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1www.biologiatotal.com.br CICLO TRIGONOMÉTRICO II TANGENTE Na geometria dizemos que uma reta é tangente à uma circunferência quando ela intersecta a circunferência em apenas um ponto. Essa definição se estende para a trigonometria, pois o eixo da tangente é o eixo que intersecta a circunferência trigonométrica somente no ponto A (1,0). Nesse ponto o arco tem medida zero radianos e, portanto, o valor da tangente no ponto A é zero. Acima do ponto A os valores da tangente são positivos e abaixo desse ponto os valores da tangente são negativos. Para ilustrarmos a tangente no ciclo trigonométrico, considere o ponto O(0,0) o centro da circunferência, A o ponto com coordenadas (1,0), M um ponto qualquer do primeiro quadrante e o arco formado por esses dois pontos. A reta 𝑂𝑀 é a reta que passa pelo ponto O e pelo ponto M, formando um ângulo α com o eixo horizontal e intersectando o eixo da tangente no ponto T. Definimos que: A tangente do ângulo α é a ordenada do ponto T. Em outras palavras, para obter o valor da tangente de um ângulo descrito no ciclo trigonométrico, basta projetá-lo no eixo da tangente. Vamos entender porque isso ocorre: Observe na imagem anterior que o triângulo formado pelos pontos O, A e T é um triângulo retângulo, com ângulo reto Â. Portanto podemos aplicar a definição da tangente no triângulo e obtemos: 𝑡𝑔 𝛼 = 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝐴𝑇 𝑂𝐴 = 𝐴𝑇 1 = 𝐴𝑇 Ou seja, a tangente do ângulo α é igual ao tamanho do segmento de reta 𝐴𝑇 . AM 2 Ci cl o Tr ig on om ét ric o II Observação: f A demonstração é análoga para os demais quadrantes, é possível concluir, portanto, que a definição de tangente vale para qualquer ângulo! Exemplo: Encontre a tangente do ângulo de 𝜋 4 𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑜𝑠 45° � . Solução: Para encontrarmos a tangente de 𝜋 4 𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑜𝑠 45° �, encontramos na circunferência o ponto B associado ao arco de 𝜋4 𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑜𝑠 45° �e traçamos a reta 𝑂𝐵 , que passa pelo centro da circunferência e pelo ponto B. Perceba que a reta 𝑂𝐵 intersecta o eixo da tangente em 1. Portanto dizemos que a tg 𝜋4 =1. Tangente Indefinida Conforme aumentamos o arco no primeiro quadrante, o valor da tangente vai aumentando até que a sua projeção sobre o eixo da tangente não exista mais, isso acontece quando as extremidades dos arcos estão exatamente sob o eixo das ordenadas. Para encontrar o valor da tangente desses arcos deveríamos traçar a reta que passa pela extremidade do arco e pelo centro da circunferência, mas essa reta coincidiria com o eixo das ordenadas, e como esses dois eixos são paralelos, não encontraríamos nenhum ponto de interseção. Portanto, para esses arcos dizemos que não existe valor de tangente. Na primeira volta isso ocorre para os arcos de 𝜋 2 𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑜𝑠 radianos e 3𝜋 2 𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑜s radianos. Outra forma de pensarmos nesses casos envolve o entendimento da tangente como uma razão trigonométrica do seno pelo cosseno. Os cossenos de 𝜋2 𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑜𝑠 radianos e 3𝜋 2 𝑟𝑎𝑑𝑖𝑎𝑛𝑜s radianos valem zero. E dividir por zero é uma indeterminação matemática. Portanto: A tangente não é definida para ângulos cujo cosseno vale zero. Sinal da tangente Você deve ter percebido que no primeiro quadrante os valores da tangente são sempre positivos. Porém seguindo para o segundo quadrante passamos a ter arcos cuja tangente é negativa. Isso ocorre porque a reta que passa pela extremidade do arco e pelo centro da circunferência intersecta o eixo da tangente na parte negativa. Note que o mesmo acontece para os arcos que possuem extremidade no quarto quadrante. Portanto: 3www.biologiatotal.com.br Ci cl o Tr ig on om ét ric o IIA tangente será negativa para todos os arcos do segundo e do quarto quadrantes. E no terceiro quadrante o que acontece? A reta que passa pelo centro da circunferência e pela extremidade de um arco do terceiro quadrante tocará o eixo da tangente onde seus valores são positivos, exatamente como um arco do primeiro quadrante. Resumindo: a tangente será positiva para arcos do 1° e 3° quadrantes e negativa para arcos do 2° e 4 quadrantes. Como ilustra a figura a seguir: 4 Ci cl o Tr ig on om ét ric o II RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS INVERSAS Agora que já conhecemos as razões trigonométricas seno, cosseno e a tangente, estamos prontos para o próximo passo: conhecer as razões trigonométricas inversas. Elas são chamadas de secante, cossecante e cotangente, e recebem a notação de sec (𝛼), cossec(𝛼) e cotg(𝛼), sendo 𝛼 um ângulo qualquer. Secante, Cossecante e Cotangente no Triângulo Retângulo No estudo das razões trigonométricas no triângulo retângulo definimos o cosseno como a razão entre o cateto adjacente e a hipotenusa, o seno como a razão entre o cateto oposto e a hipotenusa e a tangente como a razão entre o cateto oposto e o cateto adjacente. As razões trigonométricas inversas também podem ser definidas no triângulo retângulo, como veremos a seguir. A razão trigonométrica inversa do cosseno é chamada de secante e a definimos como a razão entre a hipotenusa e o cateto adjacente. Já a razão inversa do seno é chamada de cossecante, e definida pela razão entre a hipotenusa e o cateto oposto e a inversa da tangente é chamada de cotangente e é a razão entre o cateto adjacente e o cateto oposto. sec (𝛼) = ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑎 𝑐 cossec (𝛼) = ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 = 𝑎 𝑏 cotg (𝛼) = 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 = 𝑐 𝑏 Dessa forma podemos concluir que, para qualquer ângulo agudo 𝛼 : sec (𝛼) = ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 ⇒ sec 𝛼 = 1 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 ⇒ 𝐬𝐞𝐜 𝜶 = 1 𝐜𝐨𝐬(𝜶) cossec (𝛼) = ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 ⇒ cossec 𝛼 = 1 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 ⇒ 𝐜𝐨𝐬𝐬𝐞𝐜 𝜶 = 1 𝐬𝐞 𝐧(𝜶) cotg (𝛼) = 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 ⇒ cossec 𝛼 = 1 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 ⇒ 𝐜𝐨𝐭𝐠 𝜶 = 1 𝐭 𝐠(𝜶) Observação: f Cuidado para não associar a secante com o seno e a cossecante com o cosseno, por iniciarem com o mesmo prefixo. 5www.biologiatotal.com.br Ci cl o Tr ig on om ét ric o IIRAZÕES TRIGONOMÉTRICAS INVERSAS NO CICLO TRIGONOMÉTRICO Assim como representamos seno, cosseno e tangente no ciclo trigonométrico, assim também faremos com as razões trigonométricas inversas e estenderemos as definições de secante, cossecante e cotangente para ângulos quaisquer. Secante Para representar a secante na circunferência trigonométrica, considere o ponto A de coordenadas (1,0), M um ponto qualquer da circunferência, o arco formado por esses dois pontos e 𝛼 o ângulo referente ao arco , conforme a figura abaixo. A reta r é a reta que tangencia a circunferência no ponto M e a reta s é a reta que passa pelo centro da circunferência e pelo ponto M. Considere ainda o ponto P como o ponto de interseção da reta r com o eixo das abscissas. Portanto: A secante do ângulo 𝛼 é a abscissa do ponto P. Perceba na ilustração ao lado que temos um triângulo retângulo de vértices O, M e P com ângulo reto em 𝑀� . Portanto podemos aplicar a definição de cosseno no triângulo e chegar na definição de secante que já conhecemos: cos 𝛼 = 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 = 𝑂𝑀 𝑂𝑃 Como 𝑂𝑀 é o raio da circunferência trigonométrica, então 𝑂𝑀 = 1. Segue que: cos 𝛼 = 1 𝑂𝑃 ⇒ 𝑂𝑃 = 1 cos 𝛼 ⇒ 𝐬𝐞𝐜 𝜶 = 1 𝐜𝐨𝐬 𝜶 Observe na ilustração abaixo que nos demais quadrantes também é possível traçar o triângulo OMP e a demonstração é análoga. Podemos concluir, portanto, que a definição de secante vale para ângulos quaisquer. AM AM 6 Ci cl o Tr ig on om ét ric o II Secante Indefinida Vimos queem alguns casos a tangente não existe, será que a secante existe para todos os arcos? A resposta é não. Vamos entender porquê: Note que quando o ponto M está sob o eixo das ordenadas a reta r não intersecta o eixo das abscissas, nestes casos dizemos que a secante desses arcos não está definida ou que ela não existe. Pensando na definição de secante como sec 𝛼 = 1 co s( 𝛼) é fácil ver que quando o cos(𝛼)=0 a secante não vai existir, pois estaríamos diante de uma divisão por zero, que é uma indeterminação matemática. Sinais da secante Sinal da Secante Levando em consideração que a sec 𝛼 = 1cos (𝛼) , quando o cosseno de 𝛼 for positivo, a secante será positiva, e quando o cosseno de 𝛼 for negativo a secante também será. Portanto os sinais da secante são os mesmos que o do cosseno. Cossecante Se você analisar a imagem que usamos para ilustrar a secante vai perceber que a reta r não intersecta somente o eixo das abscissas, mas também o eixo das ordenadas. Chamaremos de Q o ponto de interseção da reta r com o eixo das ordenadas. Dito isso podemos definir a cossecante: A cossecante do ângulo 𝛼 é a ordenada do ponto Q. É possível provar que a definição de cossecante vale para qualquer ângulo, levando em consideração que é possível traçar o triângulo OMQ, triângulo em M, em todos os quadrantes e usar a definição da cossecante no triângulo retângulo. Assim como fizemos na secante. + +- - 7www.biologiatotal.com.br Ci cl o Tr ig on om ét ric o IICossecante Indefinida A cossecante não está definida para os arcos cuja extremidade M está sob o eixo das abscissas, pois nesse caso a reta r, tangente à circunferência no ponto M, não possuirá nenhum ponto de interseção com o eixo das ordenadas. Pensando na definição de cossecante como cossec 𝛼 = 1 se𝑛(𝛼) fica evidente que quando o sen(𝛼)=0 a cossecante não vai existir, pois estaríamos diante de uma indeterminação matemática. Sinal da cossecante A cotangente do ângulo 𝛼 é a abscissa do ponto P. Vamos entender de onde surge a definição acima: Note que o triângulo OBP é retângulo em 𝐵� e que, por conta do teorema dos ângulos alternos internos, 𝑃�= Ô = 𝛼. Usando a definição da cotangente no triângulo retângulo temos que: 𝑐𝑜𝑡𝑔 𝛼 = 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 = 𝐵𝑃 𝐵𝑂 = 𝐵𝑃 1 = 𝐵𝑃 Ou seja, a cotangente do ângulo 𝛼 é igual ao tamanho do segmento de reta 𝐵𝑃. AM Sinal da Cossecante Como a definição da cossecante é cossec 𝛼 = 1 se𝑛(𝛼) , os sinais da cossecante são os mesmos que o do seno. Cotangente Conheceremos agora a cotangente, que é a razão trigonométrica inversa da tangente. Sua ilustração no ciclo trigonométrico é bastante parecida com a ilustração da tangente, pois o eixo da cossecante também intersecta a circunferência trigonométrica em apenas um ponto. Mas desta vez a intersecção ocorre no ponto B(0,1). Considere novamente o ponto O(0,0) o centro da circunferência, A (1,0), B(0,1), o ponto M um ponto qualquer do primeiro quadrante e o arco formado por esses dois pontos. A reta 𝑂𝑀 é a reta que passa pelo ponto O e pelo ponto M, formando um ângulo com o eixo horizontal e intersectando o eixo da cotangente no ponto P. Definimos que: ++ -- 8 Ci cl o Tr ig on om ét ric o II Observação: f Quando M pertence aos demais quadrantes a demonstração é análoga, portanto a definição de cotangente vale para todos os ângulos. Cotangente Indefinida A cotangente não está definida para os arcos cuja extremidade M está sob o eixo das abscissas. Pois nesse caso a reta que passa pelo centro da circunferência e pelo ponto M não possuirá nenhum ponto de interseção com o eixo da cotangente. Na primeira volta isso ocorre para os ângulos de 0 radianos e π radianos. Sinal da cotangente RELAÇÕES FUNDAMENTAIS AUXILIARES Você recorda que na apostila anterior conhecemos a relação fundamental da trigonometria? Agora iremos conhecer as relações fundamentais auxiliares, que são obtidas através da relação fundamental combinada com as razões trigonométricas. Podemos obter diversas relações auxiliares, basta manipularmos algebricamente a relação fundamental. Aqui encontraremos as duas relações fundamentais mais relevantes. f A relação fundamental que relaciona a cotangente com a cossecante é obtida quando dividimos a relação fundamental por sen2 (𝛼): Sinal da Cotangente Como a cotangente é definida por 𝐜𝐨𝐭𝐠 𝜶 = 1𝐭 𝐠(𝜶) , o sinal seu sinal será igual ao sinal da tangente. 9www.biologiatotal.com.br Ci cl o Tr ig on om ét ric o II 𝒔𝒆𝒏2 𝜶 + 𝒄𝒐𝒔2 𝜶 = 1 𝒔𝒆𝒏²(𝜶) 𝒔𝒆𝒏²(𝜶) + 𝒄𝒐𝒔²(𝜶) 𝒔𝒆𝒏²(𝜶) = 1 𝒔𝒆𝒏²(𝜶) 1 + 𝒄𝒐𝒕𝒈2 𝜶 = 𝒄𝒐𝒔𝒔𝒆𝒄²(𝜶) f A relação fundamental que relaciona a secante com a tangente é obtida quando dividimos a relação fundamental por cos2 (𝛼): 𝒔𝒆𝒏2 𝜶 + 𝒄𝒐𝒔2 𝜶 = 1 𝒔𝒆𝒏²(𝜶) 𝒄𝒐𝒔²(𝜶) + 𝒄𝒐𝒔²(𝜶) 𝒄𝒐𝒔²(𝜶) = 1 𝒄𝒐𝒔²(𝜶) 𝒕𝒈2 𝜶 + 1 = 𝒔𝒆𝒄²(𝜶) ANOTAÇÕES