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PREPARAÇÃO PRÉ EDITAL DELEGADO GOIÁS SEMANA 01/14 422 2. BEM JURÍDICO TUTELADO A Lei n. 13.869/19 pretende, na realidade, abranger dois aspectos distintos (crime pluriofensivo): 1) Direitos fundamentais do cidadão: A depender do delito em questão, visa proteger, diretamente: Liberdade de locomoção (arts. 9º, 10, 12, etc.), Liberdade individual (arts. 13, 15, 18, etc.), Direito à assistência de advogado (arts. 20, 32, etc.), Intimidade ou a vida privada (arts. 22, 28, 38); 2) Protege, ainda, indiretamente, o bom funcionamento do Estado, bem como o dever do funcionário público de conduzir-se com lealdade e probidade, preservando-se, assim, princípios básicos da Administração Pública. Nas palavras de Renato Brasileiro: “A eficiência do Estado está diretamente relacionada à credibilidade, honestidade e probidade de seus agentes, pois a atuação do corpo funcional reflete-se na coletividade, influenciando decididamente na formação ético-moral e política dos cidadãos, especialmente no conceito que fazem da organização estatal. Daí a importância de se coibir todo e qualquer desvio funcional, enfim, de toda e qualquer conduta que, a pretexto de atender ao interesse público, visa à satisfação de interesse pessoal do agente público, importando em evidente desvio de finalidade.” 3. CONCEITO Art. 1º Esta Lei define os crimes de abuso de autoridade, cometidos por agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê- las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. O conceito de abuso de poder é um gênero de ato ilícito cometido pela autoridade, podendo ser dividido em duas espécies: ⦁ Excesso de poder - o agente público atua sem competência, seja por sua total ausência, seja por extrapolar os limites da competência que lhe foi legalmente atribuída. O ato pode ser considerado válido até o limite em que não foi extrapolada a competência, exceto se o excesso o comprometer inteiramente.