Prévia do material em texto
Stephanie Marie // 1 FIBRILAÇÃO ATRIAL Inicialmente: • arritmia sustentada mais comum • FA e flutter aumentam em 5x o risco de AVC isquêmico (aumenta a chance de eventos tromboembólicos) • 20% dos AVCs isquêmicos são associados a FA • aumenta a morbimortalidade, as hospitalizações e os eventos tromboembólicos • reduz a qualidade de vida, capacidade de exercício ! Se a FC não estiver controlada, o paciente pode evoluir com diminuição da FE (taquicardiomiopatia). FISIOPATOLOGIA: FA – circuito de microreentrada no átrio, principalmente AE (local mais comum: ao redor das veias pulmonares) Flutter – circuito de macroreentrada no istmo cavotricuspideo. FATORES DE RISCO: • sexo masculino • idade (quanto maior a idade, pior) • genética • obesidade • apneia do sono • consumo excessivo de álcool • sedentarismo / exercício excessivo • pós-operatório ! É necessário tratar FA e as comorbidades – se não forem tratadas, há chance de recorrer a arritmia. DIAGNÓSTICO E MANEJO: Mnemônico = CC2ABC C – confirmação do diagnóstico: ECG 12 derivações OU derivação única com pelo menos 30 segundos, documentando ausência de onda P com RR irregular. Muitas vezes também pode ser visualizada uma onda f (representa atividade elétrica atrial que não sinusal). DD: flutter atrial – o manejo dos pacientes com flutter é bem parecido com o manejo dos pacientes com FA. O que diferencia no ECG os dois ritmos? O flutter pode ter RR regular ou irregular. Visualizadas ondas F de flutter com padrão em dente de serra. Geralmente a frequência atrial gira em torno de 300bpm e a condução átrio-ventrículo é 2:1 (frequência ventricular 150bpm) – mas pode existir BAV variável (e nesse caso, RR será irregular). C – caracterizar a FA: 1) quanto ao risco de evento tromboembólico e AVC isquêmico: escore CHA2DS2-Vasc – indica necessidade de anticoagulação a longo prazo. quando anticoagular: ♀ ≥ 3 / ♂ ≥ 2 considerar anticoagulação: ♀ ≥ 2 / ♂ ≥ 1 2) quanto a intensidade dos sintomas relacionados a FA: escore EHRA. Stephanie Marie // 2 Escore CHA2DS2-Vasc: ! Quanto maior a pontuação do CHA2DS2-Vasc, maior a chance e o risco de um AVC isquêmico. Em alguns pacientes não é necessário esse escore para indicação de anticoagulação: estenose mitral moderada / grave; cardiomiopatia hipertrófica; miocárdio não compactado; hipertireoidismo. Escore EHRA: A indicação de anticoagulação só pode ser feita caso o paciente não apresente nenhuma contraindicação a anticoagulação. Sempre devemos aplicar o escore HAS-BLED. um HAS-BLED ≥ 3 significa maior risco de sangramento, mas NÃO contraindica anticoagulação – deve-se tentar modificar fatores do HAS-BLED para reduzir risco de sangramento com anticoagulação. Escore HAS-BLED: 3) quanto a severidade da carga de FA: • paroxística: < 7 dias • persistente: > 7 dias (de longa duração = > 1 ano) • permanente: paciente irá permanecer em FA e não será revertido para ritmo sinusal ! O fato de a FA ser paroxística, persistente ou permanente não muda a necessidade de anticoagulação. FA valvar: associada a estenose mitral moderada / grave ou prótese valvar metálica = só pode anticoagular com marevan, não pode anticoagular com novos anticoagulantes orais. • prótese mecânica mitral ou aórtica + FA – alvo de INR entre 2,5 – 3,5 4) quanto a severidade do substrato - se o paciente tem comorbidades, se tem cardiopatia estrutural (vale exame de imagem como ecoTT). PREVENÇÃO DE EVENTO TROMBOEMBÓLICO: • heparina não fracionada = EV em BIC (monitorizar com PTT 6/6h) • heparina de baixo peso molecular / enoxiheparina / clexane = SC, geralmente em ambiente hospitalar. ! Ideais para controle de FA a nível hospitalar, com meia-vida de aproximadamente 6h = comodidade em relação a realização de procedimentos ou exames que necessitem de suspensão prévia de anticoagulação • varfarina / marevan = oral, antagonista de vitamina K (controle com INR – sempre entre 2 e 3), interage com muitas medicações e alimentos • NOACs = maior comodidade de administração, são as medicações de escolha para tratamento de FA a nível ambulatorial ! Gestação: no primeiro e no terceiro trimestre só pode fazer clexane no segundo trimestre pode fazer marevan. Stephanie Marie // 3 NOACs: dabigatrana: dose padrão de 150mg 2x/dia se o paciente tem maior risco de sangramento (> 80 anos, sangramento TGI recente, uso de antiagregante associado, verapamil) ou ClCr 30 – 50 = ajustar dose para 110mg 2x/dia inibidor da trombina rivaroxabana: dose padrão de 20mg 1x/dia ClCr 30 (15) – 50 = 15mg 1x/dia ideal que seja administrado nas refeições inibidor de fator Xa apixabana: dose padrão de 5mg 2x/dia se (2 dos 3) > 80 anos; Cr > 1,5; < 60kg = 2,5mg 2x/dia inibidor de fator Xa edoxabana: dose padrão de 60mg 1x/dia se < 60kg, ClCr 15 – 50, uso de verapamil, ciclosporina, eritromicina = 30mg 1x/dia inibidor de fator Xa Dica: todos os NOAC que tem “x” no nome são inibidores do fator Xa. ! Paciente dialítico ou ClCr < 15 não se utiliza NOAC. MANEJO DA ANTICOAGULAÇÃO NA URGÊNCIA: 1) se instabilidade hemodinâmica (dor torácica, dispneia, síncope, rebaixamento de nível de consciência, hipotensão) = realizar cardioversão elétrica (choque + sync). ! Lembrar sempre de explicar ao paciente o que será feito, desligar fontes de oxigênio acopladas ao paciente, afastar equipe do paciente. 2) se estabilidade hemodinâmica = avaliar o tempo de FA < 48h de início: NOAC ou heparina antes da cardioversão (química ou elétrica) + seguir anticoagulação posterior CHA2DS2-Vasc > 48h de início ou Δt indeterminado: • anticoagular por 3 semanas, cardioverter e depois anticoagular por pelo menos 4 semanas, independentemente do CHA2DS2-Vasc • fazer ECOTE e se não houver trombo, cardioverter + manter anticoagulação por pelo menos 4 semanas, independentemente do CHA2DS2-Vasc Cardioversão: é o ato de tirar o paciente de ritmo de FA para ritmo sinusal, pode ser elétrica ou farmacológica – em geral se utiliza amiodarona. MANEJO DO SANGRAMENTO POR NOAC: Em geral os NOACs possuem meia-vida curta e se o sangramento é pequeno, apenas a suspensão da medicação pode ser suficiente. • idarucizumabe = antídoto dabigatrana • andexanet = antídoto de rivaroxabana, apixabana Alternativa pela ESC: complexo protrombínico se hemorragia mais importante por uso de NOAC se inexistência de antídoto e complexo protrombínico = plasma Carvão ativado: pode ser utilizado quando a ingesta do NOAC for < 2h – inativa o composto no estômago. não pode ser utilizado em hemorragia digestiva EXCLUSÃO DE AURICULETA / OCLUSÃO PERCUTÂNEA DO APÊNDICE ATRIAL ESQUERDO: Indicação: paciente já anticoagulado que, mesmo assim, faz evento isquêmico OU alto risco para fenômeno tromboembólico com contraindicação de anticoagulação. Stephanie Marie // 4 ! Mesmo com oclusão da auriculeta esquerda, o paciente deve ficar um tempo inicialmente anticoagulado ou antiagregado. MANEJO DE FREQUÊNCIA E RITMO CARDÍACO: Controle de frequência: deve ser a primeira alternativa em pacientes com FA quase assintomática ou quando já foi tentado controle de ritmo e houve recorrência. Alvo de FC: < 110bpm se o paciente continua sintomático ou se continua piorando da função ventricular = alvo de FC < 80bpm Drogas disponíveis: beta bloqueador: primeira escolha → se FC = bisoprolol, carvedilol, metoprolol bloqueador de canal de cálcio: verapamil e diltiazem → não pode usar em disfunção ventricular esquerda digital: digoxina oral ! Lembrar sempre que o nível terapêutico é muito próximo do nível tóxico – intoxicação por digitálicos = náuseas, alteração visual, vômitos, dor abdominal, arritmia amiodarona: em pacientesrefratários a todos os outros ou em pacientes com cardiopatias estruturais não bem responsiva aos BB. → também controla ritmo – joga o paciente de FA para sinusal ! Se o paciente vai para ritmo sinusal e tem algum trombo formado em VE, pode precipitar AVC – ter cuidado. → em geral começa venosa e depois continua em administração oral Controle de ritmo cardíaco: pode ser feito com uso de antiarrítmicos para cardioversão (amiodarona ou propafenona) ou por ablação. ! sotalol: mantém o paciente em ritmo sinusal, porém não serve para cardioversão química. ! propafenona não pode ser utilizada em pacientes com cardiopatia estrutural. importante, porém tem menos efeitos colaterais que a amiodarona. Doses: Propafenona - 600mg DU VO se paciente < 70kg = 450mg Indicações: • pacientes jovens • primeiro episódio de FA • taquicardiomiopatia em geral • paciente com dificuldade de controle de frequência • qualquer condição aguda que tenha precipitado FA (pós-operatório, hipertireoidismo) Ablação: queima os focos de reentrada de FA, tentando acabar com a arritmia. Não cura a FA, diminui as chances de recorrência (mas não são mínimas). Ind: paciente sintomático, com FA paroxística ou persistente refratária ou intolerante a pelo menos um antiarrítmico. ! Mesmo a ablação dando certo, não se deve parar a anticoagulação. MANUTENÇÃO DE RITMO SINUSAL NA FA: • ausência de cardiopatia ou apenas HVE leve = propafenona ou sotalol • coronariopata = sotalol ! cuidado: risco de Torsades de Points elevado (prolongamento de Qt) • insuficiência cardíaca = amiodarona • paredes > 15mm = amiodarona Amiodarona e cuidados especiais / efeitos a longo prazo: • TSH a cada 6 meses (alteração tireoidiana) • ECG antes e periodicamente (avaliação do intervalo QT) • transaminases antes e cada 6 meses (hepatotoxicidade) Stephanie Marie // 5 • RX de tórax antes e anualmente + espirometria antes (possibilidade de doença intersticial pulmonar) • avaliação oftalmológica se sintomas (depósito corneano) ABLAÇÃO DE NODO AV + COLOCAÇÃO DE MARCA-PASSO: O marca-passo dita a frequência ventricular. É uma medida extrema. Indicações: • paciente não respondeu a nenhum tipo de tratamento anterior • paciente com cardiodesfibrilador implantável / CDI (pode interpretar FA como TV, com choques inapropriados) • paciente com FA que está em uso de ressincronicador cardíaco - tratamento de IC otimizado e mesmo assim sintomático e o cardiologista indicou ressincronização (melhor resposta com ritmo sinusal)