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Adam@Home, tirinha do cartunista estadunidense 
Brian Basset, 2008.
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Um passo importante na busca por saber a hora exata 
veio com a invenção do relógio mecânico. Alguns dizem 
que a invenção coube aos chineses, no século VIII. A versão 
mais corrente, porém, atribui o invento aos europeus, no 
século XIII. Mas esse relógio primitivo apresentava vários 
problemas, atrasava com frequência e não marcava a hora 
com precisão. Mesmo com falhas constantes e sem a sin-
cronia dos relógios atuais, o relógio mecânico se espalhou 
por igrejas, praças públicas e cidades-mercados europeias. 
Os reis, em seu projeto de fortalecer sua autoridade diante 
da Igreja, procuraram incorporar o novo instrumento de 
medida ao funcionamento da máquina do Estado. Na 
França, por exemplo, o rei Carlos V ordenou que todos 
os relógios do reino fossem regulados pelo seu relógio 
localizado em Paris. 
Porém, se a exatidão do relógio era exibida nas igre-
jas, nos palácios e nos locais públicos como símbolos da 
riqueza das cidades em crescimento, a maior parte das 
pessoas não via utilidade no uso do instrumento nem 
sabia como interpretá-lo. Nas cidades europeias, até o 
século XVII, os sinos da Igreja cumpriam papel importante 
na tarefa de lembrar os fiéis da hora de acordar para o 
trabalho e da hora de se recolher. Nas pequenas vilas, até 
mesmo depois do surgimento das máquinas, o tempo de 
trabalho dos camponeses nas plantações podia ser am-
pliado ou reduzido de acordo com as condições meteo-
rológicas, o calendário religioso, as festividades populares 
ou com as demais tarefas que tinham de realizar, como 
de carpintaria, construção de carroças e tecelagem. Não 
havia regularidade no tempo de trabalho nem separação 
entre as ocupações na terra, na casa e na oficina.
A introdução das máquinas, durante a Revolução 
Industrial, alterou de forma significativa a relação do 
ser humano com o tempo. As máquinas, ao exigir maior 
sincronização do trabalho, impulsionaram a difusão de 
relógios portáteis e não portáteis, que ficaram mais baratos 
e acessíveis a um número maior de pessoas. Nas fábricas, 
os inspetores registravam na folha de controle a hora exata 
de entrada e saída dos operários. Com seu relógio portátil, 
mantido longe do olhar dos operários, o inspetor ditava o 
tempo do trabalho e o tempo do descanso. Por isso, em 
algumas fábricas inglesas do século XIX, era comum que os 
operários mais disciplinados recebessem, após vários anos 
de trabalho prestados, um relógio de ouro do proprietário. 
Com esse gesto simbólico, o patrão devolvia ao trabalhador 
o controle do seu próprio tempo.
O aprimoramento dos relógios depois da Revolução 
Industrial garantiu a eles uma capacidade de exatidão 
crescente, pois é justamente essa exatidão que permite 
controlar o tempo e a produtividade do trabalho. O ca-
pitalismo transformou o tempo em dinheiro, em moeda, 
e o relógio representa o instrumento mais poderoso do 
controle mecânico do trabalho e da vida humana. Em uma 
cena bem conhecida do filme Tempos modernos, de 1936, 
Charles Chaplin, no papel de Carlitos, interpreta um ope-
rário que executa tarefas repetitivas em uma esteira fabril, 
sob a pressão constante de um inspetor da produção. Na 
abertura do filme, aparece um grande relógio, marcando 
seis horas da manhã e simbolizando o controle do tempo 
do trabalhador. Mesmo nos fazendo rir, o filme de Chaplin 
é uma crítica implacável ao capitalismo industrial.
Atualmente, a sociedade capitalista tem formas mais 
sutis de controle do tempo humano, mas muito mais po-
derosas, justamente por parecerem democráticas. Desde o 
início dos anos 1990, a integração da economia globalizada 
com as novas tecnologias da comunicação e da informação 
criou formas de trabalho e de relacionamento social que 
têm como base o curto prazo, a valorização da mobili-
dade e da inovação e o desprezo pela experiência e pelo 
passado. O tempo acelerado do século XXI pede urgência 
na tomada de decisões, nas inovações empresariais e na 
criação de novos produtos e serviços, porque, no mercado 
financeiro, o capital é impaciente, e exige rápido retorno 
dos investimentos.
Vejamos como o tempo da urgência se manifesta no 
mundo do trabalho e nas relações humanas e como afeta 
também a nossa subjetividade.
Questões
1. Você também sente que sua vida está mais acele-
rada? Se sim, dê exemplos de algumas situações 
em que isso é percebido.
2. A forma como você sente a passagem do tempo 
hoje é a mesma de quando era criança? Explique.
Registre em seu caderno
(BNCC) Competências específicas: 1, 4 e 5; Habilidades: 
EM13CHS101 EM13CHS103 EM13CHS403 EM13CHS504
EDICADO A TODOS 
OS TRABALHADORES EM 
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TODAS AS ANTERIORES.
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O regime de trabalho flexível
Em seu livro A corrosão do caráter, o renomado so-
ciólogo estadunidense Richard Sennett (1943) mostra 
como o atual regime de flexibilização do trabalho, em 
suas variadas formas, tem afetado a autoestima das 
pessoas e rompido laços de amizade, confiança e com-
panheirismo. Com base nas experiências profissionais de 
dois personagens, Rico, dono de um pequeno escritório 
de engenharia, e Rose, publicitária em uma agência de 
propaganda, o autor analisa o discurso e as práticas do 
capitalismo flexível, também chamado reengenharia, 
que impôs um novo modelo de relações de trabalho nas 
instituições empresariais.
O regime flexível eliminou as antigas estruturas do capi-
talismo fordista, que tinha como base o rigoroso controle da 
pontualidade e da assiduidade no trabalho, a valorização da 
experiência do trabalhador e a possibilidade de uma carreira 
longa e linear na mesma empresa. O modelo flexível, difun-
dido pelo mundo a partir dos anos 1980 e principalmente 
nos anos 1990, estabeleceu o “curto prazo” como parâmetro 
das novas relações trabalhistas e das metas empresariais: 
contratos temporários de trabalho, resultados financeiros 
imediatos, agilidade na tomada de decisões e mobilidade 
permanente. Nesse regime de curto prazo, tudo é episódico, 
fugaz. O funcionário deve apreciar o risco, a liberdade, o 
gosto pela constante mudança e o desapego.
Sennett destaca vários problemas relacionados ao ca-
pitalismo flexível. O primeiro é a exaltação da juventude 
e do tempo presente, em detrimento da experiência e 
de tudo que possa lembrar o passado, situação que leva 
muitos profissionais de meia-idade, ativos e capazes, a 
sentir que não têm mais lugar no mercado de trabalho. 
Tirinha do cartunista australiano Mark Lynch, 2016. No regime de 
curto prazo, a experiência acumulada perdeu o seu valor.
Outro problema é a ideia enganosa de liberdade por 
trás da flexibilização do trabalho presencial e da obrigação 
de bater o ponto. Segundo o autor, o olhar do chefe, no 
regime fordista, foi substituído pela tela do computador; 
além disso, a descentralização física do trabalho, com a 
introdução do trabalho remoto, o home office, ampliou o 
controle e o volume de trabalho exigido das pessoas.
O terceiro efeito gerado por essa reengenharia no tra-
balho é a obsessão pelo sucesso e, no oposto, o pavor do 
fracasso, o grande tabu do trabalho moderno. A estrutura 
do regime flexível, extremamente individualista e compe-
titiva, condena aqueles que temem o risco e priorizam a 
estabilidade, mesmo sabendo que as pessoas competem 
em um mercado em que o vencedor leva tudo. Sob pres-
são para atingir metas, o trabalhador abraça a causa da 
empresa, assume metas agressivas e, para cumpri-las, sua 
vida dilui-se na vida da organização.
Os resultados dessa entrega total ao trabalho são o 
esgotamento físico e o estresse. Porém, caso as metasda empresa não sejam alcançadas, o sujeito se frustra e, 
responsabilizado por seu suposto fracasso, muitas vezes é 
descartado, rompendo-se a relação que ele imaginava ser 
indissolúvel com a empresa. O sentimento de que fracas-
sou, de que não é bom o suficiente ou de que não teve seu 
esforço reconhecido, em vários casos, vem acompanhado 
de distúrbios como depressão, ansiedade e síndrome do 
pânico, além de ações extremas, como o suicídio.
O último efeito do novo modelo de trabalho, e o mais 
destacado por Sennett, é a erosão do caráter. A sociedade 
do curto prazo, em que tudo é transitório e fragmentado, é 
incompatível com virtudes que se constroem a longo pra-
zo, como a confiança, a lealdade e o compromisso, base das 
relações sociais duradouras. Nesse novo ambiente, surge 
um novo tipo de caráter e de comportamento, o do sujeito 
irônico, que evita o confronto e prefere estabelecer relações 
superficiais com os colegas, consciente de sua fragilidade 
e do caráter transitório daquele trabalho.
“Como se podem buscar objetivos de longo prazo 
numa sociedade de curto prazo? Como se podem manter 
relações sociais duráveis? Como pode um ser humano 
desenvolver uma narrativa de identidade e história de 
vida numa sociedade composta de episódios e frag-
mentos? As condições da nova economia alimentam, 
ao contrário, a experiência com a deriva no tempo, de 
lugar em lugar, de emprego em emprego. Se eu fosse 
explicar mais amplamente o dilema de Rico, diria que 
o capitalismo de curto prazo corrói o caráter dele, 
sobretudo aquelas qualidades de caráter que ligam os 
seres humanos uns aos outros, e dão a cada um deles 
um senso de identidade sustentável.”
SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: as 
consequências pessoais do trabalho no novo 
capitalismo. 14. ed. Rio de Janeiro: 
Record, 2009. p. 27.
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F Minus, tirinha do cartunista estadunidense Tony Carrillo, 2013.
Questões
1. Você concorda com 
a ideia de Sennett de 
que o capitalismo de 
curto prazo corrói o 
caráter das pessoas? 
Por quê?
2. Segundo o autor, as 
qualidades de cará-
ter que ligam os se-
res humanos entre si 
precisam de um longo 
prazo para se conso-
lidarem entre eles. 
Você concorda com 
ele? Que qualidades 
de caráter seriam es-
sas, na sua opinião?
Registre em seu caderno
Nessa sociedade, em que a maior parte das pessoas está condenada a fracassar, a 
solução, para o autor, é coletiva. No livro, a história dos programadores demitidos de 
uma grande corporação do setor de informática é apresentada como um caminho 
para resistir à precarização do trabalho, restaurar a autoestima e a unidade do eu. Os 
programadores se encontravam diariamente em um café e ali compartilhavam suas 
experiências no trabalho e o sentimento de fracasso. Ao abordar a história desse gru-
po, Sennett aponta a construção de fortes laços de solidariedade e confiança entre as 
pessoas como saída para combater a fragmentação da identidade no novo capitalismo. 
Relações sociais fugidias e superficiais
Os princípios do “curto prazo” e do sujeito flexível não estão presentes apenas no mundo 
do trabalho; eles perpassam toda a vida social. Entorpecido pela aceleração da sociedade 
tecnológica contemporânea, o indivíduo busca o imediatismo da informação em vez da 
profundidade do conhecimento. Impaciente, ele se esquiva da reflexão e do esforço em 
conhecer as coisas para além da superficialidade. Não há disposição para construir rela-
ções duradouras, pois isso exigiria paciência e tempo para ouvir o outro, além do risco 
do apego e do compromisso. O individualismo corrói um projeto de vida compartilhado.
O filósofo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) nomeou esse período que estamos 
vivendo de modernidade líquida. Segundo ele, o termo “líquido” se aplica porque hoje 
a humanidade assiste à erosão de conceitos que antes tinham grande força e legitimi-
dade, como o de família, classe, partido e Estado, e à fragilização dos laços humanos, 
que atinge também as relações amorosas. A disseminação dos relacionamentos virtuais, 
por exemplo, expressaria o declínio das relações duráveis, construídas com base no 
compromisso e no prazer em cuidar do outro.
“Os contatos on-line têm uma vantagem sobre os off-line: são mais fáceis e menos 
arriscados – o que muita gente acha atraente. Eles tornam mais fácil se conectar e 
se desconectar. Caso as coisas fiquem ‘quentes’ demais para o conforto, você pode 
simplesmente desligar, sem necessidade de explicações complexas, sem inventar 
desculpas, sem censuras ou culpa. Atrás do seu laptop [...], com fones no ouvido, 
você pode se cortar fora dos desconfortos do mundo off-line. Mas não há almoços 
grátis, como diz um provérbio inglês: se você ganha algo, perde alguma coisa. En-
tre as coisas perdidas estão as habilidades necessárias para estabelecer relações 
de confiança, as para o que der vier, na saúde ou na tristeza, com outras pessoas. 
Relações cujos encantos você nunca conhecerá a menos que pratique.”
BAUMAN, Zygmunt. Vivemos tempos líquidos: nada é para durar. Disponível em 
<http://ivonaldo-leite.blogspot.com/2014/05/tempos-liquidos-amores-liquidos.html>. 
Acesso em 17 ago. 2020.
(BNCC) Competências 
específicas: 1, 4 e 5 
Habilidades: 
EM13CHS101 EM13CHS103 
EM13CHS403 EM13CHS404 
EM13CHS503 EM13CHS504
Questão
• O autor usa o provérbio inglês “não há almoço grátis” para apontar as limitações 
dos relacionamentos virtuais. O que ele quis dizer com o uso desse provérbio?
Registre em seu caderno
(BNCC) Competências específicas: 1, 4 e 5; Habilidades: 
EM13CHS101 EM13CHS103 EM13CHS403 EM13CHS504
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Para assistir
Dois dias, uma noite
Direção: Jean-Pierre 
Dardenne; Luc Dardenne
País: França
Ano: 2014
Duração: 93 min
Sandra perde o emprego 
em uma fábrica, porque 
seus colegas preferiram 
receber um bônus da 
empresa a mantê-la no 
emprego. Ela terá dois dias 
para tentar convencê-los a 
mudar sua decisão e votar 
por sua permanência no 
emprego.
PEGAR UMA MESA SÓ 
PARA VOCÊ DEMONSTRA 
QUE VOCÊ TEM MEDO DE UM 
COMPROMISSO SÉRIO.
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http://ivonaldo-leite.blogspot.com/2014/05/tempos-liquidos-amores-liquidos.html
https://www.google.com.br/search?sa=X&bih=576&biw=1366&hl=pt-BR&q=Jean-Pierre+Dardenne&stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LSz9U3iK_MijczVwKzzarSTJJTtMSyk6300zJzcsGEVUpmUWpySX7RIlYRr9TEPN2AzNSiolQFl8SilNS8vNQdrIwA_o3wtUwAAAA&ved=2ahUKEwj-s6Gg0aPrAhU7HLkGHbxoD68QmxMoAjAgegQIERAE
https://www.google.com.br/search?sa=X&bih=576&biw=1366&hl=pt-BR&q=Jean-Pierre+Dardenne&stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LSz9U3iK_MijczVwKzzarSTJJTtMSyk6300zJzcsGEVUpmUWpySX7RIlYRr9TEPN2AzNSiolQFl8SilNS8vNQdrIwA_o3wtUwAAAA&ved=2ahUKEwj-s6Gg0aPrAhU7HLkGHbxoD68QmxMoAjAgegQIERAE
https://www.google.com.br/search?sa=X&bih=576&biw=1366&hl=pt-BR&q=Luc+Dardenne&stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LSz9U3iK_MijczVwKzzarSTFIstcSyk6300zJzcsGEVUpmUWpySX7RIlYen9JkBZfEopTUvLzUHayMAPIP4GFEAAAA&ved=2ahUKEwj-s6Gg0aPrAhU7HLkGHbxoD68QmxMoAzAgegQIERAF
A socióloga francesa Claudine Haroche aborda em 
várias de suas obras os efeitos produzidos pela sociedade 
contemporânea – acelerada, individualista e consumista 
– nos sentimentos e nas relações humanas. A pesquisa-
dora analisa, por exemplo, o papel que o olhar e a visão 
adquiriram para o indivíduo na sociedade do espetáculo. 
Lembra que a criança descobre o mundo utilizando todos 
os sentidos: ela toca as coisas, as coloca na boca, olha as 
pessoas a seu redor, fica atenta aos sons e aos odores. 
A criança se relaciona com o mundo de corpo inteiro. 
Porém, àmedida que cresce, moldado pelas proibições 
do meio, o indivíduo vai restringindo os movimentos do 
corpo, enquanto amplia o uso dos olhos. A visão, que se 
torna hegemônica, permite ao indivíduo manter o distan-
ciamento físico e evitar o envolvimento emocional. O olhar 
tende a ser passageiro, logo leva ao esquecimento daquilo 
que se viu, sendo, portanto, menos perigoso em uma so-
ciedade que valoriza o individualismo e a curta duração. 
Mulher tira uma selfie junto a uma obra de arte em uma galeria. 
Na sociedade do espetáculo, as atividades culturais também 
podem se transformar em experiência de consumo e de culto 
à autoimagem.
(BNCC) Competências 
específicas: 1 e 4 
Habilidades: 
EM13CHS101 EM13CHS103 
EM13CHS403 EM13CHS404
Questões
1. O que você entendeu 
com a ideia do autor 
de que é preciso pen-
sar como um artesão?
2. Você incorporaria essa 
ideia em seu projeto 
de vida? Por quê?
Registre em seu caderno
Nas sociedades contemporâneas, todo mundo é olhado, mas é o olhar da desatenção, 
da indiferença de quem vê, mas não enxerga. 
A sociedade individualista e narcisista contemporânea também consagrou o desejo 
de visibilidade, que foi potencializado pela popularização das mídias sociais. Ao esti-
mular o consumo permanente – o ter como passaporte para a felicidade –, a sociedade 
leva o indivíduo a preocupar-se apenas com seus interesses e imagem social. Angustiado 
pela ideia do fracasso, o indivíduo busca exibir-se para impressionar os outros e afirmar-
-se diante deles. Isolado dentro de si mesmo, ele procura turbinar sua imagem, física, 
social ou intelectual, uma forma também de aplacar suas inseguranças e o sentimento 
de empobrecimento interior. Ser visto e notado passou a ser sinônimo de existência e 
utilidade; e a invisibilidade, ao contrário, de apagamento social. Doc. 2
 Qual é a saída para a humanidade?
Os pesquisadores que estudam a aceleração, o consumismo e o individualismo 
do mundo contemporâneo logicamente não têm uma receita pronta para salvar a 
humanidade do abismo existencial e social. Apesar disso, o que eles têm em comum é 
a defesa de uma solidariedade planetária em torno de uma agenda que priorize o bem 
comum, a proteção ao ambiente e o combate à hegemonia dos mercados e ao consu-
mismo. Também defendem a restauração das cidades como espaços da vida pública 
e da sociabilidade, contra a xenofobia, o medo e os muros que separam os indivíduos. 
Pensando na superação do modelo econômico atual, que, segundo ele, se tornou 
hostil à vida, Sennett adiciona outra tarefa: é preciso substituir as operações mecânicas 
exercidas no consumo por aquelas que exigem reflexão, pensamento e o prazer pelo 
trabalho bem-feito. Em suma, é preciso pensar como um artesão. 
“No que diz respeito ao trabalho, o bom artesão é mais que um mecânico. Ele 
quer entender por que um pedaço de madeira ou um processo infor mático não 
basta; com isso, o problema se torna abarcador e suscita um procedi mento objetivo. 
Esse ideal se realiza em um ofício tradicional, como a fabricação de instrumentos 
de música, mas também em uma atividade mais moderna, como um laboratório 
científico. Porém, é tam bém o caso em uma empresa bem admi nistrada: longe de 
querer evitar os pro blemas, presta-se atenção a eles.”
SENNETT, Richard. In: HAROCHE, Claudine. Maneiras de ser e de sentir na 
aceleração e a ilimitação contemporânea. Cadernos Metrópole, v. 13, n. 26, 
p. 375, jul./dez. 2011. Disponível em <https://revistas.pucsp.br/metropole/article/
view/14758>. Acesso em 18 ago. 2020.
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https://revistas.pucsp.br/metropole/article/view/14758
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Paciência 
“Mesmo quando tudo pede 
Um pouco mais de calma 
Até quando o corpo pede 
Um pouco mais de alma 
A vida não para... 
Enquanto o tempo 
Acelera e pede pressa 
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa 
A vida é tão rara... 
Enquanto todo mundo 
Espera a cura do mal 
E a loucura finge 
Que isso tudo é normal 
Atividades
(BNCC) Competências específicas: 1, 4 e 5; Habilidades: EM13CHS101 EM13CHS103 
EM13CHS106 EM13CHS403 EM13CHS404 EM13CHS501 EM13CHS503 EM13CHS504
Registre em seu cadernoAnalisar
Doc. 1
1. Identifique o conflito que aparece nos primeiros 
cinco versos da canção.
2. Aponte as palavras ou expressões que representam 
a oposição entre aceleração e calma.
3. Como o sujeito do poema se coloca entre o mundo 
e o corpo, a pressa e a calma?
4. De que maneira essa canção está relacionada com 
o estudo feito neste capítulo?
5. Um dos versos da canção diz “Até quando o corpo 
pede um pouco mais de alma”. Você tende a ouvir 
os sinais dados pelo seu corpo? Por que é impor-
tante dar atenção a eles? Escreva sobre isso.
Doc. 2
6. Que relação há entre a fala de Susanita e as carac-
terísticas da sociedade contemporânea estudadas 
neste capítulo?
7. Como você interpreta a reação de Mafalda?
8. Com um colega, criem uma tirinha representando 
um dos assuntos estudados neste capítulo: a vida 
acelerada, o consumismo ou a busca da visibilidade.
Retomar
9. Responda às questões-chave do início do capítulo.
• Por que sentimos que o tempo avança de forma 
acelerada? Como essa aceleração se manifesta no 
mundo do trabalho e nas relações humanas?
Doc. 2
O invejólogo 
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Eu finjo ter paciência... 
O mundo vai girando 
Cada vez mais veloz 
A gente espera do mundo 
E o mundo espera de nós 
Um pouco mais de paciência... 
Será que é tempo 
Que lhe falta para perceber? 
Será que temos esse tempo 
Para perder? 
E quem quer saber? 
A vida é tão rara 
Tão rara... [...]”
FALCÃO, Dudu; LENINE. 
Paciência. BMG, 1999.
Doc. 1
Tirinha da personagem Mafalda, do cartunista argentino Quino.
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Laboratório de ciências humanas e sociais aplicadas

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