texto - exposição do objeto da atestação. Pode-se declarar, embora não seja obrigatório, a pedido de
quem e com que finalidade o documento é emitido.
Como bem lembram Marques Leite e Ulhoa Cintra, no seu Novo Manual de Estilo e Redação, "se se tratar
de dotes, habilidades, ou qualidades de alguma pessoa, o atestante deverá cuidar de especificar com grande
clareza os dados pessoais do indivíduo em questão (nome completo, naturalidade, estado civil, domicílio)". A
recomendação é muito oportuna, pois tais atestados impõem responsabilidade particularmente grande a quem
os fornece.
São perfeitamente dispensáveis, no texto do atestado, expressões como "nada sabendo em desabono de
sua conduta", "é pessoa de meu conhecimento", etc., já que só pode atestar quem conhece a pessoa e
acredita na inexistência de algo que a desabone.
c) Local e data - cidade, dia, mês e ano daemissão do ato, podendo-se, também, citar, preferentemente
sob forma de sigla, o nome do órgão onde a autoridade signatária do atestado exerce suas funções.
Assinatura - nome e cargo ou função da autoridade que atesta.
MODELOS
ATESTADO
Atesto que FULANO DE TAL é aluno deste Instituto, estando matriculado e freqüentando, no corrente ano
letivo, a primeira série do Curso de Diretor de Teatro.
Seção de Ensino do Instituto de Artes da UFRGS, em Porto Alegre, aos 2 de julho de 1971.
ATESTADO
Chefe da Seção de Ensino
Atesto, para fins de direito, atendendo a pedido verbal da parte interessada, que FULANO DE TAL é
ex-servidor docente desta Universidade, aposentado, conforme Portaria nº 89, de 7-2-1964, publicada no DO
de 21-1,-1965, de acordo com o artigo 176, inciso III, da Lei nº 1.711, de 28-10-1952, combinado com o artigo
178, inciso III, da mesma Lei, no cargo de Professor de Ensino Superior, do Quadro de Pessoal, matrícula nº
1-218.683, lotado na Faculdade de Medicina.
Porto Alegre, 10 de outubro de 1972.
Sérgio Ornar Fernandes, Diretor do Departamento de Pessoal.
CERTIDÃO
Certidão é o ato pelo qual se procede a publicidade de algo relativo à atividade Cartorária, a fim de que,
sobre isso, não pairem mais dúvidas. Possui formato padrão próprio, termos essenciais que lhe dão suas
características. Exige linguagem formal, objetiva e concisa.
TERMOS ESSENCIAIS DA CERTIDÃO:
- Afirmação: CERTIFICO E DOU FÉ QUE,
- Identificação do motivo de sua expedição: A PEDIDO DA PARTE INTERESSADA,
- Ato a que se refere: REVENDO OS ASSENTAMENTOS CONSTANTES DESTE CARTÓRIO, NÃO
LOGREI ENCONTRAR AÇÃO MOVIDA CONTRA EVANDRO MEIRELES, RG 4025386950, NO PERÍODO DE
01/01/1990 ATÉ A PRESENTE DATA
- Data de sua expedição: EM 20/06/1999.
- Assinatura: O ESCRIVÃO:
Ex.
C E R T I D Ã O
CERTIFICO E DOU FÉ QUE, usando a faculdade que me confere a lei, e por assim me haver sido
determinado, revendo os assentamentos constantes deste Cartório, em especial o processo 00100225654,
constatei, a folhas 250 dos autos, CUSTAS PROCESSUAIS PENDENTES DE PAGAMENTO, em valor total de
R$1.535,98, conforme cálculo realizado em 14/05/1997, as quais deverão ser pagas por JOAQUIM JOSÉ DA
SILVA XAVIER, devidamente intimado para tanto em 22/07/1997, sem qualquer manifestação, de acordo com
o despacho exarado a folhas 320, a fim de lançamento como Dívida Ativa.
Em 20/06/1998.
O Escrivão.
CIRCULAR
MODELOS
CIRCULAR Nº 55, DE 29 DE JUNHO DE 1973.
Prorroga o prazo para recolhimento, sem multa, da Taxa de Cooperação incidente sobre bovinos.
O DIRETOR-GERAL DO TESOURO DO ESTADO, no uso de suas atribuições, comunica aos Senhores
Exatores que, de conformidade com o Decreto nº 22.500, de 28 de junho de 1973, publicado no Diário Oficial
da mesma data, fica prorrogado, até 30 de setembro do corrente exercício, o prazo fixado na Lei nº 4.948, de
28 de maio de 1965, para o recolhimento, sem a multa moratória prevista no artigo 71 da Lei nº 6.537, de 27 de
fevereiro de 1973, da Taxa de Cooperação incidente sobre bovinos.
Lotário L. Skolaude,
Diretor-Geral.
(DO/RS de 11-5-1973, p. 16 - com adaptações)
CIRCULAR Nº 1, DE 10 DE OUTUBRO DE 1968.
O Excelentíssimo Senhor Presidente da República, em observância aos princípios de racionalização
administrativa inscritos no Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, recomenda a Vossa Excelência a
adoção, pelo órgão central de pessoal, de imediatas providências no sentido de que os atos relativos ao
funcionalismo, notadamente exoneração, promoção e redistribuição de pessoal, a serem submetidos e
assinados por Sua Excelência, tenham o caráter coletivo, devendo abranger num só ato o maior número
possível de casos individuais.
Rondon Pacheco,
Ministro Extraordinário para os Assuntos do Gabinete Civil.
(DOU de 11-10-1968, p. 8.920)
DECLARAÇÃO
Como vimos em um dos exemplos de requerimento, Amanda L. Gomes anexou-lhe uma declaração de
conclusão do Curso de Administração de Empresas. Tal declaração, além de servir-lhe como documento
provisório, também facilitará o andamento do processo para expedição de seu diploma. Você alguma vez
precisou apresentar uma declaração? Conhece esse documento?
Inúmeras são as situações em que nos é solicitado ou recomendado que apresentemos uma declaração.
Por vezes, em lugar de declaração usa-se a palavra atestado, que tem o mesmo valor. São declarações de
boa conduta, prestação de serviços, conclusão de curso, etc.
A declaração (atestado) deve ser fornecida por pessoa credenciada ou idónea que nele assume a
responsabilidade sobre uma situação ou a ocorrência de um fato. Portanto, é uma comprovação escrita com
caráter de documento.
A declaração pode ser manuscrita em papel almaço simples (tamanho ofício) ou digitada/datilografada.
Quanto ao aspecto formal, divide-se nas seguintes partes:
Timbre - impresso como cabeçalho, contendo o nome do órgão ou empresa. Atualmente a maioria das
empresas possui um impresso com logotipo. Nas declarações particulares usa-se papel sem timbre.
Título - deve-se colocá-lo no centro da folha, em caixa alta.
Texto - deve-se iniciá-lo a cerca de quatro linhas do título. Dele deve constar:
- Identificação do emissor. Se houver vários emissores, é aconselhável escrever, para facilitar: os abaixo
assinados.
- O verbo atestarldeciarar deve aparecer no presente do indicativo, terceira pessoa do singular ou do plural.
- Finalidade do documento - em geral costuma-se usar o termo "para os devidos fins", mas também
pode-se especificar: "para fins de trabalho", "para fins escolares", etc.
- Nome e dados de identificação do interessado. Esse nome pode vir em caixa-alta, para facilitar a
visualização.
- Citação do fato a ser atestado.
Local e data - deve-se escrevê-los a cerca de três linhas do texto.
Assinatura - assina-se a cerca de três linhas abaixo do local e data.
Observe o trecho que encerra essa declaração:
"... quando se efetivou a sua cessão para o Setor de
Almoxarífado. "
Você sentiria dificuldade para escrever a palavra cessão? Ficaria na dúvida entre: sessão, seção ou
cessão? Isso é comum. Trata-se, no caso, do que chamamos homônimos. São palavras de pronúncia idêntica,
mas com grafias e significados diferentes. Vejamos as diferenças:
cessão - doação; ato de ceder.
sessão - reunião; espetáculo de teatro, cinema, etc. apresentado várias vezes.
seção - corte; divisão; parte de um todo; segmento; numa publicação, local reservado a determinado
assunto: seção literária, seção de esportes.
INFORMAÇÃO
Informação nº DCCCE/394/73
Processo nº R/25.726-73
Senhor Diretor do Departamento de Pessoal:
Encaminha a Direção do Instituto de Geociências o pedido de dispensa, a partir de 3 de outubro de 1973,
da função gratificada, símbolo 2-F, de Secretário do referido Instituto, formulado pelo funcionário Fulano de Tal.
2. O requerente é agregado ao símbolo 5-F, do Quadro Único de Pessoal - Parte Permanente, desta
Universidade, sendo aproveitado pela Portaria nº 677, de 27 de agosto de 1968, para exercer a função
gratificada, símbolo 2-F, de Secretário do Instituto de Geociências, desenvolvendo suas atividades em regime
de tempo integral e dedicação exclusiva, conforme aplicação determinada pela Portaria nº 459, de 15 de julho
de 1969.
3. Isso posto, de acordo com o preceituado no artigo 77 da Lei nº 1.711, de 28 de outubro de 1952, nada
obsta a que seja atendida a solicitação, motivo por que remetemos, em anexo, os atos necessários à
efetivação da medida.
À consideração de Vossa Senhoria.
DCCE, em 16 de outubro de 1973.
Noé Esquivel,
Diretor.
(Dos arquivos da UFRGS)
OFÍCIO E OFÍCIO-CIRCULAR
I - CONCEITO
"Ofícios são comunicações escritas que as autoridades fazem entre si, entre subalternos e superiores, e
entre a Administração e particulares, em caráter oficial." (Meirelles, Hely Lopes - apud "Redação Oficial", de
Adalberto Kaspary).
A luz desse conceito, deduzimos que:
1) Somente autoridades (de órgãos oficiais) produzem ofícios, e isso para tratar de assuntos oficiais.
2) O ofício pode ser dirigido a:
a - outras autoridades;b - particulares em geral (pessoas, firmas ou outro tipo de entidade).
3) Entidades particulares (clubes, associações, partidos, congregações, etc.) não devem usar esse tipo de
correspondência.
4) No universo administrativo, o ofício tem sentido horizontal e ver tical ascendente, isto é, vai de um órgão
publico a outro, de uma autoridade a outra, mas, dentro de um mesmo órgão, não deve ser usado pelo escalão
superior para se comunicar com o escalão inferior (sentido vertical descendente).
5) O papel utilizado é específico e da melhor qualidade.
6) O ofício esta submetido a certas normas estruturais, que são de consenso geral.
1 - Margens
a) Da esquerda - a 2,5 cm a partir da extremidade esquerda do papel.
b) Da direita - a 1,5 cm da extremidade direita do papel.
Nada pode ultrapassá-la, nem a data, nem o nome do remetente.
Para ser perfeitamente alinhada, não e permitido:
* Usar grafismo (tapa-margem);
* afastar sinal de pontuação da palavra;
* deixar espaço de mais de dois toques entre a última e a penúltima palavra;
* espaçar as letras de uma palavra.
2 - Timbre
Brasão (da Republica, estado ou município), em geral centralizado, a 1 cm da extremidade superior da
folha, seguido da designação do órgão.
3 - Numeração
A dois espaços-padrão da designação do órgão.
O espaço-padrão interlinear do oficio e de 1,5 ou 2, conforme a marca da maquina.
Consiste em: Of. Nº ..., ou Of. Circ. Nº .... seguido do numero e, se for conveniente, sigla(s) do órgão
expedidor.
No caso dos ofícios-circulares que não tenham uma numeração especifica, a palavra "circular" deve ser
posta entre parênteses depois do número.
4 - localidade e Data
Coloca-se na mesma linha do número, desde que haja espaço suficiente, procurando fazer coincidir o seu
fim com a margem da direita.
Cuidados especiais com a data:
Não se devem abreviar partes do nome da localidade que também não deve ser seguida da sigla do estado.
* O nome do mês não se grafa com letra maiúscula.
* Entre o milhar e a centena do ano não vai ponto nem espaço.
* Põe-se o ponto após o ano.
ERRADO - P.Alegre/RS, 18 de Junho de 1.985
CERTO - Porto Alegre, 18 de junho de 1985.
5 - Vocativo
Inicia a três espaços-padrão abaixo da data e a 2,5cm da margem esquerda.
Consiste simplesmente da expressão "Senhor(es)" seguido de cargo ou função do destinatario: Senhor
Governador, Senhores Deputados, Senhor Gerente, Senhor Diretor-Geral, Senhor Chefe, etc.
Não ha unanimidade quanto à pontuação do vocativo; pode-se usar virgula, ponto ou dois pontos.
6 - Introdução
Praticamente inexiste. Vai-se direto ao que interessa: "Comunicamos...", "Solicitamos...",
"Encaminhamos..." etc.
7 - Texto
Consiste na exposição, de forma objetiva e polida, do assunto, fazendo-se os parágrafos necessários.
Estes podem ser numerados a partir do segundo.
8 - Fecho
Modernamente, usam-se apenas "Atenciosamente" ou "Respeitosamente", seguidos de vírgula. O
alinhamento e o do parágrafo, ou coloca-se acima da assinatura. Não se numera.
9 - Signatário
Nome e cargo do remetente, encimados pela assinatura, sem traço, a direita do papel.
10 - Destinatário
Ocupando 2, 3 ou 4 linhas, seu final deve coincidir com a extremidade inferior do papel.
Ex.: A Sua Excelência o Senhor
Dr. Fulano de Tal,
DD. Governador do Estado do Rio Grande do Sul PORTO ALEGRE (RS)
Nos ofícios corriqueiros, dispensa-se o nome do destinatário.
Ex.: Ao Senhor Diretor do Colégio X PORTO ALEGRE (RS)
Importante: Caso o ofício ocupe mais de uma folha, o que acontece quando, em media, não cabe em 17
linhas, o destinatário permanece na primeira folha, indo para a ultima apenas o signatário.
Observação: Podem ainda constar no oficio o numero de anexos e as iniciais do redator e datilógrafo. (Veja-
se o esquema.)
ORDEM DE SERVIÇO
MODELOS
ORDEM DE SERVIÇO Nº 2-72
O SECRETÁRIO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso de suas atribuições, em aditamento à Ordem de
Serviço nº 1-72, de 10-1-72, desta Secretaria, determina que terão expediente externo também na parte da
manhã, no horário das oito às onze horas, os seguintes órgãos do Tesouro do Estado, sediados na Capital:
a) Subordinados à Coordenadoria-Geral do ICM:
Divisão de Fiscalização da Grande Porto Alegre (DCP);
Divisão de Fiscalização do Trânsito de Mercadorias (DIM);
Divisão do Recenseamento e Programação Fiscais (RP).
b) Subordinado à Inspetoria-Geral da Fazenda:
Exatoria Estadual de Porto Alegre.
Porto Alegre, 13 de janeiro de 1972.
José H. M. de Campos, Secretário da Fazenda.
ORDEM DE SERVIÇO Nº GG/2-73
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, no uso de suas atribuições e em continuidade
ao plano de centralização, na Capital, do pagamento de despesas do Interior, objetivando o melhor
aproveitamento dos interesses orçamentários do Estado, de modo a permitir a elaboração da programação
financeira de desembolso ajustada à efetiva disponibilidade do Tesouro, determina:
I - que, a partir de 11 de janeiro de 1973, todas as despesas realizadas no Interior, pelos órgãos da
Administração Direta, sejam processadas na Capital, pelas respectivas repartições e encaminhadas para o
Tesouro do Estado, que efetuará o pagamento, através da rede bancária, nas correspondentes localidades;
II - o uso de distribuição de tabelas de crédito às Exatorias Estaduais, através da Contadoria Setorial junto à
Fazenda, fica reservado, tão-somente, para as despesas que, necessariamente, devam ser atendidas no local
de sua realização e referentes às seguintes rubricas:
a) SERVIÇOS DE TERCEIROS
Comunicações.
b) ENCARGOS DIVERSOS
Ajudas de custo e diárias de viagem; Custas e emolumentos;
Despesas pequenas de pronto pagamento.
Palácio Piratini, em Porto Alegre, ... de..... de.....
Edmar Fetter,
Vice-Governador do Estado, em exerc ício.
PORTARIA
MODELOS
PORTARIA Nº 3.109, DE 13 DE ABRIL DE 1971.
O MINISTRO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL, usando de suas atribuições e
considerando o número insuficiente de Agentes de Inspeção na Delegacia Regional do Trabalho no Estado
do Maranhão;
considerando que a situação peculiar daquele Estado, em relação às condições de produção e trabalho,
exige, da parte deste Ministério, providências especiais e imediatas;
considerando, ainda, o que consta no Processo nº..................... MTPS/319.974-70,
RESOLVE:
Fica elevado para cinqüenta por cento, na Delegacia Regional do Trabalho no Estado do Maranhão, o
percentual previsto na Portaria Ministerial d 3.144, de 2 de março de 1970.
Júlio Barata
(DOU de 20-4-1971, p. 2.928)
PORTARIA Nº 15, DE 28 DE FEVEREIRO DE 1972.
O MINISTÉRIO DE ESTADO DO PLANEJAMENTO E COORDENAÇÃO GERAL, usando de suas
atribuições legais e de acordo com a alínea b do inciso 11 do artigo 1º do Decreto nº 66.622, de 22 de maio de
1970, resolve:
Art. 1º Alterar o Anexo A - Plano de Busca - do Plano Setorial de Informações do Ministério do Planejamento
e Coordenação Geral, aprovado pela Portaria nº 131, de 24 de novembro de 1970.
Art. 2º A presente Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.
João Paulo dos
Reis Velloso
(DOU de 7-3-1972, p. 1.948)
RELATÓRIO
Senhor Diretor Geral
Encaminhamos a esta Diretoria Geral o presente relatório das averiguações efetuadas em nosso
departamento com a finalidade de verificar irregularidades ocorridas no período de 01 de janeiro à 31 de
dezembro de 2000.
Comunicamos a Vossa Senhoria que após as averiguações efetuadas constatamos o seguinte:
1) As compras efetuadas através de terceiros não apresentavam valores a maior;
2) As notas recebidas de fornecedores não conferem com as faturas pagas;
3) As mercadorias constantes nas notas foram entregues regularmente ;
4) Os pagamentos foram efetuados de acordo com as faturas apresentadas;
5) Após comparação entre as notas e as faturas verificou-se uma diferença de R$ 5.000,00;
6) Questionamos junto ao fornecedor para repor mercadorias referente a diferença apresentada.
Junto a este relatório encaminhamos a Vossa Senhoria cópia de toda a documentação necessária a sua
apreciação.
Sem mais no momento.
Aguardamos seu despacho.
Fulano deTal,
Chefe de Serviço.
REQUERIMENTO
I - CONCEITO
É a correspondência através da qual um particular requer a uma autoridade pública algo a que tem ou julga
ter direito.
Portanto, não utiliza papel oficial e não tolera bajulação.
1 - Margens
As mesmas do ofício.
2 - Vocativo
Coloca-se ao alto da folha, a partir da margem esquerda, não podendo ultrapassar os 2/3 da linha, caso em
que deve ser harmoniosamente dividido. A localidade só deve constar, se a autoridade destinatária não estiver
na da origem. Jamais se põe o nome da autoridade.
Exemplo:
Ilustríssimo Senhor Superintendente Regional do Departamento de Policia Federal PORTO ALEGRE (RS)
3 - Texto
Inicia com o nome completo do requerente (sem o pronome "eu"), a 2,5cm da margem, em destaque.
Quanto aos demais dados de identificação, que se põem em continuação ao nome, tais como
nacionalidade, estado civil, filiação, lotação, endereço, números de documentos etc. , somente cabem aqueles
que sejam estritamente necessários ao processamento do pedido.
Dependendo da circunstancia, e importante enumerar os motivos, dar a fundamentação legal e/ou prestar
esclarecimentos oportunos.
Redige-se na terceira pessoa.
4 - Fecho
Põe-se abaixo do texto, no alinhamento do parágrafo.
Consiste numa destas expressões:
Nestes termos,
pede deferimento.
...............
Pede deferimento.
..............
Espera deferimento.
................
Aguarda deferimento.
................
Termos em que pede deferimento.
Qualquer uma pode ser abreviada com as iniciais maiúsculas, seguidas de ponto: P. D., A. D. etc.
5 - Local e data
Também no alinhamento do parágrafo. (Ver observações no ofício.)
6 - Assinatura
A direita da folha, sem traço e sem nome, se este for o mesmo do inicio.
III - MODELOS (Extraídos do livro "Redação Oficial", de Adalberto J. Kaspary)
Senhor Diretor do Colégio Estadual Machado de Assis:
FULANO DE TAL, aluno deste colégio, cursando a primeira série do segundo grau, turma D, turno da
manhã, requer a Vossa Senhoria o cancelamento de sua matrícula, visto que fará um estágio profissional de
três meses no Estado de São Paulo, a partir do dia 22 do corrente.
Termos em que pede deferimento.
Porto Alegre, 12 de maio de 1974.
Fulano de Tal
Senhor Diretor de Pessoal
da Superintendência dos Transportes do Estado do RS:
FULANO DE TAL, funcionário público estadual, ocupante do cargo de Auxiliar de Administração, lotado e
em exercício no Gabinete de .Orçamento e Finanças, da Secretaria da Fazenda, matricula nº 110.287, no
Tesouro do Estado, requer a Vossa Senhoria que lhe seja expedida certidão de seu tempo de serviço nessa
Superintendência, a fim de anexá-la ao seu processo de Iicença-prêmio, já em andamento na Secretaria da
Administração.
Espera deferimento.
Porto Alegre, 14 de março de 1975.
Fulano de Tal
Excelentíssimo Senhor Secretario da Administração do Governo do Estado do Rio Grande do Sul:
FULANO DE TAL, brasileiro, solteiro, com 26 anos, filho de.................... e de................ natural, de
Gramado, neste Estado, residente e domiciliado nesta Capital, na Avenida João Pessoa, 582 - ap. 209, requer
a Vossa Excelência inscrição no Concurso Público para o Cargo de Oficial Administrativo a ser realizado por
essa Secretaria, conforme edita] divulgado no Diário Oficial de 14 do corrente, para o que anexa os
documentos exigidos na citada publicação.
Nestes termos,
pede deferimento.
Porto Alegre, 24 de maio de 1974.
Fulano de Tal
NOÇÕES DE
RELAÇÕES HUMANAS
CONTEXTOS E DEMANDAS DE HABILIDADES SOCIAIS
Eu mesmo, Se transponho o umbral enigmático, Fico outro ser, De mim desconhecido.
C. Drummond de Andrade
Os diferentes contextos dos quais participamos contribuem, de algum modo, para a aprendizagem de
desempenhos sociais que, em seu conjunto, dependem de um repertório de habilidades sociais. A
decodificação dos sinais sociais, explícitos ou sutis, para determinados desempenhos, a capacidade de
selecioná-los e aperfeiçoá-los e a decisão de emiti-los ou não são alguns dos exemplos de habilidades
aprendidas para lidar com as diferentes demandas das situações sociais' a que somos cotidianamente
expostos.
O termo demanda pode ser compreendido como ocasião ou oportunidade diante da qual se espera um
determinado desempenho social em relação a uma ou mais pessoas.
As demandas,são produtos da vida em sociedade regulada pela cultura de subgrupos. Quando algumas
pessoas não conseguem adequar-se a elas (principalmente as mais importantes) são consideradas
desadaptadas provocando reações de vários tipos. O exemplo mais extremo é o do fôbico social que não
consegue responder às demandas interpessoais de vários contextos, isolando-se no grupo familiar e, mesmo
neste, mantendo um contato social bastante empobrecido.
Quando, por alguma razão, um contexto provê aprendizagem de determinadas habilidades sociais, mas não
cria oportunidade para que sejam exercidas, as necessidades afetivas a elas associadas podem não ser
satisfeitas. Em nossos programas de desenvolvimento de relações interpessoais com universitários, os
estudantes freqüentemente apresentam dificuldade de expressar carinho (apesar do desejo de fazê-lo) porque,
em suas famílias, seus pais não incentivam e nem mesmo permitem "essas liberdades".
Ao nos depararmos com as diferentes demandas sociais, precisamos inicialmente identificá-las
(decodificá-las) para, em seguida, decidirmos reagir ou não, avaliando nossa competência para isso. A
identificação ou decodificação das demandas para um desempenho interpessoal depende, criticamente, da
leitura do ambiente social, o que envolve, entre outros aspectos:
a) atenção aos sinais sociais do ambiente (observação e escuta);
b) controle da emoção nas situações de maior complexidade;
c) controle da impulsividade para responder de imediato;
d) análise da relação entre os desempenhos (próprios e de outros) e as conseqüências que eles acarretam.
Não é muito fácil identificar os sinais que, a cada momento, indicam demandas para desempenhos
excessivamente elaborados. Por exemplo, quando o ambiente social é extremamente ameaçador, pode
provocar ansiedade, requerendo respostas de enfrentamento ou fuga que variam na adequação às demandas.
Em outras palavras, é como se o indivíduo dissesse a si mesmo:
Aqui é esperado que eu... (leitura do ambiente social ou das demandas);
Não posso concordar com isso, eu preciso dizer que... (análise da própria necessidade de reagir a uma
demanda);
Acho melhor não dizer nada agora... (decisão quanto a apresentar ou não um desempenho em determinado
momento).
Diferentes tipos de demandas interpessoais podem aparecer sob combinações variadas. Algumas
combinações, no entanto, parecem típicas de contextos específicos e requerem conjuntos de habilidades
sociais que podem ser cruciais para a qualidade dos relacionamentos aí desenvolvidos. O contexto mais
significativo da vida da maioria das pessoas é o familiar. Além deste, podem-se destacar, como inerente à vi da
social na maior parte das culturas, a escola, o trabalho, o lazer, a religião e o espaço geral de cotidianidade
(ruas, praças, lojas etc.). Segue-se uma análise dos contextos familiar, escolar e de trabalho que, não obstante
suas especificidades, contemplam também muitas das habilidades sociais requeridas nos demais.
1. o contexto familiar
A vida familiar se estrutura sobre vários tipos de relações (marido-mulher, pais-filhos, entre irmãos e
parentes) com uma ampla diversidade de demandas interpessoais. O desempenho das habilidades sociais
para lidar com elas pode ser uma fonte de satisfação ou de conflitos no ambiente familiar. Dada a
inevitabilidade de conflitos o caráter saudável de muitos deles depende da forma de abordá-los e resolvê-los o
que remete, em última instância, à competência social dos envolvidos.
Relações conjugais
Embora, na sociedade atual, as pessoas já possuam um razoável conhecimento de seu parceiro antes de
optarem por uma vida em comum, mesmo assim, com o passar do tempo, pode ocorrer a deterioração de
alguns comportamentos mutuamenteprazerosos (reforçadores) e o aparecimento ou maximização de outros
de caráter aversivo. Em um relacionamento novo, cada pessoa procura exibir ao outro o melhor de si mesma,
mas, ao longo do tempo, o cotidiano doméstico pode alterar drasticamente esse repertório. Além disso, a
maioria das pessoas, ao se casarem, possuem algumas idéias românticas sobre o amor que, além de não se
concretizarem, dificultam a identificação e o enfrentamento das dificuldades conjugais.
Considerando o conceito de compromisso (referido no Capítulo 2), crucial. para o caso das relações
conjugais, a qualidade desse relacionamento depende, criticamente, de quanto os cônJuges investem na sua
continuidade e otimização. O auto-aperfeiçoamento de ambos em habilidades sociais conjugais garante, em
parte, esse compromisso. No entanto, quando apenas um dos parceiros alcança um desenvolvimento sócio-
afetivo rápido, diferenciando-se excessivamente do outro, ele pode reavaliar os próprios ganhos na relação
como insatisfatórios e dispor-se à busca de relacionamentos alternativos, provocando a sua ruptura. Uma fonte
de ruptura ocorre, portanto, quando há uma ausência de compromisso com a própria relação e/ou com o
desenvolvimento do outro.
Em uma revisão da literatura de pesquisas sobre Terapia Conjugal, Gottman e Ruschel identificaram
algumas habilidades essenciais para a qualidade do relacionamento conjugal, destacando aquelas associadas
à aprendizagem e ao controle dos estados afetivos que desencadeiam conflitos e reduzem a capacidade de
processamento de informações. Tais habilidades incluem: acalmar-se e identificar estados de descontrole
emocional em si e no cônjuge, ouvir de forma não defensiva e com atenção, validar o sentimento do outro,
reorganizar o esquema de interação do casal de modo a romper o ciclo queixa-crítica-defensividade-desdém.
Acrescentam, também, a este conjunto, a habilidade de persuadir o cônjuge a não tomar nenhuma decisão
enquanto o estado de excitação psicofísiológica estiver sem autocontrole adequado.
Freqüentemente, um dos cônjuges expressa pensamentos e sentimentos de forma explosiva, extrapolando
nas queixas e críticas. Se a reação do outro seguir na mesma direção, gera descontrole de ambos e uma alta
probabilidade de manutenção do ciclo descrito acima, o que tende a piorar ainda mais a situação. Daí a
importância da habilidade de acalmar o outro. Ouvir não defensivamente permite que o cônjuge exponha por
completo o seu pensamento e pode servir para validar seu sentimento (empatia). Adicionalmente, a fala calma
facilita a organização do conteúdo da mensagem, aumenta a probabilidade de clareza e, conseqüentemente,
de compreensão, tendo o efeito provável de acalmar. As situações de conflito geralmente exigem outras
habilidades como as de admitir o erro, desculpar-se ou pedir mudanças de comportamento.
Existem casais que são bastante atenciosos com amigos, colegas de trabalho e pessoas que lhes prestam
serviço e, no entanto, deixam de dar essa mesma quantidade de atenção ao cônjuge. A maioria que age assim
parece não ter a intenção de colocar o cônjuge em segundo plano, porém acaba por negligenciar um elemento
importante do relacionamento, ignorando situações e oportunidades para exercer a habilidade de dar atenção.
Muitas vezes, a imagem idealizada, ou real no começo do relacionamento, de uma pessoa bem-humorada,
amável, carinhosa etc. vai se desvanecendo, gerando insatisfação e desinteresse. Bom humor, gentileza
mútua, carinho e atenção precisam ser cultivados no cotidiano da relação. Para isso, é muito importante a
habilidade de prover conseqüências positivas quando o cônjuge apresenta esses comportamentos. A
sinceridade, no entanto, é fundamental, caso contrário poderá parecer que há pretensão de manipulação. Há
um velho adágro popular que cai bem nesta situação: amor com amor se paga. Em muitas situações em que o
comportamento do outro caminha na direção de desempenhos favoráveis à qualidade do relacionamento, pode
ser importante que os cônjuges explicitem claramente esses aspectos, por meio da habilidade de dar feedback
positivo. Da mesma maneira, pedir feedback é uma habilidade que favorece uma avaliação conjunta.
São muitos os problemas resolvidos diariamente por apenas um dos membros da díade conjugal em
assuntos que afetam a ambos. Esses problemas, ou são corriqueiros, ou possuem tal urgência que demandam
ações imediatas. O partilhar decisões pelo casal produz, no entanto, um equilíbrio nas relações de poder, na
medida que ambos decidem e são, igualmente, responsáveis pelo êxito ou fracasso de todo empreendimento.
Um subgrupo particularmente relevante de habilidades sociais conjugais é representado pelas de
relacionamento íntimo. Nesta categoria, os desempenhos sociais possuem características singulares, com o
padrão não verbal tendo um peso considerável na interação. O conteúdo (o que se diz), a forma (como se diz)
e a ocasião (quando se diz) são componentes importantes e precisam ser bem dosados e ajustados às
preferências das pessoas envolvidas. Isso significa que requisitos não fundamentais em outros contextos
ganham, aqui, um estatuto especial como, por exemplo, as discriminações sutis das mensagens enviadas em
códigos e elaboradas no processo de interação.
Relações pais-filhos
As relações pais-filhos possuem um caráter afetivo, educativo e de cuidado que cria muitas e variadas
demandas de habilidades sociais. O exercício dessas habilidades é, em geral, orientado para o equilíbrio entre
os objetivos afetivos imediatos e os objetivos a médio e longo prazo de promover o desenvolvimento integral
dos filhos e prepará-los para a vida. Argyle identifica três estratégias básicas pelas quais os pais educam seus
filhos: a) por meio das conseqüências (recompensas e punições), b) pelo estabelecimento de normas,
explicações, exortações e estímulos e c) por modelação. Cada uma dessas estratégias baseia-se em ações
educativas que supõem um repertório elaborado e diversificado de habilidades sociais dos pais.
À medida que crescem, os filhos desenvolvem interesses, idéias e hábitos que podem gerar conflitos
familiares. Nem sempre é fácil para os pais a identificação dos sinais que apontam para a iminência de um
conflito entre eles e os filhos ou para os estágios iniciais de um comportamento reprovado no contexto dos
valores familiares. Inversamente, é também difícil identificar os estágios iniciais de um comportamento
desejável que pode estar sendo mascarado pela predominância de outros indesejáveis. Na maioria das vezes,
presta-se mais atenção aos comportamentos que perturbam ou quebram normas estabelecidas. Com
freqüência os pais buscam interromper ' esses comportamentos com medidas punitivas ou corretivas que
produzem resultados pouco efetivos porque os suprimem apenas momentaneamente e, ainda, podem gerar
vários sentimentos negativos, como a raiva, o abatimento, a revolta etc.
Essas situações constituem ocasião para o exercício de um conjunto de ações educativas que podem
alterar drasticamente a qualidade da relação e promover comportamentos mais adequados dos filhos. A
literatura enfatiza a importância de apresentar feedback positivo para os desempenhos considerados
adequados tão logo eles ocorram. Elogiar e fornecer conseqüências positivas incentivam e fortalecem
desempenhos incipientes que, em etapas posteriores, serão mantidos por suas conseqüências naturais. A
maioria dos pais faz isso quando está ensinando os filhos a andar, falar ou ler, mas costuma negligenciar a
apresentação de conseqüências positivas quando se trata de comportamentos que consideram "obrigação"
como estudar, organizar-se, demonstrar gentileza, apresentar iniciativa na solução de pequenos problemas
pessoais etc.
Muitos pais queixam-se de que, especialmente na adolescência, os filhos se tornam esquivos, buscando
maior contato com os companheiros do que com eles. A adolescência é, sem dúvida, um período de grandes
conquistas e descobertas por parte dos jovens, podendo produzir inquietação aos pais. E o momento deexperimentar as novas possibilidades cognitivas e o despertar sexual, mas também um período de grande
labilidade emocional, dadas suas alterações hormonais. Em qualquer etapa, mas particularmente nesta, são
importantes várias outras ações educativas como as de combinar normas e regras de convivência coerentes
com os valores familiares e estabelecer consenso sobre padrões de conduta a serem assumidos por todos. Em
outras palavras, decidir com os filhos como traduzir valores em comportamentos, o que implica em diálogo e
nas habilidades a ele inerentes.
Assim como muitas situações requerem o autocontrole dos sentimentos evitando-se agravar conflitos
potenciais, outras podem requerer sua expressão. Em tais casos, embora a demanda apareça sem se
anunciar, a expressão de raiva ou desagrado requer controle emocional se o objetivo for educativo mais do que
meramente de descarga emocional. A habilidade dos pais de expressar adequadamente raiva e desagrado
fornece modelo de autocontrole. Quando esses sentimentos são gerados por comportamentos dos filhos que
violam os acordos e as normas combinados, a situação pode requerer a habilidade de defender os próprios
direitos em uma visão de reciprocidade.
Em muitos momentos da relação pais-filhos, ocorrem críticas de ambos os lados. A maioria de nós tem
facilidade em fazer críticas que apenas humilham as pessoas, mas dificuldade em apresentar as construtivas.
Além disso, a habilidade de desculpar-se pode ser importante para diminuir ressentimentos e induzir atitudes
construtivas em relação à dificuldade vivida.
2. O contexto escolar
A Educação é uma prática eminentemente social que amplia a inserção do indivíduo no mundo dos
processos e dos produtos culturais da civilização. A escola é um espaço privilegiado, onde se dá um conjunto
de interações sociais que se pretendem educativas. Logo, a qualidade das interações sociais presentes na
educação escolar constitui um componente importante na consecução de seus objetivos e no aperfeiçoamento
do processo educacional.
O discurso oficial sobre os objetivos e metas da instituição escolar, preconizado e continuamente reafirmado
em termos de formação para a vida e para a cidadania, já inclui, naturalmente, a articulação entre
aprendizagem e desenvolvimento. O desenvolvimento sócio-emocional não pode ser excluído desse conjunto,
especialmente quando se observa, nos dias atuais, uma escalada de violência atingindo crianças e jovens e
manifestando-se, inclusive, no contexto escolar. Há, portanto, uma concordância quase unânime sobre a
necessidade de aprimoramento das competências sociais de alunos, professores e demais segmentos da
escola.
Mas é necessário destacar a importância de uma clara compreensão sobre que tipo de habilidades
efetivamente contribui para essa preparação para a vida. Em um de nossos estudos, uma amostra significativa
de professores da rede pública valorizou as habilidades pró-sociais em níveis significativamente superiores à
valorização atribuída às habilidades assertivas e de enfrentamento. Como são complementares, é importante
que todos esses conjuntos sejam, igualmente, desenvolvidos na escola. Habilidades como liderar, convencer,
discordar, pedir, mudança de comportamento, expressar sentimentos negativos, lidar com críticas, questionar,
negociar decisões, resolver problemas etc. precisam também ser promovidas pela escola. A emissão
competente de tais habilidades pode constituir um antídoto importante aos comportamentos violentos,
especialmente se desenvolvidos paralelamente às habilidades de expressar sentimentos positivos, valorizar o
outro, elogiar, expressar empatia e solidariedade e demonstrar boas maneiras.
Os estudantes excessivamente tímidos ou muito agressivos enfrentam maiores dificuldades na escola, pois
em geral apresentam déficits nas chamadas habilidades de sobrevivência em classe: prestar atenção, seguir
instruções, fazer e responder perguntas, oferecer e pedir ajuda, agradecer, expor opiniões, discordar, controlar
a própria raiva ou tédio, defender-se de acusações injustas e pedir mudança de comportamento de colegas, no
caso de chacotas e provocações. Além das conseqüências sobre a aprendizagem, tais dificuldades podem se
reverter em problemas de auto-estima no desenvolvimento sócio-emocional.
Além disso, uma ampla literatura vem mostrando correlação entre déficits no repertório de habilidades
sociais dos alunos e suas dificuldades de aprendizagem e baixo rendimento escolar. Embora a funcionalidade
dessa relação ainda esteja sob investigação, não é difícil imaginar a importância de habilidades como as de
perguntar, pedir ajuda, responder perguntas, dar opinião, expressar dificuldade etc. sobre a aprendizagem
nesse contexto e, em particular, como forma de obter atenção e cuidado por parte da professora.
3. o contexto de trabalho
Qualquer atuação profissional envolve interações com outras pessoas onde são requeridas muitas e
variadas habilidades sociais, componentes da competência técnica e interpessoal necessária para o
envolvimento em várias etapas de um processo produtivo.
A competência técnica usualmente faz parte dos objetivos educacionais dos cursos profissionalizantes de
segundo e terceiro graus e dos treinamentos que ocorrem no âmbito das organizações. No entanto, a
competência interpessoal raramente é relacionada como objetivo de formação profissional ocorrendo, de forma
assistemática, como um subproduto desejável do processo educativo, por vezes referido como currículo oculto.
Embora existam ocupações em que grande parte das atividades é realizada quase que isoladamente,
como, por exemplo, a do restaurador de obras-de-arte, do copista de obras antigas ou do arquivista em um
escritório, ainda assim há um processo complementar que depende da interação social. Tal processo pode ser
de recepção de itens de tarefa, negociação de contrato, reuniões, supervisão de atividades, aperfeiçoamento
por meio de cursos etc. Pode-se dizer que praticamente nenhum trabalho ocorre no isolamento social total. Por
outro lado, existem outras atividades em que a realização da tarefa se dá quase que totalmente na relação com
o outro, ou seja, elas são mediadas por interações sociais. São as ocupações de vendedor, recepcionista,
telefonista, professor, médico, assistente social, terapeuta etc.
Os novos paradigmas organizacionais que orientam a reestruturação produtiva têm priorizado processos de
trabalho que remetem diretamente à natureza e qualidade das relações interpessoais. Entre tais aspectos,
pode-se citar a ênfase na multiespecialização associada à valorização do trabalho em equipe, intuição,
criatividade e autonomia na tomada de decisões, ao estabelecimento de canais não formais de comunicação
como complemento aos formais, ao reconhecimento da importância da qualidade de vida e à preocupação com
a auto-estima e com o ambiente e cultura organizacionais.
Essas mudanças imprimem demandas para habilidades como as de coordenação de grupo, liderança de
equipes, manejo de estresse e de conflitos interpessoais e intergrupais, organização de tarefas, resolução de
problemas e tomada de decisões, promoção da criatividade do grupo etc. As inovações constantes e o
desenvolvimento organizacional no mundo do trabalho requerem, ainda, competência para falar em público,
argumentar e convencer na exposição de idéias, planos e estratégias. O trabalho em pequenos grupos mostra
a necessidade de habilidades de supervisão e monitoramento de tarefas e interações relacionadas ao processo
produtivo que, para ocorrerem adequadamente, exigem competência em requisitos como os de observar, ouvir,
dar feedback, descrever, pedir mudança de comportamento, perguntar e responder perguntas entre outras.
NOÇÕES DE
ARQUIVAMENTO E PROCEDIMENTOS
ADMINISTRATIVOS
TÉCNICAS DE ARQUIVO: ARQUIVO E SUA DOCUMENTAÇÃO
O que significa a palavra arquivo para você? Pense sobre este assunto, analisando estas duas situações.
- DOUTORA, A SENHORA JÁ USOU OS DOCUMENTOS QUE ME PEDIU? POSSO GUARDÁ-LOS? -
PERGUNTOU A SECRETÁRIA.- ESSES PROCESSOS EMPILHADOS AQUI À ESQUERDA VOCÊ DEIXA SOBRE MINHA MESA, POIS
AINDA VOU CONSULTAR. JÁ ESSAS PASTAS, PODE GUARDÁ-LAS NO ARQUIVO LÁ DA MINHA SALA.
- MARCOS, PRECISAMOS ANALISAR ALGUNS DOCUMENTOS SOBRE A ESCRAVIDÃO No BRASIL,
PARA TERMINARMOS AQUELE TRABALHO!
- VAMOS ENTÃO Ao ARQUIVO NACIONAL? LÁ, com CERTEZA, ENCONTRAREMOS MUITO MATERIAL
INTERESSANTE!
Você percebeu que a palavra arquivo foi empregada nessas situações com dois sentidos diferentes, não é
mesmo?
Na primeira situação, a doutora se referiu a arquivo como um móvel próprio, geralmente de aço ou madeira,
usado para guardar documentos. Mas no caso seguinte, Marcos usou a palavra arquivo para citar o Arquivo
Nacional, que é um órgão público encarregado de guardar e conservar a documentação produzida ou recebida
por instituições governamentais de âmbito federal.
E você, se lembrou de outros usos para a palavra arquivo? Veja se algum deles aparece aqui, pois a
palavra arquivo é utilizada em nosso dia-a-dia com diferentes sentidos, ainda que bastante relacionados entre
si.
Com qual desses sentidos vamos trabalhar no manual? Para começar, podemos analisar a origem da
palavra, que ainda não está esclarecida.
Há estudiosos que defendem a idéia de ela ter se originado do grego arché, que significa palácio dos
registrados, tendo evoluído mais tarde para o termo archeion, que é o local de guarda e depósito de
documentos. Outros, no entanto, dizem que a palavra é originária do latim archivum que significa, também no
conceito antigo, o lugar onde os documentos eram guardados.
Atualmente, adotamos um outro conceito para arquivo, como este do americano Solon Buck:
Arquivo
É O CONJUNTO DE DOCUMENTOS OFICIALMENTE PRODUZIDOS E RECEBIDOS POR UM
GOVERNO, ORGANIZAÇÃO OU FIRMA, NO DECORRER DE SUAS ATIVIDADES, ARQUIVADOS E
CONSERVADOS POR SI E SEUS SUCESSORES, PARA EFEITOS FUTUROS.
Podemos, então, a partir desse conceito, tirar algumas conclusões sobre a finalidade e as funções de um
arquivo.
A primeira finalidade de um arquivo e servir à administração de uma instituição qualquer que seja a sua
natureza. Depois que a atividade administrativa acaba, os arquivos começam a funcionar para a história e para
a cultura. Temos aí a outra finalidade, que surge em conseqüência da anterior: servir à história, como fonte de
pesquisa.
No entanto, qualquer que seja a finalidade de um arquivo, as suas funções básicas são as mesmas: guardar
e conservar os documentos, de modo a serem utilizados para atender a interesses pessoais ou oficiais.
CLASSIFICAÇÃO DOS ARQUIVOS
Provavelmente, vários tipos de arquivo já passaram pela sua cabeça até agora, não é?
O arquivo da escola onde estudou; aquele organizado pela família de um amigo; o que foi consultado para
fazer uma pesquisa; o que havia no setor de pessoal onde você trabalhou por algum tempo; ou, ainda, o
arquivo de discos que viu em uma gravadora.
E cada um desses arquivos apresentam características bem variadas. Daí serem classificados em quatro
grupos, de acordo com:
- a natureza da entidade que os criou;
- os estágios de sua evolução;
- a extensão da sua atenção;
- a natureza dos seus documentos.
Vamos analisar cada um desses grupos em separado.
De acordo com a entidade criadora
Considerando a natureza da entidade que criou o arquivo, ele se classifica em:
PÚBLICO - arquivo de instituições governamentais de âmbito federal (central ou regional) ou estadual ou
municipal.
Exemplos: o arquivo de uma secretaria estadual de saúde ou da prefeitura de um município.
INSTITUCIONAL - está relacionado, por exemplo, às instituições educacionais, igrejas, corporações
não-lucrativas, sociedades e associações.
Exemplos: o arquivo de um centro de educação experimental ou de um sindicato.
COMERCIAL- arquivo de firmas, corporações e companhias.
Exemplos: o arquivo de uma loja, de um escritório de engenharia ou de um banco.
FAMILIAR OU PESSOAL- diz respeito ao arquivo organizado por grupos familiares ou por pessoas,
individualmente.
Exemplo: o arquivo preparado por uma dona de casa, contendo certidões de nascimento e casamento;
declarações de imposto de renda; documentos relativos a transações de compra e venda de imóveis; recibos
de pagamentos efetuados a terceiros; fotos e cartas.
De acordo com o estágio de evolução
Quando levamos em conta o tempo de existência de um arquivo, ele pode pertencer a um destes três
estágios:
ARQUIVO DE PIUMEIRA IDADE OU CORRENTE - guarda a documentação mais atual e freqüentemente
consultada. Pode ser mantido em local de fácil acesso para facilitar a consulta. Somente os funcionários da
instituição têm competência sobre o seu trato, classificação e utilização. O arquivo corrente é também
conhecido como arquivo de movimento.
Exemplo: o arquivo do setor de almoxarifado de uma empresa de exportação, contendo as requisições de
material do ano em curso.
ARQUIVO DE SEGUNDA IDADE OU INTERMEDIÁRIO - inclui documentos que vieram do arquivo
corrente, porque deixaram de ser usados com freqüência. Mas eles ainda podem ser consultados pelos órgãos
que os produziram e os receberam, se surgir uma situação idêntica àquela que os gerou. Não há necessidade
de esses documentos serem conservados nas proximidades das repartições ou escritórios, e a sua
permanência no arquivo é transitória, uma vez que estão apenas aguardando para serem eliminados ou
remetidos ao arquivo permanente.
Exemplo: o arquivo dos dez últimos anos da documentação de pessoal de uma empresa.
ARQUIVO DE TERCEIRA IDADE OU PERMANENTE - nele se encontram os documentos que perderam o
valor administrativo e cujo uso deixou de ser freqüente, é esporádico. Eles são conservados somente por
causa de seu valor histórico, informativo para comprovar algo para fins de pesquisa em geral, permitindo que
se conheça como os fatos evoluíram. Esse tipo de arquivo é o que denominamos arquivo propriamente dito.
Exemplo: o arquivo de uma secretaria de estado com os planos de governo do início do século.
De acordo com a extensão da atenção
Os arquivos se dividem em:
ARQUIVO SETORIAL -estabelecido junto aos órgãos operacionais, cumprindo as funções de um arquivo
corrente.
Exemplo: o arquivo da contabilidade de uma empresa comercial.
ARQUIVO CENTRAL OU GERAL - destina-se a receber os documentos correntes provenientes dos
diversos órgãos que integram a estrutura de uma instituição. Nesse caso, portanto, as atividades de arquivo
corrente são centralizadas.
Exemplo: o arquivo único das diversas faculdades de uma universidade.
De acordo com a natureza de seus documentos
Dependendo das características dos documentos que compõem o arquivo, ele se classifica em:
ARQUIVO ESPECIAL - guarda documentos de variadas formas físicas como discos, fitas, disquetes,
fotografias, microformas (fichas microfilmadas), slides, filmes, entre outros. Eles merecem tratamento
adequado não apenas quanto ao armazenamento das peças, mas também quanto ao registro,
acondicionamento, controle e conservação.
Exemplo: o arquivo de microfilmes de uma instituição financeira ou os disquetes de uma firma de advoc acia.
ARQUIVO ESPECIALIZADO - tem sob sua guarda os documentos de um determinado assunto, de um
campo específico, como o hospitalar, o da medicina, engenharia, imprensa, entre outros. São chamados,
inadequadamente, de arquivos técnicos.
Exemplo: o arquivo de peças como ossos, dentes e fetos de uma escola de enfermagem.
Você percebeu, pelos exemplos apresentados, que um mesmo arquivo pode pertencer a mais de um
grupo? Veja!
. O arquivo de uma secretaria estadual de saúde foi exemplificado como um arquivo público, de âmbito
estadual porque estávamos considerando o tipo de instituição que o criou: um órgão do governo do estado.
Mas ele também pode ser classificado como um arquivo de primeira idade ou corrente, caso seus documentos
sejam utilizados com freqüência pelos funcionários. Pode ser ainda um arquivo central, que serve a todos os
setores daquela secretaria.
Vamos continuar o estudo? já falamos bastante sobre os diferentes tipos de arquivos e demos algunsexemplos de documentos que compõem os arquivos. Mas o que caracteriza, exatamente, o documento de um
arquivo?
CLASSIFICAÇÃO DOS DOCUMENTOS
Pense novamente sobre os vários tipos de arquivo aqui apresentados e faça uma lista de alguns
documentos que possam estar sob sua guarda.
Você, com certeza, se lembrou de diferentes documentos, já que eles são bem variados. Só para
exemplificar, apresentamos alguns para você conferir com os seus e complementar a sua lista:
- cadastros de funcionários, de escolas, de clientes, de vendedores;
- histórico escolar de alunos, avaliação de desempenho de funcionários;
- discos, fitas, disquetes, fotos, gravuras, filmes, microfilmes, jornais, revistas, mapas, quadros;
- notas fiscais, faturas, duplicatas, promissórias;
- relatórios variados, atas de reuniões, ofícios, cartas, memorandos;
- fichas, tabelas e formulários de qualquer natureza;
- certidões de um modo geral.
A partir desses exemplos e de outros escritos em sua lista, o que você conclui a respeito do que seja um
documento de arquivo? Pense e depois veja se também chegou a esta conclusão:
Documento
É TODO MATERIAL RECEBIDO OU PRODUZIDO POR UM GOVERNO, ORGANIZAÇÃO OU FIRMA, NO
DECORRER DE SUAS ATIVIDADES, E QUE SE CONSTITUI ELEMENTO DE PROVA OU DE INFORMAÇÃO.
ELE É ARQUIVADO E CONSERVADO POR ESSAS INSTITUIÇÕES E SEUS SUCESSORES, PARA
EFEITOS FUTUROS. UM DOCUMENTO DE ARQUIVO TAMBÉM PODE SER AQUELE PRODUZIDO OU
RECEBIDO POR PESSOA FÍSICA, NO DECURSO DE SUA EXISTÊ NCIA.
Os documentos de um arquivo apresentam características, conteúdo e formas diferentes. Daí eles serem
classificados em dois grupos:
Quanto ao gênero
Considerando o aspecto externo, se em texto, audiovisual, sonoro, isto é, o gênero dos documentos de um
arquivo, eles podem ser bem variados, como você vê nestas figuras.
É importante destacar que a documentação escrita ou textual se apresenta de inúmeros tipos físicos ou
espécies documentais. Alguns deles já foram até lembrados aqui, em exemplos anteriores: contratos, folhas de
pagamento, livros contábeis, requisições diversas, atas, relatórios, regimentos, regulamentos, editais,
certidões, tabelas, questionários e correspondências.
Quanto à natureza do assunto
Quando levamos em conta a natureza do assunto tratado em um documento, ele pode ser:
OSTENSIVO - cuja divulgação não prejudica a administração. Exemplos: notas fiscais de uma loja; escala
de plantão de uma imobiliária.
SIGILOSO - de conhecimento restrito e que, por isso, requer medidas especiais de salvaguarda para sua
divulgação e custódia. Os documentos sigilosos ainda se subdividem em outras quatro categorias, tendo em
vista o grau necessário de sigilo e até onde eles podem circular.
Ultra-secreto - seu assunto requer excepcional grau de segurança que deve ser apenas do conhecimento
de pessoas intimamente ligadas ao seu estudo ou manuseio.
Exemplos: documentos relacionados à política governamental de alto nível e segredos de Estado
(descobertas e experiências de grande valor científico; negociações para alianças militares e políticas; planos
de guerra; informações sobre política estrangeira de alto nível).
Secreto - seu assunto exige alto grau de segurança, mas pode ser cio conhecimento de pessoas
funcionalmente autorizadas para tal, ainda que não estejam intimamente ligadas ao seu estudo ou manuseio.
Exemplos: planos, programas e medidas governamentais; assuntos extraídos de matéria ultra-secreta que,
sem comprometer o excepcional grau de sigilo da matéria original, necessitam de maior difusão (planos ou
detalhes de operações militares); planos ou detalhes de operações econômicas ou financeiras; projetos de
aperfeiçoamento em técnicas ou materiais já existentes; dados de elevado interesse sob aspectos físicos,
políticos, econômicos, psicossociais e militares de países estrangeiros, e também, os meios e processos pelos
quais foram obtidos; materiais criptográficos (escritos em cifras ou códigos) importantes e sem classificação
anterior.
Confidencial - seu assunto, embora não requeira alto grau de segurança, só deve ser do conhecimento de
pessoas autorizadas, para não prejudicar um indivíduo ou criar embaraços administrativos.
Exemplos: informações relativas a pessoal, finanças e material de uma entidade ou um indivíduo, cujo sigilo
deve ser mantido por interesse das partes; rádio-freqüência de importância especial ou aquelas que são
usualmente trocadas; cartas, fotografias aéreas e negativos que indiquem instalações importantes para a
segurança nacional.
Reservado - seu assunto não deve ser do conhecimento do público, em geral.
Exemplos: partes de planos, programas, projetos e suas respectivas ordens e execução; cartas, fotografias
aéreas e negativos que indiquem instalações importantes.
ORGANIZAÇÃO
A organização de arquivos, como de qualquer outro setor de uma instituição, pressupõe o desenvolvimento
de várias etapas de trabalho, Estas fases se constituiriam em:
- levantamento de dados;
- análise dos dados coletados;
- planejamento;
- implantação e acompanhamento.
Levantamento de dados
Se arquivo é o conjunto de documentos recebidos e produzidos por uma entidade, seja ela pública ou
privada, no decorrer de suas atividades, claro está que, sem o conhecimento dessa entidade - sua estrutura e
alterações, seus objetivos e funcionamento seria bastante difícil compreender e avaliar o verdadeiro significado
de sua documentação.
O levantamento deve ter início pelo exame dos estatutos, regimentos, regulamentos, normas,
organogramas e demais documentos constitutivos da instituição mantenedora do arquivo e ser complementado
pela coleta de informações sobre a sua documentação.
Assim sendo, é preciso analisar o gênero dos documentos (escritos ou textuais, audiovisuais, cartográficos,
iconográficos, informáticos etc.); as espécies de documentos mais freqüentes (cartas, faturas, relatórios,
projetos, questionários etc.); os modelos e formulários em uso; volume e estado de conservação do acervo;
arranjo e classificação dos documentos (métodos de arquivamento adotados); existência de registros e
protocolos (em fichas, em livro); média de arquivamentos diários; controle de empréstimo de documentos;
processes adotados para conservação e reprodução de documentos; existência de normas de arquivo,
manuais, códigos de classificação etc.
Além dessas informações, o arquivista deve acrescentar dados e referências sobre o pessoal encarregado
do arquivo (número de pessoas, nível de escolaridade, formação profissional); o equipamento (quantidade,
modelos, estado de conservação); a localização física (extensão da Área ocupada, condições de iluminação,
umidade, estado de conservação das instalações, proteção contra incêndio).
Análise dos dados coletados
De posse de todos os dados mencionados no item anterior, o especialista estará habilitado a analisar
objetivamente a real situação dos serviços de arquivo, e fazer seu diagnóstico para formular e propor as
alterações e medidas mais indicadas, em cada caso, a serem adotadas no sistema a ser implantado.
Em síntese, trata-se de verificar se estrutura, atividades e documentação de uma instituição correspondem
A sua realidade operacional. O diagnóstico seria, portanto, uma constatação dos pontos de atrito, de falhas ou
lacunas existentes no complexo administrativo, enfim, das razoes que impedem o funcionamento eficiente do
arquivo.
Planejamento
Para que um arquivo, em todos os estágios de sua evolução (corrente, intermediário e permanente) possa
cumprir seus objetivos, torna-se indispensável a formulação de um plano arquivístico que tenha em conta tanto
as disposições legais como as necessidades da instituição a que pretende servir.
Para a elaboração desse plano devem ser considerados os seguintes elementos: posição do arquivo na
estrutura da instituição; centralização ou descentralização e coordenação dos serviços de arquivo; escolha de
métodos de arquivamento adequados; estabelecimento de normas de funcionamento; recursos humanos;
escolha das instalações e do equipamento; constituiçãode arquivos intermediário e permanente; recursos
financeiros.
Posição do arquivo na estrutura da instituição
Embora não se possa determinar, de forma generalizada, qual a melhor posição do órgão de arquivo na
estrutura de uma instituição, recomenda-se que esta seja a mais elevada possível, isto é, que o arquivo seja
subordinado a um órgão hierarquicamente superior, tendo em vista que irá atender a setores e funcionários de
diferentes níveis de autoridade. A adoção desse critério evitará sérios problemas na Área das relações
humanas e das comunicações administrativas.
Se a instituição já contar com um órgão de documentação, este será, em principio, o órgão mais adequado
para acolher o arquivo, uma vez que a tendência moderna é reunir todos os órgãos que tenham como matéria-
prima a informação.
Ao usuário não interessa onde se encontra armazenada a informação - numa biblioteca, numa memória de
computador, num microfilme, ou num arquivo tradicional. Daí a importância da constituição de sistemas de
informação, dos quais o arquivo deve participar, dotados de recursos técnicos e materiais adequados para
atender à acelerada demanda de nossos tempos.
Centralização ou descentralização e coordenação dos serviços de arquivo
Ao se elaborar um plano de arquivo, um aspecto importante a ser definido diz respeito à centralização ou
descentralização dos serviços de arquivo.
Centralização
Por sistema centralizado de arquivos correntes entende-se não apenas a reunião da documentação em um
único local, como também a concentração de todas as atividades de controle - recebimento, registro,
distribuição, movimentação e expedição - de documentos de uso corrente em um único órgão da estrutura
organizacional, freqüentemente designado de Protocolo e Arquivo, Comunicações e Arquivo, ou outra
denominado similar.
Dentre as inúmeras e inegáveis vantagens que um sistema centralizado oferece, citam-se: treinamento mais
eficiente do pessoal de arquivo; maiores possibilidades de padronização de normas e procedimentos; nítida
delimitação de responsabilidades; constituição de conjuntos arquivísticos mais completes; redução dos custos
operacionais; economia de espaço e equipamentos.
A despeito dessas vantagens, não se pode ignorar que uma centralização rígida seria desaconselhável e
até mesmo desastrosa como no caso de uma instituição de âmbito nacional, em que algumas de suas
unidades administrativas desenvolvem atividades praticamente autônomas ou específicas, ou ainda que tais
unidades estejam localizadas fisicamente distantes uma das outras, As vezes em Áreas geográficas diferentes
- agências, filiais, delegacias -carecendo, portanto, de arquivos próximos para que possam se desincumbir,
com eficiência, de seus programas de trabalho.
Descentralização
Recomenda-se prudência ao aplicar esse sistema. Se a centralização rígida pode ser desastrosa, a
descentralização excessiva surtirá efeitos iguais ou ainda piores. .
O bom senso indica que a descentralização deve ser estabelecida levando-se em consideração as grandes
áreas de atividades de uma instituição.
Suponha-se uma empresa estruturada em departamentos Como Produção, Comercialização e Transportes,
Além dos órgãos de atividades-meio ou administrativos, e que cada um desses departamentos se desãobre em
divisões e/ou seções. Uma vez constatada a necessidade da descentralização para facilitar o fluxo de
informações, esta deverá ser aplicada a nível de Departamento, isto é, deverá ser mantido um arquivo junto a
cada Departamento, onde estarão reunidos todos os documentos de sua área de atuação, incluindo os
produzidos e recebidos pelas divisões e seções que o compõem.. Para completar o sistema deverá ser
mantido também um arquivo para a documentação dos órgãos administrativos.
A descentralização dos arquivos correntes obedece basicamente a dois critérios:
- centralização das atividades de controle (protocolo) e descentralização dos arquivos;
- descentralização das atividades de controle (protocolo) e dos arquivos.
Quando se fala em atividades de controle está-se referindo Aquelas exercidas em geral pelos órgãos.- de
comunicações, isto é: recebimento, registro, classificação, distribuição, movimentação e expedição dos
documentos correntes.
a) Centralização das atividades de controle (protocolo) descentralização dos arquivos
Neste sistema, todo o controle da documentação é feito pelo órgão central de comunicações, e os arquivos
são localizados junto aos órgãos responsáveis pela execução de programas especiais ou funções específicas,
ou ainda junto As unidades administrativas localizadas em áreas fisicamente distantes dos órgãos a que estão
subordinadas.
Quando o volume de documentos é reduzido, cada órgão deverá designar um de seus funcionários para
responder pelo arquivo entregue A sua guarda, e por todas as operações de arquivamento decorrentes, tais
Como abertura de dossiês, controle de empréstimo, preparo para transferência etc.
Se a massa documental for muito grande, é aconselhável que o órgão central de comunicações designe um
ou mais arquivistas ou técnicos de arquivo de seu próprio quadro de pessoal para responder pelos arquivos
nos órgãos em que forem localizados.
A esses arquivos descentralizados denomina-se núcleos de arquivo ou arquivos setoriais.
b) Descentralização das atividades de controle (protocolo) e dos arquivos
Este sistema só deverá ser adotado quando puder substituir com vantagens relevantes os sistemas
centralizados tradicionais ou os parcialmente descentralizados.
O sistema consiste em descentralizar não somente os arquivos, Como as demais atividades de controle já
mencionadas anteriormente, isto é, os arquivos setoriais encarregar-se-ão, além do arquivamento propriamente
dito, do registro, classificação, tramitação dos documentos etc.
Neste caso, o órgão de comunicações, que também deve integrar o sistema, funciona Como agente de
recepção e de expedição, mas apenas no que se refere A coleta e A distribuição da correspondência externa.
Não raro, além dessas tarefas, passa a constituir-se em arquivo setorial da documentação administrativo da
instituição.
A opção pela centralização ou descentralização não deve ser estabelecida ao sabor de caprichos
individuais, mas fundamentada em rigorosos critérios técnicos, perfeito conhecimento da estrutura da
instituição A qual o arquivo irá servir, suas atividades, seus tipos e volume de documentos, a localização física
de suas unidades administrativas, suas disponibilidades em recursos humanos e financeiros, enfim, devem ser
analisados todos os fatores que possibilitem a definição da melhor política a ser adotada.
Coordenação
Para que os sistemas descentralizados atinjam seus objetivos com rapidez, segurança e eficiência é
imprescindível a criação de uma COORDENAÇÃO CENTRAL, tecnicamente planejada, que exercerá funções
normativas, orientadoras e controladoras.
A Coordenação terá por atribuições: prestar assistência técnica aos arquivos setoriais; estabelecer e fazei
cumprir normas gerais de trabalho, de forma a manter a unidade de operação e eficiência do serviço dos
arquivos setoriais; determinar normas específicas de operação, a fim de atender As peculiaridades de cada
arquivo setorial; promover a organização ou reorganização dos arquivos setoriais, quando necessário; treinar e
orientar pessoal destinado aos arquivos setoriais, tendo em vista a eficiência e a unidade de execução de
serviço; promover reuniões periódicas com os encarregados dos arquivos setoriais para exame, debate e
instruções sobre assunto de interesse do sistema de arquivos.
Esta Coordenação poderá constituir-se em um órgão da administração ou ser exercida pelo arquivo
permanente da entidade, pois toda instituição, seja qual for o sistema adotado para os seus arquivos
correntes,. deverá contar sempre com um arquivo permanente, centralizado, também chamado arquivo de
terceira idade.
Assim, tendo em vista que o acervo dos arquivos permanentes é constituído de documentos transferidos
dos arquivos correntes (sejam eles setoriaisou centrais), justifica-se perfeitamente que a COORDENAÇÃO DO
SISTEMA seja uma de suas principais atribuições, a fim de que os documentos ao Ihe serem entregues para
guarda permanente estejam ordenados e preservados dentro dos padrões técnicos de unidade e uniformidade
exigidos pela Arquivologia.
Escolha de métodos de arquivamento
A importância das etapas de levantamento e análise se faz sentir de modo marcante no momento em que o
especialista escolhe os métodos de arquivamento a serem adotados no arranjo da doc umentação corrente.
Na verdade, dificilmente se emprega um único método, pois há documentos que devem ser ordenados ora
pelo assunto, nome, local, data e número.
Entretanto, com base na análise cuidadosa das atividades da instituição, aliada à observação de como os
documentos são solicitados ao arquivo, é possível definir-se qual o método principal a ser adotado e quais os
seus auxiliares. Exemplificando:
PATRIMÔNIO
Brasília
Rio de Janeiro
São Paulo
PESSOAL
ADMISSÃO
Aguiar, Celso
Bareta, Haydde
Borges, Francisco
Cardoso, Jurandir
Castro, Lúcia
Paes, Oswaldo
Paiva, Ernesto
Séllos, Zilda
Silva, Ana Maria
DEMISSÃO
FOLHAS DE PAGAMENTO
jan. a jul. de 1980
aço. a dez. de 1980
jan. a jul. de 1981
PROMOÇÃO
Supondo-se que esse esquema tenha sido elaborado observando-se as considerações assinaladas
anteriormente, verifica-se que o arranjo principal é por assunto. No assunto Patrimônio encontra-se um arranjo
secundário, por localidade (geográfico). Já no assunto Admissão tem-se um arranjo secundário, em ordem
alfabética, pelo nome dos funcionários. Em Folhas de Pagamento encontra-se um arranjo secundário, em
ordem cronológica.
Como se vê, o método principal escolhido foi o de assuntos, coadjuvado pelos métodos geográfico,
alfabético e numérico cronológico, como auxiliares.
Outras modalidades de arranjo podem ainda ocorrer.
Para melhor atender aos usuários de um banco de investimentos, por exemplo, a documentação pode ser
separada em dois grandes grupos: o de projetos de financiamento - ordenados e arquivados pelo número de
controle que Ihe é atribuído ao dar entrada e que, daí por diante, irá Ihe servir de referência - e o grupo
constituído de todo o restante da documentação, ordenada por assuntos.
Estabelecimento de normas de funcionamento
Para que os trabalhos não sofram solução de continuidade e mantenham uniformidade de ação é
imprescindível que sejam estabelecidas normas básicas de funcionamento não só do arquivo em seus diversos
estágios de evolução, como também do protocolo, uma vez que esse serviço é, na maioria das vezes,
desenvolvido paralelamente aos trabalhos de arquivo.
Tais normas, depois de aplicadas e aprovadas na fase de implantação irão juntamente com modelos e
formulários, rotinas, códigos de assunto e índices, integrar o Manual de Arquivo da instituição.
Recursos humanos
Formação e regulamentação profissional
O arquivo possui, atualmente, importância capital em todos os ramos da atividade humana. No entanto,
ainda é bastante comum a falta de conhecimentos técnicos por parte das pessoas encarregadas dos serviços
de arquivamento, falta essa que ire influir, naturalmente, na vida da organização.
Teoricamente, o arquivamento de papéis é um serviço simples. Na prática, no entanto, essa simplicidade
desaparece diante do volume de documentos e da diversidade de assuntos, surgindo dificuldades na
classificação dos papéis.
Uma das vantagens da técnica de arquivo é a de capacitar os responsáveis pelo arquivamento para um
perfeito . trabalho de seleção de documentos que fazem parte de um acervo, ou seja, separação dos papéis
que possuem valor futuro, contendo informações valiosas, dos documentos inúteis.
Um serviço de arquivo bem organizado possui valor inestimável. E a memória viva da instituição, fonte e
base de informações; aproveita experiências anteriores, o que evita a repetição, simplifica e racionaliza o
trabalho.
Para que se atinjam esses objetivos, toma-se necessária a preparação de pessoal especializado nas
técnicas de arquivo.
"Em questão de arquivo, a experiência não substitui a instrução, pois 10 anos de prática podem significar 10
anos de arquivamento errado e inútil' afirma a Prof.a Ignez B. C. D'Arafijo.
Até recentemente a formação profissional dos arquivistas vinha sendo feita através de cursos especiais,
ministrados pelo Arquivo Nacional, Fundação Getúlio Vargas e outras instituições.
O valor e a importância dos arquivos oficiais e empresariais, para a administração e para o conhecimento
de nossa História, passou a ser também objeto de interesse do Governo federal. Assim é que, a é de março de
1972, o Conselho Federal de Educação aprovou a criação do curso superior de arquivos, e a 7 do mesmo mês
aprovou o currículo do curso de arquivística como habilitação profissional no ensino de segundo grau. Em
agosto de 1974, foi instituído o Curso Superior de Arquivologia, com duração de três anos e, em 4 de julho de
1978, foi sancionada a Lei nº 6.546, regulamentada pelo Decreto nº 82.590, de é de novembro do mesmo ano,
que dispõe sobre a regulamentação das profissões de arquivista e técnico de arquivo.
Atributos
Para o bom desempenho das funções dos profissionais de arquivo, são necessárias, além de um perfeito
conhecimento da organização da instituição em que se trabalha e dos sistemas de arquivamento, as seguintes
características: saúde, habilidade em lidar com o público, espírito metódico, discernimento, paciência,
imaginação, atenção, poder de análise e de crítica, poder de síntese, discrição, honestidade, espírito de equipe
e entusiasmo pelo trabalho.
Escolha das instalações e equipamentos
De igual importância para o bom desempenho das atividades de arquivo é a escolha do local adequado,
quer pelas condições físicas que apresente - iluminação, limpeza, índices de umidade, temperatura, quer pela
extensão de sua área, capaz de conter o acervo e permitir ampliações futuras.
Michel Duchein, especialista em instalações de arquivos e inspetor-geral dos Arquivos da Franga, tem
vários livros e artigos publicados sobre a matéria, os quais devem ser consultados por tantos quantos se
defrontam com problemas de construção ou adaptação de locais destinados A guarda de documentos. A lista
dessas publicações encontra-se na bibliografia ao final deste volume.
Da mesma forma, a escolha apropriada do equipamento deverá merecer a atenção daqueles que estão
envolvidos com a organização dos arquivos.
Considera-se equipamento, o conjunto de materiais de consumo e permanente indispensáveis A realização
do trabalho arquivístico.
Material de consumo
Material de consumo é aquele que sofre desgaste a curto ou médio prazos. São as fichas, as guias, as
pastas, as tiras de inserção e outros.
Ficha - é um retângulo de cartolina, grande ou pequeno, liso ou pautado, onde se registra uma informação.
As dimensões variam de acordo com as necessidades, podendo ser branca ou de cor.
Guia divisória - é um retângulo de cartão resistente que serve para separar as partes ou seções dos
arquivos ou fichários, reunindo em grupos as respectivas fichas ou pastas. Sua finalidade é facilitar a busca
dos documentos e o seu rearquivamento.
No estudo das guias divisórias distinguem-se diversos elementos relacionados com a sua finalidade e
funções, conforme veremos em seguida.
Projeção - é a saliência na parte superior da guia. Pode ser recortada no próprio cartão, ou nele ser
aplicada, sendo então de celulóide ou de metal.
A abertura na projeção que recebe a tira de inserção chama-se janela.
Pé - é a saliência, na parte inferior da guia, onde há um orifício chamado ilha. Por este orifício passa uma
vareta que prende as guias à gaveta.
Notação - é a inscrição feita na projeção, podendo ser alfabética, numérica ou alfanumérica.
A notação pode ser ainda aberta ou fechada. aberta quando indica somente o início da seção, e fechada
quando indica o princípio e o fim.
Posição - é o local que a projeção ocupa ao longo da guia. O comprimento pode corresponder à metade da
guia, a umterço, um quarto ou um quinto. Daí a denominação de: primeira posição, segunda posição, terceira
posição, quarta posição, quinta posição.
Quanto à sua função, a guia pode ser ainda:
- primária - indica a primeira divisão de uma gaveta ou seção de um arquivo;
- secundária - indica uma subdivisão da primária;
- subsidiária - indica uma subdivisão da secundária;
- especial - indica a localização de um nome ou assunto de grande freqüência.
O que indica se uma guia é primária, secundária, subsidiaria ou especial é a notação e não a projeção. O
ideal seria que as guias primárias estivessem sempre em primeira posição, as secundárias em segunda
posição e assim por diante.
Guia-fora - é a que tem como notação a palavra FORA e indica a ausência de uma pasta do arquivo.
Tira de inserção - é uma tira de papel gomado ou de cartolina, picotada, onde se escrevem as notações.
Tais tiras são inseridas nas projeções das pastas ou guias.
Pasta - é uma folha de papelão resistente, ou cartolina, dobrada ao meio, que serve para guardar e proteger
os documentos. Pode ser suspensa, de corte reto, isto é, lisa, ou ter projeção. Elas se dividem em:
- individual ou pessoal - onde se guardam' documentos referentes a um assunto ou pessoa em ordem
cronológica;
- miscelânea - onde se guardam documentos referentes a diversos assuntos ou diversas pessoas em ordem
alfabética e dentro de cada grupo, pela ordenação cronológica.
Material permanente
O material permanente é aquele que tem grande duração e pode ser utilizado várias vezes para o mesmo
fim. Na sua escolha, além do tipo e do tamanho dos documentos, deve-se levar em conta os seguintes
requisites:
- economia de espaço (aproveitamento máximo do móvel e mínimo de dependências);
- conveniência do serviço (arrumação racional);
- capacidade de expansão (previsão de atendimento a novas necessidades);
- invulnerabilidade (segurança);
- distinção (condições estáticas);
- resistência (conservação).
Recomenda-se, ainda, que a escolha do equipamento seja precedida de pesquisa junto As firmas
especializadas, uma vez que constantemente são lançadas no mercado novas linhas de fabricação. As mais
tradicionais são os arquivos, fichários, caixas de transferência, boxes, armários de aço etc. As mais recentes
são os arquivos e fichários rotativos eletromecânicos e eletrônicos, bem como as estantes deslizantes.
Armário de aço - é um móvel fechado, usado para guardar documentos sigilosos, ou volumes
encadernados.
Arquivo - móvel de aço ou de madeira, com duas, três, quatro ou mais gavetas ou gabinetes de diversas
dimensões, onde são guardados os documentos.
Arquivo de fole - é um arquivo de transição entre o arquivo vertical e o horizontal. Os documentos eram
guardados horizontalmente, em pastas com subdivisões, e carregados verticalmente.
Arquivos horizontais antigos
- pombal (em forma de escaninhos);
- sargento (tubos metálicos usados pelo exército em campanha).
Box - pequeno fichário que se coloca nas mesas. É usado para lembretes.
Caixa de transferencia - caixa de aço ou papelão, usada especialmente nos arquivos permanentes.
Estante - móvel aberto, com prateleiras, utilizado nos arquivos permanentes, onde são colocadas as caixas
de transferência. Modernamente, é utilizada para arquivos correntes, empregando-se pastas suspensas
laterais.
Fichário - É um móvel de aço próprio para fichas, com uma, duas, três ou quatro gavetas, ou conjugado
com gavetas para fichas e documentos.
Fichário horizontal - aquele em que as fichas são guardadas em posição horizontal, umas sobre as outras -
modelo KARDEX. As fichas são fixadas por meio de bastões metálicos presos às gavetas. Dessa disposição
das hastes resulta que a primeira ficha presa, a partir do fundo, ficará inteiramente visível, deixando que da
imediatamente inferior apareça uma faixa correspondente à dimensão da barra, e assim sucessivamente,
lembrando o aspecto de uma esteira - "arquivo-esteirinha". As faixas que aparecem funcionam como
verdadeiras projeções, nas quais são feitas as notações.
Fichário vertical - aquele em que as fichas são guardadas em posição vertical, umas atrás das outras,
geralmente separadas por guias. É o modelo mais usado por ser mais econômico. As gavetas ou bandejas
comportam grande número de fichas.
Suporte - armação de metal que se coloca dentro das gavetas dos arquivos, servindo de ponto de apoio
para as pastas suspensas.
Constituição de arquivos intermediários e permanentes
Toda organização, seja ela pública ou privada, de pequeno, médio ou grande porte, acumula através dos
tempos um acervo documental que, mesmo depois de passar por fases de análise, avaliação e seleção
rigorosas, deve ser preservado, seja para fins administrativos e fiscais, seja por exigências legais, ou ainda por
questões meramente históricas.
Nenhum plano de arquivo estaria completo se não previsse a constituição do arquivo permanente, para
onde devem ser recolhidos todos aqueles documentos considerados vitais.
Quanto aos arquivos ou depósitos intermediários, estes só deverão ser criados se ficar evidenciada a sua
real necessidade.
Em geral, existem em âmbito governamental, em face do grande volume de documentação oficial e de sua
descentralização física.
As entidades e empresas de caráter privado dificilmente necessitam desse organismo, salvo no caso de
instituições de grande porte, com filiais, escritórios, representações ou similares, disperses geograficamente e
detentores de grande volume de documentação.
Recursos financeiros
Outro aspecto fundamental a ser considerado diz respeito aos recursos disponíveis não apenas para
instalação dos arquivos, mas, sobretudo, para sua manutenção.
Nem sempre os responsáveis pelos serviços públicos ou dirigentes de empresas compreendem a
importância dos arquivos e admitem as despesas, algumas vezes elevadas, concernentes a tais serviços.
Toma-se necessária, então, uma campanha de esclarecimento no sentido de sensibilizá-los.
Considerados todos os elementos descritos, o especialista estará em condições de elaborar o projeto de
organização, a ser dividido em três partes. A primeira constara de uma síntese da situação real encontrada. A
segunda, de análise e diagnóstico da situação. A terceira será o plano propriamente dito, contendo as
prescrições, recomendações e procedimentos a serem adotados, estabelecendo-se, inclusive, as prioridades
para a implantação.
Implantação e acompanhamento. Manuais de arquivo
Recomenda-se que a fase de implantação seja precedida de uma campanha de sensibilização que atinja a
todos os níveis hierárquicos envolvidos.
Esta campanha, feita por meio de palestras e reuniões, objetiva informar as alterações a serem introduzidas
nas rotinas de serviço e solicitar a cooperação de todos, numa tentativa de neutralizar as resistências naturais
que sempre ocorrem ao se tentar modificar o status que administrativo de uma organização.
Paralelamente à campanha de sensibilização deve-se promover o treinamento não só do pessoal
diretamente envolvido na execução das tarefas e funções previstas no projeto de arquivo, como daqueles que
se utilizarão dos serviços de arquivo, ou de cuja atuação dependerá, em grande parte, o êxito desses serviços.
A implantação das normas elaboradas na etapa anterior exigirá do responsável pelo projeto um
acompanhamento constante e atento, a fim de corrigir e adaptar quaisquer impropriedades, falhas ou omissões
que venham a ocorrer.
Somente depois de implantar e testar os procedimentos - verificar se as normas, rotinas, modelos e
formulários atendem as necessidades - é que deverá ser elaborado o manual de arquivo, instrumento que
coroa todo o trabalho de organização. Nele ficam registrados os procedimentos e instruções que irão garantir o
funcionamento eficiente e uniforme do arquivo e a continuidade do trabalho através dos tempos.
Seria impossível estabelecer padrões rígidos para a elaboração dos manuais, uma vez que estes devem
refletir as peculiaridades das instituições a que se referem. Entretanto, a experiência nos permiteindicar, em
linhas gerais, os elementos que devem constituir os manuais de arquivo. São eles:
- apresentação, objetivos e abrangência do manual;
- informações sobre os arquivos da instituição, suas finalidades e responsabilidades; sua interação e
subordinação;
- organogramas e fluxogramas;
- concertos gerais de arquivo, definição das operações de arquivamento; terminologia; - detalhamento das
rotinas, modelos de carimbos e formulários utilizados; plano de classificação de documentos com seus
respectivos códigos e índices; - tabelas de temporalidade de documentos, que, pela sua amplitude, podem ser
apresentadas em separado.
Por ser o arquivo uma atividade dinâmica, o manual devera ser periodicamente revisto e atualizado, a fim
de atender É alterações que surgirem como decorrência da evolução da própria instituição.
ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE ARQUIVOS CORRENTES
Os arquivos correntes são constituídos de documentos em curso ou freqüentemente consultados como
ponto de partida ou prosseguimento de planos, para fins de controle, para tomada de decisões das
administrações etc.
No cumprimento de suas funções, os arquivos correntes quase sempre respondem ainda pelas atividades
de recebimento, registro, distribuição, movimentação e expedição dos documentos correntes. Por isso,
freqüentemente encontra-se na estrutura organizacional das instituições a designação de órgãos de Protocolo
e Arquivo, Arquivo e Comunicação ou outra denominação similar.
Devido ao íntimo relacionamento dessas áreas de trabalho, pode-se distribuir em quatro setores distintos as
atividades dos arquivos correntes:
1. Protocolo, incluindo recebimento e classificação; registro e movimentação
2. Expedição
3. Arquivamento - o arquivo propriamente dito
4. Empréstimo e consulta
4.1 Protocolo
No que se refere às rotinas, poder-se-ia adotar as seguintes, com alterações indicadas para cada caso:
4.1.1 Recebimento e classificação
4.1.2 Registro e movimentação
Este setor funciona como um centro de distribuição e redistribuição de documentos.
ARQUIVO CORRENTE
E PROTOCOLO
Você já sabe que arquivo corrente é aquele formado por documentos de uso freqüente e que funciona na
própria empresa ou em locais de fácil acesso, próximos a ela. Mas como encaminhamos documentos para o
arquivo corrente? Como analisamos suas atividades? Para analisarmos suas atividades vamos trabalhar com
uma situação e mostrar o encaminhamento dado a alguns documentos em uma empresa.
FERNANDA É ENCARREGADA DE ANALISAR A DOCUMENTAÇÃO QUE A EMPRESA RECEBE E
DAR-LHE O DEVIDO ENCAMINHAMENTO. HOJE CHEGARAM ÀS SUAS MÃOS:
- UMA CARTA PARA UM EMPREGADO DA DIRETORIA FINANCEIRA, COM A ETIQUETA DE PESSOAL;
- VÁRIOS EXEMPLARES DE UM JORNAL DO SINDICATO DA CLASSE, PARA OS FUNCIONÁRIOS;
- DOIS ENVELOPES ENDEREÇADOS À ASSESSORIA JURíDICA E ENTREGUES POR UM
MENSAGEIRO DE OUTRA EMPRESA.
Agora pense: que tratamento você acha que Fernanda deve dar a cada um desses documentos?
Anote seu pensamento em uma folha de papel e, depois, compare-o com o que apresentamos.
Fernanda não vai abrir e nem registrar a carta porque contém a anotação pessoal, indicando tratar-se de
uma correspondência particular. A carta será encaminhada diretamente a quem se destina, na Diretoria
Financeira. Nesse caso, portanto, não há qualquer preocupação com o seu arquivamento.
Quanto aos jornais, Fernanda também não precisa registrã-los, porque não são documentos oficiais. Eles
devem ser distribuídos aos funcionários e, após serem lidos, podem ser jogados fora.
Já os envelopes entregues pelo mensageiro são correspondências oficiais. Eles precisam ser abertos, os
documentos registrados e encaminhados, no caso, à Assessoria jurídica, de acordo com os procedimentos
adotados pela administração.
Todo o andamento desses documentos dentro da empresa é controlado e, só após cumprirem suas
finalidades, é que são arquivados. Muitos deles até podem aguardar decisões e prazos já nos arquivos. E
dependendo das normas da empresa e da natureza dos documentos arquivados, eles podem ser emprestados
ou consultados no próprio local do arquivo.
Desde a chegada dos documentos à empresa já deve haver uma preocupação com o seu possível
arquivamento. O técnico de arquivo precisa estar atento a isso e determinar a classificação que cada
documento recebe no momento do seu registro, pois ela se repetirá mais tarde, quando for arquivado.
Portanto, num sistema de arquivos correntes, os serviços de recebimento, registro, controle de tramitação
(distribuição e movimentação) e expedição da correspondência, não podem ser desvinculados dos serviços de
arquivamento e empréstimo ou consulta de documentos.
As atividades de recebimento de documentos, registro, controle de tramitação e expedição de
correspondências constituem os serviços de protocolo. E as atividades de arquivamento e empréstimo de
documentos são os serviços de arquivo.
Então, não podemos separar os serviços de protocolo dos serviços de arquivo. Daí ser comum, na estrutura
organizacional das instituições, a existência de setores, normalmente denominados Arquivo e Protocolo, ou
Arquivo e Comunicação ou outro nome parecido, que respondem tanto pelo protocolo como pelo arquivamento.
Em relação aos serviços de arquivo e protocolo, é importante destacarmos que as rotinas e procedimentos
para sua execução devem ser criados pela própria instituição, obedecendo a um critério adequado às suas
características. Não podemos predeterminar e nem impor qualquer rotina ou procedimento a uma empresa,
mas apenas sugerir.
SERVIÇOS DE PROTOCOLO
Observe este ofício:
Para:Banco do Estado S.A.
Diretoria Financeira
Senhor Diretor,
Encaminhamos em anexo, para seu conhecimento e análise, cópia do Balanço Patrimonial de nossa
empresa...
Este ofício, ao ser recebido pelo banco, foi registrado de acordo com os procedimentos adotados na
empresa. Depois foi distribuído, sendo encaminhado ao Diretor Financeiro.
Na diretoria, a secretária recebeu o documento, registrou-o na entrada nos controles específicos do órgão e
encaminhou-o ao diretor. Esse, após conhecer o teor do ofício, despachou-o para um dos assessores,
solicitando-lhe análise e parecer.
Concluída a solicitação, o assessor retornou o documento com o parecer à sua chefia que, após analisar,
pediu algumas providências, dentre as quais a expedição de uma resposta à Andes Turismo S.A. Finalmente,
ele devolveu a documentação à sua secretária - ofício, despachos, parecer -, solicitando-lhe o arquivamento.
A secretária registrou a saída do documento em seus controles e depois encaminhou-o ao Setor de Arquivo
da empresa.
Veja que o ofício passou por vários setores dentro do Banco do Estado S.A., envolvendo tarefas que
constituem o serviço de protocolo de uma empresa: recebimento; registro; distribuição e movimentação;
expedição de correspondência.
PROTOCOLO
É A DENOMINAÇÃO ATRIBUÍDA AOS SETORES ENCARREGADOS DO RECEBIMENTO, REGISTRO,
DISTRIBUIÇÃO E MOVIMENTAÇÃO E EXPEDIÇÃO DE DOCUMENTOS. É TAMBÉM O NOME ATRIBUÍDO
AO NUMERO DE REGISTRO DADO AO DOCUMENTO OU, AINDA, AO LIVRO DE REGISTRO DE
DOCUMENTOS RECEBIDOS E EXPEDIDOS.
E como esses serviços de protocolo funcionam? Que procedimentos são adotados para que eles cumpram
suas finalidades com eficiência?
Rotinas de recebimento e classificação
Cada instituição precisa criar suas próprias rotinas de trabalho, tendo em vista suas particularidades. Mas,
de um modo geral, as rotinas de recebimento e classificação de documentos são:
- Recebimento da correspondência chegada à empresa pelo malote,
- Correios ou entregue em mãos.
- Separação da correspondência oficial da particular.
- Distribuição da correspondência particular.
- Separação da correspondência oficial de caráter ostensivo das de caráter sigiloso.
- Encaminhamento da correspondência sigilosa aos seus destinatários.
- Abertura da correspondência ostensiva.
- Leitura da correspondência para tomada de conhecimento do assunto, verificando a existência de
antecedentes.
- Requisição dos antecedentes ao arquivo. Se eles não estiverem lã,o setor encarregado de registro e
movimentação informará onde se encontram e os solicitará, para ser feita a juntada, isto é, agrupar, por
exemplo, dois ou mais documentos, ou processos.
- Interpretação da correspondência e sua classificação de acordo com o código adotado pela empresa e
definido pelo arquivista.
- Carimbo do documento no canto superior direito (de preferência com um carimbo numerador datador do
protocolo). Abaixo da data e do número, escrevemos para onde o documento será encaminhado (destino) e o
código atribuído a ele, quando foi classificado.
- Elaboração do resumo do assunto tratado no documento.
- Encaminhamento dos papéis ao setor responsável pelo registro e movimentação.
Rotinas de registro e movimentação
Esse serviço funciona como um centro de distribuição e redistribuição de documentos. Ali os documentos
chegam e são encaminhados aos setores, são devolvidos e reencaminhados aos outros setores ou ao arquivo.
Mesmo que algumas de suas rotinas possam variar de uma empresa para outra, de modo geral, elas
compreendem:
- Preparação da ficha de protocolo, em duas vias, que podem ser de diferentes modelos, dentre os quais
selecionamos três para seu conhecimento e verificação de como são preenchidas.
Observe que nos três modelos, há espaço para escrevermos o mesmo código ou número de classificação
colocado no documento, quando foi registrado no protocolo. E também há uma parte denominada dístribuíção,
andamento ou carga, onde anotamos cada etapa da tramitação do documento (desde o momento de sua saída
do setor de protocolo até o seu arquivamento).
Desse modo, quando desejamos saber algo sobre um documento, basta verificarmos seu andamento na
ficha de protocolo. Se, por exemplo, a destinação dele estiver para o arquivo, é possível sabermos sob que
notação ele está arquivado, que é a mesma atribuída ao documento.
- Acréscimo da segunda via da ficha de protocolo ao documento já carimbado e encaminhamento ao seu
destino. Se existirem antecedentes, eles e suas respectivas fichas, com registro e anotações, devem ser
anexados ao documento.
Quando o documento chegar ao seu destino, o responsável naquele setor precisa retirar a ficha de
protocolo, que só é anexada novamente ao documento quando ele seguir para outro setor. Essa passagem do
documento de um setor a outro, a redístribuição, deve ser feita através do setor responsável pelo registro e
movimentação.
- Registro dos dados constantes da ficha de protocolo para as fichas de procedência e de assunto,
rearquivando-as em seguida. Essas fichas são preenchidas não só para controlar a documentação que passa
pelos serviços de protocolo como também, para facilitar a pesquisa do documento, quando necessário. Eis um
exemplo de ficha de procedência
- Arquivamento das fichas de protocolo obedecendo à ordem dos números de protocolo.
- Recebimento, dos vários setores da empresa, dos documentos a serem redistribuídos e anotação do novo
destino nas respectivas fichas.
- Encaminhamento dos documentos aos respectivos destinos.
Rotinas de expedição
Em geral, são adotadas estas rotinas nos serviços de expedição de uma empresa:
- Recebimento da correspondência a ser expedida: o original, o envelope e as cópias, nas cores e
quantidades determinadas pela empresa.
Os setores que desejarem manter uma coleção de cópias em suas unidades, para consulta imediata,
devem prepará-las em papel de cor diferente. Essas cópias são devolvidas ao setor de origem, após a
expedição.
- Verificação da falta ou não de folhas ou anexos nas correspondências a serem expedidas.
- Numeração e complementação de data, tanto no original como nas cópias.
- Separação do original das cópias.
- Expedição do original com os anexos, se existirem, pelos Correios, malotes ou em mãos.
- Encaminhamento das cópias ao setor de arquivamento, acompanhadas dos antecedentes que lhes deram
origem.
SERVIÇOS DE ARQUIVO
Preste atenção a esta situação, bem comum em uma empresa:
- FLÁVIA, PRECISO DA QUELE PROJETO DE AMPLIAÇÃO DA FIRMA PARA RETIRAR UNS DADOS
QUE VOU INCLUIR NESTE RELATÓRIO.
- MAS DR. SANTANA, O PROJETO SAIU DAQUI PARA O DIRETOR-GERAL E AGORA JÁ DEVE
ESTAR ARQUIVADO. O SENHOR QUER QUE EU SOLICITE UM EMPRÉSTIMO AO SETOR DE
ARQUIVO?
Como você vê, o projeto citado foi arquivado, depois de passar pelos setores competentes. Do arquivo, no
entanto, ele pode ser recuperado para consultas, por meio de empréstimo.
E isso é o que deve acontecer com qualquer documentação oficial de uma empresa. Depois de tramitar
pelos devidos setores e cumprir suas finalidades, é arquivada. No arquivo fica guardada, podendo ser
emprestada ou consultada a qualquer momento, pelo pessoal da instituição.
Vemos, assim, que os serviços de arquivo compreendem duas atividades específicas: o arquivamento
propriamente dito dos documentos e seu empréstimo ou consulta, sempre que necessário.
E o que compreende cada uma dessas atividades?
Arquivamento da documentação
Lembramos que, desde o momento em que o documento chega a uma empresa, já deve haver a
preocupação com o seu possível arquivamento. Por isso é que a classificação dada ao documento no serviço
de protocolo, quando ele entra na empresa é a mesma utilizada para arquivá-lo. E como esses documentos
são classificados?
Volte atrás e observe novamente as fichas de protocolo e os códigos usados para classificar os
documentos.
Repare que não há uma norma específica em relação a esses códigos: eles são criados pelos técnicos
responsáveis, em função dos métodos de arquivamento adotados pela empresa. E esses métodos de
arquivamento variam - cada empresa, de acordo com o seu ramo de atividade, escolhe os métodos mais
indicados e adequados às suas finalidades. Somente assim o arquivo pode cumprir plenamente a sua
finalidade primordial -o acesso aos documentos, por meio de empréstimos e consultas aos funcionários e
setores da empresa.
Empréstimo e consulta de documentos do arquivo
Quantas vezes já não ouvimos alguém dizer:
- ESTE ASSUNTO ESTÁ ENCERRADO!JÁ FOI PARA O ARQUIVO.
- AQUELE DOCUMENTO FOI PARA O ARQUIVO MORTO.
São frases que nos passam a idéia de que arquivo é algo sem vida, onde fica guardado tudo aquilo que não
vamos mais precisar.
Mas já vimos que a finalidade principal de um arquivo é servir à administração. Desde o recebimento da
documentação até o seu arquivamento, o trabalho arquivístico precisa ser feito de modo a possibilitar a
recuperação rápida e completa da informação.
Logo, é necessário que o arquivo esteja bem vivo! E ele só vai conseguir isso, facilitando o empréstimo e
consulta de seus documentos aos funcionários ou setores da empresa que deles precisarem. Essa é uma
tarefa que precisa ser feita com a máxima ética e segurança, para que nenhum documento seja divulgado
indevidamente ou mesmo que se perca.
Assim, as rotinas de empréstimo e consulta dos documentos do arquivo podem ser:
- Atender às requisições de empréstimos vindas dos diferentes órgãos/setores.
- Preencher o formulário de recibo de documentação, em duas vias cujo modelo pode ser:
Esse recibo é muito importante, já que registra a saída do documento, permitindo informar, com segurança,
onde ele se encontra.
- Colocar a segunda via do recibo no mesmo lugar de onde foi retirada a pasta para empréstimo, juntamente
com a guia-fora.
- Arquivar a primeira via do recibo de documentação no fichário de lembretes, em ordem cronológica, do
mais atual para o mais antigo.
- Preencher o formulário de cobrança da documentação, sempre que a pasta emprestada não for devolvida
no prazo estipulado.
Os prazos para empréstimo de documentos do arquivo variam de uma empresa para outra, embora
possamos recomendar um período em torno de dez dias, podendo ser renovado mediante sua reapresentação
ao setor.
- Encaminhar a cobrança de documentação ao requisitante.
- Arquivar a pasta devolvida ao setor, eliminando a segunda via do recibo (aquela que estava no lugar da
pasta retirada).
- Colocar o carimbo de RESTITUÍDO na primeira via do recibo de documentação (a que foi assinadapelo
requisitante). Esse carimbo pode ser colocado no verso do recibo e ser assim:
- Devolver a primeira via carimbada do recibo ao requisitante.
MÉTODOS DE ARQUIVAMENTO
Sistemas de arquivamento
Como é afirmamos anteriormente, a preocupação maior de quem faz arquivos não é apenas arquivar, mas
também localizar as informações arquivadas no instante em que forem solicitadas.
A forma de consulta ou recuperação de uma informação arquivada é uma das primeiras preocupações que
deve ter a secretaria, unia vez que é sua responsabilidade assessorar a chefia. Para tanto, necessita de alguns
conhecimentos técnicos e outros relativos à empresa a que serve, como: tipos físicos de documentos, clientela
a que se destinam, grau de sigilosidade, volume, assuntos de que tratam etc.
Tecnicamente, o sistema de arquivamento é o conjunto de princípios coordenados entre si com a finalidade
de definir a forma de consulta do arquivo, que pode ser:
• Direta: quando a informação é recuperada diretamente no local em que se encontra arquivada.
• Indireta: quando a localização de uma informação é feita inicialmente através da consulta a um índice e
posteriormente no local arquivado.
• Semi-indireta: quando a localização de uma informação arquivada é orientada pela consulta a uma tabela.
Como escolher o sistema adequado?
Para acertar, antes de mais nada é necessário o trabalho de análise e planejamento. Somente através do
levantamento dos dados sobre a instituição à qual o arquivo servirá, pode-se escolher um sistema adequado e
seguro para a localização de informações. Por exemplo, podemos concluir que os sistemas diretos de
arquivamento só podem ser empregados em arquivos onde os documentos são de livre acesso a qualquer
pessoa; os sistemas indiretos, como necessitam de índice para a localização dos documentos, resguardam
mais a documentação e os semi-indiretos devem ser utilizados nos arquivos onde os usuários buscam as
informações sem a orientação de uma pessoa, mas de uma tabela disposta no arquivo de forma a auxiliá-los.
Métodos de arquivamento
Método de arquivamento é um plano preestabelecido de colocação dos documentos que visa A facilidade
de guarda e pesquisa. Os métodos de arquivamento estão relacionados com os sistemas, o que equivale a
dizer que cada sistema de arquivamento tem métodos específicos que a ele se adaptam.
Tanto na organização de arquivos como na de fichários, os elementos a serem considerados nos
documentos, para efeito de classificação, são:
• Nome (do remetente, destinatário ou da pessoa a quem os documentos se referem).
• Local (de expedição ou recebimento dos documentos).
• Data (de elaboração, validade ou referência dos documentos).
• Assunto(s) (conteúdo ou argumento dos documentos).
• Número (de ordem, código etc.).
A escolha de um ou mais elementos determinará a estrutura de organização de um arquivo, respeitando-se
o grau de importância e freqüência com que são solicitados.
No trabalho secretarial, os métodos de uso mais comum são:
• Alfabético.
• Geográfico.
• Numérico (simples, cronológico, decimal...
• Por assuntos.
Método alfabético
Consiste na organização do material tendo por base o nome de uma pessoa ou empresa, constante do
documento ou material que será registrado (neste caso o nome passa a ser o elemento principal de
classificação) e depois colocado em seqüência alfabética.
As pastas ou fichas são dispostas no arquivo segundo as determinações das normas de alfabetação,
separadas pelas guias alfabéticas que orientação a consulta. O número e o tipo de guias a serem utilizadas
dependerão do volume de documentos a serem organizados.
A confecção do arquivo é simples e barata. Inicia-se com a abertura de pastas individuais (uma para cada
nome ou correspondente), dentro das quais os documentos devem ser ordenados cronologicamente.
Além das pastas individuais, utilizam-se também as pastas miscelâneas, para agrupar correspondentes
avulsos. Recomenda-se um máximo de cinco documentos por correspondente dentro de cada miscelânea. O
correspondente que ultrapassar este número deve receber pasta individual. A ordenação interna de
correspondentes de uma miscelânea deve ser feita pela ordem alfabética de nomes e, dentro desta, pela
ordem cronológica.
O método alfabético faz parte do sistema direto de arquivamento, uma vez que a consulta é efetuada
diretamente no arquivo, sem a necessidade de recurso auxiliar. Contudo, o seu perfeito funcionamento esta
condicionado ao emprego de Regras de Alfabetização: conjunto de determinações que comandam a orde-
nação alfabética de nomes de pessoas, firmas e instituições no arquivo, solucionando os casos duvidosos.
Essas regras têm por finalidade:
• Uniformizar as entradas de nomes no arquivo, padronizando critérios que facilitem o arquivamento e a
consulta.
• Proporcionar maior coerência à estrutura do arquivo, evitando entradas múltiplas e a conseqüente perda
de informações.
A - Regras
1. Os nomes individuais devem ser colocados em ordem inversa, ou seja, primeiramente o último nome,
depois os prenomes na ordem em que se apresentam. Quando houver nomes iguais, prevalece a ordem do
prenome.
Exemplos:
Barbosa, Anibal
Corrêa, Antônio
Corrêa, João Carlos
Correa, Paulo
2. As partículas estrangeiras (D', Da, De, Del, Des, Di, Du, Fitz, La, Le, Les, Mac, Mc, O', Van, Vanden, Van
der, Von, Vonder etc.), se escritas com inicial maiúscula, são consideradas como parte integrante do nome.
Exemplos:
Oliveira, Carlos Santos de
Von Johnson, Erick
Vonder Blun, Eduardo
3. Os nomes compostos de um substantive e um adjetivo, ligados ou não por hífen, não são separados.
Exemplos:
Castelo Branco, Sérgio
Villa-Lobos, Heitor
4. Os nomes como Santo, Santa ou São seguem a regra anterior. Exemplos:
Santa Rita, Válter
Santo lnácio, Ana
São Benito, Inácio
5. Os nomes que exprimem grau de parentesco, abreviados ou não, não são considerados na ordenação
alfabética. Exemplos:
Freitas Jr., Ary
Ribeiro Neto, Henrique
Vasconcelos Sobrinho, Alcides
Observação: Os graus de parentesco só serão considerados na alfabetação quando servirem de elemento
de distinção. Exemplos:
Abreu Filho, Jorge
Abreu Neto, Jorge
Abreu Sobrinho, Jorge
6. Os títulos honoríficos, pronomes de tratamento e artigos são colocados entre parênteses depois do nome
e não são considerados na alfabetação.
Exemplos:
Araújo, Paulo (General)
Estado de São Paulo (O)
Pinto, Antônio Eduardo (Dr.)
7. Os nomes espanhóis são registrados pelo penúltimo nome, que corresponde ao da família do pai.
Exemplos:
Cervantes y Saavedra, Miguel de
Hemandes Xavier, José
8. Os nomes orientais, japoneses, chineses, Árabes etc. são registrados na ordem em que se apresentam.
Exemplos:
Al Ben Abib
Li Yutang
Mao Tsé Tung
9. Os nomes ligados por apóstrofo devem ser lidos e arquivados como uma só palavra. Exemplo:
Sant'Ana, Armindo, lê-se e arquiva-se Santana
10. Os sinais gráficos, como crase, til, cedilha etc., não são considerados na alfabetação. Exemplos:
Campanha, Clodoaldo
Campanhã, Raul
11. Os nomes de empresas devem ser registrados conforme se apresentam.
Exemplos:
Álvaro Costa & Cia
Barbosa Souza Ltda
Comercial Santos Ltda
12. As expressões usadas no comércio, como Sociedade, Companhia, Empresa etc., devem ser
consideradas na alfabetação. Exemplos:
Companhia Brasileira de Alimentos
Editora Abril Ltda.
Sociedade Espírita Alan Kardec
13. Os nomes das empresas ou instituições que usam siglas, com ou sem ponto entre as letras, devem ser
alfabetados como se o conjunto de letras que os formam fosse uma palavra. Exemplos:
CEEE
UFRGS
14. Quando uma empresa ou instituição for conhecida, além de seu nome por extenso, também por uma
sigla, o arquivista deverá optar pela forma de entrada que melhor atenda há necessidades de seus
consulentes, fazendo sempre uma remissiva para a forma não adotada como entrada no arquivo. Exemplo:
ADVB... ou Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil
• Se arquivado pelo nome por extenso, coloca-se a remissiva em:
ADVB veja Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil• Se arquivado pela sigla, coloca-se a remissiva em:
Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil veja ADVB
15. A correspondência recebida de seção, divisão ou departamento de uma empresa ou instituição deve ser
arquivada pelo nome da empresa e não pelo departamento, divisão, seção. Exemplos:
UFRGS - Departamento de Pessoal
UFRGS - Escola de Engenharia
16. As diversas filiais de uma empresa são alfabetadas pelo nome da empresa, seguido dos Estados em
que se encontram as filiais e, finalmente, dos nomes das cidades. Se estiverem localizadas em uma mesma
cidade, são colocados os endereços. Exemplos:
União S.A. - RJ, Rio de Janeiro
União S.A. - RS, Porto Alegre
17. Os nomes de instituições e órgãos governamentais brasileiros são considerados como se apresentam.
Exemplos:
Banco Central do Brasil
Fundação Getúlio Vargas
18. Os nomes de órgãos governamentais ou instituições de países estrangeiros devem ser precedidos do
nome do país, em língua portuguesa. Exemplos:
Estados Unidos - The Library of Congress
Inglaterra - Red Cross
19. Nos títulos de congressos, conferências, simpósios etc., os números arábicos, romanos ou escritos por
extenso devem figurar entre parênteses ao final da entrada.)Exemplos:
Conferência Latino-americana de Pediatras (II).
Seminário Francês de Patologia (13º).
Encontro Brasileiro de Secretárias (Segundo).
20. Os numerais que fazem parte dos nomes de empresas; quer no inicio, meio ou fim, devem ser
alfabetados como se estivessem escritos por extenso.
Exemplos:
Ferragem 2 (dois) irmãos
Inseticida mata 7 (sete)
3 (três) M do Brasil
O conjunto de regras aqui apresentado é suficiente, normalmente, para organizar arquivos comerciais.
Contudo, dependendo do volume e complexidade dos documentos a serem classificados, pode haver dúvidas.
Neste caso, podem ser adotadas regras mais extensas, ou pode-se ampliar e modificar as já existentes, para
atender a casos específicos, desde que sejam redigidas em linguagem clara e simples e que fiquem
registradas por escrito.
B - Ordenando alfabeticamente
Quando falamos em arquivo alfabético, muitas pessoas desconhecem o fato de que há dois critérios para a
ordenação alfabética (feita letra por letra ou palavra por palavra), e que ambos são corretos. Daí surgirem as
confusões na busca e no arquivamento.
A definição de um único critério de alfabetação, com a conseqüente exclusão do outro, é de fundamental
importância para o trabalho de arquivo. São eles:
Letra por letra Palavra por palavra
Porta Porta
Porta-algodão Porta-algodão
Portada Porta-discos
Porta-discos Porta-espada
Portador Portada
Porta-espada Portador
Notou a diferença? Imagine a confusão e as discussões entre colegas de trabalho e usuários do seu arquivo
se você misturar os dois critérios!
Método numérico
Quando o principal elemento de classificação de um documento é um número (por exemplo: processes,
legislação, documentos protocolados etc.), a melhor forma de organização para o arquivo é o método
numérico.
Nesta modalidade de arquivamento, a consulta é, indireta, pois há necessidade de se recorrer a um índice
auxiliar alfabético que remeterá ao número sob o qual a informação foi arquivada.
O método numérico pode ser:
A - Simples
Quando atribuímos números aos correspondentes (pessoas ou instituições) pela ordem de chegada destes
ao arquivo, sem qualquer preocupação com a ordenação alfabética, pois teremos um índice para auxiliar na
localização.
Este arquivo vai exigir como controles:
? Registro de entrada de cada correspondente (feito em livros ou fichas) para evitar a abertura de duas ou
mais pastas para o mesmo correspondente.
? Índice alfabético auxiliar (feito em fichas ou disquetes de computador) que remeta do nome do
correspondente para o número de sua pasta aberta no arquivo. O índice é, indispensável, pois, com o cres-
cimento do arquivo, toma-se impossível localizar os documentos.
Nos arquivos empresariais que utilizam o método numérico simples, pode-se reaproveitar o número de uma
pasta vaga (documentos eliminados ou transferidos) para um novo correspondente, o que já não deve ocorrer
no serviço público, rede bancária, arquivos hospitalares etc., onde o número atribuído a um correspondente
pode comprometer as operações a serem realizadas, pois nesses casos o número passa a identificar
permanentemente um cliente.
O método numérico simples é uma das formas mais versáteis para a organização de arquivos, sendo
utilizado em larga escala na indústria, comércio, escolas, rede bancaria etc.
Você já parou para pensar que é identificado através de números na escola em que está matriculado, nos
clubes que freqüenta, na empresa em que trabalha? Tudo isso é método numérico de arquivaniento!
B - Cronológico
Neste método numera-se o documento, e não a pasta. É o que ocorre nas repartições públicas - o
documento, depois de receber uma capa, onde são colocados o número de protocolo e outras informações,
passa a formar um processo. Este processo será acompanhado durante a tramitação, por uma ficha numérica
(ficha de protocolo), onde será indicada toda a movimentação do documento dentro da repartição.
Paralelamente, são confeccionados índices alfabéticos para os nomes dos envolvidos, assunto e procedência
dos documentos, a fim de agilizar as buscas.
Método geográfico
Neste método, o principal elemento de classificação do documento deve ser o local ou procedência da
informação. É importante salientar que a organização de um arquivo geográfico depende de uma estrutura
geográfica bem definida, como, por exemplo:
a) Vários países: nome do país, nome da capital e nome dos correspondentes. Se houver documentos
procedentes de outras cidades que não a capital, deve-se ordená-los alfabeticamente no arquivo, após a
capital. Exemplos:
? ARGENTINA
Buenos Aires
Maia Carraro, Alcides
Nunes Caldera, Manoelito
Córdoba
Hotel Las Palmas
Valdez Miranda, Carlos
Corrientes
Del Vale, Luis
Sanches de Vidal, Emílio
? BRASIL
Brasília
Ministério da Educação
Ministério do Interior
Campinas
Delgado, Carlos
Monteiro, José Olalvo
Cuiabá
Chardon, Carlos Manuel
Santi, Manuel
Curitiba
Rosado, José (Dr.)
Transportes Valverde Ltda.
b) Um país: nomes dos Estados, nomes das cidades e nomes dos correspondentes em rigorosa ordem
alfabética.
c) Estados: nomes dos Estados, nomes das cidades e nomes dos correspondentes, também em ordem
alfabética.
d) Cidades: nomes das cidades, seguidas do nome ou sigla dos Estados (porque há cidades com o mesmo
nome em Estados diferentes) e nomes dos correspondentes.
e) Dentro de uma mesma cidade: nomes dos bairros (ou zoneamento), seguidos dos nomes dos
correspondentes em ordem alfabética.
Este método de arquivamento é do sistema direto, pois a consulta é feita diretamente no arquivo. É muito
utilizado nos casos de empresas que mantém correspondência com filiais ou agências em vários Estados,
cidades e países, e ainda para firmas que trabalham com reembolso postal, transporte de cargas e
mercadorias etc.
Método por assuntos
Também conhecido por método específico, é um dos mais perfeitos métodos de arquivamento, pois é o
único a recuperar os documentos segundo o seu conteúdo. Sua aplicação, no entanto, requer planejamento
prévio, além de requisitos como:
• Amplo conhecimento da empresa, bem como dos documentos que representam as atividades-fins da
mesma.
• Análise minuciosa e interpretação da documentação.
Não existem planos de classificação por assuntos prontos para serem aplicados a arquivos. Cabe a cada
instituição, de acordo com suas características individuais, e após estudo detalhado, elaborar esse plano ou
tabela de assuntos.
Para facilitar o trabalho, recomenda-se iniciar o plano de classificação com os seguintes procedimentos:
• Agrupar os assuntos principais ou grandes classes.
• Subdividir os assuntos principais em títulos específicos (partindo sempre do geral para os particulares).
• Escolher e padronizar os termos adequados para a identificação dos itens (analisar a sinonímia e os
termos técnicos).
• Definir a forma de ordenaçãodos assuntos no arquivo.
A - Ordenação dos assuntos de forma alfabética
Unia vez elaborada a tabela de classificação, pode-se organizar um arquivo alfabético de assuntos de duas
maneiras:
a) Ordem dicionária: consiste em dispor em ordem alfabética os assuntos classificados, considerando-se
simplesmente a seqüência das letras. Exemplos:
• Artigos para calçados
• Calcados ortopédicos
• Calçados para crianças
• Calçados para homens
• Calçados para senhoras
• Calçados sob medida
• Conserto de calçados
• Fábricas de calçados
• Lojas de calçados
b) Ordem enciclopédica: consiste em agrupar em ordem alfabética os títulos gerais seguidos de suas
subdivisões, também em rigorosa ordem alfabética. Exemplos:
CALÇADOS
• Artigos
• Consertos
• Fábricas
• Lojas
• Ortopédicos
• Para crianças
• Para homens
• Para senhoras
• Sob medida
B - Ordenação dos assuntos de fornia numérica
Nesta modalidade, além do plano de classificação, deverá ser elaborado um índice alfabético remissivo,
pois os itens classificados receberão números no arquivo e o índice auxilia na rápida localização.
a) Método duplex: a documentação após a divisão em classes, segundo o plano de classificação, recebe
uma numeração seqüencial simples para cada classe geral e as subdivisões dessas classes seção ordenadas
através de numerais decimais. Exemplo:
1 .BIBLIOTECA
1.1 Correspondência expedida
1.2 Correspondência recebida
1.3 Livros
1.3.1 Sugestões para aquisição
1.3.2 Orçamentos
1.4 Ponto dos funcionários
1.5 Estatísticas
1.5.1 Consultas
1.5.2 Empréstimos
1.5.3 Serviços técnicos
1.6 Relatórios anuais
2. NÚCLEO DE EXTENSÃO
2.1 Cadastro de professores
2.2 Certificados
2.3 Cursos
2.3.1 Atendente de livraria
2.3.2 Atualização para secretárias
2.3.3 Correspondência informatizada
2.3.4 Estenogratia
2.3.5 Técnicas de arquivo
2.4 Material didático
2.5 Propostas in company
2.6 Relatórios anuais
A vantagem é que a numeração não necessita de previsão antecipada. O plano de classificação inicial pode
ser de apenas cinco assuntos. De acordo com as necessidades da empresa e a expansão das classes de
assuntos, a numeração crescera também.
b) Método decimal: é baseado no Sistema Decimal de Dewey, que o criou para ser aplicado a bibliotecas. É
universalmente conhecido como CDD (Classificação Decimal de Dewey). Esta classificação divide o
conhecimento humano em dez grandes classes:
0 - Obras gerais
1 - Filosofia
2 - Religião
3 - Ciências Sociais
4 - Filologia
5 - Ciências Puras
6 - Ciências Aplicadas
7 - Belas Artes
8 - Literatura
9 - História e Geografia.
Essas classes posteriormente se subdividem de dez em dez, sucessivamente (partindo sempre do geral
para o específico). Tomemos a classe é, de Ciências Aplicadas, como exemplo:
610 - Medicina
620 - Engenharia
630 - Agricultura
640 - Ciências e Artes Doméstcas
650 - Serviços gerenciais
660 - Indústrias químicas
670 - Manufaturas
680 - Manufaturas, Miscelânea
690 - Construção
611 - Anatomia
612 - Fisiologia humana
613 - Higiene pessoal
614 - Saúde pública
615 - Terapêutica
616 - Clínica médica
617 - Cirurgia
618 - Ginecologia
619 - Pediatria
616.1 Cardiologia
616.2 Sistema respiratório
616.3 Sistema digestivo
616.4 Sistema endócrino
616.5 Dermatologia
616.6 Urologia
616.7 Sistema muscular
616.8 Neurologia
616.9 Doenças diversas
e assim por diante.
Esta classificação é acompanhada de um índice alfabético para auxiliar a rápida localização dos itens
desejados.
A técnica de Dewey pode ser aplicada aos arquivos com adaptações. Requer o estudo detalhado sobre a
empresa e sua documentação e a seguir o estabelecimento de dez classes principais de assuntos e suas
subdivisões.
RELAÇÕES PÚBLICAS
COMUNICAÇÃO E RELAÇÕES PÚBLICAS
Não há como negar a importância que a comunicação exerce no desempenho das relações públicas. Aliás,
as relações públicas vão se efetivar de acordo com a maior ou menor adequação e precisão da comunicação.
É sempre bom lembrar o que é necessário para que a comunicação aconteça:
Emissor a pessoa que emite a mensagem
Receptor aquele para quem se dirige a mensagem
Mensagem o que se deseja transmitir
Canal o meio pelo qual se transmite a mensagem
Código o sistema de sinais convencionais
Feed15ack a resposta dada ao receptor
Vamos ver como funciona a comunicação!
João deseja contar à Lúcia que recebeu uma bolsa de estudos para continuar os estudos da faculdade. Ele
lhe telefona e diz: "Lúcia, acabei de ganhar uma bolsa de estudos!" Ao que ela responde: Ioão, que bom! Então
vamos comemorar!"
Emissor João
Receptor Lúcia
Mensagem "Lúcia, acabei de ganhar uma bolsa de estudos!"
Canal o telefone
Código a linguagem falada, isto é, a língua portuguesa
Feedback "João, que bom! Então vamos comemorar!"
Barreiras à comunicação
Não é sempre que a intenção de se comunicar é bem-sucedida, pois emissor e receptor podem acabar não
se entendendo de forma satisfatória. São distúrbios e obstáculos que impedem ou restringem a eficácia da
comunicação, ligados ao emissor, ao receptor ou a ambos, a problemas relacionados ao canal ou ao código de
comunicação.
A emoção é um fator que tanto pode facilitar quanto dificultar a comunicação. Se o assunto nos agrada,
gostamos de falar e de ouvir sobre ele. No entanto, se houver bloqueio emocional... O emissor reage de forma
que é dificil tocar no assunto. O receptor, por sua vez, "nem quer ouvir falar disso". Assim, a transmissão e/ou a
recepção da mensagem fica bloqueada.
Lidar com pessoas com a emoção à flor da pele é situação comum para quem trabalha na recepção de
clínicas, hospitais, laboratórios, consultórios, enfim, ambientes em que as questões relacionadas à doença
estão muito presentes. É preciso manter um certo distanciamento para evitar maiores envolvimentos, a fim de
não compartilhar as vivências dos clientes como se fossem suas.
Também é comum nos locais que já têm fama de mau atendimento, onde as pessoas já chegam
predispostas, com má vontade, agressivas, porque sabem o que vão enfrentar. O recepcionista deve
considerar as más condições dadas pela burocracia da organização, mas não deve tentar justificar uma
conduta profissional má com argumentos tais como "ganho muito pouco para ficar ouvindo reclamações". Todo
e qualquer profissional deve desempenhar suas funções com eficiência, fazendo o melhor que pode, pois
dessa forma não se desvaloriza, nem perde sua dignidade.
Você já deve ter vivido, ou mesmo presenciado situações, em que uma pessoa, ao relatar algum
acontecimento, omite ou distorce propositalmente informações. E claro que não cabe a voce, recepcionista,
desmentir o que lhe foi dito. É seu dever, contudo, buscar as informações corretas, procurando, de forma
delicada, fazer com que o cliente corrija o dado incorreto, através de um questionamento objetivo e direto.
Veja um exemplo:
Um cliente chega atrasado ao dentista e, depois de cinco minutos de espera, diz que tinha hora marcada e
que está esperando há mais de meia hora. Afirma também que outros já foram atendidos à sua frente.
Você, ao perceber sua intenção, deve pedir-lhe para confirmar o horário marcado, alertando-c,
educadamente sobre o atraso e mostrando-lhe que as marcações da agenda estão sendo seguidas rigi-
damente. Pode também sugerir-lhe a marcação de uma nova consulta. Apresente soluções possíveis, agindo
com objetividade.
Uma pessoa de posição hierárquica superior pode achar que não precisa se comunicar ou responder a
subordinados. Tal atitude corta a possibilidade de diálogo. O emissor pode perder ou distorcer o conteúdo da
mensagem quando reage defensivamente (ou com hostilidade ou com medo de "falar bobagens") diante de
alguém que ocupa cargo ou posto de chefia.
Aja sempre com naturalidade. Nenhuma hierarquia deve dar motivos que prejudiquem o relacionamento
interpessoal.
Situações de tensão ou euforia, de cansaço físico ou mental, prejudicam a emissão ou a recepção de uma
mensagem. Não é dificil perceber que em determinados horários do dia há uma considerável baixa de
produtividade depois de uma longa jornada de trabalho em contato direto como público.
Quando se aproxima a hora de seu almoço, ou mesmo o final do expediente, é natural se impacientar. É
bom evitar muitas horas sem se alimentar ou ingerir líquidos. Você pode aproveitar os momentos em que
estiver desocupado e só, para comer, beber ou ir ao toalete. Caso isso seja impossível, faça breves intervalos
a fim de atender às suas necessidades básicas.
É importante lembrar que os períodos de lazer e férias são fundamentais para a sua saúde fisica e mental,
acarretando melhor qualidade em seu trabalho. Quando o emissor e/ou o receptor vêm de uma experiência de
enfrentamento, pode haver distorção na comunicação. É sempre desaconselhável a opinião preconcebida. Evi-
te ambientes hostis e não deixe que as generalizações o impeçam de ver a particularidade de cada situação.
Sabendo da intenção agressiva do outro, evite o confronto. Lembre-se do dito popular: "Quando um não quer,
dois não brigam."
E quando você for emissor?
Se você for procurado para fornecer alguma informação técnica, evite abusar de termos muito específicos
de sua área de atuação. Esse tipo de linguagem pode acabar afastando o cliente porque lhe dá a impressão de
que está sendo "enganado", o que pode afetar a credibilidade da instituição para a qual você trabalha.
Alguma vez você, ao pedir uma informação, sentiu que estava sendo "enrolado", que a pessoa não sabia
informar o que você queria saber? É uma sensação muito desagradável, não é mesmo?
Muitas vezes, por não usar as palavras adequadas, ou por não saber como transmitir sua idéia, o emissor
não consegue transmitir a mensagem. Essa dificuldade pode ser resultado de diferenças culturais - é o caso de
uma pessoa que se expressa muito bem em seu grupo, com pessoas com quem está acostumada, mas que
encontra problemas em fazê-lo em outro grupo.
Veja esta situação:
A recepcionista de um posto de saúde que presta atendimento a pessoas de baixa renda precisa comunicar
a um cliente que, apesar da consulta marcada, o médico não poderá atendê-lo por conta de uma emergência.
- Meu senhor, infelizmente, por motivo que foge à nossa determinação, o doutor incumbido de atendê-lo não
poderá comparecer, devido a uma urgência que restringe seu deslocamento a este centro médico.
Você deve ter percebido que, embora correta, a mensagem não foi transmitida, pois a linguagem usada
pela recepcionista está inadequada. Em primeiro lugar, deve-se falar de forma mais simples, isto é, usando-se
palavras que façam parte do vocabulário dos clientes. Por outro lado, deixou de apresentar ao cliente uma
alternativa para futura consulta, dificultando a sua volta ao posto de saúde.
Seria bem mais simples, por exemplo, que dissesse assim:
- Seu Augusto, houve uma emergência e o dr. João não poderá atendê-lo. O senhor quer marcar nova
consulta? Qual a sua preferencia de dia e horário?
Bem mais direto, claro e eficaz, você concorda?
Devemos evitar o uso de códigos impróprios, o que geralmente acontece quando usamos gírias ou
linguagem muito específica de uma determinada área. Alguns grupos criam um código muito particular de
comunicação, até mesmo para impedir que outras pessoas possam entender suas conversas. Você já tentou
acompanhar uma conversa entre médicos, por exemplo? É quase impossível, não é mesmo? Isso acontece
principalmente por causa do uso de nomes científicos familiares a eles, mas não a você.
Em uma empresa que tenha uma área de atuação muito específica, é comum acontecer de seus
funcionários usarem expressões que as outras pessoas desconheçam. Isso é tão comum de acontecer que já
se tornou até tema de brincadeiras.
Sempre que possível, você deverá checar o nível de linguagem de seu interlocutor e tentar adequar a
linguagem à sua capacidade de compreensão. É preciso que haja alguma identidade de repertório entre vocês,
ou seja, que ambos reconheçam o sentido das palavras usadas na comunicação.
Veja, por exemplo, o caso de um comprador de um imóvel que, ao ler o contrato, hesita diante do termo
"inadimplência". O vendedor, ao notara expressão de dúvida, imediatamente explica-lhe que essa palavra
significa "descumprimento de qualquer das cláusulas contratuais". Agindo assim, ele procura ultrapassar uma
barreira de comunicação, oferecendo ao comprador a explicação do termo e, além disso, demonstrando sua
disposição de não enganá-lo.
Quanto às gírias, que nem sempre são compreendidas por todos e há mesmo pessoas que as rejeitam, um
recepcionista, porque lida com um público muito diversificado, deve evitá-las.
E quando a timidez atrapalha a comunicação? A vergonha, o receio de falar "bobagem", o medo de falar
errado e de não ser aceito, impedem não só a comunicação, mas também o relacionamento interpessoal.
Pessoas que não dizem o que sentem e pensam não se relacionam de uma forma produtiva com as outras
pessoas.
Vamos imaginar a seguinte situação:
Joana está em uma reunião com a diretora da biblioteca onde trabalha como recepcionista. Após ter
explicado as novas tarefas de Joana, a diretora pergunta-lhe se está tudo entendido e se está de acordo.
Joana responde que sim. Isso, porém, não é verdade, pois discorda de alguns pontos, mas a timidez a
impede de expressar sua opinião. É fácil concluir que o silêncio provocado pela timidez atinge tanto Joana
quanto a diretora. Se a recepcionista tivesse exteriorizado sua opinião, provavelmente contribuiria com novas
idéias, demonstrando sua capacidade de análise e interesse pela qualidade de serviços prestados pela
biblioteca.
A capacidade de trocar idéias com outras pessoas só ajuda a melhorar. No ambiente de trabalho, passe sua
mensagem da forma mais simples que puder, tenha segurança sobre o que está falando, verifique se todos
entenderam o que foi dito e se coloque à disposição para ajudar em qualquer dúvida que tenham.
Quando o emissor se utiliza de palavras que podem ter diferentes interpretações, ou quando o receptor
atribui outro sentido ao que foi dito, o duplo sentido impede a compreensão exata da mensagem.
Quando uma pessoa inicia a conversa a partir do que supõe que a outra pessoa pensa, conhece ou sabe,
omitindo quaisquer esclarecimentos, a comunicação corre risco. Nunca tente imaginar o que o outro sabe ou
pensa. Mesmo que a outra pessoa já domine o assunto, fale tudo o que precisa ser informado, pois reforçar um
determinado tema trará mais segurança para voce e para o seu ouvinte.
E você no papel de receptor?
É importante que você demonstre sempre disponíbilidade para ouvir os outros. Alguém que ouve mas que
não demonstra qualquer reação pode dar ao outro a impressão de que nada do que diz está sendo
consíderado e, por isso, deve parar de falar
Ouvir as pessoas é uma questão de respeito. Às vezes ficamos tão envolvidos com nossa atividade de
trabalho que não entendemos o que o outro está querendo dizer. Nesses momentos, é necessário parar, criar
um distanciamento e se "ligar" para ouvir a opinião de outras pessoas.
Tirar conclusões precoces por achar que já sabe de antemão o que o outro tem a dizer ("Ele bate sempre
na mesma tecla.") é um vício que impede o diálogo. É melhor buscar outras informações para ter uma opinião
sobre um determinado assunto.
O receptor pode perder parte da mensagem ou toda ela, se não conseguir se concentrar no que o outro diz.
Estar atento ao trabalho é fundamental, pois a falta de atenção pode trazer problemas. No entanto, você, por
estar distraído, pode não entender uma pergunta e, por isso, não responder como deveria.
É comum que as pessoas, ao procurarem a recepção, estejam apressadas, ansiosas e não compreendam
que você esteja atendendo várias pessoas ao mesmo tempo. Procure demonstrar tranqüilidade, tratando-as
com delicadeza, atenção e interesse em resolver todos os problemas.
Como as experiências anteriores de cada pessoa podem predispô-Ias a filtrar ou a distorcer a mensagem,
nunca deixe que o seu conhecimento ou sua opinião o impeçam de ouvir e aprender. Às vezes uma pessoa,
que aparentemente sabe menos que você, consegue entender melhor e mais rápido uma determinadasitua-
ção. Isto não significa que saiba mais, mas que, naquele momento, entendeu melhor a situação. Só isso.
Na ansiedade de nos fazer ouvir, às vezes, atropelamos a fala das pessoas, adiantando nossas opiniões.
Isso acaba por impedir que ouçamos o outro. Saber ouvir é fundamental para o seu trabalho. Através das
informações recebidas, você poderá agir de forma mais clara e precisa.
"Por que será que ele fez isso? O que será que está querendo? Por que tinha de dizer aquilo?"
Observações como essas, e mais as tentativas de 1er nas entrelinhas", podem dar sentido, ajudar no
entendimento das palavras e do comportamento das outras pessoas. É preciso, contudo, cuidado de não se
atribuir propósitos falsos ao que o outro diz. É perigoso tentar descobrir o que "está por trás", porque se
estabelece um contato superficial e de pouca confiança. Não cabe a você desvendar intenções. Ter uma
relação de confiança com o seu interlocutor é importante.
Portanto, quando você tiver alguma dúvida, em vez de ficar imaginando o que pode estar acontecendo,
procure esclarecimentos com as pessoas certas.
Aberturas à comunicação
Para que haja uma perfeita e eficiente realização do processo de comunicação, pressupõe-se que todos os
seus elementos estejam em perfeita integração e harmonia. O objeto da mensagem, o meio pelo qual ela é
transmitida e o próprio código utilizado devem ser comuns ao emissor e ao receptor, isto é, a você e à pessoa
a quem você se dirige. Você deve tratar a mensagem do modo mais cuidadoso possível, para que não surjam
obstáculos à comunicação. Para evitar essas dificuldades, é preciso que você leve em consideração alguns
pontos básicos sobre o que deve ou não fazer.
Uma relação de mútua confiança permite a eliminação ou a neutralização de possíveis interferências no
processo de comunicação. Escute atenta e ativamente o outro, demonstrando interesse na mensagem de seu
interlocutor.
Para conseguir esse bom relacionamento, destacamos aqui pontos que você pode observar. Esses
procedimentos podem ajudá-lo a expressar melhor sua atenção.
Embora seja muito comum em situações de bate-papo, a repetição de expressões como "sabe", "entendeu",
"olha só", "tá", "né", não contribui para a eficiência da comunicação e pode acabar se tornando vício de
linguagem, que em nada auxilia na transmissão do que se quer dizer. Se essas expressões têm a função de
chamar a atenção do ouvinte, seu uso excessivo só prejudica a transmissão da mensagem:
"Olha só: o gerente dessa seção, sabe, está em reunião, entendeu?"
Se excluirmos essas expressões, o conteúdo da mensagem não se altera, e a frase fica mais concisa:
"O gerente dessa seção está em reunião."
Evite, também, palavras ou frases ambíguas, ou seja, que podem ser entendidas de maneiras diferentes.
Observe a frase:
João viu a explosão do carro."
Não é possível saber se João estava no carro e viu alguma explosão ou se João viu um carro explodir. A
ambigüidade, duplo sentido, prejudica a comunicação entre as pessoas. Ela é especialmente perigosa em um
texto escrito, já que não possui os recursos não-verbais da situação de fala.
Tome muito cuidado, também, para não pronunciar palavras de maneilra errada. Há algumas expressões
que são habitualmente pronunciadas de forma incorreta, mas você deve evitar isso.
Para ficarmos restritos a um exemplo da área administrativa, basta lembrar o caso de "rubrica". Embora
muitas pessoas pronunciem-na como i& rubrica", com acento tônico na primeira sílaba, a pronúncia correta é
"rubrica", com acento tônico na segunda sílaba. Se você ficarem dúvida sobre a pronúncia de alguma palavra,
procure um bom dicionário ou mesmo uma gramática da língua portuguesa. Lá a pronúncia correta das
palavras está indicada.
Por mais incrível que lhe possa parecer, até ojeito de sua postura corporal influencia na sua boa
comunicação. Quem gosta de falar com uma pessoa sentada, largadona? Ninguém, não é verdade? Então,
evite cruzar os braços, tamborilar com os dedos sobre a mesa, mastigar a ponta da caneta e consultar as horas
durante a conversa.
Mantenha-se tranqüilo e atento enquanto estiver falando com seu interlocutor. As atitudes apontadas são,
em geral, indicativas de impaciência e o interlocutor pode ter a impressão de que você deseja se livrar dele.
Mostre sempre uma atitude calma e receptiva.
Sua expressão facial deve revelar também disposição para o diálogo e a sinceridade de suas palavras,
expondo as suas reações à fala da outra pessoa.
Quando se conversa pessoalmente com alguém, além da linguagem verbal, é possível observar os gestos,
as expressões faciais e corporais, enfim, dispõe-se de muitos recursos para compreender e ser compreendido
pelo outro. Esses recursos são tão fundamentais que podem ser determinantes para a interpretação do que é
dito. Muitas vezes sabemos que um olhar, um gesto de mão, ganham muito mais significado do que as
palavras enunciadas. Nada de cara feia. Todos gostamos de falar com pessoas que nos olham diretamente,
sem fugir do olhar de seu interlocutor e sem demonstrar desconfiança.
Demonstre sempre que está acompanhando o que a outra pessoa diz, com palavras ou atitudes. Não
abuse, porém, de sons de concordância, como os famosos "hã-hã". Evite também os excessivos acenos de
cabeça na demonstração de sua aceitação da mensagem da outra pessoa. Formule bem suas perguntas, de
modo a proporcionar, sempre que possível, algum tipo de resposta ao emissor. Evite as perguntas fechadas,
que geram respostas monossilábicas, do tipo "sim", "não" ou "talvez".
Amenize as perguntas diretas com expressões do tipo "quem sabe", "se possível", "talvez". Isso fará o
interlocutor sentir-se mais à vontade para expressar suas opiniões e idéias. Não coloque questões
excessivamente agressivas, desafiantes ou avaliativas, para não criar uma situação de tensão entre vocês,
pois é muito comum que as pessoas reajam criando barreiras à comunicação, numa postura defensiva. Se
possível, prefira perguntas que comecem com o que, como, onde, quando. Isso esclarece o tipo de resposta
esperada. Estruturando assim as suas questões, você receberá respostas mais precisas e objetivas.
Não exagere na quantidade de perguntas, para não parecer que o está submetendo a um interrogatório.
Pergunte-lhe apenas o essencial. Nada de criar tensões, avalie se está entendendo claramente o que ele lhe
diz, e só então faça novas perguntas.
Depois de fazer uma pergunta, é importante que você aguarde a resposta, pois muitas vezes é necessário
um tempo para pensar antes de responder. Não demonstre impaciência: aquilo que é óbvio para você pode
não ser tão evidente para todos. Procure expressar suas divergências de modo respeitoso e delicado, sem
interromper a fala da outra pessoa. É melhor esperar que termine o enunciado para então você expressar com
tranqüilidade suas divergências. Contradizer desnecessariamente o que a outra pessoa está dizendo torna o
diálogo improdutivo. Mesmo que haja diferenças entre emissor e receptor, é essencial que um objetivo comum
seja estabelecido, numa demonstração de respeito e aceitação. Para tanto, abstenha-se de fazer julgamentos,
admita que outra pessoa tenha crenças, idéias e valores diferentes dos seus. A pluralidade de opiniões é um
fator positivo e não deve ser motivo de discussões inúteis. Discriminar é um comportamento negativo que só
traz prejuízo ao convívio social.
Tente estabelecer uma relação de empatia com o interlocutor, respeitando seu ponto de vista e levando em
conta seus valores, colocando-se no lugar dele. Isso contribuirá muito para que a outra pessoa sinta-se à
vontade para expressar suas opiniões.
Comunicação telefônica
A necessidade de comunicação rápida e eficiente fez com que o telefone se tornasse um dos meios de
comunicação mais utilizados hoje em dia. No cotidiano de um serviço de recepção, seja na empresa, no
escritório ou em qualquer outra instituição, é comum atender a pedidos de informações telefônicas, anotar
recados e registrar chamadas.
Evite que o telefone toque mais que três vezes,pois o cliente que está do outro lado da linha pode ficar
impaciente com a demora. Caso precise fazer o cliente esperar, diga o nome da empresa, cumprimente-o e lhe
explique que no momento a linha está ocupada ou que a pessoa não poderá atender. É desagradável ficar
esperando na linha ouvindo "musiquinha" sem saber por quanto tempo.
Não é muito difícil perceber a importância de se segurar bem o fone. Em geral a distância de dois a quatro
centímetros dos lábios é a indicada para uma boa transmissão. A proximidade excessiva pode causar
vibrações. Por outro lado, afastar demais o fone pode tornar a voz fraca e distante. Aliás, você deve estar
atento à sua acuidade auditiva. Se você não estiver escutando bem, poderá transmitir recados errados ou fazer
confusão nas chamadas telefônicas.
Você sabe como é desagradável conversar com alguém que grita ao telefone. Com certeza, já passou pela
experiência de ter de afastar o fone do ouvido por não agüentar o volume da voz do outro. Se a ligação não
estiver boa e apresentar ruídos, é preferível tentar uma outra ligação.
É comum associar-se o fato de ser uma ligação de lugar distante com a necessidade de se falar mais alto.
Você sabe que não há a menor lógica nisso, pois, com freqüência, uma ligação local é mais precária que uma
interurbana ou internacional.
Não caia, contudo, no outro extremo. Falar baixo demais pode ser tão ou mais prejudicial à comunicação.
Se você também notar que seu interlocutor está falando muito baixinho, peça-lhe de ma neira delicada que
aumente um pouco o volume de voz.
Mais, importante do que se ter uma voz bonita, é saber empregá-Ia bem. E usar o ritmo adequado, a
modulação expressiva. Fala claramente, pronunciando bem as palavras, nem muito rápido, nery
excessivamente devagar, é sempre conveniente. Uma voz que segue o ritmo pedido pela comunicação é muito
bem-vinda.
Ao telefone, a voz torna-se nosso cartão de apresentação, por tanto, nada melhor do que uma voz clara, um
tom agradável. Sabemos que cada pessoa tem seu estilo próprio de se expressar, portanto, não existem regras
de uma forma ideal de comunicação telefônica. É necessário, contudo, reafirmar que a clareza da linguagem,
sua objetividade e concisão são fundamentais para uma comunicação mais eficiente. Quase sempre a
linguagem rebuscada afetada, o uso indiscriminado de termos eruditos ou pouco comum acabam por prejudicar
a comunicação.
No entanto é preciso que não se confunda objetividade, linguagem simples, com expressões vulgares,
gírias, palavras que demonstrem excessivo grau de intimidade.
Quanto às palavras estrangeiras, se você não souber a pronúncia correta, busque auxílio em dicionários ou
com pessoas que dominem essa língua estrangeira. No caso de não entender alguma palavra, não tenha
constrangimento em pedir para repetir, se senti que sua compreensão é importante para a comunicação.
Listas telefônicas
A organização das listas telefônicas brasileiras segue a um padrão nacional. Assim, onde quer que você
more ou esteja, saberá consultar as listas telefônicas locais. Existem várias listas, mas as mais usadas são as
de Assinantes, Endereços e Páginas Amarelas. É necessário, contudo, que você saiba tirar o máximo proveito
delas, utilizando-as devidamente, pois elas contêm informações que certamente agilizarão seu trabalho.
Das listas de assinantes, constam os nomes dos assinantes de uma ou várias cidades circunvizinhas.
Há cidades com população muito grande, onde essas listas são apresentadas por regiões ou bairros. Caso
você necessite consultar uma lista diferente daquela que cobre sua área, disque para a companhia de sua
cidade e solicite o número desejado.
Nas listas os nomes dos assinantes aparecem por ordem alfabética. Você deve, portanto, procurar pelo
último sobrenome simples ou composto.
Exemplo: Pedro Camargo Santos
Você deve procurar: Santos, Pedro C. Antônio Gonçalves Júnior
Procure: Gonçalves Jr., Antônio
Há casos, entretanto, em que o sobrenome que consta da lista não é o último e sim aquele pelo qual a
pessoa é comumente conhecida.
Exemplo: Maria Vieira Botelho
Você pode também procurar: Vieira Botelho, Maria
Em muitas ocasiões, você terá necessidade de procurar nomes de firmas, empresas. Nesses casos,
comumente se procura pelo nome por extenso, entretanto, há casos em que da lista constam simplesmente as
siglas.
Exemplo: Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC
Procure: SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
Da lista de endereços, fazem parte todos os logradouros (ruas, avenidas, praças, travessas etc.) da cidade.
Esses endereços também obedecem à ordem alfabética.
Exemplo: Travessa Siqueira Campos
Procure: Siqueira Campos, tv.
Em casos de nomes de ruas que incluam títulos, exclua o t e procure pelo primeiro nome:
Exemplo: Avenida Marechal Deodoro da Fonseca
Procure: Deodoro da Fonseca, Mal., av.
Você deve consultar as listas páginas amarelas por categorias de atividades. Se você precisa consultar as
lojas que vendem móveis, por exemplo, deve procurar, primeiramente, por móveis, embora tenha também a
opção de buscar, por subtítulos, mais especificamente: móveis de escritório, dormitórios, estofados etc.
Códigos e serviços prestados
Além de conhecer e bem utilizar as listas, é interessante que você saiba que as empresas telefônicas
prestam outros serviços.
Devido à freqüência com que você deverá consultar a relação de códigos e serviços oferecidos pelas
companhias telefônicas, julgamos importante que você liste alguns de maior utilidade. Em anexo, fornecemos
uma lista com esses telefones para que você a tenha sempre à mão.
Atendimento em locais específicos
É sempre importante, antes de começar a trabalhar em uma instituição, conhecer sua área de atuação. Isso
porque há algumas especificidades no trabalho prestado por um recepcionista em certos tipos de empresa.
O trabalho de recepção em um hospital envolve, sobretudo, um grande respeito pela situação de tensão em
que se encontram as pessoas que por lá transitam. Mesmo no caso das maternidades, onde geralmente
predomina a circulação de pessoas alegres, algumas costumam estar sob tensão. É preciso, por isso, prestar
serviço de forma que o cliente sinta-se à vontade para expor suas necessidades e perceba que você, de fato,
está empenhado em resolver seus problemas.
Esteja preparado, portanto, para reações mais emocionais, como expressões de tristeza, raiva, indignação.
Quando presenciar alguma situação assim, procure agir com calma, delicadeza e profissional ismo, de modo a
transmitir tranqüilidade e solidariedade ao cliente.
Na maior parte das vezes, uma pessoa que se dirige à recepção de um hospital está nervosa, chateada,
sob tensão. O tratamento dado ao cliente, além de atencioso, deve refletir interesse e delicadeza. A imagem
que a instituição passa para quem está sen do atendido deve ser de confiança e credibilidade. Mas também
existem as manifestações de alegria que, por vezes, são exageradas e até mesmo barulhentas. Sem ser
ranzinza, ou antipático, mostre ao cliente que hospital é lugar de silêncio.
A preocupação com a aparência do recepcionista é um aspecto que, como sabemos, não se limita apenas
aos hospitais. Os cuidados com os aspectos de higiene pessoal - unhas cortadas e limpas, cabelos penteados
- sempre estão presentes. O uso de perfume, tão agradável em muitos ambientes, deve ser cauteloso. Como
quase tudo, em excesso, pode causar transtornos, ainda mais em se tratando de um hospital.
Caso seja necessário que um cliente aguarde na sala de espera, demonstre periodicamente que não se
esqueceu dele e que está providenciando seu atendimento. É preciso que você se lembre de que, em
situações de tensão, é mais difícil controlar a ansiedade e o tempo parece não passar. Uma de suas tarefas,
portanto, será a de tranqüilizar os clientes na sala de espera. Você sabe como são comuns os comentários a
respeito de longas horas passadas em salas de espera. Não ficamos sempre com uma sensação de tempo
perdido e uma imagem muito ruim dos profissionaisque nos fizeram esperar?
Note a diferença nessas situações de atendimento em hospitais:
Hospital São Tomé
O Hospital São Tomé, preocupado com a melhoria da qualidade, reforçou o atendimento oferecido aos seus
clientes. A excelência de seu atendimento começa na recepção. Ao se dirigir à recepcionista, o cliente já pode
observar que ela está uniformizada, o que facilita a identificação dos funcionários e a padronização dos
mesmos.
Nélson tinha uma consulta marcada nesse hospital. Ao se dirigir à recepcionista, informou-se sobre sua
consulta. A recepcionista foi confirmar no computador, dia e horário previamente marcados. Após a verificação,
pediu que aguardasse um pouco, pois o médico a quem consultaria encontrava-se no centro cirúrgico, mas
logo viria atendê-lo. A recepcionista ofereceu algumas revistas ao paciente, propondo-lhe que aguardasse seu
chamado confortavelmente sentado.
Alguns minutos depois, a recepcionista telefonou para o centro cirúrgico, informando o médico de que
Nélson ainda o aguardava. O médico pediu-lhe que em cinco minutos o encaminhasse ao seu consultório. Ela
se dirigiu a Nélson, informando-o de que seria atendido em cinco minutos. Decorrido o tempo previsto, ela o
encaminhou ao consultório do médico.
Nélson ficou muito satisfeito e bem impressionado com o excelente atendimento recebido, superando em
muito suas expectativas.
NOÇÕES DE
ADMINISTRAÇÃO
FINANCEIRA
Lidar com finanças e construir patrimônio são duas ações que acompanham o homem há muitos séculos.
Não precisamos, no entanto, analisar profundamente a história. Basta nos atermos ao nosso dia-a-dia e
observar como estamos freqüentemente usando esses conceitos. A partir daí, torna-se fácil transpô-los para a
realidade das empresas, aplicando-os em nosso trabalho.
FINANÇAS
Para compreender o conceito de finanças, vamos imaginar a seguinte situação.
Antônio recebeu hoje o salário do mês. Observe como ele o administra. Primeiro, Antônio separa uma parte
do dinheiro para o pagamento das contas de luz, gás, telefone, condomínio e também do aluguel. Outra parte é
destinada aos gastos com transporte, alimentação e eventuais despesas médicas. O que sobra, Antônio
deposita no banco. Assim ele pretende juntar o dinheiro suficiente para poder comprar o tão sonhado
videocassete.
De acordo com a situação vivida por Antônio, podemos concluir que todos nós somos administradores
financeiros de nosso dinheiro, ou seja, todos nós lidamos com finanças.
E isso acontece quando fazemos nosso planejamento financeiro doméstico; quando levantamos nossos
fundos de reserva, verificando onde e quanto do dinheiro de que dispomos será guardado; quando
empregamos e distribuímos nosso dinheiro; quando confrontamos nossos planos originais com o que
efetivamente pode ser realizado.
Logo, pode-se entender por finanças a guarda, a aplicação e a distribuição de recursos financeiros.
É dessa forma que podemos entender as finanças de uma empresa.
As finanças de uma empresa representam a administração de seus recursos, desde a aquisição até a
distribuição eficiente.
PATRIMÔNIO
Sabemos que, no início da civilização, o homem habitava cavernas e buscava os frutos silvestres e a água
para saciar sua fome e sua sede.
Com o tempo, passou a guardar frutos e a água dentro da caverna, para poder utilizá-la de acordo com
suas necessidades de consumo. Nascia aí o conceito primitivo de patrimônio.
Eram patrimônio também todos os bens e mercadorias obtidos através do comércio.
BEM = aqui é entendido como tudo aquilo que a pessoa possui, seja para uso, troca ou consumo.
Nesse contexto histórico, o comércio se baseava apenas na simples troca de mercadorias. Logo, todo o
excedente da produção era diretamente trocado por outros produtos com a única finalidade de manter a
substância do grupo.
Com a invenção da moeda como forma de aquisição de mercadorias, as sociedades passaram a buscar o
acúmulo de bens visando à geração de riquezas. Ampliava-se assim o conceito de patrimônio, que já não
existia mais, somente, com a finalidade de manter a subsistência do homem, mas, sim, com finalidade
econômica.
Com o acúmulo de riquezas, as sociedades passaram a criar reservas de recursos suficientes para negociá-
los com terceiros, através de empréstimos. Assim nasciam os conceitos de direitos e obrigações.
DIREITOS = são todos os valores que alguém tem a receber de terceiros.
OBRIGAÇÕES = são todos os valores que alguém tem a pagar.
Hoje o patrimônio constitui um conjunto de bens, direitos e obrigações de uma pessoa, que poder ser física
(o indivíduo) ou jurídica (a empresa).
EXERCÍCIO
Na relação de itens a seguir, coloque, dentro dos parênteses, B para os bens, D para os direitos e O para
as obrigações:
Apartamento ( )
Dinheiro ( )
Promissórias a pagar ( )
Automóveis ( )
Duplicatas a receber ( )
Impostos a pagar ( )
Lucros a distribuir ( )
Dividendos a pagar ( )
Terras ( )
Máquinas ( )
Contas a receber ( )
Salários a pagar ( )
Jóias ( )
Prestações a receber ( )
Caminhões ( )
Respostas: B,D,O,B,D,O,O,O,B,B,D,O,B,D,B
Após a compreensão dos conceitos de finanças e patrimônio, pré-requisitos para o desenvolvimento de seu
estudo sobre administração financeira, vamos dar um segundo passo, buscando agora conhecer os objetivos e
as funções da administração financeira dentro de uma empresa.
O OBJETIVO
Ao iniciar suas atividades, toda empresa tem a administração voltada para a realização de seus objetivos.
Nos dias de hoje, principalmente devido às mudanças no perfil do público consumidor e na própria estrutura
empresarial, as empresas destacam entre seus maiores objetivos a qualidade nos produtos e serviços
oferecidos e a produtividade do trabalhador.
Para garantir a consecução dos objetivos mais gerais de uma empresa, todos os setores que a constituem
precisam responder eficientemente aos seus objetivos específicos. No caso da administração financeira, seu
papel é o de garantir à empresa a obtenção de lucros.
É importante não esquecermos que a realização dos objetivos da administração das empresas deve
responder a alguns princípios, como o cumprimento de suas obrigações sociais: pagamento de impostos,
atendimento às exigências da legislação do país e controle das agressões que sua produção e atividades
possam fazer ao meio ambiente.
Aumentando o patrimônio da empresa
Para aumentar o valor do patrimônio de uma empresa a administração financeira precisa ter em mente
alguns aspectos, como as perspectivas de investimento a longo prazo, a destinação do lucro em exercício, a
consideração do risco assumido e o aumento ou a manutenção do valor de mercado da empresa.
O investimento a longo prazo
Chamamos de investimento todos os gastos que uma empresa faz para melhorar a qualidade de seus
serviços. Para garantir a manutenção das atividades e a consecução dos lucros, toda empresa realiza
investimentos, que podem ser de curto ou de longo prazo.
Como toda empresa é constituída com a perspectiva da evolução dos lucros e da manutenção de suas
atividades por tempo indeterminado, a administração financeira precisa considerar, sempre, a importância do
investimento a longo prazo. Ao planejar esses investimentos, muitas vezes a administração financeira pode até
sacrificar um lucro imediato com o objetivo de conseguir maiores benefícios futuros para a empresa.
Todo investimento a longo prazo precisa de um acompanhamento e de uma avaliação sobre as tendências
e o desenvolvimento do mercado. Ao mesmo tempo, a empresa que realiza investimentos em tecnologia,
novos produtos e treinamento de pessoal estará mais bem preparada para assimilar e se adaptar às
mudanças, seja nos processos de trabalho, seja atendendo às novas exigências do mercado.
Destinação do lucro
0 lucro apurado no final de um período contábil pode ter várias destinações, como criação de reservas (que
não são distribuídas aos acionistas); bonificações (distribuídas aos acionistas em forma de novas ações) ou
dividendos (distribuídos aos acionistasem forma de dinheiro).
Ao estabelecer uma política de dividendos, cabe à administração financeira questionar quanto do lucro deve
ser distribuído aos acionistas e quanto deve ser retido para financiar a expansão dos negócios.
O risco
A administração financeira precisa sempre considerar os riscos a serem assumidos. 0 investidor só
considera satisfatório deixar de receber os lucros de uma aplicação, no prazo combinado, caso haja
possibilidade de recebê-los com rendimentos maiores no futuro. 0 retorno deve ser compatível com o risco
assumido.
* valor de mercado
* capacidade de uma empresa gerar lucros, seu conceito junto aos credores, assim como sua tecnologia e
sua competência gerencial são fatores que podem manter ou aumentar o valor da empresa no mercado.
Logo, nenhum desses fatores pode deixar de ser considerado nas pesquisas e nos projetos de investimento
da administração financeira.
AS FUNÇÕES
Vamos analisar a seguinte situação, vivida pela empresa Delta: ela apresenta saldo de caixa inativo,
excesso de estoque e três máquinas paralisadas à espera de reposição de peças.
Na sua opinião, o administrador financeiro da empresa Delta está cumprindo suas funções de forma
eficiente?
Mesmo sem sabermos quais são as funções de um administrador financeiro, percebemos que em nenhuma
empresa pode ocorrer uma situação semelhante à da empresa Delta.
Para que a administração financeira atinja seus objetivos ela deve executar suas funções essenciais, que
são planejamento financeiro, aquisição, otimização e distribuição dos recursos, além do controle financeiro.
Planejamento financeiro
É comum usarmos o verbo planejar para expressar aquilo que estamos pensando em realizar. Veja só:
Luiza está planejando viajar.
Luiza também planejou a compra de seu apartamento, mas foi obrigada a mudar os planos.
Frases como essas são usuais porque tudo na vida merece um planejamento, seja ele simples, seja
complexo.
Mas por que sentimos essa necessidade? Porque precisamos definir antecipadamente o que desejamos
alcançar, como e quando será feito e por quanto e por quem será feito.
Na administração financeira, o planejamento visa a estabelecer a quantidade de recursos que serão
investidos em novos mercados e quanto será destinado ao reaparelhamento de máquinas, veículos, móveis,
equipamentos, etc.
Aquisição de recursos
Os recursos de uma empresa podem ser obtidos internamente, por meio das próprias operações da firma
(venda de suas mercadorias ou serviços), ou externamente (empréstimos bancários, créditos concedidos pelo
governo, etc.), através de negociações de financiamento. Cabe à administração financeira decidir qual é a
forma de captação mais adequada às operações normais, rotineiras e aos novos projetos a serem implantados
na empresa.
Os recursos podem ser utilizados para adquirir maiores estoques, financiar um volume maior de vendas a
crédito, comprar ativos imobilizados (automóveis, terrenos, jóias, etc.) e aumentar o saldo de caixa para
transações ou mesmo por precaução.
Otimização dos recursos
Toda empresa, desde o momento em que inicia suas operações e começa a funcionar, realiza gastos. Os
gastos de uma empresa são as despesas, os custos ou mesmo os investimentos feitos para a produção de
bens e serviços.
DESPESAS
são os gastos que decorrem das atividades operacionais.
CUSTOS
são os gastos atribuídos à fabricação dos produtos ou à realização dos serviços.
INVESTIMENTOS
como você já viu, são os gastos efetuados para manter as atividades e permitir a obtenção dos lucros.
Otimizar os recursos de uma empresa significa exatamente aplicá-los com eficácia, procurando um
adequado equilíbrio orçamentário entre as despesas, os custos e os investimentos.
Por exemplo, no momento em que uma empresa é criada, surgem os gastos iniciais com a legalização. A
partir daí, toma-se necessário contratar um contador ou um técnico em contabilidade para orientar os
procedimentos de abertura da empresa, registrar o contrato social e cadastrar a empresa em vários órgãos da
Prefeitura, Estado, Receita Federal, etc.
Depois que a empresa está registrada, já podendo exercer sua atividade legal, o próprio objetivo do negócio
gera outros gastos, como contratação de pessoal para o trabalho; pagamento de aluguel e taxas públicas (des-
pesas); pagamento de impostos ligados à produção e à venda (custos); compra de matéria-prima ou
mercadorias (custos); treinamento do pessoal para desempenho das funções (investimento) e compra de equi-
pamentos (investimento).
Distribuição eficiente de recursos
Para alcançar o lucro desejado e preservar a capacidade de pagar seus compromissos nos vencimentos,
torna-se necessário que a empresa distribua equilibradamente os recursos por todos os seus setores.
É importante destacar que para uma correta distribuição de recursos, com menor probabilidade de erro, a
área financeira precisa estar integrada às demais áreas da empresa.
Controle financeiro
O controle financeiro tem início no ponto em que o planejamento da empresa termina.
Esse controle tem por objetivo verificar se os recursos destinados à consecução das atividades estão sendo
aplicados conforme o planejado e avaliar a necessidade de correções e adaptações para que os resultados
previstos ao longo do planejamento sejam atingidos.
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PÚBLICA
Difere da administração financeira particular e está regulamentada pela Lei Complementar nº 101/2000 a
seguir:
LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE
2000.
Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras
providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei Complementar:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1o Esta Lei Complementar estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na
gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição.
§ 1o A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem
riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de
metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de
receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária,
operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a
Pagar.
§ 2o As disposições desta Lei Complementar obrigam a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios.
§ 3o Nas referências:
I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, estão compreendidos:
a) o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o
Ministério Público;
b) as respectivas administrações diretas, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes;
II - a Estados entende-se considerado o Distrito Federal;
III - a Tribunais de Contas estão incluídos: Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado e,
quando houver, Tribunal de Contas dos Municípios e Tribunal de Contas do Município.
Art. 2o Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como:
I - ente da Federação: a União, cada Estado, o Distrito Federal e cada Município;
II - empresa controlada: sociedade cuja maioria do capital social com direito a voto pertença, direta ou
indiretamente, a ente da Federação;
III - empresa estatal dependente: empresa controlada que receba do ente controlador recursos financeiros
para pagamento de despesas com pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último caso,
aqueles provenientes de aumento de participação acionária;
IV - receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais,
agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos:
a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal,e as
contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição;
b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional;
c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de
previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9o do art.
201 da Constituição.
§ 1o Serão computados no cálculo da receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência
da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996, e do fundo previsto pelo art. 60 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias.
§ 2o Não serão considerados na receita corrente líquida do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de
Roraima os recursos recebidos da União para atendimento das despesas de que trata o inciso V do § 1o do art.
19.
§ 3o A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e
nos onze anteriores, excluídas as duplicidades.
CAPÍTULO II
DO PLANEJAMENTO
Seção I
Do Plano Plurianual
Art. 3o (VETADO)
Seção II
Da Lei de Diretrizes Orçamentárias
Art. 4o A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2o do art. 165 da Constituição e:
I - disporá também sobre:
a) equilíbrio entre receitas e despesas;
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II
deste artigo, no art. 9o e no inciso II do § 1o do art. 31;
c) (VETADO)
d) (VETADO)
e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com
recursos dos orçamentos;
f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas;
II - (VETADO)
III - (VETADO)
§ 1o Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão
estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados
nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes.
§ 2o O Anexo conterá, ainda:
I - avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
II - demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os
resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores, e evidenciando a
consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional;
III - evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação
dos recursos obtidos com a alienação de ativos;
IV - avaliação da situação financeira e atuarial:
a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos servidores públicos e do Fundo de Amparo ao
Trabalhador;
b) dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial;
V - demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das
despesas obrigatórias de caráter continuado.
§ 3o A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos
contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a serem
tomadas, caso se concretizem.
§ 4o A mensagem que encaminhar o projeto da União apresentará, em anexo específico, os objetivos das
políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e as projeções para seus principais
agregados e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o exercício subseqüente.
Seção III
Da Lei Orçamentária Anual
Art. 5o O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com a lei
de diretrizes orçamentárias e com as normas desta Lei Complementar:
I - conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos
e metas constantes do documento de que trata o § 1o do art. 4o;
II - será acompanhado do documento a que se refere o § 6o do art. 165 da Constituição, bem como das
medidas de compensação a renúncias de receita e ao aumento de despesas obrigatórias de caráter
continuado;
III - conterá reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante, definido com base na receita
corrente líquida, serão estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, destinada ao:
a) (VETADO)
b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.
§ 1o Todas as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou contratual, e as receitas que as atenderão,
constarão da lei orçamentária anual.
§ 2o O refinanciamento da dívida pública constará separadamente na lei orçamentária e nas de crédito
adicional.
§ 3o A atualização monetária do principal da dívida mobiliária refinanciada não poderá superar a variação do
índice de preços previsto na lei de diretrizes orçamentárias, ou em legislação específica.
§ 4o É vedado consignar na lei orçamentária crédito com finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada.
§ 5o A lei orçamentária não consignará dotação para investimento com duração superior a um exercício
financeiro que não esteja previsto no plano plurianual ou em lei que autorize a sua inclusão, conforme disposto
no § 1o do art. 167 da Constituição.
§ 6o Integrarão as despesas da União, e serão incluídas na lei orçamentária, as do Banco Central do Brasil
relativas a pessoal e encargos sociais, custeio administrativo, inclusive os destinados a benefícios e assistência
aos servidores, e a investimentos.
§ 7o (VETADO)
Art. 6o (VETADO)
Art. 7o O resultado do Banco Central do Brasil, apurado após a constituição ou reversão de reservas,
constitui receita do Tesouro Nacional, e será transferido até o décimo dia útil subseqüente à aprovação dos
balanços semestrais.
§ 1o O resultado negativo constituirá obrigação do Tesouro para com o Banco Central do Brasil e será
consignado em dotação específica no orçamento.
§ 2o O impacto e o custo fiscal das operações realizadas pelo Banco Central do Brasil serão demonstrados
trimestralmente, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias da União.
§ 3o Os balanços trimestrais do Banco Central do Brasil conterão notas explicativas sobre os custos da
remuneração das disponibilidades do Tesouro Nacional e da manutenção das reservas cambiais e a
rentabilidade de sua carteira de títulos, destacando os de emissão da União.
Seção IV
Da Execução Orçamentária e do Cumprimento das Metas
Art. 8o Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes
orçamentárias e observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4o, o Poder Executivo estabelecerá a
programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso.
Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados exclusivamente
para atender ao objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso.
Art. 9o Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o
cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os
Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias
subseqüentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados pela lei de
diretrizes orçamentárias.
§ 1o No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações cujos
empenhos foram limitados dar-se-á de forma proporcional às reduções efetivadas.
§ 2o Não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do ente,
inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida, e as ressalvadas pela lei de diretrizes
orçamentárias.
§ 3o No caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o Ministério Público não promoverem a limitação no
prazo estabelecido no caput, é o Poder Executivo autorizado a limitar os valores financeiros segundo os
critérios fixados pela leide diretrizes orçamentárias.
§ 4o Até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro, o Poder Executivo demonstrará e avaliará o
cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre, em audiência pública na comissão referida no § 1o do
art. 166 da Constituição ou equivalente nas Casas Legislativas estaduais e municipais.
§ 5o No prazo de noventa dias após o encerramento de cada semestre, o Banco Central do Brasil
apresentará, em reunião conjunta das comissões temáticas pertinentes do Congresso Nacional, avaliação do
cumprimento dos objetivos e metas das políticas monetária, creditícia e cambial, evidenciando o impacto e o
custo fiscal de suas operações e os resultados demonstrados nos balanços.
Art. 10. A execução orçamentária e financeira identificará os beneficiários de pagamento de sentenças
judiciais, por meio de sistema de contabilidade e administração financeira, para fins de observância da ordem
cronológica determinada no art. 100 da Constituição.
CAPÍTULO III
DA RECEITA PÚBLICA
Seção I
Da Previsão e da Arrecadação
Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e
efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente da Federação.
Parágrafo único. É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente que não observe o
disposto no caput, no que se refere aos impostos.
Art. 12. As previsões de receita observarão as normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das
alterações na legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro
fator relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos, da projeção
para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia de cálculo e premissas utilizadas .
§ 1o Reestimativa de receita por parte do Poder Legislativo só será admitida se comprovado erro ou
omissão de ordem técnica ou legal.
§ 2o O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser superior ao das despesas
de capital constantes do projeto de lei orçamentária.
§ 3o O Poder Executivo de cada ente colocará à disposição dos demais Poderes e do Ministério Público, no
mínimo trinta dias antes do prazo final para encaminhamento de suas propostas orçamentárias, os estudos e
as estimativas das receitas para o exercício subseqüente, inclusive da corrente líquida, e as respectivas
memórias de cálculo.
Art. 13. No prazo previsto no art. 8o, as receitas previstas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em
metas bimestrais de arrecadação, com a especificação, em separado, quando cabível, das medidas de
combate à evasão e à sonegação, da quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa,
bem como da evolução do montante dos créditos tributários passíveis de cobrança administrativa.
Seção II
Da Renúncia de Receita
Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia
de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que
deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo
menos uma das seguintes condições:
I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei
orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo
próprio da lei de diretrizes orçamentárias;
II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do
aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação
de tributo ou contribuição.
§ 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em
caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada
de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.
§ 2o Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo
decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas
referidas no mencionado inciso.
§ 3o O disposto neste artigo não se aplica:
I - às alterações das alíquotas dos impostos previstos nos incisos I, II, IV e V do art. 153 da Constituição, na
forma do seu § 1o;
II - ao cancelamento de débito cujo montante seja inferior ao dos respectivos custos de cobrança.
CAPÍTULO IV
DA DESPESA PÚBLICA
Seção I
Da Geração da Despesa
Art. 15. Serão consideradas não autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de
despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos arts. 16 e 17.
Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental que acarrete aumento da despesa
será acompanhado de:
I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois
subseqüentes;
II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e financeira com a
lei orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias.
§ 1o Para os fins desta Lei Complementar, considera-se:
I - adequada com a lei orçamentária anual, a despesa objeto de dotação específica e suficiente, ou que
esteja abrangida por crédito genérico, de forma que somadas todas as despesas da mesma espécie,
realizadas e a realizar, previstas no programa de trabalho, não sejam ultrapassados os limites estabelecidos
para o exercício;
II - compatível com o plano plurianual e a lei de diretrizes orçamentárias, a despesa que se conforme com
as diretrizes, objetivos, prioridades e metas previstos nesses instrumentos e não infrinja qualquer de suas
disposições.
§ 2o A estimativa de que trata o inciso I do caput será acompanhada das premissas e metodologia de
cálculo utilizadas.
§ 3o Ressalva-se do disposto neste artigo a despesa considerada irrelevante, nos termos em que dispuser a
lei de diretrizes orçamentárias.
§ 4o As normas do caput constituem condição prévia para:
I - empenho e licitação de serviços, fornecimento de bens ou execução de obras;
II - desapropriação de imóveis urbanos a que se refere o § 3o do art. 182 da Constituição.
Subseção I
Da Despesa Obrigatória de Caráter Continuado
Art. 17. Considera-se obrigatória de caráter continuado a despesa corrente derivada de lei, medida
provisória ou ato administrativo normativo que fixem para o ente a obrigação legal de sua execução por um
período superior a dois exercícios.
§ 1o Os atos que criarem ou aumentarem despesa de que trata o caput deverão ser instruídos com a
estimativa prevista no inciso I do art. 16 e demonstrar a origem dos recursos para seu custeio.
§ 2o Para efeito do atendimento do § 1o, o ato será acompanhado de comprovação de que a despesa criada
ou aumentada não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo referido no § 1o do art. 4o,
devendo seus efeitos financeiros, nos períodos seguintes, ser compensados pelo aumento permanente de
receita ou pela redução permanente de despesa.
§ 3o Para efeito do § 2o, considera-se aumento permanente de receita o proveniente da elevação de
alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição.
§ 4o A comprovação referida no § 2o, apresentada pelo proponente, conterá as premissas e metodologia de
cálculo utilizadas, sem prejuízo do exame de compatibilidade da despesa com as demais normas do plano
plurianual e da lei de diretrizes orçamentárias.
§ 5o A despesa de que trata este artigo não será executada antes da implementação das medidas referidas
no § 2o, as quais integrarão o instrumento que a criar ou aumentar.
§ 6o O disposto no § 1o não se aplica às despesas destinadas ao serviço da dívida nem ao reajustamento
de remuneração de pessoal de que trata o inciso X do art. 37 da Constituição.
§ 7o Considera-se aumento de despesa a prorrogaçãodaquela criada por prazo determinado.
Seção II
Das Despesas com Pessoal
Subseção I
Definições e Limites
Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como despesa total com pessoal: o somatório
dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos,
cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias,
tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e
pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem
como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência.
§ 1o Os valores dos contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores
e empregados públicos serão contabilizados como "Outras Despesas de Pessoal".
§ 2o A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos
onze imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência.
Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em
cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita
corrente líquida, a seguir discriminados:
I - União: 50% (cinqüenta por cento);
II - Estados: 60% (sessenta por cento);
III - Municípios: 60% (sessenta por cento).
§ 1o Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não serão computadas as despesas:
I - de indenização por demissão de servidores ou empregados;
II - relativas a incentivos à demissão voluntária;
III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição;
IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de período anterior ao da apuração a que se refere o
§ 2o do art. 18;
V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e Roraima, custeadas com recursos
transferidos pela União na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda
Constitucional no 19;
VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo específico, custeadas por recursos provenientes:
a) da arrecadação de contribuições dos segurados;
b) da compensação financeira de que trata o § 9o do art. 201 da Constituição;
c) das demais receitas diretamente arrecadadas por fundo vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da
alienação de bens, direitos e ativos, bem como seu superávit financeiro.
§ 2o Observado o disposto no inciso IV do § 1o, as despesas com pessoal decorrentes de sentenças
judiciais serão incluídas no limite do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20.
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais:
I - na esfera federal:
a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União;
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por cento) para o Executivo, destacando-se 3% (três por cento)
para as despesas com pessoal decorrentes do que dispõem os incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e o
art. 31 da Emenda Constitucional no 19, repartidos de forma proporcional à média das despesas relativas a
cada um destes dispositivos, em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios
financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar;
d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério Público da União;
II - na esfera estadual:
a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Estado;
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
c) 49% (quarenta e nove por cento) para o Executivo;
d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos Estados;
III - na esfera municipal:
a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Município, quando houver;
b) 54% (cinqüenta e quatro por cento) para o Executivo.
§ 1o Nos Poderes Legislativo e Judiciário de cada esfera, os limites serão repartidos entre seus órgãos de
forma proporcional à média das despesas com pessoal, em percentual da receita corrente líquida, verificadas
nos três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar.
§ 2o Para efeito deste artigo entende-se como órgão:
I - o Ministério Público;
II- no Poder Legislativo:
a) Federal, as respectivas Casas e o Tribunal de Contas da União;
b) Estadual, a Assembléia Legislativa e os Tribunais de Contas;
c) do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do Distrito Federal;
d) Municipal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Município, quando houver;
III - no Poder Judiciário:
a) Federal, os tribunais referidos no art. 92 da Constituição;
b) Estadual, o Tribunal de Justiça e outros, quando houver.
§ 3o Os limites para as despesas com pessoal do Poder Judiciário, a cargo da União por força do inciso XIII
do art. 21 da Constituição, serão estabelecidos mediante aplicação da regra do § 1o.
§ 4o Nos Estados em que houver Tribunal de Contas dos Municípios, os percentuais definidos nas alíneas a
e c do inciso II do caput serão, respectivamente, acrescidos e reduzidos em 0,4% (quatro décimos por cento).
§ 5o Para os fins previstos no art. 168 da Constituição, a entrega dos recursos financeiros correspondentes
à despesa total com pessoal por Poder e órgão será a resultante da aplicação dos percentuais definidos neste
artigo, ou aqueles fixados na lei de diretrizes orçamentárias.
§ 6o (VETADO)
Subseção II
Do Controle da Despesa Total com Pessoal
Art. 21. É nulo de pleno direito o ato que provoque aumento da despesa com pessoal e não atenda:
I - as exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar, e o disposto no inciso XIII do art. 37 e no § 1o
do art. 169 da Constituição;
II - o limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo.
Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal
expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo Poder ou órgão
referido no art. 20.
Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 será realizada ao final de
cada quadrimestre.
Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são
vedados ao Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no excesso:
I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os
derivados de sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso
X do art. 37 da Constituição;
II - criação de cargo, emprego ou função;
III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa;
IV - provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a
reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e
segurança;
V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição e as
situações previstas na lei de diretrizes orçamentárias.
Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites
definidos no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá de ser
eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre
outras, as providências previstas nos §§ 3o e 4o do art. 169 da Constituição.
§ 1o No caso do inciso I do § 3o do art. 169 da Constituição, o objetivo poderá ser alcançado tanto pela
extinção de cargos e funções quanto pela redução dos valores a eles atribuídos.
§ 2o É facultada a redução temporária da jornada de trabalho com adequação dos vencimentos à nova
carga horária.
§ 3o Não alcançada a redução no prazo estabelecido, e enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá:
I - recebertransferências voluntárias;
II - obter garantia, direta ou indireta, de outro ente;
III - contratar operações de crédito, ressalvadas as destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária e as
que visem à redução das despesas com pessoal.
§ 4o As restrições do § 3o aplicam-se imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite no
primeiro quadrimestre do último ano do mandato dos titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20.
Seção III
Das Despesas com a Seguridade Social
Art. 24. Nenhum benefício ou serviço relativo à seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido
sem a indicação da fonte de custeio total, nos termos do § 5o do art. 195 da Constituição, atendidas ainda as
exigências do art. 17.
§ 1o É dispensada da compensação referida no art. 17 o aumento de despesa decorrente de:
I - concessão de benefício a quem satisfaça as condições de habilitação prevista na legislação pertinente;
II - expansão quantitativa do atendimento e dos serviços prestados;
III - reajustamento de valor do benefício ou serviço, a fim de preservar o seu valor real.
§ 2o O disposto neste artigo aplica-se a benefício ou serviço de saúde, previdência e assistência social,
inclusive os destinados aos servidores públicos e militares, ativos e inativos, e aos pensionistas.
CAPÍTULO V
DAS TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS
Art. 25. Para efeito desta Lei Complementar, entende-se por transferência voluntária a entrega de recursos
correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que
não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde.
§ 1o São exigências para a realização de transferência voluntária, além das estabelecidas na lei de
diretrizes orçamentárias:
I - existência de dotação específica;
II - (VETADO)
III - observância do disposto no inciso X do art. 167 da Constituição;
IV - comprovação, por parte do beneficiário, de:
a) que se acha em dia quanto ao pagamento de tributos, empréstimos e financiamentos devidos ao ente
transferidor, bem como quanto à prestação de contas de recursos anteriormente dele recebidos;
b) cumprimento dos limites constitucionais relativos à educação e à saúde;
c) observância dos limites das dívidas consolidada e mobiliária, de operações de crédito, inclusive por
antecipação de receita, de inscrição em Restos a Pagar e de despesa total com pessoal;
d) previsão orçamentária de contrapartida.
§ 2o É vedada a utilização de recursos transferidos em finalidade diversa da pactuada.
§ 3o Para fins da aplicação das sanções de suspensão de transferências voluntárias constantes desta Lei
Complementar, excetuam-se aquelas relativas a ações de educação, saúde e assistência social.
CAPÍTULO VI
DA DESTINAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS PARA O SETOR PRIVADO
Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou
déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei
de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais.
§ 1o O disposto no caput aplica-se a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas
estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do
Brasil.
§ 2o Compreende-se incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as
respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em
constituição ou aumento de capital.
Art. 27. Na concessão de crédito por ente da Federação a pessoa física, ou jurídica que não esteja sob seu
controle direto ou indireto, os encargos financeiros, comissões e despesas congêneres não serão inferiores aos
definidos em lei ou ao custo de captação.
Parágrafo único. Dependem de autorização em lei específica as prorrogações e composições de dívidas
decorrentes de operações de crédito, bem como a concessão de empréstimos ou financiamentos em
desacordo com o caput, sendo o subsídio correspondente consignado na lei orçamentária.
Art. 28. Salvo mediante lei específica, não poderão ser utilizados recursos públicos, inclusive de operações
de crédito, para socorrer instituições do Sistema Financeiro Nacional, ainda que mediante a concessão de
empréstimos de recuperação ou financiamentos para mudança de controle acionário.
§ 1o A prevenção de insolvência e outros riscos ficará a cargo de fundos, e outros mecanismos, constituídos
pelas instituições do Sistema Financeiro Nacional, na forma da lei.
§ 2o O disposto no caput não proíbe o Banco Central do Brasil de conceder às instituições financeiras
operações de redesconto e de empréstimos de prazo inferior a trezentos e sessenta dias.
CAPÍTULO VII
DA DÍVIDA E DO ENDIVIDAMENTO
Seção I
Definições Básicas
Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as seguintes definições:
I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações
financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da
realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses;
II - dívida pública mobiliária: dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do
Banco Central do Brasil, Estados e Municípios;
III - operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito,
emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da
venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o
uso de derivativos financeiros;
IV - concessão de garantia: compromisso de adimplência de obrigação financeira ou contratual assumida
por ente da Federação ou entidade a ele vinculada;
V - refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos para pagamento do principal acrescido da
atualização monetária.
§ 1o Equipara-se a operação de crédito a assunção, o reconhecimento ou a confissão de dívidas pelo ente
da Federação, sem prejuízo do cumprimento das exigências dos arts. 15 e 16.
§ 2o Será incluída na dívida pública consolidada da União a relativa à emissão de títulos de
responsabilidade do Banco Central do Brasil.
§ 3o Também integram a dívida pública consolidada as operações de crédito de prazo inferior a doze meses
cujas receitas tenham constado do orçamento.
§ 4o O refinanciamento do principal da dívida mobiliária não excederá, ao término de cada exercício
financeiro, o montante do final do exercício anterior, somado ao das operações de crédito autorizadas no
orçamento para este efeito e efetivamente realizadas, acrescido de atualização monetária.
Seção II
Dos Limites da Dívida Pública e das Operações de Crédito
Art. 30. No prazo de noventa dias após a publicação desta Lei Complementar, o Presidente da República
submeterá ao:
I - Senado Federal: proposta de limites globais para o montante da dívida consolidada da União, Estados e
Municípios, cumprindo o que estabelece o inciso VI do art. 52 da Constituição, bem como de limites e
condições relativos aos incisos VII, VIII e IX do mesmo artigo;
II - Congresso Nacional: projeto de lei que estabeleça limites para o montante da dívida mobiliária federal a
que se refere o inciso XIV do art. 48 da Constituição, acompanhado da demonstração de sua adequação aos
limites fixados para a dívida consolidada da União, atendido o disposto no inciso I do § 1o deste artigo.
§ 1o As propostas referidas nos incisos I e II do caput e suas alterações conterão:
I - demonstração de que os limites e condições guardam coerência com as normas estabelecidas nesta Lei
Complementar e com os objetivos da política fiscal;
II - estimativas do impacto da aplicação dos limites a cada uma das três esferas de governo;
III - razões de eventual proposição de limites diferenciados por esfera de governo;
IV - metodologia de apuração dos resultados primárioe nominal.
§ 2o As propostas mencionadas nos incisos I e II do caput também poderão ser apresentadas em termos de
dívida líquida, evidenciando a forma e a metodologia de sua apuração.
§ 3o Os limites de que tratam os incisos I e II do caput serão fixados em percentual da receita corrente
líquida para cada esfera de governo e aplicados igualmente a todos os entes da Federação que a integrem,
constituindo, para cada um deles, limites máximos.
§ 4o Para fins de verificação do atendimento do limite, a apuração do montante da dívida consolidada será
efetuada ao final de cada quadrimestre.
§ 5o No prazo previsto no art. 5o, o Presidente da República enviará ao Senado Federal ou ao Congresso
Nacional, conforme o caso, proposta de manutenção ou alteração dos limites e condições previstos nos incisos
I e II do caput.
§ 6o Sempre que alterados os fundamentos das propostas de que trata este artigo, em razão de
instabilidade econômica ou alterações nas políticas monetária ou cambial, o Presidente da República poderá
encaminhar ao Senado Federal ou ao Congresso Nacional solicitação de revisão dos limites.
§ 7o Os precatórios judiciais não pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido incluídos
integram a dívida consolidada, para fins de aplicação dos limites.
Seção III
Da Recondução da Dívida aos Limites
Art. 31. Se a dívida consolidada de um ente da Federação ultrapassar o respectivo limite ao final de um
quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término dos três subseqüentes, reduzindo o excedente em
pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) no primeiro.
§ 1o Enquanto perdurar o excesso, o ente que nele houver incorrido:
I - estará proibido de realizar operação de crédito interna ou externa, inclusive por antecipação de receita,
ressalvado o refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária;
II - obterá resultado primário necessário à recondução da dívida ao limite, promovendo, entre outras
medidas, limitação de empenho, na forma do art. 9o.
§ 2o Vencido o prazo para retorno da dívida ao limite, e enquanto perdurar o excesso, o ente ficará também
impedido de receber transferências voluntárias da União ou do Estado.
§ 3o As restrições do § 1o aplicam-se imediatamente se o montante da dívida exceder o limite no primeiro
quadrimestre do último ano do mandato do Chefe do Poder Executivo.
§ 4o O Ministério da Fazenda divulgará, mensalmente, a relação dos entes que tenham ultrapassado os
limites das dívidas consolidada e mobiliária.
§ 5o As normas deste artigo serão observadas nos casos de descumprimento dos limites da dívida
mobiliária e das operações de crédito internas e externas.
Seção IV
Das Operações de Crédito
Subseção I
Da Contratação
Art. 32. O Ministério da Fazenda verificará o cumprimento dos limites e condições relativos à realização de
operações de crédito de cada ente da Federação, inclusive das empresas por eles controladas, direta ou
indiretamente.
§ 1o O ente interessado formalizará seu pleito fundamentando-o em parecer de seus órgãos técnicos e
jurídicos, demonstrando a relação custo-benefício, o interesse econômico e social da operação e o
atendimento das seguintes condições:
I - existência de prévia e expressa autorização para a contratação, no texto da lei orçamentária, em créditos
adicionais ou lei específica;
II - inclusão no orçamento ou em créditos adicionais dos recursos provenientes da operação, exceto no
caso de operações por antecipação de receita;
III - observância dos limites e condições fixados pelo Senado Federal;
IV - autorização específica do Senado Federal, quando se tratar de operação de crédito externo;
V - atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição;
VI - observância das demais restrições estabelecidas nesta Lei Complementar.
§ 2o As operações relativas à dívida mobiliária federal autorizadas, no texto da lei orçamentária ou de
créditos adicionais, serão objeto de processo simplificado que atenda às suas especificidades.
§ 3o Para fins do disposto no inciso V do § 1o, considerar-se-á, em cada exercício financeiro, o total dos
recursos de operações de crédito nele ingressados e o das despesas de capital executadas, observado o
seguinte:
I - não serão computadas nas despesas de capital as realizadas sob a forma de empréstimo ou
financiamento a contribuinte, com o intuito de promover incentivo fiscal, tendo por base tributo de competência
do ente da Federação, se resultar a diminuição, direta ou indireta, do ônus deste;
II - se o empréstimo ou financiamento a que se refere o inciso I for concedido por instituição financeira
controlada pelo ente da Federação, o valor da operação será deduzido das despesas de capital;
III - (VETADO)
§ 4o Sem prejuízo das atribuições próprias do Senado Federal e do Banco Central do Brasil, o Ministério da
Fazenda efetuará o registro eletrônico centralizado e atualizado das dívidas públicas interna e externa,
garantido o acesso público às informações, que incluirão:
I - encargos e condições de contratação;
II - saldos atualizados e limites relativos às dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito e
concessão de garantias.
§ 5o Os contratos de operação de crédito externo não conterão cláusula que importe na compensação
automática de débitos e créditos.
Art. 33. A instituição financeira que contratar operação de crédito com ente da Federação, exceto quando
relativa à dívida mobiliária ou à externa, deverá exigir comprovação de que a operação atende às condições e
limites estabelecidos.
§ 1o A operação realizada com infração do disposto nesta Lei Complementar será considerada nula,
procedendo-se ao seu cancelamento, mediante a devolução do principal, vedados o pagamento de juros e
demais encargos financeiros.
§ 2o Se a devolução não for efetuada no exercício de ingresso dos recursos, será consignada reserva
específica na lei orçamentária para o exerc ício seguinte.
§ 3o Enquanto não efetuado o cancelamento, a amortização, ou constituída a reserva, aplicam-se as
sanções previstas nos incisos do § 3o do art. 23.
§ 4o Também se constituirá reserva, no montante equivalente ao excesso, se não atendido o disposto no
inciso III do art. 167 da Constituição, consideradas as disposições do § 3o do art. 32.
Subseção II
Das Vedações
Art. 34. O Banco Central do Brasil não emitirá títulos da dívida pública a partir de dois anos após a
publicação desta Lei Complementar.
Art. 35. É vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por
intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da
administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída
anteriormente.
§ 1o Excetuam-se da vedação a que se refere o caput as operações entre instituição financeira estatal e
outro ente da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, que não se destinem a:
I - financiar, direta ou indiretamente, despesas correntes;
II - refinanciar dívidas não contraídas junto à própria instituição concedente.
§ 2o O disposto no caput não impede Estados e Municípios de comprar títulos da dívida da União como
aplicação de suas disponibilidades.
Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que
a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo.
Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe instituição financeira controlada de adquirir, no mercado,
títulos da dívida pública para atender investimento de seus clientes, ou títulos da dívida de emissão da União
para aplicação de recursos próprios.
Art. 37. Equiparam-se a operações de crédito e estão vedados:
I - captação de recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda
não tenha ocorrido, sem prejuízo do disposto no § 7o do art. 150 da Constituição;
II - recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou
indiretamente, a maioria do capitalsocial com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da legislação;
III - assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada, com fornecedor de
bens, mercadorias ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando esta
vedação a empresas estatais dependentes;
IV - assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento a posteriori
de bens e serviços.
Subseção III
Das Operações de Crédito por Antecipação de Receita Orçamentária
Art. 38. A operação de crédito por antecipação de receita destina-se a atender insuficiência de caixa
durante o exercício financeiro e cumprirá as exigências mencionadas no art. 32 e mais as seguintes:
I - realizar-se-á somente a partir do décimo dia do início do exercício;
II - deverá ser liquidada, com juros e outros encargos incidentes, até o dia dez de dezembro de cada ano;
III - não será autorizada se forem cobrados outros encargos que não a taxa de juros da operação,
obrigatoriamente prefixada ou indexada à taxa básica financeira, ou à que vier a esta substituir;
IV - estará proibida:
a) enquanto existir operação anterior da mesma natureza não integralmente resgatada;
b) no último ano de mandato do Presidente, Governador ou Prefeito Municipal.
§ 1o As operações de que trata este artigo não serão computadas para efeito do que dispõe o inciso III do
art. 167 da Constituição, desde que liquidadas no prazo definido no inciso II do caput.
§ 2o As operações de crédito por antecipação de receita realizadas por Estados ou Municípios serão
efetuadas mediante abertura de crédito junto à instituição financeira vencedora em processo competitivo
eletrônico promovido pelo Banco Central do Brasil.
§ 3o O Banco Central do Brasil manterá sistema de acompanhamento e controle do saldo do crédito aberto
e, no caso de inobservância dos limites, aplicará as sanções cabíveis à instituição credora.
Subseção IV
Das Operações com o Banco Central do Brasil
Art. 39. Nas suas relações com ente da Federação, o Banco Central do Brasil está sujeito às vedações
constantes do art. 35 e mais às seguintes:
I - compra de título da dívida, na data de sua colocação no mercado, ressalvado o disposto no § 2o deste
artigo;
II - permuta, ainda que temporária, por intermédio de instituição financeira ou não, de título da dívida de
ente da Federação por título da dívida pública federal, bem como a operação de compra e venda, a termo,
daquele título, cujo efeito final seja semelhante à permuta;
III - concessão de garantia.
§ 1o O disposto no inciso II, in fine, não se aplica ao estoque de Letras do Banco Central do Brasil, Série
Especial, existente na carteira das instituições financeiras, que pode ser refinanciado mediante novas
operações de venda a termo.
§ 2o O Banco Central do Brasil só poderá comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a
dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira.
§ 3o A operação mencionada no § 2o deverá ser realizada à taxa média e condições alcançadas no dia, em
leilão público.
§ 4o É vedado ao Tesouro Nacional adquirir títulos da dívida pública federal existentes na carteira do Banco
Central do Brasil, ainda que com cláusula de reversão, salvo para reduzir a dívida mobiliária.
Seção V
Da Garantia e da Contragarantia
Art. 40. Os entes poderão conceder garantia em operações de crédito internas ou externas, observados o
disposto neste artigo, as normas do art. 32 e, no caso da União, também os limites e as condições
estabelecidos pelo Senado Federal.
§ 1o A garantia estará condicionada ao oferecimento de contragarantia, em valor igual ou superior ao da
garantia a ser concedida, e à adimplência da entidade que a pleitear relativamente a suas obrigações junto ao
garantidor e às entidades por este controladas, observado o seguinte:
I - não será exigida contragarantia de órgãos e entidades do próprio ente;
II - a contragarantia exigida pela União a Estado ou Município, ou pelos Estados aos Municípios, poderá
consistir na vinculação de receitas tributárias diretamente arrecadadas e provenientes de transferências
constitucionais, com outorga de poderes ao garantidor para retê-las e empregar o respectivo valor na
liquidação da dívida vencida.
§ 2o No caso de operação de crédito junto a organismo financeiro internacional, ou a instituição federal de
crédito e fomento para o repasse de recursos externos, a União só prestará garantia a ente que atenda, além
do disposto no § 1o, as exigências legais para o recebimento de transferências voluntárias.
§ 3o (VETADO)
§ 4o (VETADO)
§ 5o É nula a garantia concedida acima dos limites fixados pelo Senado Federal.
§ 6o É vedado às entidades da administração indireta, inclusive suas empresas controladas e subsidiárias,
conceder garantia, ainda que com recursos de fundos.
§ 7o O disposto no § 6o não se aplica à concessão de garantia por:
I - empresa controlada a subsidiária ou controlada sua, nem à prestação de contragarantia nas mesmas
condições;
II - instituição financeira a empresa nacional, nos termos da lei.
§ 8o Excetua-se do disposto neste artigo a garantia prestada:
I - por instituições financeiras estatais, que se submeterão às normas aplicáveis às instituições financeiras
privadas, de acordo com a legislação pertinente;
II - pela União, na forma de lei federal, a empresas de natureza financeira por ela controladas, direta e
indiretamente, quanto às operações de seguro de crédito à exportação.
§ 9o Quando honrarem dívida de outro ente, em razão de garantia prestada, a União e os Estados poderão
condicionar as transferências constitucionais ao ressarcimento daquele pagamento.
§ 10. O ente da Federação cuja dívida tiver sido honrada pela União ou por Estado, em decorrência de
garantia prestada em operação de crédito, terá suspenso o acesso a novos créditos ou financiamentos até a
total liquidação da mencionada dívida.
Seção VI
Dos Restos a Pagar
Art. 41. (VETADO)
Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu
mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha
parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito.
Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas
compromissadas a pagar até o final do exercício.
CAPÍTULO VIII
DA GESTÃO PATRIMONIAL
Seção I
Das Disponibilidades de Caixa
Art. 43. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3o
do art. 164 da Constituição.
§ 1o As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos,
ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. 249 e 250 da Constituição, ficarão
depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de
mercado, com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira.
§ 2o É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1o em:
I - títulos da dívida pública estadual e municipal, bem como em ações e outros papéis relativos às empresas
controladas pelo respectivo ente da Federação;
II - empréstimos, de qualquer natureza, aos segurados e ao Poder Público, inclusive a suas empresas
controladas.
Seção II
Da Preservação do Patrimônio Público
Art. 44. É vedada a aplicação da receita de capital derivada da alienação de bens e direitos que integram o
patrimônio público para o financiamento de despesa corrente, salvo se destinada por lei aos regimes de
previdência social, geral e próprio dos servidores públicos.
Art. 45. Observado o disposto no § 5o do art. 5o, a lei orçamentária e as de créditos adicionais só incluirão
novos projetos após adequadamente atendidos os em andamento e contempladas as despesas de
conservação do patrimônio público, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias.
Parágrafoúnico. O Poder Executivo de cada ente encaminhará ao Legislativo, até a data do envio do
projeto de lei de diretrizes orçamentárias, relatório com as informações necessárias ao cumprimento do
disposto neste artigo, ao qual será dada ampla divulgação.
Art. 46. É nulo de pleno direito ato de desapropriação de imóvel urbano expedido sem o atendimento do
disposto no § 3o do art. 182 da Constituição, ou prévio depósito judicial do valor da indenização.
Seção III
Das Empresas Controladas pelo Setor Público
Art. 47. A empresa controlada que firmar contrato de gestão em que se estabeleçam objetivos e metas de
desempenho, na forma da lei, disporá de autonomia gerencial, orçamentária e financeira, sem prejuízo do
disposto no inciso II do § 5o do art. 165 da Constituição.
Parágrafo único. A empresa controlada incluirá em seus balanços trimestrais nota explicativa em que
informará:
I - fornecimento de bens e serviços ao controlador, com respectivos preços e condições, comparando-os
com os praticados no mercado;
II - recursos recebidos do controlador, a qualquer título, especificando valor, fonte e destinação;
III - venda de bens, prestação de serviços ou concessão de empréstimos e financiamentos com preços,
taxas, prazos ou condições diferentes dos vigentes no mercado.
CAPÍTULO IX
DA TRANSPARÊNCIA, CONTROLE E FISCALIZAÇÃO
Seção I
Da Transparência da Gestão Fiscal
Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação,
inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as
prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o
Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos.
Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante incentivo à participação popular e
realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e de discussão dos planos, lei de
diretrizes orçamentárias e orçamentos.
Art. 49. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo ficarão disponíveis, durante todo o
exercício, no respectivo Poder Legislativo e no órgão técnico responsável pela sua elaboração, para consulta e
apreciação pelos cidadãos e instituições da sociedade.
Parágrafo único. A prestação de contas da União conterá demonstrativos do Tesouro Nacional e das
agências financeiras oficiais de fomento, incluído o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,
especificando os empréstimos e financiamentos concedidos com recursos oriundos dos orçamentos fiscal e da
seguridade social e, no caso das agências financeiras, avaliação circunstanciada do impacto fiscal de suas
atividades no exercício.
Seção II
Da Escrituração e Consolidação das Contas
Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a escrituração das contas públicas
observará as seguintes:
I - a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de modo que os recursos vinculados a órgão,
fundo ou despesa obrigatória fiquem identificados e escriturados de forma individualizada;
II - a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o regime de competência,
apurando-se, em caráter complementar, o resultado dos fluxos financeiros pelo regime de caixa;
III - as demonstrações contábeis compreenderão, isolada e conjuntamente, as transações e operações de
cada órgão, fundo ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional, inclusive empresa estatal
dependente;
IV - as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e
orçamentários específicos;
V - as operações de crédito, as inscrições em Restos a Pagar e as demais formas de financiamento ou
assunção de compromissos junto a terceiros, deverão ser escrituradas de modo a evidenciar o montante e a
variação da dívida pública no período, detalhando, pelo menos, a natureza e o tipo de credor;
VI - a demonstração das variações patrimoniais dará destaque à origem e ao destino dos recursos
provenientes da alienação de ativos.
§ 1o No caso das demonstrações conjuntas, excluir-se-ão as operações intragovernamentais.
§ 2o A edição de normas gerais para consolidação das contas públicas caberá ao órgão central de
contabilidade da União, enquanto não implantado o conselho de que trata o art. 67.
§ 3o A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da
gestão orçamentária, financeira e patrimonial.
Art. 51. O Poder Executivo da União promoverá, até o dia trinta de junho, a consolidação, nacional e por
esfera de governo, das contas dos entes da Federação relativas ao exercício anterior, e a sua divulgação,
inclusive por meio eletrônico de acesso público.
§ 1o Os Estados e os Municípios encaminharão suas contas ao Poder Executivo da União nos seguintes
prazos:
I - Municípios, com cópia para o Poder Executivo do respectivo Estado, até trinta de abril;
II - Estados, até trinta e um de maio.
§ 2o O descumprimento dos prazos previstos neste artigo impedirá, até que a situação seja regularizada,
que o ente da Federação receba transferências voluntárias e contrate operações de crédito, exceto as
destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária.
Seção III
Do Relatório Resumido da Execução Orçamentária
Art. 52. O relatório a que se refere o § 3o do art. 165 da Constituição abrangerá todos os Poderes e o
Ministério Público, será publicado até trinta dias após o encerramento de cada bimestre e composto de:
I - balanço orçamentário, que especificará, por categoria econômica, as:
a) receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem como a previsão atualizada;
b) despesas por grupo de natureza, discriminando a dotação para o exercício, a despesa liquidada e o
saldo;
II - demonstrativos da execução das:
a) receitas, por categoria econômica e fonte, especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para o
exercício, a receita realizada no bimestre, a realizada no exercício e a previsão a realizar;
b) despesas, por categoria econômica e grupo de natureza da despesa, discriminando dotação inicial,
dotação para o exercício, despesas empenhada e liquidada, no bimestre e no exercício;
c) despesas, por função e subfunção.
§ 1o Os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária constarão destacadamente nas receitas
de operações de crédito e nas despesas com amortização da dívida.
§ 2o O descumprimento do prazo previsto neste artigo sujeita o ente às sanções previstas no § 2o do art. 51.
Art. 53. Acompanharão o Relatório Resumido demonstrativos relativos a:
I - apuração da receita corrente líquida, na forma definida no inciso IV do art. 2o, sua evolução, assim como
a previsão de seu desempenho até o final do exercício;
II - receitas e despesas previdenciárias a que se refere o inciso IV do art. 50;
III - resultados nominal e primário;
IV - despesas com juros, na forma do inciso II do art. 4o;
V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão referido no art. 20, os valores inscritos, os pagamentos
realizados e o montante a pagar.
§ 1o O relatório referente ao último bimestre do exercício será acompanhado também de demonstrativos:
I - do atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição, conforme o § 3o do art. 32;
II - das projeções atuariais dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos;
III - da variação patrimonial, evidenciando a alienação de ativos e a aplicação dos recursos dela
decorrentes.
§ 2o Quando for o caso, serão apresentadas justificativas:
I - da limitação de empenho;
II - da frustração de receitas, especificando as medidas de combate à sonegação e à evasão fiscal,
adotadas e a adotar, e as ações de fiscalização e cobrança.
Seção IV
Do Relatório de Gestão Fiscal
Art. 54. Ao final de cada quadrimestre será emitido pelos titulares dos Poderes e órgãos referidos no art. 20
Relatório de Gestão Fiscal, assinado pelo:
I - Chefe do Poder Executivo;
II - Presidente e demais membrosda Mesa Diretora ou órgão decisório equivalente, conforme regimentos
internos dos órgãos do Poder Legislativo;
III - Presidente de Tribunal e demais membros de Conselho de Administração ou órgão decisório
equivalente, conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Judiciário;
IV - Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados.
Parágrafo único. O relatório também será assinado pelas autoridades responsáveis pela administração
financeira e pelo controle interno, bem como por outras definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão
referido no art. 20.
Art. 55. O relatório conterá:
I - comparativo com os limites de que trata esta Lei Complementar, dos seguintes montantes:
a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e pensionistas;
b) dívidas consolidada e mobiliária;
c) concessão de garantias;
d) operações de crédito, inclusive por antecipação de receita;
e) despesas de que trata o inciso II do art. 4o;
II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassado qualquer dos limites;
III - demonstrativos, no último quadrimestre:
a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro;
b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas:
1) liquidadas;
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem a uma das condições do inciso II do art. 41;
3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo da disponibilidade de caixa;
4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados;
c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b do inciso IV do art. 38.
§ 1o O relatório dos titulares dos órgãos mencionados nos incisos II, III e IV do art. 54 conterá apenas as
informações relativas à alínea a do inciso I, e os documentos referidos nos incisos II e III.
§ 2o O relatório será publicado até trinta dias após o encerramento do período a que corresponder, com
amplo acesso ao público, inclusive por meio eletrônico.
§ 3o O descumprimento do prazo a que se refere o § 2o sujeita o ente à sanção prevista no § 2o do art. 51.
§ 4o Os relatórios referidos nos arts. 52 e 54 deverão ser elaborados de forma padronizada, segundo
modelos que poderão ser atualizados pelo conselho de que trata o art. 67.
Seção V
Das Prestações de Contas
Art. 56. As contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo incluirão, além das suas próprias, as dos
Presidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público, referidos no art.
20, as quais receberão parecer prévio, separadamente, do respectivo Tribunal de Contas.
§ 1o As contas do Poder Judiciário serão apresentadas no âmbito:
I - da União, pelos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, consolidando as
dos respectivos tribunais;
II - dos Estados, pelos Presidentes dos Tribunais de Justiça, consolidando as dos demais tribunais.
§ 2o O parecer sobre as contas dos Tribunais de Contas será proferido no prazo previsto no art. 57 pela
comissão mista permanente referida no § 1o do art. 166 da Constituição ou equivalente das Casas Legislativas
estaduais e municipais.
§ 3o Será dada ampla divulgação dos resultados da apreciação das contas, julgadas ou tomadas.
Art. 57. Os Tribunais de Contas emitirão parecer prévio conclusivo sobre as contas no prazo de sessenta
dias do recebimento, se outro não estiver estabelecido nas constituições estaduais ou nas leis orgânicas
municipais.
§ 1o No caso de Municípios que não sejam capitais e que tenham menos de duzentos mil habitantes o prazo
será de cento e oitenta dias.
§ 2o Os Tribunais de Contas não entrarão em recesso enquanto existirem contas de Poder, ou órgão
referido no art. 20, pendentes de parecer prévio.
Art. 58. A prestação de contas evidenciará o desempenho da arrecadação em relação à previsão,
destacando as providências adotadas no âmbito da fiscalização das receitas e combate à sonegação, as ações
de recuperação de créditos nas instâncias administrativa e judicial, bem como as demais medidas para
incremento das receitas tributárias e de contribuições.
Seção VI
Da Fiscalização da Gestão Fiscal
Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle
interno de cada Poder e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das normas desta Lei Complementar,
com ênfase no que se refere a:
I - atingimento das metas estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias;
II - limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em Restos a Pagar;
III - medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal ao respectivo limite, nos termos dos
arts. 22 e 23;
IV - providências tomadas, conforme o disposto no art. 31, para recondução dos montantes das dívidas
consolidada e mobiliária aos respectivos limites;
V - destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos, tendo em vista as restrições constitucionais e
as desta Lei Complementar;
VI - cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais, quando houver.
§ 1o Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos referidos no art. 20 quando constatarem:
I - a possibilidade de ocorrência das situações previstas no inciso II do art. 4o e no art. 9o;
II - que o montante da despesa total com pessoal ultrapassou 90% (noventa por cento) do limite;
III - que os montantes das dívidas consolidada e mobiliária, das operações de crédito e da concessão de
garantia se encontram acima de 90% (noventa por cento) dos respectivos limites;
IV - que os gastos com inativos e pensionistas se encontram acima do limite definido em lei;
V - fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas ou indícios de irregularidades na
gestão orçamentária.
§ 2o Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os cálculos dos limites da despesa total com pessoal
de cada Poder e órgão referido no art. 20.
§ 3o O Tribunal de Contas da União acompanhará o cumprimento do disposto nos §§ 2o, 3o e 4o do art. 39.
CAPÍTULO X
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 60. Lei estadual ou municipal poderá fixar limites inferiores àqueles previstos nesta Lei Complementar
para as dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito e concessão de garantias.
Art. 61. Os títulos da dívida pública, desde que devidamente escriturados em sistema centralizado de
liquidação e custódia, poderão ser oferecidos em caução para garantia de empréstimos, ou em outras
transações previstas em lei, pelo seu valor econômico, conforme definido pelo Ministério da Fazenda.
Art. 62. Os Municípios só contribuirão para o custeio de despesas de competência de outros entes da
Federação se houver:
I - autorização na lei de diretrizes orçamentárias e na lei orçamentária anual;
II - convênio, acordo, ajuste ou congênere, conforme sua legislação.
Art. 63. É facultado aos Municípios com população inferior a cinqüenta mil habitantes optar por:
I - aplicar o disposto no art. 22 e no § 4o do art. 30 ao final do semestre;
II - divulgar semestralmente:
a) (VETADO)
b) o Relatório de Gestão Fiscal;
c) os demonstrativos de que trata o art. 53;
III - elaborar o Anexo de Política Fiscal do plano plurianual, o Anexo de Metas Fiscais e o Anexo de Riscos
Fiscais da lei de diretrizes orçamentárias e o anexo de que trata o inciso I do art. 5o a partir do quinto exercício
seguinte ao da publicação desta Lei Complementar.
§ 1o A divulgação dos relatórios e demonstrativos deverá ser realizada em até trinta dias após o
encerramento do semestre.
§ 2o Se ultrapassados os limites relativos à despesa total com pessoal ou à dívida consolidada, enquanto
perdurar esta situação, o Município ficará sujeito aos mesmos prazos de verificação e de retorno ao limite
definidos para os demais entes.
Art. 64. A União prestará assistência técnica e cooperação financeira aos Municípios para a modernização
das respectivas administrações tributária, financeira, patrimonial e previdenciária, com vistas ao cumprimento
das normas desta Lei Complementar.
§ 1o A assistência técnica consistirá no treinamento e desenvolvimentode recursos humanos e na
transferência de tecnologia, bem como no apoio à divulgação dos instrumentos de que trata o art. 48 em meio
eletrônico de amplo acesso público.
§ 2o A cooperação financeira compreenderá a doação de bens e valores, o financiamento por intermédio
das instituições financeiras federais e o repasse de recursos oriundos de operações externas.
Art. 65. Na ocorrência de calamidade pública reconhecida pelo Congresso Nacional, no caso da União, ou
pelas Assembléias Legislativas, na hipótese dos Estados e Municípios, enquanto perdurar a situação:
I - serão suspensas a contagem dos prazos e as disposições estabelecidas nos arts. 23 , 31 e 70;
II - serão dispensados o atingimento dos resultados fiscais e a limitação de empenho prevista no art. 9o.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput no caso de estado de defesa ou de sítio, decretado na forma
da Constituição.
Art. 66. Os prazos estabelecidos nos arts. 23, 31 e 70 serão duplicados no caso de crescimento real baixo
ou negativo do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, regional ou estadual por período igual ou superior a quatro
trimestres.
§ 1o Entende-se por baixo crescimento a taxa de variação real acumulada do Produto Interno Bruto inferior a
1% (um por cento), no período correspondente aos quatro últimos trimestres.
§ 2o A taxa de variação será aquela apurada pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ou
outro órgão que vier a substituí-la, adotada a mesma metodologia para apuração dos PIB nacional, estadual e
regional.
§ 3o Na hipótese do caput, continuarão a ser adotadas as medidas previstas no art. 22.
§ 4o Na hipótese de se verificarem mudanças drásticas na condução das políticas monetária e cambial,
reconhecidas pelo Senado Federal, o prazo referido no caput do art. 31 poderá ser ampliado em até quatro
quadrimestres.
Art. 67. O acompanhamento e a avaliação, de forma permanente, da política e da operacionalidade da
gestão fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal, constituído por representantes de todos os
Poderes e esferas de Governo, do Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade,
visando a:
I - harmonização e coordenação entre os entes da Federação;
II - disseminação de práticas que resultem em maior eficiência na alocação e execução do gasto público, na
arrecadação de receitas, no controle do endividamento e na transparência da gestão fiscal;
III - adoção de normas de consolidação das contas públicas, padronização das prestações de contas e dos
relatórios e demonstrativos de gestão fiscal de que trata esta Lei Complementar, normas e padrões mais
simples para os pequenos Municípios, bem como outros, necessários ao controle social;
IV - divulgação de análises, estudos e diagnósticos.
§ 1o O conselho a que se refere o caput instituirá formas de premiação e reconhecimento público aos
titulares de Poder que alcançarem resultados meritórios em suas políticas de desenvolvimento social,
conjugados com a prática de uma gestão fiscal pautada pelas normas desta Lei Complementar.
§ 2o Lei disporá sobre a composição e a forma de funcionamento do conselho.
Art. 68. Na forma do art. 250 da Constituição, é criado o Fundo do Regime Geral de Previdência Social,
vinculado ao Ministério da Previdência e Assistência Social, com a finalidade de prover recursos para o
pagamento dos benefícios do regime geral da previdência social.
§ 1o O Fundo será constituído de:
I - bens móveis e imóveis, valores e rendas do Instituto Nacional do Seguro Social não utilizados na
operacionalização deste;
II - bens e direitos que, a qualquer título, lhe sejam adjudicados ou que lhe vierem a ser vinculados por força
de lei;
III - receita das contribuições sociais para a seguridade social, previstas na alínea a do inciso I e no inciso II
do art. 195 da Constituição;
IV - produto da liquidação de bens e ativos de pessoa física ou jurídica em débito com a Previdência Social;
V - resultado da aplicação financeira de seus ativos;
VI - recursos provenientes do orçamento da União.
§ 2o O Fundo será gerido pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na forma da lei.
Art. 69. O ente da Federação que mantiver ou vier a instituir regime próprio de previdência social para seus
servidores conferir-lhe-á caráter contributivo e o organizará com base em normas de contabilidade e atuária
que preservem seu equilíbrio financeiro e atuarial.
Art. 70. O Poder ou órgão referido no art. 20 cuja despesa total com pessoal no exercício anterior ao da
publicação desta Lei Complementar estiver acima dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 deverá
enquadrar-se no respectivo limite em até dois exercícios, eliminando o excesso, gradualmente, à razão de, pelo
menos, 50% a.a. (cinqüenta por cento ao ano), mediante a adoção, entre outras, das medidas previstas nos
arts. 22 e 23.
Parágrafo único. A inobservância do disposto no caput, no prazo fixado, sujeita o ente às sanções previstas
no § 3o do art. 23.
Art. 71. Ressalvada a hipótese do inciso X do art. 37 da Constituição, até o término do terceiro exercício
financeiro seguinte à entrada em vigor desta Lei Complementar, a despesa total com pessoal dos Poderes e
órgãos referidos no art. 20 não ultrapassará, em percentual da receita corrente líquida, a despesa verificada no
exercício imediatamente anterior, acrescida de até 10% (dez por cento), se esta for inferior ao limite definido na
forma do art. 20.
Art. 72. A despesa com serviços de terceiros dos Poderes e órgãos referidos no art. 20 não poderá
exceder, em percentual da receita corrente líquida, a do exercício anterior à entrada em vigor desta Lei
Complementar, até o término do terceiro exercício seguinte.
Art. 73. As infrações dos dispositivos desta Lei Complementar serão punidas segundo o Decreto-Lei no
2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); a Lei no 1.079, de 10 de abril de 1950; o Decreto-Lei no 201,
de 27 de fevereiro de 1967; a Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992; e demais normas da legislação pertinente.
Art. 74. Esta Lei Complementar entra em vigor na data da sua publicação.
Art. 75. Revoga-se a Lei Complementar no 96, de 31 de maio de 1999.
Brasília, 4 de maio de 2000; 179o da Independência e 112o da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Pedro Malan
Martus Tavares
NOÇÕES DE
RECURSOS HUMANOS
ORGANIZAÇÃO PESSOAL
E NO TRABALHO
AS PESSOAS E AS ORGANIZAÇÕES
As pessoas possuem objetivos individuais e comuns. Os objetivos comuns, em virtude das limitações
individuais, são perseguidos e obtidos, muitas vezes, através de agrupamentos das pessoas em organizações.
Com o crescimento das organizações, que também possuem objetivos, há um distanciamento gradativo
entre seus objetivos e aqueles almejados pelos indivíduos que integram a organização.
Deste divergência de objetivos podem surgir sérios conflitos no relacionamento indivíduo x organização.
Porém, assim como a organização precisa dos indivíduos para alcançar seus objetivos, os chamados objetivos
organizacionais (produzir, reduzir custos, ampliar o mercado, aumentar a satisfação dos clientes), também os
indivíduos utilizam-se da organização para alcançarem os objetivos pessoais.
Assim, considerando que nem sempre é possível obter um relacionamento cooperativo e satisfatório, pelo
contrario, estes se apresentam tensos e conflitivos, a alta administração da empresa deve preocupar-se em
delinear rumos para uma integração, indivíduo x organização realmente efetiva.
Uma maior integração entre os objetivos da organização e os dos indivíduos possibilita que estes últimos
não sejam subjugados aos objetivos da organização, porém, mesmo sem deixar de cumprir suas obrigações
para com a empresa, possam também alcançar satisfação própria através de melhores salários, lazer, conforto,
horário de ,trabalho mais favorável, oportunidades de carreira, segurança no cargo, etc.
A interação entre pessoal e organizações é complexa e dinâmica. O indivíduo precisa ser eficaz (atingir os
objetivos organizacionais por meio de sua participação) e sereficiente (satisfazer suas necessidades
individuais mediante sua participação).
A reciprocidade entre indivíduo e organização é alcançada através das "normas de reciprocidade", também
chamadas de "contrato psicológico". A expectativa recíproca transmitida pelo contrato psicológico vai além de
qualquer contrato formal de emprego. Enquanto este último apenas pactua o trabalho a ser realizado e a
recompensa financeira correspondente, o contrato psicológico reflete as expectativas sobre o que a
organização e o indivíduo esperam ganhar com o novo relacionamento.
Uma constante busca de equilíbrio entre os recursos despendidos pela organização no sentido de alcançar
um maior grau de satisfarão de seus empregados e a contribuição que o indivíduo motivado proporcional
organização chamamos de relações de intercâmbio.
De um lado, as organizações oferecem incentives ou alicientes, enquanto as pessoas oferecem
contribuições.
O equilíbrio organizacional reflete o êxito da organização em "remunerar" seus integrantes com incentives
adequados e motiva-los a continuar fazendo contribuições e organização, garantindo com isso, sua
sobrevivência e eficácia.
O SISTEMA E A ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS
Administrar significa gerir os recursos disponíveis para que os objetivos sejam atingidos da melhor forma
possível.
Os recursos de uma organização podem ser classificados em cinco grupos:
a) recursos físicos ou materiais;
b) recursos financeiros;
c) recursos humanos;
d) recursos mercadológicos;
e) recursos administrativos.
A administração de recursos humanos (ARH) é orientada por diversas teorias que norteiam o
enquadramento das pessoas dentro das organizações.
A Teoria "X", de McGregor, que, predominava no século passado, hoje esta ultrapassada, pois fundamenta-
se em certas premissas e concepções erradas acerca da natureza do homem.
Entre outras distorções dizia que:
a) o homem é primariamente motivado por incentivos econômicos;
b) se os objetivos individuais se opõem aos objetivos da organização deve ser imposto um controle mais
rígido;
c) as organizações podem e devem ser planejadas de tal forma que o sentimento e as características
imprevisíveis possam ser neutralizados e controlados.
Posteriormente McGregor expressa uma nova concepção da administração, que passou a ser conhecida
como a Teoria "Y".
Entre as premissas constam:
a) a aplicação de esforço físico ou mental em um trabalho é tão natural quanto jogar ou descansar,
dependendo de certas condições controláveis;
b) o controle externo e a ameaça de punição não são os únicos meios de obter o esforço de alcançar os
objetivos organizacionais, mas o homem deve exercitar a autodireção e o autocontrole a serviço dos objetivos
que lhe são confiados;
c) confiar objetivos é uma função de premiar, associada com seu alcance efetivo; o homem médio aprende,
sob certas condições, não só a aceitar, mas também a procurar responsabilidade;
d) a capacidade de aplicar um alto grau de imaginação, de engenhosidade, na solução de problemas
organizacionais é amplamente, e não escassamente, distribuída na população;
e) sob as condições da moderna vida industrial, as potencialidades intelectuais do homem médio são
apenas parcialmente utilizadas.
Como pode-se observar, a Teoria "X" apregoava um estilo administrativo voltado para a submissão e o
controle rigoroso sobre o indivíduo.
De forma bem mais liberal, a Teoria "Y" propõe o engajamento do indivíduo na empresa, tornando-o mais
participativa, através de um estilo de administração mais democrática e aberta.
Uma outra teoria, a Teoria "Z", aplicada mais A concepção japonesa de administração, escrita por Ouch!,
realça o senso de responsabilidade comunitária como base para a cultura organizacional.
Quanto aos sistemas de administração das organizações humanas, Rensis Likert, em seu livro "Novos
Padrões de Administração", cita quatro sistemas administrativos:
Sistema 1: Sistema autoritário e forte;
Sistema 2: Sistema autoritário benévolo;
Sistema 3: Sistema participativo, consultivo;
Sistema 4: Sistema participativo de grupo.
Considerando este conjunto de teorias, a ARH assume um caráter multivariado, pois objetiva criar, manter e
desenvolver um contingente de recursos humanos com habilidades e motivação para realizar os objetivos da
organização. Também é necessário criar, manter e desenvolver condições organizacionais de aplicação,
desenvolvimento e satisfação plena dos recursos humanos, para que se verifique o alcance dos objetivos
individuais. Por fim, também é objetivo da ARH, alcançar a eficiência e eficácia através dos recursos humanos
disponíveis.
DESENVOLVIMENTO E
MUDANÇA ORGANIZACIONAL
Desenvolvimento de Recursos Humanos: Treinamento e Desenvolvimento de Pessoal
Dentro do sistema de Administração de Recursos Humanos há um subsistema chamado de
Desenvolvimento de Recursos Humanos, o qual tem sob sua responsabilidade o treinamento e
desenvolvimento de pessoal.
O treinamento e desenvolvimento de pessoal esta mais voltado para a psicologia industrial, enquanto o
desenvolvimento organizacional se fundamenta na psicologia organizacional.
Embora os dois fatores estejam intimamente ligados, o treinamento e desenvolvimento de pessoal tenta
descobrir ou aperfeiçoar métodos e procedimentos que podem ser usados visando a maximização do trabalho
e a satisfação com o trabalho.
Por outro lado, o desenvolvimento organizacional se preocupa em descobrir que fatores que influem no
desempenho do indivíduo no trabalho e que fatores influem sobre a satisfação do indivíduo com o trabalho.
Cabe destacar que o setor de treinamento e desenvolvimento de pessoal também se preocupa em identificar
estes fatores, porém, concentra sua maior atenção nas soluções, conforme referido o parágrafo precedente.
O desenvolvimento de recursos humanos é dividido em:
a)educação
b) treinamento
A educação esta mais voltada para o preparo da pessoa para o ambiente, dentro ou fora da empresa.
O treinamento, por outro lado, prepara a pessoa para o desempenho no cargo, especificamente.
A educação e o treinamento fazem parte da educação profissional, que por sua vez é dividida em três
grupos:
a) formação profissional;
b) desenvolvimento profissional ou aperfeiçoamento;
c) treinamento.
A formação profissional tem objetivos de longo prazo e muito amplos. Não prepara o homem para a
profissão, mas sim para uma profissão futura. É normalmente dada nas escolas de primeiro, segundo e terceiro
grau, embora também possa ser dada nas empresas.
O desenvolvimento profissional, também chamado de aperfeiçoamento, já é bem mais especifica do que a
formação profissional. É a educação profissional que aperfeiçoa o homem para uma carreira dentro de uma
profissão. Seus objetivos também não são imediatos, mas de médio prazo. Normalmente é utilizado para
preparar o indivíduo para um cargo superior dentro da própria organização, quando deverá assumir mais
responsabilidade e conhecimentos que transcendem ao cargo atualmente ocupado. O desenvolvimento
profissional normalmente é dado na própria empresa, embora também seja comum executa-lo em empresas
especializadas em desenvolvimento de pessoal.
O treinamento, por sua vez objetiva adaptar o homem para um cargo ou função. Seus objetivos são
imediatos. Normalmente é exigido quando da seleção de novos empregados. O treinamento quase sempre é
orientado pelo chefe imediato ou mesmo por um colega de trabalho. Pode ser realizado na própria empresa ou
em empresas especializadas em desenvolvimento de recursos humanos.
Tragadas as diferenças entre formação profissional, desenvolvimento profissional e treinamento, e
considerando as exigências do programa, vamos desenvolver o item treinamento.
O treinamento geralmente, é voltado para os seguintes conteúdos:
a) transmissão de informações, tais como informações gerais sobre a empresa; sobre seus produtos,
clientes, mercados; sobre diretrizes e políticas da organização; sobre normas e procedimentos internos; etc.
b) desenvolvimento de habilidades, geralmente voltadodiretamente para a execução das tarefas e
operações a serem executa as, tais como operar o equipamento, conhecer as rotinas, etc.
c) desenvolvimento ou modificação de atitudes, com objetivos de melhorar a motivação e o relacionamento
com colegas de trabalho, clientes, etc., centra-se no desenvolvimento da sensibilidade das pessoas.
d) desenvolvimento de conceitos, é normalmente voltado a empregados a nível de gerência e procura a
uniformização da linguagem organizacional ou a elevação do nível de conceitos, ou mesmo a modificação de
concertos viciados ou ultrapassados.
Os objetivos do treinamento podem ser resumidos nos seguintes itens:
a) habilitar o pessoal, de forma imediata, capacitando-o para a imediata execução de tarefas simples,
presentes na rotina operacional da empresa, tanto na área industrial como na administrativa;
b) criar um sistema de oportunidades, para que os indivíduos possam se desenvolver e progredir
funcionalmente, galgando cargos mais elevados;
c) modificar as atitudes do pessoal no sentido de torná-los mais conscientes das tarefas que executam com
vistas a uma melhora na qualidade e ainda, torna-los mais receptivos às técnicas de supervisão e gerência.
A programação de treinamentos em qualquer área da empresa, envolve quatro etapas distintas:
a) levantamento das necessidades de treinamento;
b) programa de treinamentos que atendam as necessidades diagnosticadas;
c) implementação e execução dos treinamentos programadas;
d) avaliação dos resultados.
A programação de treinamento visa planejar como as necessidades diagnosticadas deverão ser atendidas:
o que treinar, quem treinar, quando treinar, onde treinar e como treinar, a fim de utilizar a tecnologia
instrucional mais adequada.
A execução do treinamento envolve o binômio instrutor x treinando e uma relação instrução x
aprendizagem.
A avaliação dos resultados objetiva a medirão dos resultados obtidos com o treinamento, mediante
comparação dos padrões anteriores com os conseguidos após o treinamento. A avaliação pode ser realizada
pela ARH ou a nível de tarefas e operações.
DESENVOLVIMENTO E MUDANÇA ORGANIZACIONAL
No capítulo precedente falou-se em desenvolvimento de recursos humanos. O presente capítulo trata do
desenvolvimento organizacional. Estabelece-se uma profunda diferenciação entre os dois "desenvolvimentos".
Enquanto o desenvolvimento de recursos humanos projeta uma noção micro, voltada ao indivíduo,
normalmente de curto e médio prazos, o desenvolvimento organizacional abrange uma visão macroscópica e
sistêmica. Envolve toda a organização no contexto econômico e social, com objetivos, não de curto e médio
prazos, mas sim de longo prazo.
O desenvolvimento organizacional baseia-se nos concertos e métodos das ciências do comportamento,
visualize a organização como um sistema total e compromete-se a melhorar a eficácia da organização a longo
prazo, mediante intervenções construtivas em processes e estrutura organizacionais.
São pressupostos básicos do desenvolvimento organizacional:
a) conceito de organização;
b) conceito de cultura organizacional;
c) conceito de mudança organizacional;
d) necessidade de contínua adaptação e mudança;
e) a interação organização x ambiente;
f) a interação indivíduo x organização;
g) os objetivos individuais e os objetivos organizacionais.
Os elementos essenciais de qualquer esforço de desenvolvimento organizacional (DO) são:
a) projetado para obter resultados de longo prazo;
b) concentrado na obtenção de uma maior eficácia da organização como um todo, e não uma parte dela;
c) o diagnóstico deve ser desenvolvido em conjunto, consultoria e gerentes de linha;
d) a intervenção do esforço de desenvolvimento organizacional deve ser implementado em conjunto,
consultoria e gerentes de linha.
O processo de desenvolvimento organizacional envolve as seguintes etapas:
a) colheita de dados;
b) analise dos dados colhidos;
c) diagnóstico organizacional;
d) ação de intervenção.
As principais técnicas de intervenção são:
a) método de realimentação de dados;
b) desenvolvimento de equipes;
c) enriquecimento e ampliação do cargo;
d) treinamento da sensitividade;
e) consultoria de procedimentos.
CONTROLE DE RECURSOS HUMANOS: BANCO DE DADOS E SISTEMAS DE INFORMAÇÕES E
AUDITORIA DE RECURSOS HUMANOS
A administração de recursos humanos, através do subsistema de controle de recursos humanos, preocupa-
se com banco de dados e sistemas de informações e com a auditoria de recursos humanos.
Koontz e O"Donnell conceituam: "controle é a função administrativa que consiste em medir e corrigir o
desempenho de subordinados, a fim de assegurar que os objetivos da empresa e os planos delineados para
alcançá-los sejam realizados. É, pois, a função segundo a qual cada administrador, do presidente ao mestre,
se certifica de que aquilo que é feito esta de acordo com o que se tencionava fazer."
São etapas fundamentais do processo de controle:
a) o estabelecimento de padrões desejados;
b) a verificação do desempenho;
c) o estudo comparativo do desempenho praticado com os padrões desejados;
d) a implementação de processes de correção dos desvios detectados.
Banco de dados e sistemas de informações
Idalberto Chiavenato conceitua dados e informações. "Dados são os elementos que servem de base para a
resolução de problemas ou para a formação de juízo. Um dado é apenas um índice, uma manifestação
objetiva, passível de análise subjetiva, isto é, exige interpretação do indivíduo para sua manipulação. Em si
mesmo, cada dado tem pouco valor.
Todavia, quando classificados, armazenados e relacionados entre si, os dados permitem a obtenção da
informação. Assim como os dados não constituem informação, a informação, isoladamente, não é significativa.
Se os dados exigem processamento (classificação, armazenamento e relacionamento), para que possam
realmente informar, a informação também exige processamento, para que possa adquirir significado. A
informação apresenta intencionalidade, aspecto fundamental que a diferencia do dado simples".
Banco de dados
O banco de dados, relativamente aos recursos humanos, pode armazenar dados das mais variadas origens
e para as mais diversas finalidades, entre os quais podemos relacionar:
a) dados que compõem o cadastro individual de cada empregado;
b) dados sobre os ocupantes de cada cargo, formando um cadastro de cargos;
c) dados sobre os empregados lotados nas diversas seções, departamentos ou divisões, formando um
cadastro por setor;
d) dados sobre a remuneração individual de cada empregado, formando um cadastro de remuneração,
importante para a elaboração da folha de salários;
e) dados sobre candidates que podem potencialmente virem a ser contratados;
f) dados sobre candidates a treinamentos específicos, programados;
Muitas vezes a empresa encontra dificuldades para manter atualizados os dados cadastrais dos
empregados, especialmente aqueles de origem external como número de filhos, endereço, formação, etc.
Para suprir o banco de dados com dados atualizados, há o sistema de informações de recursos humanos
que, através de fichas cadastrais, entrevistas, pesquisas, etc. procura suprir O banco de dados com dados
novos, ou substituir os desatualizados.
Sistema de informações
Sistema de informação é um conjunto de elementos interdependentes (subsistemas) logicamente
associados, para que de sua interação sejam geradas informações necessárias à tomada de decisões.
O sistema de informações tem como ponto de partida o banco de dados. Seu objetivo à possibilitar a
tomada de decisões, suprindo as chefias com informações sobre seus subordinados, ou mesmo, sobre
empregados de outras seções.
Auditoria de recursos humanos
A auditoria de recursos humanos é definida com sendo a análise das políticas e praticas de pessoal de uma
organização, e avaliação do seu funcionamento atual, seguida de sugestões para melhoria.
O objetivo da auditoria de recursos humanos é, a partir do programa de desenvolvimento, identificar
distorções de funcionamento que prejudicam a organização ou quenão compensam o custo, ou, ainda,
identificar falhas e deficiências que devem ser supridas.
Em resumo podemos dizer que a auditoria de recursos humanos é um sistema permanente de revisão e
controle, informando a administração sobre a eficiência e a eficácia do programa de desenvolvimento.
Objetivamente o controle é exercido, comparando-se os procedimentos adotados na organização com os
padrões pré-estabelecidos.
"Os padrões podem ser estabelecidos em diversos parâmetros. Os mais comuns são:
a) parâmetros fixados em função de qualidade;
b) parâmetros fixados em função de quantidade;
c) parâmetros fixados em f unção do tempo gasto;
d) parâmetros fixados em função de custos.
As fontes de informação para a auditoria de RH tem o seu limite estabelecido pelas próprias funções da
ARH, portanto, extremamente amplas.
Tem sua aplicação normalmente voltada para os seguintes níveis de abordagens:
- resultados
- programa
- políticas
- filosofias
- teorias
A auditoria de recursos humanos, ou seja, o agente de auditoria pode ser um especialista nesta área, ou
mesmo uma comissão formada na própria empresa.
NOÇÕES DE
ADMINISTRAÇÃO
DE MATERIAL
Nenhuma empresa funciona sem matéria-prima, produtos, equipamentos, instrumentos, peças de
manutenção e tantos outros materiais.
E todos eles precisam ser guardados, conservados, movimentados de um setor para outro. Eles precisam
ser administrados.
A Administração de Material trata de todas as etapas de movimentação e de guarda desses materiais,
visando garantir que o investimento em estoques seja de rentabilidade segura, em termos de lucro e de
atendimento às metas da organização.
Rentabilidade é o grau de êxito econômico obtido por uma empresa em relação ao que nela é investido.
Para atingir esse objetivo, os profissionais da administração de materiais devem tornar eficientes os meios
de planejamento e controle, de modo a diminuir as necessidades de capital para o estoque.
Capital, aqui, tem o sentido de riqueza, valores disponíveis.
E quem faz a articulação constante entre necessidade de estoque, controle de estoque e capital é o
Sistema de Materiais da empresa.
Sistema de Materiais é o conjunto dos setores da empresa que são responsáveis por todo o material nela
existente. Ele cuida do fluxo de circulação dos materiais, desde o momento em que entram na empresa.
Conheça um pouco sobre cada setor que compõe o Sistema de Materiais.
Setor O que faz Em que
empresas
Planejamento e
Controle da
Produção
Programa e
controla o
processo
produtivo
Empresas de
indústria,
comércio e
serviços
Importação Responsabiliza-
se pelo
processo de
importação de
mercadorias
Empresas de
indústria,
comércio e
serviços
Transporte e
Distribuição
Entrega os
produtos aos
clientes e os
materiais à
empresa
Empresas de
indústria e
comércio
Compras Planeja e
coordena o
processo de
aquisição de
materiais
Qualquer tipo
de empresa
Controle de
Estoque
Acompanha e
controla o nível
de estoque e o
investimento
financeiro
envolvido
Qualquer tipo
de empresa
Almoxarifado Guarda os
materiais
entregues por
fornecedores
para uso
exclusivo da
empresa
Qualquer tipo
de empresa
Os aspectos da administração de material de que iremos tratar neste livro dizem respeito ao controle de
estoque e ao almoxarifado. A diferença entre esses setores está no fato de os materiais com que trabalham
serem ou não geradores de riquezas.
O estoque é gerador de riquezas, uma vez que ele representa as mercadorias que serão colocadas à
disposição do consumidor, isto é, serão vendidas.
O material sob a responsabilidade do almoxarifado, por sua vez, não é gerador de riquezas, já que ele é
para uso da própria empresa. Chamado de material de consumo, está presente em todas as empresas -
independentemente do tipo ou porte - e se constitui em papéis, canetas, clips, pastas suspensas de arquivos,
produtos higiênicos e de limpeza, dentre tantos outros.
Na prática, no entanto, não existem diferenças significativas entre as características gerais de um setor e
outro.
MANUTENÇÃO DE ESTOQUES
Seja na Indústria, no Comércio ou em Serviços, a manutenção de estoques de materiais mostra-se
necessária como forma de garantir o ritmo da produção, aqui entendida no sentido genérico de trabalho.
Pense, por exemplo, numa fábrica que mantém estoques para entregar ao comércio. Esse, por sua vez,
conserva estoques para entregar ao cliente.
A manutenção de estoques torna o processo produtivo mais ágil, possibilitando o aumento da produção sem
necessidade de esperar pelo processamento de novos pedidos ou pelas entregas.
No comércio, por exemplo, os estoques de produtos prontos permitem o aumento do nível de vendas,
independentemente da produção ou dos estoques de fábrica.
Cada atividade produtiva tem necessidades específicas. Portanto, varia o tipo de material que precisa ser
mantido em estoque.
Na Indústria, os tipos de estoque mais comuns são os de matéria-prima, os de produtos e os de peças de
manutenção.
Matéria-prima é o material básico e fundamental para a elaboração de produtos.
Produto, por sua vez, é o resultado do processo pelo qual passou a matéria-prima. Os produtos podem ser
acabados ou estar em processo. No primeiro caso, estão aqueles que já adquiriram forma final, mas ainda não
foram vendidos. No segundo, estão os que ainda não ficaram prontos.
Peças de manutenção são todos os elementos que concorrem para o funcionamento regular e permanente
dos produtos, máquinas e motores. A falta dessas peças pode causar interrupção da produção, ocasionando
graves prejuízos para a empresa.
Numa indústria de móveis de escritório, por exemplo, podemos encontrar vários tipos de materiais em
estoque:
? Troncos de madeira e barras de ferro não-trabalhados (matérias-primas).
? Madeira e ferro já trabalhados na medida dos móveis que serão fabricados (produtos em processo).
? Mesas e cadeiras prontas para revenda (produtos acabados).
? Pregos, parafusos, cola (peças de manutenção).
No Comércio, os tipos de estoques mais comuns são os de produtos e os de embalagens.
Aqui, produtos são os materiais, expostos ou não, a serem comercializados.
E embalagens são os invólucros ou recipientes usados no comércio varejista ou atacadista para
acondicionar os produtos.
Artefatos para embalagens são também comumente mantidos em estoque.
Artefato vem do latim arte factu e quer dizer feito com arte. Um artefato é qualquer objeto trabalhado
manualmente.
A embalagem é fator muito importante no comércio, na medida em que tem como principal função manter a
integridade do produto no seu transporte até o destino. Mas ela também funciona como apelo à publicidade.
Afinal, uma loja que acondiciona suas mercadorias em belas embalagens tem um chamariz a mais...
E o que acontece com os Serviços?
Imagine um salão de cabeleireiro. Trata-se de uma prestação de serviço que usa produtos próprios no
atendimento ao cliente. Esmaltes de unha, tinturas, xampus, cremes. Esse material, muitas vezes preparado a
partir de outros produtos, fica estocado no salão.
Agora pense numa assistência técnica para um aparelho de som que apresentou defeito. Se for necessária
a reposição de alguma peça, muito provavelmente a loja a terá em estoque.
Mas quando você leva seu carro a uma oficina mecânica para ser consertado e o reparo exige a troca de
alguma peça, muito provavelmente a oficina irá comprá-la em uma revendedora de autopeças, porque não é
comum ela ter guardado esse tipo de material para reposição.
Nos Serviços, o estoque, quando existe, pode ser de dois tipos: peças para reposição e produtos próprios.
PLANEJAMENTO DE ESTOQUES
O planejamento é muito importante para a manutenção dos níveis de estoque. Um estoque mal planejado
pode gerar conflitos internos no Sistema de Materiais e até mesmo na administração geral da empresa, pois
enquanto o setor de vendas deseja um estoque elevado para atender aos clientes, por exemplo, o setor
financeiro quer estoques reduzidos para diminuir o capital investido.
É imprescindível haver uma conciliação entre os objetivosdas diferentes áreas, para que as ações da
empresa não sofram nenhum prejuízo. E cabe à administração de material a responsabilidade pelas decisões
relacionadas ao dimensionamento dos estoques.
Mas como proceder para o dimensionamento dos estoques?
? Os produtos devem ficar estocados o menor tempo possível, pois isso significa que o capital investido na
sua aquisição retornou rapidamente aos cofres da empresa.
? estoque precisa garantir o alcance do objetivo operacional da empresa, seja ele a produção, a venda ou a
prestação de serviços.
? custo de manutenção dos estoques aumenta na propo rção de sua dimensão. Isso significa que quanto
maior o estoque, maior deverá ser o espaço físico para guardá-lo, maior deverá ser o número de pessoas
para cuidar dele, mais gastos serão necessários para o controle. É preciso estabelecer qual o estoque ideal
para a manutenção da atividade da empresa.
Dimensionar o estoque é exatamente desenvolver um planejamento, confrontando aspectos relativos ao
capital, ao estoque e à demanda.
Para que a administração de estoques funcione adequadamente, é necessário o estabelecimento de alguns
critérios básicos, como, por exemplo:
? Determinação de metas quanto a prazos de entrega de produtos aos clientes (no caso de empresa
fornecedora).
? Conhecimento dos prazos de entrega por parte dos fornecedores (no caso de empresa compradora).
? Definição dos materiais a serem estocados.
? Determinação da quantidade e do porte dos locais próprios à estocagem - almoxarifado ou depósitos.
? Fixação do nível de flutuação dos estoques.
Flutuação é a mudança de dimensionamento do estoque de acordo com a demanda, seja para atender a
uma alta ou baixa de vendas, seja para atender à alteração de consumo nos setores da empresa.
? Indicação das possibilidades de especular com o estoque.
Especular significa valer-se de determinadas circunstâncias para obter Vantagens. Uma das formas de
especular com o estoque é fazer compras antecipadas com preços mais baixos ou comprar uma quantidade
maior para conseguir descontos.
? Definição do fluxo de rotatividade dos estoques.
Rotatividade é a alternância de fatos, de situações. A rotatividade de estoque tem a ver com o número de
vezes em que o estoque foi renovado em determinado período.
? Definição sobre alterações no capital de giro e no ativo da empresa.
Capital de giro é terminologia própria da Administração Financeira.
Trata-se do valor monetário relativo à aquisição de bens destinados à revenda ou à produção de outros
bens que constituam o objeto do negócio da empresa.
Por exemplo: o valor investido na compra de mercadorias representa capital de giro, pois espera-se que os
produtos sejam vendidos o mais rápido possível para que o dinheiro aplicado retorne aos cofres da empresa e
reverta na compra de mais mercadorias.
Ativo de uma empresa é o conjunto dos recursos iniciais nela investidos e os bens e direitos adquiridos no
decorrer de sua atividade.
É assim que se define a política de estoques da empresa.
Um outro aspecto importante, que faz parte dessa política, é a definição da posição da empresa no que se
refere ao estoque de segurança.
Estoque de segurança é a manutenção de uma quantidade mínima de materiais nos estoques da empresa
para evitar desabastecer a produção e a venda de produtos acabados.
À medida que os materiais vão sendo requisitados e encaminhados, o nível de estoque vai baixando até
chegar ao limite mínimo considerado como de segurança. A esse nível-limite chamamos ponto de reposição. O
ponto de reposição indica a necessidade de emissão de uma nova ordem de compras.
A definição dos níveis de estoque de segurança leva em conta, entre outros aspectos, o tempo que o
fornecedor tem para atender aos pedidos e a programação de demanda pelos materiais.
Calcular o estoque de segurança de um produto - o seu ponto de reposição - não é difícil. Observe só.
Nos seis primeiros meses do ano, uma empresa vendeu um determinado produto nas seguintes
quantidades:
janeiro 45 unidades
fevereiro 42 unidades
março 50 unidades
abril 70 unidades
maio 37 unidades
junho 56 unidades
O tempo de reposição desse produto - ou seja, o período necessário entre o acionamento da compra e a
disponibilidade de material - é de 15 dias.
Qual o estoque de segurança desse produto?
O primeiro passo é calcular o consumo médio mensal da empresa. E isso é feito dividindo-se o total de
unidades vendidas nos meses pelo número de meses dessa venda.
Assim, o consumo médio mensal, nesse caso, é:
(45 + 42 + 50 + 70 + 37 + 56) /6 = 50
Para calcular o estoque de segurança é preciso multiplicar o consumo médio mensal da empresa pelo
tempo de reposição do produto.
Tomando como base o mês (30 dias), o tempo de reposição de 15 dias representa a metade do mês.
Assim, o estoque de segurança será:
50 x fi = 25
Isso significa que o ponto de reposição é de 25 unidades da mercadoria. Por ,sofrerem ação do ambiente
externo (dificuldades de ordem política, econômica e social ou no processo de importação) e também do
ambiente interno (demanda não-planejada de incremento da produção ou dos serviços), os estoques de
segurança devem ser acionados sempre que surgir o risco de esgotamento dos materiais para produção.
Analise estas situações, que não são difíceis de acontecer..
Em uma fábrica de sapatos, o couro não chega na data prevista. Sem matéria-prima, a produção tem de
parar. Pense no prejuízo...
Em uma loja atacadista, falta mercadoria para vender. A loja corre o risco de perder um importante cliente!
Em um hospital, todas as cirurgias marcadas para o dia são suspensas, por falta de material anestésico. O
que será dos pacientes?
Nessas situações, você deve ter identificado a paralisação da produção; o atraso na entrega de produtos
acabados; a omissão na prestação de um serviço. Tudo isso por falta de estoque!
A ausência de estoques de segurança representa um custo muito alto, trazendo prejuízos à empresa.
Para as empresas que trabalham com produtos ou serviços de demando sazonal, pode ser interessante
manter estoques de antecipação. Esses estoques são formados, em geral, durante o período imediatamente
anterior ao da oportunidade de negócios.
Demanda sazonal significa a procura em determinadas épocas do ano. Exemplos de demanda sazonal são
as fantasias e adereços na época do Carnaval; material escolar no início do ano letivo; hospedagem em época
de férias.
Tão importante quanto o planejamento é o controle de estoques. Veja a seguir, do que trata essa função.
CONTROLE DE ESTOQUES
Sabemos que os estoques são mantidos com a finalidade de alimentar a produção e a comercialização de
bens e, em alguns casos, a prestação de serviços.
O controle de estoques, portanto, é necessário para que haja sempre um nível de material suficiente para o
alcance do objetivo operacional da empresa, o que lhe possibilita agir com mais segurança e tranqüilidade. É
ele que vai permitir verificar se o planejamento vem sendo seguido e que tipo de ajuste precisa ser feito.
Cada empresa, de acordo com a atividade que desenvolve e com os recursos de que dispõe, estabelece
uma rotina própria para o controle de seus estoques, geralmente definindo:
? objetivo do controle, isto é, que padrões serão considerados.
? que, como e quando controlar.
? Como divulgar os resultados.
? Como corrigir os desvios.
Qualquer que seja a técnica de controle adotada, estarão sempre presentes um sistema de registro, coleta
e processamento de informações e um conjunto de rotinas que se integram nos vários níveis da empresa.
Hoje em dia, um controle de estoques que envolve grandes massas de dados faz uso de ferramentas
informatizadas. Isso traz inúmeras vantagens, dentre as quais maior velocidade na coleta e no processamento
das informações.
Seja qual for o modo escolhido pela empresa para desenvolver o controle de estoques, na prática as
atribuições do setor responsável por essa função não diferem muito.
São essas as atribuições mais comuns:
? Verificação dos itens ou produtos que devempermanecer em estoque.
? Recebimento e armazenagem dos materiais.
? Atendimento aos pedidos de materiais estocados, de acordo com as solicitações de outros setores.
? Controle das quantidades e do valor dos estoques.
? Realização de inventários periódicos para avaliação das quantidades e do estado dos materiais
estocados.
? Identificação e retirada dos itens obsoletos e danificados.
? Controle do tempo de reposição de material.
? Encaminhamento de pedidos de compra de materiais, sempre que necessário.
Sem dúvida o controle de estoques repercute na produtividade da empresa, podendo qualquer descuido
causar grandes prejuízos. Quando, por exemplo, um pedido de compra é feito, torna-se necessário não só
verificar a quantidade de material a ser solicitada e o momento adequado para o encaminhamento, mas,
também, transmitir ao setor encarregado pela compra as especificações precisas e completas sobre o produto.
MOVIMENTAÇÃO DE ESTOQUES
Sabemos que os materiais em estoque circulam, seja qual for o tipo de empresa: é a matéria-prima indo
para a linha de produção; são as peças sendo entregues ao setor de manutenção; são os produtos saindo do
estoque para os postos de venda. Isso só para citar alguns exemplos...
A movimentação dos materiais em estoque é fator importante para a agilização dos serviços que precisam
ser executados, merecendo também planejamento criterioso por parte dos responsáveis pela administração
dos materiais.
O planejamento da movimentação de materiais visa garantir que o volume de estoques seja manipulado
com rapidez e de forma econômica - em termos de aplicação de recursos financeiros, materiais e humanos -,
evitando perdas e desperdícios.
Para atingir esse objetivo, o planejamento tem que tratar dos múltiplos aspectos que, de alguma forma,
interferem no "caminho" percorrido pelos materiais. São eles:
? Sua entrada na empresa.
? Seu encaminhamento ao local de armazenamento.
? As próprias condições físicas do local de armazenamento.
? Sua distribuição interna, no caso de terem sido solicitados pelos setores, ou seu encaminhamento ao
consumidor.
Na maioria das empresas, o controle do fluxo dos materiais é realizado a partir de um estudo mensal ou
quinzenal dos pedidos de estoque. Uma forma de programação, com pedidos antecipados por parte dos
setores, incluindo as necessidades médias de materiais, possibilita um melhor rendimento do trabalho no setor
e na empresa como um todo.
A organização dos espaços destinados ao armazenamento dos materiais é um dos aspectos mais
importantes do planejamento.
Como utilizar da melhor maneira possível a área disponível?
Como facilitar o fluxo de pessoas e materiais para economizar tempo nas operações de rotina? São
necessárias condições especiais para garantir a qualidade dos materiais?
Essas e outras perguntas são feitas, normalmente, quando se pretende eficiência e eficácia no setor que
cuida da movimentação dos materiais. E de modo a permitir respostas mais adequadas, um estudo gráfico -
usando diagramas e maquetes - pode ser bastante útil.
A análise desses gráficos é importante, na medida em que pode propiciar informações que beneficiam o
planejamento e o desenvolvimento do trabalho.
CUSTOS DE ESTOQUES
Vários são os itens que concorrem para a determinação dos custos relativos ao armazenamento de
materiais em uma empresa. E é importante conhecêlos, uma vez que eles são considerados na definição do
preço de venda de qualquer produto.
Assim, o estabelecimento do preço de venda de um produto deve levar em conta o custo de sua aquisição,
o custo de armazenagem e a margem de lucro desejada.
Em tempos idos não era dada a atenção devida ao custo de manutenção de estoques. Hoje, considerando
a preocupação crescente com a produtividade e, principalmente, com a intensificação da concorrência em
todas as áreas, as empresas vêm demonstrando especial cuidado com o controle desse tipo de custo.
Os custos de armazenagem podem ser calculados a partir de:
? Custos com pessoal são os salários e encargos sociais dos que trabalham na área, ou seja, toda
despesa com a mão-de-obra envolvida.
? Custos com edificação são os recursos financeiros usados na conservação do prédio, em pagamento
de aluguel, de energia elétrica, enfim, todas as despesas com a parte física do local de armazenamento.
? Custos com manutenção são os valores gastos na conservação dos equipamentos. Aí se computam
também as perdas com a eventual deteriorização e obsolescência desses equipamentos.
? Custos de capital são os valores investidos na compra de mercadorias armazenadas no estoque. Esses
valores, portanto, perdem temporariamente o poder de circulação, pois são repostos apenas na venda.
Todos esses custos são calculados em índice percentual sobre o valor total do estoque. Forma-se, assim, o
fator de armazenagem, um índice que serve para acompanhar o crescimento ou a redução dos custos de
armazenagem ao longo de um determinado período.
É importante saber que os custos de estoques afetam em muito a rentabilidade da empresa, podendo gerar
inúmeros problemas quando superam os benefícios.
CONSTITUIÇÃO
DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO
BRASIL DE 1988
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um
Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a
segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade
fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e
internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material,
moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de
internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação
alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente
de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial;
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei
estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificaçõesprofissionais
que a lei estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
exercício profissional;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da
lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente
de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo
vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por
decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar
seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta
Constituição;
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será
objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os
meios de financiar o seu desenvolvimento;
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas,
inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem
como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício
do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus";
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de
interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações
de interesse pessoal;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos
termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles
respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a
ordem constitucional e o Estado Democrático;
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas,
até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e
o sexo do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o
período de amamentação;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da
lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas
em lei;
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o
interesse social o exigirem;
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
assegurada a assistência da família e de advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória,com ou
sem fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por
"habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há
pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o
exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e
à cidadania;
LXXII - conceder-se-á "habeas-data":
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao
patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e
ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus
da sucumbência;
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de
recursos;
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo
fixado na sentença;
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
LXXVII - são gratuitas as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma da lei, os atos necessários
ao exercício da cidadania.
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
§ 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos
princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 14/02/2000:
"Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei
complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais
básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e
previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua
vinculação para qualquer fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,
participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98:
"XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei;"
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada
a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo
negociação coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal;
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches
e pré-escolas;
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este
está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000:
"XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos
para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;"
a) Revogado pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000
b) Revogado pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de
sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador
portador de deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais
respectivos;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98:
"XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;"
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador
avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos
incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência social.
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no
órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria
profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores
interessados, não podendo ser inferiorà área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em
questões judiciais ou administrativas;
IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada
em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da
contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de
direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo
se cometer falta grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de
pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de
exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º - A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades
inadiáveis da comunidade.
§ 2º - Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos
públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação.
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante
destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.
CAPÍTULO III
DA NACIONALIDADE
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não
estejam a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço
da República Federativa do Brasil;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 07/06/94:
"c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que venham a residir na República
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira;"
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 07/06/94:
"b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze
anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira."
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 07/06/94:
"§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros,
serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição."
§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos
previstos nesta Constituição.
§ 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
Inciso incluído pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99:
" VII - de Ministro de Estado da Defesa"
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse
nacional;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 07/06/94:
"II - adquirir outra nacionalidade, salvo no casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro,
como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis;"
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
§ 1º - São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
§ 2º - Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.
CAPÍTULO IV
DOS DIREITOS POLÍTICOS
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor
igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§ 1º - O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar
obrigatório, os conscritos.
§ 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de
paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§ 4º - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 04/06/97:
"§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os
houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período
subseqüente."
§ 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do
Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins,
até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do
Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo
se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 4, de 07/06/94:
"§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do
exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta."
§ 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados
da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.
§ 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma
da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
Art. 15. É vedada a cassação de direitos polít icos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II -incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 14/09/93:
"Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à
eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência."
CAPÍTULO V
DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania
nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados
os seguintes preceitos:
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de
subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
§ 1º - É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e
funcionamento, devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias.
§ 2º - Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus
estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.
§ 3º - Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão,
na forma da lei.
§ 4º - É vedada a utilização pelos partidos polít icos de organização paramilitar.
TÍTULO III
Da Organização do Estado
CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA
Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.
§ 1º - Brasília é a Capital Federal.
§ 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao
Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
§ 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a
outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente
interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 15, de 13/09/96:
"§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro
do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito,
às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal,
apresentados e publicados na forma da lei."
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter
com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a
colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
CAPÍTULO II
DA UNIÃO
Art. 20. São bens da União:
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das
vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um
Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem
como os terrenos marginais e as praias fluviais;
IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas
oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as áreas referidas no art. 26, II;
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial;
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
§ 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a
órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural,
de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo
território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por
essa exploração.
§ 2º - A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada
como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e
utilização serão reguladas em lei.
Art. 21. Compete à União:
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais;
II - declarar a guerra e celebrar a paz;
III - assegurar a defesa nacional;
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território
nacional ou nele permaneçam temporariamente;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;
VII - emitir moeda;
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira,
especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada;
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento
econômico e social;
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:
"XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão
regulador e outros aspectos institucionais;"
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:
"a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens;"
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em
articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária;
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que
transponham os limites de Estado ou Território;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros;
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e
dos Territórios;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem
como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de
fundo próprio;"
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de âmbito
nacional;
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e
televisão;
XVII - conceder anistia;
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e
as inundações;
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de
direitos de seu uso;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e
transportesurbanos;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; "
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre
a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios
nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante
aprovação do Congresso Nacional;
b) sob regime de concessão ou permissão, é autorizada a utilização de radioisótopos para a pesquisa e
usos medicinais, agrícolas, industriais e atividades análogas;
c) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa;
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em forma
associativa.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
II - desapropriação;
III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;
V - serviço postal;
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais;
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;
VIII - comércio exterior e interestadual;
IX - diretrizes da política nacional de transportes;
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial;
XI - trânsito e transporte;
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
XIV - populações indígenas;
XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros;
XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões;
XVII - organização judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública do Distrito Federal e dos
Territórios, bem como organização administrativa destes;
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais;
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular;
XX - sistemas de consórcios e sorteios;
XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação e mobilização das
polícias militares e corpos de bombeiros militares;
XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais;
XXIII - seguridade social;
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
XXV - registros públicos;
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas
diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no
art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III;"
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional;
XXIX - propaganda comercial.
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das
matérias relacionadas neste artigo.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio
público;
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos,
as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor
histórico, artístico ou cultural;
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de
saneamento básico;
X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos
setores desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos
hídricos e minerais em seus territórios;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.
Parágrafo único. Lei complementar fixará normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
II - orçamento;
III - juntas comerciais;
IV - custas dos serviços forenses;
V - produção e consumo;
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais,
proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino e desporto;
X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;
XI - procedimentos em matéria processual;
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;
XV - proteção à infância e à juventude;
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.
§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas
gerais.
§ 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos
Estados.
§ 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena,
para atender a suas peculiaridades.
§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe
for contrário.
CAPÍTULO III
DOS ESTADOS FEDERADOS
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os
princípios desta Constituição.
§ 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 5, de 15/08/95:
"§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na
forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação."
§ 3º - Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações
urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização,
o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na
forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio
da União, Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.
Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa corresponderá ao triplo da representaçãodo
Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos
forem os Deputados Federais acima de doze.
§ 1º - Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta
Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença,
impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, na razão
de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais,
observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. "
§ 3º - Compete às Assembléias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polícia e serviços
administrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos.
§ 4º - A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 04/06/97:
"Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-
á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se
houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de
janeiro do ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77."
(*) Parágrafo único.
(*) Transformado em § 1º pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou
indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por lei de
iniciativa da Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, §
2º, I."
CAPÍTULO IV
Dos Municípios
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez
dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para mandato de quatro anos, mediante pleito
direto e simultâneo realizado em todo o País;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 04/06/97:
"II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término
do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de Municípios com mais de
duzentos mil eleitores;"
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subseqüente ao da eleição;
IV - número de Vereadores proporcional à população do Município, observados os seguintes limites:
a) mínimo de nove e máximo de vinte e um nos Municípios de até um milhão de habitantes;
b) mínimo de trinta e três e máximo de quarenta e um nos Municípios de mais de um milhão e menos de
cinco milhões de habitantes;
c) mínimo de quarenta e dois e máximo de cinqüenta e cinco nos Municípios de mais de cinco milhões de
habitantes;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara
Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;'
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 25, de 14/02/2000:
"VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para a
subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição, observados os critérios estabelecidos na respectiva
Lei Orgânica e os seguintes limites máximos:
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por
cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a cinqüenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a
setenta e cinco por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;"
Inciso incluído pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"VII - o total da despesa com a remuneração dos vereadores não poderá ultrapassar o montante de cinco por
cento da receita do município;"
 (*) Renumerado pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na
circunscrição do Município;"
 (*) Renumerado pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"IX – proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta
Constituição para os membros do Congresso Nacional e, na Constituição do respectivo Estado, para os
membros da Assembléia Legislativa;'
 (*) Renumerado pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"X – julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;"
 (*) Renumerado pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"XI – organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara Municipal;"
 (*) Renumerado pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"XII – cooperação das associações representativas no planejamento municipal;'
 (*) Renumerado pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"XIII – iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros,
através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado;"
 (*) Renumerado pela Emenda Constitucional nº 1, de 31/03/92:
"XIV – perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, parágrafo único."
Artigo incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 14/02/2000:
"Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e
excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da
receita tributária e das transferências previstas no § 5o do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado
no exercício anterior:
I - oito por cento para Municípios com população de até cem mil habitantes;
II - sete por cento para Municípios com população entre cem mil e um e trezentos mil habitantes;
III - seis por cento para Municípios com população entre trezentos mil e um e quinhentos mil habitantes;
IV - cinco por cento para Municípios com população acima de quinhentos mil habitantes.
§ 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de sua receita com folha de pagamento,
incluído o gasto com o subsídio de seus Vereadores.
§ 2o Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal:
I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo;
II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária.
§ 3o Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal o desrespeito ao § 1o deste
artigo."
Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem comoaplicar suas rendas, sem prejuízo da
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de
interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educ ação pré-
escolar e de ensino fundamental;
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde
da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso,
do parcelamento e da ocupação do solo urbano;
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora
federal e estadual.
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle
externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.
§ 1º - O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos
Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.
§ 2º - O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente
prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.
§ 3º - As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer
contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.
§ 4º - É vedada a criação de Tribunais, Cons elhos ou órgãos de Contas Municipais.
CAPÍTULO V
DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
Seção I
DO DISTRITO FEDERAL
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada em dois
turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a
promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.
§ 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.
§ 2º - A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados
Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração.
§ 3º - Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27.
§ 4º - Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das polícias civil e militar e do
corpo de bombeiros militar.
Seção II
DOS TERRITÓRIOS
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios.
§ 1º - Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber, o disposto
no Capítulo IV deste Título.
§ 2º - As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio do
Tribunal de Contas da União.
§ 3º - Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na forma
desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e
defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência
deliberativa.
CAPÍTULO VI
DA INTERVENÇÃO
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força
maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos
estabelecidos em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 13/09/00:
"e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de
transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde."
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território
Federal, exceto quando:
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada;
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 13/09/00:
"III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;"
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios
indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou
de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for exercida contra o Poder Judiciário;
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do Supremo Tribunal Federal, do
Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral;
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da República, na
hipótese do art. 34, VII;
IV - de provimento, pelo Superior Tribunal de Justiça, de representação do Procurador-Geral da República,
no caso de recusa à execução de lei federal.
§ 1º - O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que,
se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembléia
Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.
§ 2º - Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembléia Legislativa, far-se-á convocação
extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas.
§ 3º - Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou
pela Assembléia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida
bastar ao restabelecimento da normalidade.
§ 4º - Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo
impedimento legal.
CAPÍTULO VII
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Seção I
DISPOSIÇÕES GERAIS
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:"
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos
estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;"
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas
ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;"
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante oprazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público
de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo
ou emprego, na carreira;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos
em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos
previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;"
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;"
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência
e definirá os critérios de sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser
fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral
anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices;" (Regulamento)
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração
direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos,
pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais
ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal;"
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos
pagos pelo Poder Executivo;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de
remuneração de pessoal do serviço público;"
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para
fins de concessão de acréscimos ulteriores;"
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 05/02/98:
"XV -
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o
disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;"
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI.
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 13/12/2001:
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas; (NR)
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas
públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente,
pelo poder público;'
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e
jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas
de sua atuação;"
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades
mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão
contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os
concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da
proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica
indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
§ 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter
caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens
que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
§ 2º - A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da
autoridade responsável, nos termos da lei.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta,
regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de
serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o
disposto no art. 5º, X e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na
administração pública."
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei,
sem prejuízo da ação penal cabível.
§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou
não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta
e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e
indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público,
que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos
dirigentes;
III - a remuneração do pessoal."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas
subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98:
"§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventosde aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42
e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma
desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e
exoneração."
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato
eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:"
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou
função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar
pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de
seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo
compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço
será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se
no exercício estivesse.
Seção II
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 05/02/98:
"DOS SERVIDORES PÚBLICOS"
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de
administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes."
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará:
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos."
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o
aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a
promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV,
XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a
natureza do cargo o exigir."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e
Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de
qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória,
obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a
maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37,
XI."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da
remuneração dos cargos e empregos públicos."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos
orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para
aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento,
modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou
prêmio de produtividade."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º."
 (*) Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98:
"Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo,
observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados,
calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma do § 3°:
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se
decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável,
especificadas em lei;
II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição;
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público
e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições:
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e
trinta de contribuição, se mulher;
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição.
§ 2º Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a
remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de
referência para a concessão da pensão.
§ 3º Os proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão calculados com base na
remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria e, na forma da lei, corresponderão à
totalidade da remuneração.
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos
abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados os casos de atividades exercidas exclusivamente
sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, definidos em lei complementar.
§ 5º Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao
disposto no § 1°, III, a, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções
de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é
vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de previdência previsto neste artigo.
§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício da pensão por morte, que será igual ao valor dos proventos
do servidor falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito o servidor em atividade na data de seu
falecimento, observado o disposto no § 3º.
§ 8º Observado o disposto no art. 37, XI, os proventos de aposentadoria e as pensões serão revistos na
mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade,
sendo também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens
posteriormente concedidos aos servidores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou
reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a
concessão da pensão, na forma da lei.
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria e o
tempo de serviço correspondente para efeito de disponibilidade.
§ 10. A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempode contribuição fictício.
§ 11. Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando
decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a
contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de
inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado
em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.
§ 12. Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo
efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social.
§ 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de
previdência social.
§ 14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de previdência
complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das
aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo
estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201.
§ 15. Observado o disposto no art. 202, lei complementar disporá sobre as normas gerais para a instituição
de regime de previdência complementar pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, para atender aos
seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo.
§ 16. Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao
servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do
correspondente regime de previdência complementar."
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento
efetivo em virtude de concurso público."
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II – mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III – mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar,
assegurada ampla defesa."
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual
ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em
outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço."
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com
remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo."
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por
comissão instituída para essa finalidade."
Seção III
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 05/02/98:
"DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS"
(*) Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 18, de 05/02/98:
"Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições organizadas com
base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios."
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98:
"§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado
em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual
específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos
respectivos governadores."
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 05/02/98:
"§ 2º "
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98:
"§ 2º Aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios e a seus pensionistas, aplica-se o disposto
no art. 40, §§ 7º e 8º."
Seção IV
DAS REGIÕES
Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo
geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.
§ 1º - Lei complementar disporá sobre:
I - as condições para integração de regiões em desenvolvimento;
II - a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais,
integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes.
§ 2º - Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei:
I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens de custos e preços de responsabilidade do Poder
Público;
II - juros favorecidos para financiamento de atividades prioritárias;
III - isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou
jurídicas;
IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social dos rios e das massas de água represadas ou
represáveis nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas.
§ 3º - Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União incentivará a recuperação de terras áridas e cooperará
com os pequenos e médios proprietários rurais para o estabelecimento, em suas glebas, de fontes de água e
de pequena irrigação.
TÍTULO IV
Da Organização dos Poderes
CAPÍTULO I
DO PODER LEGISLATIVO
Seção I
DO CONGRESSO NACIONAL
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal.
Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º - O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será
estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários,
no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais
de setenta Deputados.
§ 2º - Cada Território elegerá quatro Deputados.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo
o princípio majoritário.
§ 1º - Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.
§ 2º - A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos,
alternadamente, por um e dois terços.
§ 3º - Cada Senador será eleito com dois suplentes.
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões
serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.
Seção II
DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o
especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente
sobre:
I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida pública e
emissões de curso forçado;
III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento;
V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da União;
VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as
respectivas Assembléias Legislativas;
VII - transferência temporáriada sede do Governo Federal;
VIII - concessão de anistia;
IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União e dos
Territórios e organização judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública do Distrito Federal;
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
X – criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o
art. 84, VI, b;
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública;
XII - telecomunicações e radiodifusão;
XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações;
XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal.
Inciso incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XV – fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, por lei de iniciativa conjunta dos
Presidentes da República, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal,
observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I."
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou
compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças
estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos
previstos em lei complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência
exceder a quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer
uma dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37,
XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; "
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"VIII – fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado,
observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;"
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a
execução dos planos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos
os da administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros
Poderes;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e
lavra de riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e
quinhentos hectares.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 07/06/94:
"Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar
Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para
prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de
responsabilidade a ausência sem justificação adequada."
§ 1º - Os Ministros de Estado poderão comparecer ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados, ou a
qualquer de suas Comissões, por sua iniciativa e mediante entendimentos com a Mesa respectiva, para expor
assunto de relevância de seu Ministério.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 07/06/94:
"§ 2º - As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de
informações a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput deste artigo, importando em
crime de responsabilidade a recusa, ou o não - atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de
informações falsas."
Seção III
DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-
Presidente da República e os Ministros de Estado;
II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso
Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa;
III - elaborar seu regimento interno;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos,
empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados
os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;"
V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.
Seção IV
DO SENADO FEDERAL
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99:
" I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem
como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da
mesma natureza conexos com aqueles;"
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o Procurador-Geral da República e o
Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;
III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha de:
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
c) Governador de Território;
d) Presidente e diretores do Banco Central;
e) Procurador-Geral da República;
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição em sessão secreta, a escolha dos chefes de
missão diplomática de caráter permanente;
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Territórios e dos Municípios;
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder
Público federal;
VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito
externo e interno;
IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios;
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do
Supremo Tribunal Federal;
XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da
República antes do término de seu mandato;
XII - elaborar seu regimento interno;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos,
empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados
os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;"
XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termosdo art. 89, VII.
Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal
Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal,
à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais
sanções judiciais cabíveis.
Seção V
DOS DEPUTADOS E DOS SENADORES
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,
palavras e votos.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o
Supremo Tribunal Federal.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em
flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa
respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo
Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo
voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco
dias do seu recebimento pela Mesa Diretora.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou
prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam
informações.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda que em tempo
de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 35, de 20/12/2001
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser
suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora
do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:
I - desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade
de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a
cláusulas uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad
nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;
II - desde a posse:
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com
pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a";
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, "a";
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;
II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a
que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;
VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.
§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso
das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.
§ 2º - Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou
pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de
partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
§ 3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de
ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no
Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 6, de 07/06/94:
"§ 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato, nos
termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais de que tratam os §§ 2º e 3º."
Art. 56. Não perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito
Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão diplomática temporária;
II - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse
particular, desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa.
§ 1º - O suplente será convocado nos casos de vaga, de investidura em funções previstas neste artigo ou
de licença superior a cento e vinte dias.
§ 2º - Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la de faltarem mais de
quinze meses para o término do mandato.
§ 3º - Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador poderá optar pela remuneração do mandato.
Seção VI
DAS REUNIÕES
Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 15 de fevereiro a 30 de
junho e de 1º de agosto a 15 de dezembro.
§ 1º - As reuniões marcadas para essas datas serão transferidas para o primeiro dia útil subseqüente,
quando recaírem em sábados, domingos ou feriados.
§ 2º - A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes
orçamentárias.
§ 3º - Além de outros casos previstos nesta Constituição, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
reunir-se-ão em sessão conjunta para:
I - inaugurar a sessão legislativa;
II - elaborar o regimento comum e regular a criação de serviços comuns às duas Casas;
III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República;
IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar.
§ 4º - Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro
ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de dois
anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente.
§ 5º - A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo Presidente do Senado Federal, e os demais
cargos serão exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos equivalentes na Câmara dos Deputados e
no Senado Federal.
§ 6º - A convocação extraordinária do Congresso Nacional far-se-á:
I - pelo Presidente do Senado Federal, em caso de decretação de estado de defesa ou de intervenção
federal, de pedido de autorização para a decretação de estado de sítio e para o compromisso e a posse do
Presidente e do Vice-Presidente- Presidente da República;
II - pelo Presidente da República, pelos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, ou a
requerimento da maioria dos membros de ambas as Casas, em caso de urgência ou interesse público
relevante.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucionalnº 32, de 11/9/2001:
§ 7º Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso Nacional somente deliberará sobre a matéria para a qual
foi convocado, ressalvada a hipótese do § 8º, vedado o pagamento de parcela indenizatória em valor superior
ao subsídio mensal.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 8º Havendo medidas provisórias em vigor na data de convocação extraordinária do Congresso Nacional,
serão elas automaticamente incluídas na pauta da convocação."(NR)
Seção VII
DAS COMISSÕES
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na
forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.
§ 1º - Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a
representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa.
§ 2º - às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se
houver recurso de um décimo dos membros da Casa;
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições;
IV - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou
omissões das autoridades ou entidades públicas;
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles
emitir parecer.
§ 3º - As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela
Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um
terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for
o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos
infratores.
§ 4º - Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso Nacional, eleita por suas
Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidas no regimento comum, cuja
composição reproduzirá, quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária.
Seção VIII
DO PROCESSO LEGISLATIVO
Subseção I
Disposição Geral
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
Subseção II
Da Emenda à Constituição
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada
uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou
de estado de sítio.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal, com o respectivo número de ordem.
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto
de nova proposta na mesma sessão legislativa.
Subseção III
Das Leis
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara
dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo
Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos
casos previstos nesta Constituição.
§ 1º - São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de
sua remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da
administração dos Territórios;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 05/02/98:
"c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e
aposentadoria;"
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI;
Alínea incluída pela Emenda Constitucional nº 18, de 05/02/98:
"f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade,
remuneração, reforma e transferência para a reserva."
§ 2º - A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com
não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com
força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado
o previsto no art. 167, § 3º;
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;
III – reservada a lei complementar;
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
Presidente da República.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I,
II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o
último dia daquele em que foi editada.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não
forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual
período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas
decorrentes.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, suspendendo-se durante
os períodos de recesso do Congresso Nacional.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 5º A deliberação decada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias
dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação,
entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando
sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver
tramitando.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta
dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir
parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do
Congresso Nacional.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que
tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de
eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua
vigência conservar-se-ão por ela regidas.
Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto."(NR)
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e
§ 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado
Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo
Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.
§ 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a
proposição, cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais
deliberações legislativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado,
até que se ultime a votação.
§ 3º - A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez
dias, observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º - Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos
projetos de código.
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e
votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora.
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República,
que, aquiescendo, o sancionará.
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário
ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do
recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do
veto.
§ 2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
§ 3º - Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção.
§ 4º - O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só
podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto.
§ 5º - Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 11/9/2001:
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão
imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final.
§ 7º - Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos
dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-
Presidente do Senado fazê-lo.
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na
mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do
Congresso Nacional.
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação
ao Congresso Nacional.
§ 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de
competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei
complementar, nem a legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º - A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que
especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º - Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação
única, vedada qualquer emenda.
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.
Seção IX
DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA
Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades
da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções
e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de
controle interno de cada Poder.
(*) Parágrafo único.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 04/06/98:
"Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade,
guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em
nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária."
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de
Contas da União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que
deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da
administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo
ao erário público;
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas
as nomeações para cargo deprovimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias,
reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato
concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou
de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial,
nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no
inciso II;
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de
forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste
ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por
qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e
patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções
previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento
da lei, se verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que
solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas
previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.
§ 4º - O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.
Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, §1º, diante de indícios de despesas não
autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios não aprovados, poderá
solicitar à autoridade governamental responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos
necessários.
§ 1º - Não prestados os esclarecimentos, ou considerados estes insuficientes, a Comissão solicitará ao
Tribunal pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias.
§ 2º - Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, se julgar que o gasto possa causar dano
irreparável ou grave lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional sua sustação.
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro
próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas
no art. 96. .
§ 1º - Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os
seguintes requisitos:
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;
II - idoneidade moral e reputação ilibada;
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública;
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso anterior.
§ 2º - Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:
I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois alternadamente
dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal,
segundo os critérios de antigüidade e merecimento;
II - dois terços pelo Congresso Nacional.
 (*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98:
"§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos,
vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, quanto à
aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40."
§ 4º - O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos do titular e,
quando no exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz de Tribunal Regional Federal.
Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle
interno com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e
dos orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos
públicos por entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da
União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou
ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei,
denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.
Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição e
fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos
de Contas dos Municípios.
Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão
integrados por sete Conselheiros.
CAPÍTULO II
DO PODER EXECUTIVO
Seção I
DO PRESIDENTE E DO VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado.
(*) Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 04/06/97:
"Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no
primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se
houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente."
§ 1º - A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado.
§ 2º - Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria
absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
§ 3º - Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até
vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se
eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.
§ 4º - Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de
candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.
§ 5º - Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um candidato com
a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
Art. 78. O Presidente e o Vice-Presidente da República tomarão posse em sessão do Congresso Nacional,
prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem
geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.
Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente,
salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago.
Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder- lhe-á,

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