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CAPíTULO 6 • Decorrências da Teoria das Relações Humanas 119 É o impulso de realizar o próprio potencial e de es tar em contínuo autodesenvolvimento. 3. Ciclo motivacional A partir da Teoria das Relações Humanas, todo o acervo de teorias psicológicas a respeito da motiva ção humana passou a ser aplicado dentro das orga nizações. O comportamento humano é motivado. A motivação é a tensão persistente que leva o indiví duo a alguma forma de comportamento visando à satisfação de uma ou mais necessidades. Daí o con ceito de ciclo motivacional: o organismo humano permanece em estado de equilíbrio psicológico (equi líbrio de forças psicológicas, segundo Lewin), até que um estímulo o rompa e crie uma necessidade. Essa necessidade provoca um estado de tensão em substituição ao estado de equilíbrio anterior. A ten são conduz a um comportamento ou ação para al cançar a satisfação da necessidade. Quando a neces sidade é satisfeita, o organismo retom:'\ a.:;eu estado \ "'. de equilíbrio inicial até que outro estímulo sobreve- nha. Toda satisfação representa uma liberação de tensão ou descarga tensional. 4. Frustração e compensação A satisfação das necessidades nem sempre é plena mente alcançada. Pode existir uma barreira ou obs táculo que impeça a satisfação da necessidade. Toda vez que a satisfação é bloqueada por uma barreira, ocorre frustração. A frustração impede que a tensão existente seja liberada e mantém o estado de dese quilíbrio e tensão. Além da satisfação ou frustração da necessidade, o ciclo motivacional pode ter uma terceira solução: a compensação ou transferência. A compensação (ou transferência) ocorre quando o indivíduo tenta satisfazer uma necessidade impossível de ser satisfei ta, através da satisfação de uma outra necessidade complementar ou substitutiva. Assim, a satisfação de outra necessidade aplaca a necessidade mais im portante e reduz ou evita a frustração. Dessa forma, as necessidades humanas podem ser satisfeitas, frus tradas ou compensadas. ~ DICAS Transferências ecompensações As necessidades fisiológicas quase não têm corn pensações ou substitutos: a fome só se satisfaz com alimentação e a sede somente com a inges tão de líquidos. As necessidades psicológicas e de auto-realização envolvem objetivos mais flexí veis e permitem transferências e compensações. A necessidade de prestígio pode ser satisfeita pelo social, sucesso profissional ou pelo poder dinheiro. Toda necessidade não-satisfeita é motivadora de comportamento. Quando uma necessidade não é » Figura 6.1. Etapas do ciclo motivacional resultando em satisfação da necessidade. 120 Introdução à Teoria Geral da Administração· IDALBERTO CHIAVENATO Equilfbrío Figura 6.2. Ciclo motivacional resultando em frustração ou compensação. IIII Características do moral ,o moral é o responsável pelas atitudes da.s péSSQ as. Atitude é uma postura ou julgamento quanto li objetos, pessoas ou situações que predispõem as pessoas a um determinado tipo de comportamen to. O moral elevado é acompanhado de atitude de interesse, identificação, aceitação, entusiasmo e im pulso positivo em relação ao trabalho, além da di minuição de problemas de supervisão e disciplina. O moral elevado estimula a colaboração, pois essa se apóia em uma base psicológica na qual predo mina o desejo de pertencer e a satisfação de traba lhar em grupo, O moral elevado depende do clima de relações humanas que se desenvolve quando há um entrosamento entre a organização formal e a organização informal, comunicações de boa quali dade e um nível de supervisão satisfatório. Por outro lado, o moral baixo é aCI:Jmpal!1h~ldo por atitudes de desinteresse, pe:>sirnismo e apatia com ~ DICAS tisfazer a alguma necessidade individual. Daí decorre o conceito de moral. A literatura sobre o moral dos empregados teve início com a Teoria das Relações a. Desorganização do comportamento. A condu ta da pessoa frustrada pode se tornar repenti namente ilógica e sem explicação aparente. b. Agressividade. A pessoa frustrada pode tor nar-se agressiva. A liberação da tensão acumu lada pode ocorrer por meio de agressividade física, verbal, simbólica etc. c. Reações emocionais. A tensão retida pela não satisfação da necessidade pode provocar for mas de reação, como ansiedade, aflição, esta dos de intenso nervosismo, insônia, distúrbios circulatórios, digestivos etc. d. Alienação e apatia. O desagrado pela não-satis fação da necessidade pode ocasionar reações de alienação, apatia e desinteresse pelo alcan ce dos objetivos frustrados como mecanismo inconsciente de defesa do ego. Para os autores humanistas. a motivação é o impulso de exercer esforço para o alcance de objetivos orga nizacionais desde que também tenha condição de sa- 5. Moral e dima organizacional satisfeita dentro de um tempo razoável, ela passa a ser um motivo frustrado. A frustração pode condu zir a reações comportamentais, como: Daí. a importância de evitar a frustração no com ponamemo das pessoas. CAPíTULO 6· Decorrências da Teoria das Relações Humanas 121 Humanas.6 O moral é um conceito abstrato, intangí vel, porém perfeitamente perceptível. Na verdade, é uma decorrência do estado motivacional das pessoas provocado pela satisfação ou não das suas necessida des individuais. Na medida em que as necessidades das pessoas são satisfeitas pela organização, ocorre elevação do moral. Na medida em que as necessida des das pessoas são frustradas pela organização, ocorre abaixamento do moral. Via de regra, o moral é elevado porque as necessidades individuais encon tram meios e condições de satisfação. O moral é bai xo porque elas encontram barreiras que impedem sua satisfação e provocam a frustração. Do conceito de moral decorre o conceito de cli ma organizacional. O clima representa o ambiente psicológico e social que existe em uma organização e que condiciona o comportamento dos seus mem bros. O moral elevado conduz a um clima recepti vo, amigável, quente e agradável, enquanto o moral baixo quase sempre provoca um clima negativo, ad verso, frio e desagradável. EXERCíCIO A motivação na Mayerlinck Carlos Siqueira é gerente do Departamento de Vendas da Mayerlinck. Dirige cerca de 15 vendedores, dois assessores de vendas e dois auxiliares internos de apoio. Em recente reunião da diretoria, Carlos foi in cumbido de aumentar em 12% as vendas da empresa no decorrer do ano. A meta é ambiciosa e o seu princi pal desafio é saber como motivar seu pessoal e canali zar os esforços da equipe na direção correta. Em sua mesa de trabalho, Carlos está imaginando as necessi dades humanas que deveriam ser priorizadas para po der realizar sua meta por meio dos vendedores. Como montar o esquema? ., A Liderança A Teoria Clássica não se preocupou com a liderança e suas implicações. Os autores clássicos apenas se referi ram superficialmente à liderança pois ela não chegou a constituir um assunto de interesse. A Teoria das Re lações Humanas constatou a influência da liderança sobre o comportamento das pessoas. Enquanto a Teo ria Clássica enfatizava a autoridade formal - conside rando apenas a chefia nos níveis hierárquicos superio res sobre os níveis inferiores nos aspectos relaciona dos com as atividades do cargo - a Experiência de Hawthorne teve o mérito de demonstrar a existência de líderes informais que encarnavam as normas e ex pectativas do grupo e mantinham controle sobre o comportamento do grupo, ajudando os operários a atuarem como um grupo social coeso e integrado. Moral elevado Moral baixo t Fanatismo Euforia' Atitudes positivas Satisfação Otimismo Cooperação Coesão Colaboração Aceitação dos objetivos Boa vontade Identificação Atitudes negativas Insatisfação Pessimismo Oposição Negação Rejeição dos objetivos Má vontade Resistência Dispersão Distaria Agressão &1 Figura 6.3. Os níveis do moral e as atitudes resultantes. 122 Introdução à Teoria Geralda Administração' IDALBERTO CHIAVENATO Conceito de liderança A liderança é necessária em todos os tipos de orga nização humana, seja nas empresas, seja em cada um de seus departamentos. Ela é essencial em todas as funções da Administração: o administrador pre cisa conhecer a natureza humana e saber conduzir as pessoas, isto é, liderar. Para os humanistas, a lide rança pode ser visualizada sob diversos ângulos, a saber: 1. Liderança como um fenômeno de influência interpessoal. Liderança é a influência interpes soaI exercida em uma situação e dirigida por meio do processo da comunicação humana para a consecução de um ou mais objetives es pecíficos.7 A liderança ocorre como um fenô meno social e exclusivamente nos grupos soci ais. Ela é decorrente dos relacionamentos en tre as pessoas em uma determinada estrutura social. Nada tem a ver com os traços pessoais de personalidade do líder. 8 A influência signi fica uma força psicológica, uma transação in terpessoal na qual uma pessoa age de modo a modificar o comportamento de outra de mo do intencional. A influência envolve conceitos como poder e autoridade, abrangendo manei ras pelas quais se provocam mudanças no comportamento de pessoas ou de grupos soci ais. O controle representa as tentativas de in fluência bem-sucedidas, isto é, que produzem as conseqüências desejadas pelo agente influ enciador. O poder significa um potencial de influência de uma pessoa sobre outras; é a ca pacidade de exercer influência, embora isso não signifique que essa influência seja real mente exercida. O poder é um potencial influ enciaI que pode ou não ser realizado. A auto ridade (o conceito mais restrito desses todos) é o poder legítimo, isto é, o poder que tem uma pessoa em virtude do seu papel ou posi ção em uma estrutura organizacional. É, por tanto, o poder legal e socialmente aceito. 2. Liderança como um processo de redução da in certeza de um grupo. O grau em que um indiví duo demonstra qualidade de liderança depen- de não somente de suas próprias características pessoais, mas também das características da si tuação na qual se encontra.9 Liderança é um processo contínuo de escolha que permite que a empresa caminhe em direção a sua meta, ape sar de todas as perturbações internas e exter nas. 10 O grupo tende a escolher como líder a pessoa que pode lhe dar maior assistência e ori entação (que defina ou ajude o grupo a esco lher os rumos e as melhores soluções para seus problemas) para que alcance seus objetivos. A liderança é uma questão de redução da incerte za do grupo e o comportamento pelo qual se consegue essa redução é a escolha, isto é, a to mada de decisão. Nesse sentido, o líder é um tomador de decisões ou aquele que ajuda o grupo a tomar decisões adequadas. 3. Liderança como uma relação funcional entre líder e subordinados. Liderança é uma função das necessidades existentes em uma determi nada situação e consiste em uma relação entre um indivíduo e um grupo. 11 A relação entre lí der e subordinados repousa em três generali zações: a. A vida para cada pessoa pode ser vista co mo uma contínua luta para satisfazer ne cessidades, aliviar tensões e manter equilí brio. b. A maior parte das necessidades individuais, em nossa cultura, é satisfeita por meio de re lações com outras pessoas e grupos soclals. C. Para a pessoa, o processo de se relacionar com outras pessoas é um processo ativo - e não passivo - de satisfazer necessidades. A pessoa não espera que a relação capaz de lhe proporcionar os meios de satisfazer uma ne cessidade ocorra naturalmente, mas ela pró pria procura os relacionamentos adequados ou utiliza os relacionamentos já existentes com o propósito de satisfazer suas necessidades pes soais. Há uma relação funcional em que o lí der é percebido pelo grupo como possuidor ou controlador dos meios para a satisfação de suas necessidades. Assim, segui-lo pode cons tituir para o grupo um meio para aumentar a INTRODUCAO A TEORIA GERAL DA ADMINISTRACAO - IDALBERTO CHIAVENATO - SETIMA EDICAO, TOTALMENTE REVISTA E ATUALIZADA tga141 tga142 tga143 tga144