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Hematologia Plaquetas e o processo de coagulação Prof.ª Ma. Giovanna Vaz Crippa Contextualização Nessa aula vamos aprender os primeiros conceitos sobre hematologia: Compreender a hemostasia primária e secundária Conhecer as plaquetas e os mecanismos de coagulação sanguínea; Vamos estudar? Hemostasia Hemostasia Mecanismo que tem a finalidade de manter o sangue fluindo, sem permitir seu extravasamento ou sua obstrução. • Previne sangramentos • Interrompe processos hemorrágicos Hemostasia Primária Hemostasia Secundária Fibrinólise Ação vascular Plaquetas Fatores de coagulação Fibrina Hemostasia DA SILVA, Paulo Henrique; et al. Hematologia Laboratorial. Porto Alegre: Grupo A, 2015. Hemostasia Primária Esta etapa acontece quando uma lesão nos vasos sanguíneos ocorre (ex. perfuração com agulha). A hemostasia primária provoca a contração do vaso sanguíneo, através da ação da endotelina. O processo é completado pelas plaquetas, que fecham os espaços abertos, compondo um tampão hemostático. ROBBINS & COTRAN. Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 9ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2016. VASOCONSTRIÇÃO ADESÃO/AGREGAÇÃO PLAQUETÁRIA Hemostasia Secundária Mecanismos destinados à formação de um coágulo consistente. • Capaz de controlar grandes sangramentos provenientes de graves lesões (traumas e cirurgias). FATORES DE COAGULAÇÃO – CASCATA DE COAGULAÇÃO Via Intrínseca e Via Extrínseca SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia Humana. Porto Alegre: Grupo A, 2016. Hemostasia Secundária Adesão e agregação plaquetária Exposição de fosfolipídios carregados negativamente, liberação de fator V e micropartículas plaquetárias pró- coagulantes. Interação entre as plaquetas e os fatores de coagulação. ROBBINS & COTRAN. Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 9ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2016. Fibrinólise Hemostasia completa Retorno normal do fluxo sanguíneo • Dissolução da fibrina formada • Ação de enzimas produzidas nas células endoteliais • Plasminogênio → plasmina Qualquer coágulo formado na circulação pode ser lisado, evitando complicações tromboembolíticas. HOFFBRAND, A V.; MOSS, P. A H. Fundamentos em hematologia de Hoffbrand. Rio de Janeiro: Grupo A, 2018. Mecanismos e avaliação clínica da coagulação sanguínea Plaquetas As plaquetas são produzidas na medula óssea por fragmentação do citoplasma dos megacariócitos. SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia Humana. Porto Alegre: Grupo A, 2016. Função: formação de um tampão mecânico durante a ação hemostática normal em resposta a uma lesão vascular. • Trombopoetina (TPO) • VR: 150.000 a 450.000/mm³ Glicoproteínas: importantes na reação de adesão e agregação plaquetária. Fosfolipídios: ativação do fator X e II. Grânulos de armazenamento. HOFFBRAND, A V.; MOSS, P. A H. Fundamentos em hematologia de Hoffbrand. Rio de Janeiro: Grupo A, 2018. Endotélio Vascular As células endoteliais possuem 2 propriedades relativas à hemostasia: Função pró-coagulante e Função anticoagulante Fonte: KLS Os fenômenos trombóticos aparecem sempre que o equilíbrio entre as funções pró coagulantes e anticoagulantes das células endoteliais é quebrado. Mecanismos Reguladores: Coagulação Sanguínea Equilíbrio entre fatores de coagulação e anticoagulantes para permitir a manutenção do fluxo constante. O efeito de ação da trombina deve se limitar ao local da lesão. Inibidores: TFPI (tissue factor pathway inhibitor), inibidor dos fatores Xa, VIIa e TF. Coagulação Sanguínea Fibrina: transformar um tampão plaquetário em tampão hemostático, estável e resistente. A coagulação acontece mediante uma série de respostas químicas entre diversas proteínas que converterão pró- enzimas em enzimas > fatores de coagulação. Fibrinogênio (proteína solúvel) Fibrina (polímero insolúvel)TROMBINA Fatores de Coagulação Número do Fator Nome descritivo Forma Ativa I Fibrinogênio Subunidade de fibrina II Protrombina Serina-protease III Fator tecidual (TF) Receptor/cofator V Fator lábil Cofator VII Proconvertina Serina-protease VIII Fator anti-hemolítico Cofator IX Fator Christmas Serina-protease X Fator Stuart Prower Serina-protease XI Antecedente de tromboplastina plasmática Serina-protease XII Fator Haegeman Serina-protease XIII Fator estabilizador de fibrina Transglutaminase Pré calicreína (fator Fletcher) Serina-protease HMWK (fator Fitzgerald) Cofator Coagulação Sanguínea Via intrínseca: todos os componentes já estão presentes no sangue. Via extrínseca: depende da presença do Fator Tecidual (TF). Eventos comuns da coagulação: A ativação do fator X(Xa) Conversão de trombina Formação e estabilização de fibrina Cascata de Coagulação SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia Humana. Porto Alegre: Grupo A, 2016. Coagulação Sanguínea Iniciação Amplificação Propagação Exposição das células que expressam o TF ao fluxo sanguíneo. TF ativa o fator VII. Fator VII ativa os fatores X e XI. Conversão de uma quantidade pequena de protrombina em trombina. Ligações entre as fibras de colágeno e plaquetas. Trombina potencializa o processo de coagulação. Aumento da adesão plaquetária Ativação dos fatores V, VIII e IX Formação de complexos tenases e protrombinases A trombina converte o fibrinogênio solúvel em fibrina e ativa o fator XIII, que forma o coágulo de fibrina hemostático. As fases de amplificação e propagação são controladas pela ação da antitrombina III. Trombose Venosa Profunda Situação Problema A TVP é caracterizada pela presença de um coágulo dentro de uma veia. Pode ser superficial ou profunda e atinge principalmente os membros inferiores. Estima-se que cerca de 180.000 novos casos de trombose venosa surgem no Brasil a cada ano. Quais mecanismos do nosso organismo podem prevenir a TVP? Situação Problema Quais mecanismos do nosso organismo podem prevenir a TVP? O equilíbrio entre a função pró-coagulante e anticoagulante. Equilíbrio entre a ação da trombina e TFPI (tissue factor pathway inhibitor), inibidor dos fatores Xa, VIIa e TF. Exames de Coagulação Trombocitopenia Representa a contagem de plaquetas com valores abaixo dos limites de referência. • Entre 70.000 a 140.000/mm³ - trombocitopenia assintomática > repetir o teste. Existem pessoas que naturalmente possuem valores mais baixos de contagem plaquetária, não sendo necessário o aprofundamento na investigação. Infecções virais: plaquetopenia transitória Deficiências nutricionais e alcoolismo Valor de referência: 150.000 a 450.000/mm³ Trombocitopenia Esplenomegalia, cirrose Púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) ou imunológica (PTI) Síndrome urêmico-hemolítica Leucemias agudas Anemia aplásica Síndromes mielodisplásicas Infiltração da medula óssea por tumores Necrose da medula óssea Quimioterapia e radioterapia Gestação: fisiológica ou patológica Trombocitose Representa a contagem de plaquetas com valores acima dos limites de referência. Fenômeno reacional. Comum nos primeiros anos de vida, anemia ferropriva, doenças inflamatórias crônicas, infecciosas ou reumáticas, pós-operatório. • Neoplasias mieloproliferativas > trombocitose primária não reacional. Valor de referência: 150.000 a 450.000/mm³ Exames de Coagulação A interpretação dos exames tradicionais utilizados na avaliação da coagulação deve ser realizada em conjunto com os aspectos clínicos do paciente. Os principais testes básicos ou de triagem relacionados à coagulação são: Tempo de atividade da protrombina (TAP) Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) Fibrinogênio Tempo de coagulação (TC) Tempo de sangramento (TS) Retração do coágulo Teste Avaliação TAP Avalia os fatores VII, X, V, II e o fibrinogênio TTPA Avalia o tempo de formação do coágulo depois da adição de tromboplastina, fosfolipídios e cálcio ao plasma sanguíneo. Dosagem de FibrinogênioDosagem do fator 1, importante no diagnóstico diferencial de coagulopatias. TC Avalia quanto tempo demora para se formar um coágulo de uma amostra de sangue total à temperatura de 37°C. Tempo de sangramento Avalia a atuação dos vasos sanguíneos e das plaquetas na hemostasia Prova de Retração do Coágulo Avalia a qualidade das plaquetas e a atividade da enzima trombastenina. Avaliação das plaquetas Avaliação das Plaquetas A formação das plaquetas acontece a partir da fragmentação citoplasmática do megacariócito. Principal função: formação do tampão mecânico durante a resposta hemostática normal à lesão vascular. Fonte: KLS Avaliação das Plaquetas Ao microscópio ótico, as plaquetas apresentam-se esféricas e com finos grânulos azurófilos (α-grânulos) distribuídos no citoplasma. O aumento do número de plaquetas está associado a tromboses e embolias. • Contagem em instrumentos semiautomatizados ou automatizados. • Existem métodos diretos e indiretos de se realizar a contagem de plaquetas Fonte: KLS Contagem de Plaquetas Analisadores Hematológicos Impedância eletrônica: identifica as plaquetas pelo tamanho, fazendo uma análise dimensional das estruturas. Análise ótica: é realizada através da medição simultânea de dispersão de luz em dois ângulos diferentes. Fluorescência ótica: o conteúdo de RNA das células reticuladas, os grânulos e a membrana das plaquetas são marcados através do fluorocromo polimetina, produzindo fluorescência ao passar pelo laser. Volume plaquetário médio (VPM), cálculo da variação do tamanho das plaquetas (PDW), cálculo da massa plaquetária. Contagem de Plaquetas Métodos diretos Métodos indiretos A contagem das plaquetas é realizada utilizando-se a câmara de Neubauer ou aparelho eletrônico. Recursos técnicos: microscopia de contraste de fase, microscopia óptica comum e a contagem eletrônica. As plaquetas são contadas em uma extensão sanguínea (esfregaço). Posteriormente são relacionadas ao número de eritrócitos por mm3 de sangue. Fonte: KLS Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa) • Objetivo: avaliar o tempo de formação do coágulo após a adição de tromboplastina, fosfolipídios e cálcio ao plasma. • Avalia a integridade das vias intrínseca e comum. TTPa prolongado: Deficiência de fatores da via intrínseca, protrombina ou fibrinogênio, CIVD, doença de Von Willebrand, uso de heparina. Valores normais: 30 a 40 segundos Tempo de Atividade de Protrombina (TAP) • Objetivo: medir o tempo de formação do coágulo após a adição de tromboplastina tecidual e cálcio ao plasma. • Avalia a integridade da via extrínseca da coagulação. TAP prolongado: coagulação intravascular disseminada, deficiência associada aos fatores da via extrínseca, fibrinogênio ou protrombina e ação da varfarina. Valores normais: 10 a 14 segundos O TTPa e o TAP são úteis no diagnóstico diferencial das coagulopatias. TTPa prolongado TAP prolongado TTPa e TAP prolongados Deficiência dos fatores: XII II X XI VII V IX V II VIII X Recapitulando Hemostasia primária e secundária Plaquetas Mecanismos de coagulação sanguínea Avaliação da coagulação sanguínea Avaliação das plaquetas