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e-Tec Brasil41 Nesta aula, o tema está voltado para equipes de trabalho, suas características e o diferencial competitivo que elas podem oferecer à organização. Os termos equipes e grupos não apresentam o mesmo significado e, na prática, sua ação é ainda muito mais diferenciada. O grande desafio nos ambientes de trabalho é estruturar uma equipe de trabalho propriamente dita, ou seja, integrada e harmoniosa. Vamos aprender como as equipes trabalham? Boa leitura! Aula 5 - Formação de grupos e equipes nos ambientes organizacionais 5.1 Estrutura organizacional Não é mais possível, no século XXI, algum profissional afirmar que pode atu- ar sozinho, sem depender de outros para executar suas funções. A base da estrutura organizacional está contextualizada em: a) micro-organizacional: pessoas ou indivíduos; b) meso-organizacional: setores, departamentos ou grupos; c) macro-organizacional: a organização como um todo. Apesar dos autores abordarem os termos grupos e equipes como sendo si- nônimos, em boa parte das referências, há uma distinção de sentido muito nítida e séria entre estas palavras. Para Spector (2010, p. 310),“um grupo de trabalho é a união de duas ou mais pessoas que interagem umas com as outras e dividem algumas tarefas, visando objetivos inter-relacionados”. Equipes, para Wagner III e Hollenbeck (2003, p.171),“é um tipo especial de grupo em que, entre outros atributos, evidencia-se elevada interdependência na execução das atividades”. Aqui os autores deixam claro que os termos se distinguem pela forma que as tarefas são realizadas: grupos atuam de manei- ra individualizada ou mais pessoal; equipes atuam integradas e estabelecem uma visão compartilhada do que será feito, conseguem estabelecer um vín- culo de sinergia. Assim, pode-se concluir que todas as equipes são grupos, mas nem todo o grupo pode ser uma equipe. Spector (2010) trás alguns conceitos importantes sobre grupos: • Papéis: nem todas as pessoas em um grupo/equipe têm a mesma fun- ção ou propósito. Os encargos e responsabilidades são diferentes. Há papéis formais, especificados pela empresa que compõe a descrição de cargos, a formalização das tarefas a serem desempenhadas; e os papéis informais, que surgem das interações que o grupo/equipe operacionaliza e não seguem regras. • Normas: são as regras de comportamento estabelecidas e aceitas pelos membros do grupo/equipe. Muitas vezes, são especificadas a forma de falar, de vestir e o ritmo do trabalho. As normas são úteis, pois estabele- cem padrões que normatizam a produtividade. • Coesão do Grupo/Equipe: é a soma das forças que atrai os membros do grupo e o mantém unido; gera motivação e integração, fazendo com que os integrantes permaneçam altamente coesos. • Perda no Processo: sugere o tempo e esforço gastos em ações que não se relacionam diretamente com a produção ou o alcance dos objetivos. Os motivos pelos quais as pessoas se reúnem e compõe um grupo ou equipe são os mais diversificados. Pode ser em função de status (buscar a promoção de forma mais interes- seira), segurança (sentirem-se mais fortes em um contexto mais acolhedor), buscar autoestima (pessoas que criam ou reforçam sentimentos crescentes de valor próprio), compartilhar o poder (ficar próximo de pessoas influentes e receber algum favoritismo), realização de metas (estar com pessoas similares que queiram agregar forças em uma mesma direção), amizade (estar junto com outras pessoas pelo simples fato de gostar delas), etc. Aqui entra a subjetividade humana, ou seja, os interesses são próprios de cada um e os recursos utilizados, para alcançar as metas, partem do princípio de que os fins justificam os meios. Claro que o indivíduo não tem como per- tencer a um único grupo ou equipe. Há sempre uma interação destas relações. Pode-se compartilhar de um grupo de trabalho, um time de esporte, um coral, residir em um condomínio, e em todas estas situações, a pessoa está lá Para saber mais sobre a união das pessoas nas equipes de trabalho leia o livro: Fundamentos do Comportamento Organizacional de Stephen Robbins 7ª edição. e-Tec Brasil 42 Psicologia do Trabalho e-Tec Brasil43Aula 5 - Formação de grupos e equipes nos ambientes organizacionais porque entende que há algum benefício para si ou que ela mesma contribui para interesses de outros. Quando as pessoas se conhecem e buscam formar um grupo ou equipe de trabalho ou de lazer, elas tendem a seguir umcerto padrão para a formação deste conjunto. A etapa inicial pode ser chamada de formação, exatamente porque as pessoas buscam se conhecer, saber do que gostam, expressar suas limitações e deixar bem claro o objetivo maior de estarem nesta composição. À medida que convivem, as diferenças vão aparecendo e assim se estabelece uma nova etapa, a da tempestade. Quando está para chover,o céu escure- ce, o vento sopra mais forte, surgem os raios e trovões, comparação similar aos relacionamentos humanos. Se o grupo ou equipe conseguir vencer esta etapa de conflitos e não se desfizer, as pessoas buscam estabelecer normas e padrões aceitáveis e compartilhados. Determinam-se as tarefas, o ritmo do trabalho, as prioridades na execução, o tamanho da equipe, ou seja, o grupo ou equipe se solidifica como conjunto. Depois das normas estabelecidas há a cobrança do desempenho de cada membro. Quem cumpre as determinações tende a permanecer, se assim o de- sejar também. Para quem está fora dos padrões, há um movimento de suspen- são ou retirada, pois a pessoa não compactua do perfil do grupo ou equipe. Sempre que houver a entrada de novos participantes no grupo ou equipe, este processo descrito retorna ao início e precisa ser novamente experienciado, pois os novos membros possuem características distintas, e se faz necessário conhe- cer, estabelecer metas compatíveis com as novas pessoas e seus reais potenciais. Quando um grupo ou equipe apresenta maturidade, significa que, naquele momento, ele está funcionando de forma eficaz e interativa, mas esta coesão não é necessariamente contínua. Os membros devem estar preparados para enfrentar problemas ou adversi- dades, permanecer dispostos ou abertos para mudanças, não se deixar levar pela apatia, desmotivação, estresse, etc. Conviver em comunidade, grupos, equipes, família, times, etc., requer das pessoas participantes uma grande habilidade para enfrentar a frus- tração, o medo, a superação de conflitos; ter como objetivo maior a busca contínua pela melhoria e sinergia nas relações interpessoais: de- senvolver e estabelecer a arte da boa convivência. 5.2 Sociometria e Sociograma Robbins (2002, p. 215) avalia a interação grupal utilizando-se de uma ferra- menta analítica denominada de sociometria ou mapeamento da rede social ou, ainda, análise da rede organizacional. “A sociometria busca descobrir de quem as pessoas gostam ou não, e com quem elas gostariam ou não de trabalhar”. Como fazer esta investigação? O autor sugere o uso de questionários ou mesmo entrevistas com os partici- pantes. Cria-se, então, um sociograma ou diagrama que mapeia grafica- mente as interações preferidas, obtidas através das entrevistas e questionários. Algumas perguntas implicam em respostas sempre interessantes de investi- gação, como por exemplo: qual a pessoa com quem você melhor trabalha no setor? O inverso também: qual a pessoa com quem você se relaciona mal no trabalho? Indique alguém para ser demitido ou transferido da equipe e justifique. Indique alguém que você considera que jamais deveria sair do grupo/equipe e justifique. Através da coleta destas informações é possível mapear, traçar um ranking das relações sociais ou profissionais e visualizar quem compõe as“panelas”, as pessoas isoladas, as coalizões, os agrupamentos prescritos e emergentes, entre outras situações de relacionamento. Mas o que se pode fazer com estas informações coletadas no socio-grama? O gestor poderá prever padrões de comunicação, identificar focos de possí- veis conflitos e as minorias existentes no setor; e prever a rotatividade em de- corrência dos agrupamentos formados, o corporativismo estabelecido entre as pessoas.O sociograma atua como um termômetro das relações existentes nos ambientes de trabalho. Estabelecer a sinergia necessária para um clima organizacional produtivo e eficaz é uma tarefa árdua e constante, pois exige esforços coordenados de vários setores e pessoas, para que a meta, a missão e visão da empresa perpassem as dificuldades pessoais e a visão de conjunto, o comprometimento, a aceitação, a empatia sejam aspectos de maior valor. Moscovici (1999) relata que é possível transformar grupos em equipes desde que o gestor em conjunto com seus colaboradores busquem a mudança, e-Tec Brasil 44 Psicologia do Trabalho e-Tec Brasil45 usando de táticas que privilegiem o diálogo, o apaziguamento, a negociação para a confrontação e resolução dos problemas que se apresentam no setor. A autora reitera que para que isso aconteça é fundamental desenvolver den- tro do contexto empresarial um programa educacional, denominado por ela de Desenvolvimento de Equipe (DE). O objetivo deste programa é “institucionalizar um processo constante de au- toexame e avaliação das condições que dificultam o funcionamento afetivo, além de desenvolver habilidades para lidar eficazmente com esses proble- mas” (MOSCOVICI, 1999, p. 15). As mudanças comportamentais são o indicativo de que o desenvolvi- mento de equipe está sendo eficaz. Sentimentos, atitudes, posturas, valores, motivação são alguns elementos tangíveis e intangíveis des- ta melhoria nas relações interpessoais. Resumo Aprendemos, nessa aula, que a estrutura organizacional está contextualizada em comportamentos micro, meso e macro. Aprendemos, através dos con- ceitos, quais as diferenças de grupos e equipes de trabalho, bem como seus estágios de desenvolvimento e seus principais elementos. Aprendemos o con- ceito e sobre a aplicação de um sociograma, e a importância da sociometria para evidenciar os aspectos positivos e as possíveis dificuldades dos grupos e das equipes de trabalho. Assista ao filme: 16 Quadras com Bruce Willis. A trama da história envolve um policial que deve escoltar um prisioneiro a um tribunal e neste desenrolar, há o conflito entre policiais corruptos e um policial que pretende fazer os procedimentos corretos. Analise o filme sob a ótica das etapas de formação de equipes, conflitos e corporativismo. Acesse o site: http://tinyurl. com/7b5w2c9. Leia o pequeno texto que há sobre equipes de trabalho. O site é da revista HSM Management, especializada na área de administração e consultoria. Aula 5 - Formação de grupos e equipes nos ambientes organizacionais