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1 TEORIA E PRÁTICA DA GINÁSTICA ESCOLAR 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário TEORIA E PRÁTICA DA GINÁSTICA ESCOLAR ................................... 1 NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 5 COMPREENDER A RELAÇÃO ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA. ....................................................................................................... 9 A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA ........................................................ 10 CONTEXTUALIZANDO A GINÁSTICA ................................................. 13 CONHECENDO A GINÁSTICA GERAL ................................................ 17 GYMNAESTRADA................................................................................. 19 MÉTODOS GINÁSTICOS ..................................................................... 20 Classificação da Ginástica ................................................................. 22 Classificação Geral dos Exercícios Físicos ........................................ 24 Segundo o Esforço............................................................................. 26 Segundo a Ação ................................................................................ 26 INCLUSÃO DA GINÁSTICA ESCOLAR ................................................ 27 VALÊNCIAS FÍSICAS TRABALHADAS NA GINÁSTICA ...................... 31 Resistência ........................................................................................ 32 Resistência Aeróbica ......................................................................... 33 Resistência Anaeróbica ..................................................................... 33 Flexibilidade ....................................................................................... 34 Alongamento Muscular ...................................................................... 35 Alongamento Estático ........................................................................ 36 Alongamento Balístico ....................................................................... 37 Força .................................................................................................. 37 Potência muscular.............................................................................. 38 Coordenação ..................................................................................... 39 OS CAMPOS DE ATUAÇÃO DA GINÁSTICA ...................................... 40 file:///Z:/ESPORTES/GINÁSTICA%20E%20ESPORTES%20COLETIVOS/TEORIA%20E%20PRATICA%20DA%20GINASTICA%20ESCOLAR/TEORIA%20E%20PRÁTICA%20DA%20GINÁSTICA%20ESCOLAR%20apostila.docx%23_Toc92100693 4 GINÁSTICA ESCOLAR (PRÉ-ESCOLA AO ENSINO MÉDIO) ............. 43 ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO ENSINO DA GINÁSTICA NA ESCOLA ......................................................................................................................... 44 COMO DAR UMA AULA DE GINÁSTICA ESCOLAR? ......................... 49 Referências ........................................................................................... 52 5 INTRODUÇÃO A educação física, como qualquer outra disciplina, na escola, tem responsabilidade na concretização do processo de formação e desenvolvimento de valores e atitudes, por meio de aulas educativas, com lugar para discussão e reflexão sobre cada situação ou fato ocorrido e, também, focar no desenvolvimento de várias práticas corporais além dos esportes, como a dança, a ginástica geral, jogos e lutas (GUIMARÃES et al., 2001). Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 1998) da educação física, a ginástica está inserida dentro de um bloco de conteúdos denominado esportes, jogos, lutas e ginásticas. Segundo Brasil (1998, p. 70-71), As ginásticas são técnicas de trabalho corporal que, de modo geral, assumem um caráter individualizado com finalidades diversas. Por exemplo, pode ser feita como preparação para outras modalidades, como relaxamento, para manutenção ou recuperação da saúde ou ainda de forma recreativa, competitiva e de convívio social. Envolvem ou não a utilização de materiais e aparelhos, podendo ocorrer em espaços fechados, ao ar livre e na água. Cabe ressaltar que são um conteúdo que tem uma relação privilegiada com o bloco conhecimentos sobre o corpo, pois nas atividades ginásticas esses conhecimentos se explicitam com bastante clareza. Atualmente, existem várias técnicas de ginástica que trabalham o corpo de modo diferente das ginásticas tradicionais (de exercícios rígidos, mecânicos e repetitivos), visando à percepção do próprio corpo: ter consciência da respiração, perceber relaxamento e tensão dos músculos, sentir as articulações da coluna vertebral. Assim, a educação física, no cenário escolar, passou a ser identificada como componente curricular integrado ao projeto político-pedagógico da escola (KUNZ, 2001). Esta apostila traz atividades que visam o estudo do Conteúdo estruturante Ginástica, e o conteúdo básico Ginástica Geral tanto na dimensão teórica como também na dimensão prática, abordado numa perspectiva crítica. O interesse em desenvolver este material surgiu da necessidade de buscar alternativas à Educação Física Tradicional. Temos visto que, mesmo com toda evolução teórica e as novas tendências que surgiram ao passar dos anos, ainda permeia no ambiente escolar a visão de que a disciplina de Educação Física é sem importância, sem conteúdo, recreativa e é só dado jogo, não 6 agregando conhecimentos para os alunos. Ou ainda podemos perceber que nas aulas de Educação Física, o que predomina são atividades esportivas sem nenhuma reflexão sobre o fazer corporal. Os conteúdos desenvolvidos nas aulas teóricas de Educação Física, quando existem, são desvinculados da prática, neste sentido se torna um trabalho unilateral e fragmentado, muitas vezes sem significado para o aluno. A importância de relacionar e contextualizar a teoria com a prática, proporciona uma visão para o aluno do mundo que o cerca, já que a Educação Física é componente curricular da educação básica, com sua importância e relevância na formação do aluno na sua integralidade, como ser humano que pensa e se movimenta. A escola através da disciplina de Educação Física pode se questionar que tipo de preparação que queremos para nossos jovens: que reproduzam os problemas ou que possam superar os problemas apresentados pela sociedade? Para que seja ampliado a forma como estes jovens possam compreender, interligar e integrar as práticas corporais,rompendo com a maneira tradicional como os conteúdos tem sido tratado na Educação Física, os Elementos Articuladores possibilitam trabalhar de forma reflexiva e contextualizada esses conteúdos. A reflexão e a contextualização dos conteúdos, pode contribuir na Educação Física, para que cada indivíduo seja estimulado a se tornar um cidadão crítico, emancipado e autônomo e não desprovido de definição cultural, mas alguém capaz de transformar a sociedade com base em seus objetivos. Assim, o indivíduo precisa ser preparado para uma vida em sociedade, oferecendo-lhe condições de aprender para sua efetiva participação nela, podendo analisar todas as influências que sofremos no nosso dia a dia. Com base nisso, e pelo exposto pretende-se desenvolver este trabalho com a Ginástica Geral nas dimensões teórica e prática, numa perspectiva crítica. Por que a escolha do Conteúdo Estruturante Ginástica? A ginástica que conhecemos na atualidade e a ginástica nas suas origens possuem características bem diferentes. Muitas experiências e a impressão que as pessoas possuem acerca desta modalidade são influenciadas pelos modismos; excluem os menos aptos; repetem movimentos pré-determinados; 7 não é desenvolvida devido a dificuldade de execução e exigência de materiais especiais, tais como as ginásticas rítmica e artística. Na escola, mesmo sendo um dos conteúdos estruturantes da Educação Física, a ginástica é uma prática quase extinta, e nas raras vezes que é ofertada predomina o caráter esportivo e competitivo. Para além desses, a ginástica deveria considerar o caráter histórico, social, econômico e político e, ser trabalhado do ponto de vista de cultura corporal, com o objetivo de promover a reflexão crítica, além de propiciar a vivência e o conhecimento da mesma. Por que a escolha do Conteúdo Básico Ginástica Geral? Por que a Ginástica Geral, segundo Santos (2001) é um campo bastante abrangente da Ginástica, podem ser incluídas várias manifestações como a dança, expressões folclóricas e jogos, pode ocorrer através de atividades livres e criativas, sempre fundamentadas em atividades ginásticas. Também pela sua multiplicidade de possibilidades de expressão e pela facilidade de incorporação dos processos formativos e educacionais, pode se caracterizar pela universalidade de gestos e se transformar numa atividade, podendo contribuir de forma significativa no processo global educacional, na formação pessoal e na prática da educação Física continuada, também Santos complementa que: A ginástica Geral objetiva promover o lazer saudável, proporcionando bem estar físico, psíquico e social aos praticantes, favorecendo performance coletiva, respeitando as individualidades, em busca da auto superação pessoal, sem qualquer tipo de limitação para a sua prática, seja quanto às possibilidades de execução, sexo ou idade, ou ainda quanto à utilização e elementos materiais, musicais e coreográficos, havendo a preocupação de apresentar neste contexto aspectos da cultura nacional, sempre sem fins competitivos. ( SANTOS, 2001; p. 23). Para trabalhar o conteúdo numa perspectiva crítica, há necessidade de adotar estratégias pedagógicas que condizem com este referencial. Dentro desta perspectiva será abordado o conteúdo básico de Ginástica Geral, onde serão utilizados os procedimentos Didáticos para a Pedagogia Histórico-crítica. Esta pedagogia, segundo Gasparim, (2007), divide-se em 3 fases para estimular a 8 construção do conhecimento escolar: prática, teoria, prática. Dessas 3 fases resultou 5 passos. Partimos da “Prática social inicial” que é o primeiro passo. Aqui é feita a leitura da realidade, um contato inicial com o tema a ser estudado, e a vivência cotidiana daquilo que vai ser estudado. O segundo passo é a ” Problematização” que procura identificar os problemas postos pela prática e pelo conteúdo, debatendo-os a partir da visão dos alunos, situações problemas que estimulam o raciocínio, é um desafio, criação de uma necessidade, através da ação do professor, o educando busca o conhecimento. O terceiro passo, a “Instrumentalização”, é a construção do conhecimento que vai do empírico ao concreto, neste momento o conteúdo científico é analisado e comparado com o conhecimento do cotidiano. O quarto passo é a “Catarse” aqui o aluno expressa através de registro a compreensão que teve de todo o processo de trabalho, a sua nova maneira de ver o conteúdo e a prática social. O quinto passo é a “ Prática social final do conteúdo”, nesta fase se transfere do teórico para o prático, das dimensões do conteúdo e dos conceitos adquiridos, que ultrapassa o nível institucional para se tornar prático-teórico no cotidiano extraescolar nas diversas áreas da vida social, o aluno mostra a nova maneira de compreender a realidade e de se posicionar nela, é a postura da nova prática, da nova atitude, da nova visão do conteúdo no cotidiano, sempre na perspectiva da transformação social, agora modificada pela aprendizagem. Para viabilizar a proposta segue textos e atividades para os alunos como exemplos de possibilidades para desenvolver o conteúdo básico Ginástica Geral numa perspectiva crítica. Para viabilizar a proposta segue textos e atividades para os alunos como exemplos de possibilidades para desenvolver o conteúdo básico Ginástica Geral numa perspectiva crítica. 9 COMPREENDER A RELAÇÃO ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA. TEXTO 1 – EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA Você sabia que a Educação Física no início de sua prática era chamada frequentemente de Ginástica? Darido e Sanches Neto, (2008) colocam que após a introdução da Educação Física no Brasil em 1851, a Reforma realizada por Rui Barbosa em 1882, analisa os métodos ginásticos Europeus e sua validade para a escola brasileira, e elabora um parecer a fim de discutir a reforma do ensino brasileiro. Em consequência desse parecer, recomendou-se que a ginástica fosse obrigatória, para ambos os sexos, eram para todas as escolas, mas somente a implantação ocorreu no Rio de Janeiro e nas escolas militares. Só a partir de 1920, quando muitas escolas começam a colocar em prática a Reforma, é que incluem a Educação Física, com o nome de ginástica. A partir do século XX e principalmente após a Segunda Guerra Mundial, (1945) o esporte tornou-se elemento predominante nas aulas de Educação Física, devido aos bons resultados dos atletas brasileiros nas competições internacionais, e as políticas internacionais passaram a determinar que a escola, por meio das aulas de Educação Física deveria ser o celeiro de atletas para que o país fosse bem representado nos países estrangeiros. As aulas passaram a ter característica de um treinamento esportivo, valorizando os alunos talentosos e excluindo os demais, e foi nesse momento que as ginásticas artística e rítmica de caráter competitivo tiveram maior divulgação e crescimento. Somente no início dos anos 80 que se viu a necessidade de mudar os rumos na Educação Física Brasileira, compreendeu-se que as aulas das escolas não deveriam ter por objetivo a formação de atletas. Ao analisarmos a importância da Educação Física escolar, percebemos a necessidade de ser compreendida como área que produz conhecimento formal e sistematizado, e que não deve ser desvinculada da realidade em que estamos inseridos. A Educação Física é uma disciplina que faz parte do currículo e que tem sua importância na construção do conhecimento e pode auxiliar na formação de um indivíduo crítico que faz parte de uma sociedade e pode dela participar e 10 transformá-la. O objeto de estudo e aplicação da Educação Física é a Cultura Corporal, desenvolvida através dos conteúdos estruturantes, esporte; dança; ginástica; lutas; jogos, brinquedos e brincadeiras e os elementos articuladores, que vão subsidiara reflexão crítico dos conteúdos. Nas DCEs (Paraná, 2008), nesta perspectiva, a Educação Física poderá contribuir para que os indivíduos se tornem sujeitos capazes de reconhecer o próprio corpo, refletir criticamente sobre as práticas corporais, levando-se em conta o momento político, histórico, econômico e social em que está inserido. A RELAÇÃO TEORIA E PRÁTICA A relação teoria-prática nas aulas de Educação Física pode trazer resultados mais efetivos na aprendizagem, considerando que irá favorecê-los na aquisição do conhecimento contextualizado, e na compreensão sobre as implicações para a sua vida. Texto 2 - Os conteúdos da educação física: relação teoria e prática Medina (2001, p.62) entende que “a Educação Física deve ocupar-se do corpo e de seus movimentos, voltando-se para a ampliação constante das possibilidades concretas dos seres humanos, ajudando-os, assim, na sua realização mais plena e autêntica”. Logo, para contemplar todos os aspectos ideológicos e sócio históricos que fundamentam o olhar crítico presente na Cultura Corporal de Movimento, todo o repertório de atividades, utilizado nas aulas de Educação Física, deve ser trabalhado, levando-se em consideração as características cognitivas, afetivas, corporais, éticas, estéticas e interpessoais para levá-los ao real poder contextual e de inserção social que elas apresentam. Buscamos uma forma de pensar a Educação Física diferente da que sempre se pensou. Por exemplo, substituir a Educação Física que dá importância de se formar atletas, deixando em segundo plano suas relações interpessoais, intencionais e sociais, para uma Educação Física que faça parte da realidade em que você vive, desenvolvendo, ampliando os conhecimentos e 11 estimulando a contextualização dos mesmos com o mundo que o cerca e a sociedade de uma maneira geral. A relação teoria e prática dos conteúdos da Educação Física, prioriza o conhecimento sistematizado, que busca superar somente a prática pela prática, despertando a reflexão sobre o movimento corporal, na tentativa de tornar as aulas mais agradáveis e interessantes, envolvendo os alunos ainda mais com as atividades. Assim a Educação Física terá como sair da condição passiva de auxiliar do processo educacional, para ser parte integrante deste, e colocá-la no seu o espaço, o da área do conhecimento, é necessário procurar entender, discutir e argumentar o desenvolvimento e aperfeiçoamento do corpo na história e na sociedade, priorizando o desenvolvimento de práticas pedagógicas na construção do conhecimento através das práxis. Enfatizamos através das Diretrizes Curriculares do Paraná (2008) a necessidade do ensino da Educação Física pautar-se numa perspectiva que supere a concepção tecnicista, e que priorize o desenvolvimento de práticas pedagógicas direcionadas à construção do conhecimento através das práxis. Assim, a relação teoria-prática pode trazer resultados mais efetivos na aprendizagem, considerando que irá favorecer aos alunos a aquisição do conhecimento contextualizado, e estará compreendendo sobre as implicações para a sua vida. Para que ocorra esta compreensão a Educação Física necessita ser trabalhada de maneira integral com o corpo de posses de todas as suas dimensão. Medina (2001, p.62) entende que “a Educação Física deve ocupar-se do corpo e de seus movimentos, voltando-se para a ampliação constante das possibilidades concretas dos seres humanos, ajudando-os, assim, na sua realização mais plena e autêntica”. Complementa colocando que “acredito que somente de uma maneira integral o corpo poderá se constituir num objeto específico da Educação Física como uma ciência do movimento. Só entendo o corpo na posse de todas as suas dimensões”. (MEDINA 2001, p.62). 12 Compreendemos que a Educação Física é uma prática pedagógica que trata da Cultura Corporal de Movimento e a preocupação é com a prática pedagógica que caracteriza a Educação Física na Educação Básica. O objetivo principal da Educação Física escolar é introduzir e integrar os alunos na Cultura Corporal de Movimento, da Educação Infantil até o Ensino Médio, formando os cidadãos que irão usufrir, partilhar, produzir e transformar as manifestações que caracterizam essa área, como o jogo, o Esporte, a Dança, a Ginástica e a Luta. (GALVÃO, RODRIGUES, SANCHES NETO 2008, p.34). Logo, para contemplar todos os aspectos ideológicos e sócio-históricos que fundamentam o olhar crítico presente na Cultura Corporal de Movimento, assim todo o repertório de atividades, utilizado nas aulas de Educação Física, deve ser trabalhado, levando-se em consideração as características cognitivas, afetivas, corporais, éticas, estéticas e interpessoais dos alunos e o real poder contextual e de inserção social que elas apresentam. Para garantir o conhecimento historicamente produzido pela humanidade, e partindo do seu objeto de estudo que é a Cultura Corporal. Neste sentido, encontramos em PARANÁ (2008: p. 11). A Educação Física se insere neste projeto ao garantir o acesso ao conhecimento e à reflexão crítica das inúmeras manifestações ou práticas corporais historicamente produzidas pela humanidade, na busca de contribuir com um ideal mais amplo de formação de um ser humano crítico e reflexivo, reconhecendo-se como sujeito, que é produto, mas também agente histórico, político, social e cultural. (PARANÁ, 2008: p. 11). Organizando e sistematizando o conhecimento nas aulas de Educação física, sobre as práticas corporais, possibilitará a comunicação e o diálogo com as diferentes culturas no processo pedagógico, pois o conhecimento não se esgota nos conteúdos, nas metodologias, nas práticas e nas reflexões, a investigação e a pesquisa também podem transformar as aulas e ampliar o conjunto de conhecimentos. Buscamos uma metodologia que tenha como principal componente a construção do conhecimento pelas “práxis”, que é proporcionar ao mesmo tempo a expressão corporal, o aprendizado das técnicas próprias dos conteúdos propostos e a reflexão sobre o movimento corporal. Dando a devida importância na relação teoria e prática, e não priorizando somente a prática. 13 É necessário ter consciência do que, quando, como e porquê, das práticas dos movimentos corporais a serem realizados, e da relação deles com a vida como um todo, nisto podemos incluir tudo que os cercam, as pessoas, a natureza, o trabalho, as ideias, os sentimentos e etc. Toda esta experiência pode levá-lo a uma qualidade de vida, e a um grau de autonomia nos movimentos que realizam, colaborando para que as atividades corporais da sua vida escolar e diária se tornem reflexo de sua atitude, envolvimento e comprometimento com as atividades deveres e direitos da sua consciência social. CONTEXTUALIZANDO A GINÁSTICA A Ginástica é um componente indispensável para a construção do conhecimento e na formação de alunos críticos, permite a possibilidade de vivenciar atividades que provocam valiosas experiências individuais e em grupos, sendo criados espontaneamente pelos participantes, afim de que possam reconhecer as possibilidades e limites do próprio corpo. ( DCE, Paraná, 2008). TEXTO 3 – HISTÓRIA DA GINÁSTICA A denominação ginástica remonta a épocas anteriores ao século XIX. Sua origem etimológica vem do grego gymnastiké – “Arte ou ato de exercitar o corpo para fortificá-lo e dar-lhe agilidade” (grifo meu) – e gímnós – “nu, despido” (Ferreira, 1986, p.850) - , trazendo consigo uma ideia de associação entre o exercício físico e a nudez (“exercitar o corpo nu”), no sentido do despido , do simples, do imparcial, do neutro, do puro. (AYOUB, 2003: p.31). Para os gregos, ginástica significava”[...] exercícios físicos em geral e estes compreendiam corridas, lançamentos, saltos, lutas etc.; em resumo, todos os exercícios denominadosna atualidade atletismo ou esportes” (Langlande e Langlande, citado por Ayoub 2003: p.23). Sendo assim entendido em suas primeiras sistematizações na sociedade ocidental europeia, o termo ginástica englobava uma enorme gama de práticas corporais, tais como: jogos populares 14 e da nobreza, a guerra, esgrima, equitação, danças e canto (Soares, apud Ayoub, 2003: p.31). Bregolato (2008, p.75) coloca que “a base da Educação Física, e do ensino como um todo, foram desenvolvidas na Europa a partir da Revolução Francesa em 1789 (século XVIII) ”. Em função dessa revolução, o sistema educacional europeu tomou novos rumos e influenciou muitos países do mundo. A Educação Física desenvolveu seus conteúdos no chamado Movimento Ginástico Europeu. O Movimento Ginástico Europeu ocorreu ao longo do século XIX, principalmente na Alemanha, Suécia, Dinamarca e França, que juntamente com o Esporte da Inglaterra, formaram as bases da Educação Física que ainda vigoram no mundo. Os métodos foram formulados com princípios da cultura da Grécia antiga, que enaltecia a saúde, a força e a beleza, e teve todas as atividades da Educação Física denominadas GINÁSTICA. O termo Ginástica englobava as várias práticas corporais que se constituem de saltos, corridas, esgrima, jogos, acrobacias, equitação, natação, exercícios de preparação para a guerra eram representadas como ginástica. (Bregolato, 2008). A ginástica contribuía para desenvolver a coragem, ousadia, perseverança e às vezes a sabedoria e amor ao bem, tudo isso se dava juntamente com a ideia de força, energia, resistência, velocidade, destreza e vigor também para a formação do caráter, e o refinamento do espírito que era alcançado através da dança, pelo canto e pela poesia. Neste período de guerras e revoluções pela aquisição de terras, a formação física e moral da ginástica foi voltada principalmente com o fim nacionalista de lutar pela pátria. Tudo isso gerou a maior corrente do Movimento Ginástico Europeu, a Tendência Militarista, que formava indivíduos saudáveis, fortes e de caráter para servir a nação, para ser útil a nação, e neste período também a ginástica ganhou forças no aspecto utilitário, sendo que as atividades físicas eram de utilidade para o indivíduo que reverteria em utilidade para a pátria. Por isso que a Ginástica vista como útil a nação, ganhou força no aspecto utilitário. A Autora ainda coloca que: 15 Apesar da Tendência Militarista ter vigorado, consta também outra corrente na ginástica, a denominada Tendência Naturalista ou Método Natural. Este método não se justificava nos anseios da nação, mas na pessoa em si mesma, portanto, os benefícios que a ginástica proporcionava eram revertidos para o praticante. Também confere à ginástica o sentido de lazer, que tem em seu cerne a liberdade e o prazer (BREGOLATO, 2008: p. 77). E hoje a ginástica ainda é praticada pelos soldados (exército e polícia militar)? Como é esta ginástica? A ginástica compreendida como uma prática corporal que, desde o início do século XIX, vem se modificando, e sendo construída conforme os diferentes contextos histórico-culturais, vem sofrendo transformações ao longo dessa trajetória, assim vai ganhando novos contornos na atualidade, no entanto para Soares (citado por AYOUB, 2003: p. 38). A ginástica contemporânea ainda permanece fortemente vinculada à conquista da saúde, orientando-se por uma visão limitada que restringe a compreensão de saúde a um corpo estritamente biológico, individual, a um ser humano histórico, descontextualizado da sociedade na qual está inserido. TEXTO 4 – A GINÁSTICA NA ATUALIDADE Em toda esta trajetória percorrida pela ginástica, inúmeras terminologias têm sido criadas, configurando diferentes tipos de ginástica, de acordo com as suas principais características e objetivos. Estas várias diferenciações aos diversos tipos de ginástica existentes na atualidade revelam, em maior ou menor grau, “além das suas ligações com as exigências da esportivização, uma sintonia com as pressões da indústria do lazer, a qual tem estimulado e favorecido os modismos no campo das práticas corporais”.( Ayoub, 2003). Bracht (apud Ayoub, 2003: p.39) para acompanhar estes modismos, constatam que “ o boom das academias de ginástica, nas quais as pessoas, em geral, já nem sabem se lá estão “por opção ou por imposição social”. Isso para alcançar um corpo escultural significando a felicidade. A ginástica que conhecemos na atualidade e a ginástica nas suas origens possuem características bem diferentes. Muitas experiências e a impressão que as pessoas possuem acerca desta modalidade são influenciados pelos 16 modismos que exclui os menos favorecidos socialmente, incentivando o culto exagerado ao corpo, impondo padrões estéticos e até mesmo determinando materiais que deverão ser usados na prática da ginástica. Esta não é a ginástica que queremos e sim uma ginástica que participe da construção do corpo cultural, de crianças adolescentes, dos trabalhadores, enfim, dos homens e das mulheres, que com eles sentem, pensam, desejam, sofrem, agem ... assim coloca Sousa e Vago (apud AYOUB, 2003). A Ginástica é uma prática que deve ser para todos e que ensine a respeitar as diferenças, além de aproveitar seus inúmeros movimentos corporais para auxiliar no aprendizado de outras manifestações da cultura corporal, tais como: Luta, dança, jogo e esporte. Na escola, a ginástica é um dos conteúdos estruturantes da Educação Física, mas é uma prática quase extinta, e nas raras vezes que é ofertada predominam o caráter esportivo e competitivo. Para além desses, a ginástica deveria considerar o caráter histórico, social, econômico e político, com o objetivo de promover a reflexão crítica. A Ginástica desde a sua criação teve um aumento significativo no número de pessoas que estão praticando e com isso, foram criadas novas formas de Ginásticas para atender a diversidade de interesses de cada um desse público que está praticando. São vários os motivos que levam as pessoas a praticarem ginástica, entre eles: reeducação postural, prevenção ou compensação para evitar problemas de estresse e doenças, manutenção da saúde, para fins estéticos, competição ou seja outros motivos que levam esse público a sua prática. Desta forma, Souza (apud Brandl, 1999, p. 38/39) explica que a Ginástica é dividida em cinco grupos que abrange seus principais campos de atuação, facilitando a compreensão de suas diversas ramificações que são: 1. Ginástica de Condicionamento físico: engloba todas as modalidades que tem por objetivo a aquisição ou a manutenção da condição física do indivíduo normal e/ou atleta. Podemos exemplificar como a: ginástica localizada, a ginástica aeróbica, musculação, step etc. 2. Ginástica de competição: nesta estão incluídas todas as modalidades competitivas como: ginástica artística, ginástica rítmica, trampolim acrobático, mini-trampolim, etc. 17 3. Ginástica fisioterápicas: estas são responsáveis pela utilização de exercícios físico na prevenção ou tratamento de doenças. Reeducação postural global, cinesioterapia etc. 4. Ginástica de consciência corporal: nesta são reunidas as novas propostas de abordagem do corpo, também conhecida por “ Técnicas Alternativas ou Ginástica Suaves”. Na maioria destes trabalhos tem origem na busca da solução de problemas físicos e posturais. Exemplo desse grupo é a antiginástica, Eutonia, etc. 5. Ginástica de demonstração: é representante deste grupo a Ginástica Geral cuja principal característica é a não-competitividade, tendo como função principal a interação social, a formação integral do indivíduo em seus aspectos motor, cognitivo, afetivo e social. CONHECENDO A GINÁSTICA GERAL TEXTO 5 - A GINÁSTICA GERAL NUMA PERSPECTIVA CRÍTICA A Ginástica Geral é um campobastante abrangente da Ginástica, podem ser incluídas várias manifestações como a dança, expressões folclóricas e jogos, pode ocorrer através de atividades livres e criativas, sempre fundamentadas em atividades ginásticas. Também pela sua multiplicidade de possibilidades de expressão e pela facilidade de incorporação dos processos formativos e educacionais, pode se caracterizar pela universalidade de gestos e se transformar numa atividade, podendo contribuir de forma significativa no processo global educacional, na formação pessoal e na prática da educação Física continuada, Santos complementa que: A ginástica Geral objetiva promover o lazer saudável, proporcionando bem estar físico, psíquico e social aos praticantes, favorecendo performance coletiva, respeitando as individualidades, em busca da autosuperação pessoal, sem qualquer tipo de limitação para a sua prática, seja quanto às possibilidades de execução, sexo ou idade, ou ainda quanto à utilização e elementos materiais, musicais e coreográficos, havendo a preocupação de apresentar neste contexto aspectos da cultura nacional, sempre sem fins competitivos. ( SANTOS, 2001; p. 23). 18 A ginástica Geral é uma atividade que sua prática pode ser executada sem qualquer tipo de limitação, ela tem como base os movimentos de saltar, equilibrar, rolar/girar, trepar, e balançar/embalar, vamos explicar como se dá cada fundamento. Para Soares, (1992, p. 78). • Saltar: Desprender-se da ação da gravidade, manter-se no ar e cair sem machucar-se. • Equilibrar: Permanecer ou deslocar-se numa superfície limitada, vencendo a ação da gravidade. • Rolar/girar: Dar voltas sobre os eixos do próprio corpo. • Trepar: Subir em suspensão pelos braços, com ou sem ajuda das pernas, em superfícies verticais ou inclinadas. • Balançar/embalar: Impulsionar-se e dar ao corpo um movimento de “vaivém”. Para contribuir na contextualização do conteúdo, as DCEs propõem os Elementos Articuladores que podem fazer estas práticas corporais serem entendidas de forma mais ampla, auxiliando na amplitude dos conhecimentos e relacionando com as situações que surgem no dia a dia, também contribuindo com a compreensão da realidade atual, e possibilitando uma interdependência transformadora. Os Elementos Articuladores sugeridos nas DCEs que podem auxiliar numa aprendizagem mais crítica e contextualizada, são: Corpo, Cultura Corporal e Ludicidade, Cultura Corporal e Saúde, Cultura Corporal e Mundo do Trabalho, Cultura Corporal e Desportivização, Cultura Corporal – técnica e tática, Cultura Corporal e Lazer, Cultura Corporal e Diversidade, Cultura Corporal e Mídia, todos podem auxiliar numa aprendizagem mais significativa relacionando com as situações que surgem no seu dia a dia. O Corpo é um dos elementos articuladores que está sendo abordado nesta Unidade Didática. Conforme a Diretriz Curricular de Educação Física (PARANÁ, 2008: p 14). 19 “ o corpo é entendido em sua totalidade, ou seja, o ser humano é o seu corpo, que sente, pensa e age. Os aspectos subjetivos de valorização – ou não – do corpo devem ser analisados sob uma perspectiva crítica da construção hegemônica do referencial de beleza e saúde, veiculado por mecanismos mercadológicos e midiáticos, que fazem do corpo uma ferramenta produtiva e um objeto de consumo”. As reflexões e discussões que envolvem o corpo devem estar ligadas com todas as manifestações e práticas corporais que surgem nos conteúdos estruturantes, e também como pressupostos a reflexão crítica ao longo da história sobre as várias visões criadas pela humanidade em relação ao corpo que favorecem a dicotomia corpo-mente, e o significado que o mesmo assume diante da sociedade, aparência que é imposta. Estes aspectos precisam ser trabalhados na escola para que o trato com estas questões não seja de forma ingênua e a naturalidade seja deixada de lado por uma exigência que nos é colocada. Santos, (2001, p. 29) ressalta que “ na Ginástica Geral considera-se coreografia como sendo a composição de uma apresentação da modalidade, valendo-se fundamentalmente de elementos corporais, predominantemente os ginásticos, interligados entre si, de forma lógica e harmoniosa, com início, meio e final”. Lembramos também que tem vários itens que devem ser levados em conta sobre a montagem de coreografia como por exemplo: participantes, tipo de apresentação, escolha do tema, música, movimentos, material a ser utilizado, espaço etc. GYMNAESTRADA Você sabe o que é Gymnaestrada? Gymnaestrada é um termo criado a partir de duas origens: “gymna” refere-se à “ginástica” e “strada” refere-se à “caminho”, determinando o significado “caminho da ginástica” Gymnaestrada Mundial é considerado como o maior evento de ginástica não competitiva do mundo, é um evento oficial da Federação Internacional de 20 Ginástica (F.I.G), nesta tem demonstrações na área de Ginástica Geral, não competitivas, onde os países participantes podem trocar experiências sobre os trabalhos desenvolvidos nesta modalidade. Ela surgiu a partir de realização de festivais nacionais de Ginástica em meados do século XIX, na Europa, todos os esportistas presentes têm participação ativa, ao mesmo tempo sendo espectadores e atores. Santos (2001, p.90) lembra que “ a Gymnastrada Mundial não é a Ginástica Geral, a Gymnastrada Mundial é um evento no qual os praticantes de Ginástica Geral de toda parte do planeta reúnem-se para apresentar seus trabalhos, conforme características próprias regionais”. Para Santos, (2001, p. 24) “ a Ginástica Geral surge, com o propósito de recuperar o status de liberdade da arte da ginástica, uma arte sem fronteiras, onde tudo é possível, baseada no corpo, em seus movimentos e em suas expressividades”. Também coloca que “ a Ginástica Geral deve fomentar um (re) visitamento da orgânica relação do corpo com a arte, com o espetáculo, com a cultura e com a história”. A Ginástica Geral além de ser um elemento formador, integrante do processo educativo, também dá a possibilidade de aproveitar os elementos expressivos para fins de espetáculos, motivando quem pratica. Além do público participar de momentos sócio-culturais-artísticos festivos, muito prazerosos e alegres, fundamentais no aprimoramento de uma sociedade, possibilitando a visualização daquele integrante da sociedade motivarem-se com o envolvimento na prática da própria Ginástica Geral. Para finalizar, Santos (2001, p.25) ainda coloca que “ qualquer indivíduo pode participar ativamente, sem restrições ou preconceitos é, certamente, um dos elementos mais importantes que um espetáculo de Ginástica Geral pode oferecer, tal e qual vislumbramos a participação dos indivíduos numa “sociedade ideal”. MÉTODOS GINÁSTICOS O termo Método estabelece uma forma de organizar e empregar formas e meios, com a finalidade principal de se atingir os objetivos propostos. Em nosso 21 caso específico, de métodos para aplicação de exercícios ginásticos, é condição fundamental que sejam estabelecidos procedimentos de aplicação do método. Os principais procedimentos são: a) Organização: parte do princípio que para toda aplicação de um método, existe um processo organizacional de conteúdo. b) Explicação: embasado no fato de transmitir ao aluno de forma precisa e progressiva, os conteúdos inerentes aos exercícios ginásticos a serem executados durante uma aula ou sessão. c) Demonstração: procedimento fundamental para nossas aulas de Ginástica, pois certamente irá potencializar o procedimento anterior da Explicação. Este procedimento é dividido nas seguintes etapas: 1. Repetição: para que o movimento seja realizado com a técnica correta mínima necessária. 2. Correção: para que o movimento tenha grande eficiência e mínimo de gasto energético. 3. Progressão: paraque o aluno venha a executar movimentos mais complexos no decurso natural do tempo destinado às aulas. Os métodos ginásticos podem ser entendidos como um primeiro esboço de sistematização científica da atividade física, pois apresentam um conjunto sofisticado de prescrições e justificativas desenvolvidas através do conhecimento científico do corpo e do movimento. Historicamente, a partir de propostas pedagógicas diversas, se desenvolveram vários grandes métodos relacionados a uma sistematização científica das atividades físicas no mundo ocidental. Esses métodos foram fundamentados a partir de relações cotidianas, divertimentos, festas culturais e espetáculos corporais, agregando ordem e disciplina Os mesmos apresentavam particularidades de seus países de origem, porém acentuavam finalidades e semelhanças, tais como regenerar as populações, promover a saúde, combater vícios gerais e posturais, bem como, acentuar a eficiência dos gestos executados. Tinham como principais propostas, transformar, desenvolver nos indivíduos à vontade, a coragem, a força e a energia de viver. (Soares, 2002). 22 Em outro âmbito, a aplicação dos métodos de prática de exercícios físicos busca a melhora da aptidão física, onde se pressupõe um estado hígido, que apresenta um elevado grau de desenvolvimento de suas funções cardiovasculares e respiratórias, complementado por uma adequada resistência muscular e mobilidade articular, tudo dentro de um perfeito equilíbrio psicológico. (GRAFF, 2006). Vários desses métodos possuem objetivos militares em sua essência e tiveram, ao longo dos anos, uma série de adaptações para que pudessem ser aplicados no âmbito escolar, focalizando, portanto, grupos diferentes. Existem dois enfoques no que se refere a aptidão física: aptidão física relacionada à saúde, que inclui elementos fundamentais para a vida ativa com menos riscos de doenças hipocinéticas, e a aptidão física motora ou atlética, que deve incluir, além dos fatores de aptidão física relacionada à saúde, os fatores de performance do grupo de interesse (NAHAS, 2001). Classificação da Ginástica A ideia de classificar vem da necessidade de se ordenar e/ou organizar um determinado ramo do conhecimento humano, face ao grande volume de informações que o mesmo acumulou em virtude do tempo ou mesmo do grande número de estudiosos que desenvolvem suas pesquisas. Dessa forma, ocorre com a ginástica, pois é uma vertente do conhecimento que remonta os milhares de anos, sendo normal, portanto, que existam muitos livros e tratados deste assunto. Lembre-se de você que em termos anatômicos o corpo humano alterou- se muito pouco no que tange a prática de exercícios, porém as alterações são bastante consideráveis com relação à forma de executar os exercícios e principalmente aos recursos disponíveis nos tempos atuais. Resumidamente, grandes mudanças na forma e pequenas mudanças no conteúdo. Existem inúmeras definições para a ginástica, porém, pode-se afirmar que a mesma é uma ação repetitiva com o objetivo de melhorar a aptidão física e ou a aquisição de uma habilidade (Pérez Gallardo, 2002). Ginástica de Condicionamento Físico 23 É a ginástica indicada para manutenção da boa forma e do bom desempenho das funções orgânicas. Praticada em academias ou na forma de atividade física livre, respeitando uma freqüência, intensidade e duração adequadas. Os benefícios da atividade física têm sido comprovados pela ciência moderna. No entanto, não é só a prática de exercícios físicos que contribui para a boa saúde. As condições de vida de uma população ou de um indivíduo, com suas inúmeras variáveis, são determinantes para seu estado de saúde. Deste modo, podemos afirmar que a ausência de doenças, o saneamento básico, a habitação, o transporte, a qualidade da alimentação e os hábitos pessoais são aspectos essenciais quando se trata de saúde. A sociedade moderna tornou o homem um ser sedentário (não praticamente de atividade física), gerando doenças orgânicas em vários níveis. Para minimizá-las, a prática de atividade física permanente produz efeitos benéficos. Isto por que, quando impomos ao corpo uma atividade acima da frequência, intensidade e duração habitual, exigimos que ele produza energia- indispensável ao movimento humano, com mais intensidade, forçando o sistema circulatório e respiratório a trabalhar com maior velocidade, melhorando e aumentando sua capacidade de trabalho no final de um determinado tempo. Assim podemos usufruir dos benefícios que a atividade física produz no organismo, tais como: melhor qualidade de vida, aumentando no volume de Oxigênio ( VO2 ), modalidade de vida, neoformação de Capilares, aumento no volume de capacidade pulmonar, aumento no número e volume de mitocôndrias ), aumento na produção de ATP, liberação da agressividade e ansiedade, aumento da autoestima e autoconfiança, aumento na produção de hormônios que proporciona bem-estar, bom humor e mais resistência a dor e ao cansaço, aumento no número de amigos, maior segurança nas relações sociais, etc. Com o avanço da ciência e da medicina esportiva, que comprovam os benefícios da atividade física na manutenção da saúde física, mental e social, ampliou-se as alternativas de atividade física para atender as necessidades e gostos dos que desejam e/ou precisam se exercitar. Dentre elas destacamos: 1. Ginástica Calitênica 2. Ginástica de Academia; 24 3. Musculação; 4. Ginástica Localizada; 5. Hidroginástica; Classificação Geral dos Exercícios Físicos Por ocasião dessa seção, necessitamos diferenciar o conceito de exercício físico em relação ao conceito de atividade física, podendo dessa forma citar que: O que é exercício físico? O Exercício físico é uma atividade realizada com repetições sistemáticas de movimentos orientados, com consequente aumento no consumo de oxigênio devido à solicitação muscular, gerando, portanto, trabalho (BARROS NETO, 1999). O que é atividade física? A atividade física é definida como um conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pratica, envolvendo gasto de energia e alterações do organismo, por meio de exercícios que envolvam movimentos corporais, com aplicação de uma ou mais aptidões físicas, além de atividades mental e social, de modo que terá como resultados os benefícios à saúde (MARCELLO MONTTI, 2005). A partir dos conceitos acima, percebe-se que a atividade física indica um conceito mais amplo, enquanto que o exercício físico demonstra ser algo mais restrito. Os processos de classificação dos exercícios físicos vão ajudar você a compreender, de forma bastante clara, os diversos tipos de exercícios físicos que podemos desenvolver para o corpo humano. Perceba você que na seção anterior (Divisão da Ginástica) estão permeados conhecimentos com da seção atual. Este fato é bastante interessante, pois permite a você acadêmico, contrapor conhecimentos de autores diversos. Veja algumas formas mais utilizadas: Segundo a Forma de Execução: Neste item abordamos alguns meios possíveis de se dividir os exercícios físicos quanto a sua forma de execução, ou seja: 25 1) Exercícios Naturais: repare você que a palavra cotidiano caracteriza esses exercícios, pois são aqueles utilizados para manutenção e desenvolvimento das necessidades primárias do ser humano. Vamos, dentre vários, destacar o andar, o correr, o lançar, o arremessar, o saltar, o quadrupedar, o escalar, o rastejar, o rolar, o saltitar e outros. Modernamente, o andar e o correr são exemplos de atividades físicas que se tornaram um hábito de muitos indivíduos. 2) Exercícios Rítmicos: Utiliza basicamente os exercícios naturais para o desenvolvimento das qualidades físicas em conjunto com a criatividade e a expressão corporal através de músicas, palmas, sons instrumentaise ordens de comando. Atualmente, as academias oferecem ao público um sem número de atividades com exercícios rítmicos que muitas vezes se diferenciam entre si na frequência rítmica utilizada e no caráter comercial de cada um de seus criadores. 3) Exercícios Formativos: Destinados especificamente ao desenvolvimento e/ou manutenção de qualidades físicas inerentes ao ser humano como a força, flexibilidade, resistência, velocidade e coordenação. 4) Exercícios Laborais: Geralmente realizados em algumas situações especiais, os exercícios laborais se prestam a amenizar problemas adquiridos (no trabalho) ou congênitos, atualmente, encontram-se bastante difundidos em países industrializados e são subdivididos em: • Exercícios de Compensação - Na sua realização visam corrigir assimetrias musculares causadas por situações de excessivas cargas de trabalho em determinados grupos musculares. A realização de exercícios físicos que venham a atingir musculaturas agonistas e antagonistas é a característica principal de tais exercícios. • Exercícios Corretivos - São aplicados após um diagnóstico médico do problema. Normalmente estão relacionados com problemas posturais, maus hábitos ou retorno das funções osteomusculares normais de segmentos corporais. • Exercícios de Manutenção - São estabelecidos a partir de um padrão estipulado que o indivíduo julga como sendo o ideal para o seu organismo, levando em consideração fatores como a idade, o meio social, o cotidiano 26 e outros. Os exercícios de manutenção possuem como finalidade principal a estabilização das qualidades físicas adquiridas através da prática de atividade física. A classificação apresentada anteriormente não deve ser utilizada apenas de forma individualizada, ou seja, pode-se prescrever por exemplo um exercício físico que seja formativo e tenha caráter rítmico e vice-versa. Segundo o Esforço Esta classificação é bastante subjetiva, pois está diretamente relacionada com a condição física e anamnese atlético-desportiva do praticante. Os exercícios físicos são divididos em: 1) Exercícios Fracos: são aqueles que o dispêndio de energia para sua realização é pequeno. Normalmente são utilizados no início de uma sessão ou aula ou ainda por indivíduos em início de treinamento, com idade avançada ou em recuperação de doenças ou cirurgias. 2) Exercícios Médios: são aqueles que consomem razoável quantidade de energia para sua realização e executados por pessoas com relativa condição física. 3) Exercícios Fortes: são aqueles que para sua realização requerem grandes quantidades de energia e somente devem ser executados por indivíduos em plena condição atlética. Segundo a Ação Na classificação por ação, nos interessa vislumbrar a região do corpo humano que o exercício irá atuar com maior intensidade. Para tanto, os mesmos são classificados da seguinte maneira: 1) Generalizados ou Sintéticos: relacionado com as grandes funções do organismo, geralmente são exercícios naturais e principalmente destinados a melhoria da capacidade aeróbica. 2) Localizados ou Analíticos: denominação utilizada para os exercícios físicos que atingem apenas algumas cadeias cinéticas (grupo de ossos, músculos e articulações) do corpo humano. 27 INCLUSÃO DA GINÁSTICA ESCOLAR Em 1808, com a vinda da família real portuguesa, inicia-se um precário investimento na educação, organizada em educação popular e pública, em que o governo imperial, através do Ato Adicional de 1834, acrescentou na Lei da Educação Elementar, de 1827, uma estrutura educacional dividida em três níveis: instrução primária, secundária e ensino superior, competindo às assembleias provinciais e aos seus governos executivos a responsabilidade sobre os dois primeiros níveis de instrução, e ao governo imperial a estruturação do ensino superior (GOIS JÚNIOR e BATISTA, 2010). O Colégio Pedro II, fundado em 1837, com o objetivo de oferecer uma formação diferenciada à elite carioca do século XIX, introduz no ensino público fluminense as práticas da ginástica, que diferenciaram com uma formação moderna que incluía em seu currículo saberes desconhecidos dos outros colégios, como a música, desenho e a própria ginástica. O aluno formado pelo colégio recebia o título de bacharel em Letras, e poderia ingressar em qualquer curso superior do país (GOIS JÚNIOR e BATISTA, 2010). Em São Paulo, a partir de 1835, iniciou-se o ideário de construção de uma Escola Normal, que teria o objetivo de formar o professorado paulista para a instrução primária na província. Contudo, apenas em 1843 apresentou-se à Assembleia paulista o projeto para sua criação, que foi aprovada através da Lei n° 34, de 1846 (GOIS JÚNIOR e BATISTA, 2010). A partir daí, no Brasil império, em 1851, a Lei de nº 630 incluiu a ginástica nos currículos escolares. Rui Barbosa foi um dos primeiros defensores das práticas ginásticas dentro da escola, em 1882, e já nessa época ele ressaltava a importância do cunho social, intelectual e moral da ginástica (DORNELLES, 2007). Preconizava a obrigatoriedade da educação física nas escolas primárias e secundárias, praticada quatro vezes por semana durante 30 minutos (GOMES, 2010). No entanto, é apenas a partir da década de 1920 que vários Estados da Federação começam a realizar suas reformas educacionais e incluem a educação física, com o nome mais frequente de ginástica. (BETTI, 1991). Historicamente, a ginástica aparece nos currículos escolares brasileiros marcada por princípios eugênicos, higiênicos e morais, ditados pelas regras dos 28 militares e da classe médica. Pelo modo de se fazer educação física nas escolas e através dele é que se buscava moldar o homem desejado pela e para a sociedade naquele período (NASCIMENTO et al., 2013). O Brasil teve influência do Sistema Francês de ginástica, que tinha como pressuposto o lado físico (movimentos coordenados, ritmados e coreografados do corpo), para uma formação ética (disciplina), social (resistência às adversidades das guerras) e higiênicas (aumento da força e saúde corporal) (XAVIER e ALMEIDA, 2012). A educação física escolar, sob as orientações metodológicas da escola francesa, era baseada em exercícios calistênicos: movimentos repetitivos que trabalhavam, de forma isolada, membros superiores e inferiores. O professor indicava a forma de realização da ação motora ou demonstrava na prática, de forma que seus alunos repetissem sua execução (XAVIER e ALMEIDA, 2012). O Método Francês alinhava a formação higienista, militar e ideológica e foi a primeira metodologia legal a ser reconhecida e utilizada em currículos escolares no Brasil. Essa utilização ocorreu através do Regulamento nº 7 da Educação Física (XAVIER e ALMEIDA, 2012). A escola alemã também exerceu influência na educação, aproximando eugenia e atividade física, em que a exposição dos atletas alemães olímpicos, normalmente com um biótipo característico, induzia à percepção de uma superioridade genética (altos, fortes e rápidos), influenciando e difundindo a expansão dessa doutrina ao mundo, com reflexos diretos no Brasil (XAVIER e ALMEIDA, 2012). A influência médico-higienista era presente na Diretoria da Instrução Pública, com inspeções técnico-escolares, onde eram averiguados, entre outras coisas, os programas e horários de ensino, bem como a Inspeção Médico- Sanitária Escolar, criada através do Decreto nº 867, do Regulamento da Instrução Pública (SANTANA, s/d). Algumas instituições aderiram à escola sueca. Então, desde o início do século XX a ginástica se torna presente nas instituições de ensino brasileiras, sendo inserida nos currículos das escolas com o objetivo de educar o corpo das crianças na escola, abordando múltiplas propriedades: pedagógica, higiênica, educativa, social, corretiva, ortopédica, enérgica, viril, social, patriótica,disciplinadora e formadora do caráter (SANTANA, s/d). 29 “Exercicios Physicos”, através da “Gymnastica”, integrariam os currículos dos grupos escolares do Brasil, tornando-se obrigatória, reservando-se, entre outras coisas, tempo na grade de horário, construção de locais apropriados para sua realização, separação por sexo e designação de uma pessoa responsável pelo seu ensinamento, que na maioria das vezes era um general do quartel ou a própria professora responsável pela sala de aula (SANTANA, s/d). Getúlio Vargas instituiu, por meio do Decreto nº 19.404, de 14 de novembro de 1930, o Ministério dos Negócios, Educação e Saúde, e desse modo estariam postas as bases para construir o Estado Nacional, por meio da educação que concorreria para sanear a sociedade brasileira visando a uma concepção higienista por meio da formação de homens, mulheres e crianças fortes e sadios (CORREA, 2013). Veja alguns exemplos de fotos de ginástica na escola em 1930: A partir dos anos 1980 a ginástica adotou um caráter mais pedagógico, passando a ter outros objetivos enquanto disciplina, surgindo assim um movimento de crítica a essa situação e novas tentativas de ressignificar e redimensionar a relação esporte e educação física escolar (NASCIMENTO et al., 2013). Na década de 1980 surgiram então novas abordagens pedagógicas para o ensino da ginástica, com o intuito de quebrar a hegemonia da concepção esportivista e tecnicista, com um olhar que ultrapassasse a competitividade de 30 outras modalidades esportivas e, principalmente, das ginásticas competitivas (BEZERRA et al., 2014). Essas novas concepções gímnicas induziram a ações positivas, principalmente na educação física escolar, possibilitando aos professores oportunizarem a seus discentes, de forma mais educativa, a vivência de distintas dimensões (competitivas e apresentação) e abordagens (tradicionalista, tecnicista, educativa, lazer, saúde etc.) da ginástica. Mas muitos conteúdos continuaram não sendo ofertados aos educandos, devido à falta de preparação dos professores e à inadequação da infraestrutura escolar, em termos de espaço físico e de equipamentos específicos (BEZERRA et al., 2014). A educação física, presente no âmbito escolar desde 1851, foi somente em 1996, através da Lei nº 9.394/96, que passou a vigorar legalmente como um componente curricular da Educação Básica, configurando-se assim como uma disciplina com características e fins educativos, ou seja, passou a integrar a organização curricular escolar, que, aliada aos demais componentes, deveria proporcionar a formação cultural do aluno por meio da seleção, organização, sistematização e problematização de seus conteúdos, com várias práticas, desde jogos até a ginástica competitiva e não competitiva (SILVA; SAMPAIO, 2012). Segundo Zaghi, Simões e Carbinatto (2015), a ginástica deve estar inserida na EF escolar, em todo processo educativo e, especialmente, com abordagem que incentive: • criticidade • criatividade • autonomia • formação humana. Para tanto, as propostas metodológicas advindas de estudos da ginástica para todos (GPT, também conhecida como Ginástica Geral), talvez sejam as que mais se encaixam aos objetivos da escola e, através dela, abordar a ginástica em suas manifestações competitivas, demonstrativas, de condicionamento físico, entre outras. No currículo escolar tradicional brasileiro podemos encontrar manifestações da ginástica de várias linhas europeias, que se caracterizam (ALMEIDA et al., 2012): 31 Além dos exercícios em aparelhos, onde citamos o balançar na barra fixa, equilibrar na trave olímpica, exercícios com aparelhos manuais (salto com arcos, cordas) e diferentes formas de luta (ALMEIDA et al., 2012), também se deve abordar como conteúdo da ginástica a teoria e prática com exploração adequada de espaço; utilização de diferentes trajetórias, direções e planos, bem como a utilização dos recursos de vestimenta e maquiagem (GRILLO et al., 2007). Toda a prática pedagógica da educação física deve reconhecer a ginástica como prática constitutiva da cultura corporal, como prática social produzida pela ação humana com vistas a atender determinadas necessidades sociais, vivenciando no fazer corporal e com reflexão sobre sua significância e propósito (CASTELLANI FILHO, 1997). VALÊNCIAS FÍSICAS TRABALHADAS NA GINÁSTICA Valências físicas são as qualidades físicas e motoras. São as habilidades físicas de cada indivíduo, classificadas desde os movimentos simples aos de maior complexidade. Todos os indivíduos estão aptos a desenvolver suas valências físicas, pois suas características são definidas geneticamente, onde um tem maior potencial que outro e cada um tem seu limite de desenvolvimento 32 e tolerância (TUBINO, 1979). A seguir temos um organograma para melhor visualização das valências físicas: Assim, nós, seres humanos, nascemos com capacidade de desempenhar movimentos que envolvam resistência, flexibilidade, força, entre outros. Todas essas nossas habilidades motoras são movimentos aprendidos e que dependem de treinamento (MCARDLE, 1998). Resistência Resistência muscular é a qualidade física que dota um músculo da capacidade de executar uma quantidade numerosa de contrações sem que haja diminuição na amplitude do movimento, na frequência, na velocidade e na força de execução, resistindo ao surgimento da fadiga muscular localizada (DANTAS, 1998). Resistência é a capacidade de um grupo muscular executar contrações repetitivas por um período de tempo suficiente para causar fadiga muscular ou manter estaticamente uma percentagem específica de contração voluntária muscular (CVM) por um período de tempo prolongado (GUEDES, 1995). Para Weineck (2000, p. 15), entende-se como resistência “a capacidade geral psicofísica de tolerância à fadiga em sobrecargas de longa duração, bem como a capacidade de uma rápida recuperação após estas sobrecargas”. Em outras palavras, resistência é a capacidade de executar um movimento, durante um dado período de tempo, sem que ocorra perda aparente da eficiência do movimento. Depende da capacidade dos sistemas cardiovascular, respiratório, metabólico e, ainda, da eficiência da coordenação do movimento. 33 Já a resistência muscular localizada (RML) é definida como “qualidade física que permite um contínuo esforço, proveniente de exercícios prolongados, durante um determinado tempo”. (TUBINO, 1979, p. 27). Para cada atividade ou movimento corporal há uma maneira diferente do músculo resistir. Assim, a seguir estudaremos os tipos de resistência. Existem dois tipos basicamente: a aeróbica e a anaeróbica. Resistência Aeróbica É a capacidade física que permite um esforço por um determinado período de tempo em que há um equilíbrio entre o consumo e a absorção de oxigênio. É qualidade física que concede ao corpo e/ou segmento articular executar uma atividade de baixa a média intensidade por um longo período de tempo. Isso com o indivíduo em um bom estado geral de saúde, tendo as capacidades cardíacas e pulmonares saudáveis, pois na resistência aeróbica há oxigênio suficiente para a queima oxidativa de substâncias energéticas (WEINECK, 2000). O treinamento da resistência aeróbica tem um significado substancial para todas as modalidades esportivas, sem exceção, pois a elevação do nível das possibilidades aeróbicas do organismo cria a base funcional necessária ao aperfeiçoamento de diversos aspectos da preparação do atleta, principalmente em competições (ZATSIORSKY, 1999). Resistência Anaeróbica É a capacidade física que concede ao organismo executar um esforço de alta intensidade por um curto período de tempo. São esforços de grande 34 intensidade que requerem alto gasto de oxigênio, mas de curta duração (KATCH, 2005).A resistência anaeróbica pode ser explicada pelas solicitações fisiológicas de oxigênio de um atleta durante um exercício, em condições superiores à sua capacidade de consumo, provocando um débito de oxigênio, e que deverá ser reparado após o término desse esforço. Os exercícios realizados para obter resistência anaeróbica utilizam uma forma de energia que não depende do uso do oxigênio, isso porque são atividades de curta duração e de grande intensidade, e muitos são direcionados apenas para alguns músculos. Geralmente, o objetivo do ganho de resistência anaeróbica é o aumento da massa e enrijecimento muscular e força (KATCH, 2005). O fluxograma a seguir serve para organização e fixação do conteúdo. Flexibilidade Refere-se à capacidade de o músculo relaxar e ceder a uma força de alongamento, é a amplitude de movimento aumentada, é a extensibilidade muscular (FOX, 1981). “É a capacidade de executarmos movimentos de grande amplitude pela ação da musculatura agônica, acumulando energia cinética potencial, que pode ser utilizada na execução de tarefas motoras que requerem velocidade e/ou potência de contração muscular”. (GALLARDO e AZEVEDO, 2007, p. 35). 35 Segundo Krahenbuhl e Martin (1977), a flexibilidade é composta de dois tipos: 1) Flexibilidade corporal geral É a capacidade de movimentação dos principais sistemas articulares do corpo, como: as articulações escapulares (ombros), coxofemorais (coxas) e coluna vertebral. 2) Flexibilidade específica: É a capacidade de movimentação de determinadas articulações. Capacidade essa que é muito diferenciada, dadas as diferenças de solicitação nas inúmeras tarefas motoras executadas pelo corpo humano. Assim, podemos compreender como é importante a flexibilidade das articulações das mãos de um pianista ou a flexibilidade da articulação coxofemoral para um corredor de obstáculos (SILVA, 2010). A flexibilidade é uma valência física essencial para o desenvolvimento motor humano, por isso a manutenção do corpo com a ginástica é de suma importância não só para os atletas, mas para todos, pois o sedentarismo e a falta de atividades físicas aumentam as consequências em relação à diminuição da flexibilidade, mobilidade do indivíduo (COELHO e ARAÚJO, 2000). A autonomia, a saúde e o bem-estar do indivíduo estão diretamente ligados à prática de exercícios físicos, movimentos esses que fazem a conservação, o gerenciamento e a prevenção da flexibilidade, da resistência, do alongamento, da postura, força, equilíbrio, todas as valências físicas (COELHO e ARAÚJO, 2000). A liberdade e a habilidade de um movimento realizado nas articulações de um indivíduo, com total amplitude de movimento, sem sentir dor e com músculos flexíveis, são compreendidas como flexibilidade muscular, que é um dos pontoschave para a prevenção de lesões, manutenção do movimento corporal normal e melhora do desempenho atlético. A flexibilidade muscular é muito valorizada e trabalhada na ginástica, no meio esportivo (MACIEL & CÂMARA, 2008). Alongamento Muscular O alongamento é uma das mais importantes categorias de exercícios que podem ser prescritos para manter e restaurar o equilíbrio normal em cada uma 36 destas estruturas: o músculo, a fáscia, o tendão e o ligamento (TROMBLY, 1983). O alongamento se caracteriza com os movimentos amplos e com reduzidas tensões musculares, com o intuito de desenvolver a flexibilidade (ACHOUR JÚNIOR, 1996). Alongamentos promovem o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento. Quanto mais alongada uma fibra muscular, maior será a movimentação da articulação regida por aquele músculo, promovendo assim maior flexibilidade (KISNER, 2005). É um termo usado para descrever qualquer manobra terapêutica elaborada para aumentar o comprimento (alongar, estender) estruturas dos tecidos moles, músculos encurtados e, desse modo, aumentar a amplitude de movimento (KISNER, 2005). O exercício de alongamento está intimamente ligado à flexibilidade muscular, os músculos aumentam seu comprimento e, como consequência, há o desenvolvimento e aumento da flexibilidade (ALMEIDA, 2006). O alongamento é uma manobra terapêutica utilizada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles, por promover aumento do comprimento das estruturas que tiveram encurtamento adaptativo (KISNER, 2005), podendo ser definido também como técnica utilizada para aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo periarticular, contribuindo para aumentar a flexibilidade articular, isto é, aumentar a amplitude de movimento (ADM). Suas modalidades são: alongamento estático e alongamento balístico (HALBERTSMA, 1999; KNUDSON, 2008). Alongamento Estático É um método pelo qual os tecidos moles são alongados até o ponto de resistência ou tolerância do tecido mantido nesta posição (ANDREWS, 2000). É a técnica mais comum para o ganho de flexibilidade e sua vantagem é a facilidade de execução e o baixo potencial de dano tecidual (ROBERTS, 1999). É aquele em que os membros são movidos lentamente, e mantêm o segmento muscular determinado pela tensão muscular logo acima da amplitude do movimento habitual (ACHOUR JÚNIOR, 1996). 37 Alongamento Balístico É caracterizado pelo uso de movimentos vigorosos e rítmicos de um segmento do corpo, pelo alcance do movimento, com o objetivo de alongar o músculo ou o grupo muscular (BANDY, 1998). É a movimentação da articulação, para que a mesma atinja o máximo possível de amplitude no movimento. No método balístico há um maior risco de lesões, pela facilidade de ultrapassar nossos limites sem que tenhamos controle da situação, pois os movimentos são rápidos e vigorosos. Esse tipo de alongamento balístico é usado em atletas cujo esporte envolva movimentos balísticos em seu desempenho, e em planos de aulas escolares o uso deve ser limitado a estudantes com experiência e vivência corporal adequadas (ACHOUR JÚNIOR, 1996). Força Refere-se à produção de força (vigor) de um músculo em contração e está diretamente relacionada à quantidade de tensão que um músculo em contração pode produzir (KISNER, 2005). A força de músculo, para ser aumentada, a contração muscular necessita ser resistida ou receber uma carga para aumentar os níveis de tensão e aumentar o recrutamento das fibras musculares (KISNER, 2005). Força reflete a capacidade dos músculos de exercer esforço por um curto período de tempo, diferentemente da resistência, que, como já vimos, é a capacidade de manter essa força. (KISNER, 2005). Segundo conceitos da Física, força é uma tração ou impulsão que altera ou tende a alterar o estado de movimentação de um corpo. E está diretamente associada ao movimento, onde haverá primeiro a força e depois o movimento, mas pode ocorrer força sem que haja movimento, por exemplo, a postura de defesa de um jogador de vôlei ao preparar-se para receber o ataque de saque do adversário (VILELA, 2011). Na ginástica, a força muscular traduz a capacidade de a musculatura produzir tensão, ou seja, aquilo a que denominamos contração muscular. O trabalho da força é fundamental para atingir desempenhos elevados nos movimentos, nas atividades de ginástica, nas competições (HERTOHG et al., 1994). 38 Potência muscular Potência muscular é uma valência que causa certa controvérsia, dúvida entre alguns autores em sua definição. Muitos deles acreditam que, por estar intimamente ligada com a força muscular e velocidade, por vezes sua definição se confunde com a definição de velocidade. Para tanto, vamos apresentar várias definições para que não haja confusões entre tais valências. Já para Fleck e Kraemer (1999, p. 90), "potência é a velocidade em que se desempenha o trabalho". O treino da potência é um aprimoramento entre duas importantes capacidades: forçae velocidade. E para treiná-la é necessário o domínio de movimentos complexos com mediação de grupos musculares e articulações. E treinando potência são trabalhados simultaneamente força e velocidade. Assim, quanto melhor for a proficiência do movimento, mais potente e veloz ele será. A potência muscular, também conhecida como força explosiva, é uma função da força exercida e velocidade de execução de um determinado movimento. É a paridade da força com a velocidade, que por vezes tem o domínio da força, como, por exemplo: levantamentos de pesos, e em outras vezes, a superioridade da velocidade, como o que acontece nos arremessos de dardos (DANTAS, 2003). Potência muscular é produto da força pela velocidade e pode ser aperfeiçoada com a capacitação das fibras musculares, e então se entende que ocorre uma diminuição da velocidade máxima quando o músculo se encurta, diminuindo o comprimento efetivo do músculo (BARBANTI, 2010). 39 Coordenação É a "qualidade física que permite ao homem assumir a consciência e a execução, levando a uma integração progressiva de aquisições, favorecendo a uma ação ótima dos diversos grupos musculares na realização de uma sequência de movimentos com o máximo de eficiência e economia" (TUBINO, 1979, p. 180). Para Bemstein (1967) apud Veiga (1987, p. 9), a coordenação motora é o modelo ideal, de forma a atingir a solução final na execução do movimento, ação de acordo com o objetivo estabelecido. A coordenação é um de processo de manutenção de onde resulta o maior grau de liberdade do segmento em movimento, em um sistema controlado. Costa (1968, p. 285) afirma que a definição correta de coordenação seria a "qualidade de sinergia que permite combinar a ação de diversos grupos musculares na realização de uma sequência de movimentos com o máximo de eficácia e economia ou de rapidez, se estiverem envolvidas a velocidade e a força". Kiphard (1976, p. 9) entende por coordenação de movimentos a "interação harmoniosa e econômica de músculos, nervos e sentidos com o fim 40 de produzir ações cinéticas precisas e equilibradas (motricidade voluntária) e reações rápidas e adaptadas a situações (motricidade reflexa)". Telena et al. (1977, p. 20) esclarece que "coordenação é a faculdade de utilizar conjuntamente as propriedades dos sistemas nervoso e muscular sem que uma interfira na outra". Estes mesmos autores citam ainda Le Boulch, que define coordenação como "a organização das sinergias musculares para cumprir um objetivo por meio de um processo de ajuste progressivo, que é a estruturação de uma práxis (atividade, movimento)". Coordenação motora é a capacidade que o corpo tem de realizar movimentos articulados entre si, como, por exemplo, pular, andar, correr, escrever e outros. Qualquer movimento do corpo humano exige coordenação motora (FERREIRA, 2004, p. 545). Como uma das valências, a coordenação motora é compreendida por uma competência do cérebro em sustentar os movimentos do corpo, na ação dos músculos e das articulações. Está sempre em desenvolvimento, pode e deve ser aprimorada com estímulos constantes durante todo o desenvolvimento humano. Ao nascer o bebê vai descobrindo, experimentando, percebendo sensações motoras, e à medida que cresce, adquire novas habilidades de movimentos corporais, e já é capaz de executar movimentos mais elaborados, mais refinados, como andar, correr, pular, escrever, desenhar, pintar, entre muitas outras coisas. Assim segue até completar todo o seu desenvolvimento motor na idade adulta, após inicia os estímulos de manutenção dessa coordenação motora para o processo de envelhecimento humano. OS CAMPOS DE ATUAÇÃO DA GINÁSTICA A ginástica, apresentada em seus diversos campos de atuação, contempla modalidades provenientes das áreas competitivas, fisioterápicas, de consciência corporal, de condicionamento físico ou demonstrativas, possibilitando o acesso e a ampliação do repertório motor de seu praticante (PARRA; SANTANA; LIMA, 2010). • As ginásticas de condicionamento físico englobam todas as modalidades que têm por objetivo a aquisição ou a manutenção da condição física do indivíduo comum e/ou do atleta. 41 • As ginásticas de competição são aquelas regulamentadas e configuradas internacionalmente. Atualmente, a Federação Internacional de Ginástica (FIG), órgão de maior representatividade da área, reconhece seis delas: ginástica artística feminina, ginástica artística masculina, ginástica rítmica, ginástica acrobática, ginástica aeróbica esportiva e ginástica de trampolim. • As ginásticas fisioterapêuticas possuem algum vínculo com certas técnicas orientais, que reúnem exercícios físicos para a prevenção ou tratamento de doenças e não são específicas da área da Educação Física. • Também com característica de solucionar problemas físicos e posturais, as ginásticas de conscientização corporal trazem as “técnicas alternativas” ou “ginásticas suaves”. • Reunindo as modalidades gímnicas, com caráter demonstrativo, temos a ginástica geral (GG), que possui como “principal característica a não competitividade, tendo como função a interação social, isto é, a formação integral do indivíduo nos seus aspectos: motor, cognitivo, afetivo e social”. Esses campos de atuação da ginástica vêm a partir do contexto histórico de desenvolvimento das ginásticas, bem como de sua atual configuração, comportando diferentes esferas de movimentações corporais e, segundo Souza (1997, p. 25): [...] o estabelecimento de um conceito único para ela restringiria a compreensão deste imenso universo que a caracteriza como um dos conteúdos da Educação Física. Esta modalidade no decorrer dos tempos tem sido direcionada para objetivos diversificados, ampliando cada vez mais as possibilidades de sua utilização [...]. Constituem-se fundamentos da ginástica: "saltar", "equilibrar", "rolar/ girar", "trepar" e "'balançar/embalar". Por serem atividades que traduzem significados de ações historicamente desenvolvidas e culturalmente elaboradas, devem estar presentes em todos os ciclos em níveis crescentes de complexidade (SOARES et al., 1992). Veja abaixo as características: 42 Deve-se pensar a ginástica no contexto da Educação Física escolar como um tema que se insere na chamada cultura corporal e que, portanto, deve ser tratada, experimentada, problematizada, conhecida e transformada (MARCASSA, 2004). Segundo Soares (1998), a ginástica deve ser compreendida em dois aspectos: 43 GINÁSTICA ESCOLAR (PRÉ-ESCOLA AO ENSINO MÉDIO) A ginástica, um histórico componente da EF escolar, enquanto conteúdo regular de ensino, tem como fundamento ou elemento central, identificador e diferencial, o exercício físico educativo escolar, pois, sem alienar-se da interação entre corpo e mente, privilegia a parte motriz, a dimensão física corporal do ser humano, por meio de elementos como marchas, corridas, saltos, agachamentos, “apoios”, “polichinelos”, “abdominais”, alongamentos, rotações, forçamentos, descontrações etc. (PEREIRA, 2006). Nos PCN (BRASIL, 1998), as lutas e as ginásticas pertencem ao mesmo bloco de conteúdos dos esportes e jogos, mas essa descrição tem por objetivo acrescentar o que deve ser ressaltado como específico dessas práticas. • Aspectos histórico-sociais das ginásticas: • Compreensão e vivência das diferentes formas de ginásticas relacionadas aos contextos histórico e sociais (modismos e valores estéticos, ginásticas com diferentes origens culturais). Por exemplo: aeróbica, chinesa, ioga (BRASIL, 1998) A ginástica na escola pode enriquecer as experiências dos educandos, possibilitando uma educação comprometida com a formação humana e a educação física escolar, é responsável por proporcionar aos alunos essa vivência, em um universo da cultura corporal dos movimentosda ginástica, de forma que eles possam agir de forma autônoma e crítica (RINALDI e SOUZA, 2003). A ginástica, desde suas origens, como a "arte de exercitar o corpo nu", englobando atividades como corridas, saltos, lançamentos e lutas, tem evoluído para formas esportivas claramente influenciadas pelas diferentes culturas (SOARES et al., 1992). De acordo com Soares et al. (1992, p. 77), a ginástica como uma forma de exercitação provoca “valiosas experiências corporais, enriquecedoras da cultura corporal das crianças, em particular, e do homem em geral”. Dessa forma, tornase necessária, pois é uma prática permeada por um significado cultural, por 44 abarcar a “tradição histórica do mundo ginástico”, permitindo aos alunos darem sentido às suas exercitações ginásticas. A ginástica é organizada com base nas habilidades básicas de caminhar, correr, saltar, equilibrar, rolar, balançar, girar, entre outras, e quando realizada de forma planejada, sistematizada e sequenciada, possui potencial para intensificar os benefícios e exigir diferentes habilidades motoras e condicionamento físico. Estimula a eficiência fisiológica, a força, flexibilidade, resistência e agilidade, estimula a criatividade, perseverança e coragem, ou seja, o desenvolvimento multilateral na criança (SANTOS et al., 2015). A ginástica está situada num plano diferente das modalidades competitivas, com abertura para o divertimento, o prazer, a simplicidade de movimentos, a participação irrestrita; tendo como principal alvo o sujeito, a integração entre as pessoas e grupos. Pode ser diversificada e não ter regras rígidas preestabelecidas, o que implica respeito aos limites e possibilidades de cada um e onde os festivais são sua principal forma de manifestação, o que não significa desconsiderar o processo em detrimento do produto final, mas sim valorizar a expressão artística que se vincula à composição coreográfica, à apresentação e ao espetáculo (AYOUB, 2003). ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO ENSINO DA GINÁSTICA NA ESCOLA A Educação Física trata de forma pedagógica conteúdos preenchidos por uma gama de valores culturais que foram sistematizados historicamente e que demonstram a relação entre o homem, o corpo e a sociedade (FERREIRA e RODRIGUES, 2014). O termo conteúdo, extremamente usado no meio escolar, é definido como uma seleção de formas ou saberes culturais, conceitos, explicações, raciocínios, habilidades, linguagens, valores, crenças, sentimentos, atitudes, interesses, modelos de conduta etc., cujo aprendizado e assimilação são fundamentais para o desenvolvimento da socialização adequada do aluno na escola (ROSÁRIO e DARIDO, 2005). A Dinamarca, em 1801, foi o primeiro país a incluir as ginásticas nas escolas, influenciada pelas ideias de Franz Netchegal, que em 1928 consegue 45 que o ensino das ginásticas na escola seja obrigatório (OLIVEIRA, 1985). O método dinamarquês não teve a mesma força de aceitação como o alemão, o francês e o sueco, justamente pelo seu caráter pedagógico em contraposição ao militar. Pensada como uma pedagogia do gesto e da vontade (SOARES, 1998), a ginástica representou a constituição de um modelo de “educação do corpo”, cuja finalidade era forjar corpos aprumados, limpos, fechados e acabados, portando uma feição reta, rígida e vertical, cuja máxima expressão pode ser visualizada pela noção de estética da retidão e da verticalidade (SOARES, 2001). Lara et al. (2007) apontam que uma nova metodologia de ensino voltada para a ginástica na escola deu-se a partir de 2006 e 2007, com o desenvolvimento de algumas abordagens metodológicas, como a desenvolvimentista, construtivista, ensino aberto, crítico-superadora, crítico- emancipatória, sistêmica e plural. Atualmente, a educação física tem apresentado avanços na prática pedagógica da ginástica, sobretudo numa dimensão progressista, ou seja, numa perspectiva educacional de rompimento com paradigmas das escolas tradicionais, que tenha característica crítica, social e política voltada, sobretudo, para um projeto de transformação social (SERON et al., 2007). Pedagogicamente, segundo Betti e Zuliani (2002), a escolha de estratégias, bem como de conteúdos específicos para a prática da educação física escolar, englobando a ginástica, deve obedecer aos princípios metodológicos gerais, como: • Princípio da inclusão: Os conteúdos e estratégias escolhidos devem sempre propiciar a inclusão de todos os alunos. • Princípio da diversidade: A escolha dos conteúdos deve, tanto quanto possível, incidir sobre a totalidade da cultura corporal de movimento, incluindo jogos, esporte, atividades rítmicas/expressivas e dança, lutas/artes marciais, ginásticas e práticas de aptidão física, com suas variações e combinações. • Princípio da complexidade: Os conteúdos devem adquirir complexidade crescente com o decorrer das séries, tanto do ponto de vista estritamente motor (habilidades básicas à combinação de habilidades, habilidades 46 especializadas etc.) como cognitivo (da simples informação à capacidade de análise, de crítica etc.). • Princípio da adequação ao aluno: Em todas as fases do processo de ensino deve-se levar em conta as características, capacidades e interesses do aluno, nas perspectivas motora, afetiva, social e cognitiva. Quando desenvolvida no sistema escolar, essa prática corporal pode propiciar condições favoráveis de aprendizado a partir do mundo de movimento dos alunos, promovendo a autonomia por meio de uma ação reflexiva e significativa em estreita relação com o cotidiano. A escolha do caminho metodológico torna-se crucial para que manifestações gímnicas deem sentido à vida do aluno e à sua formação, não sendo tratadas apenas em seus aspectos técnicos (SERON et al., 2007). Ayoub (2001) aponta algumas características pedagógicas da ginástica em âmbito escolar: • não ter a competição como foco principal, sendo marcada pelo prazer e pelo divertimento; • possibilitar a integração de seus praticantes, a liberdade de expressão, o prazer e a criatividade; • abranger todas as ginásticas e fornece possibilidades para a utilização de diferentes tipos de materiais, indumentária e música; sua principal forma de manifestação se dá por meio de apresentações artísticas. O ensino da ginástica na escola deve explorar o potencial de movimento que os alunos apresentam, ampliando suas bagagens motoras. Como, por exemplo, ao ensinar um elemento acrobático, o professor pode utilizar-se, ou não, de aparelhos específicos, criar situações-problema, exigir maior domínio do corpo, segurança e elegância nas execuções, proporcionando novas experiências motoras e sensações diferentes do seu cotidiano (NISTA- PICCOLO, 1999). Cabe ao professor tentar incluir e diferenciar a ginástica de outras práticas corporais, mas que não signifique compartimentalizar os conhecimentos, uma vez que nenhuma prática corporal pode ser compreendida de forma isolada, mas na totalidade da cultura corporal (AYOUB, 2003). 47 Desde a Antiguidade já existia o papel de ‘educador de ginástica’ ou ‘educador físico’, que era, além de um monitor de ginásticas, um educador; e não era apenas pelo exemplo e pela prática que se ensinavam as ginásticas nesse período, havia a apropriação de um conhecimento superior, ou seja, aqueles que ensinavam ginásticas deveriam ter uma abrangente sabedoria filosófica sobre corpo e mente (MARROU, 1969). Aponta-se que ser um educador, seja na formação acadêmica, seja na escolar, é mostrar aos alunos aquilo que vai além do presente, é voltar ao passado para se construir um futuro. É apresentar o que foi e o que pode ser e situar esses alunos dentro dessa edificação que em muito depende deles (FIGUEIREDO e HUNGER, 2010). Cabe à escola e ao professor de Educação Física, de acordo com a sua realidade, ponderarsobre as melhores condições para oferecimento da disciplina (DARIDO, 2004). Para que a ginástica escolar, significativamente, seja mais do que “aquecimento” e “alongamentos”, ela necessita objetivar a real educação humana, orientada por um profissional que foque, no desenvolvimento de aulas, a associação entre as práticas ginásticas, conteúdos cognitivos específicos: históricos, sociológicos, fisiológicos, anatômicos, biomecânicos e técnico- gestuais (PEREIRA, 2006), dentro de algumas categorias de aprendizagem. Segundo Zabala (1988), as categorias em que os conteúdos podem ser apresentados são: • Conceitual - ligado a fatos, conceitos e princípios, ou seja, na Educação Física deve-se levar em conta, além das questões de regras, táticas, história e recordes, o entendimento de como e por que realizamos movimentos corporais, como constitui-se um movimento da ginástica, os motivos que levam as pessoas à prática de esportes, as mudanças de nosso organismo a curto e longo prazo com a prática de atividades físicas etc. • Procedimental - ligada ao fazer, o aprendizado e execução de gestos esportivos, dos movimentos rítmicos, do trabalho em grupo para a criação de novas regras e jogos etc. • Atitudinal - vinculada a normas, valores e atitudes. É tratada através de leituras, discussões, debates, vivências em atividades que tragam à tona 48 temas como a violência, a cooperação, a competição, o coletivo, a justiça, a autoridade, o respeito e como tudo isso aparece na cultura corporal de movimento e na sociedade. A educação física escolar tem como conteúdo elementos da cultura corporal de movimento e ao longo do Ensino Fundamental e Médio, sendo necessário fazer um processo de sistematização destes conteúdos, porém, elencados de acordo com a realidade, necessidades e interesses dos alunos, não sendo possível predeterminar o momento adequado de ensinar determinados conhecimentos a alguém (SOUSA; RAMOS, 2015). Zabalza (1994) classifica as sistematizações de conteúdos em simples e complexas. As sequências simples ou lineares são classificadas em: • Sequência homogêna: na qual todos os conteúdos têm a mesma importância no programa; • Sequência heterogênea: se atribui importância diferente aos conteúdos; • Sequência equidistante: todos os conteúdos são abordados num mesmo espaço de duração de tempo; • Sequência não equidistante: há diferença na previsão para se abordar cada conteúdo (muito ligado também à questão de importância dos conteúdos). As sequências complexas completam as sequências simples apresentando variações quanto à equidistância e homogeneidade. São elas: • Sequência complexa com alternativas: para passar de um conteúdo para outro o professor pode ter mais de um caminho. • Sequência complexa com retroatividade: a ordenação prevê saltos para frente ou para trás no programa, possibilitando ao professor esclarecer o porquê de novos conceitos; • Sequência em espiral: onde há uma continuidade e sequencialidade curricular, ou seja, um modelo onde existe um aprofundamento e uma ampliação dos conteúdos aprendidos em anos anteriores. 49 • Sequência convergente: o mesmo conteúdo pode ser analisado sob pontos de vista distintos e cada pode de vista infere a necessidade de introdução de novos conceitos. Desta forma, uma sistematização dos conteúdos da Educação Física deve possibilitar o processo de construção da cidadania dos alunos, o aumento do repertório de conhecimento/habilidade e compreensão e reflexão sobre a cultura corporal de movimento (RESENDE e SOARES, 1997). De acordo com os PCN (BRASIL, 1998, p. 72), As ginásticas são técnicas de trabalho corporal que, de modo geral, assumem um caráter individualizado com finalidades diversas. Por exemplo, pode ser feita como preparação para outras modalidades, como relaxamento, para manutenção ou recuperação da saúde ou ainda de forma recreativa, competitiva e de convívio social. Envolvem ou não a utilização de materiais e aparelhos, podendo ocorrer em espaços fechados, ao ar livre e na água. Cabe ressaltar que são um conteúdo que tem uma relação privilegiada com o bloco conhecimentos sobre o corpo, pois nas atividades ginásticas esses conhecimentos se explicitam com bastante clareza. Atualmente, existem várias técnicas de ginástica que trabalham o corpo de modo diferente das ginásticas tradicionais (de exercícios rígidos, mecânicos e repetitivos), visando à percepção do próprio corpo: ter consciência da respiração, perceber relaxamento e tensão dos músculos, sentir as articulações da coluna vertebral. COMO DAR UMA AULA DE GINÁSTICA ESCOLAR? Quando vamos elaborar uma aula, selecionar o conteúdo e a forma como será dado, devemos sempre pensar que conhecimentos queremos transmitir. Resende e Soares (1997) destacam que a escola deve selecionar os conteúdos clássicos, que são entendidos como aqueles que levam à participação, compreensão e interpretação do mundo universal e particular do trabalho e da prática social intencional. Na escola pode-se trabalhar várias modalidades de ginástica e formas. O importante é que sempre a aula seja dividida em três partes: aquecimento, principal e volta à calma. O tempo da aula varia de escola para escola (45min a 60min). Devemos privilegiar sempre o trabalho coletivo e a expressão criativa. Ayoub (2003) apresenta um modelo de estruturação de aulas de ginástica: 50 • 1º momento: fazer com que os participantes explorem o tema a ser desenvolvido em aula, criando e realizando diferentes possibilidades de ação. • 2º momento: propor “pistas”, para que os participantes solucionem os problemas apresentados e criem alternativas de ação, individualmente ou em grupo; e também explorar vários recursos utilizando materiais tradicionais ou não tradicionais (como tecidos, jornais, garrafas de plástico, bambus etc.). • 3º momento: abordar a perspectiva lúdica; os elementos ainda não contemplados são vivenciados pelo grupo. A finalização é feita com uma conversa sobre o conteúdo abordado. Não existem receitas prontas na montagem de uma aula, pois cada grupo possui características diferenciadas e cabe ao professor identificar a melhor maneira de conduzir o aprendizado da ginástica (OLIVEIRA, 2007). Entre os vários movimentos possíveis, uma criança poderá suspender-se, apoiar-se, fazer rolamentos, deslocar-se de quatro (quadrupedia), correr, saltar etc. Esses movimentos podem ser considerados como “primeiros passos” para se desenvolver um trabalho relacionado à ginástica (BEZERRA, FERREIRA FILHO e FELICIANO, 2006). Exemplo de estruturação de aulas de ginástica, proposta por Oliveira (2007): • 1º momento: integração do grupo (por meio de jogos, brincadeiras ou outras atividade lúdicas); • 2º momento: apresentação do tema da aula (explorar a temática da ginástica e suas relações, com diversos temas propostos de acordo com os objetivos do grupo); • 3º momento: aprendizagem e/ou desenvolvimento de elementos gímnicos: saltar, equilibrar, balançar, girar, rolar, trepar, dentre outros; além do desenvolvimento de ritmo e coordenação de diferentes elementos; 51 • 4º momento: tarefas em pequenos grupos, explorando diversas possibilidades de movimento, sem materiais e com materiais, favorecendo a construção de pequenas coreografias; • Finalização: apresentações para os demais grupos. Quanto à criação de coreografias, apesar de não se constituir a única finalidade da prática da ginástica, elas são parte integrante do processo. A coreografia é a composição de uma apresentação da modalidade, levando em conta vários elementos corporais, predominantemente os ginásticos, interligados de forma harmoniosa, com utilização ou não de aparelhos (sejam de pequeno ou grande porte), porém, considerar que o objetivo principal das composições coreográficas deve sero de atender aos anseios dos participantes, respeitando suas individualidades, sem exclusões do processo (elaboração, composição, ensaios) e do produto (apresentação) (OLIVEIRA, 2007). Várias brincadeiras populares têm elementos de ginástica, contribuem com a ampliação das técnicas corporais dos alunos, favorecendo o aprendizado de experiências em grupo, de cooperação e convivência com o outro, de respeito e de aprendizado da cultura em que se encontram inseridos. Exemplos são as brincadeiras como gato e rato, amarelinha, lenço atrás, ciranda-cirandinha, escravos de Jó, balança caixão, pula carniça (BARBOSA-RINALDI, LARA e OLIVEIRA, 2009). Também pode ser explorada a construção de objetos pelas próprias crianças (como balanços, pernas-de-pau, túneis de tecido) ou existentes na escola (escada, pneus, bolas, cordas), que podem representar meios de abordar as diversas formas gímnicas presentes na contemporaneidade (BARBOSA- RINALDI, LARA e OLIVEIRA, 2009). 52 Referências ACHOUR JÚNIOR, A. Bases para o exercício de alongamento relacionado com a saúde e no desempenho atlético. Londrina: Midiograf, 1996. ALMEIDA, R. S. et al. A teoria geral da ginástica, o trabalho pedagógico, a formação dos professores e as políticas públicas no campo da ginástica: contribuições da pesquisa matricial do grupo LEPEL/FACED/UFBA. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, v. 10, n. especial, p. 98- 114, 2012. ANDRADE, M. Dicionário musical brasileiro. Rio de Janeiro: Itatiaia, 1999. AYOUB, Eliana, Ginástica Geral e Educação Física escolar, Editora da Unicamp, Campinas, 2003. BARBANTI, V. J. 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