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5ºAula Redes Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • aprender sobre os problemas de rede e sua forma de resolução; • entender e resolver os problemas de caminho mínimo; • compreender e resolver os problemas de fluxo máximo; • entender como modelar os problemas de rede e resolver no Excel Solver. Prezados(as) alunos(as), Nesta quinta aula, focaremos em um ramo bem específico da Pesquisa Operacional, que são as redes. Esta aula se assemelha a aula 4 referente ao problema do transporte e suas variantes, com a diferença de que aqui temos a adição de múltiplas fontes consumidoras, fornecedoras e de intermediários. Será dado o foco na modelagem e resolução via Excel Solver. Bons estudos! 42Pesquisa Operacional Seções de estudo 1 – O problema de redes 2 – Caminho mínimo 3 – Problema do fl uxo máximo 1 - O problema de redes De acordo com Lachtermacher (2016), problemas que consideram múltiplas fontes, centros consumidores e locais intermediários por onde os produtos simplesmente passam são denominados problemas de rede de distribuição. Os problemas de transporte podem ser considerados uma simplifi cação do problema de rede de distribuição de custo mínimo, em que as localizações intermediárias não existem. O exemplo a seguir, baseado em Lachtermacher (2016), ilustra um típico caso de problema de rede de distribuição. 1.1 – Exemplo de problema de redes Caso LCL Carros Brasil Ltda. A montadora de veículos LCL Carros Brasil Ltda. está iniciando suas operações no país com duas fábricas: uma na Bahia e outra em São Paulo. A LCL está estudando uma forma de distribuição de seus carros para as diversas revendas, localizadas nos estados de Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, de modo a minimizar o custo total de distribuição (Figura 1). As capacidades instaladas de cada uma das fábricas, as demandas das revendas, bem como os custos unitários de transporte entre fábricas e revendas são mostrados no diagrama da Figura 2. Figura 1 - Localização das fábricas e distribuidores da LCL Carros Brasil. Fonte: Lachtermacher (2016). Figura 2 - Diagrama da rede do caso LCL Carros Brasil. Fonte: Lachtermacher (2016). Em uma primeira e rápida análise, concluímos facilmente que as variáveis de decisão do modelo serão as quantidades de veículos enviadas de cada fábrica a cada distribuidor, e a função-objetivo será a minimização do custo total de transporte. No entanto, o problema apresenta dois detalhes especiais: o número de carros demandados é maior do que a capacidade de produção da empresa e alguns distribuidores (de Minas Gerais e de Santa Catarina) também podem enviar carros que receberam das fábricas para outros distribuidores, possivelmente suas fi liais (LACHTERMACHER, 2016). Existem duas maneiras básicas de resolver esse tipo de problema. A primeira consiste em inserir uma unidade dummy que iguale a oferta e a demanda totais. Se a oferta for maior que a demanda, a variável dummy será colocada como uma unidade de demanda ligada às unidades de oferta. De forma inversa, se a demanda for maior que a oferta, a variável dummy representará um novo ponto de oferta para atender à demanda excedente. Em ambos os casos, todas as restrições serão consideradas igualdades. A segunda forma de resolver problemas de distribuição é seguir a regra do fl uxo balanceado para cada nó (unidade) da rede. Por essa regra, não há necessidade da inserção de variáveis do tipo dummy; o desequilíbrio entre a oferta total e a demanda total é tratado por meio de restrições de maior ou igual ou de menor ou igual. A Tabela 1 resume a forma de aplicação da regra do fl uxo balanceado. Tabela 1 - Regra do fl uxo balanceado Hipótese do problema Tipo de restrição para cada nó Oferta > Demanda Entradas − Saídas ≥ Oferta ou demanda Oferta < Demanda Entradas − Saídas ≤ Oferta ou demanda Oferta = Demanda Entradas − Saídas = Oferta ou demanda Fonte: Elaborado pelo autor. Resolveremos o caso da LCL Carros Brasil pelos dois métodos. A Figura 2 mostra a diferença entre a capacidade de produção da empresa (oferta) e o número de carros requeridos pelos estados (demanda). Nesse caso, há uma oferta de 1.100 veículos e uma demanda de 1.400. Assim, o primeiro passo para resolver esse problema pela primeira alternativa é inserir uma unidade de oferta dummy com disponibilidade de 300 veículos e conectada a todos os nós de demanda com custo zero de transporte (Figura 3). Figura 3 - Diagrama de rede do caso LCL Carros Brasil — 1ª alternativa. Fonte: Lachtermacher (2016). 43 De acordo com esse primeiro método de modelagem, o problema que será inserido na planilha Excel tem os parâmetros a seguir. Variáveis de decisão • x13 — número de carros enviados da BA para MG. • x14 — número de carros enviados da BA para o RJ. • x15 — número de carros enviados da BA para GO. • x23 — número de carros enviados de SP para MG. • x24 — número de carros enviados de SP para o RJ. • x26 — número de carros enviados de SP para o PR. • x27 — número de carros enviados de SP para SC. • x28 — número de carros enviados de SP para o RS. • x34 — número de carros enviados de MG para o RJ. • x35 — número de carros enviados de MG para GO. • x78 — número de carros enviados de SC para o RS. • x93 — número de carros que MG deixará de receber. • x94 — número de carros que o RJ deixará de receber. • x95 — número de carros que GO deixará de receber. • x96 — número de carros que o PR deixará de receber. • x97 — número de carros que SC deixará de receber. • x98 — número de carros que o RS deixará de receber. Função-objetivo Min 25x13 + 30x14 + 40x15 + 20x23 + 15x24 + 20x26 + 35x27 + 50x28 + 20x34 + 20x35 + 20x78 Montaremos as restrições conforme a seguinte lógica: o número de carros que chegam ao nó menos o montante que sai deve ser igual à oferta (negativa) ou à demanda (positiva) do nó. Restrições de fluxo – x13 – x14 – x15 = – 500 nó 1 – x23 – x24 – x26 – x27 – x28 = – 600 nó 2 x13 + x23 + x93 – x34 – x35 = + 200 nó 3 x14 + x24 + x34 + x94 = + 350 nó 4 x15 + x35 + x95 = + 150 nó 5 x26 + x96 = + 300 nó 6 x27 + x97 – x78 = + 150 nó 7 x28 + x78 + x98 = + 250 nó 8 2x93 – x94 – x95 – x96 – x97 – x98 = –300 nó 9 A Figura 4 mostra uma das maneiras de o problema ser modelado no Excel. Para inserir a condição de que o fluxo líquido de cada nó (quantidade que chega menos quantidade que sai) deve ser igual à respectiva demanda (positiva) ou oferta (negativa), utilizaremos a função SomaSe do Excel (ou SumIf, em inglês). Essa função serve para somar as células especificadas por determinado critério, que pode ser um número, uma expressão (> 100, por exemplo) ou um texto. No nosso problema, a função SomaSe nos ajudará a calcular o fluxo líquido de cada nó com base em seus critérios de identificação. Na Figura 4, a célula I16 representa a função-objetivo, e as células E4 a E20, as variáveis de decisão do modelo. As células H4 a H12 representam os LHS das restrições de fluxo, e as células I4 a I12, os RHS (lado direito da equação de restrição) das células. A Tabela 2 mostra as fórmulas utilizadas nas células que representam cada LHS (lado esquerdo da equação) das restrições e na célula que denota a função- objetivo. Figura 4 - Modelagem da rede do caso LCL Carros Brasil — 1o método. Fonte: Lachtermacher (2016). Tabela 2 - Fórmulas utilizadas nas restrições do problema de redes de distribuição Função-objetivo Célula Fórmula referente a função objetivo z I16 =SOMARPRODUTO(D4:D14;E14:E14) Restrição Célula Resultado da restrição Nó 1 H4 =SOMASE($C$4:$C$20;G4;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G4;$E$4:$E$20) Nó2 H5 =SOMASE($C$4:$C$20;G5;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G5;$E$4:$E$20) Nó 3 H6 =SOMASE($C$4:$C$20;G6;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G6;$E$4:$E$20) Nó 4 H7 =SOMASE($C$4:$C$20;G7;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G7;$E$4:$E$20) Nó 5 H8 =SOMASE($C$4:$C$20;G8;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G8;$E$4:$E$20)Nó 6 H9 =SOMASE($C$4:$C$20;G9;$E$4:$E$20)- SOMASE$B$4:$B$20;G9;$E$4:$E$20) Nó 7 H10 =SOMASE($C$4:$C$20;G10;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G10;$E$4:$E$20) Nó 8 H11 =SOMASE($C$4:$C$20;G11;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G11;$E$4:$E$20) Nó 9 H12 =SOMASE($C$4:$C$20;G12;$E$4:$E$20)- SOMASE($B$4:$B$20;G12;$E$4:$E$20) Fonte: Elaborado pelo autor. Uma vez feita a modelagem, devemos estabelecer os parâmetros e as opções do Solver (Figura 5) e otimizá-lo. A Figura 6 apresenta a solução ótima do problema. Nela verificamos que a forma mais econômica de a LCL Carros Brasil atender a seus distribuidores é enviando 200 carros da fábrica da Bahia para Minas Gerais, 150 da Bahia para o Rio de Janeiro, 150 da Bahia para Goiás, 200 de São Paulo para o Rio de Janeiro, 300 de São Paulo para o Paraná e 100 de São Paulo para Santa Catarina. De acordo com Lachtermacher (2016), nem todos os distribuidores poderiam ter suas demandas completamente atendidas, pois a demanda total é maior do que a capacidade de produção da companhia. Os distribuidores que não devem 44Pesquisa Operacional ter sua demanda total suprida, de acordo com a solução ótima apresentada pelo Solver, são os dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Santa Catarina deixará de receber 50 carros, e o Rio Grande do Sul, 250 carros. Figura 5 - Condições do Solver para o caso LCL Carros Brasil — 1a alternativa. Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 6 - Solução ótima para o caso LCL Carros Brasil — 1ª alternativa. Fonte: Lachtermacher (2016). Para resolver o problema da montadora de veículos LCL Carros Brasil pela outra forma (sem inclusão de variáveis dummy), modelaremos o problema tratando as restrições como de menor ou igual, já que a oferta total é menor do que a demanda total. A modelagem do problema, portanto, será a seguinte: Variáveis de decisão • x13 — número de carros enviados da BA para MG. • x14 — número de carros enviados da BA para o RJ. • x15 — número de carros enviados da BA para GO. • x23 — número de carros enviados de SP para MG. • x24 — número de carros enviados de SP para o RJ. • x26 — número de carros enviados de SP para o PR. • x27 — número de carros enviados de SP para SC. • x28 — número de carros enviados de SP para o RS. • x34 — número de carros enviados de MG para o RJ. • x35 — número de carros enviados de MG para GO. • x78 — número de carros enviados de SC para o RS. • Função-objetivo Min 25x13 + 30x14 + 40x15 + 20x23 + 15x24 + 20x26 + 35x27 + 50x28 + 20x34 + 20x35 + 20x78 A montagem das restrições segue a lógica utilizada na modelagem anterior, e elas serão do tipo menor ou igual, representadas abaixo. – x13 – x14 – x15 ≤ –500 nó 1 – x23 – x24 – x26 – x27 – x28 ≤ – 600 nó 2 x13 + x23 – x34 – x35 ≤ 200 nó 3 x14 + x24 + x34 ≤ 350 nó 4 x15 + x35 ≤ 150 nó 5 x26 ≤ 300 nó 6 x27 – x78 ≤ 150 nó 7 x28 + x78 ≤ 250 nó 8 A Figura 7 mostra o problema de transporte da LCL Carros Brasil, modelado de acordo com a 2a alternativa. A célula I16 representa a função-objetivo, e as células E4 a E14, as variáveis de decisão do modelo. As células H4 a H11 representam os LHS das restrições de fl uxo, e as células I4 a I11, os RHS das células. A Tabela 3 mostra as fórmulas utilizadas nas células que representam os LHS das restrições e na célula que denota a função-objetivo. A Figura 8 representa os parâmetros e as opções do Solver utilizados no problema. Figura 7 - Modelagem do caso LCL Carros Brasil — 2a alternativa. Fonte: Lachtermacher (2016). Tabela 3 - Fórmulas utilizadas nas restrições do problema de redes de distribuição — 2a alternativa Função-objetivo Célula Fórmula referente a função objetivo z I16 =SOMARPRODUTO(D4:D14;E14:E14) Restrição Célula Resultado da restrição Nó 1 H4 =SOMASE($C$4:$C$14;G4;$E$4:$E$14)- SOMASE($B$4:$B$14;G4;$E$4:$E$14) Nó2 H5 =SOMASE($C$4:$C$14;G5;$E$4:$E$14)- SOMASE($B$4:$B$14;G5;$E$4:$E$14) Nó 3 H6 =SOMASE($C$4:$C$14;G6;$E$4:$E$14)- SOMASE($B$4:$B$14;G6;$E$4:$E$14) Nó 4 H7 =SOMASE($C$4:$C$14;G7;$E$4:$E$14)- SOMASE($B$4:$B$14;G7;$E$4:$E$14) 45 Nó 5 H8 =SOMASE($C$4:$C$14;G8;$E$4:$E$14)- SOMASE($B$4:$B$14;G8;$E$4:$E$14) Nó 6 H9 =SOMASE($C$4:$C$14;G9;$E$4:$E$14)- SOMASE($B$4:$B$14;G9;$E$4:$E$14) Nó 7 H10 =SOMASE($C$4:$C$14;- G10;$E$4:$E$14)-SOMASE($B$4:$B$14;- G10;$E$4:$E$14) Nó 8 H11 =SOMASE($C$4:$C$14;- G11;$E$4:$E$14)-SOMASE($B$4:$B$14;- G11;$E$4:$E$14) Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 8 – Condições do Solver para o caso LCL Carros Brasil — 2a alternativa. Fonte: Elaborado pelo autor. Observando a Figura 9, que mostra o resultado da otimização do problema, notamos que a solução ótima apresentada pelo Solver nesse modelo é exatamente igual à solução da modelagem anterior, que incluía a variável dummy. É indiferente utilizarmos um ou outro método de modelagem; o modelador deve escolher o que mais lhe convém. No caso de soluções múltiplas, os resultados poderiam até ser diferentes, isto é, um método poderia chegar a uma solução ótima, e o método alternativo a outra solução, porém ambas apresentando o mesmo valor ótimo. Figura 9 - Solução ótima para o caso LCL Carros Brasil — 2ª alternativa. Fonte: Lachtermacher (2016). 2 - Caminho mínimo O problema do caminho mínimo representa um caso especial de problemas de rede, em que os arcos signifi cam a distância entre dois pontos (nós). Quando desejamos achar a rota que une esses pontos com a menor distância entre as possíveis, temos um problema do tipo menor caminho. Esse tipo de problema pode ser generalizado e aplicado à distribuição de energia elétrica, GPS, entre outros. Em problemas de menor caminho haverá sempre dois tipos de nós especiais, chamados de origem e destino. Entre um nó de origem e um nó de destino geralmente existem nós intermediários, que podem representar cidades que conectam rodovias, subestações com problemas de distribuição de energia, e assim por diante. Para exemplifi car, vamos estudar o caso da Dourados Adornos & Tecidos. A fábrica de artigos de decoração Dourados Adornos & Tecidos, localizada em Lambari, Minas Gerais, deve entregar grande quantidade de peças na cidade de Baependi, no mesmo estado. A empresa quer saber qual caminho seu caminhão de entregas deve fazer para minimizar a distância total percorrida. A Figura 10 mostra o mapa rodoviário da região do estado em que se situam as duas cidades, e a Figura 5.28 mostra o mapa esquemático e as distâncias entre as cidades na forma de rede. Figura 10 - Mapa rodoviário que liga as cidades de Lambari a Baependi. Fonte: Lachtermacher (2016). Figura 11 – Representação em rede do caso Dourados Adornos & Tecidos. Fonte: Lachtermacher (2016). 46Pesquisa Operacional A modelagem do problema terá variáveis binárias do tipo xij, indicando o sentido da cidade i para a cidade j. Se o valor da variável for igual a um, signifi ca que aquele trecho deve ser percorrido. De forma inversa, se o valor da variável for igual a zero, a estrada que liga a cidade i à cidade j não deverá ser utilizada. Variáveis de decisão • x12 — trecho Lambari (1) — Três Corações (2). • x13 — trecho Lambari (1) — São Lourenço (3). • x15 — trecho Lambari (1) — Caxambu (5). • x24 — trecho Três Corações (2) — São Thomé das Letras (4). • x35 — trecho São Lourenço (3) — Caxambu (5). • x46 — trecho São Thomé das Letras (4) — Baependi (6). • x56 — trecho Caxambu (5) — Baependi (6). De acordo com Lachtermacher (2016), a função-objetivo visa minimizar a distância percorrida pelo caminhão. Logo, se as variáveis de decisão assumem zero ou um, a multiplicação destas pelas distâncias entre as respectivas cidades será zero, caso a estrada não seja utilizada, e igual à distância entre as cidades, se ela for utilizada. Portanto, o somatório desses produtos será a distância percorrida, isto é, a função-objetivo, que matematicamente pode ser representada por: Min Z = 41x12 + 44x13 + 50x15 + 37x24 + 27x35 + 45x46 + 4x56 A demanda de Baependi será de um caminhão(+1) e a oferta de Lambari será de um caminhão (–1). Todas as outras cidades intermediárias terão demanda e oferta iguais a zero. Dessa forma, as restrições de fl uxo podem ser matematicamente representadas por: – x12 – x13 – x15 = – 1 nó 1 x12 – x24 = 0 nó 2 x13 – x35 = 0 nó 3 x24 – x46 = 0 nó 4 x15 + x35 – x56 = 0 nó 5 x46 + x56 = + 1 nó 6 Uma das possíveis modelagens desse problema na planilha Excel é mostrada na Figura 12. A célula E12 representa a função-objetivo, e as células E4 a E10, as variáveis de decisão do modelo. As células H4 a H9 representam os LHS das restrições de fl uxo, e as células I4 a I9, os RHS das células. A Tabela 4 mostra as fórmulas utilizadas nos LHS das restrições e na célula que denota a função-objetivo. Figura 12 – Modelagem do caso da Dourados Adornos & Tecidos. Fonte: Elaborado pelo autor. Tabela 4 - Fórmulas utilizadas no caso da Dourados Adornos & Tecidos. Função-objetivo Célula Fórmula referente à função objetivo z E12 =SOMARPRODUTO(D4:D10;E4:E10) Restrição Célula Resultado da restrição Nó 1 H4 =SOMASE($C$4:$C$10;G4;$E$4:$E$10)- SOMASE($B$4:$B$10;G4;$E$4:$E$10) Nó2 H5 =SOMASE($C$4:$C$10;G5;$E$4:$E$10)- SOMASE($B$4:$B$10;G5;$E$4:$E$10) Nó 3 H6 =SOMASE($C$4:$C$10;G6;$E$4:$E$10)- SOMASE($B$4:$B$10;G6;$E$4:$E$10) Nó 4 H7 =SOMASE($C$4:$C$10;G7;$E$4:$E$10) SOMASE($B$4:$B$10;G7;$E$4:$E$10) Nó 5 H8 =SOMASE($C$4:$C$10;G8;$E$4:$E$10)- SOMASE($B$4:$B$10;G8;$E$4:$E$10) Nó 6 H9 =SOMASE($C$4:$C$10;G9;$E$4:$E$10)- SOMASE($B$4:$B$10;G9;$E$4:$E$10) Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 13 – Modelagem no solver Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 14 - Solução do exemplo. Fonte: Elaborado pelo autor. As condições especifi cadas para os parâmetros e as opções do Solver estão evidenciadas na Figura 13. A Figura 14 47 mostra a solução ótima do problema. Segundo ela, o caminho pela malha rodoviária da região que resulta na menor distância entre as cidades de Lambari e Baependi é o que passa pelo município de Caxambu. Dessa forma, o caminhão de entregas da LCL Adornos & Tecidos deve sair de Lambari, seguir a estrada que leva até Caxambu (x15 = 1) e, de lá, partir para Baependi (x56 = 1), percorrendo uma distância total de 54 quilômetros (50 km de Lambari a Caxambu e mais 4 km de Caxambu a Baependi). 3 - Problema do fl uxo máximo O tipo de problema de fl uxo máximo é utilizado quando queremos maximizar a quantidade de fl uxo de um ponto de origem para um ponto de destino e estamos sujeitos a restrições de capacidade de fl uxo nos arcos. Esses problemas geralmente envolvem o fl uxo de materiais como água, óleo, gás, energia por uma rede de tubos ou cabos, mas também podem representar o fl uxo máximo de carros em uma malha rodoviária, de produtos em linhas de produção, e assim por diante. Para exemplifi car, tomemos o exemplo da empresa distribuidora de gás GasoBras Ltda. deseja determinar a quantidade máxima de metros cúbicos por segundo de gás que pode bombear da estação de Campos para o centro consumidor do Rio de Janeiro pela rede de gasodutos existentes. A Figura 15 ilustra a estrutura da rede de distribuição e apresenta a capacidade de fl uxo máximo nos trechos (em metros cúbicos por segundo). Figura 15 – Redes de gasodutos que ligam Campos ao Rio de Janeiro. Fonte: Lachtermacher (2016). Figura 16 – Rede com inclusão do arco artifi cial. Fonte: Lachtermacher (2016). De acordo com Lachtermacher (2016), para resolver esse problema, utilizaremos um pequeno artifício: adicionaremos um arco virtual ligando o nó B ao nó A (Figura 16). A função- objetivo, portanto, será a maximização do fl uxo de gás que passa de B para A. Como o fl uxo de B para A na realidade não existe, o valor do fl uxo no arco artifi cial representará o total de gás que pode chegar ao Rio de Janeiro vindo de Campos por mais de um caminho simultaneamente. Variáveis de decisão • xA1 — m3/s de gás que saem de A e chegam à Estação 1. • xA2 — m3/s de gás que saem de A e chegam à Estação 2. • x13 — m3/s de gás que saem da Estação 1 e chegam à Estação 3. • x14 — m3/s de gás que saem da Estação 1 e chegam à Estação 4. • x24 — m3/s de gás que saem da Estação 2 e chegam à Estação 4. • x3B — m3/s de gás que saem da Estação 3 e chegam em B. • x4B — m3/s de gás que saem da Estação 4 e chegam em B. • xBA — m3/s de gás que saem de B e chegam em A (arco artifi cial). Função-objetivo Max xBA A composição das restrições seguirá as seguintes condições: • O fl uxo em cada arco deverá ser maior ou igual a zero. • O fl uxo em cada arco deverá ser menor ou igual à capacidade do arco. • O fl uxo que chega a cada nó deverá ser igual ao fl uxo que sai dele. • O fl uxo do arco artifi cial (desconhecido) deve ser grande o bastante para assumir qualquer valor possível, já que este será maximizado. Restrições de capacidade • xA1 ≤ 40 xA2 ≤ 30 • x13 ≤ 30 x14 ≤ 20 • x24 ≤ 30 x3B ≤ 20 • x4B ≤ 40 xBA ≤ 9.999 Restrições de fl uxo xBA – (xA1 + xA2) = 0 nó A xA1 – (x13 + x14) = 0 nó 1 xA2 – (x24) = 0 nó 2 x13 – (x3B) = 0 nó 3 x14 + x24 – (x4B) = 0 nó 4 x3B + x4B – (xBA) = 0 nó B Uma das possíveis modelagens desse problema na planilha Excel é mostrada na Figura 17. A célula E13 representa a função-objetivo, e as células E4 a E11, as variáveis de decisão do modelo. As células H4 a H9 representam os LHS das restrições de fl uxo, e as células I4 a I9, os RHS das células. A Tabela 5 mostra as fórmulas utilizadas nos LHS das restrições e na célula que denota a função-objetivo. As condições especifi cadas para os parâmetros e as opções do Solver estão evidenciadas na Figura 18. 48Pesquisa Operacional Figura 17 – Modelagem no caso da GasoBras Fonte: Lachtermacher (2016). Figura 18 – Estratégia com o Solver no caso da GasoBras Fonte: Elaborado pelo autor. Tabela 5 – Fórmulas utilizadas no caso da GasoBrass Função-objetivo Célula Fórmula referente à função objetivo Max xBA E13 =E11 Restrição Célula Resultado da restrição Nó 1 H4 =SOMASE($C$4:$C$11;G4;$E$4:$E$11)-SO- MASE$B$4:$B$11;G4;$E$4:$E$11) Nó2 H5 =SOMASE($C$4:$C$11;G5;$E$4:$E$11)-SO- MASE($B$4:$B$11;G5;$E$4:$E$11) Nó 3 H6 =SOMASE($C$4:$C$11;G6;$E$4:$E$11)-SO- MASE($B$4:$B$11;G6;$E$4:$E$11) Nó 4 H7 =SOMASE($C$4:$C$11;G7;$E$4:$E$11)-SO- MASE($B$4:$B$11;G7;$E$4:$E$11) Nó 5 H8 =SOMASE($C$4:$C$11;G8;$E$4:$E$11)-SO- MASE($B$4:$B$11;G8;$E$4:$E$11) Nó 6 H9 =SOMASE($C$4:$C$11;G9;$E$4:$E$11)-SO- MASE($B$4:$B$11;G9;$E$4:$E$11) Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 19 – Solução do problema da GasoBras Fonte: Lachtermacher (2016). A Figura 19 evidencia a solução ótima apresentada pelo Solver para o problema da GasoBras. Como podemos observar, em função dos limites de fl uxos dos gasodutos, o fl uxo máximo que pode chegar ao Rio de Janeiro é de 60 metros cúbicos de gás por segundo. Ao chegar ao fi nal da quinta aula, vamos recordar o que aprendemos: Retomando a aula 1 – O problema de redes Nessa seção, fomos apresentados ao problema de redes, que pode ser considerado um problema de transporte mais complexo, com inúmeros fornecedores, transbordos e destinos fi nais, sendo por essas características que é necessário ser estudado separadamente. 2 – Caminho mínimo Nessa segunda parte de nosso estudo, vimos uma aplicação clássica de problema de redes, que é o problema do caminho mínimo. Vimos exemplo de como resolver esse problema através do Excel, bem em linha com a realidade do dia a dia de um engenheiro. 3 – Problema do fl uxo máximo Finalmente, na última etapa, vimos o problema do fl uxo máximo, que pode ser entendido como o inverso do problema do caminho mínimo da segunda seção. Nessa seção também foi apresentado uma maneira de resolução através do Microsoft Excel. Hillier, F.S. e Lieberman G.J., Introdução à Pesquisa Operacional, 8ª. edição. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. Lachtermacher, G. Pesquisa operacional na tomada de decisões, 5ª. edição. São Paulo: Prentice Hall, 2016. Taha, H. A.. PesquisaOperacional. 8ª edição. São Paulo: Pearson, 2008. Vale a pena ler Vale a pena