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ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO EM UTI ADULTA SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 2. ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NOS LEITOS ADULTOS .............................. 5 3. DESENVOLVIMENTO HUMANO ....................................................................... 10 4. O ADULTO JOVEM - DEZOITO A QUARENTA ANOS DE IDADE .................. 18 4.1 Necessidades fisiológicas ............................................................................ 19 4.2 Necessidades De Nível Mais Elevado .......................................................... 21 4.3 Problemas Comuns À Fase Adulta E Às Implicações Da Enfermagem ....... 23 5. O ADULTO - QUARENTA A SESSENTA E CINCO ANOS DE IDADE............. 26 5.1 Necessidades Fisiológicas ........................................................................... 26 5.2 Necessidades De Nível Mais Elevado .......................................................... 30 Referências .............................................................................................................. 33 1. INTRODUÇÃO A principal atuação da Fonoaudiologia nos hospitais acontece devido aos quadros de distúrbios de deglutição, que necessitam de intervenção mais imediata muitas vezes já na UTI. Em função dos riscos de broncoaspiração, infecção respiratória, complicações pulmonares, desnutrição, desidratação e prolongamento do tempo de internação faz-se necessário uma maior precisão diagnóstica e um tratamento precoce do quadro disfágico (RODRIGUES e FURKIM, 2008; PETERSON et. al., 2010 apud MARIA, 2016). No atendimento do paciente internado, a avaliação do fonoaudiólogo é fundamental para a manutenção da vida do paciente, prevenindo possíveis complicações, proporcionando ajustes para possíveis alterações de comunicação e deglutição (BARCELLOS et al., 2009) apud (BARROS et al, 2000). Além disso, é fundamental trabalhar em prol de uma boa integração da equipe multidisciplinar, com adequada adesão aos protocolos propostos, comprometimento e adequação dos recursos com medidas que propiciem benefícios para o paciente, possibilitando um desfecho adequado satisfatório para todos, a equipe multidisciplinar, os pacientes e seus familiares (MAZZA, 2014). A avaliação da deglutição do paciente hospitalizado pode requerer além de uma avaliação clínica realizada a beira do leito guiada por protocolos padronizados, a realização de exames complementares com objetivo de compreender melhor as alterações apresentadas no exame clínico. Atualmente, dois são os exames objetivos de deglutição mais realizados: a avaliação endoscópica (FEES®) da deglutição e a videofluoroscopia da deglutição. Avaliação Endoscópica da deglutição (FEES®) é um exame que pode ser realizado na beira do leito do individuo pelo otorrinolaringologista, acompanhado pelo fonoaudiólogo e tem a missão de avaliar, primeiramente, por meio da nasolaringofibroscopia, estruturas anatômicas, lesões estruturais, assimetrias, alterações orgânicas, processos inflamatórios ou infecciosos. Na avaliação da motricidade, observa-se paresia ou paralisia do palato mole, das pregas vocais, paralisia ou tremores da base de língua, estase de secreção salivar em váleculas e seios piriformes, ausência de contração das paredes da faringe durante a deglutição seca, resíduos salivares após a deglutição, penetração laríngea, aspiração traqueal com ou sem reflexo de tosse e os mecanismos de proteção das vias aéreas. A avaliação da sensibilidade é realizada pela investigação da tosse, do reflexo adutor laríngeo (RAL) e do reflexo de proteção das vias aéreas (AZZAM; SAKAI, 1997). A Videofluoroscopia da deglutição tem a finalidade de avaliar as fases da deglutição a inter-relação entre elas, consentindo assim a compreensão da fisiologia e fisiopatologia da deglutição. As fases da deglutição a serem estudadas são: fase preparatória oral, oral faríngea e esofágica. O exame é realizado no setor de radiologia, na presença do fonoaudiólogo, do médico radiologista, do auxiliar de enfermagem e do técnico de radiologia. O contraste a ser usado é o bário em duas consistências líquidas e pastosas, e os alimentos conforme a anamnese, nas consistências líquidas, líquida engrossada, cremosa, semi-sólida e sólida. O exame é gravado em vídeo, favorecendo a análise posterior, para então ser laudado pelo fonoaudiólogo e médico radiologista (AZZAM; SAKAI, 1997). Apesar da existência dessas tecnologias, diversos trabalhos demonstram que elas não substituem uma boa avaliação clínica a beira do leito. Sendo o padrãoouro para o diagnóstico das disfagias orofaríngeas: Avaliação Clínica + Exames Objetivos (preferencialmente a Videofluroscopia). Além disso, essas tecnologias ainda não são uma realidade em grande parte dos hospitais brasileiros, fazendo com que os fonoaudiólogos tenham que basear suas condutas apenas no resultado de avaliações clínicas realizadas a beira do leito. Por esse motivo, a literatura ressalta a importância em se estabelecer protocolos padronizados para guiar essas avaliações clínicas aumentando o seu poder de diagnóstico das disfagias orofaríngeas. 2. ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NOS LEITOS ADULTOS Figura 1 - Atendimento em Adulto Fonte: Acervo Educare Quando o paciente encontra-se internado no leito, significa que não esta com risco à vida, porém para a realização da avaliação Fonoaudiológica, o paciente necessita estar dentro de alguns parâmetros pré estabelecidos para ser realizada a avaliação da deglutição. A avaliação no leito tem como objetivo verificar se o paciente apresenta ou não o quadro de disfagia. Sua realização conta com o uso do oxímetro de que é a medida da saturação periférica de O2, ausculta cervical na intenção de identificar penetração laríngea e observações de outros sinais clínicos como cianose, alteração de frequência cardíaca e respiratória. Quando o paciente possui a disfagia, a saturação pode cair no momento em que realiza a deglutição, indicando um comprometimento do sistema respiratório. Essa queda é observada em pacientes que aspiram com alimentos de consistência sólida e líquida, antes durante e após a alimentação, quando comparados aos indivíduos que não aspiram (CARDOSO, 2010). Existem vários protocolos de triagem e de avaliação da deglutição que tem por finalidade avaliar a segurança da deglutição com variadas consistências, determinando a partir do desempenho do paciente o grau da disfagia. (BARROS, 2000). A escolha por qual protocolo utilizar deve sempre levar em conta as peculiaridades dos serviços envolvidos e o perfil de pacientes avaliados. Atuação Fonoaudiológica na UTI Adulto Quanto à atuação da fonoaudiologia na UTI adulto, Moraes et al. (2006) afirmam que é um trabalho para a manutenção da vida do paciente, prevenindo complicações e promovendo uma qualidade de vida para ele quando se pode permitir que o mesmo se alimente por via oral mantendo um suporte nutricional adequado, porém a disfagia pode acarretar quadros de problemas nutricionais, pulmonares e desidratação. Essa intervenção se dá quando o quadro clínico e respiratório do paciente encontra-se estável, pois a disfagia segundo Moraes et al. (2006) ocorre com frequência nestes casos. O fonoaudiólogo tem o dever enquanto membro da equipe de UTI adulto, avaliar a disfagia segundo Moraes et al. (2006) de forma criteriosa e cautelosa, sem colocar o quadro clinico do paciente em risco e promovendo então um auxílio a prevenção da redução de complicações como pulmonares, hidratação e nutrição e ainda auxilia na diminuição do tempo de internação e custos hospitalares. Desta maneira, faz-se necessária muita atenção às dificuldades expressadas como: “[...]desconforto durante a deglutição, tosse, engasgos,múltiplas deglutições para um pequeno bolo, resíduos orais de alimento, escape oral, sensação de algo parado na garganta, regurgitação oral e/ou nasal, dificuldade para emitir sons da fala pós- deglutição com alteração da qualidade vocal, sialorréia, alteração do ritmo respiratório, sudorese e fadiga após poucas deglutições.” (MORAES et al., 2006). Associado a reintrodução da alimentação por via oral e retirada da sonda, segundo Moraes et al. (2006) o fonoaudiólogo promove o retorno do prazer alimentar. O individuo quando é internado em na UTI, indica risco de vida por instabilidade das funções dos órgãos vitais (cardiovascular, ventilatória, renal, hepática, neurológica, entre outras). Muitas vezes, sofre falências em múltiplos órgãos e requerem cuidados médicos contínuos e imediatos, seja por meio de medicações, adequação e ajuste dos aparelhos de monitorização cardíaca, respiratórias, sondas e drenos ou outras condutas de emergência. A conservação do paciente na UTI ocorre enquanto houver instabilidade clinica e risco de morte. O profissional fonoaudiólogo que trabalha na UTI requer conhecer todo o sistema e funcionamento dos aparelhos que são utilizados. O individuo na maioria dos casos, faz o uso de nutrição alternativa, seja por via enteral ou parenteral, especialmente por não apresentar disposições neurológicas que possibilite a oferta de VO. Quanto à questão respiratória, pode estar em ventilação assistida invasiva (ventilação mecânica) ou não invasiva (BIPAP, CPAP), intubado por via nasal ou oral, traqueostomizado com cânula plástica, com ou sem a presença de balonete (cuff), com cânula metálica, usando máscara facial, de Venturi, ou somente cateter de oxigênio (OLIVEIRA,2003). 2.3 Atuação Fonoaudiológica na UTI Neonatal Assim como acontece na UTI Adulto, a atuação fonoaudiológica na UTI Neonatal também busca prevenir complicações referentes à introdução inadequada de via oral, bem como identificar precocemente alterações auditivas. Para tanto são realizados: 1) procedimentos de estimulação sensório motora oral para adequar os padrões de sucção visando o aleitamento materno, uma boa interação mãe-bebê garantindo segurança da ingestão oral 2) é realizado o “Teste da Orelhinha” por meio do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas que tem como objetivo identificar precocemente distúrbios auditivos que possam prejudicar o indivíduo. Desse modo, o fonoaudiólogo apresenta- se na equipe neonatologia com um profissional essencial uma vez que possui conhecimento otimizado da anatomofisiologia das funções estomatognáticas (sucção, respiração, deglutição) (COUTO DE, NEMR K, 2005), tendo como objetivo localizar alterações orofaciais no recém-nascido (RN), proporcionar a sucção no seio materno e melhorar a interação mãe/ bebê, aumentando desta forma a qualidade de vida dos mesmos (HERNANDEZ, A.M, 2003). O recém nascido pré termo (RNPT) por não ter completado seu desenvolvimento intrauterino apresenta imaturidade funcional e estrutural de órgãos e sistemas, e como consequência manifesta um padrão de desenvolvimento motor diferente das crianças nascidas a termo. As dificuldades de adaptação estão relacionadas à imaturidade global, o que inclui inabilidades motoras orais para coordenação da sucção - deglutição – respiração, dificultando a realização da alimentação por via oral e, consequentemente, prejudicando seu estado nutricional (COSTA, 2007; RUGOLO, 2005). Além disso, estudos indicam que em longo prazo, crianças que apresentaram dificuldades alimentares iniciais podem apresentar problemas na introdução e na tolerância de alimentos sólidos no período da infância (HAWEON, BEAUREGARD, KENNEDY, 2000). A introdução da alimentação via oral nos RNPT na maioria das Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais, já pode ser realizada por volta de 34ª semanas de idade gestacional, mediante os critérios variáveis e discutíveis. A idade gestacional é, vista de forma isolada, um critério ruim para a indicação da transição da alimentação, já que outras variáveis são importantes e devem ser consideradas como a estabilidade clínica, estado de consciência, habilidade motora-oral e coordenação das funções de sucção, deglutição e respiração (LEMONS, 1996). O peso também é um critério ruim para a indicação do início da transição da alimentação oral, pois não considera a maturidade do prematuro. Os bebês nascidos de muito baixo peso ou prematuros extremos sofrem uma privação sensorial intensa, já que eles demoram a atingir o peso e, nem por isso, apresentam atraso no neuro desenvolvimento e maturidade motora oral (THOYRE.S.M, 2003). Desta forma, reforça-se a importância de uma avaliação global que antecipe, de forma objetiva, segura e funcional, a transição da alimentação gástrica para via oral. Diante disso foi proposto por Fujinaga em 2005 um instrumento de avaliação da prontidão do prematuro para iniciar a transição da alimentação gástrica para via oral, e seu guia instrucional. O instrumento é constituído dos seguintes itens: idade corrigida; estado de consciência; postura e tônus global; postura dos lábios e língua; reflexo de procura, sucção, mordida e vômito; movimentação e canolamento de língua; movimentação de mandíbula; força de sucção; sucções por pausa manutenção do ritmo de sucção por pausa; manutenção do estado alerta e sinais de estresse (FUJINAGA et al, 2009). Essa intervenção auxilia no desenvolvimento RNT e de risco, RNPT, RN de baixo peso (RNBP), pequenos para a idade gestacional (RNPIG), como também no RN portador de patologias específicas as quais comprometem o sistema sensório motor oral (SSMO), sendo seu trabalho essencial para a evolução destes quadros (BROCK, 1998). Os avanços nos cuidados neonatais e perinatais têm levado a um aumento na sobrevivência de RN com idade gestacional e peso ao nascer (PN) cada vez mais reduzido. Contudo, faz-se necessário o acompanhamento cuidadoso dessas crianças, uma vez que eles apresentam maior vulnerabilidade em relação às alterações do desenvolvimento neuropsicomotor (AURÉLIO et al., 2002; MANCINI et al., 2002). Em relação à importância da Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), trata-se do acompanhamento auditivo dos RNs realizando a triagem auditiva antes de um mês de vida, e no caso de falhas na triagem auditiva inicial e no reteste devem receber avaliação médica e audiológica apropriada para confirmar a perda auditiva antes dos 3 meses de idade. Crianças que possuem indicadores de risco para perda auditiva devem ser acompanhadas a cada seis meses por três anos (MANFREDI, 2002). Essa identificação precoce de possíveis perdas auditivas é importante para que antes dos 3 meses de idade já se possa ter o diagnóstico e iniciar um intervenção evitando maiores prejuízos para o desenvolvimento dos bebês (GATANU). Em suma, compreende-se que quando o paciente está no leito, a atuação do fonoaudiólogo, segundo Leite et al. (2003) tem um caráter mais preventivo e intensivo, com o objetivo de impedir e ou diminuir sequelas da comunicação ou deglutição que as patologias de base possam deixar. Para tanto, a atuação inicia-se logo após o paciente esteja estável seguindo critérios clínicos pré-estabelecidos garantindo segurança na avaliação fonoaudiológica, sem horários fixos. (LEITE et al., 2003) A fonoaudiologia hospitalar é diferente da ambulatorial, além da intervenção quando os sintomas já estão instalados, caracteriza-se também pela intervenção dos pacientes precocemente, que não tenham os sintomas instalados, já que os mesmos estão “disponíveis” para a intervenção (LEITE, 2003). 3. DESENVOLVIMENTO HUMANO Se na perspectiva das fases do ciclo de vida acentua-se uma seqüência horizontal, onde as diversas fases não são apresentadas como um crescimento para a maturidadeou sabedoria; a investigação dos estádios de desenvolvimento apresentam uma progressão de níveis numa linha vertical, ou seja, cada estádio é qualitativamente melhor e superior ao que lhe antecede. Esta perspectiva considera que o indivíduo está em crescimento contínuo, desde formas simples de vida até formas mais complexas, ou seja, da imaturidade até à maturidade. Erikson (1963, 1976) dedicou-se ao estudo do desenvolvimento da personalidade, tendo o seu trabalho tido uma grande influência e impacto nos estudos posteriores do desenvolvimento humano. Para este autor o desenvolvimento da personalidade prolonga-se ao longo da vida, interessando apenas na abordagem deste trabalho os estádios da personalidade na vida adulta . Cada uma das etapas, ou estádios, "relaciona-se sistematicamente com todos os outros e que todos eles dependem do desenvolvimento adequado na seqüência própria de cada item". Cada fase é caracterizada por uma crise psicossocial a qual é baseada no crescimento fisiológico, bem como nas exigências colocadas ao indivíduo pelos outros (pais e/ou sociedade): "cada um chega ao seu ponto de ascendência, enfrenta a sua crise e encontra a sua solução duradoura pelos métodos aqui descritos, ao atingir a parte final das fases mencionadas." A primeira etapa que marca o início da vida adulta é a crise da intimidade. Intimidade significa capacidade de intimidade sexual, pois agora a genitalidade desenvolve-se com vista à maturidade genital (ou seja, íntima mutualidade sexual), mas significa também "a capacidade para desenvolver uma autêntica e mútua intimidade psicossocial com uma outra pessoa, seja na amizade, em encontros eróticos ou em inspiração conjunta.". O perigo desta etapa é o isolamento, que significa a incapacidade de correr riscos para a própria intimidade, muitas vezes devido ao medo das conseqüências dessa mesma intimidade (filhos, responsabilidades familiares, etc.). A verdadeira intimidade só é possível se o indivíduo já tiver desenvolvido a sua identidade (estádio anterior à intimidade). "Se continuarmos o jogo de formulações ‘Eu sou’, no caso ‘para além da identidade’ teremos de mudar de linguagem. Pois agora o incremento de identidade baseia-se na fórmula ‘Nós somos o que amamos’. A etapa da generatividade é a fase da maturidade da pessoa humana. "A generatividade é, pois, de modo primordial, a preocupação em estabelecer e orientar a geração seguinte.". No entanto, o fato de se ter ou querer ter filhos não significa automaticamente generatividade. O conceito de generatividade inclui a capacidade de produtividade e criatividade da pessoa na relação consigo própria e com os que a rodeiam. Generatividade significa, pois, capacidade de ir para além dos interesses pessoais, de ir para além das certezas pessoais. O perigo desta etapa é exatamente esse, a que Erikson denomina de estagnação. "Sempre que tal enriquecimento falha completamente, ocorre uma regressão e uma necessidade obsessiva de pseudo-intimidade, por vezes, com um difuso sentimento de estagnação, tédio, depauperamento interpessoal." Finalmente, a última etapa corresponde ao culminar do progressivo amadurecimento da pessoa humana: a fase da integridade. Este crescimento permite ao indivíduo ser capaz de aceitar o seu ciclo vital e daqueles que se tornaram significantes ao longo desse mesmo ciclo. Na integridade, a pessoa não receia encarar todo o seu ‘caminho percorrido’, levando-o a compreender o percurso das pessoas que acompanharam o seu ciclo de vida, "livre do desejo de que eles fossem diferentes, e uma aceitação do fato de que a vida de cada um é da sua própria responsabilidade." O perigo desta etapa reside no desespero: "a sorte não é aceite como estrutura de vida, a morte não como sua fronteira finita." Assim, o desespero manifesta o fato de o indivíduo sentir que o tempo é demasiado curto para voltar a recomeçar a sua vida com vista a encontrar rumos alternativos para a integridade. Loevinger (1976) apresenta o conceito de desenvolvimento do ego que fornece um quadro de referência sobre a forma do sujeito se ver a si próprio e aos outros. Para esta autora, os estádios mais baixos correspondem a uma perspectiva individualista e egoísta do eu. A fase consciente corresponde ao ‘início’ da capacidade crítica de se autojulgar e avaliar. Nos estádios seguintes o indivíduo vai-se tornando mais autônomo, com capacidade de se dar conta da complexidade do mundo que o envolve. Neste modelo de desenvolvimento, a sucessão de etapas é marcada pela passagem de um forma simples e estereotipada de pensamento, para a capacidade de se estar ciente das múltiplas e diferentes possibilidades de visões acerca da sociedade e acerca de si próprio; ou seja, nos últimos estádios está-se ao nível do pensamento pós-formal, já referido anteriormente. Abordando o desenvolvimento intelectual do indivíduo que se efetua ao longo da vida, Perry (1970) apresenta um modelo de nove estádios, existindo entre cada um destes nove estádios, fases de transição. Este modelo refere uma evolução de formas concretas para formas abstratas de pensamento, de uma forma simplista e unidimensional para perspectivas multidimensionais e complexas de conhecimento, de uma forma de instância externa de autoridade (existindo um dualismo entre a autoridade que tudo sabe e o indivíduo que pouco ou nada sabe) para uma maior autonomia e comprometimento com os valores pessoais na relação com o conhecimento. Grow (1991) e Kaswrom (1992) mostram nas suas investigações que os adultos, em situação de aprendizagem, apresentam diversos níveis ao nível da autodirecção: desde adultos que vivem numa dependência quase total da autoridade externa (professor, instituição educativa), a adultos que são altamente autodirigidos nas suas aprendizagens e na relação com a autoridade. Nesta linha de abordagem do desenvolvimento cognitivo na vida adulta, King e Kitchener (1994) falam da evolução ao nível do raciocínio reflexivo, que segundo as autoras, é caracterizada por sete estádios de desenvolvimento. Os primeiros três estádios correspondem a uma fase pré-reflexiva, onde o indivíduo assume existir a 'resposta correta' para todos os problemas. Os dois estádios seguintes são considerados quase reflexivos: no quarto estádio o conhecimento já é entendido como incerto, não existindo contudo uma discriminação da qualidade das diferentes opiniões individuais; no quinto estádio o conhecimento é considerado como subjetivo, existindo a consciência da existência de diferentes perspectivas. Segundo as autoras, apenas os últimos dois estádios são reconhecidos como pensamento reflexivo. Nestes últimos estádios, o indivíduo vê o conhecimento não como algo adquirido e imutável, mas como algo que deve ser ativamente construído pelo sujeito, numa relação muito estreita com o contexto em que esse mesmo conhecimento é gerado. No sexto estádio o indivíduo considera que as crenças podem ser justificadas através da análise da evidência dos diferentes pontos de vista, ou dos diferentes contextos. No sétimo estádio o indivíduo reconhece que as idéias e pressupostos devem ser confrontados com a realidade, podendo esse processo de inquérito ser falível. O conhecimento resulta, assim, do processo de exame racional, podendo ser sempre alvo do escrutínio e criticismo por parte de outras pessoas. Labouvie-Vief (1984) considera que o desenvolvimento do indivíduo é constituído por duas fases principais. A primeira fase, que abrange a infância e a adolescência, consiste na descodificação por parte da pessoa dos automatismos biológicos e na codificação dos automatismos culturais e sociais. A segunda fase, que abrange o período pós-adolescência, caracteriza-se pela capacidade do indivíduo reexaminar as diversas estruturas assumidas na fase anterior. Não se trata meramente de uma rejeição dasinterdependências pessoais assumidas anteriormente, mas sim o resultado de uma análise dos diversos constrangimentos que envolvem o indivíduo, seja na sua forma de pensar, seja na sua forma de agir. A perspectiva crítica na área da educação de adultos enfatiza as características apresentadas por Loevinger, Perry, Kitchener e King. Brookfield (1985, 1986, 1993, 1995) observa a necessidade do indivíduo ser capaz de estar aberto a perspectivas alternativas da realidade, tornando assim possível a mudança interna na consciência psicológica. O sujeito tem de ser capaz de refletir criticamente sobre a sua realidade que a maioria das vezes é caracterizada por uma aceitação não questionada de valores, normas, e práticas definidas pelos outros. Assim, a reflexão crítica leva a pessoa a dar-se conta das pressuposições hegemônicas, que todos consideram como normais e inquestionáveis. É na inter-relação com os outros que ele acede e valida as visões alternativas da realidade (Garrison, 1989, 1992). Na seqüência do pensamento da corrente crítica, bem como dos estudos de King e Kitchener e de Labouvie-Vief, Mezirow (1978, 1991, 1997), segue a linha de desenvolvimento do indivíduo aplicado a situações de aprendizagem, a que ele chama de teoria transformativa ou aprendizagem transformativa. Não se tratam de novos conhecimentos que são ‘adicionados’ aos já existentes, mas sim de transformação de esquemas de sentido (crenças específicas, atitudes, reações emocionais, etc., que constituem modos de expectativa e interpretação da experiência pessoal), construindo assim uma nova perspectiva de sentido que permitirá uma outra visão da realidade. Para os aprendentes mudarem os seus esquemas de sentido "devem refletir criticamente sobre as suas experiências, a qual por sua vez conduz à transformação de perspectivas". Para Mezirow a dimensão crucial na aprendizagem dos adultos envolve o processo de justificação e validação de idéias comunicadas, e de pressupostos das aprendizagens anteriores. Estes pressupostos, assimilados na maioria das vezes de forma não crítica, podem distorcer os nossos modos de conhecer. Desta forma, a reflexão envolve a análise crítica destes pressupostos. A aprendizagem reflexiva torna-se transformativa quando os pressupostos, ou premissas, são vistos como distorcidos, incorretos, e inválidos. A aprendizagem transformativa resulta num esquema de sentido novo, ou transformado. Para este autor, este é o modo específico de aprendizagem na vida adulta: O desenvolvimento do adulto é visto como a capacidade progressivamente desenvolvida de validar a aprendizagem anterior através do discurso reflexivo e de agir sobre os resultados obtidos. Tudo o que levar o indivíduo a perspectivas de sentido mais inclusivas, diferenciadas, permeáveis (aberta a outros pontos de vista), a validade do que foi estabelecido através do discurso racional, ajuda o desenvolvimento do adulto. Segundo este autor a transformação de perspectivas é despoletada por dilemas desorientadores. Assim, a transformação de perspectivas "começa quando encontramos experiências, muitas vezes situações de forte carga emocional, que falham em encaixar nas nossas expectativas e por isso mesmo não têm sentido para nós, ou quando encontramos uma anomalia que não tem coerência à luz dos esquemas existentes ou pela aprendizagem de novos esquemas" . Kohlberg (1971) abordou o desenvolvimento moral do indivíduo, tendo apresentado numa seqüência hierárquica de seis estádios distribuídos por três níveis: 1) nível pré-convencional; 2) nível convencional; 3) nível pós-convencional. Este autor segue a perspectiva de Piaget de que o indivíduo, ao nível do raciocínio moral, evolui de um estádio heterómono (estrita adesão a regras e deveres, obediência à autoridade, egocentrismo) para um estádio autônomo (capacidade de refletir sobre as regras de forma crítica, aplicação seletiva destas regras baseado no objetivo do mútuo respeito e compreensão). Contudo, Kohlberg considera que o processo com vista ao alcance da maturidade moral é mais longo e gradual. Para a compreensão do desenvolvimento moral do adulto, interessa analisar o modelo de Kohlberg apenas a partir do nível convencional. No nível convencional inserem-se os indivíduos que têm um conhecimento básico da moralidade convencional, considerando que as convenções existentes na sociedade são necessárias para a manutenção da mesma. A atitude destes indivíduos não é apenas de conformidade em relação à ordem social, mas também de lealdade e justificação dessa mesma ordem, ajudando na identificação das pessoas e grupos inseridos nessa mesma ordem social. Este nível de desenvolvimento moral é constituído por dois estádios (o terceiro e o quarto). As pessoas no terceiro estádio definem o que é correto a partir das expectativas das pessoas próximas de si, e em termos de papéis estereotipados do que representa agir corretamente. Os indivíduos do quarto estádio vão mais além das expectativas das pessoas que são próximas, definindo o que é certo a partir das leis e normas estabelecidas na sociedade. O nível pós-convencional caracteriza-se pelo claro esforço de definir os valores e princípios morais, e a sua aplicação, para além da autoridade do grupo social e da identificação do próprio indivíduo com esses grupos. Assim, os indivíduos neste nível de raciocínio moral rejeitam uma aplicação uniforme das regras e normas. Este nível é também constituído por dois estádios (o quinto e o sexto). No quinto estádio, a pessoa está ciente do relativismo dos valores e opiniões pessoais, pois a maior parte dessas regras são relativas ao grupo a que o indivíduo pertence, existindo, contudo, alguns valores e direitos que não são relativos (por ex.: vida, liberdade) devendo por isso serem respeitados independentemente da opinião da maioria. No sexto estádio, que não foi verificado empiricamente nos estudos de Kohlberg, o correto é definido pela decisão de consciência de acordo com princípios éticos auto-escolhidos segundo uma lógica de compreensão, universalidade e consistência. Assim, neste último estádio quando as leis violam os princípios éticos, o indivíduo age de acordo com o princípio. Brookfield (1998) afirma que a aprendizagem moral na vida adulta centra-se em cinco fases interligadas: 1) aprender a estar ciente da inevitável contextualidade do raciocínio moral; 2) aprender que a moralidade é determinada coletivamente, sendo ela transmitida e reforçada por essa mesma coletividade; 3) aprender a reconhecer a ambigüidade do raciocínio moral e a ação moral; 4) aprender a aceitar as próprias limitações morais; 5) aprender a ser auto-refletivo acerca do próprio raciocínio moral, envolvendo "a aplicação da reflexão crítica acerca das nossas decisões morais." Integrando-se na perspectiva de desenvolvimento da pessoa ao longo da vida, diversos autores (Powers, 1982; Westerhoff, 1980; Wilcox, 1979) dedicaram-se ao estudo da evolução espiritual ao longo da vida da pessoa humana. A seqüência destas diversas etapas é caracterizada por uma evolução da dependência das crenças dos outros (pais, grupo, sociedade), para a autonomia, onde o indivíduo é capaz de confrontar os princípios abstratos da fé com a sua realidade quotidiana. Constata-se, pois, nestes estudos o papel das operações pós-formais no modo como a pessoa percepciona a realidade que o envolve. Tomando em consideração os estudos de Erikson (sobre o desenvolvimento da personalidade), Piaget e Kohlberg (sobre o desenvolvimento moral), bem como os estudos sobre o desenvolvimento intelectual, Fowler (1981, 1984) apresentou um esquema de seis estádios de desenvolvimento espiritual, sendo a vida adulta marcada pelos quatro últimos estádios do esquema proposto por este autor. O terceiro estádio é denominado por sintético-convencional. Este estádio éalcançado na adolescência, mas pode prolongar-se durante toda a vida adulta. O conjunto de crenças do indivíduo é a síntese das crenças do grupo a que ele pertence. Por isso, uma das características deste estádio é uma visão insular da crença, estando os princípios éticos fundados na lei e autoridade. O quarto estádio é denominado por individual-refletivo. Como o próprio nome indica, a crença deixa de ser em referência ao grupo, para passar a ser em referência ao próprio indivíduo, se tornado parte integrante da identidade pessoal, tendo a reflexão um papel importante neste processo. A ‘descoberta’ e abertura das diferenças culturais e do raciocínio moral, desenvolvem no indivíduo uma visão mais relativa e não tão absoluta da realidade: é o início da ‘caminhada’ para o pensamento relativo e dialético. Assim, nesta etapa o indivíduo abandona, em boa parte (mas não totalmente) a perspectiva insular, estereotipada e absoluta da sua crença e da ação moral. O quinto estádio tem a denominação de conjuntivo. A crença conjuntiva conjuga, de uma nova forma os diversos elementos constitutivos da pessoa humana. Trata-se, pois, de uma nova reintegração e reapropriação que o indivíduo faz da fé, agora tendo em conta não apenas as dimensões abstratas e universais, mas também a realidade, o particular, a experiência. A experiência do indivíduo por volta da meia- idade permite-lhe ter uma outra percepção de si próprio, sendo muito mais paciente com as contradições existentes: este estádio implica pois o desenvolvimento do pensamento reflexivo, crítico e dialético. O indivíduo dá-se conta dos paradoxos existentes na sua crença e aprende a viver com a sua fé e as suas questões. O estádio conjuntivo corresponde, segundo Brookfield (1998), à capacidade de pensamento crítico. No último estádio, denominado por universalizante, a pessoa ultrapassa a tensão existente anteriormente entre o imperativo de viver na solidariedade e os próprios desejos, afetos e ações da pessoa. O indivíduo assume uma perspectiva universal da crença, marcada pela descentração total do sujeito. 4. O ADULTO JOVEM - DEZOITO A QUARENTA ANOS DE IDADE A divisão entre a adolescência e a vida adulta varia de acordo com a sociedade. Alguns indivíduos continuam dependentes emocionalmente e financeiramente de sua família, muito além dos 18 anos. Outros se tornam muito independentes precocemente, por uma escolha pessoal, por uma expectativa social em sua cultura, ou por circunstâncias fora de seu controle. A morte ou a doença de membros da família pode obrigar um adolescente a assumir uma postura adulta, com as responsabilidades que isso implica, muito mais precocemente do que aqueles cujas famílias sustentam seus estudos no colégio e na faculdade. Legalmente, aos 18 anos de idade a pessoa tem o direito de votar e de participar de atividades cívicas, e até de exercer alguns cargos na estrutura governamental. A escolha de participar ou não do serviço militar é livre para o jovem americano de 18 anos, sem que seja preciso a aprovação dos pais. A idade mínima para o consumo de álcool fora de casa varia nos diferentes estados americanos entre os 18 e os 21 anos. A independência financeira é outro critério para determinar a condição de adulto. Sob esse ponto de vista, adultos são os indivíduos que conseguiram uma independência econômica de suas famílias. Outros se utilizam da maturidade para lidar com os problemas ligados à vida adulta como o critério de separação da adolescência. Os traços da personalidade também podem ser usados para diferençar um adolescente de um adulto jovem. Traços como autocontrole, comportamento responsável, capacidade de assimilar frustrações, capacidade de planejar de forma realista e de implementar estes planos, aceitação das diferenças nos outros, desenvolvimento de relacionamentos íntimos prolongados, e o desenvolvimento de suas próprias potencialidades são características associadas com a maturidade da vida adulta. Para a maioria dos jovens adultos, esta constitui uma fase de poucas mudanças físicas e de poucos problemas. É mais um período de expansão social e emocional em seu relacionamento com o trabalho, com a comunidade, e nos relacionamentos pessoais mais íntimos. 4.1 Necessidades fisiológicas Necessidades de oxigênio. A primeira fase da vida adulta é um período de funcionamento máximo dos sistemas respiratório e cardiovascular. O músculo cardíaco (miocárdio) inicia uma perda muito lenta, imperceptível, de sua força durante essa fase. Estima-se que essa perda seja da ordem de 1 % 'ao ano, em uma pessoa normal. Sabe-se que as alterações nas coronárias (artérias que suprem as necessidades de oxigênio do miocárdio) começam em tal fase,. e as pessoas aos 20 anos de idade podem ter depósitos de gordura (placas) e diminuição do lúmen (abertura) desses vasos. As autopsias realizadas durante a guerra na Coréia encontraram pelo menos uma artéria com uma diminuição de 50% de seu lúmen em 15% das vítimas examinadas. As dietas muito ricas em colesterol parecem ter relevante importância na formação das placas que causam a obstrução parcial das coronárias. A freqüência cardíaca nos adultos jovens é, em média, de 72 bpm. A pressão arterial mantém-se estável, e o limite máximo tolerável é de 140/90 mmHg. O Quadro 13.1 mostra os valores sanguíneos e os sinais vitais normais para o adulto jovem. Eliminação. A função renal está madura, com uma produção diária de aproximadamente 1000 ml a 2000 ml de urina. Nutrição. Durante a adolescência ou durante a segunda década de vida, completa-se o crescimento. Sem o crescimento, as necessidades calóricas diminuem, a não ser durante a gravidez. As necessidades hídricas mantêm-se constantes em 50 ml por quilo como durante a adolescência. As necessidades calóricas nas mulheres estão entre 40 e 45 cal por quilo de peso, e nos homens, ligeiramente maiores, entre 42 e 47 cal por quilo. A ingesta calórica total no homem varia de 2.700 a 3.000 calorias, e na mulher é de 2.000 cal nas 24 horas. As necessidades protéicas nos homens atingem 56 a 60 gramas nas 24 horas, e nas mulheres 46 a 50,00 gramas por 24 horas. Os terceiros molares eclodem durante a segunda década de vida, se já não o fizeram antes. Algumas pessoas terão dificuldades no nascimento desses dentes, e devem ser avaliadas pelo dentista. Outras não têm qualquer molar; algumas terão seu crescimento de maneira inadequada no interior da gengiva, e isso pode afetar a saúde dos dentes vizinhos. A escolha da alimentação e o seu preparo são, agora, responsabilidades do indivíduo. O esquema de trabalho assim como o ambiente afetarão a alimentação. Os alimentos dos quatro grandes grupos continuam a ser necessários para a satisfação das necessidades dos adultos. Alimentos congelados, refeições rápidas, e a incapacidade ou falta de vontade de preparar seus próprios alimentos, podem contribuir para uma dieta mal balanceada, muitas vezes pobre em frutas e vegetais, e muito rica em carboidratos. A quantidade de sono necessária para a maioria dos indivíduos decresce ligeiramente durante a fase adulta. O adulto jovem requer de sete a nove horas diárias de sono. Essa necessidade decai ainda mais na velhice, quando chega a cinco ou sete horas por noite após os cinqüenta anos. Necessidades sexuais e sexualidade. A identidade sexual da maioria dos adultos está bem estabelecida, quando eles chegam aos 20 anos. A capacidade de manter um relacionamento íntimo prolongado com uma pessoa do sexo oposto constitui uma característica da fase adulta. O intercurso sexual não é mais necessário como forma de clarear as identidades sexuais como nos primeiros anos. Deixa de ser uma experiência egocêntrica para tornar-se cada vez mais uma relação de amor. Proporcionar prazerpassa a ser tão importante quanto sentir para o indivíduo maduro. O controle de natalidade é uma necessidade básica relacionada à função sexual. Existe uma tendência a postergar a gravidez para uma fase posterior da vida. Muitas mulheres têm os seus primeiros filhos perto dos 30 anos, ao contrário do que ocorria no passado quando as mulheres tinham filhos mais ou menos aos 20 anos. Com o passar dos anos, diminui a fertilidade da mulher. Muitos casais com idades entre os 20 e 40 anos têm problemas de infertilidade, com uma incidência estimada de 15 a 20% de todos os casais. Problemas em outras áreas da vida, novas responsabilidades e desafios podem afetar a função sexual de uma forma negativa. Exaustão física, consumo de álcool, ansiedade no trabalho e depressão constituem alguns dos fatores que podem interferir com a função sexual normal. As idades de 24 e 25 anos são consideradas o ápice da fertilidade feminina. As mulheres têm períodos menstruais regulares durante essa fase. Os homens podem começar a perder os cabelos ao mesmo tempo em que aumenta o crescimento dos pêlos da face. Necessidades de estimulo: o pico de produtividade e criatividade de muitos indivíduos é alcançado durante essa fase. O cérebro desenvolveu-se totalmente em torno dos 25 anos, e a acuidade sensorial e o funcionamento cognitivo estão em um nível ideal. Os adultos necessitam de algum tipo de propósito ou significado para suas vidas, o que é alcançado pelo trabalho, a família ou a participação em outras atividades consideradas importantes pelo indivíduo. Um meio ambiente de trabalho estimulante proporciona oportunidades de aprender novas técnicas e mantém o interesse individual. O tédio e a estagnação podem ser o resultado de uma vida com poucas mudanças. O uso do período de lazer para estimular os sentidos, exercitar os músculos e entreter a mente é cada vez mais importante para as pessoas que trabalham em ambientes fechados em atividades repetitivas ou em tarefa muito desgastante. Após muitos anos num mesmo serviço, o trabalho pode parecer repetitivo, e as atividades de lazer podem proporcionar o estímulo necessário à manutenção do entusiasmo com a vida e, assim, promover a saúde. As atividades estimulantes dos sentidos e dos músculos são ainda mais importantes para as pessoas com certo comprometimento de saúde. A dor, as preocupações e a depressão podem ser reduzidas ou prevenidas, quando as pessoas se envolvem em alguma atividade gratificante. A leitura, a participação em atividades criativas, a música, atividades literárias, participação em grupos de debates entre os pacientes e as atividades religiosas são muitas das atividades que podem estimular o paciente adulto hospitalizado sem lhe causar cansaço excessivo. 4.2 Necessidades De Nível Mais Elevado Necessidade de segurança. Nesta fase, o indivíduo experimenta muitas mudanças em sua vida, dependendo de suas escolhas quanto a carreira, casamento, família e ambiente. Desenvolvem-se os hábitos que podem ter um efeito positivo ou negativo para a sua saúde presente e futura. O grau de atividade e de exercício escolhido nesta época pode continuar nas futuras fases da vida, e minimizar muitos dos problemas relacionados com o envelhecimento. A atividade física é um modo excelente de evitar o excesso de peso e os problemas relacionados. A necessidade de lidar com situações desgastantes, de aprender o que é possível esperar das situações e como lidar com mudanças, como a gravidez, os nascimentos, e a educação das crianças, faz do adulto jovem um alvo principal da educação para a saúde. As mudanças que acompanham o processo de desenvolvimento são experimentadas pela maioria dos indivíduos e famílias que estejam atravessando diferentes fases da vida. Essas mudanças podem ser antecipadas e planejadas com o auxílio de educadores sanitários e profissionais de saúde, fazendo com que tais mudanças sejam menos traumáticas. Uma condição financeira adequada é necessária para que os indivíduos e suas famílias tenham suas necessidades alimentares, habitacionais e de vestuário supridas, e para que possam sentir-se seguros e independentes. As doenças podem interferir com a capacidade de o indivíduo ganhar o seu sustento, tanto temporária quanto permanentemente. Os adultos jovens, em face das novas responsabilidades e dos problemas econômicos, podem necessitar de ajuda durante o processo de doença. Os cuidados de enfermagem para os pacientes desta faixa etária incluem a discussão desses problemas e requerem o auxílio dos serviços sociais, quando necessário. Um paciente preocupado com o pagamento das contas e com suas necessidades pessoais e de sua família estará despendendo muita energia, que poderia estar sendo utilizada em sua recuperação física. A preocupação com esses aspectos pode interferir com a recuperação. Necessidades de amor e gregária: a maioria das pessoas se casa durante a sua vida. As escolhas feitas durante essa fase serão afetadas pelas necessidades individuais de amor e de sentir-se querido. Estas podem ser supridas por uma família, um grupo de amigos com interesses semelhantes, um grupo religioso, ou pelo sentido de companheirismo que muitos recebem das pessoas com quem trabalham. O trabalho, a escola e a igreja são os lugares onde a maioria das pessoas encontra uma oportunidade para a interação social. Alguns casais casam-se e começam novas famílias para preencherem suas necessidades de amor. As pessoas que optam por viver sozinhas e permanecerem solteiras talvez dependam mais de seus trabalhos e de outras atividades fora de casa para terem suas necessidades de afeto satisfeitas. A separação de seus parentes e amigos durante um período de hospitalização pode interferir com a satisfação dessa necessidade. Criar oportunidades para que os filhos visitem os seus pais hospitalizados é muito importante tanto para a criança quanto para o pai. Conceder aos casais algum tempo de privacidade dentro do hospital, livre de perturbações, pode dar-Ihes a oportunidade de terem contatos físicos e de sentirem- se amados e necessários um para o outro. Necessidades de auto-estima e de realização pessoal: o trabalho fornece ao adulto uma fonte de reconhecimento e prestígio. Muitas pessoas sentem-se orgulhosas e importantes por causa de seu trabalho, e isto leva a um bom conceito de si próprias. Algumas carreiras são fontes certas de prestígio, como a medicina, a advocacia e o atletismo profissional. As pessoas que seguem estas carreiras só são reconhecidas pelos outros através do seu título profissional. Isto pode fazer com que o indivíduo tenha melhores sentimentos acerca de si próprio e, assim, preencha suas necessidades de auto- estima. Outras pessoas estão desempregadas ou têm empregos que garantem pouco prestígio ou até projetam uma imagem negativa, como o coletor de lixo ou os trabalhadores das linhas de montagem. Estas conseguiram reconhecimento e orgulho pelo que fazem baseadas em suas performances pessoais. As pessoas que sentem que são boas no que fazem ou que usam o seu tempo de uma forma produtiva. não importa o que façam, têm orgulho do que fazem e de si próprias. O trabalho isolado talvez seja o que apresente maiores dificuldades de reconhecimento. Nesse caso, os indivíduos devem ser capazes de reconhecer o seu próprio valor com pouca ou nenhuma confirmação por parte de outros. Os adultos que escolhem atividades com pouco contato com outros adultos podem ter problemas na avaliação da forma com que gastam o seu tempo. Permanecer em casa cuidando dos filhos pode ser muito gratificante, mas também muito prejudicial para a auto-estima de uma pessoa. As crianças não elogiam o trabalho dos pais, e, geralmente, o parceiro também não. O jovem adulto estabelece metas e faz planos para um futuro melhor. Os indivíduos começam a desenvolver e a reconhecersuas potencialidades. 4.3 Problemas Comuns À Fase Adulta E Às Implicações Da Enfermagem A maioria das pessoas goza de boa saúde entre os 20 e os 40 anos de idade. A maior parte dos problemas são de naturezas social e econômica, mas podem influir nas saúdes individual e familiar. 1. O alcoolismo é um problema cada vez maior, à medida que as pessoas encontram maiores dificuldades em suas vidas. Nos Estados Unidos, o Instituto Nacional para o Abuso de Álcool e Alcoolismo (1975) estima que existem nove milhões de pessoas que usam o álcool de uma forma abusiva. As estatísticas mostram que a maior incidência situa-se ~ntre os 18 e 20 anos, e novamente. entre os 37 e 40 anos, entre o.; homens. Nas mulheres a maior incidência está no final da terceira década de vida. Existe uma clara relação entre o abuso de álcool e os acidentes automobilísticos, assim como com outros problemas de saúde, subnutrição, lesão tecidual de órgãos vitais e defeitos congênitos. Independente da seção em que a enfermeira está lotada, a educação e a avaliação de possíveis problemas relacionados ao abuso de álcool fazem parte dos cuidados de enfermagem. 2. A violência dentro da família afeta muitos milhões de homens, mulheres e crianças a cada ano. Dois milhões de casais relatam agressões conjugais. A violência contra pais idosos dentro de casa é um problema recente, envolvendo jovens e adultos. A violência contra a esposa é mais comum nos primeiros anos da fase adulta, tendo como fatores relacionados as crianças dentre de casa, a falta de um trabalho não- doméstico para a mulher e sua conseqüente independência financeira, além do mede que a impede de deixar a casa em busca de proteção. Tanto o homem quanto a mulher podem considerar a violência algo natural especialmente se presenciaram cenas de violência entre sem respectivos pais. A violência contra a mulher durante a gravidez não é rara, e possivelmente está relacionada à crescente dependência em relação ao homem, sexualidade alterada. e a ansiedade que as novas responsabilidades com a criança trazem. As enfermeiras devem estar atentas ao problema, e saber que existem recursos legais à disposição do indivíduo que sofre a violência. Muitas vezes, as bebidas alcoólicas estão envolvidas e são usadas amiúde como desculpa pela perda do controle. 3. As doenças sexualmente transmissíveis continuam a ser um problema de saúde relevante entre os adultos jovens. 4. Alguns tipos de câncer, como a Doença de Hodgkin, afetam tipicamente os adultos jovens. O câncer de mama, que atualmente afeta uma em cada treze mulheres, tem maior incidência entre as idades de 35 e 55 anos. Explicar às mulheres a importância do auto-exame das mamas e ensinar-Ihes a técnica adequada é, muitas vezes, uma responsabilidade da enfermeira. O câncer nos testículos é responsável por 12% de todas as mortes por câncer no adulto jovem, ainda que seja um dos que possuem a maior taxa de cura, quando diagnosticado precocemente. Em geral. os homens não estão bem-informados sobre o câncer testicular e como deve ser feito o auto-exame. Uma boa explicação dada pelo médico ou pela enfermeira pode evitar muitas mortes desnecessárias causadas por esse tipo de câncer. 5. As doenças relacionadas com o estresse são um problema em muitas faixas etárias, mas o adulto jovem pode ser especialmente vulnerável devido às suas altas aspirações pessoais, à sua fatia de experiência, e às grandes mudanças ocorridas em sua vida. com a família e as responsabilidades do trabalho. Ajudar as pessoas a lidar com o estresse torna-se uma das funções de enfermagem durante o período de hospitalização de um paciente. Técnicas de relaxamento podem ser úteis para alguns indivíduos, enquanto que a expressão de sentimentos e frustrações pode ser útil para outros. Massagem nas costas, banhos quentes, estimulação limitada e conversas com clérigos são algumas formas de ajudar as pessoas a relaxar. 6. A gravidez ocorre mais comumente nessa fase. A necessidade de acompanhamento pré-natal precoce é devida à possibilidade de reduzir os riscos de uma complicação séria tanto para a mãe quanto para o feto. As práticas notoriamente perigosas durante a gravidez devem ser discutidas com a mulher para que ela própria possa tomar uma decisão baseada em informações corretas sobre o consumo de bebidas alcoólicas, o fumo, a exposição aos raios X, ou o consumo de medicamentos relacionados a anomalias congênitas. 5. O ADULTO - QUARENTA A SESSENTA E CINCO ANOS DE IDADE Neste período da vida, ocorre um declínio muito lento, às vezes irreconhecível, no funcionamento dos sistemas orgânicos. Essas mudanças são uma continuação do declínio imperceptível que começa a ocorrer durante a primeira fase da vida adulta. Geralmente, tais alterações não afetam o funcionamento normal, mas a capacidade de reserva da maioria dos órgãos e sistemas. Gradualmente, as mudanças na aparência, força, coordenação e sensações vão sendo percebidas pelo adulto de meia-idade que começa a considerar a vida como algo finito. A inteligência global tende a aumentar para a maioria das pessoas, com o acúmulo de conhecimentos e experiência. Via de regra, o conhecimento necessário para o trabalho profissional atinge o seu ponto máximo nesta fase, que é também uma fase de segurança econômica e status social. Uma nutrição adequada, exercício, repouso e um controle eficaz de estresse ajudarão a manter um bom estado de saúde e de vigor durante esse período, e podem retardar ou prevenir as alterações geralmente associadas com o envelhecimento. 5.1 Necessidades Fisiológicas Necessidades de oxigênio. A força do músculo cardíaco continua a decair a uma taxa de 1 % ao ano, especialmente nas pessoas com um modo de vida sedentário. Esse declínio gradual não afeta o débito cardíaco durante esta fase. Os vasos sangüíneos, em especial as artérias, tornam-se menos elásticos devido à deposição gradual de lipídios (gorduras) na parede desses vasos (aterosclerose). Tal deposição também causa um estreitamento dos vasos e, conseqüentemente, um decréscimo da capacidade de transportar o sangue para os tecidos comparada a anos anteriores. Pode ocorrer, ainda, uma calcificação das paredes dos vasos provocando seu endurecimento com perda parcial da elasticidade. A diminuição da elasticidade dos vasos dá origem a um aumento da pressão arterial, que pode chegar a superar o limite máximo tolerável de 140/90 mmHg, a partir do qual se considera estabelecida a hipertensão arterial. Os sinais vitais nesse período da vida devem acompanhar os mencionados para o adulto jovem, a não ser que esteja presente algum processo patológico. A freqüência cardíaca varia entre 60 e 80 bpm, a freqüência respiratória oscila entre 14 e 20 incursões por minuto, e a pressão arterial fica em torno de 126/74 mm Hg. Aos poucos, os pulmões vão perdendo sua elasticidade e permeabilidade, o que provoca uma perda da capacidade de troca entre o oxigênio e o gás carbônico em seu interior. A maioria das pessoas não percebe a pequena perda da capacidade funcional ocorrida neste período, e as dificuldades respiratórias e o cansaço são, na maioria dos casos, conseqüências de uma enfermidade não-diagnosticada ou de uma vida sedentária. Eliminação: durante essa fase, ocorre uma perda gradual das unidades mínimas de funcionamento no interior dos rins, chamadas néfrons. Essa perda não se reflete na função renal. O volume urinário permanece o mesmo dos anos anteriores, aproximadamente 1.000 a 2.000 ml, nas 24 horas. O aumento da próstata ocorre quase sempre nos homens desta faixa etária, e pode provocar uma obstrução do fluxo urinário, pela compressão dos ureteres que carreiam a urina da bexiga para o pênis. Os sintomas e sinais mais freqüentes são a diminuição do volume urinária dificuldade de urinar (disúria)ou a eliminação de menores quantidades de urina, com uma freqüência maior (polaciúria.) O tratamento clínico ou cirúrgico pode ser necessário para restabelecer os parâmetros de normalidade. O peristaltismo também tende a diminuir devido à diminuição do tônus muscular do intestino e à inatividade geral. Isso pode provocar constipação, a não ser que sejam realizados exercícios físicos, e seguida uma dieta rica em fibras. As pessoas devem ser avisadas dos riscos do uso prolongado de óleos minerais como laxativos, uma vez que podem impedir a absorção das vitaminas A, D, E e K. que são lipossolúveis e, portanto, eliminadas junto com o óleo mineral. Nutrição: a maioria dos adultos muda muito pouco os seus hábitos alimentares durante essa fase. A taxa de metabolismo basal decresce pouco a pouco com o correr dos anos, e, a não ser que a ingesta alimentar decaia ou que se aumente a carga de exercícios físicos, a tendência é de aumento progressivo do peso. As necessidades calóricas diminuem de maneira que, após os 50 anos, a maioria das pessoas necessita de menos 200 ou 300 cal diárias para manter o seu peso, em comparação aos adultos mais jovens. A mulher de 50 anos precisa consumir aproximadamente 1.800 cal por dia para manter seu peso, e o homem necessita de 2.400 cal diárias. Esses números variam de indivíduo para indivíduo em função da estatura e da atividade física que possuem. O indivíduo maior e com uma atividade física maior obviamente necessitará de mais calorias diárias do que um outro, com uma vida sedentária. As necessidades hídricas são as mesmas observadas para os adultos jovens, ou seja, 50 ml/kg de peso, ou um total de 2.000 a 3.000 ml nas 24 h. Muitas pessoas começam a perder seus dentes nessa fase, o que pode ser evitado com os devidos cuidados de higiene, que prolongarão a saúde tanto dos dentes quanto das gengivas. por volta dos 65 anos, 50% dos adultos de meia-idade já perderam metade dos seus dentes permanentes. Essa perda afeta seguramente a capacidade de mastigação e, conseqüentemente, a escolha dos alimentos, a não ser que se esteja usando dentaduras postiças. Ocorre ainda uma perda progressiva das papilas gustativas da língua, o que leva à diminuição do sentido do paladar. Os alimentos de paladar mais brando podem parecer insossos para essas pessoas, e levá-las a recusar-se a come-los ou a seguir à risca as dietas prescritas pelo médico. Em geral, as pessoas possuem mais dinheiro para gastar com comida e com divertimentos nesta idade, o que pode fazer com que atividades como jantares em restaurantes, e almoços de negócios aumentem em freqüência, levando a um consumo exagerado de álcool e de alimentos ricos em carboidratos. Isso pode provocar um aumento do peso, a não ser que a carga de atividades físicas seja proporcionalmente aumentada. Sono e repouso: necessidade de sono e de repouso permanece constante para todos os indivíduos adultos. À medida que o indivíduo se aproxima da velhice, vai diminuindo o número de horas de sono de que ele necessita para refazer-se. As pessoas com idade em torno dos 50 anos necessitam de menos duas horas' de sono por noite. O comentário "Eu não durmo como antes" é comum, e os indivíduos mais velhos costumam acordar muito cedo. Necessidades sexuais e sexualidade: durante essa fase, ocorre um decréscimo na produção de hormônios sexuais tanto masculinos quanto femininos, respectivamente, testosterona e progesterona/estrogênio. Para as mulheres, as conseqüências são mais visiveis com a cessação da função ovariana e a menopausa. A menopausa é a interrupção das menstruações, e ocorre entre os 35 e 60 anos. As idades mais usuais de ocorrência da menopausa são as do meio da quarta década. O período do climatério é aquele em que a função reprodutora vai pouco a pouco deixando de existir, e geralmente precede em muitos anos a menopausa. A mulher deixa de produzir estrogênio e progesterona em quantidades suficientes para manter os tecidos dependentes desses hormônios para sua estruturação e funcionamento. O ovário e os óvulos que carrega estão tão velhos quanto a mulher, e os óvulos não são mais capazes de responder ao hormônio folículo-estimulante (FSH) produzido na hipófise anterior. Os óvulos não amadurecem, e não há mais ovulação. Antes da perda total da capacidade reprodutora, a mulher apresenta uma perda parcial de sua fertilidade. Às vezes, os períodos menstruais tornam-se irregulares, com fluxos alterados, sangramentos fora de hora durante o ciclo e, finalmente, menopausa. A atrofia (degeneração tecidual) ocorre nos tecidos internos e externos da mama, vagina, 3vário, trompas de Falópio e útero. Os pêlos pubianos tornam-se mais escassos, e as secreções vaginais ficam mais alcalinas, o que aumenta o risco de infecções. Os clássicos "fluxos de calor" são originados por quantidades insuficientes de estrogênio, causando dilatação das artérias da pele, rubor e transpiração. A terapêutica de reposição de estrogênio aliviará muitos desses sintomas, mas a suplementação com estrogênio está associada com uma incidência maior de câncer. As mulheres com uma história familiar de câncer de mama ou do colo uterino não devem ser submetidas a esse tratamento. O impulso sexual durante o climatério e após a menopausa costuma estar inalterado ou aumentado, uma vez que a preocupação em evitar uma gravidez é coisa do passado. Nos homens, a produção de testosterona pelos testículos decai lentamente. O declínio na produção aumenta entre os 40 e 60 anos, mas para a maioria dos homens não chega ao ponto de cessar a espermatogênese (produção de esperma). Alguns homens mesmo aos 80 anos são capazes de procriar, como o evidenciam alguns casos na história. As mudanças relacionadas à queda dos níveis de testosterona que os homens podem observar são o aumento do tempo necessário para uma ereção, uma força menor da ejaculação, e uma redução do número de espermatozóides existentes no esperma ejaculado. Alguns homens relataram "ondas de calor", pesadelos e instabilidade emocional acompanhando o decréscimo na produção de testosterona. As relações sexuais podem alterar-se. à medida que os efeitos do envelhecimento vão sendo sentidos. A mulher pode necessitar de uma geléia lubrificante hidrossolúvel para substituir as secreções vaginais normais. Um maior período de tempo pode ser necessário para o homem atingir uma ereção satisfatória e para a mulher conseguir uma lubrificação vaginal adequada. Como com qualquer outra atividade, as pessoas envolvidas com aconselhamento sexual dizem que a prática melhora e mantém as funções. Necessidade de estimulo. Muitas mudanças ocorrem na acuidade dos sentidos durante a meia-idade. Já mencionamos a diminuição do sentido do paladar. O olfato, a visão e a audição também se vão deteriorando. Os olhos perdem parte de sua capacidade de focalizar objetos a uma curta distância, pela perda parcial da elasticidade de sua lente. Essa diminuição da capacidade de enxergar a uma curta distância é denominada presbiopsia, e afeta cerca de 50% das pessoas com 65 anos ou mais. A discriminação das cores na parte azul-verde do espectro também está prejudicada, devido ao amarelamento das lentes que acompanha o envelhecimento. A necessidade de mais luz para uma visão perfeita inicia-se perto dos trinta anos, e vai aumentando com a idade, fazendo com que o indivíduo enxergue menos à meia- luz. Uma iluminação forte torna-se necessária para muitas atividades, como ler e fazer trabalhos manuais. Uma iluminação fraca também pode tornar-se um meio de esconder-se, sobretudo quando o indivíduo está em um meio ambiente estranho como o de um hospital. A massa muscular diminui com a idade, havendo uma perda da força da ordem de 10 ou 20% desde o início até o fim desse período. Por isso, os trabalhos que requerem o uso de força muscular podem tornar-se maiscansativos. A estimulação regular dos músculos ajuda a manter o tônus muscular, fazendo com que o indivíduo sinta-se melhor, com uma melhor aparência, inclusive pela manutenção do peso. 5.2 Necessidades De Nível Mais Elevado Necessidade de segurança. Para a maioria dos indivíduos, esta é uma fase de segurança econômica e estabilidade no emprego. Uma boa saúde com o vigor físico mantido é importante. As mudanças físicas graduais fazem com que atentemos para alguns aspectos. O cuidado com os dentes é extremamente importante para a manutenção das gengivas e dos próprios dentes. Os reforços com toxóide tetânico e diftérico continuam a ser importantes a cada 10 anos ou, no caso do tetânico, toda vez em que houver alguma lesão traumática com ferimentos profundos. Uma iluminação adequada ajudará a prevenir quedas e acidentes. O uso de sapatos não derrapantes e a remoção completa do gelo e da neve acumulados nos degraus e nos corredores prevenirão quedas e fraturas ósseas. As fraturas são mais comuns nessa faixa etária devido à desmineralização óssea que os torna mais frágeis. Necessidades de amor e gregária: o indivíduo entre os 40 e 65 anos .terá várias experiências que afetarão a satisfação de suas necessidades de' amor e gregária. Se o indivíduo é casado. a morte do parceiro pode ser uma crise a ser enfrentada, deixando um grande vazio em sua vida. Se o casal tem filhos, estes podem estar deixando a casa para tornarem-se adultos independentes. As separações físicas e emocionais de seus filhos podem deixar os pais com a sensação de serem desnecessários e mesmo mal-amados, em especial quando não consideram seus filhos adultos independentes para enfrentar a vida. De outro lado. os pais do indivíduo de meia-idade já atingiram idades muito avançadas. e a perda de um ou de ambos limitará ainda mais o número de relacionamentos de amor para as pessoas desta faixa etária.. Neste período ainda é comum ocorrerem os casamentos dos filhos os nascimentos dos netos, e até mesmo, um segundo casamento para os que enviuvaram ou se divorciaram. Todos esses novos relacionamentos dão ao indivíduo a oportunidade de sentir-se amado e necessário. Auto-estima: a auto-estima de um indivíduo pode ser afetada de forma positiva ou negativa neste período da vida, como de resto em todos os períodos. As mudanças físicas associadas ao envelhecimento, como o embranquecimento do cabelo, o aparecimento de rugas, a calvície e a menopausa são, muitas vezes, consideradas traços negativos em uma sociedade que cultua a juventude. Tais traços indicativos do envelhecimento podem fazer com que o indivíduo que os possui sinta-se desvalorizado e sem atrativos. Como conseqüência, ele pode ficar deprimido quanto à juventude perdida, e fracassar em suas metas estabelecidas anteriormente. Quando uma pessoa é capaz de manter um alto conceito de si própria, está mais apta a adaptar-se às mudanças que a idade impõe, mantendo uma atitude flexível e otimista em relação ao presente e ao futuro. Muitas pessoas atingem o ápice de suas carreiras nesta fase, e são respeitadas e admiradas por seus colegas. Os conhecimentos e a experiência adquiridos ao longo dos anos fazem com que o indivíduo sinta-se capaz e eficiente naquilo que faz. Esses sentimentos de admiração e respeito por parte dos outros aumentam a auto-estima do indivíduo. A mãe que opta por ficar em casa tomando conta dos filhos pode encontrar muitas dificuldades durante a meia-idade, quando eles tornam-se adultos e independentes. A sensação de não ser mais necessária é comum, e o questionamento sobre o que fazer do resto de sua vida provoca inúmeras mudanças. Muitas pessoas optam por reentrar no mercado de trabalho ou por voltar à escola. Algumas se tornam ativas em entidades filantrópicas e assistenciais. A meia-idade é, muitas vezes, um período de avaliação de suas atividades nos setores profissional e pessoal. O tempo parece correr contra o cumprimento das metas mais importantes na planificação da vida do indivíduo. Algumas pessoas tentam mudanças drásticas em suas vidas, tentando atingir os objetivos antes de se tornarem velhas demais. Outras podem achar que a vida não as tratou com justiça. Isso levará à perda da auto-estima e, possivelmente, a uma estagnação quanto ao futuro. Os estados depressivos e as tentativas de suicídio ocorrem nessa fase em uma taxa mais alta do que em qualquer outra fase da vida das mulheres. A capacidade de aproveitar a vida e suas muitas mudanças depende em parte de um conceito positivo de si mesmo, e em parte na necessidade humana de continuar aprendendo e expandindo suas capacidades. REFERÊNCIAS AZZAM, R. S. ; SAKAI, P. Distúrbios da deglutição. Tratado de endoscopia digestiva diagnóstica e terapêutica: esôfago. Atheneu. São Paulo. 1997. 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