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NUTRIÇÃO MATERNO INFANTIL NUTRIÇÃO MATERNO INFANTILORGANIZADORES ALINE ROCHA RODRIGUES; LAÍS ANGÉLICA DE PAULA SIMINO ORGANIZADORES ALINE ROCHA RODRIGUES; LAÍS ANGÉLICA DE PAULA SIMINO Nutrição m aterno infantil GRUPO SER EDUCACIONAL O livro Nutrição materno infantil é direcionado para estudantes de cursos de nutrição. Após a leitura da obra, o leitor vai aprender sobre a �siologia e as reper- cussões nutricionais diabetes e hipertensão gestacionais; conhecer os motivos pelos quais o aleitamento materno é superior a outros métodos de nutrição infantil e como estimular o aleitamento; saber as de�nições e terminologias mais utilizadas na área da saúde materno-infantil; aprofun- dar os conhecimentos sobre os aspectos relacionados aos ajustes �siológi- cos e riscos para a saúde da mulher durante o período gestacional; apreender informações importantes sobre a dieta de gestantes na promoção de uma gestação saudável, com in�uência na saúde da mãe e do bebê; descobrir os métodos para realizar a avaliação de consumo alimen- tar, tanto de maneira qualitativa quanto de maneira quantitativa. E não é só isso. Tem muito mais. O livro tem muito conteúdo relevante. Aproveite. Agora é com você! Bons estudos! gente criando futuro I SBN 9786555580259 9 786555 580259 > C M Y CM MY CY CMY K NUTRIÇÃO MATERNO INFANTIL Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi Rodrigues, Aline Rocha. Nutrição materno infantil / Aline Rocha Rodrigues; Laís Angélica de Paula Simino: Cengage – 2020. Bibliografia. ISBN 9786555580259 1. Nutrição Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com “É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Aline Rocha Rodrigues Nutricionista, Especialista em Nutrição com ênfase em Alimentação Escolar, Mestranda em Desenvolvimento Territorial Sustentável, pela Universidade Federal do Paraná. Formada há mais de 15 anos, com a carreira focada em políticas públicas de alimentação e nutrição, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Membro dos conselhos de Alimentação Escolar e Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, sendo coordenadora da Câmara de Acesso aos Alimentos. Laís Angélica de Paula Simino Graduada em Nutrição pela Universidade Paulista, especialização em Bioquímica, Fisiologia, Treinamento e Nutrição Desportiva pela UNICAMP, mestre e doutora em Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo pela UNICAMP. Atua nas áreas de Pesquisa e Nutrição Clínica. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Nutrição e desfechos materno-fetais .........................................................................9 Introdução.............................................................................................................................................10 1. Saúde materno-infantil ..................................................................................................................... 11 2. Aspectos relacionados à gestação .................................................................................................... 13 3. Nutrição e desfechos gestacionais .................................................................................................... 18 4. Programação metabólica .................................................................................................................. 20 5. Avaliação e recomendações nutricionais na gestação ......................................................................26 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................31 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................32 UNIDADE 2 - Nutrição na gestação ................................................................................................35 Introdução.............................................................................................................................................36 1. Guia alimentar para a gestação ........................................................................................................ 37 2. Necessidades nutricionais da gestante e situações incomuns ..........................................................44 3. Como avaliar o consumo alimentar de gestantes: avaliação quantitativa e qualitativa ....................48 4. Metodologia de atenção nutricional em pré-natal de baixo risco: como se faz uma consulta de nutricionista dirigida a gestantes? .........................................................51 5. Como organizar as intervenções nutricionais dentro de um pré-natal de baixo risco, com ênfase no papel do nutricionista ................................................................................................... 54 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................58 UNIDADE 3 - Situações patológicas na gestação e nutrição materno-infantil pós-natal ..................61 Introdução.............................................................................................................................................62 1. Situações patológicas na gestação ................................................................................................... 63 2. Aleitamento materno ........................................................................................................................ 68 3. Nutrição materna pós-natal .............................................................................................................. 74 4. Nutrição do lactente ......................................................................................................................... 78 5. Desvios do estado nutricional do lactente........................................................................................ 86 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................89 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................90 UNIDADE 4 - Nutrição na infância ..................................................................................................91 Introdução.............................................................................................................................................92 1. Metodologia da atenção nutricional dirigida a lactentes, pré-escolares e crianças .........................93 2. Identificação e manejo de desvios do estado nutricional e aconselhamento nutricional durante a fase de alimentação complementar e desmame ..................................................................100 3. Características da idade pré-escolar, necessidades nutricionais na idade pré-escolar, avaliação nutricional e guia alimentar para idade pré-escolar .............................................................102 4. Estudos de situações especiais, envolvendo crianças e cuidado nutricional ....................................107 5. Políticas de saúde e alimentação brasileiras focadas no grupo materno-infantil e cálculo e interpretação de inquérito alimentar aplicado à avaliação de gestantes e crianças .............109 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................114 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................115 Este livro, Nutrição materno infantil, informa o leitor, além de conceitos básicos da área, conteúdo específico sobre nutrição e desfechos materno-fetais, nutrição na gestação, situações patológicas na gestação e nutrição materno-infantil pós-natal, e nutrição na infância. Entre muitos assuntos, a primeira unidade, Nutrição e desfechos materno-fetais, explica as características do período gestacional, incluindo as principais definições e as terminologias mais utilizadas na área da saúde materno-infantil; os aspectos relacionados aos ajustes fisiológicos e riscos para a saúde da mulher durante a gestação; a relação entre a nutrição e os desfechos gestacionais, e mais. A segunda, Nutrição na gestação, aborda as principais funções da nutrição no período de gestação. O texto é fundamentado nas guias que auxiliam as escolhas alimentares da gestante, as bases para uma dieta saudável e avaliações de consumo alimentar baseados tanto em quantidade de alimentos ingeridos quanto na qualidade destes alimentos. A terceira unidade, Situações patológicas na gestação e nutrição materno-infantil pós-natal, trata da fisiologia das situações patológicas mais comuns na gestação; a importância do aleitamento materno exclusivo e como estimular o aleitamento; características da avaliação do estado nutricional e das recomendações para a mulher no período pós-natal. E para finalizar o conteúdo da obra, a quarta unidade, Nutrição na infância, explana os assuntos relacionados a nutrição de crianças, desde o nascimento até o final da primeira infância. Serão abordados temas relacionados a: amamentação, atenção nutricional nos períodos de lactente, pré-escolar e crianças menores de 2 anos. Será explicado como identificar e manejar os desvios nutricionais, bem como as relações da nutrição com o desmame e alimentação adequada e saudável. Esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a leitura do livro. Desejamos que o leitor tenha uma carreira de sucesso, com muito prestígio. Aos leitores, sorte em seus estudos! PREFÁCIO UNIDADE 1 Nutrição e desfechos materno-fetais Olá, Você está na unidade Nutrição e desfechos materno-fetais. Conheça aqui as características do período gestacional, incluindo as principais definições e as terminologias mais utilizadas na área da saúde materno-infantil; os aspectos relacionados aos ajustes fisiológicos e riscos para a saúde da mulher durante a gestação; a relação entre a nutrição e os desfechos gestacionais; o conceito de programação metabólica; e os motivos da importância da Nutrição nos primeiros mil dias de vida. Conheça ainda as particularidades da avaliação e das recomendações nutricionais para a gestante. Bons estudos! Introdução 11 1. SAÚDE MATERNO-INFANTIL A fisiologia da gestação, popularmente conhecida como gravidez, começa a se manifestar a partir do momento em que um óvulo feminino é fecundado pelo espermatozoide masculino e, subsequentemente, inicia-se o desenvolvimento intrauterino do feto, até sua expulsão, ou seja, o momento do nascimento. Primeiramente, antes de nos aprofundarmos nos conhecimentos acerca dos aspectos nutricionais, é importante abordarmos algumas definições e terminologias mais utilizadas na área da saúde materno-infantil. 1.1 Caracterização do grupo materno-infantil São incluídos no grupo chamado de materno-infantil aqueles indivíduos que apresentam necessidades nutricionais elevadas, devido à fase de rápido crescimento e desenvolvimento em que se encontram. As faixas etárias ou momentos fisiológicos compreendidos no grupo materno-infantil são: • mulheres em idade reprodutiva (dos 10 aos 49 anos); • gestantes; • nutrizes ou lactantes (mulheres em período de amamentação); • lactentes (crianças de 0 a 12 meses); • pré-escolares (crianças de 1 a 7 anos); • escolares (crianças de 7 a 10 anos); • adolescentes (dos 11 aos 20 anos). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 12 1.2 Terminologia em saúde materno-infantil Os termos mais utilizados na área da saúde materno-infantil e os respectivos conceitos estão explicados na tabela abaixo. Figura 1 - Terminologia utilizada em saúde materno-infantil Fonte: Adaptado de Accioly et al. (2009) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em duas colunas, na primeira (termo), está uma lista de termos relacionado à área materno-infantil; na segunda (conceito), estão as explicações acerca do significado de cada termo. 13 2. ASPECTOS RELACIONADOS À GESTAÇÃO A gestação normal é acompanhada de mudanças anatômicas, fisiológicas e psicológicas da mulher, que criam um ambiente favorável para o desenvolvimento saudável do feto. Esse conjunto de mudanças é essencial para regular o metabolismo materno e promover o crescimento fetal, além de preparar a mãe tanto para o momento do parto, como para a lactação. É importante que o nutricionista entenda os ajustes ocorridos no corpo da mulher durante a gestação, para que possa auxiliar na assistência nutricional pré e pós-natal com segurança. 2.1 Ajustes fisiológicos, nutricionais e metabólicos da gestação O período gestacional normal é constituído por 40 semanas, mas os aspectos fisiológicos, nutricionais e metabólicos são, no geral, diferentes em cada fase da gestação. No primeiro trimestre, acontecem grandes mudanças biológicas, devido à intensa divisão celular que ocorre nesse período. Já o segundo e terceiro trimestres caracterizam uma fase em que o meio externo exerce grande influência na condição nutricional do feto e, dessa forma, o ganho de peso e a ingestão adequada de nutrientes, bem como o fator emocional e o estilo de vida, serão fatores determinantes para o crescimento e desenvolvimento saudável do feto. Figura 2 - Diferenciação celular (tipo e velocidade de crescimento e peso médio do feto) de acordo com o período gestacional. Fonte: Adaptado de Vitolo (2015) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em 4 colunas e 3 linhas. As colunas são Idade gestacional, Tipo de crescimento, Velocidade e Peso médio do feto; e as linhas são 1º trimestre (12 semanas); 2º trimestre (de 13 a 27 semanas); e 3º trimestre (a partir de 28 semanas). 14 Uma das ferramentas importantes parao profissional que faz o acompanhamento da gestante é a curva de ganho de peso fetal. Com os dados obtidos pela ecografia solicitada pelo médico, o nutricionista pode avaliar se o peso estimado do feto se encontra no percentil adequado (entre P10 e P90). Valores próximos ou abaixo do percentil P10 indicam retardo do crescimento intrauterino, enquanto valores acima do percentil P90 podem sugerir alteração glicêmica ou diabetes gestacional. Figura 3 - Crescimento fetal Fonte: BUMPA, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra um gráfico de crescimento que tem as medidas de peso do bebê em gramas na vertical esquerda, os meses lunares da gestação na horizontal, e o comprimento em milímetros na vertical direita. No meio do gráfico, é possível ver uma linha vermelha e uma azul (indicando curvas de crescimento). Abaixo dessas linhas, dentro do gráficos, está o desenho de três fetos em sequência, passando a ideia de desenvolvimento fetal ao longo dos meses. Os principais hormônios com função essencial durante o período gestacional são: • estrógeno tem como principal ação o aumento da elasticidade da parede do útero e do canal cervical. Como consequências, esse hormônio reduz as proteínas séricas, afeta as funções da tireoide, interfere no metabolismo do ácido fólico; • progesterona tem como principal ação promover o relaxamento da musculatura lisa uterina. Atua também no intestino, diminuindo sua motilidade e possibilitando, assim, um maior tempo para absorção dos nutrientes. Por outro lado, pode levar à constipação intestinal. Além disso, favorece o aumento de gordura corporal, aumenta a excreção de sódio e afeta o metabolismo do ácido fólico; • HCG: tem papel fundamental no início da gestação, enquanto a placenta ainda não é capaz de 15 produzir os hormônios estrógeno e progesterona em quantidade ideal para promover a evolução da gravidez. Pode ser detectado no sangue a partir de 8 dias após a fecundação e, na urina, após 15 dias, sendo utilizado como fator de detecção da gestação; • insulina: no início da gestação, a resposta à insulina, frente ao estímulo com glicose, costuma ser normal, porém, com o avanço do período gestacional, mais insulina é necessária para promover a captação da mesma quantidade de glicose. Por isso, a gestação é considerada um estado hiperinsulinêmico, ou seja, por menor sensibilidade à insulina que, em partes, pode ser explicada pela ação antagonista dos hormônios progesterona, cortisol, prolactina e hormônio lactogênio placentário; • hormônio lactogênio placentário: tem ação antagônica à insulina, favorecendo o aumento da glicose circulante. Sua ação é semelhante à do hormônio do crescimento, pois leva à deposição de proteínas nos tecidos. Além disso, apresenta função anabólica e lipolítica e acredita-se que esteja envolvido com o início do processo da produção do leite materno; • tiroxina: tem ação regulatória nas reações oxidativas que envolvem a produção de energia e, além disso, participa de mecanismos homeostáticos que envolvem a progesterona e o estrógeno. De forma geral, as principais alterações fisiológicas, nutricionais e metabólicas decorrentes do período gestacional estão resumidas no quadro abaixo. 16 Figura 4 - Alterações fisiológicas, nutricionais e metabólicas observadas durante o período gestacional Fonte: ACCIOLY et al. , 2009 (Adaptado). #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido nos fatores de risco que podem afetar a gestação e, abaixo de cada um deles, há uma lista de respectivas especificações e exemplos. Os fatores de risco listados são: idade materna nos extremos da vida reprodutiva; situação conjugal insegura; atividade profissional; baixa escolaridade materna; condições de saneamento ambiental desfavoráveis; estado nutricional antropométrico materno; uso de álcool ou drogas (lícitas ou ilícitas); histórico reprodutivo anterior desfavorável; doença obstétrica na gravidez atual; intercorrIencias clínicas. A imagem mostra um quadro que tem uma primeira linha denominada Alterações gestacionais. Abaixo dessa linha, o quadro se divide em 3 partes: alterações fisiológicas, alterações nutricionais e alterações metabólicas. Abaixo de cada subtítulo desses, está uma lista das alterações que a eles pertecem. 2.2 Fatores de risco associados à gestação Existem diversas condições que podem interferir na evolução normal da gravidez. Entre as condições mais frequentes associadas à intercorrências gestacionais, estão: idade, paridade, parâmetros antropométricos, tabagismo, uso de álcool e condições de saúde como anemia, desnutrição, obesidade, hipertensão arterial e diabetes mellitus, mas existe uma extensa lista de fatores que, embora menos frequentes, também podem ser considerados como fatores de risco associados à gestação. FIQUE DE OLHO A placenta - responsável pela produção de alguns hormônios essenciais na gestação e pelo transporte de oxigênio e nutrientes da mãe para o feto - é um órgão de alta complexidade metabólica. Para saber mais sobre ela, leia o capítulo 8 (Aspectos Fisiológicos e Nutricionais na Gestação), p. 80 de Vitolo (2015). 17 Figura 5 - Fatores de risco associados a resultados obstétricos indesejáveis Fonte: Adaptado de Accioly et al. (2009) 18 #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido nos fatores de risco que podem afetar a gestação e, abaixo de cada um deles, há uma lista de respectivas especificações e exemplos. Os fatores de risco listados são: idade materna nos extremos da vida reprodutiva; situação conjugal insegura; atividade profissional; baixa escolaridade materna; condições de saneamento ambiental desfavoráveis; estado nutricional antropométrico materno; uso de álcool ou drogas (lícitas ou ilícitas); histórico reprodutivo anterior desfavorável; doença obstétrica na gravidez atual; intercorrIencias clínicas. Quanto maior o número destes fatores presentes, pior o quadro e, dependendo da gravidade e quantidade de fatores, a gestação pode ser classificada como baixo, médio ou alto risco. 3. NUTRIÇÃO E DESFECHOS GESTACIONAIS O consumo dietético e o estado nutricional são fatores que estão diretamente relacionados a desfechos gestacionais, seja em um momento mais precoce, com relação ao sucesso reprodutivo, ou durante o período gestacional em si, se relacionando com o desenvolvimento de condições adversas que levam a riscos obstétricos ou, ainda, por intervenções nutricionais que auxiliam na prevenção dessas condições ou no alívio de situações indesejadas. 3.1 Fatores de risco e proteção ao sucesso reprodutivo relacionados à nutrição A nutrição exerce papel importante na síntese de DNA e, por isso, sua influência pode impactar no desenvolvimento tanto de espermatozóides, como de oócitos. Assim, já que o estilo de vida e a nutrição são fatores que podem ser modificáveis de acordo com a necessidade, deve- se atentar para uma alimentação adequada para garantir o sucesso reprodutivo. A infertilidade é definida como a inabilidade de um casal sexualmente ativo, que não faz uso de métodos contraceptivos, de estabelecer a gravidez dentro do período de um ano. Estima- se que 90% dos casais sexualmente ativos que não utilizam métodos contraceptivos consigam engravidar nesse período. As causas que levam à infertilidade podem ser diversas, mas acredita- se que a nutrição exerça papel importante. Muitos nutrientes, de forma isolada, podem afetar positivamente ou negativamente a fertilidade humana. Em relação à fertilidade masculina, a ingestão de vitaminas C e E foi associada positivamente com o número, concentração e/ou motilidade dos espermatozoides, enquanto o FIQUE DE OLHO Para compreender melhor os aspectos envolvidos com os principais fatores de risco associados à gestação, leia o capítulo 9 (Fatores de Risco na Gestação), p. 83 de Vitolo (2015). 19 consumo de soja e alimentos fonte de isoflavonas foram relacionados de forma inversa com a concentração de espermatozoides. Com relação à fertilidade feminina,estima-se que o consumo de gorduras trans esteja relacionado com um risco muito aumentado de desenvolvimento de infertilidade ovulatória, assim como o consumo excessivo de alimentos com alto índice glicêmico. Por outro lado, suplementação de ferro, uso de multivitamínicos e consumo de laticínios integrais (sem redução do teor de gordura) foram associados a menor risco de infertilidade ovulatória. Contudo, como recomendações gerais, deve-se priorizar a nutrição adequada, tanto para homens como, principalmente, para mulheres que desejam engravidar, garantindo o suprimento das necessidades de macro e micronutrientes. Além disso, o fator mais decisivo para o sucesso reprodutivo, relacionado ao estilo de vida, tanto para homens como para mulheres, é a composição corporal. O sobrepeso e a obesidade podem levar a modulações hormonais significativas que diminuem ou até ocasionam a perda da fertilidade. Em contrapartida, estudos demonstraram que a perda de peso, promovida por intervenção dietética, pode melhorar o perfil hormonal e a fertilidade feminina. Assim, o papel do nutricionista é adequar a alimentação de forma individual, garantindo o aporte nutricional adequado e utilizar estratégias de redução de gordura corporal, quando necessário, para auxiliar no sucesso reprodutivo. 3.2 Consumo dietético e condições metabólicas da mulher, relacionados a condições adversas e melhora de desconfortos na gestação Algumas condições adversas frequentemente observadas em gestantes, como baixo peso, obesidade, anemias carenciais, diabetes gestacional e hipertensão/pré-eclâmpsia, estão estreitamente relacionadas ao estado nutricional e ao consumo dietético. O baixo peso materno, ou a gestante que se desnutre durante o período gestacional, em função de ganho de peso insuficiente, devem receber atenção especial. É comum que exista inapetência e anemias carenciais nesse grupo, e o papel do nutricionista é estimular o aumento do aporte energético ou de nutrientes específicos, quando identificada a necessidade. O sobrepeso ou obesidade durante a gestação são fatores de risco para o desenvolvimento de outras complicações, como diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e eclampsia e, nesses casos, o nutricionista deve se atentar ao ganho de peso excessivo durante a gestação, sem deixar que faltem nutrientes para o desenvolvimento saudável do feto. Com relação a alguns desconfortos que podem ser minimizados por orientação nutricional durante a gestação, os mais comuns são náuseas/vômito, pica, pirose e constipação intestinal. 20 Náuseas e vômitos são situações frequentes, principalmente no primeiro trimestre. Para amenizar o desconforto, recomenda-se: o fracionamento das refeições (refeições menores e mais frequentes, até 8 vezes ao dia; consumo de alimentos com baixo teor de gordura e abrandados, como purês; o consumo de gengibre ou preparações que contenham esse alimento; e a suplementação de vitamina B6 (25mg, 3 vezes ao dia) podem ser úteis. A pica, condição em que a mulher sente desejo e ingere substâncias não alimentares (terra, sabão, tijolo, cinza de cigarro, etc), tem etiologia desconhecida, mas pode estar relacionada a mecanismos de tentar aliviar sintomas como náuseas e vômitos, ou à deficiência de ferro, que deve ser investigada. A pirose, sintoma de queimação ou azia, ocorre, geralmente, após as refeições. Indica-se, nesses casos, o fracionamento das refeições e o estímulo a alimentação mais lenta e com mais mastigações. É importante ressaltar que o consumo de frutas cítricas não está relacionado à piora de pirose, e sua restrição pode levar ao comprometimento da ingestão de vitaminas sem necessidade. A constipação intestinal é frequente em gestante, devido a mudanças hormonais, principalmente. Recomenda-se, como prevenção ou para melhora da condição, o aumento da ingestão de água, inclusão de variedades de verduras (cruas ou cozidas), consumo de alimentos fonte de fibras, frutas secas (ameixa, damasco, figos) e caminhadas regulares. 4. PROGRAMAÇÃO METABÓLICA Nos dias atuais, são bem aceitas as teorias que propõe que grande parte dos distúrbios metabólicos e das doenças desenvolvidas nos adultos têm origem no período fetal. Esse fenômeno é conhecido na literatura de diversas formas: origens do desenvolvimento da saúde e da doença (do inglês, Developmental Origins of Health and Disease – DOHaD), hipótese de Barker e imprinting metabólico, ou programação metabólica. 4.1 O conceito de programação metabólica Por definição, programação metabólica se refere ao “processo em que estímulos ou condições FIQUE DE OLHO Para conhecer mais sobre estratégias de intervenção nutricional relacionadas a situações adversas durante a gestação, leia os capítulos 13 (Situações Comuns Durante a Gestação e Práticas Alimentares) e 14 (Estratégias de Intervenção Nutricional), p.108 e 114, de Vitolo (2015). 21 adversas em um período crítico de desenvolvimento resultam em alterações permanentes nas respostas fisiológicas e metabólicas dos filhos” (SULLIVAN; GROVE, 2010, p.1). A programação metabólica se refere ao conceito de que muitas das DCNT (doenças crônicas não transmissíveis), tais como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares, por exemplo, têm início durante períodos críticos do desenvolvimento, como o período intrauterino ou pós-natal precoce. Um dos primeiros indícios históricos da existência da programação metabólica foram os estudos epidemiológicos que analisaram os dados de adultos que nasceram durante a Segunda Guerra Mundial, entre os anos de 1944 e 1945, em um período que ficou conhecido como “Inverno da Fome” na Holanda. Durante esse período, parte da Holanda foi ocupada por tropas nazistas, que impediram a chegada de alimentos pelas ferrovias. Além disso, foi um período de inverno muito rigoroso, o que impediu a produção local de alimentos e fez com que a população passasse por uma severa restrição alimentar. Através de arquivos médicos das mulheres que estavam grávidas durante esse período e de seus filhos, pesquisadores identificaram que a subnutrição materna, durante o período gestacional, levou os filhos a nascerem com baixo peso, mas, já na idade adulta, apresentaram grande propensão ao desenvolvimento de obesidade, intolerância à glicose e doenças cardiovasculares. Alguns anos depois, o conceito de programação metabólica foi popularizado por um pesquisador chamado David Barker, que conduziu pesquisas por meio das quais conseguiu correlacionar as mortes neonatais relacionadas ao baixo peso ao nascer com a nutrição insatisfatória das mães durante o período de gestação. Barker demonstrou que crianças nascidas com baixo peso tinham risco de desenvolver hipertensão quando adultas, enquanto as crianças que nasciam com peso normal e eram amamentadas até 1 ano de vida apresentavam risco muito menor de morte por doenças cardiovasculares e infarto. Essas observações o levaram a considerar que as doenças manifestadas no adulto poderiam ser programadas durante o desenvolvimento fetal, e sua publicação em uma revista científica, no ano de 1990, ganhou tamanha notoriedade que o tema ficou conhecido, a partir de então, como “A Hipótese de Barker”. A partir de então, o ambiente intrauterino e o pós-natal precoce passaram a ser estudados como uma fase importante que pode impactar no desenvolvimento de diversos tipos de doença na vida adulta. 4.2 A importância dos primeiros 1000 dias Sabe-se que diferentes estímulos, durante o período intrauterino e pós-natal precoce, podem estar relacionados à programação metabólica: exposição a doenças e toxinas, microbioma, estado psicológico, estresse físico e mental, exercícios físicos, entre outros fatores. Mas, dentre os fatores envolvidos com esse fenômeno, a nutrição materna e os fatores relacionados à nutrição, como a composição dietética e corporal e parâmetros metabólicos, estão entre os tópicos mais 22 explorados acerca desse tema. Existem, hoje, campanhas de conscientizaçãosobre a importância dos primeiros 1000 dias, que compreendem o período de gestação e os dois primeiros anos de vida da criança. Figura 6 - Primeiros 1000 dias Fonte: Elaborado pela autora, 2020 #ParaCegoVer: A imagem mostra quatro círculos. Um deles está acima dos outros e, dentro dele, está escrito “os primeiros 1000 dias”. Deste círculo saem três linhas que levam aos outros três círculos, que estão um ao lado do outro. Um deles diz “Gestação (270 dias)”, o segundo diz “1º ano (365 dias)” e o terceiro círculo, por fim, diz “2º ano (365 dias)”. Os “primeiros 1000 dias” constituem a fase mais intensa para o desenvolvimento de um indivíduo, tanto em relação a questões físicas e metabólicas, como em relação ao fator mental e emocional. Nesse período, acontece o maior estirão de crescimento, o desenvolvimento neurológico é intenso (com 2 anos de vida, o cérebro da criança já apresenta 80% do tamanho do cérebro de um adulto e, além disso, é 2 vezes mais ativo) e imunológico. Essa fase também está relacionada a formação de bons hábitos alimentares, que aumentarão as chances da criança de se tornar um adulto com hábitos mais saudáveis. Durante essa fase, conhecida como uma “janela de oportunidades”, é imprescindível que haja uma atenção integral: acesso à saúde, estímulos para aprendizagem, segurança e proteção, cuidados responsivos e acesso à nutrição adequada, para garantir, assim, maior qualidade de vida a longo prazo e minimizar as chances de dificuldades de aprendizado, desenvolvimento de doenças crônicas de longo prazo e maior probabilidade de mortalidade por essas doenças, o que reduz o tempo e a qualidade de vida dessa pessoa. 23 Assim, a nutrição adequada durante o período gestacional não visa apenas a promover a saúde e bem-estar da mãe, mas também está associada à prevenção de doenças no filho, principalmente as DCNT. As condições ou fatores maternos relacionados aos aspectos nutricionais que mais estão envolvidos com o desenvolvimento de DCNT nos filhos são a restrição energética ou proteica, obesidade/supernutrição, diabetes gestacional, baixo peso ao nascer ou macrossomia fetal e modificações epigenéticas. Figura 7 - Fatores envolvidos com a “programação metabólica” para o desenvolvimento de doenças na vida adulta Fonte: Elaborado pela autora, 2020 #ParaCegoVer: A imagem mostra seis círculos conectados por linhas uns aos outros. Dentro de cada um deles está um fator de risco: obesidade, epigenética, macrossomia fetal, baixo peso ao nascer, diabetes gestacional e restrição energética e proteica. A restrição energética e proteica durante a gestação foi um dos primeiros fatores nutricionais relacionados à programação metabólica, conforme citado na seção anterior, através das descobertas de David Barker, acerca do impacto da restrição alimentar severa de mulheres holandesas durante a Segunda Guerra Mundial, sobre o baixo peso ao nascer e sobre a maior propensão ao desenvolvimento de obesidade, intolerância à glicose e doenças cardiovasculares na vida adulta. Diversos estudos subsequentes, realizados em modelos experimentais, principalmente, identificaram que a baixa oferta energética ou de proteínas durante a gestação está relacionada ao prejuízo de diversas funções nos filhos: alterações no desenvolvimento do pâncreas e, consequentemente, menor resposta secretória da insulina e desenvolvimento de diabetes; má-formação hipotalâmica, impactando no controle da fome e do gasto energético e levando a maiores chances de desenvolvimento de obesidade; prejuízos na formação e funções metabólicas 24 de tecidos como o fígado, tecido adiposo e musculatura esquelética; aumento da pressão arterial; prejuízos no desenvolvimento psicomotor e cognitivo; dislipidemias; alterações renais e cardiorrespiratórias, entre outros. Curiosamente, a obesidade/supernutrição e o diabetes gestacional podem levar à desfechos fetais muito semelhantes aos observados em casos de restrição energética ou proteica durante a gestação. A supernutrição, a obesidade e a hiperglicemia da mãe durante a gravidez são condições que podem estar relacionadas tanto com a macrossomia fetal, quanto com o baixo peso ao nascer. Muitas pesquisas demonstraram que ambas as condições (baixo peso ou peso excessivo ao nascer) estão positivamente correlacionadas com maior risco de desenvolvimento de doenças metabólicas na vida adulta. Figura 8 - Risco de desenvolvimento de doenças metabólicas em função do peso ao nascer Fonte: Elaborado pela autora, 2020 #ParaCegoVer: A imagem mostra um gráfico de curva. No eixo vertical, está o risco de doenças metabólicas; no eixo horizontal, está o peso ao nascer, estando o baixo peso à esquerda, o peso normal no centro, e o peso excessivo á direita. A curva que se forma tem formato de U, mostrando que o risco aumenta à medida que o peso ao nascer se distancia do normal, tanto para mais, quanto para menos. É de conhecimento popular o fato de que o peso excessivo ao nascer pode estar relacionado ao desenvolvimento de obesidade e suas comorbidades na vida adulta. Um corte realizada nos EUA demonstrou que adolescentes nascidos com 1kg a mais em relação ao peso considerado normal apresentam 50% a mais de chances de serem obesos. O excesso de nutrientes, principalmente a glicose, circulantes na mulher obesa ou diabética durante a gestação levam a maior produção de insulina pelo feto e, se persistente, essa condição pode levar a resistência a insulina e desenvolvimento de síndrome metabólica. O baixo peso ao nascer, por outro lado, é um fator que, geralmente, leva as pessoas à associação apenas com baixo peso ou desnutrição da mãe, e com menor risco de desenvolvimento de obesidade ao longo da vida, o que as pesquisas já demonstraram ser uma inverdade. 25 Existem muitas evidências de que o baixo peso ao nascer está intimamente relacionado com a maior deposição de gordura. Isso pode ter explicação pela chamada teoria do fenótipo poupador, que propõe que o desenvolvimento fetal em um ambiente intrauterino malnutrido, seja ele caracterizado pelo excesso, insuficiência ou desbalanço de nutrientes, faz com que o indivíduo apresente baixo peso no momento do nascimento mas seja programado para poupar energia, levando a um rápido crescimento pós-natal, recuperação do peso e favorecimento da obesidade e DCNT. Ao contrário do que se supõe, grande parte dessas alterações transmitidas de mãe para o filho não estão relacionadas à predisposição genética. Apenas 5 a 10% dos casos de obesidade e doenças metabólicas estão associadas com a genética, e acredita-se que a origem dessas doenças seja o resultado de interações complexas entre a genética e os fatores ambientais que cercam o indivíduo, por meio de mecanismos epigenéticos. O termo epigenética foi primeiramente utilizado e descrito pelo pesquisador Conrad Waddington, na década de 40. A epigenética era definida como as interações dos genes com seu ambiente que leva o fenótipo a se manifestar. Hoje, sabe-se que fatores como a exposição a toxinas, drogas recreativas e medicamentos, os disruptores endócrinos (como o bisfenol A, presente em plásticos), a prática de exercícios físicos, as condições metabólicas e, principalmente, a composição da dieta estão diretamente relacionados com as mudanças no epigenoma do indivíduo. As alterações no epigenoma acontecem por meio de mecanismos como metilação do DNA, modificações das histonas e a expressão de RNAs não codificantes, e muitas pesquisas demonstraram que a nutrição materna inadequada afeta diretamente diversos desses mecanismos, impactando na saúde dos filhos ainda no ambiente intrauterino, até a vida adulta. Dessa forma, o acompanhamento nutricional adequado durante a gestação é de extrema importância tanto para a saúde materna quanto para a prevenção de doenças de origem metabólica nos filhos. 26 5. AVALIAÇÃO E RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS NA GESTAÇÃO O estado nutricional materno está relacionado à gestação saudável ou ao desenvolvimentode complicações obstétricas, como diabetes gestacional, anemia e distúrbio hipertensivo da gravidez, além de impactar diretamente na saúde do filho, conforme discutido na seção anterior. A avaliação nutricional da gestante inclui a investigação de parâmetros antropométricos, bem como avaliação alimentar, bioquímica e clínica. 5.1 Avaliação nutricional da gestante A avaliação por meio da antropometria é o método mais acessível, rápido e não invasivo para se avaliar o estado nutricional da gestante. Primeiramente, calcula-se o IMC (Índice de Massa Corporal) pré-gestacional referido. De preferência, deve-se utilizar dados de 2 meses antes da gestação, mas, caso não seja possível, calcula-se o IMC a partir de medição realizada até a 13ª semana gestacional. Para o cálculo da semana gestacional referida pela gestante, devemos arredondar, caso necessário, da seguinte forma: 1, 2, 3 dias, considera-se o número de semanas completas, e 4, 5, 6 dias, considera-se a semana seguinte. Por exemplo: gestante com 12 semanas e 2 dias: considera-se 12 semanas; gestante com 12 semanas e 4 dias: considera-se 13 semanas. De posse da semana gestacional correta e do IMC, é possível utilizar o quadro de classificação de IMC para gestantes e a curva de IMC para avaliação do estado nutricional. No quadro de classificação do IMC, deve-se identificar, na primeira coluna, a semana gestacional calculada e, nas colunas seguintes, identificar em qual faixa está situado o IMC da gestante. 27 Figura 9 - Classificação de IMC para gestantes de acordo com a semana gestacional Fonte: Brasil (2017) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em 5 colunas: a primeira refere-se à semana gestacional (6 a 42); a segunda traz os valores de referência de IMC para Baixo peso; a terceira traz os valores de referência de IMC para Peso adequado; a quarta traz os valores de referência de IMC para Sobrepeso; e a quinta traz os valores de referência de IMC para Obesidade. 28 É importante destacar que, nesta tabela, o ponto de corte inferior para consideração de eutrofia é de 19,8, pois ainda não havia sido atualizado para o valor considerado atualmente (de 18,5). De acordo com o estado nutricional pré-natal, estimado pelo quadro de classificação de IMC para gestantes e pela curva de IMC para avaliação do estado nutricional, estima-se o ganho de peso adequado durante a gestação e o ganho de peso semanal adequado no 2º e 3º trimestres. Figura 10 - Ganho de peso recomendado durante a gestação Fonte: Institute of Medicine (2009) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em quatro colunas: estado nutricional antes da gestação; IMC; ganho de peso durante a gestação (Kg); ganho de peso por semana no 2º e 3º trimestre (Kg). Abaixo da primeira coluna, estão as linhas: baixo peso (BP); peso adequado (A); sobrepeso (S); obesidade (O); abaixo das outras colunas, estão os valores de referência para cada uma dessas classificações. Nas consultas subsequentes, a avaliação do IMC deve ser realizada para o acompanhamento da curva de ganho de peso adequado, de acordo com o estado nutricional pré-gestacional. A aplicação de inquéritos alimentares permite investigar os hábitos alimentares da gestante que possam prejudicar a sua saúde e a do feto. Os inquéritos mais utilizados para essa população são: alimentação diária habitual, recordatório de 24 horas, inquérito de frequência alimentar e inquérito por registro. Os parâmetros bioquímicos normais diferem entre mulheres adultas não-gestantes e gestantes, já que a gestação promove modificações fisiológicas naturalmente. Na grande maioria das vezes, existe acompanhamento médico durante a gestação, e o médico fica responsável pela solicitação dos exames necessários, mas o nutricionista deve avaliar os resultados antes de planejar a orientação dietética. 29 5.2 Recomendações nutricionais na gestação Na gestação, existe um aumento das recomendações diárias da maioria dos nutrientes, devido aos ajustes fisiológicos desta fase. A partir da avaliação nutricional, o nutricionista deve adequar as recomendações, a fim de garantir o aporte adequado de nutrientes para a manutenção da saúde da gestante e desenvolvimento saudável do feto. Para o cálculo das necessidades energéticas, existem 2 métodos que são mais frequentemente utilizados: • Recomendação baseada na RDA – 1989 Para utilização desse método, calcula-se o GET, considerando-se o peso pré-gestacional e, a FIQUE DE OLHO Para conhecer mais métodos de estimativa de valor energético recomendado para gestantes, como o valor recomendado baseado da curva de IMC e o valor recomendado baseado nas DRIs, leia o capítulo 12 (Recomendações Nutricionais para Gestantes), p. 99 de Vitolo (2015). FIQUE DE OLHO Para conhecer mais sobre os inquéritos alimentares mais utilizados com as gestantes, as aplicações, vantagens e desvantagens de cada um, leia o capítulo 11 (Avaliação Nutricional da Gestante), p. 95 de Vitolo (2015). 30 partir do segundo trimestre, acrescenta-se 300kcal/dia. GET = Taxa de metabolismo basal (TMB) x Fator atividade física (FA) GET a partir do segundo trimestre gestacional = GET (pré-gestacional) + 300kcal • Recomendação baseada no cálculo simplificado do valor energético Para utilização desse método, multiplica-se o valor energético recomendado para mulheres adultas (36kcal/kg) pelo peso ideal pré-gestacional. O peso ideal pré-gestacional é determinado por regra de três, de acordo com o IMC. Em seguida, o peso ideal é multiplicado por 36kcal (no caso de mulheres adultas), ou seja: VET (valor energético total) = peso ideal x 36 A partir do segundo trimestre, adiciona-se 300kcal/dia ao VET. Em relação aos macronutrientes, recomenda-se, para gestantes: • proteínas: deve-se haver aumento da ingestão proteica durante a gestação, em razão do crescimento fetal, da expansão acelerada do volume sanguíneo e do aumento dos anexos fetais. Recomenda-se 60g/dia de proteínas para gestantes, sendo que 50%, pelo menos, devem ser de proteínas de alto valor biológico; • lipídios: a ingestão de lipídios vai depender do requerimento de energia para o ganho de peso adequado, que se baseia em um percentual de 20% a 35% em relação ao valor energético total. Dentro do valor total de lipídios, 13g devem ser provenientes de ácidos graxos ω-6, e 1,4 g de ácido graxo ω-3; • carboidratos: para mulheres gestantes, recomenda-se de 45 a 65% das calorias totais provenientes de carboidratos, ou 175 g/dia. FIQUE DE OLHO Para consultar a tabela de recomendações nutricionais de micronutrientes para gestante e conhecer mais sobre a importância de cada micronutriente para o período gestacional, leia as referências a seguir: Accioly et al. (2009, p. 151) e Vitolo (2015, p.100). 31 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer as definições e terminologias mais utilizadas na área da saúde materno- infantil; • aprofundar os conhecimentos sobre os aspectos relacionados aos ajustes fisiológicos e riscos para a saúde da mulher, durante o período gestacional; • compreender a relação entre a nutrição e os eventos ocorridos durante a gestação, como os fatores de risco e proteção ao sucesso reprodutivo e as condições metabólicas pré-gestacionais e o consumo de macro e micronutrientes relacionadas aos desfechos gestacionais; • familiarizar-se com o conceito de programação metabólica e os motivos pelos quais a nutrição adequada é essencial nos primeiros mil dias de vida; • aprender sobre as particularidades da avaliação e das recomendações nutricionais para a gestante. PARA RESUMIR ACCIOLY, E. et al. Nutrição em obstetrícia e pediatria. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. BLACK, M. M. et al. Advancing Early Childhood Development: from Science to Scale 1. Early childhood development coming of age: science through the life course. The Lancet, v. 389, ed. 10064, p. 77-90, 2016. Disponível em: sciencedirect.com/science/article/pii/ S0140673616313897?via%3Dihub. Acesso em:5 fev. 2020. BRASIL. Secretaria de Atenção à Saúde. Ministério da Saúde. Saúde da Criança: Alei- tamento materno e Alimentação Complementar. Cadernos de Atenção Básica, 2015. Disponível em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_mater- no_cab23.pdf. Acesso em: 30 jan. 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. IMC para gestantes. 2017. Disponível em: http://www. saude.gov.br/artigos/804-imc/40512-imc-para-gestantes. Acesso em: 30 jan. 2020. FERNANDES, B. S. et al. Cartilha de Orientação Nutricional Infantil. Departamento de Pe- diatria - UFMG, 2013. Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/observaped/cartilhas/ Cartilha_Orientacao_Nutricional_12_03_13.pdf. Acesso em: 30 jan. 2020. 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Nos aprofundaremos em guias alimentares que auxiliam nas escolhas alimentares da gestante, nas bases para uma dieta saudável e em avaliações de consumo alimentar fundamentadas tanto em quantidade de alimentos ingeridos, quanto na qualidade destes alimentos.Entenderemos ainda como funcionam as metodologias aplicadas ao atendimento nutricional de gestantes de baixo risco, na fase pré-natal, e as possíveis intervenções do nutricionista junto a estas pacientes, garantindo assim nutrição adequada tanto para a gestante como para o bebê. Bons estudos! Introdução 37 1. GUIA ALIMENTAR PARA A GESTAÇÃO A nutrição é importante em todas as fases da vida, mas cada uma delas traz questões específicas que podem garantir mais saúde ao indivíduo (MAHAN, 2013). Para compreender melhor as necessidades alimentares durante a gestação, faremos uma incursão em guias alimentares e na literatura específica sobre gestação, buscando conhecer as diretrizes de uma alimentação saudável que podem ser aplicadas a gestantes. Para iniciar, analisaremos a função dos guias alimentares, sua composição em termos de conteúdo e qual a melhor maneira de trabalhar as informações ali contidas juntos aos pacientes. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.1 Função dos guias alimentares Os guias alimentares são considerados instrumentos de apoio nas ações de educação alimentar e nutricional, praticadas por profissionais de saúde (BRASIL, 2014), dentre eles o nutricionista. Através destes documentos, preferencialmente elaborados por órgãos públicos como o Ministério da Saúde, são dadas as diretrizes, ou seja, os fundamentos para a obtenção de uma alimentação saudável. A principal função de um guia alimentar é orientar o consumo, portanto, ele traz consigo uma série de informações que serão úteis aos comensais em suas escolhas alimentares cotidianas. Um dos compromissos dos guias alimentares é o de refletir a realidade vivida pela população a que se destina, sendo assim, terá como base os alimentos mais consumidos por aquela população em questões de cultura alimentar, além disso levará em conta em sua formulação a linguagem popular, bem como as formas de consumo que são comuns entre as pessoas às quais é destinado (BRASIL, 2014). Outra questão importante sobre os guias alimentares é que as informações ali contidas contribuam para a saúde da população, sejam claras em relação ao seu conteúdo e que possam ser facilmente executadas, sendo incorporadas de maneira possível 38 no dia a dia do público alvo. Considerar outras questões que vão além do ato de comer, como o plantio, comercialização, preparo, custos, por exemplo, também é uma preocupação que deve estar presente na formulação destes documentos. Deste modo, percebemos a importância de que as informações contidas em um guia alimentar possam auxiliar os pacientes na promoção da saúde, sejam acessíveis e que tenham como foco principal a população a que se destinam, e quando necessário sejam adaptadas às necessidades de situações específicas, como é o caso das gestantes. 1.2 Guias alimentares na gestação No caso das gestantes, o guia alimentar deve levar em consideração as alterações pelas quais o corpo passa durante este período. As orientações nutricionais neste período devem ser baseadas tanto no Guia Alimentar para a população brasileira, quanto em outros documentos norteadores do Ministério da Saúde. Eles podem ser elaborados junto ao setor responsável pelo atendimento de saúde destas pacientes, com orientações individualizadas que visem a favorecer a alimentação saudável na gestação, mas também podem ser trabalhadas em grupos de gestantes nas unidades básicas de saúde. O Guia Alimentar para população brasileira (BRASIL, 2014), por exemplo, traz informações gerais sobre alimentação e nutrição que auxiliam na busca por uma alimentação saudável, neste sentido, pode ser seguido por gestantes saudáveis. Já o Guia da Rede Cegonha (BRASIL, 2013b; 2013d) traz informações focadas em gestantes especificamente, sendo estes materiais complementares. Figura 1 - Alimentação na Gestação Fonte: SERGE GORENKO, Shutterstock, 2020 #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em 2 colunas (Passos e Orientações). A coluna Passos contém os números de 1 a 10 (um em cada linha), e a coluna Orientações contém as orientações referentes a cada um dos dez passos. 39 1.3 Aplicabilidade dos guias junto aos pacientes Agora vamos conhecer outros orientadores de consumo alimentar e nos aprofundar nos já citados. Conhecidos como Guias Alimentares, estes documentos podem ser utilizados nas recomendações nutricionais para gestantes, mesmo guias que não são destinados exclusivamente para esta população. Um exemplo de guia, publicado em 2013, é o Manual Instrutivo das ações de alimentação e nutrição na Rede Cegonha (BRASIL, 2013b),ele é destinado à população de gestantes atendidas na rede pública de saúde. Ele traz informações sobre a Vigilância Nutricional, programa de acompanhamento do estado nutricional do Ministério da Saúde, estratégias de apoio a amamentação, suplementações de ferro e vitamina A, outros programas auxiliares que podem contribuir para a saúde da gestante, além de material de consulta e referências pertinentes. Este informativo, destinado a profissionais de saúde, pode auxiliar entre outros, aos nutricionistas na atenção primária. Um dos principais intuitos desta padronização no atendimento é a diminuição da mortalidade materno-infantil, através da promoção de saúde. A recomendação do Ministério da Saúde é que o atendimento seja realizado por equipe multiprofissional, na qual poderão fazer parte médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, agentes de saúde, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. As fases do atendimento são: • pré-natal; • parto e nascimento; • puerpério (período pós-parto); e • atenção à saúde da criança. As ações propostas no material estão baseadas nas diretrizes do atendimento primário em saúde do SUS (Sistema Único de Saúde) e na PNAN (Política Nacional de Alimentação e Nutrição), além e recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde). O público alvo são as gestantes, mulheres no puerpério e crianças até 2 anos. As orientações vão de acordo com as bases da SAN (Segurança Alimentar e Nutricional) e o Marco de Educação Alimentar e Nutricional (BRASIL, 2012b), prevendo uma alimentação saudável e adequada, que promova uma gravidez saudável, estímulo à amamentação/ aleitamento materno e saúde da criança, através de um desenvolvimento e crescimento adequados. Já o Guia Alimentar para população brasileira (BRASIL, 2014) traz o enfoque de uma alimentação saudável para a população em geral, exceto as crianças menores de 2 anos, que têm um guia específico. Nele são dadas diretrizes para uma alimentação adequada, e gestantes sem agravos de saúde, podem segui-lo sem restrições. Neste sentido, o acompanhamento de um profissional de saúde poderá ajustar as recomendações contidas nesse Guia para as gestantes. Um dos orientadores do Guia, que também segue as recomendações da OMS, é conhecido 40 como 10 PASSOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL (BRASIL, 2013a). E as recomendações de alimentação e nutrição da gestante devem levar em consideração este documento. Figura 2 - 10 Passos para uma alimentação saudável Fonte: Brasil (2014) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em 2 colunas (Passos e Orientações). A coluna Passos contém os números de 1 a 10 (um em cada linha), e a coluna Orientações contém as orientações referentes a cada um dos dez passos. Estas dicas de alimentação podem ser aplicadas para gestantes saudáveis, pois se aplicam a toda a população brasileira e, como vimos, suas orientações são simples e de fácil compreensão, base para uma informação acessível. Estas orientações não dispensam a avaliação individualizada das gestantes na atenção primária, seja por nutricionista ou outro profissional de saúde capacitado. FIQUE DE OLHO Cabe ao nutricionista conhecer o Guia Alimentar para população brasileira. Este documento oficial poderá facilitar o atendimento de gestantes e a elaboração de planos alimentares para manutenção da saúde. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf> 41 1.4 Alimentos, porções, preparações e refeições recomendados Em estados de gravidez sem complicações de saúde, a alimentação materna segue os mesmos padrões da alimentação habitual da mulher. Questões como bom aporte de ferro, vitamina A e ácido fólico devem ser observadas e acompanhadas pela equipe de saúde, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde (BRASIL, 2012a; BRASIL, 2013c). A nutrição neste período deve suprir as necessidades calóricas e de nutrientes para satisfazer tanto as demandas da mãe quanto do bebê. Segundo Mahan et al. (2013) a suplementação para garantia de uma condição nutricional adequada, inclusive em períodos pré-gestacionais, em algumas políticas públicas de suplementação tem como foco a gestação. Porém estudos comprovam que são mais bem sucedidas suplementações de multinutrientes do que apenas alguns poucos nutrientes. Sendo que a suplementação necessita de avaliação do estado nutricional, seguindo a ordem de quanto mais desnutrida for a gestante, maior será a necessidade de suplementação. Outra questão inerente à gestação é evitar desconfortos comuns à condição, como dificuldade no esvaziamento gástrico, náuseas, azia, quedas de pressão e desmaios, e neste sentido a alimentação pode contribuir positivamente. As recomendações de hidratação seguem as mesmas da população em geral, com uma média de 2 litros de água por dia, sempre nos intervalos das refeições. Ainda se preconiza refeições fracionadas, que mantenham a paciente alimentada e satisfeita, facilitem a digestão, diminuam as náuseas e possam garantir uma nutrição adequada. Uma boa avaliação nutricional da gestante poderá garantir que sejam supridas todas as necessidades para uma gravidez adequada Figura 3 - Porções e quantidades de alimentos Fonte: WAVEBREAKMEDIA, Shutterstock, 2020 #ParaCegoVer: A imagem mostra pequenas porções de amêndoas, feijões, ervilhas, brócolis, morangos, rodelas de laranja, framboesa, nozes, milho, castanhas, amendoim, farinhas, uvas. 1.5 Dez passos para alimentação saudável na gestação Foi criado um informativo para gestantes, baseado no programa Rede Cegonha, pelo Ministério da Saúde, com o título: “Alimentação Saudável para Gestantes – Siga os 10 passos”. Em 42 resumo, este orientador traz as seguintes informações (BRASIL, 2013a): realize três refeições e dois lanches saudáveis – evitando ficar mais de 3h sem comer e ingerindo líquidos nos intervalos das refeições (ao menos 2 litros), evitando bebidas açucaradas. Pular refeições não é adequado, pois se alimentando corretamente seu estômago não ficará vazio por muito tempo, evitando algumas sensações típicas da gravidez como náuseas, vômitos, fraquezas e desmaios. Esta ação também promove outros benefícios como controle do ganho de peso, da azia e de consumo de alimentos em grandes quantidades; inclua cereais, de preferência integrais, sendo seis porções destes alimentos, fonte de energia, fibras, vitaminas e minerais. Dando preferência à forma natural dos alimentos, ou seja, sem grandes processamentos. Distribua essas fontes de carboidratos durante todas as refeições. E, caso seja uma adolescente grávida, sua quantidade de consumo deverá ser aumentada, já que, além do crescimento do bebê, você deverá garantir seu próprio crescimento nesta fase; consuma três porções de legumes e verduras e três porções de frutas, no mínimo, durantes as refeições. Você poderá distribuir entre as grandes refeições e os lanches. Um prato colorido é um prato saudável, fornece fibras, vitaminas e minerais, além de contribuir com quantidades significativas de água em alguns casos. Observar as condições de higiene e lavagem destes alimentos garante uma qualidade ainda maior de consumo; coma o prato típico brasileiro de arroz e feijão, ao menos uma vez ao dia. Esta combinação garante boas doses de carboidratos complexos, fibras e proteínas, além de vitaminas e minerais. Uma parte de feijão para duas partes de arroz é a combinação perfeita, mas cuidado com o preparo destes alimentos. Evite a inclusão de muito sal, gordura ou outros componentes como carnes gordas e linguiças que possam interferir na qualidade desta combinação; consuma uma porção de carne ou ovos e três porções de leite e derivados. O leite e seus derivados são uma boa fonte de cálcio, fundamental na gestação. E as carnes de proteínas, que é outro nutriente bastante importante neste período. Cuidado ao escolher as carnes, leite e derivados, pois muitos podem ter altos índices de gorduras e sódio. Cálcio e Ferro sãonutrientes que competem entre si na absorção, procure evitar consumir fontes destes dois nutrientes nas mesmas refeições. Por exemplo: se seu almoço tiver carne, prefira leite ou iogurte numa próxima refeição, como o lanche da tarde. Achocolatados e café também interferem na absorção de cálcio, por isso devem ser evitados. No caso de uma alimentação sem carne, vegetariana ou vegana, consulte um nutricionista ou profissional de saúde para maiores informações; consuma pouca gordura, sendo uma porção diária de óleos vegetais, azeite, manteiga. Prefira aqueles que, em sua rotulagem se apresentam sem gorduras trans. Evite alimentos gordurosos, principalmente aqueles que passaram por industrialização, com adição de grandes porções de gorduras e sódio. Buscar informações sobre os alimentos nos rótulos é sempre uma boa maneira 43 de escolher os alimentos mais saudáveis. Lembrando que alimentos gordurosos tendem a aumentar e sensação de náuseas; evite alimentos industrializados, como refrigerantes, sucos artificiais, biscoitos recheados e guloseimas. Estes alimentos aumentam os riscos de obesidade, doenças associadas e ainda fornecem uma grande quantidade de calorias e poucos nutrientes, além do excesso de açúcar ser apontado como um fator de favorecimento das cáries dentárias. Em caso de diabetes gestacional ou gestantes que já apresentem diabetes, deve ser consultado um profissional para o manejo do uso de adoçantes artificiais; diminua o consumo de sal. Ele pode estar presente em diversos alimentos, sendo fácil ultrapassar as recomendações diárias de consumo. Retirar o saleiro da mesa e evitar a adição de sal após o alimento pronto são aneiras de reduzir o consumo. Alimentos industrializados também podem apresentar grandes teores de sódio, sendo a redução do consumo destes uma boa opção. Complicações na gestação relacionadas ao aumento da pressão arterial são comuns, e a redução do sódio pode ser um fator protetor. O sal pode se apresentar em rótulos como sal, sódio e cloreto de sódio; consuma alimentos fonte de ferro, eles evitam a anemia, mantendo a gravidez saudável. A anemia na gestação está relacionada a casos de morte tanto materna, quanto fetal, baixo peso ao nascer e partos prematuros, devendo ser prevenida. Alimentos fonte de ferro são carnes, vísceras, feijões e alguns grãos, folhas verde-escuras e castanhas. O consumo de alimentos fontes de vitamina C favorece a absorção e biodisponibilidade do ferro, sendo favorável o consumo destes nutrientes combinados em uma mesma refeição. Por exemplo: temperar uma salada de folhas verdes com limão é uma boa dica. O ferro de origem animal é melhor absorvido do que o de origem vegetal, por isso, em dietas com restrição de proteínas de origem animal, deve- se procurar um profissional de saúde que possa orientar o consumo e suplementação de ferro. Lembrando que, de acordo com as políticas de saúde vigentes, gestantes entre 20 semanas até 3 meses pós-parto receberão suplementação de ferro, via postos de saúde, bem como suplementação de ácido fólico; mantenha seu ganho de peso dentro do recomendado. O acompanhamento pré-natal tanto por profissionais de saúde, quanto por nutricionista pode auxiliar na manutenção do ganho de peso adequado na gestação. Os ganhos podem variar entre 18kg a 5kg entre gestantes baixo peso, eutrófica, com sobrepeso ou obesidade, durante toda a gestação, e deve ser distribuído durante todo o período. As dicas de alimentação deste guia e outras recomendações de profissionais de saúde podem ajudar as pacientes a atingir este objetivo. Os riscos de diabetes gestacional, hipertensão, entre outros estados de saúde não desejáveis podem ser prevenidos através de uma alimentação saudável, atividade física e acompanhamento de saúde. Pudemos perceber que as dicas do orientador alimentar para a gestação trazem informações 44 simples e do cotidiano da alimentação das gestantes brasileiras, com foco nos principais nutrientes e na hidratação, com a intenção de prevenir doenças, através de uma alimentação adequada. Para aprimorar as orientações que serão ministradas às gestantes, podemos fazer um cruzamento de informações entre este guia, que foi lançado em 2013, e o Guia Alimentar de 2014, atualizando assim as dicas que serão repassadas às pacientes. 2. NECESSIDADES NUTRICIONAIS DA GESTANTE E SITUAÇÕES INCOMUNS Segundo Acioly et al. (2009), há fortes correlações entre o estado nutricional das gestantes e o resultado da gestação, com reflexos inclusive no bebê. Sendo assim, é importante saber quais as necessidades nutricionais da gestante e fornecer informações e orientações precisas para este público, em seu acompanhamento pré-natal, independente do momento em que este atendimento se inicia (BRASIL, 2012a). Lembrando que, quanto mais cedo ocorrer o início do atendimento, melhores os resultados na saúde da gestante. As deficiências de nutrientes como ferro, ácido fólico e vitamina A podem causar deformidades no feto, prejudicar sua formação e desenvolvimento (VITOLO, 2008). O baixo peso da gestante no inicio da gestação, baixo ganho de peso, bem como sobrepeso e obesidade também são fatores que influenciam na saúde, tanto da gestante, quanto do bebê (ACIOLY et al., 2009). Podendo influenciar inclusive em nascimentos de pré-maturos (KRAUSE, 2013). Situações alimentares não comuns podem ocorrer na gestação, conhecida como Pica, caso em que as gestantes relatam a necessidade de ingerir substancias não alimentícias, como gomas de passar roupa, tijolos, cimento ou cal, por exemplo (VITOLO, 2008). Esta condição também é conhecida como Malácia ou Alotriofagia, e pode ocorrer fora da gestação, sendo mais comum FIQUE DE OLHO Conhecer os documentos norteadores para o atendimento nutricional é uma boa ferramenta na atenção primária. Um bom conhecimento de todos os documentos disponíveis permite ao profissional um sucesso maior na adaptação dos conteúdos diversos ao planejamento alimentar de seu paciente. Para pacientes gestantes, é importante consultar sempre o guia da Rede Cegonha para informações sobre atendimento específico para esse público. este documentos está disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/manual_alimentacao_nutricao_rede_cegonha.pdf>. 45 durante a gravidez. Pode ser oriunda da falta de nutrientes ou ainda de foro psicológico, sendo necessário o acompanhamento de médicos, nutricionistas e psicólogos ou psiquiatras. Ela não deve ser confundida com a vontade de comer ou desejo de determinado alimentos que ocorre na gestação, bastante relatado em senso comum. Este processo se dá pela alteração de hormônios que ocorrem na gestação, que afetam a sensação de apetite e saciedade, bem como podem aumentar o olfato, gustação e causar sensações de aversão a alguns alimentos e vontade incontrolável de outros. As relações com a alimentação se alteram de gestante para gestante, necessitando, tanto paciente, quanto profissionais de saúde estarem atentos às rotinas de alimentação. Devemos ainda acompanhar o ganho de peso das gestantes, como ponto fundamental do atendimento relacionado a nutrição, sendo orientado pelo Ministério da Saúde um ganho recomendado de: (i) as gestantes que iniciaram a gravidez com baixo peso ganhem entre 12,5kg e 18kg; (ii) as que iniciaram a gravidez com peso normal ganhem entre 11,5kg e 16kg; (iii) as que iniciaram a gravidez com sobrepeso ganhem entre 7kg e 11,5kg; e (iv) as que iniciaram a gravidez com obesidade ganhem entre 5kg e 9kg durante todo o período gestacional (BRASIL, 2012a, p. 88). 2.1 A dieta saudável na gestação Ao contrário do que diz o senso comum, uma gestante não deve comer por dois. As necessidades nutricionais não se alteram em grandes proporções, sendo recomendado atenção especial à quantidade de calorias, ferro, vitamina A e B12 e ácido fólico, nutrientes essenciais nesta fase. Proteínas, Cálcio e outros micronutrientes também são importantes durante este período, mas não sofrem alteraçãotão drásticas e não geram distúrbios de saúde comuns na gestação. Como visto anteriormente, seguir as recomendações do Guia Alimentar do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014) também pode contribuir para uma alimentação adequada e saudável na gestação. Fracionar as refeições, evitando consumir grandes quantidades de alimentos numa mesma refeição, não deitar logo após a alimentação e observar a hidratação, preferencialmente nos intervalos das refeições, são dicas importantes para o manejo alimentar das gestantes. Segundo Mahan et al. (2013, p. 732), seis passos podem resumir os cuidados nutricionais na gestação: 1. ingestão de energia que atenda às necessidades nutricionais e permita um ganho de peso de aproximadamente 0,4 kg por semana; durante as últimas 30 semanas de gestação; 2. ingestão de proteínas que atenda às necessidades nutricionais, um adicional de aproximadamente 25 g/dia; adicional de 25 g/dia/feto, se houver mais de um; 20% de ingestão de energia a partir das proteínas; 46 3. ingestão de sal iodado que não exceda nem seja menor que 2-3 g/dia; 4. ingestão de minerais e vitaminas que atendam às ingestões diárias recomendadas (suplementação de ácido fólico e, possivelmente, de ferro necessária); 5. álcool omitido; 6. omitir toxinas e substâncias não nutritivas dos alimentos, da água e do ambiente o máximo possível. Em seguida, veremos quais são as recomendações nutricionais para suprir as necessidades das gestantes, de acordo com a faixa etária. Conhecer estas recomendações trará grandes benefícios ao nutricionista na prescrição dietética, elaboração de orientações e planos alimentares e no acompanhamento do estado nutricional no período da gestação. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2.2 Recomendações nutricionais Cabe ao nutricionista conhecer quais são as recomendações dos principais nutrientes que influenciam o metabolismo humano, fator importante tanto na prescrição dietética quanto na elaboração de planos alimentares, ou ainda nas orientações nutricionais para grupos ou indivíduos na atenção básica. Vamos conhecer as recomendações nutricionais, baseadas no Institute of Medicine (USA), na forma IDR (Ingestão Dietética de Referência) para gestantes. 47 Figura 4 - Recomendações Nutricionais de macro e micronutrientes para gestantes Fonte: Adaptado de Acioly et al. (2009) e Mahan et al. (2013) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro onde é possível ler IDR para Gestantes no topo. abaixo disso, o quadro se divide em duas colunas: Nutriente e Recomendação. Abaixo da coluna nutriente, as linhas expressam os principais macro e micro nutrientes relevantes para a gestação e, abaixo da coluna recomendação, estão as linhas com suas respectivas quantidades. Em relação aos micronutrientes, cabe ressaltar que Ferro, vitamina B12 e ácido fólico representam papel fundamental no desenvolvimento de anemia ferropriva, sendo primordiais em avaliação e, se necessário, suplementação para uma gravidez saudável. Quanto a macronutrientes, o aumento da TMB (Taxa Metabólica Basal) de gestantes ocorre, de acordo com o informado na tabela acima, para suprir as necessidades energética fetais, para seu crescimento, desenvolvimento e gasto calórico, esta mudança tem seu auge a partir do 3º mês de gestação. 48 Ainda segundo Acioly et al. (2009), são medidas de prevenção da anemia ferropriva durante a gestação: · ingestão de carnes em pelo menos 2 refeições diárias; consumo de frutas com grandes aportes de vitamina C, como caju, abacaxi, laranja, maracujá e goiaba; estímulo ao consumo de feijões e outras leguminosas; presença de vegetais verde-escuros e alimentos fortificados com ferro; · devem ser desestimulados hábitos como o consumo de produtos lácteos (leite e derivados) junto às grandes refeições; presença de aveia e cereais integrais em almoço ou jantar; consumo de refrigerantes, mate, chás que contenham cafeína e café junto a refeições de maior volume (almoço e jantar). 2.3 Adesão a uma dieta saudável na gestação A adesão a um programa alimentar saudável durante a gestação tem se demonstrado, através de diversos estudos de saúde materna e fetal, como um diferencial na qualidade de vida tanto de gestantes, quanto de seus bebês. Deficiências nutricionais estão relacionadas a más-formações, baixo peso ao nascer, aumento na pressão arterial e eclampsia, diabetes gestacional, anemia ferropriva, parto prematuro, entre outras complicações (VITOLO, 2008). Acompanhamento e elaboração de um plano alimentar que possa garantir uma alimentação adequada e saudável durante a gestação fazem parte do atendimento nutricional na saúde primária, ou seja, durante o período pré-natal. A seguir, veremos estratégias de ação para realizar avaliação antropométrica, o consumo de alimentos e a elaboração de um plano alimentar na gestação que seja possível de ser cumprido pelas pacientes em questão. Lembrando que este processo pode ocorrer tanto na rede pública de atendimento, através dos postos de saúde e programas de saúde da mulher, gestante e família, quanto pode ocorrer dentro da rede privada de atendimento, em hospitais, clinicas e consultórios. Bem como poderá acontecer em atendimento individual ou em grupo. Os principais passos para elaboração de um atendimento global passam por recepção humanizada das pacientes, processo de escuta das necessidades e anseios, avaliação antropométrica, avaliação bioquímica, avaliação dietética, diagnóstico e elaboração do plano de ação nutricional. 3. COMO AVALIAR O CONSUMO ALIMENTAR DE GESTANTES: AVALIAÇÃO QUANTITATIVA E QUALITATIVA Os métodos mais utilizados na avaliação do consumo alimentar de pacientes, tanto gestantes quanto não gestantes, em populações saudáveis e enfermas são: recordatório de 24 horas e frequência de consumo. Estes dois métodos podem ser utilizados de maneira isolada ou ainda em combinação, e realizam uma avaliação tanto quantitativa, quanto qualitativa do consumo de alimentos de um indivíduo. 49 O esclarecimento, ao paciente, de como funcionam estes questionários, preenchimento de um piloto simulado durante a consulta como exemplificação e a retirada de todas as dúvidas relacionadas ao preenchimento poderão trazer informações mais acertadas em relação ao consumo de alimentos, sendo que a partir destas informações será traçada a estratégia de atendimento nutricional destas pacientes. 3.1 Avaliação nutricional A partir destes questionários de consumo será possível verificar quais são as ingestões de alimentos relacionadas a calorias, nutrientes e grupos alimentares. Com o resultado desta avaliação dos questionários, é possível avaliar, juntamente com os exames bioquímicos, se existem excessos no consumo de alguns nutrientes e falta de outros, sendo possível traçar o plano alimentar desta paciente, de acordo com a avaliação antropométrica, que nos trará informações como peso, altura e pregas cutâneas, e, em alguns casos, bioimpedância (avaliação das taxas de gordura corporal), sendo então calculadas as necessidades nutricionais diárias de cada paciente, dentre elas o valor calórico diário, por exemplo, seguido pelo ganho de peso estimado na gestação durante as 40 semanas. Para ajustes de plano alimentar, prescrição dietética e acompanhamento do estado nutricional da gestante, importa saber qual o valor de calorias diário que deverá ser consumido. O cálculo de VET e GE (gasto energético) das gestantes pode ser obtido através das seguintes fórmulas: VET = GE + ADICIONAL ENERGÉTICO GESTACIONAL GE = TMB x fa* *Fator atividade física Figura 5 - Fator atividade física Fonte: Revista O2 (2006) #ParaCegoVer: a imagem traz uma tabela do fator de atividade física de homens e mulheres para atividades físicas leves, moderadas e intensas. 50 3.2 Avaliação quantitativa Esta avaliação tem como objetivo verificar as quantidades de alimentos, tanto em termos de nutrientes, quanto de grupos alimentares consumidas por um paciente. Conforme mencionamos notópico Avaliação Nutricional, esta investigação pode ser feita através de diferentes métodos, sendo o mais quantitativo descrito abaixo: Recordatório 24 horas: questionário no qual são anotados todos os alimentos consumidos pelo paciente nas últimas 24 horas anteriores ao atendimento nutricional. Ele pode ser feito em período anterior às 24 horas que antecedem a consulta, mas normalmente reflete o consumo de um dia inteiro de alimentação, constando todas as refeições (café da manhã ou desjejum, almoço, lanches e jantar). Mesmo alimentos que não refletem uma refeição ou lanches deverão ser anotados, bem como as quantidades consumidas, como balas, sucos, frutas, entre outros. Os consumos hídricos que não estejam relacionados a refeições ou lanches também deverão ser devidamente registrados. 3.3 Avaliação qualitativa Um dos métodos de investigação qualitativa de alimentação, desenvolvido no decorrer dos anos, foi o questionário de frequência de consumo alimentar, também conhecido como QFA (questionário de frequência alimentar). Abaixo veremos a descrição deste método: Frequência de Consumo: conhecido como um registro qualitativo de consumo alimentar, pode ser tratado como semi-qualitativo ou ainda, quantitativo, de acordo com a avaliação que é feita dos dados coletados. Ele permite obtenção de informações a respeito do consumo alimentar de alimentos e nutrientes, sua frequência e quantidades consumidas. Este questionário consiste basicamente do preenchimento de uma lista de alimentos ou nutrientes (carboidratos por exemplo) e a frequência em que consome este alimento/nutriente. A marcação pode ser diária, semanal ou mensal. Tanto nos métodos quantitativos, quanto nos qualitativos cabe ao profissional receptor dos dados, neste caso o nutricionista, avaliar e compilar as informações recebidas, de modo que elas possam contribuir para as orientações, planos alimentares ou possíveis prescrições dietéticas que possam dar sequência no atendimento em saúde. Outros métodos de verificação do consumo alimentar podem ser utilizados, porém não são tão comuns quanto os referidos acima. São eles: registro ou diário alimentar, história dietética e inventário alimentar. Todos têm em comum o fato de registrarem longos períodos de consumo, mas apresentam como fragilidade o fato de ficarem sujeitos à rotina dos pacientes e à memória dos mesmos. 51 4. METODOLOGIA DE ATENÇÃO NUTRICIONAL EM PRÉ- NATAL DE BAIXO RISCO: COMO SE FAZ UMA CONSULTA DE NUTRICIONISTA DIRIGIDA A GESTANTES? O Ministério da Saúde, como órgão máximo de gestão de saúde pública brasileiro, define as diretrizes do atendimento primário. Este atendimento primário consiste nas consultas realizadas em programas desenvolvidos em postos e unidades básicas de saúde. Estes atendimentos podem ser feitos de forma individualizada, como é o caso das consultas médicas, avaliações e aferições de enfermagem, atendimento nutricional e de outras especialidades. Mas também podem ser desenvolvidos através de ações coletivas, que visem a estimular o atendimento em grupo, como é o caso dos grupos de gestantes atendidos nas unidades de saúde básicas. Em seguida, nos aprofundaremos neste tipo de atendimento, com foco nos documentos oficiais do Ministério da Saúde, voltados para o público de gestantes, para atendimento na atenção básica de baixo risco (BRASIL, 2016). Este atendimento procura englobar o momento de descoberta de gravidez, seu desenvolvimento no decorrer das 40 semanas, parto e período de puerpério e saúde da mulher e criança no período pós-parto. Segundo manual prático para implementação da Rede Cegonha – folder (BRASIL, 2013d), o atendimento deve seguir os seguintes passos: · Acolhimento com avaliação e classificação de risco e vulnerabilidade, ampliação do acesso e melhoria da qualidade do pré-natal; · Vinculação da gestante à unidade de referência para o parto, e ao transporte seguro; · Boas práticas e segurança na atenção ao parto e nascimento; · Atenção à saúde das crianças de 0 a 24 meses com qualidade e resolutividade; · Acesso às ações de planejamento reprodutivo. Segundo Costa et al. (2005, p. 773), o atendimento a gestantes de baixo risco, no âmbito da atenção básica segue o seguinte protocolo: [...] o Ministério da Saúde estabelece diretrizes e princípios norteadores para o PHPN entre os quais destaca-se o conjunto dos direitos relacionados a: universalidade do atendimento ao pré natal, ao parto e puerpério digno e de qualidade às gestantes, acesso com visitação prévia ao local do parto, presença do acompanhante no momento do parto e atenção humanizada e segura ao parto. Esses direitos são ainda extensivos ao recém-nascido, em relação à adequada assistência neonatal. Posteriormente, deverão ser seguidos os passos de avaliação nutricional preconizados pelos 52 Cadernos de Atenção Básica do Ministério da Saúde em seu nº 32: 1. Calcule a idade gestacional em semanas. Obs.: Quando necessário, arredonde a semana gestacional da seguinte forma: 1, 2, 3 dias, considere o número de semanas completas; e 4, 5, 6 dias, considere a semana seguinte. Exemplos: gestante com 12 semanas e 2 dias = 12 semanas; gestante com 12 semanas e 5 dias = 13 semanas. 2. Localize, na primeira coluna da tabela 1 (presente no caderno nº 32), [...] a semana gestacional calculada e identifique, nas colunas seguintes, em que faixa está situado o IMC da gestante. 3. Classifique o estado nutricional (EN) da gestante, segundo o IMC, por semana gestacional, da seguinte forma: Baixo peso: quando o valor do IMC for igual ou menor do que os valores apresentados na coluna correspondente a baixo peso; Adequado: quando o IMC observado estiver compreendido na faixa de valores apresentada na coluna correspondente a adequado; Sobrepeso: quando o IMC observado estiver compreendido na faixa de valores apresentada na coluna correspondente a sobrepeso; Obesidade: quando o valor do IMC for igual ou maior do que os valores apresentados na coluna correspondente a obesidade. (BRASIL, 2012a, p. 74 e 75). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4.1 Como recepcionar a paciente A recepção da paciente em serviço de saúde pode resultar no retorno ou sucesso no atendimento. De acordo com as diretrizes de atendimento humanizado, baseadas na PNH (Política Nacional de Humanização) do Ministério da Saúde, observar questões como nome da 53 paciente, respeito a sua individualidade e intimidade, cordialidade e agilidade no atendimento podem trazer benefícios tanto para o sistema de saúde, como para própria paciente. Estes fatores promovem maior engajamento nas consultas e maiores chances de aderência às práticas promotoras de saúde, além da promoção do parto e do nascimento saudáveis e a prevenção da morbimortalidade materna e perinatal (BRASIL, 2012a). Segundo o documento norteador da Rede Cegonha (BRASIL, 2013d), um atendimento humanizado é aquele que: Pode-se afirmar que para haver humanização deve haver: compromisso com a ambiência (bem- estar integral em determinado ambiente), melhoria das condições de trabalho e de atendimento; respeito às questões de gênero, etnia, raça, orientação sexual e às populações específicas (índios, quilombolas, ribeirinhos, assentados, etc.); fortalecimento de trabalho em equipe multiprofissional, fomentando a transversalidade e a grupalidade (experiências coletivas significativas); apoio à construção de redes cooperativas, solidárias e comprometidas com a produção de saúde e com a produção de sujeitos; fortalecimento do controle social com caráter participativo em todas as instâncias gestoras do SUS; e compromisso com a democratização das relações de trabalho e valorização dos profissionais de saúde, estimulando processos de educação permanente. É de suma importância aplicar estes conceitos a todas as pacientes em atendimento de saúde, promovendo maior qualidade de vida e bem-estar a estes atores sociais. Na sequência, observaremos as demaisquestões envolvidas no atendimento na atenção básica para gestantes de baixo risco. 4.2 Como manter o foco nas orientações Um atendimento de saúde, que contemple as necessidades dos pacientes e ainda observe as questões relacionadas à realidade vivida por aquela população, tende a gerar orientações que são factíveis, ou seja, que podem ser adaptadas às rotinas diárias dos pacientes. Em casos de gestantes, compreender os processos fisiológicos pelos quais elas passam, suas alterações hormonais e de humor, as ansiedades pertinentes à geração de uma vida e questões relacionadas ao desenvolvimento da gravidez e parto pode ocasionar maior adesão às orientações dietéticas. O apoio de toda a equipe de saúde e acompanhamento multidisciplinar também são ações que podem trazer bons frutos neste sentido. A clareza das informações prestadas, tanto em relação às condições de saúde, quanto em relação às orientações, bem como sugestões de melhorias relacionadas à alimentação são certamente bons caminhos a serem seguidos. Podemos usar como exemplo uma paciente que receba um plano alimentar com alimentos que não fazem parte de seu cotidiano, ou ainda, que tenham alto valor, não acompanhando seu poder aquisitivo, isto causaria estranhamento e possível abandono deste plano. Se, por outro lado, o profissional tiver conhecimento da rotina alimentar desta paciente, investigando quais alimentos ela costuma ingerir, qual sua rotina de alimentação diária, seu acesso aos alimentos, e o 54 plano alimentar respeitar estas condicionantes, certamente as chances de sucesso serão maiores. 4.3 Casos tardios ou desistências Outras questões com as quais teremos que lidar, no atendimento em saúde de pacientes de baixo risco, são os casos tardios e as desistências. Nem todas as pacientes descobrem a gravidez no primeiro trimestre, não sendo raro relatos de casos de descoberta inclusive no momento do parto. Nesse sentido, é importante que possamos saber qual a abordagem mais adequada, quando a paciente descobre a gravidez num estágio avançado da gestação. Sendo necessário iniciar as avaliações de peso e altura, número de semanas de gestação, e possivelmente a escolha de métodos de avaliação do consumo alimentar que não demandem tanto tempo, como pode ser o caso de um recordatório de 24 horas. Imaginemos que uma paciente chegue ao serviço de saúde com amenorreia (ausência de menstruação), e seja feita a solicitação de exames de sangue. Digamos que entre o trâmite de solicitação dos exames, coleta e resultados, e ainda marcação de nova consulta se passem 30 dias. Se a paciente já estivesse grávida no momento da primeira consulta, e com gestação estimada em 20 semanas, a confirmação ocorreria com 24 semanas. A sequência de um plano de pré-natal não poderia seguir o mesmo padrão de uma paciente que descobriu a gravidez na terceira semana. Já em casos de desistência, deve ser um trabalho realizado em equipe, sendo envolvidos recepcionistas ou atendentes da unidade de saúde e agentes de saúde, na descoberta do motivo do abandono do pré-natal e tentativas de reestabelecer este atendimento. Mudanças de cidade, internamentos, abortos espontâneos, ou apenas falta de motivação para permanecer comparecendo às consultas podem ser alguns dos motivos que deverão ser investigados e solucionados pela equipe da atenção básica. 5. COMO ORGANIZAR AS INTERVENÇÕES NUTRICIONAIS DENTRO DE UM PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO, COM ÊNFASE NO PAPEL DO NUTRICIONISTA Segundo as orientações do Ministério da Saúde, este tipo de atendimento, realizado em assistência básica, tem por objetivo: · Fomentar a implementação de um novo modelo de atenção à saúde da mulher e à saúde da criança com foco na atenção ao parto, ao nascimento, ao crescimento e ao desenvolvimento da criança 55 de zero aos 24 meses; · Organizar a Rede de Atenção à Saúde Materna e Infantil que garanta acesso, acolhimento e resolutividade e; · Reduzir a mortalidade materna e infantil (BRASIL, 2016). As recomendações de intervenções nutricionais, neste momento, têm maior foco nos trabalhos em grupo do que nos individuais, por questões pedagógicas do aprendizado que ocorre nas trocas entre diversos atores sociais que trabalham em conjunto um mesmo tema. São ações que podem surtir efeito e são preconizadas pelo Ministério da Saúde no atendimento nutricional: • ações de educação em saúde; • ações de educação alimentar e nutricional e promoção da alimentação saudável e ade- quada (de acordo com os guias alimentares). 5.1 Educação alimentar e nutricional Segundo o Marco de EAN, documento norteador para criação de politicas públicas de alimentação e nutrição, educação alimentar e nutricional significa: Educação Alimentar e Nutricional, no contexto da realização do Direito Humano à Alimentação Adequada e da garantia da Segurança Alimentar e Nutricional, é um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. A prática da EAN deve fazer uso de abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos que favoreçam o diálogo junto a indivíduos e grupos populacionais, considerando todas as fases do curso da vida, etapas do sistema alimentar e as interações e significados que compõem o comportamento alimentar (BRASIL, 2012b, p. 23). Este conceito deve balizar as ações tanto do trabalho em grupo relacionado à alimentação e nutrição das gestantes, quanto do atendimento individual, seja na avaliação do consumo alimentar das pacientes, seja na tomada de decisões sobre a melhor estratégia de trabalho, bem como nas orientações prestadas. Deste modo, cabe estabelecer uma relação baseada nas recomendações do Marco de EAN, quanto às intervenções nutricionais para gestantes de baixo risco: escuta ativa e próxima; reconhecimento das diferentes formas de saberes e práticas; construção partilhada de saberes, práticas e soluções; valorização do conhecimento, da cultura e do patrimônio alimentar; atender às necessidades dos indivíduos e grupos; busca da formação de vínculo entre os diferentes sujeitos que integram o processo; busca de soluções contextualizadas; relações horizontais; monitoramento permanente dos resultados; formação de rede entre profissionais e setores envolvidos visando à troca de experiências e o diálogo (BRASIL, 2012b, p. 35). 56 5.2 Trabalho em equipe multidisciplinar A atenção pré-natal tem como objetivos principais: assegurar a evolução normal da gravidez; preparar a mulher em gestação para o parto, o puerpério e a lactação normais; identificar o mais rápido possível as situações de risco. Essas medidas possibilitam a prevenção das complicações mais frequentes da gravidez e do puerpério (OSIS et al., 1993), neste sentido, é primordial o atendimento realizado por equipe multidisciplinar. As equipes de saúde compostas por diversas áreas do atendimento tendem a prestar maiores cuidados aos pacientes por meio de abordagens diferenciadas, porém complementares, além de desafogarem o atendimento de um único profissional responsável por todo o cuidado com aquela paciente. No caso da gestação, são muitos os benefícios tanto do atendimento em equipe multidisciplinar, quanto em grupos de apoio. As trocas de experiências entre profissionais e pacientes tem sido apontada como positiva por maior adesão, benefícios mútuos e aprendizado colaborativo. Além de ser estimulada pelas diretrizes da atenção básica em saúde (BRASIL, 2009) e OMS. Ainda que em muitos casos o nutricionista não componha a equipe do Programa de Saúde da Família, por exemplo, planos de trabalho têm sido desenvolvidos na ampliação da presença deste profissional nas unidades básicas de saúde, promovendo assim maior interação de nutricionistas com o campo da saúde pública. 57 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer sobre a estrutura dos guias alimentares, inclusiveos indicados para ges- tantes, sempre baseados em documentos oficiais do Ministério da Saúde; • compreender melhor como devem ser as orientações sobre alimentação adequada e saudável na gestação, com apresentação de 10 passos para uma alimentação sau- dável; • apreender informações importantes sobre a dieta de gestantes na promoção de uma gestação saudável, com influência na saúde da mãe e do bebê; • descobrir os métodos para realizar a avaliação de consumo alimentar, tanto de ma- neira qualitativa quanto de maneira quantitativa; • identificar as bases metodológicas para a atenção nutricional em gestantes de baixo risco pelas diretrizes do SUS; • aprender como organizar as intervenções nutricionais baseadas em educação ali- mentar e nutricional, tanto para coletividade e consultas individuais. PARA RESUMIR ACCIOLY, E. et al. Nutrição em Obstetrícia e Pediatria. 2ª ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2009. 649p. ALMEIDA FILHO, N; BARRETO, ML. Epidemiologia & Saúde. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 699 p. BRASIL. Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 set. 1990a Seção 1. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080. htm>. Acesso em: 18 de fev. de 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. (Série A. Normas e Manuais Técnicos - Cadernos de Atenção Básica, n. 23). BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde, 2012a. (Série A. Normas e Manuais Técnicos - Cadernos de Atenção Básica, n° 32). BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas. Brasilia: MDS, 2012b. 68p. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cartilha 10 passos para uma alimentação saudável – gestantes. Brasília: Ministério da Saúde, 2013a. Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/ geral/10passosGestantes.pdf> Acesso em 17 de fev. de 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual instrutivo das ações de alimentação e nutrição na rede Cegonha. Brasília: Ministério da Saúde, 2013b. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. 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Revista de Saúde Pública. vol. 39, 2005. p: 768-774 MAHAN, L. K. et al. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 1228 p. MENDES, A. Gestão pública e relação público-privado na Saúde. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2011, vol.16, n.4, pp. 2347-2350. OSIS, M. J. D. et al. Fatores associados à assistência pré-natal entre mulheres de baixa renda no Estado de São Paulo (Brasil). Rev Saúde Pública. 1993; 27:49-53. PALMA, D; et al. Guia de nutrição clínica na infância e na adolescência. Barueri, SP: Manole, 2009, 661 p. REVISTA O2. Calorias sob medida. 2006. Disponível em:<http://www.leb.esalq.usp.br/ leb/aulas/ler0140/Calorias_sob_medida.pdf>. Acesso em 20 de fev. de 2020. ROUQUAYROL, M. Z.; ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e Saúde. 6. ed. Rio de janeiro: MEDSI, 2003. 780p. VÍTOLO, M. R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008, 628 p. UNIDADE 3 Situações patológicas na gestação e nutrição materno-infantil pós-natal Introdução Você está na unidade Situações patológicas na gestação e Nutrição materno- infantil pós-natal. Conheça aqui a fisiologia e as repercussões nutricionais das situações patológicas mais comuns na gestação; a importância do aleitamento materno exclusivo e como estimular o aleitamento; características da avaliação do estado nutricional e das recomendações para a mulher no período pós-natal; características na nutrição infantil para o lactente de 6 a 24 meses de vida; e, ainda, as repercussões dos desvios do estado nutricional do lactente. Bons estudos! 63 1. SITUAÇÕES PATOLÓGICAS NA GESTAÇÃO Algumas condições adversas, que são frequentemente observadas em gestantes, podem estar estreitamente relacionadas ao estado nutricional e ao consumo dietético. Dentre essas condições, a hipertensão e o diabetes gestacionais estão entre as mais frequentes e representam grande risco para a saúde da gestante e do feto e, por isso, vamos agora aprender um pouco mais sobre elas. 1.1 Hipertensão e pré-eclâmpsia/eclampsia na gestação A hipertensão gestacional, também conhecida na literatura como hipertensão induzida pela gravidez ou doença hipertensiva induzida pela gravidez, é uma condição relativamente comum durante a gestação e que, em linhas gerais, significa que houve aumento da pressão arterial sistêmica no período gestacional. A pré-eclâmpsia/eclampsia, por sua vez, é resultado de uma má adaptação do organismo materno à gestação. O termo eclampsia, literalmente, significa súbito, repentino, ou seja, algo que acontece de forma rápida e inesperada. Na tabela abaixo, estão descritos os termos que classificam os tipos de alterações na pressão arterial que podem ocorrer no período gestacional. Figura 1 - Tipos de alterações na pressão arterial no período gestacional Fonte: Vitolo (2015) 64 #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em duas colunas: classificação e alterações. Abaixo da coluna classificação, encontram-se os tipos de alteração na pressão, um por linha (Hipertensão crônica, Pré-eclâmpsia, Hipertensão crônica com sobreposição de pré- eclâmpsia, Hipertensão gestacional, Hipertensão transitória). Abaixo da coluna alterações, estão as respectivas alterações que cada uma delas produz. A hipertensão pode ser crônica (quando a mulher já apresenta o distúrbio antes da gestação ou quando desenvolve durante a gestação, mas persiste por mais de 12 semanas após o parto), gestacional (quando aparece na gestação, geralmente após a 20ª semana, sem associação de proteinúria), transitória (quando o quadro vai e volta ao normal repetidas vezes) ou crônica com sobreposição de pré-eclâmpsia (quando há proteinúria associada). A pré-eclâmpsia/eclampsia não tem causas bem definidas ainda, mas suspeita-se que seja decorrente de produção excessiva de hormônios pela placenta e glândula supra-renal, além de desequilíbrios na síntese de substâncias que agem como vasodilatadores e vasoconstritoras. Essa condição é mais frequente no último trimestre de gestação e está associada a sintomas como tontura, dores de cabeça, distúrbios visuais, dores abdominais, vômito e edema no rosto e nas mãos. As gestantes que apresentam fatores de risco para o desenvolvimento de hipertensãodevem ser orientadas a um maior controle do ganho de peso, já que o sobrepeso e a obesidade podem desencadear o problema. As recomendações nutricionais para hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia são baseadas no valor energético e quantidades de proteína, sódio e cálcio: • energia para estimativa do valor energético diário, utiliza-se as mesmas fórmulas usadas para as gestantes saudáveis. Porém, deve-se fazer os ajustes necessários e trabalhar com os valores mínimos recomendados para que não haja ganho de peso excessivo; • proteínas para estimativa do valor energético diário, utiliza-se as mesmas fórmulas usadas para as gestantes saudáveis. Porém, deve-se fazer os ajustes necessários e trabalhar com os valores mínimos recomendados para que não haja ganho de peso excessivo; • sódio de modo geral, a restrição de sódio não é indicada para gestantes para que não haja prejuízos no volume plasmático. Recomenda-se que sejam ingeridos de 2 a 3g de sódio por dia (cerca de 5 a 6g de sal), mesma recomendação feita para adultos. Se a gestante apresentar hipertensão crônica, não deve ultrapassar as 2g de sódio por dia; 65 • cálcio a suplementação de cálcio para gestantes hipertensas ou com alto risco de desenvolver hipertensão induzida pela gravidez é associada com menores risco de desenvolvimento de pré- eclâmpsia. Para gestantes que não tenham risco de nefrolitíase e que apresentam baixa ingestão de cálcio, recomenda-se a suplementação de 1500 a 2000mg/dia desse micronutriente. 1.2 Diabetes gestacional O diabetes gestacional (DG) é a condição onde há intolerância a glicose durante a gestação. A resistência à insulina é comum na gestação por conta das alterações fisiológicas desse período, mas, em alguns casos, as mulheres podem desenvolver um defeito funcional nas células beta, o que as impede de compensar a resistência à insulina. Dados demonstram que até 12% das gestantes podem desenvolver DG e, dessas, 40 a 60% desenvolvem diabetes tipo II entre 15 a 20 anos após a gestação. Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de DG estão descritos na Tabela abaixo. Figura 2 - Fatores de risco para desenvolvimento de DG Fonte: Vitolo (2015) 66 #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em duas colunas: Autores e Fatores de risco para rastrear diabetes gestacional. Abaixo da coluna autores, estão as referências bibliográficas de autores que indicam os fatores de risco; e, abaixo da segunda coluna, estão os fatores de risco apontados por cada autor. As condições metabólicas observadas durante o diabetes descompensado são similares às do jejum prolongado, e a cetoacidose é muito desfavorável para o feto, podendo até ser fatal. Recém-nascidos de mulheres diabéticas costumam apresentar baixas concentrações de ferro no fígado, cérebro e coração e, ainda, é comum que apresentem macrossomia. A macrossomia fetal, por sua vez, está associada a complicações como: morbidade materna, mortalidade pré-natal, traumatismos de nascimento, hiperbilirrubinemia e hipoglicemia neonatal. Como prevenção, recomenda-se o rastreamento do DG para todas as gestantes, mesmo que não apresentem fatores de risco. O ponto de partida para o rastreamento do DG é a glicemia de jejum. Figura 3 - Procedimentos para rastreamento da DG - Glicemia de jejum Fonte: Vitolo (2015) #ParaCegoVer: A imagem mostra um fluxograma em formato de árvore tendo como nó principal a Glicemia de Jejum. Partindo dela, estão os procedimentos necessários para a análise. 67 Se a glicemia de jejum na 1ª consulta for igual ou superior a 85mg/dL, recomenda-se o rastreamento positivo. Se for menor que 85mg/dL, um novo exame deverá ser realizado após a 20ª semana. Se o resultado for inferior a 85mg/dL novamente, não é necessário o rastreamento e, se for igual ou superior a esse valor, recomenda-se o rastreamento positivo. Figura 4 - Procedimentos caso o resultado da Glicemia de Jejum seja Positivo Fonte: Vitolo (2015) #ParaCegoVer: A imagem mostra um fluxograma em formato de árvore tendo como nó principal o Rastreamento Positivo. Partindo dele, estão os procedimentos necessários para a análise, até o resultado final do teste em Negativo ou diabetes Gestacional. Ao ser diagnosticado o DG, deve-se iniciar as recomendações dietéticas específicas. O cálculo do valor energético recomendado pode ser feito considerando-se valores de 30 a 35kcal por kg de peso ideal para a idade gestacional, ou seja, se a gestante estiver com peso ideal, utiliza-se o peso real, caso esteja acima ou abaixo do peso ideal, utiliza-se o peso ideal. Em casos de gestantes obesas, indica-se o uso de 24kcal/kg de peso ideal para evitar o ganho de peso excessivo 68 Figura 5 - Cálculo do valor energético total Fonte: Vitolo (2015) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em duas colunas: Estado Nutricional da Gestante (Baixo Peso, Eutrófica, Obesidade, Obesidade Mórbida) e Kcal/kg de pedo ideal por dia (36-40, 30-35, 24, 12-18). A distribuição de macronutrientes pode ser: 40 a 55% de carboidratos, 20% de proteínas e 25 a 40% de lipídeos, dividindo-se o total de energia diário da seguinte forma: • café da manhã: 10%; • lanche matinal: 10%; • almoço: 30%; • lanche da tarde: 10%; • jantar: 30%; • ceia: 10%. A terapia com insulina é recomendada se, após 2 semanas de dieta controlada, os índices de glicemia permanecerem elevados (maior que 105mg/dL em jejum ou acima de 120mg/dL no pós-prandial). Também pode ser recomendado tratamento com insulina caso o crescimento fetal, observado por ecografia entre a 29ª e a 33ª semana gestacional, for superior ao percentil 75. Porém, a terapia com insulina só poderá ser prescrita pelo médico. 2. ALEITAMENTO MATERNO A amamentação, ou aleitamento materno, é um processo que, assim como a gestação, tem grande impacto na saúde do lactente. Por esse motivo, os profissionais de saúde, dentre eles, o nutricionista, devem saber da importância desse período e incentivar as mulheres a essa prática. Vamos conhecer, nesta seção, a importância do aleitamento materno, a composição do leite e como estimular/incentivar as lactantes. 69 2.1 A importância do aleitamento materno O aleitamento materno é um processo de grande importância tanto para a mãe, como para o bebê, pois envolve fatores fisiológicos, ambientais e emocionais, estando relacionado a questões como: afeto, vínculo, proteção e nutrição. Figura 6 - Aleitamento materno Fonte: WAVEBREAKMEDIA, Shutterstock, 2020 #ParaCegoVer: A imagem mostra os braços de uma mulher segurando um bebê, enquanto ele mama em seu seio. A Organização Mundial da Saúde classifica o aleitamento materno das seguintes formas: • aleitamento materno: quando o bebê recebe leite materno, seja ele exclusivo, predomi- nante ou complementado; • aleitamento materno exclusivo: a criança recebe somente leite materno (diretamente da mama ou ordenhado), ou leite humano de outra fonte (banco de leite, por exemplo), sem outros alimentos líquidos ou sólidos (com exceção de vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos); • aleitamento materno predominante: quando o bebê recebe água ou bebidas à base de água (chás, infusões) e/ou sucos de frutas, além do leite materno; • aleitamento materno complementado: a criança recebe qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementar (mas não de substituir) o leite materno; • aleitamento materno misto ou parcial: acontece quando a criança recebe, além do leite materno, outros tipos de leite (fórmulas, leite de vaca, entre outros). Ainda de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a condição ideal é que a criança seja amamentada já na primeira hora de vida, receba aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade e continue recebendo leite materno complementado até os 24 meses de vida. 70 Figura 7 - Indicadores do Aleitamento Materno Fonte: Brasil (2015a) #ParaCegoVer: A imagem mostrauma tabela dividida em duas colunas: Indicadorese Classificação da OMS. A coluna de Indicadores está dividida nas linhas Aleitamento Materno na 1ª hora de vida, AME em menores de 6 meses e Duração mediana do AM; cada uma dessas linhas subdivide-se nas linhas Ruim, Razoável, Bom e Muito Bom. Abaixo da coluna Classificação da OMS, estão os valores percentuais para cada um desses indicadores. A superioridade do aleitamento materno sobre os leites de outras espécies já está largamente comprovada e, entre os argumentos a favor dessa prática, destacam-se: • evita mortes infantis: • o leite materno, diferente de outros tipo de leite, apresenta fatores de proteção para a criança. Estima-se que o aleitamento materno faz com que haja redução de 13% das mortes em crianças com menos de 5 anos, em todo o mundo, e que 1,47 milhões de vi- das poderiam ser salvas se as recomendações de aleitamento materno exclusivo por seis meses e até os dois anos de vida, de forma complementada, fossem cumpridas; • evita diarreia e infecções respiratórias: • o aleitamento materno exclusivo, nos primeiros 6 meses de vida, protege contra a diar- reia e doenças respiratórias, enquanto, por outro lado, oferecer chás e até mesmo água a crianças até os 6 meses pode dobrar as chances e intensidade dos episódios de diarreia; • diminui o risco de alergias, hipertensão, diabetes e dislipidemias: 71 • da mesma forma, a amamentação exclusiva, nos primeiros 6 meses de vida, diminui o risco de alergias, como alergia à proteína do leite de vaca, dermatite atópica, asma, entre outros tipos. Evidências sugerem, também, que o aleitamento materno faz com os níveis de pressões sistólica sejam mais baixos, o colesterol seja diminuído e que haja um risco 37% menor de desenvolvimento de diabetes tipo II ao longo da vida; • reduz as chances de desenvolvimento de obesidade: • existem evidências de que os indivíduos apresentem chance 22% menor de desenvolver sobrepeso ou obesidade ao longo da vida e, ainda, parece haver uma relação de “dose/ resposta”, ou seja, quanto maior o tempo em que o indivíduo é amamentado, menor será a chance de ele apresentar excesso de peso; • é a melhor opção de nutrição: • o leite materno é o único que apresenta todos os nutrientes essenciais para o cresci- mento e o desenvolvimento saudável da criança. Esse alimento supre, sozinho, todas as necessidades nutricionais do bebê nos primeiros 6 meses de vida e continua sendo uma ótima fonte de nutrientes até o segundo ano, além de ser mais bem digerido e tolerado quando comparado com leites de outros tipos; • efeito intelectual positivo: • o leite materno otimiza o desenvolvimento cerebral e está relacionado a melhor cogni- ção, tanto em crianças, como em adultos; • melhor desenvolvimento da cavidade bucal: • a movimentação que o bebê faz para retirar o leite materno da mama é de extrema impor- tância para o adequado desenvolvimento da cavidade oral e, ainda, o desmame precoce pode prejudicar funções como a mastigação, deglutição, respiração e articulação da fala; • proteção contra o câncer de mama: • mães que amamentam apresentam redução na prevalência de câncer de mama, inde- pendente da idade, etnia ou paridade; • evita uma nova gravidez: • desde que a mulher esteja amamentando em livre demanda e não esteja menstruando, a amamentação representa um excelente método anticoncepcional nos primeiros 6 meses após o parto, com eficácia comparada a outros métodos (cerca de 98%); • melhor opção de custo: • as fórmulas infantis apresentam custo elevado e, ainda, ao ser oferecido outro tipo de leite, devem-se acrescentar custos com mamadeiras, bicos e gás de cozinha e, portanto, a opção mais barata de alimentação do bebê, até os 6 meses de vida, é o leite materno; • vínculo afetivo: 72 • um dos grandes benefícios da amamentação é o vínculo afetivo desenvolvido entre mãe e filho, fortalecendo os laços, aumentando a intimidade entre eles, a troca de afeto e, ainda, a criança se sente mais segura e autoconfiante. 2.2 Composição do leite materno A composição nutricional do leite materno varia nos diferentes estágios da lactação: o leite secretado até, mais ou menos, o sétimo dia pós-parto, é chamado de colostro. Do 7º dia até a segunda semana, chamamos de leite de transição e, a partir daí, já é considerado leite maduro. Além disso, a composição do leite de mães que tiveram seus filhos prematuros ou a termo é diferente. Figura 8 - Composições do leite materno e do leite de vaca Fonte: Brasil (2015a) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em 4 colunas. Na primeira (Nutriente), estão listados os nutrientes sob avaliação (calorias, lipídios, proteínas e lactose). A segunda (Colostro) e terceira (Leite maduro) colunas estão subdivididas em A termo e Pré-termo. A última coluna se refere ao leite de vaca. Em comparação ao leite de vaca, o leite humano apresenta menos proteínas, mas o que é mais diferente entre eles é o tipo de proteínas presentes: a principal proteína do leite materno é a lactoalbumina, digerida muito mais facilmente pelas crianças, enquanto, no leite de vaca, predomina a caseína, de difícil digestão. Além disso, o leite humano possui muitos fatores imunológicos de proteção para a criança, como anticorpos IgA, IgM e IgG, macrófagos, neutrófilos, linfócitos B e T, lactoferrina, lisosima e fator bífido. FIQUE DE OLHO Aprofunde seus conhecimentos sobre a fisiologia do aleitamento materno lendo as seguintes referências: Vitolo (2015, p. 141) e Accioly et al. (2009, p.226). 73 2.3 Estímulo ao aleitamento materno Estima-se que, no Brasil, cerca de 50% das mães desistem de amamentar logo na primeira semana de vida, seja por dores nos seios, dúvidas sobre a qualidade do leite ou falta de prática. Entre os fatores pelos quais o bebê pode não obter a quantidade suficiente de leite, estão alguns fatores relacionados à amamentação e fatores psicológicos da mãe (mais comuns) e condições físicas da mãe e do bebê (incomuns). Figura 9 - Fatores envolvidos com o aporte insuficiente de leite materno para o bebê Fonte: Vitolo (2015) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em quatro colunas: Fatores relacionados à amamentação, Fatores psicológicos da mãe, Condições físicas da mãe e Condições do bebê. Abaixo de cada uma dessas colunas estão os fatores influenciadores associados a cada uma delas. Sendo assim, os principais fatores da insuficiência de leite materno para a criança são fatores evitáveis com informação e instruções à lactante. É papel dos profissionais da saúde, inclusive do nutricionista, informar a mãe sobre todos os benefícios, tanto para ela, quanto para a criança, da prática da amamentação, incentivar a busca de soluções em caso dores ao amamentar, desestimular a introdução de outros alimentos durante os 6 primeiros meses de vida e, principalmente, ensinar as técnicas adequadas de amamentação, tranquilizando a mãe em relação à composição do seu próprio leite. FIQUE DE OLHO O Ministério da Saúde possui um material muito completo sobre aleitamento materno e nutrição da criança. Saiba mais sobre o assunto, consultando Brasil (2015a). 74 3. NUTRIÇÃO MATERNA PÓS-NATAL Assim como em outros momentos fisiológicos importantes, o estado nutricional durante a lactação pode ser avaliado por antropometria e parâmetros dietéticos e bioquímicos. Contudo, não existem muitos padrões de referência para essa fase da vida da mulher, mas o nutricionista deve adequar suas orientações pensando na saúde ótima da mãe, para que nada interfira no processo de amamentação. 3.1 Avaliação nutricional das nutrizes Para avaliar o estado nutricional da nutriz, podemos utilizar parâmetros antropométricos e bioquímicos. Umas das maiores preocupações das mulheres nessa fase é a perda de peso e a composição do leite. A amamentação promove uma perda de peso mais rápida, em consideração a mulheres que não amamentam. Entretanto, de qualquer forma, para que a perda de peso seja saudável nessa fase, ela deve ser gradativa. Assim, o acompanhamentoda perda de peso pode ser feito através do peso total, de avaliações das dobras cutâneas e do IMC, comparando sempre com o último dado pré-gestacional disponível. Em relação aos parâmetros bioquímicos, não existem referências para nutrizes. No entanto, sabe-se que alterações no volume plasmático, a concentração de micronutrientes no soro, como zinco e cobre, o balanço nitrogenado, a concentração sérica de glicose e insulina e de lipoproteínas, como triglicérides e colesterol, por exemplo, são comuns em nutrizes em relação a mulheres adultas não lactantes. 75 3.2 Recomendações nutricionais para as nutrizes A lactação é uma fase de grande demanda energética, já que, através do leite materno, o lactente, após apenas 4 meses do nascimento, dobra o seu peso, que foi acumulado durante os 9 meses de gestação. Assim, as necessidades nutricionais da nutriz são aumentadas, para que a energia e nutrientes necessários para a produção do leite materno não esgote as reservas da mãe. Os principais ajustes necessários são em relação ao valor energético, ao conteúdo proteico e de micronutrientes: Valor energético O cálculo do valor energético para nutrizes pode ser feito de duas formas: através de ajustes dos cálculos do GET (gasto energético total), baseado nas recomendações da RDA e, ou através das fórmulas das DRI (ingestão dietética de referência). Para o cálculo utilizando as recomendações da RDA, calcula-se o GET, através dos dados da TMB (taxa de metabolismo basal) e FA (fator atividade) e, considerando-se o estado nutricional pré-gestacional, faz-se os seguintes ajustes: • Baixo peso pré-gestacional: Considera-se no cálculo da TMB o peso desejável (utilizando IMC ideal entre 18,7 e 23,8). Se o ganho de peso ponderal durante a gestação foi adequado, adiciona-se 500kcal/dia e, se o ganho de peso ponderal durante a gestação foi insuficiente, adiciona-se 700kcal/dia. • Peso normal pré-gestacional: Considera-se no cálculo da TMB o peso pré-gestacional. Se o ganho de peso ponderal durante a gestação foi adequado, adiciona-se 500kcal/dia e, se o ganho de peso ponderal durante a gestação foi insuficiente, adiciona-se 700kcal/dia. • Sobrepeso/obesidade pré-gestacional: Considera-se no cálculo da TMB o peso pré-gestacional. Independente do ganho de peso ponderal na gestação, adiciona-se 500kcal/dia na primeira consulta pós-parto. Nas consultas subsequentes, deve-se avaliar se houve a perda de peso esperada. No caso da manutenção do peso, perda insignificante ou ganho de peso, deve-se fazer o cálculo sem o adicional de 500kcal/dia. Para o cálculo das necessidades energéticas de acordo com as DRI, no 1º semestre pós-parto, considera-se o EER (requerimento energético estimado) pré-gestacional, acrescenta-se 500kcal 76 ao dia de adicional calórico para lactação e subtrai-se 170kcal ao dia, para auxiliar na perda de peso adequada dessa fase. No 2º semestre pós parto, deve ser adicionado 400kcal ao dia, sem subtração de calorias. Proteínas As necessidades proteicas também são aumentadas durante a lactação, já que, no primeiro mês de lactação, o conteúdo médio de proteínas no leite materno é de 1,3g/100mL e, a partir do segundo mês, o conteúdo é de 1,15g/100mL, sendo que a eficiência com que se converte a proteína dietética da mulher em proteína do leite é em torno de 70%. Dessa forma, calcula-se o adicional proteico da seguinte forma: - 1º semestre de lactação: +16g/dia - 2º semestre de lactação: +12/g/dia - Após 1 ano: +11g/dia Micronutrientes Assim como o valor energético e proteico, as necessidades de muitas vitaminas e minerais são aumentadas durante a lactação. As recomendações de micronutrientes para nutrizes estão apresentadas na figura abaixo. FIQUE DE OLHO Você tem dúvidas de como calcular o EER pré-gestacional? Leia o Capítulo 12 (Recomendações Nutricionais para Gestantes), p. 100 de Vitolo (2015). 77 Figura 10 - Micronutrientes para a fase de lactação Fonte: Accioly et al. (2009) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em duas colunas: Nutrientes e IDR (Ingestão Dietética de Referência). Abaixo da coluna Nutrientes, estão os micronutrientes mais relevantes para a lactação; e abaixo da coluna IDR, a linha correspondente a cada nutriente está subdividida por faixa etária da lactante. 78 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4. NUTRIÇÃO DO LACTENTE O lactente, ou seja, a criança que recebe o leite materno, idealmente dos 0 a 24 meses de vida, está em fase de crescimento e desenvolvimento máxima e, por isso, a avaliação do estado nutricional e as recomendações dietéticas e alimentares são imprescindíveis. 4.1 Avaliação do estado nutricional do lactente O recém-nascido deve ser acompanhado para identificação do seu estado nutricional e saúde geral. De acordo com o peso aferido no momento do nascimento, o recém-nascido pode ser classificado como macrossômico, peso adequado ou diferentes níveis de déficit de peso. Figura 11 - Classificação do Recém-nascido pelo Peso ao Nascer Fonte: Adaptado de Vitolo (2015) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela dividida em duas colunas: Classificação e Peso ao nascer. Abaixo da coluna classificação, estão as categorias: Macrossômico, Peso adequado, peso insuficiente, Baixo peso, peso extremamente baixo e Prematuro PIG/a termo com RCIU; abaixo da segunda coluna, estão so valores de referência em gramas para cada categoria. 79 PIG = pequeno para idade gestacional; RCIU = restrição de crescimento intrauterino. Após o nascimento, deve-se acompanhar o ganho de peso do bebê. Até os 6 meses, recomenda-se que o ganho ponderal seja de 600g ao mês e, após os 6 meses de vida, deve-se ganhar 400g ao mês de peso. Além disso, é importante que se faça o acompanhamento pelas curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde, que considera parâmetros como peso por idade e estatura por idade. 4.2 Recomendações nutricionais para o lactente Conforme abordado anteriormente, é extremamente preconizado que o bebê seja amamentado na primeira hora de vida e que a amamentação seja exclusiva nos primeiros 6 meses de vida. Nos primeiros 6 meses, recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na mama, ou seja, em livre demanda. As nutrizes devem ser alertadas sobre práticas não recomendáveis durante a amamentação, como: oferecer outros tipos de leite ou fórmulas infantis, começar a introdução alimentar antes dos 6 meses de idade, oferecer mamadeiras e chupeta, fumar durante a amamentação, se automedicar, ingerir bebidas alcoólicas. Além disso, existem algumas condições em que a amamentação é contraindicada: infecção pelos vírus HIV, HTLV1 e HTLV2 e em uso de alguns medicamentos, como os para tratamento de câncer. Mulheres que consomem álcool de forma regular ou drogas ilícitas não devem amamentar seus filhos enquanto estiverem fazendo uso dessas substâncias. O requerimento energético (EER) para lactentes pode ser calculado da seguinte forma: - 0 a 3 meses: (89 x peso em kg – 100) + 175kcal - 4 a 6 meses: (89 x peso em kg – 100) + 56kcal - 7 a 12 meses: (89 x peso em kg – 100) + 22kcal - 13 a 24 meses: (89 x peso em kg – 100) + 20kcal. FIQUE DE OLHO É importante que você leia e conheça as recomendações de macro e micronutrientes específicas para crianças do nascimento aos 2 anos de vida. Para isso, leia o Capítulo 24 (Recomendações Nutricionais para Crianças), p.191 de Vitolo (2015). 80 A partir do 6º mês, os alimentos podem começar a ser oferecidos para as crianças. É importante que os sinais de fome e saciedade sejam respeitados em todas as fases e, para crianças de 6 meses, é possível identificar esses sinais de acordo com as dicas da figura abaixo. Figura 12 - Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados à alimentação e sinais de fome e saciedade - 6 meses Fonte: Brasil (2010) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em duas colunas: Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados coma alimentação e Sinais de fome e de sacie De forma geral, aos 6 meses de idade, podemos recomendar que a composição e fracionamento da dieta seja como demonstrado na figura abaixo. Figura 13 - Alimentação diária da criança de 6 meses Fonte: Brasil (2010) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro com uma primeira coluna que ocupa todo o comprimento da figura, sinalizando que o leite materno pode ser oferecido sempre que a criança 81 quiser. Na segunda coluna, encontra-se um cardápio dividido em café da manhã e lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e antes de dormir. Ao lado de cada refeição, estão as suas respectivas recomendações aos 6 meses de vida da criança. Entre 7 e 8 meses de vida, a criança já deve conseguir sentar sem apoio, pega os alimentos e leva à boca e novos dentes surgem, mas os sinais de fome e saciedade ainda são parecidos. Figura 14 - Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados à alimentação e sinais de fome e saciedade - 7 e 8 meses Fonte: Brasil (2010) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em duas colunas: Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados com a alimentação e Sinais de fome e de saciedade mais comuns. Abaixo de cada uma delas, encontra-se uma lista de aspectos e sinais, respectivamente, compatíveis com a criança de 7 a 8 meses. Um exemplo da alimentação ao longo do dia para crianças entre 7 e 8 meses está apresentado na figura a seguir. Figura 15 - Alimentação diária da criança de 7 a 8 meses Fonte: Brasil (2010) 82 #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro com uma primeira coluna que ocupa todo o comprimento da figura, sinalizando que o leite materno pode ser oferecido sempre que a criança quiser. Na segunda coluna, encontra-se um cardápio dividido em café da manhã, lanche da manhã e da tarde, almoço e jantar, e antes de dormir. Ao lado de cada refeição, estão as suas respectivas recomendações aos 7 a 8 meses de vida da criança. Já entre os 9 e 11 meses, identificamos os sinais de fome e saciedade conforme relatado na figura abaixo. Figura 16 - Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados à alimentação e sinais de fome e saciedade - 9 e 11 meses Fonte: Brasil (2010) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em duas colunas: Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados com a alimentação e Sinais de fome e de saciedade mais comuns. Abaixo de cada uma delas, encontra-se uma lista de aspectos e sinais, respectivamente, compatíveis com a criança de9 a 11 meses. Lembrando-se sempre de oferecer água ao longo do dia. A alimentação deve ser baseada no exemplo da figura abaixo. Figura 17 - Alimentação diária da criança de 9 a 11 meses Fonte: Brasil (2010) 83 #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro com uma primeira coluna que ocupa todo o comprimento da figura, sinalizando que o leite materno pode ser oferecido sempre que a criança quiser. Na segunda coluna, encontra-se um cardápio dividido em café da manhã, lanche da manhã e da tarde, almoço e jantar, e antes de dormir. Ao lado de cada refeição, estão as suas respectivas recomendações aos 9 a 11 meses de vida da criança. Por fim, o lactente entre 1 e 2 anos de vida consegue expressar sinais de fome e saciedade de maneira mais clara. Figura 18 - Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados à alimentação e sinais de fome e saciedade - 1 a 2 anos Fonte: Brasil (2010) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em duas colunas: Aspectos do desenvolvimento infantil relacionados com a alimentação e Sinais de fome e de saciedade mais comuns. Abaixo de cada uma delas, encontra-se uma lista de aspectos e sinais, respectivamente, compatíveis com a criança de 1 a 2 anos. Nessa fase, a alimentação passa a ser mais rica em alimentos sólidos, mas é extremamente recomendável que a mãe continue oferecendo o leite materno. 84 Figura 19 - Alimentação diária da criança de 1 a 2 anos Fonte: Adaptado de Brasil (2010) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro com uma primeira coluna que ocupa todo o comprimento da figura, sinalizando que o leite materno pode ser oferecido sempre que a criança quiser. Na segunda coluna, encontra-se um cardápio dividido em café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e antes de dormir. Ao lado de cada refeição, estão as suas respectivas recomendações aos 1 a 2 anos de vida da criança. Obs: Nesta fase de vida, a refeição almoço deve ser repetida no horário do jantar. O papel do nutricionista, mais do que avaliar o estado nutricional da criança, é orientar os pais sobre a importância do aleitamento materno e da introdução alimentar de forma saudável. Nos primeiros anos de vida, a criança está formando seus hábitos alimentares e, por isso, a alimentação deve ser tão saudável e diversificada quanto possível. O Ministério da Saúde recomenda que os profissionais de saúdem adotem, para os lactentes, as condutas descritas na figura abaixo. 85 Figura 20 - Conduta do profissional de saúde com o lactente Fonte: Governo do Estado do Ceará (2013) #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro dividio em 2 colunas: Período (relativa ao período de vida do lactente) e Orientações (relativa a como o lactente deve ser atendido, que orientações a família deve receber, em cada período de vida). FIQUE DE OLHO Para consultar as recomendações para crianças de até 6 meses que não são amamentadas de forma exclusiva ou não recebem leite materno, e para crianças de 6 a 24 meses que não recebem leite materno, leia a referência Brasil (2010). 86 5. DESVIOS DO ESTADO NUTRICIONAL DO LACTENTE Estima-se que mais de 30% das crianças menores de 5 anos, em todo o mundo, apresentam algum tipo de consequência negativa decorrente da má nutrição. Entre os desvios do estado nutricional adequado mais comuns em lactentes, destacam-se os distúrbios nutricionais e as hipovitaminoses. 5.1 Distúrbios nutricionais Os distúrbios nutricionais mais prevalentes em lactentes no Brasil e no mundo são a desnutrição, a obesidade e a anemia ferropriva. Desnutrição Embora tenha havido uma diminuição da desnutrição, em detrimento do excesso de peso tanto no Brasil como no mundo, estima-se que ainda haja a prevalência de baixo peso para a estatura de 1,6%, e de baixa estatura para a idade de 6,8% em crianças menores de 5 anos. Nas classes mais baixas, esse panorama é muito maior: a prevalência de baixo peso é de 4,6% e de baixa estatura é de 14,5%. A desnutrição pode ocorrer precocemente desde a vida intra-uterina e levar ao baixo peso ao nascer. Ela também pode ser desenvolvida precocemente na infância, por conta da interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo e introdução alimentar inadequada dos 6 meses aos 2 anos de vida. Entre as desnutrições consideradas mais graves, estão: - Marasmo: ocorre com mais frequência em lactentes com até 12 meses, e a criança apresenta emagrecimento acentuado, pouca atividade, irritabilidade, atrofia muscular, frouxidão na pele, costelas proeminentes e desaparecimento da “bola de Bichat”, localizada na região malar e o último depósito de gordura a ser consumido. Pode haver aspecto aumentado no abdome e os cabelos são finos e escassos. - Kwashiorkor: é mais frequente em crianças acima de 2 anos e se caracteriza por lesões na pele, alteração na textura e coloração do cabelo, hepatomegalia, ascite, edema na face e em membros inferiores e apatia. Obesidade Conforme citado anteriormente, os índices de obesidade infantil vêm aumentando em 87 detrimento da desnutrição. A obesidade infantil é um fator de predição para a obesidade na vida adulta e, além disso, pode gerar consequências tanto a curto, como a longo prazo. Assim como a desnutrição, a obesidade é muito prevalente em classes sociais mais baixas, pois os alimentos com alta densidade energética costumam apresentar baixo custo, ou seja, o acesso é facilitado na população de baixa renda. Crianças obesas apresentam risco muito aumentado para desenvolvimento de doenças crônicas nãotransmissíveis e, nesses casos, há predomínio da distribuição de gordura na região do tronco ou na região abdominal, pode haver respiração predominantemente bucal, resistência a insulina, infecção fúngica nas dobras, hepatomegalia (sugestiva de esteatose hepática), edema, desvios de coluna e alterações de marcha. Anemia ferropriva A anemia por deficiência de ferro em lactentes é considerada um dos principais problemas de saúde pública do mundo. No Brasil, a mediana da prevalência de anemia em crianças menores de 5 anos é de 50%. A anemia tem sido apontada como um dos determinantes que prejudicam o desenvolvimento de crianças e, lactentes anêmicos apresentam maior probabilidade de possuírem, no futuro, baixo rendimento escolar. O comprometimento dos estoques de ferro e as consequências para o metabolismo, como um todo, aparecem antes mesmo da instalação da anemia propriamente dita. Os sinais, que aparecem tardiamente, são palidez cutânea e das mucosas, apatia, astenia, comprometimento do desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e do crescimento, além de maior suscetibilidade a infecções. 5.2 Hipovitaminoses Em crianças, não é raro que seja observada a deficiência de vitaminas B1, B12, C e D, mas, a hipovitaminose mais comum e mais preocupante para lactentes é a da vitamina A. A deficiência de vitamina A é dividida em duas fases: subclínica, quando há diminuição progressiva de reservas hepáticas, ainda não existem alterações clínicas evidentes e os níveis de retinol plasmático estão entre 20 a 40 µg/dL; e fase clínica, quando os níveis de retinol no plasma são inferiores a 20 µg/dL e existem comprometimentos clínicos, como: alterações no crescimento, maior predisposição a infecções, alterações cutâneas (como pele seca, com aspecto escamoso) e alterações oculares. As alterações oculares podem atingir 6 estágios, de acordo com a duração e gravidade da deficiência: 88 – Nictalopia: conhecida como cegueira noturna, é a alteração visual mais precoce e impede a criança de enxergar bem em ambientes pouco iluminados; – Xerose conjuntival: o aspecto do olho se torna seco e opaco e os reflexos luminosos ficam difusos e com menos intensidade; – Manchas de Bitot: surgem placas acinzentadas, com aparência espumosa; – Xerose corneal: a córnea fica comprometida e com um aspecto granular; – Ulceração da córnea: há destruição de parte importante da córnea; – Queratomalácia: há o surgimento de úlceras progressivas na córnea e o globo ocular é destruído, caracterizando uma cegueira irreversível. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 89 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • aprender sobre a fisiologia e as repercussões nutricionais de situações patológicas comuns na gestação: diabetes e hipertensão gestacionais; • conhecer os motivos pelos quais o aleitamento materno é superior a outros méto- dos de nutrição infantil e como estimular o aleitamento; • compreender sobre a avaliação do estado nutricional e as recomendações nutricio- nais para nutrizes; • compreender sobre as recomendações nutricionais e a avaliação do desenvolvimen- to e estado nutricional de lactentes de 6 a 24 meses de vida; • conhecer as repercussões dos desvios do estado nutricional do lactente. PARA RESUMIR ACCIOLY, E. et al.. Nutrição em obstetrícia e pediatria. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/ portaldab/publicacoes/guia_da_crianca_2019.pdf. Acesso em: 30 jan. 2020. BRASIL. Secretaria de atenção à saúde. Ministério da Saúde. Saúde da Criança: Aleitamento materno e Alimentação Complementar. Cadernos de Atenção Básica, 2015a. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_ aleitamento_materno_cab23.pdf. Acesso em: 30 jan. 2020. BRASIL. Senado Federal. Secretaria de Gestão de Pessoas. Orientações Nutricionais: da gestação à primeira infância. 2015b. Disponível em: https://www12.senado.leg. br/institucional/programas/pro-equidade/pdf/cartilha-orientacoes-nutricionais-da- gestacao-a-primeira-infancia. Acesso em: 30 jan. 2020. FERNANDES, B. S. et al. Cartilha de Orientação Nutricional Infantil. Departamento de Pediatria - UFMG, 2013. Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/observaped/ cartilhas/Cartilha_Orientacao_Nutricional_12_03_13.pdf. Acesso em: 30 jan. 2020. GOVERNO DO ESTADO (Ceará). Secretaria da Educação. Nutrição materno-infantil. Curso técnico em Nutrição e Dietética, 2013. Disponível em: https://efivest.com.br/ wp-content/uploads/2017/12/nutricao_e_dietetica_nutricao_materno_infantil.pdf. Acesso em: 30 jan. 2020. MIWA, M. T. Nutrição e dietoterapia obstétrica e pediátrica. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. 208 p. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (São Paulo). Departamento de Nutrologia. Avaliação nutricional da criança e do adolescente: manual de orientação. São Paulo, 2009. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/pdfs/MANUAL- AVAL-NUTR2009.pdf. Acesso em: 12 fev. 2020. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 4 Nutrição na infância Você está na unidade Nutrição na infância. Conheça aqui os assuntos relacionados à nutrição de crianças, desde o nascimento até o final da primeira infância. Conheceremos mais sobre a amamentação, a atenção nutricional nos períodos de lactente, pré-escolar e crianças menores de 2 anos. Compreenderemos como identificar e manejar os desvios nutricionais, bem como as relações da nutrição com o desmame, e com a alimentação adequada e saudável. Seguiremos nossos estudos pelas principais doenças relacionadas à alimentação na infância, pelas políticas públicas de nutrição que se relacionam com este público, e finalizaremos, explorando os cálculos nutricionais e inquéritos alimentares tanto na gestação, quanto na infância. Bons estudos! Introdução 93 1. METODOLOGIA DA ATENÇÃO NUTRICIONAL DIRIGIDA A LACTENTES, PRÉ-ESCOLARES E CRIANÇAS A alimentação, desde o nascimento até a idade adulta, muda consideravelmente: nascemos consumindo preferencialmente apenas um tipo de alimento, o leite materno, e vamos expandindo nossa alimentação de acordo com as características e cultura alimentar da sociedade em que vivemos. A expansão da gama de alimentos consumidos tem forte ligação com a alimentação nos primeiros anos de vida, bem como a saúde e predisposição para determinadas doenças no decorrer de nossa jornada. Durante a gestação, a alimentação da mãe e o estado nutricional antes e durante a gravidez terão influências sobre o crescimento e desenvolvimento do feto. Após o nascimento, além da carga nutricional passada de mãe para filho, a amamentação e introdução alimentar (fase de transição) terão peso importante para a saúde da criança. Sabe-se que, entre os dois primeiros anos de vida, ocorrem grandes demandas de crescimento com subsequente requerimento tanto energético, quanto de outros nutrientes (MAHAN et al., 2013). Portanto, veremos a seguir como se dá a atenção nutricional em todas as fases da primeira infância, desde o nascimento até a fase pré-escolar. Segundo Acioly et al. (2009, p.258), a fase ambulatorial do atendimento em saúde básica deve passar pelos seguintes passos: • Avaliação antropométrica; • Queixa principal; • Evolução desde a última consulta; • Dados socioeconômicos; • Desenvolvimento da criança; • Imunização; • Função intestinal; • História alimentar pregressa; • Alimentação atual; • Exames bioquímicos; • Uso de medicamento. 94 Como pudemos perceber, parte deste atendimento poderá ser realizado por nutricionista, ou ainda, os dados coletados por outros profissionais podem auxiliar na construção do diagnóstico do estado nutricional da criança, sendo importante tanto a padronização de técnicas corretas na coleta de dados, quanto o trabalho de equipesmultiprofissionais para melhores resultados. 1.1 Atenção nutricional aos lactentes De acordo com a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), podemos definir a fase da lactação como o período contido entre o nascimento até os dois anos de idade, ou seja, de 0-2 anos. Durante este período, a predominância alimentar é feita através do leite materno ou de fórmulas lácteas, sendo preconizado tanto pela OMS (Organização Mundial de Saúde), quanto pelo Ministério da Saúde, que neste período o bebê seja alimentado através do aleitamento materno. A atenção neste período se dá num duplo processo, pois haverá demandas específicas para o lactente e para a lactante. Chamamos de lactente o bebê que se alimenta exclusiva ou prioritariamente de leite, preferencialmente materno; e de lactante a mãe, que fornece o leite materno ao seu filho. Demandas de calorias aumentadas, consumo de alimentos ricos em macro e micronutrientes, aumento no consumo de líquidos são as principais demandas da lactante, buscando, além de recuperar o corpo da gestação e parto, nutrir o bebê. Segundo Mahan et al. (2013), os bebês perdem em média 6% do seu peso de nascimento nos primeiros dias de vida, e voltam a ganhar peso entre o 7º e 10º dia, sendo as demandas nutricionais de primeira importância neste período, evitando assim quadros de hipoglicemia, por exemplo. Quanto aos benefícios da amamentação para a mãe, podemos citar: • maior vínculo afetivo com o bebê; • menor tempo para regressão do útero (através da liberação de ocitocina); • auxilio na perda de peso pós-parto; • segurança alimentar e nutricional do bebê; • custo benefício do leite materno, entre outros. Já o lactente necessita de calorias, macro e micro nutrientes, anticorpos e outros elementos que favorecerão o seu crescimento, proteção e desenvolvimento adequados, facilmente fornecidos pela amamentação. Além disso, através do leite materno, a relação com um mundo novo começa a aflorar, bem como o desenvolvimento de seu trato gástrico, ainda imaturo para outros alimentos, começa a evoluir para que sua alimentação também possa evoluir com o passar do tempo. O desenvolvimento de boca e demais músculos faciais também sofre um avanço com o aleitamento materno. 95 Figura 1 - Necessidades calóricas na infância Fonte: Adaptado de BRASIL (2013) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela com dados sobre as necessidades de calorias por quilo de peso e por dia, para crianças de 6 meses a 15 anos. São diversos os estudos relacionados ao aleitamento, à composição do leite materno e aos benefícios tanto para a mãe, quanto para o bebê. Entre os benefícios mais citados pelos autores e órgãos oficiais de saúde estão: • a biodisponibilidade de nutrientes; • a composição que favorece a digestão e absorção; • a compatibilidade deste alimento com o sistema digestório ainda imaturo; • os fatores de proteção agregados (que também contribuem para um sistema imunológi- co ainda em formação); • e as questões psicológicas associadas. #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela com dados sobre as necessidades de calorias por quilo de peso e por dia, para crianças de 6 meses a 15 anos. São diversos os estudos relacionados ao aleitamento, à composição do leite materno e aos benefícios tanto para a mãe, quanto para o bebê. Entre os benefícios mais citados pelos autores e órgãos oficiais de saúde estão: a biodisponibilidade de nutrientes, a composição que favorece a digestão e absorção, a compatibilidade deste alimento com o sistema digestório ainda imaturo, os fatores de proteção agregados (que também contribuem para um sistema imunológico ainda em formação) e as questões psicológicas associadas Na atenção primária, o cuidado com lactentes está baseado em alguns quesitos: peso/ganho de peso, altura, curva de crescimento, circunferências corpóreas e parâmetros de crescimento (relação entre altura e peso), sempre baseados nas curvas de crescimento preconizadas pela OMS. Tanto a perda de peso, quanto o excesso de ganho de peso devem ser considerados no atendimento nutricional do lactente, sendo um sinal de alerta nutricional que deverá ser melhor investigado. Questões como aleitamento materno, aleitamento através de fórmulas e suplementação também são pontos fundamentais no acompanhamento do estado nutricional dos lactentes. 96 É preconizada pelo Ministério da Saúde, tanto em cadernos informativos da saúde na infância, quanto no Guia Alimentar para menores de dois anos (BRASIL, 2019), a livre demanda no aleitamento materno, ou seja, o bebê poderá mamar quantas vezes quiser e pelo tempo que quiser, sem horários pré-definidos ou tempo definido de mamada. Além de priorizar o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, que significa que o bebê irá receber apenas leite materno e nenhum outro liquido ou alimento durante este período. O estímulo ao aleitamento ocorre ainda no atendimento pré-natal, mas segue no período de puerpério, sempre protagonizando mãe e filho, com apoio de profissionais de saúde e familiares. Além das retiradas de dúvidas relacionadas ao ato de amamentar, participação em grupos de educação continuada e apoio, bem como disposição da equipe de saúde em auxiliar o processo, distribuição de materiais de informação e apoio fazem parte do acompanhamento de lactentes. O estímulo a este ato de amamentar torna-se significativo, segundo a OMS, devido à superioridade do leite materno em diversos termos, não só de composição nutricional. Sendo este alimento apontado, segundo Mahan et al. (2013) e Vitolo (2008), como: • fator redutor de mortalidade infantil; • prevenção de diarreia; • evita infecções respiratórias; • diminuição no risco de alergias; • diminuição no risco de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT); • melhorias no estado nutricional; • melhor desenvolvimento buco-maxilar; • prevenção do câncer de mama; • auxilio na contracepção; • menor custo financeiro; • formação de vinculo e melhor qualidade de vida tanto para mãe, quanto para o bebê. Porém, no atendimento básico do lactente, outras questões devem ser avaliadas, como dificuldades de aleitamento por parte da mãe, dificuldades de sucção e pega por parte do lactente, doenças que possam impedir o aleitamento materno, condições adversas e baixo desenvolvimento do bebê. O aleitamento através de fórmulas deve ser desestimulado, mas é uma recomendação de 97 profissionais de saúde em alguns casos, como baixo ganho de peso, depressão pós-parto grave, incapacidade de amamentar (coma ou internamento em estado grave de saúde), mastites (que não são uma contraindicação, mas podem causar alterações no sabor do leite, condição dolorosa e rejeição ao ato de amamentar tanto pela mãe quanto pele bebê), nova gestação (não há proibição para amamentação em caso de nova gestação, mas em alguns casos ela pode gerar contrações uterinas e estimular o aborto), uso de medicamento incompatíveis com a amamentação, galactosemia, entre outros. Temos uma classificação, baseada em regulamentações de órgãos federais, dos tipos de fórmulas lácteas, são elas: [...] fórmulas infantis para lactentes: considerando lactentes saudáveis até o sexto mês de vida; fórmulas infantis de seguimento: indicado para lactentes a partir do sexto mês de vida até os 12 meses de idade incompletos, ou seja, 11 meses e 29 dias; fórmulas infantis para crianças de primeira infância: indicado para crianças de um ano até os três anos de idade (MIWA, 2018, p. 138). Lembrando ainda que existe uma rígida regulação de propaganda de alimentos relacionados a primeira infância e a proibição de propagandas que promovam o aleitamento através de fórmulas lácteas, bem como promoções que estimulem a compra de tais produtos, como, por exemplo: na compra de duas latas de fórmula infantil, ganhe uma mamadeira ou bolsa térmica. Em relação a este assunto, cabe à NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes) a regulação dos alimentos da primeira infância,baseados na Lei nº 11.265 (BRASIL, 2006) e a Portaria nº 2.051 (BRASIL, 2009b). Neste sentido a avaliação do estado nutricional da criança, principalmente seu ganho de peso devem ser o ponto chave para indicação ou não de uma fórmula láctea. Este procedimento deve ser realizado por médico ou nutricionista, se possível em trabalho multidisciplinar, com esclarecimentos junto a mãe e acompanhamento da evolução do lactente a longo prazo. A adoção de uma alimentação complementar não exclui a amamentação com leite materno. Muitas mães se queixam de diminuição do leite relacionada a introdução de uma fórmula láctea, porém o manejo de alternância entre os dois métodos de alimentação e a preferência pela oferta do leite materno podem ser boas técnicas para manter a produção de leite materno. FIQUE DE OLHO Você conhece os tipos de aleitamento? São eles: aleitamento materno exclusivo; aleitamento materno predominante; aleitamento materno; aleitamento materno complementado; aleitamento materno misto ou parcial. Saiba mais: https://bvsms.saude. gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf 98 1.2 Atenção nutricional aos pré-escolares e crianças Segundo a OMS, ainda que preconizado o aleitamento exclusivo até os primeiros 6 meses, ele continua sendo importante no decorrer do desenvolvimento da criança: No segundo ano de vida, o leite materno continua sendo importante fonte de nutrientes. Estima- se que dois copos (500 mL) de leite materno no segundo ano de vida fornecem 95% das necessidades de vitamina C, 45% das de vitamina A, 38% de proteína e 31% do total de energia. Além disso, o leite materno continua protegendo contra doenças infecciosas. Uma análise de estudos realizados em três continentes concluiu que quando as crianças não eram amamentadas no segundo ano de vida elas tinham uma chance quase duas vezes maior de morrer por doença infecciosa quando comparadas com crianças amamentadas (Brasil, 2015 apud OMS, 2000, p. 15). Porém, o acesso ao leite materno, devido a demandas externas, pode ser uma preocupação, fato pelo qual muitas mães deixam de fornecer este alimento a seus filhos. Retorno ao mercado de trabalho, dentição, falta de leite e rotina escolar das crianças são comumente apontados como fator decisivo para mudanças na alimentação dos mesmos. Após os primeiros dias de vida, a criança está na fase de lactente, que se estende até o 6º mês, porém muitas mães voltam a trabalhar neste momento ou ainda antes, e muitas crianças passam pelo período de desmame, sendo relatado pela literatura desmames desde os 3 meses de idade. Classifica-se a fase pré-escolar é aquela que compreende entre 2-4 anos, e a fase escolar, que compreende o período em que o bebê passa a ser chamado de criança, compreende a fase entre 5-10 anos (WAMI, 2018). A orientação tanto das equipes de saúde da família, quanto da OMS são de aleitamento materno mesmo sem a presença da mãe, com esgotamento e congelamento do leite para administração através de cuidador (avós, tios, babás ou profissionais de educação), sendo preconizado o uso de colher ou copinho ao invés de mamadeiras. A amamentação pela própria mãe nos períodos de descanso no trabalho é garantida por lei, antes da sua saída e após sua chegada. Sendo as demais mamadas provenientes do leite materno extraído, congelado e reaquecido. Neste sentido, após o 6º mês será iniciada a transição do aleitamento exclusivo para o aleitamento misto. Serão introduzidos novos alimentos em concomitância com a administração do leite materno. A atenção neste sentido deve ser dada tanto à quantidade de alimentos ingeridos, quanto à qualidade desses alimentos, respeitando o amadurecimento fisiológico da criança. Questões importantes como o consumo de água devem ser observadas, pois para crianças em aleitamento materno exclusivo não há consumo de água, porém com o desmame será necessário para suprir as necessidades diárias em outras fontes além do leite materno. 99 Figura 2 - Necessidades diárias de água na infância Fonte: Mahan et al. (2013) #ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela com dados sobre as necessidades diárias de ingestão de água, desde os 6 meses até os 14 anos. Percebam que a quantidade de água que deverá ser consumida diminui com o avanço da idade, este fato se dá pois, com a introdução de novos alimentos, o acesso a água nestes alimentos aumenta, complementando as necessidades diárias. Condições de diarreia ou outras que possam propiciar a perda de líquidos devem ser monitoradas para que não haja desidratação. Olhos, pele, boca e demais mucosas são formas aparentes de verificar a hidratação em crianças, sendo pontos de observação tanto para pais, quanto para profissionais de saúde. Em relação à alimentação complementar, ou seja, aquela que irá propiciar uma boa condição nutricional à criança após o desmame, o Ministério da Saúde preconiza as seguintes ações: “a alimentação complementar deve prover suficientes quantidades de água, energia, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, por meio de alimentos seguros, culturalmente aceitos, economicamente acessíveis e que sejam agradáveis à criança” (BRASIL, 2015, p. 95). Após os 6 meses, a criança já começa a apresentar maturidade para a ingestão de outros alimentos, que deve começar de maneira lenta e gradual e ir evoluindo de acordo com o Guia alimentar para menores de 2 anos (BRASIL, 2019). Os sinais de que a criança já é capaz de se alimentar são: • manter a cabeça erguida; • contato visual e reação aos alimentos; • capacidade de mexer e segurar com braços e mãos; • surgimento dos primeiros dentes; • desenvolvimento do paladar. A comida que é oferecida à família, se for saudável e adequada, também pode ser oferecida à criança, segundo o Guia alimentar para menores de 2 anos (BRASIL, 2019). Deve-se respeitar as quantidades 100 ideais para a idade, a consistência que deve evoluir de uma papa amassada com o garfo para pedacinhos no decorrer do tempo, e a não adição de sal ou açúcar, com adição mínima de gorduras. Outra recomendação do guia é fazer da base da alimentação da criança os alimentos in natura e minimamente processados, evitando fornecer alimentos processados e ultraprocessados, ricos em sal e açúcar, corante e conservantes. O sucesso desta fase depende da paciência de quem acompanha a criança nos momentos de alimentação. Ofertar diversas vezes o mesmo alimento, variar a dieta, fazer uso de alimentos in natura, não adicionar sal ou açúcar, estimular a capacidade alimentar da criança, tornando os alimentos acessíveis, seja em localização ou forma de servimento, são algumas das orientações que devem ser prestadas durante este período. 2. IDENTIFICAÇÃO E MANEJO DE DESVIOS DO ESTADO NUTRICIONAL E ACONSELHAMENTO NUTRICIONAL DURANTE A FASE DE ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR E DESMAME Cabe aos profissionais de saúde envolvidos no atendimento de crianças saber identificar e manejar as situações de desvio nutricional que podem ocorrer na infância. Dificuldade de aceitação da alimentação e birra são as principais queixas de familiares que acompanham este momento, mas existem outras situações que podem gerar problemas nutricionais na infância. A desnutrição na infância é uma das maiores causas de mortalidade infantil, sendo associada a fatores sociais como baixa renda, condições precárias de moradia e situação financeira debilitada. Uma das agendas públicas mais difundidas pela OMS é a atenção primária voltada para a alimentação na infância, combate à mortalidade infantil e desnutrição. Sabe-se que cuidados neste sentido podem gerar quedas nos índices de mortalidade e ainda melhorias na qualidade de vida desta população, com reflexos até a idade adulta e velhice. Segundo estudos da OMS, desnutrição, anemia, hipovitaminoses, déficit de crescimento e obesidade têm sido apontados como os desvios nutricionais mais comuns na primeira infância (BRASIL, 2015). Estudos realizados em 2009 pelo Ministério as Saúde apontaram paramá qualidade da alimentação das crianças brasileiras, com alto consumo de alimentos ultraprocessados (salgadinhos, guloseimas e bebidas açucaradas), em relação ao baixo consumo de alimentos in natura, principalmente frutas e verduras (BRASIL, 2009a). Tendo sido assumida, nos últimos anos, a saúde da criança com foco na alimentação como meta de diversos governos. 101 2.1 Identificação de desvios do estado nutricional na infância Identificar de maneira correta os desvios nutricionais na infância pode ser um fator decisivo no desenvolvimento da criança. Sabe-se, por exemplo, que, além de baixo peso, a longo prazo, a desnutrição pode causar baixa estatura, menor aproveitamento escolar e até infertilidade na vida adulta. Assim como a obesidade em crianças, que pode levar à DCNT (Doenças Crônicas Não-Transmissíveis) a médio e longo prazo, como diabetes, hipertensão e hipercolesterolemia. Todas estas questões influenciam tanto no desenvolvimento físico, quanto psicológico e mental das crianças. Anemia e Hipovitaminose A juntas formam uma pandemia de deficiência nutricional em crianças de todo mundo, sendo prevalentes no Brasil. O acompanhamento de índices de crescimento, como peso, altura, circunferência da cabeça, e suas respectivas conferências em curvas de crescimento da OMS, são importantes, mas devem ser aliados à observação de sinais e sintomas de anemia e hipovitaminoses, bem como o requerimento de exames bioquímicos em casos que despertem o alerta nutricional, com claros sinais de desnutrição. Pele, cabelos, mucosas e olhos, por exemplo, podem fornecer sinais importantes destes desvios nutricionais e devem ser avaliados em consultas de acompanhamento das crianças, além das verificações antropométricas de rotina. Também é relevante a participação de pais, familiares e cuidadores em palestras e ações de educação continuada que possam esclarecer dúvidas sobre a alimentação e condições nutricionais adversas nesta fase. 2.2 Manejo e aconselhamento nutricional na Infância Nem sempre as crianças estarão presentes em consultas de rotina nas unidades de saúde, sendo importante orientar qualquer familiar que esteja participando da alimentação deles. Grupos de apoio que são preconizados no pré-natal deverão manter suas formações de atores sociais, ampliando a gama de assuntos abordados e promovendo a participação de todos na rede pública básica de atenção à saúde. As pautas das ações nos postos de saúde podem incluir dificuldades na amamentação, alimentação da mãe neste período, transição ou introdução alimentar, o Guia alimentar para menores de dois anos, alimentação e a vida escolar, entre outros. As relações entre saúde e educação devem se estreitar para que se cumpram as bases da educação alimentar e nutricional. A escola tem papel fundamental neste processo, tendo em vista que muitas das crianças nesta fase estarão em ambiente escolar durante a maior parte do dia. Em escolas públicas, o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) traz diretrizes de estímulo a uma alimentação saudável e adequada, prevendo inclusive a fase de transição. Através de diretrizes, de cardápios elaborados por nutricionista, de compras da agricultura familiar, avaliação nutricional e ações 102 de educação alimentar e nutricional busca-se cumprir os parâmetros de segurança alimentar e nutricional brasileiros. Em escolas particulares, o acompanhamento dos pais junto à alimentação, verificando cardápios, locais de alimentação e inclusive acompanhando algumas das refeições do filho nos primeiros dias será de suma importância. Os processos de escuta e aconselhamento dos profissionais de saúde neste momento também são decisivos, sendo necessário entender a dinâmica familiar, tendo e dando acesso a informações confiáveis e esclarecendo as dúvidas que possam surgir, bem como continuar com o acompanhamento do estado nutricional da criança. 3. CARACTERÍSTICAS DA IDADE PRÉ-ESCOLAR, NECESSIDADES NUTRICIONAIS NA IDADE PRÉ- ESCOLAR, AVALIAÇÃO NUTRICIONAL E GUIA ALIMENTAR PARA IDADE PRÉ-ESCOLAR Sabemos que, desde o nascimento, o ambiente alimentar é de suma importância no desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis e adequados. Os pais têm uma grande influência nas escolhas alimentares de seus filhos, mas, na idade pré-escolar, para aquelas crianças que frequentam o ambiente escolar, são muitas as influências na alimentação, incluindo até a mídia e a propaganda neste processo. Toda e qualquer pessoa que esteja envolvida na alimentação de crianças influencia de alguma maneira o modo de se alimentar daquela criança. E essas influências irão perdurar por toda a vida, sendo importante que sejam fundamentadas em hábitos saudáveis que possam promover um estado nutricional adequado. FIQUE DE OLHO O PNAE atende crianças de várias faixas etárias, matriculadas na rede pública de ensino, fornecendo alimentação escolar. A lei nº 11.947/2009 (BRASIL, 2009c) e a Resolução FNDE nº 26/2013 regulam alimentação nas escolas públicas, conhecê-las poderá facilitar o entendimento sobre alimentação infantil no ambiente escolar. 103 Respeitar as necessidades nutricionais na infância, realizar acompanhamento do estado nutricional tanto na saúde básica quanto na escola, assim como promover ações de educação alimentar e nutricional são meios de obter segurança alimentar e nutricional nesta fase, fomentando o desenvolvimento ideal das crianças. Com o avanço da idade, as visitas aos postos de saúde diminuem e muitas vezes se realizam em momentos de campanhas de vacinação, sendo necessário estreitar as relações com a comunidade, a fim de garantir o atendimento a este público em outras oportunidades e estimular o acompanhamento do estado de saúde das crianças. Um bom exemplo de parceria que pode gerar bons resultados é o programa Saúde na Escola, que realiza avaliação do estado nutricional das crianças em idade pré-escolar e escolar, em parceria entre postos de saúde e unidades escolares. Figura 3 - Alimentação na escola Fonte: MONKEY BUSINESS IMAGES, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra várias crianças sorrindo e comendo sanduíches e frutas, aparentam estar lanchando na escola. 3.1 Nutrição na idade pré-escolar, escolar e guias alimentares Para que seja alcançada uma saúde nutricional adequada na infância, importa conhecer as necessidades nutricionais neste período. Percebemos anteriormente que as demandas de nutrientes se alteram com o passar do tempo, assim como a própria alimentação, que começa com aleitamento e segue na introdução e consolidação de uma alimentação idêntica à da família. Segundo Mahan et al., “as necessidades nutricionais de uma criança refletem as taxas de crescimento, a energia gasta em atividades, as necessidades metabólicas basais e a interação dos nutrientes consumidos” (2013, p. 764). Podemos dividir essas necessidades em nutrientes e garantir assim a nutrição adequada deste público. 104 Figura 4 - Necessidades alimentares na idade pré-escolar Fonte: Adaptada de Mahan et al. (2013); Miwa (2018). #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro que mostra as quantidades diárias dos nutrientes, e a porcentagem que essas quantidades representam, por faixa etária. Ainda neste sentido, além de conhecer as necessidades alimentares das crianças nesta fase, cabe identificar outros documentos que auxiliem na formação de conceitos, que poderão nortear uma alimentação saudável. O Caderno nº 23 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2015) traz informações sobre a rotina alimentar das crianças, com exemplos de alimentos e divisão por faixas etárias, facilitando a orientação de profissionais de saúde e o desenvolvimento das refeições por parte de pais, familiares ou cuidadores. Figura 5 - Recomendações nutricionais na infância Fonte: Brasil (2015) 105 #ParaCegoVer: A imagem mostra um quadro com a descrição dos tipos de alimentação complementar, desde os 6 meses até 24 meses. O guia alimentar para menores de dois anos traz 10 passos parauma alimentação saudável e adequada para este público, sendo uma fonte de informação segura e de qualidade tanto para profissionais, quanto para pais, familiares e cuidadores no desenvolvimento de uma rotina alimentar que garanta o crescimento e saúde das crianças. Sabendo-se que ambiente, questões culturais, propaganda de alimentos, acesso aos alimentos, e rotina escolar podem influenciar a alimentação das crianças, é papel de toda a sociedade tornar o ambiente alimentar das crianças seguro, saudável e adequado. É papel do nutricionista conhecer os documentos norteadores de uma alimentação saudável. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3.2 Avaliação nutricional na idade pré-escolar Utilizar os marcadores do Ministério da Saúde na avaliação nutricional de crianças na idade pré- escolar é a garantia para um bom diagnóstico da saúde nutricional para esse público. Além de conhecer os métodos, saber coletar e interpretar estes dados é fundamental para um diagnóstico seguro. O uso de POPs (Procedimentos Operacionais Padronizados), comuns em cozinhas industriais, pode ser um meio de padronizar a coleta de dados antropométricos. Estes dados podem ser coletados por nutricionistas, mas também por outros profissionais, como educadores físicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem, professores, sendo importante para o resultado da avaliação que estes dados sejam fidedignos. Em bebês, por exemplo, a retirada de toda a roupa, inclusive a fralda pode representar uma grande diferença no peso. Em crianças maiores não há a necessidade de retirada de toda a roupa, podendo a 106 criança ficar com roupas leves, mas sem os sapatos, que podem representar um acréscimo de peso. Crianças menores deverão ser pesadas deitadas, mas as maiores podem ficar de pé na balança. O estado nutricional diz muito sobre a saúde de um indivíduo, e no período da infância ele é bastante mutável. Além da alimentação, outros fatores podem influenciar no estado nutricional das crianças. Através da avaliação nutricional, podemos verificar se peso e altura, ou seja, o desenvolvimento das crianças está dentro dos padrões esperados. Em caso de déficit identificado precocemente, o tratamento adequado poderá minimizar os danos. Antropometria, exames bioquímicos, anamnese ou entrevista e avaliação de consumo alimentar podem fazer parte desta avaliação. Segundo a padronização tanto da OMS, quanto do Ministério da Saúde, e informações da Sociedade Brasileira de Pediatria, acompanhamento de peso e altura devem fazer parte do acompanhamento periódico de crianças na atenção básica de saúde. Para que este atendimento possa ficar registrado e ainda utilize os parâmetros mundiais, curvas de crescimento e cartão da criança são fornecidos aos pais e devem ser preenchidos pelos profissionais de saúde a cada visita à unidade de saúde. Durante os primeiros períodos do recém-nascido, o principal marcador é o peso, sendo esperado um ganho de 20 a 40 g/dia (MIWA, 2018). Já no período seguinte, dos 6 meses até os 2 anos, os marcadores compreendem peso, altura e circunferência da cabeça, que representa o crescimento cerebral característico da idade. Após os 2 anos, peso e altura são as aferições mais comuns, sendo possível calcular IMC (Índice de Massa Corpórea) e coletar dados de pregas cutâneas para avaliação de gordura corporal. Lembrando que a formula para cálculo de IMC é: IMC = Peso (kg)/Altura2 (mts) Fonte: Vitolo (2008). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 107 4. ESTUDOS DE SITUAÇÕES ESPECIAIS, ENVOLVENDO CRIANÇAS E CUIDADO NUTRICIONAL A infância é repleta de descobertas e adaptações. Nesta fase, as novidades podem advir de comportamentos relacionados à individualidade das crianças, que começam a se manifestar, ou até mesmo doenças que não haviam sido diagnosticadas nos primeiros momentos de vida. Cabe ao nutricionista conhecer melhor quais as situações de déficit nutricional que podem causar doenças, e quais os desvios nutricionais causados por determinadas doenças. A desnutrição, por exemplo, tanto pode ser causada por ingestão inadequada de nutrientes, quanto por diarreias prolongadas, distúrbios enzimáticos ou na absorção dos nutrientes. Por sua vez, a desnutrição, a longo prazo, irá gerar crescimento menor do que o esperado e baixa estatura. Avaliação do estado nutricional e acompanhamento, bem como estímulo ao comparecimento rotineiro aos postos de saúde, poderá ser o diferencial na saúde da criança neste período, devendo ser preconizado por todos os profissionais da equipe multiprofissional. 4.1 Fatores de atenção à saúde nutricional na infância Refluxos gastresofágicos, alergias e intolerâncias alimentares também se relacionam diretamente com o estado nutricional das crianças. Muitas vezes, a suspensão de determinados nutrientes, como é o caso da intolerância à lactose - causada por falta ou déficit na enzima lactase, que causa desconfortos relacionados ao trato gastrointestinal, podendo provocar erupções cutâneas - requer a suspensão de leite e derivados que contenham lactose. A não observação destas condições pode gerar danos à saúde nutricional de criança. O atendimento precoce, com estrita avaliação da saúde nutricional, acompanhamento e prescrição dietética das necessidades especiais são um fator decisivo para que problemas relacionados à alimentação não causem danos à saúde das crianças. As orientações repassadas aos responsáveis pela criança deverão ser claras para que possam ter adesão. Podemos imaginar, como citamos acima, uma criança com intolerância à lactose. Ela pode ser confundida com uma alergia à proteína do leite, por exemplo, situação em que será necessário a retirada da proteína do leite e não da lactose. Se nas orientações nutricionais para aqueles que estão diretamente ligados à alimentação da criança, não ficar claro qual o diagnóstico, e quais os alimentos que contêm o nutriente a ser retirado, bem como como manejar este tipo de dieta, pode ser que seja administrada uma alimentação sem leite, mas com outros alimentos que contenham leite em sua formulação, como biscoitos e bolos. Causando assim desconforto e alterações nutricionais. 108 A obesidade também é um fator preocupante em relação à saúde nutricional das crianças, ela pode gerar danos futuros, expor a criança a uma DCNT, além de práticas de bullying em ambientes escolares. O Brasil tem passado por uma transição nutricional, se antes os casos de desnutrição eram prevalentes, agora temos inúmeros casos de sobrepeso e obesidade na infância. Não são recomendadas dietas restritivas neste período, mas sim o controle da qualidade da alimentação fornecida, os porcionamentos, a frequência da alimentação, bem como o incentivo à prática de atividades físicas e acompanhamento da evolução do estado nutricional por profissionais de saúde. 4.2 Situações especiais, diagnóstico e tratamento Falta de apetite, dificuldade em aceitar novos alimentos, a chamada fobia alimentar, birra e alimentação seletiva são outras questões relacionadas à alimentação na infância que devem despertar a atenção dos profissionais de saúde, em especial os nutricionistas. Um bom processo de anamnese (entrevista), investigação e escuta ativa podem fornecer dados que auxiliarão tanto no diagnóstico como no tratamento destas situações. Através desta investigação, o verdadeiro motivo para estes distúrbios pode ser encontrado e o melhor tratamento escolhido (PALMA et al., 2009). Nem sempre o nutricionista conseguirá resolver o problema sozinho, muitas vezes, sendo necessário o encaminhamento para outros profissionais, como fonoaudiólogo, médicos especialistas e psicólogos. A DEP (desnutrição energético proteica) já foi um dos panoramas mais assoladores da condição nutricional da infância no Brasil. Ela pode ser classificada, segundo Mawi, como: “Kwashiorkor: deficiência predominantemente proteica; Marasmo: deficiência energético-proteica equilibrada; Kwashiorkor marasmático: forma mista em que existea deficiência energética e proteica, porém desequilibrada” (2018, p. 187). Apesar de sua prevalência ter diminuído nos últimos anos, em determinadas regiões do Brasil este problema ainda persiste. Avaliação precoce e acompanhamento, bem como políticas públicas podem ser fortes aliados no tratamento desta situação. A desnutrição pode variar de leve a grave, sendo caso de internamento quando em parâmetros de maior gravidade. Reposição dos principais nutrientes através de soro e suplementos sintéticos, com evolução para alimentação são alguns dos tratamentos possíveis. Acompanhamento psicossocial da situação familiar da criança também pode gerar melhorias no quadro. A falta de apetite pode estar relacionada tanto a características psicológicas das crianças, quanto a outras enfermidades como feridas na boca, desconforto gástrico, gripes e estados febris (PALMA et al., 2009). Ela pode ser transitória ou se estender por mais tempo, sendo necessária a observação do consumo alimentar da criança nestes períodos. Os profissionais de saúde deverão verificar o consumo alimentar, através de ganho de peso e inquérito alimentar, pois, 109 além de verificar o crescimento, será possível verificar a qualidade da alimentação consumida e a frequência. Os grupos de apoio, nas unidades de saúde, deverão abordar estes assuntos, seus sinais e sintomas, as condições que promovem estes estados e ainda quais as recomendações para que possam ser sanadas estas dúvidas. Os trabalhos em grupo promovem além de conhecimento, a troca de experiencias entre pais e cuidadores, sendo bastante benéfica. No atendimento individual, antropometria (peso, altura e IMC); verificação do histórico de saúde; escuta da rotina alimentar e queixas dos acompanhantes da criança em questão; avaliação de todos os dados coletados; e decisão da conduta devem fazer parte da rotina de atendimento nas unidades de saúde. Segundo o Guia alimentar (BRASIL, 2019), fazer da base da alimentação das crianças, desde a introdução alimentar, os alimentos in natura e minimamente processados trará benefícios a curto e longo prazo. Uma alimentação variada, com pouco ou nenhum consumo de ultraprocessados ou processados, que apresentam grandes quantidades de calorias, sal, açúcar e gorduras, poderá sanar problemas como obesidade, constipação, má alimentação, desnutrição, anemia, entre outros. 5. POLÍTICAS DE SAÚDE E ALIMENTAÇÃO BRASILEIRAS FOCADAS NO GRUPO MATERNO- INFANTIL E CÁLCULO E INTERPRETAÇÃO DE INQUÉRITO ALIMENTAR APLICADO À AVALIAÇÃO DE GESTANTES E CRIANÇAS O Brasil, no decorrer dos anos, desenvolveu diversos aparatos jurídicos para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada, um direito fundamental. Estes aparatos preveem a garantia de uma alimentação saudável e adequada, seguindo os parâmetros da segurança alimentar e nutricional. São norteadores destas ações para formulação de políticas públicas, a Constituição Federal de 1988, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição e a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional. Na infância, algumas políticas têm como foco a alimentação e nutrição. Estas políticas estão ligadas ao atendimento básico de saúde, englobando ações que fomentem e protejam a alimentação saudável e adequada, políticas de estímulo ao aleitamento materno, políticas de suplementação de nutrientes, e a política nacional de alimentação escolar, que prevê o fornecimento de alimentação saudável e adequada a todos os alunos da rede básica pública de educação. 110 Figura 6 - Alimentação em família Fonte: YUGANOV KONSTANTIN, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra uma mulher adulta e uma criança deitadas de bruços, apoiadas sobre os cotovelos, com garfos nas mãos, comendo frutas picadas em uma tigela. 5.1 Nutrição e políticas públicas materno-infantis Cabe aos nutricionistas conhecer estas políticas, verificar seu público alvo, em que âmbito são efetivadas (federal, estadual e municipal ou regional), quais as diretrizes destas políticas, seja pelas leis que as regulam ou pelos cadernos orientativos dos ministérios responsáveis. O PAISC (Programa de Atenção Integral à Saúde da Criança) foi uma das primeiras propostas do Ministério da Saúde relacionado a este público. Com intuito de atenção global, prevê ações em todas as áreas, inclusive nutrição. As políticas de atenção à infância têm ainda foco na atenção materna, já que, do estado de saúde desta população, deriva a saúde da população infantil. É o caso da desnutrição, que, em casos de desnutrição materna, pode gerar casos de desnutrição infantil, com nascimento de bebês com baixo peso. Segundo Accioly et al. (2009, p. 20), a PAISC tem ações em: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento; aleitamento materno e alimentação complementar; assistência e controle de IRA (infecções respiratórias agudas); controle das doenças diarreicas e imunização. A Assistência Integral às Doenças Prevalentes na Infância é outra ação da qual derivam políticas públicas para este público, seguindo as recomendações da OMS e UNICEF. Já os programas de atenção à saúde da mulher são os responsáveis por ações como imunização, atendimento no pré-natal e puerpério, suplementações vitamínicas, atenção ao parto e aleitamento materno. Os programas de atenção à saúde da criança preveem acompanhamento nutricional, imunização, suplementação de vitaminas e minerais, controle de desnutrição e obesidade, entre outros. 111 Dentre as principais ações tanto na fase da gestação quanto na infância, podemos citar: · Programa Nacional de Suplementação de Ferro; · Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A; · Programa de Combate a Deficiência de Iodo; · Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN); · Promoção da Alimentação Saudável (Guias Alimentares e demais ações); · Pesquisas de saúde nutricional da população (Estudo Nacional de Nutrição Infantil); · Programa Nacional de Alimentação Escolar; · Rede cegonha; · Programa de Atenção à Saúde da Mulher; · Programas de transferência de renda. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 5.2 Cálculo nutricional e inquérito alimentar na gestação e infância Saber realizar cálculos nutricionais e inquéritos alimentares, tanto na infância quanto na gestação, são atribuições do nutricionista. Destes dados dependem parte do diagnóstico nutricional e elaboração de uma estratégia de ação relacionada à alimentação e nutrição. Durante a gestação, além de conhecer as recomendações de macro e micronutrientes para 112 cada fase, também se faz necessário realizar o cálculo de gasto energético para este público. A fórmula a seguir define como realizar este cálculo: GE = TMB x AF Gasto Energético = Taxa Metabólica Basal x Fator Atividade física VET = GE + Adicional de Energia Valor energético total = gasto energético + adicional de energia para idade gestacional Fonte: Vitolo (2008); Mello (2012). Na infância, não existem fórmulas específicas para cálculo de consumo de nutrientes baseados em calorias, porém podemos usar a mesma fórmula referida para adultos, verificando que os padrões de atividades física relacionados as crianças são: • dormindo ou predominantemente deitado – 1,0; • atividades muito leves – 1,3 a 1,5; • atividades leves – 1,6 a 2,5; • atividades moderadas e intensas – 2,5 a 5,0 (Vitolo, 2008, p. 193). Ainda segundo a autora, “esses valores citados não se referem ao fator atividade diária, e sim a atividade desenvolvida. Devem-se multiplicar as horas de cada atividade até somar 24h, multiplicar por cada valor de acordo com a atividade e dividir por 24h” (VITOLO, 2008, p. 193). A grande dificuldade nesta fase se concentra nos inquéritos alimentares, sendo que os responsáveis pela alimentação das crianças é que realizarão o preenchimento de acordo com a observação. Este processo pode ser dificultado pois, além dos cuidadores poderem ser múltiplos - como por exemplo uma criançaque fica com a mãe no período da manhã, na creche no período da tarde e com a avó ou pai no período da noite -, as percepções da quantidade consumida podem ser super ou subestimadas de acordo com quem as relata. As anotações deverão poder mensurar as quantidades consumidas com base na observação atenta e podem ser norteadas por manuais de quantificação alimentar. Em caso de alimentação realizada através do aleitamento materno, as quantificações podem ser ainda mais complicadas, sendo verificadas através do tempo de mamada, intervalo entre elas, “quantidade de fraldas molhadas e evacuações, além de verificação do ganho de peso” (VITOLO, 2008, p. 183). 113 As crianças podem ser avaliadas em conjunto com mãe, pai ou cuidadores habituais, sendo que, até os 7 anos de idade, os responsáveis pelo fornecimento de dados são os adultos que acompanham a criança, após esta fase, ou seja, depois dos 8 anos de idade, a criança pode relatar seu consumo e ser auxiliada neste relato pelos responsáveis. Já na fase da adolescência, é importante tentar coletar estes dados diretamente com o paciente. Devido ao fato de crianças variarem seu apetite de acordo com questões que vão além do habito alimentar, convém investigar o consumo alimentar com mais de um método de inquérito. Solicitar um recordatório de 24 horas pode não ser totalmente suficiente se a criança estiver com febre, indisposta ou fora de sua rotina normal no dia da coleta. Neste caso, seria interessante um inquérito alimentar que possa verificar, por exemplo, de três a quatro dias de alimentação (VITOLO, 2008). FIQUE DE OLHO Você conhece o Manual Fotográfico de Quantificação Alimentar Infantil? Ele pode ser uma boa ferramenta de inquérito alimentar para crianças. https://enani.nutricao.ufrj.br/ wp-content/uploads/2019/06/Manual-quantificacao-alimentar-infantil-BR.pdf 114 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender quais as metodologias de atendimento nutricional relacionadas à fase de lactentes, idade pré-escolar e crianças, na atenção básica, através de norteadores de saúde baseados tanto no Ministério da Saúde, quanto na Organização Mundial da Saúde; • identificar o manejo dos principais desvios nutricionais, como desnutrição, obesidade e situações especiais relacionadas à alimentação, ou ainda, doenças que interfiram na nutrição das crianças; • conhecer mais sobre a nutrição nas principais fases da infância, com quantidades de ingestão de nutrientes, necessidades nutricionais de cada fase e a importância dos Guias alimentares, como é o caso do Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos; • aprofundar seus conhecimentos sobre as situações especiais, desde o aleitamento materno até a fase pré-escolar, como seletividade alimentar, birra e outras situações que envolvem a alimentação na infância; • explorar os conhecimentos acerca das políticas públicas que se relacionam com a alimentação na infância e gestação, entendendo mais sobre a interpretação de inquéritos alimentares, cálculos nutricionais e avaliação nutricional. PARA RESUMIR ACCIOLY, E. et al. Nutrição em Obstetrícia e Pediatria. 2ª ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2009. 649p. BRASIL. Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 set. 1990. Seção 1. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080. htm>. Acesso em: 28 de fev. de 2020. BRASIL. LEI Nº 11.265, DE 3 DE JANEIRO DE 2006. Regulamenta a comercialização de alimentos para lactentes e crianças de primeira infância e também a de produtos de puericultura correlatos. Brasília, 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11265.htm. Acesso em: 12 mar. 2020. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil, aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2009a. (Série A. Normas e Manuais Técnicos - Cadernos de Atenção Básica, n. 23). BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. A legislação e o marketing de produtos que interferem na amamentação: um guia para o profissional de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009b. BRASIL. LEI Nº 11.947, DE 16 DE JUNHO DE 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica; altera as Leis nos 10.880, de 9 de junho de 2004, 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, 11.507, de 20 de julho de 2007; revoga dispositivos da Medida Provisória no 2.178-36, de 24 de agosto de 2001, e a Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá outras providências. Brasília, 2009c. 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O livro Nutrição materno infantilé direcionado para estudantes de cursos de nutrição. Após a leitura da obra, o leitor vai aprender sobre a fisiologia e as repercussões nutricionais diabetes e hipertensão gestacionais; conhecer os motivos pelos quais o aleitamento materno é superior a outros métodos de nutrição infantil e como estimular o aleitamento; saber as definições e terminologias mais utilizadas na área da saúde materno-infantil; aprofundar os conhecimentos sobre os aspectos relacionados aos ajustes fisiológicos e riscos para a saúde da mulher durante o período gestacional; apreender informações importantes sobre a dieta de gestantes na promoção de uma gestação saudável, com influência na saúde da mãe e do bebê; descobrir os métodos para realizar a avaliação de consumo alimentar, tanto de maneira qualitativa quanto de maneira quantitativa. E não é só isso. Tem muito mais. O livro tem muito conteúdo relevante. Aproveite. Agora é com você! Bons estudos!