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<p>Introdução</p><p>Neste material, trataremos de uma parte bastante teórica sobre a disciplina de</p><p>Língua Portuguesa. Iniciaremos com uma breve, objetiva e clara explicação acerca</p><p>do significado e da importância dessa matéria para o(a) acadêmico(a), a fim de</p><p>esclarecer que todos devem se dedicar aos estudos de tão significativa disciplina.</p><p>Em seguida, é importante que você, estudante, compreenda o que é comunicação,</p><p>quais seus objetivos e suas finalidades, pois esse é um princípio fundamental para</p><p>se compreender a disciplina como um todo. Outro passo que consideramos</p><p>importante é a compreensão do que é expressão, suas acepções, seus significados</p><p>e suas formas de entendimento. Essa é uma parte fundamental, uma vez que um</p><p>dos objetivos da disciplina é formar um(a) usuário(a) competente em relação a</p><p>uma comunicação coerente e coesa.</p><p>Após colocá-lo(a) em contato com essas definições, passaremos à parte da</p><p>definição de qual é o papel do texto verbal e do texto escrito. A intenção é explicar</p><p>cada um desses textos, determinando a diferença e as relações de semelhança</p><p>entre eles. Consideramos pertinente discorrer sobre a distinção entre as três</p><p>tipologias textuais: narrativa, descritiva e argumentativa; pois muitas pessoas não</p><p>entendem que esses são textos diferentes, com funções e finalidades específicas.</p><p>Não podemos, também, deixar de falar sobre a estrutura de cada um desses textos,</p><p>com suas próprias regras.</p><p>Caro(a) estudante, esperamos que você consiga se deleitar durante os estudos</p><p>deste material e, para incentivá-lo(a), encerramos esta etapa com uma frase</p><p>instigadora, que está no livro Portos de Passagem, escrito pelo renomado linguista</p><p>João Wanderley Geraldi: “Um texto é uma sequência verbal escrita formando um</p><p>todo acabado, definitivo e publicado” (GERALDI, 2002, p. 101).</p><p>Bons estudos!</p><p>O Ato de Comunicação</p><p>Hellyery Agda Gonçalves da Silva</p><p>Autor</p><p>Marina Miotto Negrão</p><p>Autor</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>Compreender o conceito de ato de comunicação.</p><p>Entender as premissas acerca da significação de texto</p><p>Compreender as peculiaridades acerca de textos narrativos,</p><p>argumentativo e descritivo</p><p>O Ato de Comunicação: o que é</p><p>A disciplina de Língua Portuguesa é bastante importante para a formação</p><p>acadêmica, pois tem o papel de ampliar seu conhecimento, como estudante,</p><p>acerca de vários assuntos. Nesta unidade, abordaremos questões relacionadas à</p><p>comunicação. Inicialmente, temos que entender o que significa a palavra</p><p>comunicação. Uma definição bastante clara é a que está no dicionário (HOUAISS;</p><p>VILLAR, 2004, p. 175): “[...] 1 transmissão de uma mensagem; 2 a informação contida</p><p>nesta mensagem [...]; 4 exposição, oral ou escrita, sobre determinado tema [...]”.</p><p>A comunicação é um dos meios de expressão do homem e se trata da interação de</p><p>informação entre sujeitos e/ou objetos, pois é nesse processo que ocorre a troca de</p><p>informações. Em outras palavras, o ato comunicativo presume a existência de dois</p><p>sujeitos – locutor e alocutário/ emissor e receptor  –, aquele que emite e aquele que</p><p>recebe a mensagem. No entanto, os papéis que os sujeitos assumem no ato</p><p>comunicativo, por meio do veículo utilizado, é passível de troca.</p><p>Vale pontuar também que se trata de um ato próprio de atividade psíquica, que se</p><p>origina da linguagem, do pensamento e do desenvolvimento das capacidades</p><p>psicossociais (relação entre o convívio social).</p><p>Julgamos importante explicar, do ponto de vista linguístico, o que vem a ser</p><p>comunicação. Para isso, adentraremos a história. Um dos maiores estudiosos da</p><p>ciência linguística foi Ferdinand de Saussure, um linguista suíço que buscou definir</p><p>um objeto de estudo, fato que não havia sido preocupação de outros estudiosos da</p><p>área, acarretando, assim, no estabelecimento de uma ciência independente e</p><p>autônoma (BORNEMANN, 2011).</p><p>De acordo com Rodrigues (2008), todo o conhecimento sobre linguagem produzido</p><p>no século XX originou-se da obra Curso de Linguística Geral, publicada em 1916, na</p><p>França. A obra deu início aos estudos científicos da linguagem, proporcionando aos</p><p>estudiosos a definição do objeto e do método. Trata-se de uma obra póstuma, fruto</p><p>da dedicação dos discípulos Charles Bally e Albert Sechehaye, de Ferdinand de</p><p>Saussure, que reuniram os cadernos de notas dos colegas e desenvolveram o livro,</p><p>propagando a teoria saussuriana para o mundo.</p><p>Para reforçar as contribuições de Saussure, consideramos pertinente explicar os</p><p>conceitos desenvolvidos na obra Curso de Linguística Geral, destacando as</p><p>dicotomias: língua X fala; significado X significante; sintagma X paradigma;</p><p>sincronia X diacronia.</p><p>Referente à primeira dicotomia, é importante sabermos que “[...] enquanto a língua</p><p>é concebida como um conjunto de valores que se opõem uns aos outros e está</p><p>inserida na mente humana com um produto social, a fala é considerada como um</p><p>ato individual, pertencendo a cada indivíduo que a utiliza” (DUARTE, s./d., on-line,</p><p>grifo nosso), por isso está sujeita a fatores extralinguísticos.</p><p>Em relação à segunda dicotomia, “[...] o signo linguístico se compõe de duas faces</p><p>básicas: a do significado – relativo ao conceito, isto é, à imagem acústica, e a do</p><p>significante – caracterizado pela realização material de tal conceito, por meio dos</p><p>fonemas e letras” (DUARTE, s./d., on-line, grifo nosso). Podemos ilustrar essa</p><p>dicotomia no quadro a seguir:</p><p>FIGURA 1 Ferdinand de Saussure (1857-1913)</p><p>FONTE: Opencooper / Wikimedia Commons.</p><p>Essa relação pode ser explicada considerando um objeto como a caneta: o</p><p>significado é o mesmo (imagem de caneta), mas, em cada país, há um significante:</p><p>pen (inglês), stylo (francês) e penna (italiano), ou seja, existe a arbitrariedade do</p><p>signo linguístico, pois ele não é único.</p><p>O signo linguístico resulta de uma convenção entre os membros de uma certa</p><p>comunidade para determinar significado e significante. Portanto, se um som existe</p><p>dentro de uma língua, ele passa a ter significado, algo que não aconteceria se ele</p><p>fosse somente um som em si. Então, “[...] afirmar que o signo linguístico é arbitrário,</p><p>como fez Saussure, significa reconhecer que não existe uma reação necessária,</p><p>natural, entre a sua imagem acústica (seu significante) e o sentido a que ela nos</p><p>remete (seu significante)” (COSTA, 2008, p.119).</p><p>A respeito da terceira dicotomia,</p><p>[...] o sintagma é a combinação de formas mínimas numa</p><p>unidade linguística superior, ou seja, a sequência de fonemas se</p><p>desenvolve numa cadeia, em que um sucede ao outro, e dois</p><p>fonemas não podem ocupar o mesmo lugar nessa cadeia.</p><p>Enquanto que o paradigma para ele se constitui de um conjunto</p><p>de elementos similares, os quais se associam na memória,</p><p>formando conjuntos relacionados ao significado (campo</p><p>semântico) (DUARTE, s./d., on-line, grifo nosso).</p><p>FIGURA 2 Esquema Signo Linguístico</p><p>FONTE: Adaptado de Brankica Vlaskovic / 123RF.</p><p>O sintagma é a combinação de palavras que podem ser associadas; portanto, as</p><p>palavras podem ser comparadas ao paradigma.</p><p>No discurso, os termos estabelecem entre si, em virtude de seu</p><p>encadeamento, relações baseadas no caráter linear da língua,</p><p>que exclui a possibilidade de pronunciar dois elementos ao</p><p>mesmo tempo. Estes se alinham um após outro na cadeia da</p><p>fala. Tais combinações, que se apóiam na extensão, podem ser</p><p>chamadas de sintagmas (SAUSSURE, 1995, p. 142).</p><p>As relações paradigmáticas se caracterizam pela associação entre um termo de</p><p>um contexto sintático. Por exemplo, gato e gado. Quando se juntam as partes</p><p>paradigmáticas, ocorre o sintagma. Em geral, as línguas apresentam relações</p><p>paradigmáticas ou associativas que dizem respeito à associação mental que se dá</p><p>entre a unidade linguística que ocupa um determinado contexto (uma determinada</p><p>posição na frase) e todas as outras unidades ausentes que, por pertencerem à</p><p>mesma classe daquela que está presente poderiam substituí-la nesse mesmo</p><p>contexto (COSTA, 2008, p.121).</p><p>Por fim, em relação à sincronia e à diacronia, Saussure apresenta a ideia de um</p><p>estudo descritivo e de um estudo histórico, respectivamente, ou ainda, “[...] trata-se</p><p>de um estudo da linguagem</p><p>a partir de um dado ponto do tempo (visão</p><p>sincrônica), levando-se em consideração as transformações decorridas mediante</p><p>as sucessões históricas (visão diacrônica), como é o caso da palavra vosmecê,</p><p>você, ocê, cê, vc” (DUARTE, s./d., on-line).</p><p>Para Saussure, “[...] é sincrônico tudo quanto se relacione com o aspecto estático da</p><p>nossa ciência, diacrônico tudo que diz respeito às evoluções. Do mesmo modo,</p><p>sincronia e diacronia designarão respectivamente um estado de língua e uma fase</p><p>de evolução” (SAUSSURE, 1995, p. 96).</p><p>Nas palavras de Rodrigues (2008), o linguista Ferdinand de Saussure, ao</p><p>desenvolver e organizar essa abstração teórica, suscita um método capaz de</p><p>imprimir rigor aos estudos linguísticos, os quais, até então, eram conduzidos pela</p><p>subjetividade e/ou pela inadequação metodológica advinda das ciências naturais.</p><p>Para finalizar essa parte da unidade, esperamos que você, acadêmico(a), tenha</p><p>conseguido compreender que comunicação é algo mais complexo do que se</p><p>imagina, pois depende de uma competência profunda dos interlocutores em saber</p><p>organizar e codificar, de forma coerente, todas as dicotomias de Saussure.</p><p>Contribuindo com essas ideias, vejamos o que diz a autora Schuler (2004, p.11): “[...] a</p><p>comunicação está presente em todas as formas de organização conhecidas na</p><p>natureza, tanto que se pode afirmar que a única maneira de haver organização é</p><p>através da comunicação”.</p><p>Uma vez explicado o que é comunicação, passaremos à definição de expressão.</p><p>Segundo o dicionário (HOUAISS; VILLAR, 2004, p. 330), expressão é a “[...]</p><p>manifestação do pensamento, sentimentos por meio da palavra, gesto, fisionomia,</p><p>arte [...]”. Assim sendo, expressão é comunicação, de uma forma mais elaborada,</p><p>pois depende de “ferramentas” para complementar sua função diante do que se</p><p>quer transmitir.</p><p>Podemos afirmar, também, que tanto a comunicação como a expressão são</p><p>responsáveis pela organização das ideias do mundo e de sua evolução, uma vez</p><p>que uma ideia é o complemento da outra e, juntas, as ideias estruturam o</p><p>pensamento e a manifestação linguística.</p><p>Novamente, fizemos menção à palavra “linguística”, a qual estuda, além dos</p><p>conceitos já comentados, o que são os conceitos de língua, linguagem e fala.</p><p>Continuando com os pressupostos teóricos saussurianos, verificaremos que são</p><p>meios que possibilitam a nós, falantes, a comunicação e a interação com nossos</p><p>iguais. Tais pressupostos possibilitam, também, a expressão, o compartilhamento, a</p><p>exposição de ideias, de pensamentos e opiniões. Vejamos as definições a seguir:</p><p>LÍNGUA LINGUAGEM FALA</p><p>●“A língua é um sistema</p><p>supra individual utilizado</p><p>● “A linguagem é social e</p><p>individual; psíquica; psico-</p><p>● “A fala é a parte</p><p>individual da</p><p>FIGURA 3 Comunicação e Expressão</p><p>FONTE: Shao-Chun Wang / 123RF.</p><p>como meio de</p><p>comunicação entre os</p><p>membros de uma</p><p>comunidade” (COSTA,</p><p>2008, p. 116).</p><p>●“A língua é um sistema</p><p>cujas partes podem e</p><p>devem ser consideradas</p><p>em sua solidariedade</p><p>sincrônica” (SAUSSURE,</p><p>1995, p. 24).</p><p>fisiológica e física. Portanto, a</p><p>fusão de Língua e Fala” (COSTA,</p><p>2008, p. 116).</p><p>●“Articular palavras não se</p><p>exerce senão com ajuda de</p><p>instrumento criado e fornecido</p><p>pela coletividade; não é, então,</p><p>ilusório dizer que é a língua que</p><p>faz a unidade da linguagem</p><p>(SAUSSURE, 1995, p. 18).</p><p>●“A linguagem implica ao</p><p>mesmo tempo um sistema</p><p>estabelecido e uma evolução: a</p><p>cada instante, ela é uma</p><p>instituição atual e um produto</p><p>do passado” (SAUSSURE, 1995, p.</p><p>16).</p><p>Linguagem, que é</p><p>formada por um ato</p><p>individual de caráter</p><p>infinito” (SAUSSURE,</p><p>1995, p. 22).</p><p>● A fala é um “ato</p><p>individual de vontade e</p><p>inteligência”</p><p>(SAUSSURE, 1995, p. 22).</p><p>●“A fala é a condição</p><p>de ocorrência da</p><p>língua” (SAUSSURE,</p><p>1995, p. 22).</p><p>Quadro 1 - Breves conceitos de Língua, Linguagem e Fala.</p><p>Fonte: Adaptado de Saussure (1995).</p><p>Agora que você já sabe o que é comunicação, expressão, língua, linguagem e fala,</p><p>vamos à definição do que seja o ato de comunicação. Para isso, você deve</p><p>entender o aspecto de comunicação como um processo comunicativo, que age</p><p>sobre a sociedade, estabelecendo uma relação entre as pessoas. Talvez seja mais</p><p>fácil compreender essa ideia observando o que foi explicado por Greimas e Courtés</p><p>(2008, p. 81):</p><p>[...] as ações humanas são divididas em dois blocos: o eixo da</p><p>produção, quer dizer, a ação dos homens sobre as coisas; e o</p><p>eixo da comunicação – a ação do homem sobre os próprios</p><p>homens, criadora das relações intersubjetivas e fundadoras da</p><p>sociedade.</p><p>O ato de comunicação é, assim, elaboração, com a intenção de transmitir algo para</p><p>alguém; e esse alguém deve ter a capacidade de agir sobre esse algo e de</p><p>compreender as relações estabelecidas entre a língua e a linguagem utilizadas. Em</p><p>outras palavras, quando se quer comunicação, é preciso observar todos os</p><p>elementos que envolvem a transmissão da informação, que possam ser elaborados</p><p>em um sistema, todo organizado, para que se tenha sucesso no ato comunicativo. A</p><p>partir disso, no próximo tópico, trataremos da diferença entre texto verbal e texto</p><p>escrito.</p><p>O Texto: o que é?</p><p>Neste momento de estudo, trataremos do que é texto. Afinal, toda comunicação</p><p>precisa de uma elaboração das ideias, que se dá por meio de um texto. Desse</p><p>modo, orientados pelos estudos da linguística textual, é imprescindível que</p><p>façamos, caro(a) aluno(a), algumas considerações sobre texto e gênero textual.</p><p>A respeito dos textos, podemos defini-los, de forma leiga, como o conjunto de frases</p><p>e orações que apresentam sentido e estão interligados. No entanto, para o linguista</p><p>Marcuschi (2008, p. 72), o texto é, basicamente, “[...] um evento comunicativo em</p><p>que convergem ações lingüísticas, sociais e cognitivas”, as quais são dependentes</p><p>de fatores extralinguísticos para se fazerem compreender (NEGRÃO, 2011).</p><p>Na mesma esteira, Koch (2003, p. 3) respalda-se na noção defendida por Antos e</p><p>Tietz (1997), de que “[...] os textos, como formas de cognição social, permitem ao</p><p>homem organizar cognitivamente o mundo”, isto é, trata-se de um elemento que</p><p>permite a interação comunicativa entre os receptores (falante/ouvinte – escritor e</p><p>leitor), considerando os fatores linguísticos e sociais (NEGRÃO, 2011).</p><p>Corroborando a discussão, Dutra e Roman (2009, p. 10) pontuam que existe uma</p><p>“[...] complexidade de fatores que estão envolvidos no fenômeno comunicativo que</p><p>o texto representa, e que facilmente transcende o nível puramente lexical e</p><p>sintático”. Esse pensamento reforça a ideia de que:</p><p>FIGURA 4 Elaborando o texto</p><p>FONTE: Igor Stevanovic / 123RF.</p><p>[...] o texto não é apenas um emaranhado de termos</p><p>linguísticos, que estão dotados de coesão e coerência, mas sim</p><p>um conjunto de elementos linguísticos (palavras de diferentes</p><p>classes gramaticais, elementos de pontuação etc.) e</p><p>extralinguísticos (conhecimento social tanto do autor quanto do</p><p>leitor do texto) que são essenciais na elaboração e na</p><p>interpretação das informações apresentadas (NEGRÃO, 2011, p.</p><p>27-28).</p><p>Em contrapartida, para Bakhtin (1992), os textos podem dividir-se em gêneros</p><p>textuais, os quais são compreendidos como o uso particular do discurso em função</p><p>das mais diversas situações de interação social e comunicativa. Em outras</p><p>palavras, os textos são produzidos prevendo uma determinada função.</p><p>A respeito disso, Marcuschi (2002 apud NEGRÃO, 2011, p. 27-28) expõe que os gêneros</p><p>textuais são “[...] composições funcionais, com objetivos enunciativos realizáveis na</p><p>interação de aspectos de ordem histórica, social, institucional, [...] por esse caráter</p><p>funcional, não constituem uma lista específica, mas sim inúmeras possibilidades de</p><p>gêneros textuais”.</p><p>Com essas breves definições, caro(a) estudante, ficou bastante claro que o texto é</p><p>algo muito mais profundo do que apenas um monte de palavras, pois sempre há</p><p>uma intenção no que se escreve e procura-se elaborar essas informações</p><p>pensando tanto nos fatores linguísticos (palavras, termos etc.) como nos</p><p>extralinguísticos (pessoas, local de veiculação etc.). Em relação a esses fatores, é</p><p>preciso estudarmos os chamados “elementos da comunicação”.</p><p>Os elementos</p><p>da comunicação são utilizados para organizar os textos e são</p><p>responsáveis por uma comunicação eficaz, desde que sejam corretamente</p><p>pensados e estruturados. Uma pergunta, aluno(a): por que você gosta de utilizar</p><p>ferramentas de redes sociais para se comunicar? Provavelmente, você terá várias</p><p>respostas, que podem estar voltadas à questão da agilidade de comunicação e da</p><p>modernização dessa área. Tudo isso se volta para as funções que essas</p><p>ferramentas oferecem, mas você saberia responder quais são as escolhas que você</p><p>faz quando emite uma mensagem? Qual é a função dessa linguagem utilizada, a</p><p>todo o momento, em sua vida?</p><p>Analisemos a seguinte situação: uma mãe precisa entrar em contato com seu filho,</p><p>mas não consegue falar com ele pelo telefone. Tenta o celular, mas nada feito. Ela</p><p>opta pela mensagem nas redes sociais. Que tipo de mensagem ela colocaria em</p><p>um lugar como esse? Seria: “Meu filho, preciso falar com você”, se ela for uma</p><p>pessoa mais discreta, mais sensata. Caso contrário, ela poderia escrever “Filho, seu</p><p>desnaturado, onde foi parar o meu cartão de crédito? Está com você? Já tentei te</p><p>ligar, mas não me atende”.</p><p>Independentemente de qual seja a mensagem, há uma intenção e uma função em</p><p>cada uma das mensagens, considerando o que é pensado, para quem se escreve,</p><p>onde, como e com qual intenção se escreve essa mensagem. Isso é o que leva o</p><p>autor de determinado texto a fazer as escolhas por alguns elementos.</p><p>Sobre a temática abordada, os estudos de Jakobson (2005, p. 82), presentes na</p><p>obra Linguística e Comunicação, corroboram nosso estudo.</p><p>A linguagem deve ser estudada em toda a variedade de suas</p><p>funções. Antes de discutir a função poética, devemos definir-lhe</p><p>o lugar entre as outras funções da linguagem. Para se ter uma</p><p>idéia geral dessas funções, é mister uma perspectiva sumária</p><p>dos fatores constitutivos de todo pro cesso lingüístico, de todo</p><p>ato de comunicação verbal. O REMETENTE envia uma MENSAGEM</p><p>ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a mensagem requer um</p><p>CONTEXTO a que se refere (ou “referente”, em outra</p><p>nomenclatura algo ambíguo), apreen sível pelo destinatário, e</p><p>que seja verbal ou suscetível de verbalização; um CÓDIGO total</p><p>ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em</p><p>outras palavras, ao codificador e ao decodificador da</p><p>mensagem); e, finalmente, um CONTATO, um canal físico e uma</p><p>conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que os</p><p>capacite a entrarem e permanecerem em comunicação.</p><p>Para facilitar o entendimento a respeito do que foi descrito, observe o Quadro  a</p><p>seguir. Toda mensagem, para ter sentido, precisa de um contexto. Além disso, o</p><p>contexto só fará sentido se o emissor e o receptor da mensagem tiverem</p><p>conhecimento sobre o que foi abordado, ou seja, a informação tem que ser comum</p><p>aos dois elementos. Outra observação importante é que o código precisa ser</p><p>decifrado por quem recebe a mensagem, no momento em que há o contato com o</p><p>texto elaborado, pois o texto só terá alguma função se existirem sujeitos que</p><p>interajam com ele; caso contrário, continuará sendo um “papel em branco”.</p><p>Você deve estar se perguntando: não existe uma melhor forma de entender esse</p><p>processo? Existe, sim! Veja o quadro a seguir:</p><p>Código (O que se usa para elaborar)</p><p>Receptor (Quem recebe e decodifica)</p><p>Canal (Onde se veicula)</p><p>Emissor (Elabora uma mensagem)</p><p>Mensagem (Apresenta o tema e o assunto)</p><p>Quadro 2 - Elementos da Comunicação.</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras.</p><p>Conseguiu compreender o que são os elementos da comunicação? Cada um deles</p><p>tem uma função: o emissor pode ser uma pessoa ou mais (pode ser, também, um</p><p>animal) e é responsável por transmitir a mensagem. Já o receptor é para quem vai</p><p>a mensagem, também podendo ser uma ou mais pessoas (ou animais). Além disso,</p><p>há o código, que é o responsável por elaborar a mensagem, toda a sua construção</p><p>e formatação; é por ele que se escolhe o idioma utilizado, as imagens etc. Outro</p><p>elemento importante é a mensagem, ou seja, exatamente o que se quer transmitir,</p><p>o conteúdo, a informação. Por fim, há o referente, que é como a mensagem, porém</p><p>com uma diferença: diz respeito ao contexto em si, à situação na qual a mensagem</p><p>se insere, como se fosse o foco da mensagem. Vale mencionar que quando a</p><p>mensagem não é decodificada de forma correta pelo interlocutor, ocorre um ruído</p><p>na comunicação.</p><p>Nas situações de comunicação, alguns elementos são sempre identificados e</p><p>imprescindíveis, isto é, sem eles, pode-se dizer que não há comunicação. É o que diz</p><p>a teoria da comunicação. Vejamos a figura a seguir:</p><p>FIGURA 5 Esquema dos elementos da Comunicação</p><p>FONTE: Elaborada pelas autoras.</p><p>Atenção!</p><p>Organizar os textos</p><p>Você já parou para pensar em como organizar os textos que verbaliza</p><p>oralmente? Não é melhor organizar o que você fala ou escreve antes</p><p>de sair por aí tendo que se corrigir? O ser humano é dotado da</p><p>capacidade de falar, mas poucas pessoas são dotadas da</p><p>capacidade de ouvir. As pessoas que costumam ouvir enquanto você</p><p>fala, na verdade, também estão elaborando o seu discurso, para não</p><p>cometerem erros.</p><p>Fonte:elaborado pelas autoras.</p><p>Funções da Linguagem</p><p>Agora que você já entende os conteúdos apresentados até aqui, vamos a mais um</p><p>assunto importantíssimo: as funções da linguagem, que foram definidas por</p><p>Jakobson. Essas funções estão intrinsecamente ligadas aos elementos da</p><p>comunicação e é preciso que o usuário da língua consiga identificar isso, para</p><p>chegar à interpretação correta da mensagem a ser transmitida.</p><p>A função emotiva</p><p>Quando falamos em função emotiva, também chamada de expressiva, temos que</p><p>nos ater à ideia de que o foco dela está no emissor, pois faz uma relação direta, que</p><p>pretende transmitir a emoção e a impressão, para que tal emissor compreenda os</p><p>sentimentos do eu-lírico. Um exemplo é o texto a seguir, que traz a letra de uma</p><p>música da cantora Ana Vilela.</p><p>Trem-bala</p><p>Não é sobre ter</p><p>Todas as pessoas do mundo pra si</p><p>É sobre saber que em algum lugar</p><p>Alguém zela por ti</p><p>É sobre cantar e poder escutar</p><p>Mais do que a própria voz</p><p>É sobre dançar na chuva de vida</p><p>Que cai sobre nós</p><p>É saber se sentir infinito</p><p>Num universo tão vasto e bonito</p><p>É saber sonhar</p><p>E, então, fazer valer a pena cada verso daquele poema sobre acreditar</p><p>Não é sobre chegar no topo do mundo</p><p>E saber que venceu</p><p>É sobre escalar e sentir</p><p>Que o caminho te fortaleceu</p><p>É sobre ser abrigo</p><p>E também ter morada em outros corações</p><p>E assim ter amigos contigo</p><p>Em todas as situações</p><p>A gente não pode ter tudo</p><p>Qual seria a graça do mundo se fosse assim?</p><p>Por isso, eu prefiro sorrisos</p><p>E os presentes que a vida trouxe</p><p>Pra perto de mim</p><p>Não é sobre tudo que o seu dinheiro</p><p>É capaz de comprar</p><p>E sim sobre cada momento</p><p>Sorriso a se compartilhar</p><p>Também não é sobre correr</p><p>Contra o tempo pra ter sempre mais</p><p>Porque quando menos se espera</p><p>A vida já ficou pra trás</p><p>Segura teu filho no colo</p><p>Sorria e abraça teus pais</p><p>Enquanto estão aqui</p><p>Que a vida é trem-bala, parceiro</p><p>E a gente é só passageiro prestes a partir</p><p>Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá</p><p>Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá</p><p>Segura teu filho no colo</p><p>Sorria e abraça teus pais</p><p>Enquanto estão aqui</p><p>Que a vida é trem-bala, parceiro</p><p>E a gente é só passageiro prestes a partir</p><p>Quadro 3 - Exemplo de texto com função emotiva.</p><p>Fonte: Adaptado de Vilela (2016, on-line).</p><p>A função conativa</p><p>Outra função de linguagem é a conativa, também conhecida como apelativa.</p><p>Normalmente, ela é utilizada em textos publicitários, os quais possuem uma</p><p>linguagem dirigida a um determinado público-alvo e costumam conter ordens e</p><p>tentativas de convencimento ou sedução. Para Jakobson (2005, p. 125) “[...] a função</p><p>conativa, encontra sua expressão gramatical mais pura no vocativo e no</p><p>imperativo, que sintática, morfológica e amiúde até fonologicamente, se afastam</p><p>das outras categorias nominais e verbais”.</p><p>Um bom exemplo é o cartaz “We Can Do It”, cuja tradução significa “Nós Podemos</p><p>Fazer Isso!”, elaborado por J. Howard Miller, no ano de 1943, para a empresa</p><p>americana Westinghouse, com o intuito de elevar o moral dos seus funcionários</p><p>durante os esforços desempenhados na Segunda Guerra Mundial.</p><p>O objetivo do cartaz era convencer as mulheres a participarem da produção bélica</p><p>nas fábricas. A partir daí, essa imagem passou a ser associada à incorporação da</p><p>força de trabalho feminino na indústria.</p><p>FIGURA 6 Exemplo de texto com função conativa</p><p>FONTE: J. Howard Miller / Wikimedia Commons.</p><p>A função fática</p><p>Uma das funções mais utilizadas no cotidiano é a fática. Vejamos o que ela significa</p><p>e, em seguida, um exemplo. A função fática é a troca de conversação entre os</p><p>interlocutores, que serve para prolongar o ato de comunicação e para verificar se o</p><p>interlocutor está compreendendo, participando da ação. Um exemplo bastante</p><p>característico são as conversas ao telefone e, atualmente, ao celular, em redes</p><p>sociais, em ferramentas de conversa e encontros, utilizadas pelos aparelhos</p><p>eletrônicos, uma vez que o emissor sempre espera uma resposta do receptor.</p><p>Vejamos:</p><p>A função fática é, então, responsável por manter a conversa entre os interlocutores,</p><p>como faz um professor em sala em aula quando pergunta se os alunos</p><p>entenderam, se está tudo bem, e os estudantes respondem com sim ou não.</p><p>A função metalinguística</p><p>A metalinguística pode ser entendida como a linguagem que fala dela própria, ou</p><p>seja, por meio da descrição do ato de falar e/ou escrever; por exemplo: as peças</p><p>FIGURA 7 Exemplificação da função fática</p><p>FONTE: Adaptada de 5505292 / 123RF.</p><p>teatrais que abordam o teatro, um verbete de dicionário sobre o significado de</p><p>dicionário etc. Assim, a linguagem torna-se objeto de análise do próprio texto. O</p><p>conto Sobre a escrita…, de Clarice Lispector, é um exemplo da função</p><p>metalinguística, pois trata do processo e da experiência de escrita.</p><p>Sobre a escrita…</p><p>Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.</p><p>Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu</p><p>meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam</p><p>dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som.</p><p>Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais</p><p>palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.</p><p>Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos</p><p>nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por</p><p>uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo – é por</p><p>esconderem outras palavras.</p><p>Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não</p><p>ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode</p><p>e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas</p><p>acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se</p><p>eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão</p><p>corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o</p><p>Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me</p><p>impedem de dizer a verdade.</p><p>Simplesmente não há palavras.</p><p>O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da</p><p>música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita</p><p>são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos</p><p>macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.</p><p>Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo</p><p>sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade</p><p>mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo</p><p>com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não</p><p>escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura</p><p>de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.</p><p>Simplesmente as palavras do homem.</p><p>Quadro 4 - Exemplificação da função metalinguística.</p><p>Fonte: Adaptado de Lispector (1984).</p><p>Nessa função, o foco da mensagem é o código, tanto linguístico (escrita e/ou</p><p>oralidade) quanto extralinguístico (música, cinema, pintura, fotografia, dentre</p><p>outros). Quando o emissor preocupa-se com o código, acaba produzindo a</p><p>metalinguagem. A obra As Meninas, de Diego Velázquez, é um exemplo de</p><p>metalinguagem. Trata-se de uma pintura moderna muito intrigante e polêmica, em</p><p>decorrência da presença do pintor no quadro, como em um efeito de espelho.</p><p>Vejamos:</p><p>O pintor Diego Velázquez pinta a si próprio e seu ato de pintar uma tela,</p><p>constituindo, assim, uma metalinguagem.</p><p>A próxima função, explicada pelo próprio nome, no tópico a seguir, talvez seja a</p><p>mais fácil de se compreender, tendo em vista que a função poética se refere à</p><p>preocupação com a forma e com a estrutura de uma mensagem, tendo foco nas</p><p>palavras, nas rimas, em poemas, na utilização de imagens etc.</p><p>A função poética</p><p>FIGURA 8 As meninas, de Velázquez, no Museu de Prado, em Madrid, Espanha</p><p>FONTE: Visions Of America LLC / 123RF.</p><p>Ao estudar a função poética, caro(a) acadêmico(a), é preciso pensar em uma ideia</p><p>artística, pois o que importa aqui é a situação “estética” da mensagem. Assim</p><p>sendo, importam as escolhas minuciosas da estrutura da mensagem, tanto da</p><p>linguagem verbal como da não verbal, bem como das cores, das formas, da</p><p>posição, da fonte, ou seja, de tudo o que serve para chamar a atenção do receptor.</p><p>Temos como bons exemplos os poemas, principalmente os sonetos, que têm uma</p><p>estrutura fixa, ou seja, uma quantidade de versos e estrofes (2 quartetos e 2</p><p>tercetos), bem como rimas, ao final de cada verso. Vejamos o exemplo:</p><p>Soneto de Fidelidade - Vinicius de</p><p>Moraes</p><p>De tudo ao meu amor serei atento</p><p>Antes, e com tal zêlo, e sempre, e</p><p>tanto</p><p>Que mesmo em face do maior</p><p>encanto</p><p>Dêle se encante mais meu</p><p>pensamento.</p><p>Quero vivê-lo em cada vão</p><p>momento</p><p>E em seu louvor hei de espalhar</p><p>meu canto</p><p>E rir meu riso e derramar meu</p><p>pranto</p><p>Ao seu pesar ou seu</p><p>contentamento</p><p>E assim, quando mais tarde me</p><p>procure</p><p>Quem sabe a morte, angústia de</p><p>quem vive</p><p>Quem sabe a solidão, fim de quem</p><p>ama</p><p>Eu possa me dizer do amor (que</p><p>tive):</p><p>Que não seja imortal, pôsto que é</p><p>chama</p><p>Mas que seja infinito enquanto</p><p>dure.</p><p>Quadro 5 - Exemplificação da função poética.</p><p>Fonte: Adaptado de Moraes (1960, p. 96).</p><p>São exemplos, também, os outdoors, que trabalham toda uma forma de captação e</p><p>ilustração poética para chamarem a atenção do receptor.</p><p>Função referencial</p><p>A função referencial ou denotativa tem por intuito transmitir uma mensagem de</p><p>forma objetiva, sem dar juízo de valor, sem interpretações do autor, preocupando-</p><p>se, apenas, em relatar algo. Normalmente, essa função é predominante em textos</p><p>jornalísticos e científicos. Veja, a seguir, um exemplo dessa função:</p><p>“[...] Os gases de efeito estufa, como o gás carbônico (CO2), o metano (CH4), o</p><p>óxido nitroso (N2O) e o vapor d'água (H2O) são responsáveis pelo chamado efeito-</p><p>estufa. Misturados a atmosfera, eles a fazem se comportar como uma estufa,</p><p>retendo o calor solar próximo à superfície terrestre. Isso evita que o planeta se torne</p><p>quente de dia e frio durante a noite, o que inviabilizaria a vida como a conhecemos.</p><p>Muitos cientistas e estudiosos afirmam que o aquecimento global tem ocorrido</p><p>devido o aumento de concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Esses</p><p>gases provocam um aumento na espessura da camada atmosférica, o que</p><p>permite que a radiação solar penetre, mas retém uma quantidade muito maior da</p><p>radiação infravermelha do que a retida anteriormente, gerando um aumento de</p><p>temperatura e conseqüentemente o aquecimento do planeta. [...]”.</p><p>Quadro 6 - Exemplificação da função referencial.</p><p>Fonte: Marchesi e Amaral (2008, p. 97-98).</p><p>A função referencial, basicamente: faz uso de linguagem denotativa; o discurso na</p><p>terceira pessoa do singular ou do plural é o predominante; e o texto comunica de</p><p>forma objetiva e isento de subjetividade/emoção.</p><p>É importante destacar, a respeito das funções da linguagem, que todos os textos</p><p>possuem mais de uma função; porém, o importante é que você saiba identificar</p><p>qual</p><p>é a função principal/predominante.</p><p>Todo o conteúdo que foi discorrido até aqui teve o propósito de preparar você para</p><p>aprender sobre noções de texto e escrita. Para dar continuidade a isso, passaremos</p><p>à explicação das três artes de tecer textos, que são as tipologias textuais narrativas,</p><p>descritivas e argumentativas (dissertativas).</p><p>Os Textos Narrativo, Argumentativo e</p><p>Descritivo</p><p>A arte de narrar nada mais é do que costurar uma sequência de fatos</p><p>(acontecimentos) em que as personagens se movimentam, combinando o tempo e</p><p>o espaço em que tudo acontece. A narração é um texto focado na ação, chamada</p><p>de conflito, que envolve as personagens. É preciso lembrar que esse tipo de texto</p><p>possui elementos bastante necessários para a estruturação, que são: narrador,</p><p>enredo, personagens, espaço e tempo. Tais elementos estão descritos no quadro a</p><p>seguir:</p><p>Narrador</p><p>“O narrador cumpre a função de uma voz fundamental no texto</p><p>narrativo e que, além disso, é o agente de um processo de focalização</p><p>que afeta a história narrada” (FRANCO JR., 2003, p. 40). Quando o texto</p><p>é narrado em 1ª pessoa, trata-se de narrador-personagem, pois faz</p><p>parte da história, como uma das personagens. Narra-se em 3ª</p><p>pessoa quando se trata de alguém que narra a história que observa,</p><p>mas não faz parte dela, o que chamamos de narrador observador ou</p><p>onisciente.</p><p>Enredo</p><p>“É o modo como uma história é construída por meio de palavras e,</p><p>portanto, organizada sob a forma de texto” (FRANCO JR., 2003, p. 37).</p><p>Chamamos também de intriga, trama ou ação. O enredo compõe-se</p><p>dos acontecimentos que ocorrem em um determinado tempo e</p><p>espaço e que são vivenciados pelas personagens. As ações seguem-</p><p>se umas às outras por encadeamento, encaixe e alternância.</p><p>Personagens</p><p>“A representação dos seres que movimentam a narrativa por meio de</p><p>suas ações e/ou estados” (FRANCO JR., 2003, p. 38). Há o protagonista,</p><p>que é o principal, em torno de quem toda a história gira, ou seja, o</p><p>herói. O antagonista procura impedir a personagem principal de</p><p>alcançar os seus objetivos. Ainda, existem as personagens</p><p>secundárias, que fazem parte da história para darem a ela um</p><p>sentido mais coerente.</p><p>Espaço</p><p>“O espaço compreende o conjunto de referências de caráter</p><p>geográfico e/ ou arquitetônico que identificam o(s) lugar(es) onde se</p><p>desenvolve a história. Ele se caracteriza, portanto, como uma</p><p>referência material marcada pela tridimensionalidade que situa o</p><p>lugar onde personagens, situações e ações são realizadas” (FRANCO</p><p>JR., 2003, p. 45).</p><p>Tempo Há o tempo cronológico e o tempo psicológico. O primeiro apresenta</p><p>dados sobre os acontecimentos em que os fatos ocorrem; e o</p><p>segundo é uma espécie de tempo de memórias, de relembrar casos</p><p>do passado, como se fosse um feedback.</p><p>Quadro 7 - Elementos da narrativa.</p><p>Fonte: Adaptado de Franco Jr. (2003).</p><p>Podemos classificar a narrativa em gênero (épico, lírico e dramático) e em tipo</p><p>(romance, novela, conto, crônica, fábula etc.). Além disso, a narrativa possui os</p><p>elementos básicos de composição (enredo, personagens, tempo, espaço e</p><p>narrador), os quais só terão sentido quando conduzidos por um tema (ideia em</p><p>torno do qual se desenvolve a história – do que se trata a história?); um assunto</p><p>(concretização do tema – como o tema aparece desenvolvido no enredo?); e uma</p><p>mensagem (conclusão que se pode tirar da história) (GANCHO, 2002 apud ALVES;</p><p>BATTAIOLA; CEZAROTTO, 2016, p. 6-7).</p><p>Quanto à ordem das informações, é interessante que elas estejam dispostas da</p><p>seguinte forma:</p><p>Título Coerente com o tema do texto.</p><p>Introdução Apresentação das personagens.</p><p>Desenvolvimento A sequência dos fatos que levam ao clímax.</p><p>Clímax Ponto máximo da história, que cria um suspense.</p><p>Desfecho</p><p>É o desenrolar do clímax, o final da história, a resolução do</p><p>conflito.</p><p>Quadro 8 - Sequência narrativa.</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras.</p><p>Caro(a) acadêmico(a), temos certeza de que você gosta de conversar com as</p><p>pessoas, abordar temas do presente e do passado e trocar experiências. Isso nada</p><p>mais é do que contar uma história de forma narrativa, como ocorre no texto exposto</p><p>a seguir:</p><p>FÁBULA XXXVII</p><p>O rato da cidade e o do campo</p><p>Um rato que morava na cidade foi dar um passeio ao campo. Recebeu-o e</p><p>agasalhou-o um amigo que o levou para os seus palácios subterrâneos, e deu-lhe</p><p>um banquete de ervas e raízes. Maldizendo em presença de tais iguarias a louca</p><p>lembrança do seu rústico passeio, o rato da cidade, obrigado a jejuar, disse por fim:</p><p>– Amigo, tenho dó de ti; como te podes resignar a semelhante passadio? vem</p><p>comigo para a cidade, verás o que é fartura, o que é viver”.</p><p>O outro aceitou. À noitinha estavam ambos em uma bela e rica residência, em bem</p><p>provida despensa; queijos, lombos, o perfumado toucinho, tudo os incitava;</p><p>desforrando-se de sua longa dieta, o rato do campo regalava-se. Súbito range a</p><p>porta, entra o despenseiro: vem com ele dois gatos. O rato da casa achou logo o</p><p>seu buraco; o hóspede, sobressaltado, pulando de prateleira em prateleira, mal</p><p>escapou com a vida, e despedindo-se do amigo:</p><p>– “Adeus, camarada”, disse, “ficai-vos com as vossas farturas; mais vale magro e</p><p>faminto no mato, do que gordo na boca do gato”.</p><p>MORALIDADE: Sem sossego de espírito, de que valem os outros bens?</p><p>Esopo.</p><p>Quadro 9 - Exemplificação de texto narrativo.</p><p>Fonte: Adaptado de Rocha (2001, on-line).</p><p>Atenção!</p><p>A origem das fábulas</p><p>As fábulas têm sua origem em Esopo (séc. VI a. C) e Fedro (séc. I d.C.) e</p><p>foi retomada no Classicismo francês por La Fontaine. Trata-se de uma</p><p>narrativa quase sempre breve, em prosa ou, na maioria das vezes, em</p><p>verso, de ação não muito tensa, de grande simplicidade e cujos</p><p>personagens (muitas vezes animais irracionais que agem como seres</p><p>humanos) não são de grande complexidade. Aponta sempre para</p><p>uma conclusão ético-moral. É um gênero de grande projeção</p><p>pragmática por ser claro, objetivo, moralizador e de grande efeito</p><p>perlocutório, próprio dos textos narrativos, pois vai ao encontro dos</p><p>hábitos, das expectativas e das disponibilidades culturais do leitor.</p><p>Fonte: elaborado pelas autoras.</p><p>Outra forma de escrever textos e transmitir mensagens é a arte de dissertar e</p><p>argumentar. Quando o autor, emissor da mensagem, opta por escrever um texto</p><p>nesse formato, ele quer transmitir uma reflexão aos receptores, que são seus</p><p>leitores, por meio de um ponto de vista, uma opinião sobre determinado tema. É</p><p>preciso, porém, muito mais do que só apresentar a opinião; obrigatoriamente, deve-</p><p>se sustentar o porquê de tal opinião, por meio de uma excelente argumentação.</p><p>Há algumas diferenças entre a dissertação e o texto dissertativo-argumentativo.</p><p>Observe o quadro comparativo a seguir:</p><p>DISSERTAÇÃO</p><p>TEXTO DISSERTATIVO-</p><p>ARGUMENTATIVO</p><p>Objetiva refletir e informar o leitor sobre</p><p>determinado tema.</p><p>Não há opinião pessoal sobre o tema.</p><p>Apresenta dados, pesquisas e opiniões de</p><p>outros.</p><p>Expõe pontos positivos e negativos a</p><p>respeito do assunto, cabendo ao leitor a</p><p>informação e o posicionamento próprio.</p><p>Objetiva informar e convencer o leitor</p><p>sobre determinado tema.</p><p>Opinião pessoal do autor sobre o</p><p>tema.</p><p>Apresenta informações verídicas, fatos,</p><p>opiniões (vozes de autoridades) e</p><p>argumentos em defesa da tese.</p><p>Seleciona, organiza e relaciona</p><p>argumentos consistentes.</p><p>Quadro 10 - Diferenças entre a Dissertação e o Texto Dissertativo-argumentativo.</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras.</p><p>Lembre-se:</p><p>Quando dissertamos, estamos expondo e apresentando informações, bem</p><p>como informando. No entanto, não há defesa de opinião.</p><p>Quando argumentamos, estamos defendendo um ponto de vista, tentando</p><p>convencer o leitor, bem como tentando trazer credibilidade com as</p><p>informações apresentadas.</p><p>Normalmente, os textos argumentativos seguem uma estrutura bastante peculiar.</p><p>Eles são divididos em quatro partes, sintetizadas no quadro a seguir:</p><p>Título Objetivo e coerente.</p><p>Introdução</p><p>Apresentação de um contexto histórico, explicação sobre o tema</p><p>e definição da opinião.</p><p>Desenvolvimento</p><p>É apresentado, normalmente, em dois parágrafos que trazem ao</p><p>menos três argumentos, para afirmarem e sustentarem</p><p>a</p><p>opinião. Também é importante colocar um contra-argumento,</p><p>para corroborar a opinião, confrontando-a.</p><p>Conclusão</p><p>Encerra-se, normalmente, com a retomada da opinião, para</p><p>reforçá-la, ou então apresenta-se uma solução para um possível</p><p>problema que foi abordado.</p><p>Quadro 11 - Sequência dissertativa-argumentativa.</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras.</p><p>Para ficar mais claro, veja, na sequência, um exemplo de texto dissertativo-</p><p>argumentativo:</p><p>Alienação Comercial</p><p>Atualmente o mundo vem sofrendo uma profunda e vasta influência por parte de</p><p>grandes corporações globais a fim de persuadir as pessoas a consumirem</p><p>diferentes produtos e isto, o processo de persuasão, vem sendo mirado nas</p><p>pessoas desde cedo, ainda criança, num forte sistema de alienação comercial. A</p><p>revista “Superinteressante” fez uma matéria mostrando o quanto as pessoas estão</p><p>consumindo produtos desnecessários, que além de prejudicar gradativamente o</p><p>meio-ambiente, estão conturbando a mente e formação das crianças devido às</p><p>massivas formas de publicidade infantil. Alguns países, como Noruega, já proíbem</p><p>publicidades infantis, visando assim um estilo de vida mais saudável para as</p><p>pessoas. Em outros lugares, ativistas e ONGs estão em um cabo de guerra com as</p><p>empresas e agências de publicidade para discutir os limites éticos da propaganda.</p><p>As ONGs criticam o modo como a publicidade chega às crianças. Fato é que as</p><p>crianças estão sendo bombardeadas com publicidade, a qual usa propagandas</p><p>para afetar o psicológico infantil e criar adultos consumidores compulsivos de suas</p><p>marcas, trazendo também um prejuízo para o meio ambiente. Nesse jogo, as</p><p>crianças são como peças-chave para o comércio. O Brasil, seguindo regras e</p><p>acordos com empresas publicitárias, sociedade e governo, deve, pelo bem humano</p><p>e mundial, estabelecer leis claras, seguras e fixas sobre a publicidade infantil,</p><p>quebrando assim essa alienação precoce de crianças.</p><p>Quadro 12 - Exemplo de texto argumentativo.</p><p>Fonte: Andrade (2017, p. 158).</p><p>É importante esclarecer que um texto argumentativo pode estar tanto na primeira</p><p>quanto na terceira pessoa, dependendo da intenção do emissor, relacionada à</p><p>função do texto que ele quer escrever.</p><p>O terceiro tipo de texto é o descritivo, que consiste em absorver as características e</p><p>os detalhes, as informações mais minuciosas do que se pretende descrever.</p><p>Raramente há um texto puramente descritivo, uma vez que, na maior parte das</p><p>vezes, ele está nas outras tipologias, compondo histórias e ideias.</p><p>Tente entender, caro(a) acadêmico(a), que essa construção é como se desenhasse</p><p>a cena para o leitor, descrevendo as características dos objetos, das personagens,</p><p>dos lugares etc. O texto descritivo apresenta algumas características:</p><p>Um exemplo de texto descritivo pode ser visualizado no excerto de Dom Casmurro,</p><p>de Machado de Assis. Veja, caro(a) aluno(a), que a descrição ocorreu em um</p><p>romance, um texto narrativo, para caracterização de uma personagem.</p><p>“[...] Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza,</p><p>pela boca fora. Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos, alta</p><p>forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado. Os cabelos</p><p>grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, à moda do</p><p>tempo, desciam-lhe pelas costas. Morena, olhos claros e grandes, nariz reto e</p><p>comprido, tinha a boca fina e o queixo largo. As mãos, a despeito de alguns ofícios</p><p>rudes, eram curadas com amor; não cheiravam a sabões finos nem águas de</p><p>toucador, mas com água do poço e sabão comum trazia-as limpas e sem mácula.</p><p>Calçava sapatos de duraque, rasos e velhos, a que ela mesma dera alguns pontos”</p><p>[...].</p><p>Quadro 13 - Exemplo de texto descritivo.</p><p>Fonte: Assis (1979, p. 25).</p><p>Segue uma breve explicação a respeito de um ponto importantíssimo, que engloba</p><p>as questões de coesão e de coerência textual, as quais precisam estar presentes</p><p>nos textos produzidos, independentemente de qual esfera for utilizada na produção</p><p>de tais textos.</p><p>A coesão é responsável pela organização textual, no sentido de unidade formal, em</p><p>que é preciso se preocupar com os elementos linguísticos que fazem a articulação</p><p>das ideias. Está diretamente relacionada ao uso dos elementos gramaticais</p><p>linguísticos, ou seja, à escolha das palavras.</p><p>A coerência, por sua vez, é o que podemos chamar de lógica do texto, diretamente</p><p>relacionada à uniformidade de sentido. Também depende das palavras; porém,</p><p>para que um texto tenha coerência, os elementos de coesão devem ser</p><p>corretamente empregados.</p><p>Agora que você concluiu a leitura deste estudo, veja, nos vídeos a seguir, temas que</p><p>complementarão seus estudos:</p><p>Indicação de Leitura</p><p>Livro: Do que é feito o pensamento: a língua como janela para a natureza humana</p><p>Editora: Companhia das Letras</p><p>Autor: Steven Pinker</p><p>Ano: 2008</p><p>ISBN: 9788535913026</p><p>Sinopse: Combinando alguns de seus livros anteriores, como O Instinto da</p><p>Linguagem (1994) e Como a Mente Funciona (1997), Steven Pinker encontra na</p><p>linguagem uma janela para uma possível explicação da natureza humana. O autor,</p><p>tido pela revista Time, em 2004, como uma das cem pessoas mais influentes do</p><p>mundo, parte de verbos, pronomes e substantivos para, com a munição de</p><p>exemplos e citações curiosos e surpreendentes, que vão de Shakespeare e Brecht a</p><p>Paul McCartney e Groucho Marx, chegar à explicação sobre de que matéria é feito o</p><p>pensamento. Com elegância e bom humor, Pinker seleciona situações corriqueiras</p><p>para exemplificar seus reveladores pontos de vista. O momento em que o motorista</p><p>é parado na estrada por estar em alta velocidade é uma delas. Pinker mostra que a</p><p>construção do discurso para tentar subornar o guarda pode ser bastante</p><p>reveladora da forma como construímos nossos pensamentos, assim como a</p><p>maneira como colocamos nossas emoções em jogo. O pensamento é formado pela</p><p>linguagem. Isso significa que, literalmente, falamos dentro de nossa cabeça. Fato</p><p>que implica, diretamente, na educação e no processo de ensino-aprendizagem.</p><p>Assim, ao aprimorarmos a linguagem, estamos aprimorando e expandindo nosso</p><p>pensamento.</p><p>Questão 1</p><p>Leia o verbete a seguir:</p><p>“co·mu·ni·ca·ção</p><p>sf</p><p>1 Ato ou efeito de comunicar(-se).</p><p>2 LING Ato que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre o</p><p>transmissor e o receptor, através da linguagem oral, escrita ou gestual, por</p><p>meio de sistemas convencionados de signos e símbolos.</p><p>3 O conteúdo da mensagem transmitida.</p><p>4 Transmissão de uma mensagem a outrem [...]” (DICIONÁRIO MICHAELIS,</p><p>2019, on-line).</p><p>A partir da leitura do verbete anterior, fica evidente que a comunicação é</p><p>um processo de troca de informações que envolve alguns elementos</p><p>importantes. Assim e considerando os conteúdos estudados no livro da</p><p>disciplina, analise as afirmativas a seguir sobre os conceitos de</p><p>comunicação:</p><p>I. O canal refere-se ao local onde/por onde a mensagem será transmitida,</p><p>por exemplo, um celular.</p><p>II. A comunicação é constituída por cinco elementos inseparáveis: emissor,</p><p>receptor, código, canal e contexto.</p><p>III. A mensagem diz respeito às representações verbais e não verbais do</p><p>conteúdo que será entregue ao receptor. IV. A comunicação ocorre a partir</p><p>do momento em que o interlocutor compreende a mensagem transmitida</p><p>pelo locutor.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>A. I, apenas.</p><p>B. I e II, apenas.</p><p>C. II e III, apenas.</p><p>D. II e IV, apenas.</p><p>E. I, III e IV, apenas.</p><p>Questão 2</p><p>Leia o trecho a seguir:</p><p>“A Teoria da Comunicação, proposta por Roman Jakobson, enuncia que, no</p><p>ato de comunicação, há um emissor que envia uma mensagem a um</p><p>receptor, usando o código para efetuá-la. Esta, por sua vez, refere-se a um</p><p>contexto (ou um referente), até mesmo para ser eficaz. A passagem da</p><p>emissão para a recepção faz-se através do suporte físico, que é o canal.</p><p>Dessa forma, a linguagem desempenha seis funções: emotiva, poética,</p><p>conativa, metalinguística, referencial e fática” (DORETTO; BELOTI, 2011, p. 92).</p><p>A teoria e o método de crítica literária para textos narrativos e poéticos,</p><p>desenvolvidos por Roman Jakobson, são conhecidos como formalismo.</p><p>Porém, quando Jakobson debruçou-se nos estudos da linguagem,</p><p>corroborou para a criação do estruturalismo linguístico. Para o pensador</p><p>russo, as ferramentas para a compreensão da linguagem consistiam na</p><p>separação da linguagem em elementos e no estabelecimento de suas</p><p>funções. Considerando essas informações e o conteúdo estudado, analise</p><p>as afirmativas a seguir e assinale V para a(s) verdadeira(s) e F para a(s)</p><p>falsa(s):</p><p>I. ( ) As notícias são exemplos de função referencial, as quais costumam ser</p><p>objetivas e sem a subjetividade do sujeito.</p><p>II. ( ) A função poética, também chamada de emotiva, tem por objetivo</p><p>emocionar o receptor.</p><p>III. ( ) Presente em textos publicitários, a função conotativa tem por intuito</p><p>convencer, aconselhar e dar ordens ao leitor.</p><p>IV. (  ) A função expressiva foca no emissor e é portadora de subjetividade.</p><p>V. ( ) A função metalinguística costuma explicar um código utilizando o</p><p>próprio código.</p><p>Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:</p><p>A. V, V, F, V, V.</p><p>B. F, V, F, V, F.</p><p>C. V, F, V, V, V.</p><p>D. F, F, V, V, F.</p><p>E. V, V, F, V, F.</p><p>Questão 3</p><p>Leia o trecho a seguir:</p><p>“Diversas categorias de texto podem ter características comuns. Este é o</p><p>caso, por exemplo, de todas as categorias de texto que têm o tipo narrativo</p><p>como necessariamente presente em sua composição e como dominante e</p><p>entre as quais podemos citar: romance, conto, novela, fábula, parábola,</p><p>apólogo, mito, lenda [...]. Todos esses gêneros vão ter em comum</p><p>características de narração, mesmo que realizadas de diferentes formas.</p><p>Sempre haverá, todavia, características que permitam distingui-los entre si</p><p>[...]” (TRAVAGLIA, 2007, p. 40-41).</p><p>O texto narrativo costuma contar uma história por meio de uma sequência</p><p>de fatos. Ao narrar os acontecimentos, apresentam-se ao leitor os</p><p>envolvidos, o contexto, onde e quando os fatos aconteceram etc. Assim, e</p><p>considerando os conteúdos estudados no livro da disciplina, analise as</p><p>afirmativas a seguir sobre o texto narrativo:</p><p>I. Além do protagonista e do antagonista, há outra classe de personagens,</p><p>chamados de secundários.</p><p>II. O narrador-observador é aquele que conhece a história, porém não</p><p>participa.</p><p>III. Nos textos narrativos é predominante o uso do espaço físico e do tempo</p><p>cronológico, extinguindo o psicológico.</p><p>IV. Pode-se considerar o desfecho como uma solução do conflito produzido</p><p>pelas ações das personagens.</p><p>V. As personagens podem ser caracterizadas pelos seus atributos físicos,</p><p>bem como por suas características psicológicas.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>A. II e IV, apenas.</p><p>B. I e II, apenas</p><p>C. I e IV, apenas</p><p>D. II, III e V.</p><p>E. I, II, IV e V, apenas.</p><p>Síntese</p><p>Parabéns! Você concluiu este estudo. Esperamos que as informações apresentadas</p><p>aqui contribuam para a sua bagagem de conhecimento sobre o tema estudado e</p><p>que elas possam ser utilizadas em seu dia a dia. Que todo esse conhecimento</p><p>possa lhe trazer muito sucesso em suas atividades, além de despertar o desejo de</p><p>estudar cada vez mais.</p><p>Desejamos, a você, bons estudos!</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>ABREU, C. F. Inventário do ir-remediável. Rio de Janeiro: Sulina, 1969.</p><p>ALENCAR, J. de. Iracema. 2. ed. São Paulo: Ediouro, 2005.</p><p>ALVES, M. M.; BATTIOLA, A. L.; CEZAROTTO, M. A. Representação gráfica para a inserção</p><p>de elementos da narrativa na animação educacional. Revista Brasileira de Design</p><p>da Informação, São Paulo, v. 13, n. 1, 2016, p. 1-21.</p><p>ANDRADE, L. E. da S. A construção do argumento com figuras retóricas em textos</p><p>dissertativo-argumentativos. In: GARCEZ, L. H. do C.; CORRÊA, V. R. Textos</p><p>dissertativo-argumentativos: subsídios para qualificação de avaliadores. Brasília:</p><p>INEP/MEC, 2017.</p><p>ANDRADE, M. de. Contos Novos. Rio de Janeiro: Villa Rica, 1996.</p><p>ANTOS, G.; TIETZ, H. O futuro da linguística de texto. Tradições, transformações,</p><p>tendências. Tübingen: Niemeyer, 1997.</p><p>ASSIS, M. Dom Casmurro. 9. ed. São Paulo: Ática, 1979.</p><p>BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.</p><p>BORNEMANN, N. B. O. Ferdinand de Saussure e o objeto da Linguística. Linguasagem,</p><p>São Paulo, v. 18, p. 1-11, 2011.</p><p>COSTA, M. A. Estruturalismo. In: MARTELOTTA, M. E. et al. (Orgs.). Manual de Linguística.</p><p>São Paulo: Contexto, 2008.</p><p>COSTA, S. R. Dicionário de gêneros textuais. 3. ed. São Paulo: Autêntica, 2008.</p><p>DICIONÁRIO MICHAELIS. Comunicação. Michaelis On-line, 2019. Disponível em:</p><p><https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-</p><p>brasileiro/comunica%C3%A7%C3%A3o/>. Acesso em: 10 maio 2019.</p><p>DORETTO, S. A.; BELOTI, A. 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