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ÁLGEBRA LINEAR Marcelo Maximiliano Danesi Espaços vetoriais: produtos internos gerais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Explicar a importância de produto interno e norma para um espaço vetorial. � Usar o produto interno em espaços vetoriais arbitrários. � Reconhecer o conceito de ortogonalidade. Introdução Neste capítulo, você definirá o conceito de produto interno e norma para um espaço vetorial qualquer, com exemplos no espaço vetorial das n-uplas reais, das matrizes e das funções contínuas; verá como a ortogonalidade fica definida de acordo com o produto interno do espaço vetorial e alguns exemplos de conjuntos ortogonais no espaço das funções. O conceito de produto interno generaliza, para um espaço vetorial qualquer, a noção de medida de vetores, ângulos, distâncias e ortogona- lidade definida pelo produto escalar no ℝn. Inclusive, essa generalização permite que, no ℝn, seja definida uma medida diferente da proposta pelo produto escalar, criando uma geometria diferente entre os vetores. Produto interno e norma Um produto interno num espaço vetorial E é uma função ⟨,⟩: E × E → ℝ que associa, a cada par de vetores u, v ∈ E, um número real ⟨u, v⟩ chamado de produto interno de u por v, de modo que, dados u, v, w ∈ E e α ∈ ℝ, sejam válidas as propriedades: 1. ⟨u, v⟩ ≥ 0 e ⟨u, u⟩ = 0 somente se u = 0 (positividade); 2. ⟨u, v⟩ = ⟨v, u⟩ (comutatividade); 3. ⟨u, v + w⟩ = ⟨u, v⟩ + ⟨u, w⟩ (distributividade em relação à soma vetorial); 4. ⟨u, α ⋅ v⟩ = α ⋅ ⟨u, v⟩ (associatividade). Todo produto interno define o número real não negativo , dito norma ou comprimento de u com respeito a ⟨,⟩. O produto interno permite a extensão de noções de ângulo, ortogonalidade, comprimento e distância a espaços vetoriais que não necessariamente o ℝn. Assim, a geometria do espaço vetorial é definida pela associação do espaço com um produto interno, a qual chamamos de espaço vetorial com produto interno. No ℝn, o produto interno canônico é o produto escalar, e a norma canônica corresponde ao módulo do vetor (||u →|| = √u→ · u→ = |u→|). Contudo, o produto interno canônico não é o único no ℝn nem a única forma de medir comprimentos. Em ℝ2, um produto interno (não canônico) é dado por: ⟨ , ⟩D: ℝ2 × ℝ2 → ℝ ⟨(u1, u2), (v1, v2)⟩D = 3u1v1 + 5u2v2 Mostramos, a seguir, que essa função, de fato, satisfaz as propriedades necessárias, pois, dados u→ = (u1, u2), v → = (v1, v2), w → = (w1, w2) ∈ ℝ2 e α ∈ ℝ: 1. ⟨u→, u→⟩D = ⟨(u1, u2), (u1, u2)⟩D = 3u1u1 + 5u2u2 = 3u1 2 + 5u2 2 ≥ 0 . Vale a igualdade se, e somente se, u1 = u2 = 0, isto é, se u→ = (0, 0). 2. ⟨u→, v→⟩D = ⟨(u1, u2), (v1, v2)⟩D = 3u1v1 + 5u2v2 = 3v1u1 + 5v2v2 = ⟨(v1, v2), (u1, u2)⟩D = ⟨v→, u→⟩D; 3. ⟨u→, v→ + w→⟩D = ⟨(u1, u2), (v1, v2) + (w1, w2)⟩D = ⟨(u1, u2), (v1 + w1, v2 + w2)⟩D = 3u1(v1 + w1) + 5u2(v2 + w2) = 3u1v1 + 5u2v2 + 3u1w1 + 5u2w2 = ⟨u→, v→⟩D + ⟨u→, w→ ⟩D ; Espaços vetoriais: produtos internos gerais2