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Estratégias de compreensão 
auditiva em língua inglesa
Apresentação
A fala tem características próprias, como variações de velocidade e de pronúncia, marcas regionais, 
bem como hesitações, falsos começos, autorrevisões, o que deve ser levado em conta no ensino da 
compreensão oral. O texto escrito, por sua vez, é permanente e pode ser lido e relido. No entanto, 
é possível utilizar estratégias de leitura para facilitar o processo de compreensão oral. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, você será apresentado às estratégias de compreensão auditiva 
em língua materna e em inglês, como relacionar estratégias de leitura no processo de compreensão 
oral e como selecionar as estratégias mais adequadas às diversas situações comunicativas em língua 
inglesa.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Utilizar estratégias de compreensão auditiva em língua materna.•
Relacionar as estratégias de leitura às estratégias de compreensão auditiva.•
Escolher estratégias de compreensão auditiva adequadas às situações comunicativas em 
língua inglesa.
•
Desafio
A compreensão auditiva é uma habilidade muito importante para se adquirir proficiência na língua 
inglesa. Por viverem em um país de língua portuguesa, onde o inglês não é falado no dia a dia, 
apenas no contexto de língua estrangeira, os alunos costumam ter dificuldade em desenvolver essa 
habilidade. O professor deve trabalhar estratégias que ajudem na superação dessas dificuldades.
Sendo assim, observe a situação a seguir:
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
 
Como futuro professor, pensando em exercitar nos alunos a compreensão auditiva, como você 
trabalharia com eles a visão geral do tema tratado no vídeo? E as informações específicas, como 
autores que ficaram famosos ao escrever as lendas e que menções reais ao Rei Arthur e outros 
personagens das lendas foram encontradas?
Quais estratégias podem ser utilizadas para essa atividade?
Infográfico
A leitura e a audição são habilidades receptivas e necessitam ser decodificadas, compreendidas e 
interpretadas pelo leitor ou ouvinte, quer seja na língua materna ou na língua estrangeira. A 
atenção, a memória e a concentração são necessárias para que esses processos ocorram de forma 
efetiva, e algumas estratégias são utilizadas para facilitar o entendimento. Algumas dessas 
estratégias são válidas para as duas habilidades e outras, apenas para cada uma especificamente.
Veja no Infográfico algumas estratégias válidas para leitura e audição e as que são usadas apenas 
para uma ou para outra.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/23cae171-0a3b-4466-ae59-23981cb5374f/7fcbe06c-695e-4655-8722-cb1b47607c72.jpg
Conteúdo do livro
Sabe-se que a compreensão oral em língua inglesa é a habilidade mais desafiadora para os 
aprendizes. A compreensão envolve a atribuição de significado ao que se ouve, mas as 
características do texto oral exigem maior concentração, pois o ouvinte precisará lidar com 
diferentes pronúncias, sotaques, entonação, ritmo, velocidade, tom, hesitações e recomeços. Para 
facilitar o entendimento, algumas estratégias são proveitosas para que a interpretação seja possível, 
ainda que não se compreendam todas as palavras que foram ditas.
No capítulo Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa, da obra Práticas discursivas de 
língua inglesa: gêneros do cotidiano, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você será 
apresentado a esse assunto e às estratégias de compreensão oral, que tornarão esse processo 
muito mais suave e significativo para o ouvinte.
Boa leitura.
PRÁTICAS 
DISCURSIVAS DE 
LÍNGUA INGLESA: 
GÊNEROS DO 
COTIDIANO 
Elisa Lima Abrantes
Estratégias de compreensão 
auditiva em língua inglesa 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Utilizar estratégias de compreensão auditiva em língua materna.
 � Relacionar as estratégias de leitura às estratégias de compreensão 
auditiva.
 � Escolher estratégias de compreensão auditiva adequadas às situações 
comunicativas em língua inglesa.
Introdução
A habilidade da compreensão auditiva em língua inglesa é essencial para 
que o ouvinte compreenda o significado de palestras, filmes, músicas e, 
ainda mais importante, para que possa interagir em situações reais de 
comunicação em língua inglesa.
Neste capítulo, você estudará a compreensão auditiva em língua 
inglesa, começando com as estratégias que usamos para a compreensão 
auditiva em língua materna e as estratégias que utilizamos para a leitura, 
que também é uma habilidade de recepção, e não de produção (fala e 
escrita). Em seguida, verá como fazer uso dessas estratégias para auxiliar 
a compreensão e a interpretação do texto oral e como selecionar as 
melhores estratégias para cada situação comunicativa em língua inglesa.
Estratégias de compreensão auditiva 
em língua materna
Para começar, vamos entender o que é o processo da audição; para isso, lan-
çamos mão da definição do pesquisador Larry Vandergrift (2016), que diz 
que audição é o processo de receber o que o falante diz (orientação receptiva), 
construir e representar significado (orientação construtiva), negociar significado 
com o falante e responder (orientação colaborativa) e criar significado por meio 
do envolvimento, imaginação e empatia (orientação transformadora). Nesse 
processo, os ouvintes interpretam o que ouvem e relacionam o que ouvem ao 
seu conhecimento de mundo.
Esse processo complexo que é a audição se desenvolve naturalmente na 
aquisição da língua materna. Um bebê, nos primeiros meses de vida, reage aos 
sons por meio do choro ou sorriso, se não tiver alguma deficiência auditiva. 
Muito cedo começa a compreender o que lhe é dito e, com o passar do tempo, 
treina a compreensão do que escuta, porque entra em contato com vários tipos 
de enunciados orais, que interpreta e reage de acordo com o seu conteúdo. 
Com dois anos e meio, o vocabulário da criança aumenta significativa-
mente, e ela passa a ser capaz de se expressar por sentenças simples. Com 
três anos, ela entende a maior parte daquilo que ouve dos adultos, faz uso de 
novas palavras e sabe fazer uso da linguagem para conseguir o que deseja, 
conversando por meio de sentenças completas que podem ser entendidas. 
Aos quatro anos, já é capaz de pronunciar adequadamente os fonemas de 
sua língua, e sua linguagem, de forma geral, está completa, devendo apenas 
ser aprimorada. Portanto, a criança já possui habilidades satisfatórias para 
expressar seus próprios desejos e necessidades. 
A compreensão da língua falada é um processo inferencial, baseado na 
percepção do ouvinte, que deve encontrar associações entre o que é ouvido 
e os aspectos do contexto. Interpretar o que se escuta vai ajudar a treinar a 
compreensão da oralidade em todas as ocasiões, mas há fatores que influenciam 
essa interpretação, como a variedade de sons que existem em um ambiente 
aberto ou a má formulação do discurso. Estamos constantemente tentando 
ouvir e compreender os ruídos, vozes e sons que estão à nossa volta. Por essa 
razão, usamos estratégias de audição para compreender o texto oral ou os 
ruídos e sons que não sabemos de onde vêm. Essas estratégias usadas pelo 
ouvinte, seja em língua materna ou em língua estrangeira, são reconhecer, 
selecionar, interpretar, inferir, antecipar e reter. Veja, a seguir, o que cada um 
desses procedimentos quer dizer.
 � Reconhecer: diz respeito ao reconhecimento das unidades que compõem 
sons e palavras, os fonemas, os morfemas e as oposições fonológicas. 
 � Selecionar: quer dizer distinguir as palavras relevantes de um discurso 
(nomes, verbos, frases) e as que não o são (repetições, redundâncias, 
marcadores do discurso). Essas estratégias são também utilizadas pelos 
ouvintes quando enunciadores, o que faz deles focos de mais atenção.Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa2
 � Interpretar: envolve a compreensão da forma, ou seja, da estrutura e 
organização do texto oral, como diferentes seções, mudança de tema, 
grau de formalidade, tom, ritmo, velocidade, pausas, entonação. Também 
envolve a compreensão do conteúdo, que diz respeito à intenção, ao 
propósito comunicativo, ao significado, às ideias principais e às secun-
dárias, às ambiguidades, ao duplo sentido, à relevância das informações. 
Essa fase interpretativa é mais complexa e exige conhecimento mais 
aprofundado da língua. 
 � Antecipar: é usar toda a informação que temos sobre o gênero para 
preparar a compreensão de um discurso. Esse processo diz respeito 
também à previsão do tema, da linguagem e do estilo do discurso e 
ainda prevê que se deva antecipar o que se vai dizer. 
 � Inferir: refere-se à dedução dos dados do texto oral e à extração de 
informação do contexto comunicativo com a interpretação de códigos 
verbais e não verbais, como a linguagem corporal e o olhar, por exemplo.
 � Reter: é reconhecer as palavras, frases e ideias para poder interpretá-
-las mais à frente. Em relação ao vocabulário, destaca-se o fato de 
que, além da compreensão auditiva, faz-se uso, naturalmente, de itens 
lexicais para a expressão oral em língua materna, sem a preocupação 
de se entender detalhadamente aqueles itens. 
O aluno é psiquicamente estruturado pela língua materna, pois é por meio 
dela que ele adquire conhecimento e tem contato com o mundo. Por essa razão, 
essas estratégias serão usadas também na compreensão auditiva em língua 
inglesa, de acordo com o objetivo de cada atividade. 
Os alunos podem reconhecer fonemas em um texto oral e escrever palavras que 
também apresentem os mesmos fonemas. Podem também reconhecer oposições 
fonológicas em exercícios específicos para esse fim. A seleção pode ser trabalhada 
pelo professor ao apresentar um texto oral e pedir para que os alunos identifiquem 
palavras relevantes do discurso a partir do stress nas palavras e, a partir daí, construam 
o significado do que ouviram. O professor pode aproveitar para chamar a atenção dos 
alunos para o fato de que não é preciso entender todas as palavras de um discurso 
para compreendê-lo. A interpretação pode ser exercitada a partir de questões que 
necessitem da compreensão de forma e conteúdo do que se ouve. 
3Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa
A antecipação e a inferência são estratégias utilizadas pelo professor a 
partir do conhecimento prévio dos estudantes. Busca-se a previsão do que o 
texto trata na atividade pré-leitura, em que se prepara o estudante para o que 
irá ouvir, conversando sobre o tema, mostrando imagens e fotos. Durante a 
audição, pode-se pedir a atenção do ouvinte para o tom da fala e as possíveis 
emoções dos interlocutores. Combinadas à seleção de palavras relevantes, a 
compreensão será bastante ampliada e a retenção permitirá a interpretação 
da amostra trabalhada. 
Segundo Gervain e Mehler (2010), as crianças segmentam as palavras a partir das 
sequências de fala a que são expostas porque, na oralidade, as palavras se sucedem 
e, para entendê-las, é preciso segmentá-las mentalmente. Assim, adquirem o léxico 
da língua materna. Essa aquisição começa por volta dos 6 meses de vida, com a seg-
mentação dos sons que recebe (input) a partir das pistas do ritmo da língua materna.
Estratégias de leitura e estratégias de 
compreensão auditiva
As estratégias de leitura e de compreensão oral são comparáveis, já que, em 
ambos os casos, o leitor ou o ouvinte precisam interagir com o texto escrito 
ou falado e a eles atribuir significado. Rost (1990) afirma que as estratégias 
cognitivas que subjazem à leitura têm muito em comum com as que subjazem 
à compreensão auditiva, embora as habilidades linguísticas para decodificar 
os textos sejam diferentes (visual × auditiva). Tanto os leitores quanto os 
ouvintes fazem uso do seu conhecimento de mundo para interpretar o que 
leem ou ouvem. 
No entanto, o leitor, ao contrário do ouvinte, por conta da permanência do 
material escrito, tem controle sobre o texto com o qual interage, já que pode 
pular partes, voltar a elas, reler, identificar elementos tipográficos; já o ouvinte 
lida com variações de pronúncia, hesitações, variações dialetais, autorrevisões, 
fenômenos da fala, o que torna a compreensão mais desafiadora. 
Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa4
Muitos alunos têm medo de ouvir e não compreender e desanimam se isso acontece. 
Cabe ao professor esclarecer que não entender faz parte do processo de aprendizagem 
da língua estrangeira e que a continuidade de se escutar trechos curtos em língua 
inglesa de diferentes tipos de áudio (entrevista, música, palestra, filme, série, desenho, 
tutoriais, etc.) é o que ajudará na compreensão da dinâmica da língua falada.
Assim como o leitor, além do conhecimento prévio e do contexto, o ouvinte 
usa o seu conhecimento linguístico para melhor compreender e interpretar o 
que ouve. Essas duas estratégias de processamento, na concepção de Brown 
(2001), são nomeadas top down e bottom up. A primeira leva em conta o 
conhecimento prévio do ouvinte, que formula hipóteses sobre o conteúdo que 
será ouvido, é informado do contexto, cria expectativas sobre o que ouvirá; 
a segunda parte do próprio texto oral: pronúncia, entonação, ritmo, stress, 
variações linguísticas.
Seguindo a proposta pedagógica de Vandergrift (2016), para a prática de 
compreensão auditiva em sala de aula, alguns procedimentos são fundamentais 
para que o aluno se sinta motivado e tenha um desempenho satisfatório nos 
exercícios sugeridos pelo professor ou pelo material didático adotado. Aqui, 
também a exemplo da leitura, é necessária uma preparação antes de os alunos 
ouvirem o texto oral. Essas atividades pré-audição buscam do aluno o seu 
conhecimento de mundo, suas experiências, para que formulem hipóteses 
e direcionem a sua atenção para o que será ouvido. Nessa fase, o professor 
apresenta o contexto e pode até mesmo antecipar vocabulário-chave ou ou-
tras informações que considere relevantes, para que a escuta se torne mais 
significativa para os aprendizes, pois:
[...] apenas pedir aos alunos que ouçam algo e respondam a algumas perguntas 
é um pouco injusto e dificulta muito o desenvolvimento das habilidades de 
escuta. Muitos alunos têm medo de ouvir e podem ficar desanimados quando 
ouvem alguma coisa, e sentem que entendem muito pouco. Também é mais 
difícil se concentrar em ouvir se há pouco interesse em um tópico ou situação. 
As tarefas de pré-escuta visam lidar com todas essas questões: gerar interesse, 
criar confiança e facilitar a compreensão (REES, 2003, documento on-line).
5Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa
Durante o processo de audição, no qual o aluno deve ter um objetivo 
para direcionar a sua atenção, o aluno será também capaz de monitorar a 
sua compreensão, confirmando ou refutando suas hipóteses e verificando 
suas dificuldades. É proveitoso que o texto oral seja ouvido mais de uma 
vez, para que as tarefas pedidas sejam cumpridas com mais tranquilidade. 
Cabe ao professor selecionar o material tendo em mente se ele será adequado 
ao seu público, para que os alunos não se desmotivem diante da dificuldade 
de entendimento, mas, ao contrário, aumentem sua confiança ao perceber o 
quanto conseguem entender e se sintam capazes de cumprir os objetivos de 
escuta determinados na atividade. 
Entretanto, deve-se ter o cuidado de escolher materiais autênticos de si-
tuações reais, que façam sentido para o aluno e que permitam que, pouco 
a pouco, ele se familiarize e entenda interlocutores nativos. Aqui também 
você pode fazer um paralelo com as estratégias de leitura. Pode-se ouvir (e 
ler) um texto (oral ou escrito) para se ter uma ideia geral do assunto, ou para 
identificar detalhes e informações. O foco e a atenção aqui são utilizados de 
maneira diferente: mais livremente, para se ter umaideia do que é tratado no 
texto, privilegiando o contexto e confirmando ou não as hipóteses levantadas, 
ou com mais concentração em determinadas palavras-chave, para reconhecer 
a informação necessária ao cumprimento da atividade proposta.
No momento seguinte, pós-audição, o aluno avalia os resultados de suas 
escolhas e discute individualmente ou em grupo quais estratégias levaram ao 
sucesso ou ao fracasso na compreensão e na realização da atividade proposta. 
Essa troca de experiências com os colegas traz um impacto positivo para o 
processo de aprendizagem, já que evidencia uma comunidade de aprendizes 
com os mesmos objetivos e que precisa lidar com sucessos e fracassos de ma-
neira individual e coletiva. Essa atmosfera incentiva o apoio mútuo e provoca 
maior reflexão no grupo. Também com a leitura essas atividades são usadas 
para que professores e alunos revisem, tenham um feedback da eficiência das 
estratégias escolhidas. 
Outras estratégias de leitura também são válidas para a compreensão 
auditiva. Além da previsão, que já tratamos brevemente e consiste em usar 
as expectativas do mundo real para fazer previsões sobre o que os falantes 
dirão ou o que pode acontecer, temos (ROST, 2002): 
 � Adivinhação: a pessoa faz inferências sobre o que os falantes poderiam 
ter dito ou seu significado, ainda que as informações bottom up sobre 
o idioma estejam incompletas.
Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa6
 � Seleção: é a concentração em palavras-chave e a tentativa de selecionar 
a informação que seja adequada para completar determinada tarefa.
 � Revisão: é o monitoramento do nível de compreensão de uma pessoa e 
a escolha de perguntas que podem ser feitas para complementar a com-
preensão parcial ou corrigir mal-entendidos e revisar a representação 
de significado da pessoa.
 � Resposta: é a reflexão que leva à formulação de uma opinião, uma 
interação com o falante, personalização do conteúdo, foco no que foi en-
tendido, tentativa de se discutir o que foi ouvido de maneira confortável. 
Como você pode notar, a compreensão oral não é apenas uma questão de 
reconhecimento auditivo de estruturas linguísticas, mas sim de compreensão 
de significados. Por essa razão, não é preciso reconhecer cada palavra de 
determinado texto oral para que se interprete seus significados. O ouvinte de 
língua estrangeira se vale de estratégias de percepção do contexto e de conhe-
cimento existente, linguístico e extralinguístico, para construir significados. 
A abordagem comunicativa tem como foco a comunicação real, em situações 
de uso da língua. Sendo assim, os exercícios valorizam textos autênticos e 
situações reais da vida cotidiana (UR, 1984). O conteúdo aqui é mais importante 
do que a forma, pois o que se visa é uma comunicação significativa para os 
interlocutores. Essa abordagem pressupõe situar a compreensão oral em relação 
a dois aspectos: a inteligibilidade, ou seja, a possibilidade de ser entendida, 
que é relacionada à percepção e decodificação; e a interpretabilidade, que 
é relacionada à inferência e ao entendimento e se torna significativa para os 
envolvidos na comunicação. Tais aspectos buscam integrar forma, função, 
interpretação e expressão, unindo estratégia comunicativa e cognitiva. 
Tratamos aqui de estratégias de compreensão auditiva e de leitura, que são habilidades 
de recepção, embora o ouvinte e o leitor interajam com o texto oral ou escrito. Podem-
-se perceber paralelos entre essas habilidades, como a importância do conhecimento 
prévio e da inferência, bem como a previsão do que se vai escutar ou ler. No entanto, 
cabe aqui destacar também as características particulares de cada habilidade, já 
que a comunicação oral se caracteriza pelo tom de voz, velocidade de fala, pausas, 
hesitações, ênfases, repetições, trocas de assunto, enquanto na comunicação escrita 
elementos tipográficos, pontuação e parágrafos determinam a compreensão do texto.
7Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa
Estratégias de compreensão auditiva 
em diferentes situações comunicativas da 
língua inglesa
A compreensão auditiva é um processo interativo e interpretativo em que o 
ouvinte usa o seu conhecimento sobre o assunto e o seu conhecimento lin-
guístico para entender o que está sendo falado. A utilização de um ou outro 
processo vai depender do objetivo da tarefa, conhecimento do tema e nível 
de proficiência linguística do ouvinte.
Além dos conhecimentos que possui, o aluno se beneficia do auxílio do 
professor, que o ajuda a se organizar e se preparar para ouvir, inferir signifi-
cados apropriados do material ouvido, o que reduz a tensão e o medo de não 
entender o texto oral. As tarefas propostas pelo professor reforçam a ideia de que 
não é preciso entender todas as palavras traduzindo-as para a língua materna, 
mas sim compreender o significado de certas cadeias de palavras, reconhecer 
fronteiras entre as unidades fonéticas, marcadas pelas pausas temporais, 
grupos rítmicos, entonação ascendente ou descendente, recursos para que se 
identifique os segmentos da fala. Além disso, o processo de compreensão oral 
envolve conhecimento de vocabulário e pragmático (conhecimento de mundo).
Em relação às estratégias de aprendizagem, podemos classificá-las, de uma 
forma ampla, em diretas e indiretas (OXFORD, 1990). Diretas são relacionadas 
à língua-alvo e ao processamento mental da língua, como a memorização, que 
envolve princípios de ordenação, associação e revisão, associados aos sentidos; 
as estratégias cognitivas, que consistem em manipulação e transformação 
da língua-alvo pelos aprendizes; e as estratégias de compensação, em que 
o aprendiz, mesmo tendo limitações linguísticas, consegue compreender e 
produzir na língua-alvo ao usar inferências e superação das limitações, seja 
fazendo uso da língua materna, seja buscando ajuda, usando gestos, fazendo 
mímica, criando palavras, paráfrases e usando sinônimos.
As estratégias indiretas, por sua vez, apoiam a aprendizagem da língua 
sem estarem diretamente relacionadas a ela. São as estratégias metacognitivas, 
afetivas e sociais. As estratégias metacognitivas oferecem maior controle 
sobre o processo de aprendizagem, como o planejamento, a organização e a 
avaliação da aprendizagem. As estratégias afetivas regulam as emoções, 
motivações e atitudes, como redução de ansiedade, encorajamento e cons-
cientização do estado emocional. As estratégias sociais ajudam o aprendiz 
a interagir com outras pessoas, com a elaboração de perguntas, compreensão 
Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa8
cultural, cooperação com pares e usuários proficientes da língua-alvo. Essas 
estratégias, ligadas direta ou indiretamente à língua-alvo são usadas de forma 
simultânea, muitas vezes, para permitir o entendimento do ouvinte.
Outro ponto que deve ser levado em conta quando selecionamos estratégias 
linguísticas para situações comunicativas diversas se refere à atenção e ao foco 
para o que se ouve, que se relaciona com o objetivo da escuta. Por exemplo, 
quando escutamos uma música, fazemos isso por entretenimento. Essa é uma 
escuta relaxada, em que não há preocupação em se dirigir a atenção ao que é 
dito, mas sim ao prazer ou inspiração trazidos por ela. A esse tipo de escuta 
denominamos escuta apreciativa, segundo a classificação de Crespo (2007), 
que apresenta alguns outros tipos de escuta, a saber: 
 � Escuta seletiva: é aquela em que selecionamos a informação que nos 
interessa, em que retiramos da mensagem a parte mais importante para 
o nosso objetivo. Quando estamos em uma conferência, por exemplo, 
captamos as ideias que despertam nosso interesse.
 � Escuta discernitiva: possibilita ouvir a mensagem completa, permitindo 
uma separação em ideias principais e ideias secundárias. Quando esta-
mos em uma aula e tomamos notas para, posteriormente, escrevermos 
resumos ou fazermos uma apresentação, fazemos uso desse tipo de 
escuta. 
 � Escuta analítica: é a que temos quando analisamoso que nos dizem, 
examinando a lógica das ideias e verificando se estão corretas. Um 
exemplo desse tipo de escuta é a que os psicanalistas e psiquiatras 
realizam com seus pacientes. 
 � Escuta sintetizada: é quando dirigimos a conversa mediante os nossos 
próprios objetivos, ou seja, quando queremos buscar respostas, como 
quando os comerciantes querem obter informação sobre os seus clientes 
para descobrirem as suas necessidades. 
 � Escuta empática: é aquela em que nos colocamos no lugar de quem 
nos fala, oferecendo apoio e conselhos. 
 � Escuta ativa: é aquela em que estamos com mais atenção e concentra-
ção, pois tentamos obter a totalidade de uma mensagem, interpretando 
seu significado correto por meio do que é comunicado, do tom de voz e 
da linguagem corporal. A escuta ativa é a mais completa e importante, 
uma vez que inclui todos os outros tipos de escuta.
9Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa
Acesse o link a seguir e leia um guia prático e breve (em inglês) sobre estratégias para 
facilitar a compreensão oral em situações reais (materiais autênticos) preparado para 
a sala de aula.
https://qrgo.page.link/U5T7R
BROWN, H. D. Teaching by principles: an interactive approach to language pedagogy. 
New York: Pearson Education, 2001.
CRESPO, R. Aprender a escuchar. Madrid: Editorial Lulu, 2007.
GERVAIN, J.; MEHLER, J. Speech perception and language acquisition in the first year 
of life. Annual Review of Psychology, v. 61, p. 191–218, 2010.
OXFORD, R. L. Language learning strategies: what every teacher should know. Boston: 
Heinle & Heinle Publishers, 1990. 
REES, G. Pre-listening activities. In: BBC. Estados Unidos, 2003. Disponível em: https://
www.teachingenglish.org.uk/article/pre-listening-activities. Acesso em: 19 dez. 2019.
ROST, M. Listening in language learning. New York: Longman, 1990.
ROST, M. Listening tasks and language acquisition. In: JALT CONFERENCE, 2002. Pro-
ceedings... [S. l.]: JALT Publications, 2002. Disponível em: http://jalt-publications.org/
archive/proceedings/2002/018.pdf. Acesso em: 19 dez. 2019. 
UR, P. Teaching listening comprehension. Cambridge: Cambridge University Press, 1984.
VANDERGRIFT, L. Listening: theory and practice in modern foreign language com-
petence. In: CENTRE FOR LANGUAGES, LINGUISTICS & AREA STUDIES. Southampton, 
2016. Disponível em: https://www.llas.ac.uk/resources/gpg/67. Acesso em: 19 dez. 2019.
Leituras recomendadas
ALVES, L. R. Compreensão oral: a habilidade Cinderela. 2003. Dissertação (Mestrado em 
Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem) - Pontifícia Universidade Católica de 
São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: http://www4.pucsp.br/liaac/download/
dissertacao_lucia_26_04(01).pdf. Acesso em: 19 dez. 2019.
Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa10
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
LEFFA, V. J. Aspectos da leitura: uma perspectiva psicolingüística. Porto Alegre: Sagra 
D.C. Luzzatto Editores, 1996. 
O’MALLEY, J. M.; CHAMOT, A. U. Learning strategies in second language acquisition. New 
York: Cambridge University Press, 1990.
UNDERWOOD, M. Teaching listening. London: Longman, 1989.
11Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa
Dica do professor
A compreensão auditiva é fundamental para a aquisição e aprendizagem da língua inglesa; por isso, 
deve ser amplamente trabalhada desde o início da aprendizagem. No entanto, a rapidez da fala e a 
dificuldade em se reconhecer sons individuais e sentenças, acento, pronúncia, muitas vezes são 
fatores que desmotivam os aprendizes. Então, essa habilidade precisa ser trabalhada em sala de 
aula.
Nesta Dica do Professor, você vai ser apresentado à importância e ao passo a passo que prepara os 
alunos para atividades de compreensão auditiva em sala de aula.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/609b237514d4a114d46e2ce8ffeb6982
Exercícios
1) Tanto a leitura quanto a compreensão auditiva são habilidades receptivas, ou seja, o 
processamento e a interação são feitos de forma silenciosa com o texto falado ou escrito. 
Duas estratégias de processamento têm lugar nessas habilidades: top down e bottom up. 
Quais as suas diferenças?
A) Bottom up exercita a capacidade de formular hipóteses e top down, a criatividade do ouvinte. 
B) Top down requer o conhecimento prévio do aluno e bottom up, a identificação de 
características do que ouve. 
C) Reconhecimento de sons individuais é um exemplo de top down e a entonação um exemplo 
de bottom up.
D) Distinguir stress em palavras e sentenças é uma atividade top down e antecipar o tema é uma 
atividade bottom up. 
E) Discutir o tema após assisitir ao vídeo é uma atividade bottom up e comentar a pronúncia dos 
atores é top down. 
2) Você verificou que diversas estratégias de leitura são também válidas para auxiliar no 
processo de compreensão auditiva. Quais estratégias e elementos podem ser usados na 
compreensão dessas duas habilidades?
A) Stress, gênero textual e parágrafos. 
B) Marcadores discursivos, hesitação e pontuação.
C) Skimming, scanning e entonação. 
D) Tópico frasal, palavras repetidas e cognatas. 
E) Conhecimento prévio, predição e revisão. 
3) Na audição, o ouvinte faz uso de diversos procedimentos para que possa compreender e 
interpretar o que ouve. Um desses procedimentos é o reconhecimento, que consiste em:
A) distinguir palavras relevantes e irrelevantes de um discurso.
B) reconhecer fonemas, morfemas e oposições fonológicas.
C) compreender a forma e o conteúdo de um texto oral. 
D) prever o tema, a linguagem e o estilo de um discurso. 
E) deduzir dados a partir de códigos verbais e não verbais.
4) As estratégias de aprendizagem podem ser diretas ou indiretas ao se relacionar com a 
língua-alvo ou servir como apoio à aprendizagem desta, como classifica Oxford (1990). 
Quais dessas estratégias são consideradas indiretas nessa classificação? 
A) Focalização de atenção, utilização de relaxamento e cooperação em pares. 
B) Utilização da tradução na língua-mãe, prática auditiva e associações mentais.
C) Representação de sons na memória, mímica e planejamento de tarefas. 
D) Determinação de metas, exercícios de pronúncia e uso de sinônimos.
E) Uso de afirmações positivas, criação de palavras e uso de gestos.
5) A atenção e a concentração do ouvinte variam de acordo com o tipo de escuta em cada 
situação comunicativa. Têm-se então as escutas apreciativa, seletiva, discernitiva, analítica, 
sintetizada, empática e ativa, conforme classificação de Crespo (2007). A que tipo de escuta 
podem-se associar conselhos e apoio dados a um amigo?
A) Escuta empática.
B) Escuta apreciativa.
C) Escuta seletiva.
D) Escuta analítica.
E) Escuta discernitiva.
Na prática
As estratégias utilizadas na compreensão auditiva variam de acordo com o objetivo do ouvinte. Se a 
intenção for compreender o tema, presta-se atenção no todo e não em passagens específicas do 
discurso oral. Caso se queira uma informação específica, presta-se atenção no trecho que se 
pretende compreender.
Neste Na Prática, você irá verificar uma atividade em sala de aula que exercita a compreensão 
auditiva a partir de uma escuta mais geral para se buscar o narrador, o tipo de vídeo e o tema.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
A aprendizagem das habilidades auditivas: um meio e um fim 
na aquisição de línguas estrangeiras
Leia este interessante eesclarecedor artigo a respeito de processos e estratégias de compreensão 
auditiva em língua inglesa.
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COMPREENSÃO DO DISCURSO ORAL EM LÍNGUA 
INGLESA
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https://www.scielo.br/j/alfa/a/Wxfvv984JRHDyyB3YNycYRw/?format=pdf&lang=pt
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1942-8.pdf

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