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Artrite Reumatóide: caso clínico e intervenção fisioterapêutica. Semestre: 2022/2 Professores: Elenilton Correa, Érika Santana e Maurício Poderoso. Disfunções Musculoesqueléticas COMPONENTES Amanda Santos Andrade Francisco Alves Lima Júnior Jéssica Souza Santos Letícia Ribeiro Silva Maria Vitória Tavares Pinto Caso Clínico Artrite Reumatóide Avaliação Fisioterapêutica Na programação desta noite Aqui estão os tópicos que vamos discutir: Diagnóstico Cinético Funcional Plano de Tratamento Prognóstico e Evolução Caso Clínico Trata-se de um homem com artrite reumatóide, residente no município de Paripiranga/BA, 49 anos de idade, casado e com dois filhos. Seu José, como era conhecido, trabalhava como entregador de delivery, e havia conseguido uma vaga no Setor de Fisioterapia Reumatológica para o tratamento na Clínica de Fisioterapia. Após ser submetido a uma avaliação inicial, que incluiu a coleta de dados pessoais, constatou-se que o mesmo possuía diagnóstico clínico de AR havia 5 anos, e possuía histórico de doença reumática na família e hiperuricemia como doença associada. O paciente também apresentava um quadro depressivo por só conseguir realizar algumas atividades de ocupação geral e de cuidados pessoais, porque sentia frequentemente fraqueza, mal-estar e perda de força muscular. Além disso, o indivíduo estava sedentário, e passou a fumar com mais frequência, logo depois de precisar se afastar do seu trabalho por conta das limitações provenientes da doença, como as deformidades nas articulações dos dedos (dedo em botoeira), e nódulos reumatoides. Fazia uso de cinco medicamentos contínuos e manteve esse tratamento durante a intervenção fisioterapêutica. Com relação às condições físicas do indivíduo, este relatava como queixa principal as dores articulares em diversos pontos do corpo, principalmente nas mãos. Sua marcha era independente e sem padrões patológicos. Na clínica, a fisioterapeuta Joana foi a profissional designada para o caso do Seu José. 2 3 4 1 Quadro Clínico Artrite Reumatoide Diagnóstico Tratamento Etiologia e Epidemiologia 1 Artrite Reumatoide Etiologia e Epidemiologia Ainda desconhecida; Fatores genéticos; Hereditariedade; Susceptibilidade genética; Fatores ambientais/comportamentais; Fatores hormonais. Afeta mulheres duas vezes mais do que os homens e sua incidência aumenta com a idade. Figura 1 – Principais articulações acometidas na artrite reumatoide. (LAURINDO, 2004) Artrite Reumatoide Quadro Clínico Fadiga, mal-estar, edema articular simétrico dos tecidos moles, perda de força e resistência muscular; Descondicionamento físico, presença de nódulos reumatoides; Fator reumatoide em exame clínico; Erosões radiográficas e/ou osteopenia periarticular; Dor como queixa principal; Deformidades articulares. 2 Knob, B., Jorge, M. S. G., Bresolin, F. L., Bolzan, L. A., dos Santos Ribeiro, D., Zanin, C., & Wibelinger, L. M. (2017). Figura 2 - Deformações articulares nos dedos da mão (A) e a formação de nódulos reumatoides na articulação de cotovelo (B) decorrentes da inflamação local em pacientes com artrite reumatoide crônica. Quando os dedos estão curvados de forma anormal Figura 3 - Deformidades articulares nos dedos. Figura 4 - Nódulo reumatoide (mão). Figura 5 - Nódulos reumatoides (pé). 3 Artrite Reumatoide Diagnóstico Rigidez matinal: rigidez articular durando pelo menos 1 hora; Artrite de três ou mais áreas: pelo menos três áreas articulares com edema de partes moles ou derrame articular, observado pelo médico; Artrite de articulações das mãos (punho, interfalangeanas proximais e metacarpofalangeanas); Artrite simétrica; Nódulos reumatóides; Fator reumatóide sérico; Alterações radiográficas: erosões ou descalcificações localizadas em radiografias de mãos e punhos. (LAURINDO, 2004) 3 Artrite Reumatoide Diagnóstico Avaliação Inicial: sintomas de atividade da doença, estado funcional, evidências objetivas de inflamação articular, problemas mecânicos articulares, presença de comprometimento extra-articular e de lesão radiográfica; Avaliação da atividade da doença: contagem do número de articulações dolorosas e do número de articulações edemaciadas, provas de atividade inflamatória (VHS, proteína-e- reativa), avaliação da intensidade da dor, avaliação da mobilidade articular e da capacidade funcional. Exame Radiográfico. (LAURINDO, 2004) 4 Artrite Reumatoide Tratamento Medicamentos; Medidas relacionadas ao estilo de vida, como repouso, dieta, exercícios e deixar de fumar; Fisioterapia; Ás vezes, cirurgia. (LAURINDO, 2004) Avaliação Física Caso Clínico: avaliação fisioterapêutica 2 Anamnese1 1 Homem; 49 anos; Casado e com dois filhos; Entregador de Delivery; Residente em Paripiranga/Ba; Não estava mais trabalhando por conta da doença. QUEIXA PRINCIPAL HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA) HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA (HPP) HISTÓRIA FAMILAR HISTÓRIA SOCIAL/HÁBITOS DE VIDA Avaliação Fisioterapêutica Anamnese (CONCEIÇÃO, 2016) 2 Avaliação Fisioterapêutica Avaliação Física Escala Visual Analógica (EVA); Inspeção; Palpação; Perimetria; Goniometria; Teste de Força Muscular. (CONCEIÇÃO, 2016) 2 Avaliação Fisioterapêutica Avaliação Física EVA - 7; Algia á palpação na região do ombro direito e punhos direito e esquerdo, assim como nos joelhos direito e esquerdo, e também nos tornozelos direito e esquerdo; Presença de nódulos reumatoides nas mãos direita e esquerda, assim como no pé esquerdo; Curvatura anormal no dedo anelar da mão esquerda e no dedo médio da mão direita (dedo em botoeira); Edema na região dos punhos direito e esquerdo; Apresentava crepitações no ombro direito e nos joelhos; Redução da força muscular generalizada (GRAU 3 e 4) e da amplitude de movimento articular; Apresentou trofismo muscular nos braços e coxas. Caso Clínico: diagnóstico cinético funcional Diagnóstico Cinético Funcional “Limitação funcional moderada traduzida por dor na articulação bilateral das mãos, assim como na articulação do ombro direito e na articulação bilateral dos joelhos, redução de ADM generalizada, especialmente em membros superiores, diminuição da força muscular no ombro direito, joelhos direito e esquerdo e punhos direito e esquerdo, secundária á artrite reumatoide com impactos em suas atividades laborais e de vida diária.” Caso Clínico: plano de tratamento 2 Objetivos1 Técnicas e Condutas 2 Programa de Intervenção Fisioterapêutica 1 Plano de Tratamento Objetivos Reduzir dor e edema; rigidez articular; Diminuir atrofia e fraqueza muscular; Aumentar a flexibilidade e a amplitude de movimento; Reeducação Postural; Resistência cadiorrespiratória; Disposição e o retorno às atividades funcionais; Melhorias na qualidade de vida. Knob, B., Jorge, M. S. G., Bresolin, F. L., Bolzan, L. A., dos Santos Ribeiro, D., Zanin, C., & Wibelinger, L. M. (2017). 2 Plano de Tratamento Técnicas e Condutas Eletroterapia (uso de ultrassom como agente analgésico e anti- inflamatório); Crioterapia (uso do gelo); Hidroterapia; Terapias Manuais – do tipo mobilização e tração articular a fim de aumentar a nutrição e a lubrificação articular; pompagem e massagem; Exercício Físico – exercícios passivos (fases iniciais) e exercícios ativos, isométricos e/ou isotônicos (fases mais avançadas); Cinesioterapia – exercícios respiratórios, mobilizações articulares, exercícios de fortalecimento (inicialmente de modo isométrico, progredindo para exercícios de modos concêntrico e excêntrico) e exercícios de amplitude de movimento Knob, B., Jorge, M. S. G., Bresolin, F. L., Bolzan, L. A., dos Santos Ribeiro, D., Zanin, C., & Wibelinger, L. M. (2017). SESSÕES EXERCÍCIO DESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO NÚMERO DE SÉRIES E REPETIÇÕES 1ª á 26ª Mobilizações articulares Realizaram-se mobilizações articulares dos ombros e dos quadris em solo e dos punhos e dos dedos das mãos em um turbilhão com água aquecida a 36ºC. - 1ª á 26ª Alongamentos musculares Realizaram-se alongamentos lentos e mantidos, de modo ativo-assistido,dos principais grupos musculares dos membros superiores e dos membros inferiores, durante 30 segundos cada grupo muscular. - 1ª á 26ª Dissociação de cinturas escapular e pélvica O indivíduo deveria sentar sobre uma bola suíça de 65 cm e realizar movimento de dissociação das cinturas escapular e pélvica no sentido anteroposterior e lateral. Duas séries de 15 repetições (1ª-10ª) Três séries de 10 repetições (11ª-15ª) Quatro séries de 8 repetições (16ª-26ª) SESSÕES EXERCÍCIO DESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO NÚMERO DE SÉRIES E REPETIÇÕES 1ª á 26ª Exercícios resistidos para as mãos Realizaram-se exercícios resistidos utilizando-se um fortalecedor de punhos e dedos em formato de rede (1ª á 26ª), massas de modelar terapêuticas (1ª á 26ª) e exercícios de oponência dos dedos (1ª á 26ª) para fortalecer as mãos e os dedos do indivíduo. Duas séries de 15 repetições (1ª-10ª) Três séries de 10 repetições (11ª-15ª) Quatro séries de 8 repetições (16ª-26ª) 1ª á 8ª Exercícios respiratórios Realizaram-se exercícios respiratórios em padrão diafragmático profundo associado á elevação dos membros superiores com um bastão de madeira sem carga. Duas séries de 10 repetições (1ª á 13ª) Três séries de 10 repetições (4ª á 8ª) 9ª á 13ª Exercícios de ponte Realizou-se exercício de ponte, de método Bobath sobre um tatame. Três séries de 10 repetições (9ª á 13ª) Exercício de ponte na bola suíça: Exercício 1: Fortalecimento muscular Posição inicial: Paciente sentado, braço/antebraço/punho esticado, apoiado sobre uma mesa, com a palma da mão voltada para cima segurando uma bola de borracha. Execução: Partindo da posição inicial o paciente deverá apertar a bolinha e segura- la, mantendo esta posição. Repetições: Realizar 10 vezes o movimento mantendo por 6 a 10 segundos a ação de apertar a bolinha. Exercício 2: Fortalecimento muscular Posição inicial: Paciente sentado com o braço/antebraço/punho apoiado em uma mesa, palma da mão voltada para cima, segurando um halter com a ponta dos dedos. Execução: Partindo da posição inicial o paciente deverá fechar a mão aproximando os dedos Repetições: Realizar 3 séries (vezes) de 10 repetições. Exercícios resistidos para as mãos: SESSÕES EXERCÍCIO DESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO NÚMERO DE SÉRIES E REPETIÇÕES 14ª á 19ª Treino de Equilíbrio Treino de equilíbrio em dispositivos proprioceptivos, como balance pad de espuma, balance pad emborrachado em formato de disco, balancim, trampolim e pranchas de freeman. - 20ª á 26ª Treino de marcha Treino de caminhada em diferentes tipos de solo, em rampas e escadas. - 1ª á 26ª Exercícios resistidos para os membros superiores Realizaram-se exercícios resistidos utilizando-se faixas elásticas nas cores rosa, verde, azul e roxa, e halteres, de 0,5kg, 1kg, 1,5kg, e 2kg para fortalecer os músculos flexores, extensores, abdutores, adutores, rotadores internos e rotadores extensores dos ombros e flexores e extensores dos cotovelos. Três séries de 10 repetições (1ª á 26ª) Segure um peso em cada mão. Fique em pé com os pés um pouco afastados, na mesma largura dos ombros. Dobre levemente os joelhos. Comece com os braços relaxados na lateral do corpo, com os cotovelos levemente dobrados. Vire as palmas para a frente. Levante os pesos até a altura dos ombros. Volte lentamente à posição inicial. Levantamento lateral (músculos do ombro) Exercícios resistidos para os membros superiores Fique em pé com os pés um pouco afastados, na mesma largura dos ombros, joelhos ligeiramente dobrados e braços relaxados na lateral do corpo. Coloque a faixa elástica sob os pés e segure uma das extremidades com cada mão. Com as mãos voltadas para o corpo e os cotovelos levemente dobrados, estique a faixa até a altura do ombro. Volte lentamente à posição inicial. Levantamento lateral: Exercícios resistidos para os membros superiores SESSÕES EXERCÍCIO DESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO NÚMERO DE SÉRIES E REPETIÇÕES 1ª á 26ª Exercícios resistidos para membros inferiores Realizaram-se exercícios resistidos utilizando-se faixas elásticas nas cores rosa, verde, azul e caneleiras de 1kg, 1,5kg e 2kg para fortalecer os músculos flexores, extensores, abdutores, adutores, rotadores internos e rotadores externos dos quadris e flexores e extensores dos joelhos. Três séries de 10 repetições (1ª á 26ª) 1ª á 8ª Terapia Manual Realizaram-se pompagens na região cervical do indivíduo nos 5 minutos finais das sessões. - - Crioterapia Realizou-se durante 20min em locais onde o indivíduo relatava dor ao final da sessão. - 3 Plano de Tratamento Programa de Intervenção Fisioterapêutica Em terapia manual, na cinesioterapia com exercícios ativos resistidos, isométricos, alongamentos, todos estes associados ao uso de terapia ultrassônica e gelo. Caso Clínico: prognóstico e evolução Parâmetros de mau prognóstico Prognóstico e Evolução Prognóstico e Evolução "Sua evolução dependerá do paciente para uma dedicação, nível educacional, e idade, possuindo a colaboração do indivíduo e sempre colhendo referência de Dor, assim como verificando os sintomas presentes no momento da elaboração do objetivo e conduta ao realizar os objetivos; seu prognóstico depende do seu retorno as atividades laborais, e de maus hábitos de vida que favorecem o desenvolvimento da doença e sua perda de função muscular." Prognóstico e Evolução Estima-se que o paciente apresente melhorias na capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor (intensidade e pontos dolorosos), trofismo muscular, vitalidade, saúde mental e aspectos sociais. Referências Laurindo, IMM et al. Artrite reumatóide: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Reumatologia. 2004, v. 44, n. 6, pp. 435-442. Disponível em: <>. Epub 28 Abr 2011. ISSN 1809-4570. ALMEIDA, Paulo André de et al. Intervenção fisioterapêutica na artrite reumatoide: relato de caso. Rev. Ter. Man, p. 221-226, 2009. Knob, B., Jorge, M. S. G., Bresolin, F. L., Bolzan, L. A., dos Santos Ribeiro, D., Zanin, C., & Wibelinger, L. M. (2017). Reabilitação cinesioterapêutica em um homem com artrite reumatoide. Saúde em Revista, 17(46), 35-45. Seixedo, L., Mestre, F. S. (2008). Efeito de duas intervenções de fisioterapia no alívio de dor e aumento da amplitude articular em doentes com artrite reumatóide: estudo comparativo. Revista da Faculdade de Ciências da Saúde. (5), 56-68. Kulkamp, W., Dario, A.B., Gevaerd, M.S. e Domenech, S.C. (2009). Artrite reumatóide e exercício físico: resgate histórico e cenário atual. Rev. bras. ativ. fís. Saúde. 14(1), 55-64. ØKISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 6. ed. São Paulo: Manole, 2016. 1. 2. 3. 4. 5. 6.