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Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa Apresentação A fala tem características próprias, como variações de velocidade e de pronúncia, marcas regionais, bem como hesitações, falsos começos, autorrevisões, o que deve ser levado em conta no ensino da compreensão oral. O texto escrito, por sua vez, é permanente e pode ser lido e relido. No entanto, é possível utilizar estratégias de leitura para facilitar o processo de compreensão oral. Nesta Unidade de Aprendizagem, você será apresentado às estratégias de compreensão auditiva em língua materna e em inglês, como relacionar estratégias de leitura no processo de compreensão oral e como selecionar as estratégias mais adequadas às diversas situações comunicativas em língua inglesa. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Utilizar estratégias de compreensão auditiva em língua materna.• Relacionar as estratégias de leitura às estratégias de compreensão auditiva.• Escolher estratégias de compreensão auditiva adequadas às situações comunicativas em língua inglesa. • Desafio A compreensão auditiva é uma habilidade muito importante para se adquirir proficiência na língua inglesa. Por viverem em um país de língua portuguesa, onde o inglês não é falado no dia a dia, apenas no contexto de língua estrangeira, os alunos costumam ter dificuldade em desenvolver essa habilidade. O professor deve trabalhar estratégias que ajudem na superação dessas dificuldades. Sendo assim, observe a situação a seguir: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Como futuro professor, pensando em exercitar nos alunos a compreensão auditiva, como você trabalharia com eles a visão geral do tema tratado no vídeo? E as informações específicas, como autores que ficaram famosos ao escrever as lendas e que menções reais ao Rei Arthur e outros personagens das lendas foram encontradas? Quais estratégias podem ser utilizadas para essa atividade? Infográfico A leitura e a audição são habilidades receptivas e necessitam ser decodificadas, compreendidas e interpretadas pelo leitor ou ouvinte, quer seja na língua materna ou na língua estrangeira. A atenção, a memória e a concentração são necessárias para que esses processos ocorram de forma efetiva, e algumas estratégias são utilizadas para facilitar o entendimento. Algumas dessas estratégias são válidas para as duas habilidades e outras, apenas para cada uma especificamente. Veja no Infográfico algumas estratégias válidas para leitura e audição e as que são usadas apenas para uma ou para outra. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/23cae171-0a3b-4466-ae59-23981cb5374f/7fcbe06c-695e-4655-8722-cb1b47607c72.jpg Conteúdo do livro Sabe-se que a compreensão oral em língua inglesa é a habilidade mais desafiadora para os aprendizes. A compreensão envolve a atribuição de significado ao que se ouve, mas as características do texto oral exigem maior concentração, pois o ouvinte precisará lidar com diferentes pronúncias, sotaques, entonação, ritmo, velocidade, tom, hesitações e recomeços. Para facilitar o entendimento, algumas estratégias são proveitosas para que a interpretação seja possível, ainda que não se compreendam todas as palavras que foram ditas. No capítulo Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa, da obra Práticas discursivas de língua inglesa: gêneros do cotidiano, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você será apresentado a esse assunto e às estratégias de compreensão oral, que tornarão esse processo muito mais suave e significativo para o ouvinte. Boa leitura. PRÁTICAS DISCURSIVAS DE LÍNGUA INGLESA: GÊNEROS DO COTIDIANO Elisa Lima Abrantes Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Utilizar estratégias de compreensão auditiva em língua materna. � Relacionar as estratégias de leitura às estratégias de compreensão auditiva. � Escolher estratégias de compreensão auditiva adequadas às situações comunicativas em língua inglesa. Introdução A habilidade da compreensão auditiva em língua inglesa é essencial para que o ouvinte compreenda o significado de palestras, filmes, músicas e, ainda mais importante, para que possa interagir em situações reais de comunicação em língua inglesa. Neste capítulo, você estudará a compreensão auditiva em língua inglesa, começando com as estratégias que usamos para a compreensão auditiva em língua materna e as estratégias que utilizamos para a leitura, que também é uma habilidade de recepção, e não de produção (fala e escrita). Em seguida, verá como fazer uso dessas estratégias para auxiliar a compreensão e a interpretação do texto oral e como selecionar as melhores estratégias para cada situação comunicativa em língua inglesa. Estratégias de compreensão auditiva em língua materna Para começar, vamos entender o que é o processo da audição; para isso, lan- çamos mão da definição do pesquisador Larry Vandergrift (2016), que diz que audição é o processo de receber o que o falante diz (orientação receptiva), construir e representar significado (orientação construtiva), negociar significado com o falante e responder (orientação colaborativa) e criar significado por meio do envolvimento, imaginação e empatia (orientação transformadora). Nesse processo, os ouvintes interpretam o que ouvem e relacionam o que ouvem ao seu conhecimento de mundo. Esse processo complexo que é a audição se desenvolve naturalmente na aquisição da língua materna. Um bebê, nos primeiros meses de vida, reage aos sons por meio do choro ou sorriso, se não tiver alguma deficiência auditiva. Muito cedo começa a compreender o que lhe é dito e, com o passar do tempo, treina a compreensão do que escuta, porque entra em contato com vários tipos de enunciados orais, que interpreta e reage de acordo com o seu conteúdo. Com dois anos e meio, o vocabulário da criança aumenta significativa- mente, e ela passa a ser capaz de se expressar por sentenças simples. Com três anos, ela entende a maior parte daquilo que ouve dos adultos, faz uso de novas palavras e sabe fazer uso da linguagem para conseguir o que deseja, conversando por meio de sentenças completas que podem ser entendidas. Aos quatro anos, já é capaz de pronunciar adequadamente os fonemas de sua língua, e sua linguagem, de forma geral, está completa, devendo apenas ser aprimorada. Portanto, a criança já possui habilidades satisfatórias para expressar seus próprios desejos e necessidades. A compreensão da língua falada é um processo inferencial, baseado na percepção do ouvinte, que deve encontrar associações entre o que é ouvido e os aspectos do contexto. Interpretar o que se escuta vai ajudar a treinar a compreensão da oralidade em todas as ocasiões, mas há fatores que influenciam essa interpretação, como a variedade de sons que existem em um ambiente aberto ou a má formulação do discurso. Estamos constantemente tentando ouvir e compreender os ruídos, vozes e sons que estão à nossa volta. Por essa razão, usamos estratégias de audição para compreender o texto oral ou os ruídos e sons que não sabemos de onde vêm. Essas estratégias usadas pelo ouvinte, seja em língua materna ou em língua estrangeira, são reconhecer, selecionar, interpretar, inferir, antecipar e reter. Veja, a seguir, o que cada um desses procedimentos quer dizer. � Reconhecer: diz respeito ao reconhecimento das unidades que compõem sons e palavras, os fonemas, os morfemas e as oposições fonológicas. � Selecionar: quer dizer distinguir as palavras relevantes de um discurso (nomes, verbos, frases) e as que não o são (repetições, redundâncias, marcadores do discurso). Essas estratégias são também utilizadas pelos ouvintes quando enunciadores, o que faz deles focos de mais atenção.Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa2 � Interpretar: envolve a compreensão da forma, ou seja, da estrutura e organização do texto oral, como diferentes seções, mudança de tema, grau de formalidade, tom, ritmo, velocidade, pausas, entonação. Também envolve a compreensão do conteúdo, que diz respeito à intenção, ao propósito comunicativo, ao significado, às ideias principais e às secun- dárias, às ambiguidades, ao duplo sentido, à relevância das informações. Essa fase interpretativa é mais complexa e exige conhecimento mais aprofundado da língua. � Antecipar: é usar toda a informação que temos sobre o gênero para preparar a compreensão de um discurso. Esse processo diz respeito também à previsão do tema, da linguagem e do estilo do discurso e ainda prevê que se deva antecipar o que se vai dizer. � Inferir: refere-se à dedução dos dados do texto oral e à extração de informação do contexto comunicativo com a interpretação de códigos verbais e não verbais, como a linguagem corporal e o olhar, por exemplo. � Reter: é reconhecer as palavras, frases e ideias para poder interpretá- -las mais à frente. Em relação ao vocabulário, destaca-se o fato de que, além da compreensão auditiva, faz-se uso, naturalmente, de itens lexicais para a expressão oral em língua materna, sem a preocupação de se entender detalhadamente aqueles itens. O aluno é psiquicamente estruturado pela língua materna, pois é por meio dela que ele adquire conhecimento e tem contato com o mundo. Por essa razão, essas estratégias serão usadas também na compreensão auditiva em língua inglesa, de acordo com o objetivo de cada atividade. Os alunos podem reconhecer fonemas em um texto oral e escrever palavras que também apresentem os mesmos fonemas. Podem também reconhecer oposições fonológicas em exercícios específicos para esse fim. A seleção pode ser trabalhada pelo professor ao apresentar um texto oral e pedir para que os alunos identifiquem palavras relevantes do discurso a partir do stress nas palavras e, a partir daí, construam o significado do que ouviram. O professor pode aproveitar para chamar a atenção dos alunos para o fato de que não é preciso entender todas as palavras de um discurso para compreendê-lo. A interpretação pode ser exercitada a partir de questões que necessitem da compreensão de forma e conteúdo do que se ouve. 3Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa A antecipação e a inferência são estratégias utilizadas pelo professor a partir do conhecimento prévio dos estudantes. Busca-se a previsão do que o texto trata na atividade pré-leitura, em que se prepara o estudante para o que irá ouvir, conversando sobre o tema, mostrando imagens e fotos. Durante a audição, pode-se pedir a atenção do ouvinte para o tom da fala e as possíveis emoções dos interlocutores. Combinadas à seleção de palavras relevantes, a compreensão será bastante ampliada e a retenção permitirá a interpretação da amostra trabalhada. Segundo Gervain e Mehler (2010), as crianças segmentam as palavras a partir das sequências de fala a que são expostas porque, na oralidade, as palavras se sucedem e, para entendê-las, é preciso segmentá-las mentalmente. Assim, adquirem o léxico da língua materna. Essa aquisição começa por volta dos 6 meses de vida, com a seg- mentação dos sons que recebe (input) a partir das pistas do ritmo da língua materna. Estratégias de leitura e estratégias de compreensão auditiva As estratégias de leitura e de compreensão oral são comparáveis, já que, em ambos os casos, o leitor ou o ouvinte precisam interagir com o texto escrito ou falado e a eles atribuir significado. Rost (1990) afirma que as estratégias cognitivas que subjazem à leitura têm muito em comum com as que subjazem à compreensão auditiva, embora as habilidades linguísticas para decodificar os textos sejam diferentes (visual × auditiva). Tanto os leitores quanto os ouvintes fazem uso do seu conhecimento de mundo para interpretar o que leem ou ouvem. No entanto, o leitor, ao contrário do ouvinte, por conta da permanência do material escrito, tem controle sobre o texto com o qual interage, já que pode pular partes, voltar a elas, reler, identificar elementos tipográficos; já o ouvinte lida com variações de pronúncia, hesitações, variações dialetais, autorrevisões, fenômenos da fala, o que torna a compreensão mais desafiadora. Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa4 Muitos alunos têm medo de ouvir e não compreender e desanimam se isso acontece. Cabe ao professor esclarecer que não entender faz parte do processo de aprendizagem da língua estrangeira e que a continuidade de se escutar trechos curtos em língua inglesa de diferentes tipos de áudio (entrevista, música, palestra, filme, série, desenho, tutoriais, etc.) é o que ajudará na compreensão da dinâmica da língua falada. Assim como o leitor, além do conhecimento prévio e do contexto, o ouvinte usa o seu conhecimento linguístico para melhor compreender e interpretar o que ouve. Essas duas estratégias de processamento, na concepção de Brown (2001), são nomeadas top down e bottom up. A primeira leva em conta o conhecimento prévio do ouvinte, que formula hipóteses sobre o conteúdo que será ouvido, é informado do contexto, cria expectativas sobre o que ouvirá; a segunda parte do próprio texto oral: pronúncia, entonação, ritmo, stress, variações linguísticas. Seguindo a proposta pedagógica de Vandergrift (2016), para a prática de compreensão auditiva em sala de aula, alguns procedimentos são fundamentais para que o aluno se sinta motivado e tenha um desempenho satisfatório nos exercícios sugeridos pelo professor ou pelo material didático adotado. Aqui, também a exemplo da leitura, é necessária uma preparação antes de os alunos ouvirem o texto oral. Essas atividades pré-audição buscam do aluno o seu conhecimento de mundo, suas experiências, para que formulem hipóteses e direcionem a sua atenção para o que será ouvido. Nessa fase, o professor apresenta o contexto e pode até mesmo antecipar vocabulário-chave ou ou- tras informações que considere relevantes, para que a escuta se torne mais significativa para os aprendizes, pois: [...] apenas pedir aos alunos que ouçam algo e respondam a algumas perguntas é um pouco injusto e dificulta muito o desenvolvimento das habilidades de escuta. Muitos alunos têm medo de ouvir e podem ficar desanimados quando ouvem alguma coisa, e sentem que entendem muito pouco. Também é mais difícil se concentrar em ouvir se há pouco interesse em um tópico ou situação. As tarefas de pré-escuta visam lidar com todas essas questões: gerar interesse, criar confiança e facilitar a compreensão (REES, 2003, documento on-line). 5Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa Durante o processo de audição, no qual o aluno deve ter um objetivo para direcionar a sua atenção, o aluno será também capaz de monitorar a sua compreensão, confirmando ou refutando suas hipóteses e verificando suas dificuldades. É proveitoso que o texto oral seja ouvido mais de uma vez, para que as tarefas pedidas sejam cumpridas com mais tranquilidade. Cabe ao professor selecionar o material tendo em mente se ele será adequado ao seu público, para que os alunos não se desmotivem diante da dificuldade de entendimento, mas, ao contrário, aumentem sua confiança ao perceber o quanto conseguem entender e se sintam capazes de cumprir os objetivos de escuta determinados na atividade. Entretanto, deve-se ter o cuidado de escolher materiais autênticos de si- tuações reais, que façam sentido para o aluno e que permitam que, pouco a pouco, ele se familiarize e entenda interlocutores nativos. Aqui também você pode fazer um paralelo com as estratégias de leitura. Pode-se ouvir (e ler) um texto (oral ou escrito) para se ter uma ideia geral do assunto, ou para identificar detalhes e informações. O foco e a atenção aqui são utilizados de maneira diferente: mais livremente, para se ter umaideia do que é tratado no texto, privilegiando o contexto e confirmando ou não as hipóteses levantadas, ou com mais concentração em determinadas palavras-chave, para reconhecer a informação necessária ao cumprimento da atividade proposta. No momento seguinte, pós-audição, o aluno avalia os resultados de suas escolhas e discute individualmente ou em grupo quais estratégias levaram ao sucesso ou ao fracasso na compreensão e na realização da atividade proposta. Essa troca de experiências com os colegas traz um impacto positivo para o processo de aprendizagem, já que evidencia uma comunidade de aprendizes com os mesmos objetivos e que precisa lidar com sucessos e fracassos de ma- neira individual e coletiva. Essa atmosfera incentiva o apoio mútuo e provoca maior reflexão no grupo. Também com a leitura essas atividades são usadas para que professores e alunos revisem, tenham um feedback da eficiência das estratégias escolhidas. Outras estratégias de leitura também são válidas para a compreensão auditiva. Além da previsão, que já tratamos brevemente e consiste em usar as expectativas do mundo real para fazer previsões sobre o que os falantes dirão ou o que pode acontecer, temos (ROST, 2002): � Adivinhação: a pessoa faz inferências sobre o que os falantes poderiam ter dito ou seu significado, ainda que as informações bottom up sobre o idioma estejam incompletas. Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa6 � Seleção: é a concentração em palavras-chave e a tentativa de selecionar a informação que seja adequada para completar determinada tarefa. � Revisão: é o monitoramento do nível de compreensão de uma pessoa e a escolha de perguntas que podem ser feitas para complementar a com- preensão parcial ou corrigir mal-entendidos e revisar a representação de significado da pessoa. � Resposta: é a reflexão que leva à formulação de uma opinião, uma interação com o falante, personalização do conteúdo, foco no que foi en- tendido, tentativa de se discutir o que foi ouvido de maneira confortável. Como você pode notar, a compreensão oral não é apenas uma questão de reconhecimento auditivo de estruturas linguísticas, mas sim de compreensão de significados. Por essa razão, não é preciso reconhecer cada palavra de determinado texto oral para que se interprete seus significados. O ouvinte de língua estrangeira se vale de estratégias de percepção do contexto e de conhe- cimento existente, linguístico e extralinguístico, para construir significados. A abordagem comunicativa tem como foco a comunicação real, em situações de uso da língua. Sendo assim, os exercícios valorizam textos autênticos e situações reais da vida cotidiana (UR, 1984). O conteúdo aqui é mais importante do que a forma, pois o que se visa é uma comunicação significativa para os interlocutores. Essa abordagem pressupõe situar a compreensão oral em relação a dois aspectos: a inteligibilidade, ou seja, a possibilidade de ser entendida, que é relacionada à percepção e decodificação; e a interpretabilidade, que é relacionada à inferência e ao entendimento e se torna significativa para os envolvidos na comunicação. Tais aspectos buscam integrar forma, função, interpretação e expressão, unindo estratégia comunicativa e cognitiva. Tratamos aqui de estratégias de compreensão auditiva e de leitura, que são habilidades de recepção, embora o ouvinte e o leitor interajam com o texto oral ou escrito. Podem- -se perceber paralelos entre essas habilidades, como a importância do conhecimento prévio e da inferência, bem como a previsão do que se vai escutar ou ler. No entanto, cabe aqui destacar também as características particulares de cada habilidade, já que a comunicação oral se caracteriza pelo tom de voz, velocidade de fala, pausas, hesitações, ênfases, repetições, trocas de assunto, enquanto na comunicação escrita elementos tipográficos, pontuação e parágrafos determinam a compreensão do texto. 7Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa Estratégias de compreensão auditiva em diferentes situações comunicativas da língua inglesa A compreensão auditiva é um processo interativo e interpretativo em que o ouvinte usa o seu conhecimento sobre o assunto e o seu conhecimento lin- guístico para entender o que está sendo falado. A utilização de um ou outro processo vai depender do objetivo da tarefa, conhecimento do tema e nível de proficiência linguística do ouvinte. Além dos conhecimentos que possui, o aluno se beneficia do auxílio do professor, que o ajuda a se organizar e se preparar para ouvir, inferir signifi- cados apropriados do material ouvido, o que reduz a tensão e o medo de não entender o texto oral. As tarefas propostas pelo professor reforçam a ideia de que não é preciso entender todas as palavras traduzindo-as para a língua materna, mas sim compreender o significado de certas cadeias de palavras, reconhecer fronteiras entre as unidades fonéticas, marcadas pelas pausas temporais, grupos rítmicos, entonação ascendente ou descendente, recursos para que se identifique os segmentos da fala. Além disso, o processo de compreensão oral envolve conhecimento de vocabulário e pragmático (conhecimento de mundo). Em relação às estratégias de aprendizagem, podemos classificá-las, de uma forma ampla, em diretas e indiretas (OXFORD, 1990). Diretas são relacionadas à língua-alvo e ao processamento mental da língua, como a memorização, que envolve princípios de ordenação, associação e revisão, associados aos sentidos; as estratégias cognitivas, que consistem em manipulação e transformação da língua-alvo pelos aprendizes; e as estratégias de compensação, em que o aprendiz, mesmo tendo limitações linguísticas, consegue compreender e produzir na língua-alvo ao usar inferências e superação das limitações, seja fazendo uso da língua materna, seja buscando ajuda, usando gestos, fazendo mímica, criando palavras, paráfrases e usando sinônimos. As estratégias indiretas, por sua vez, apoiam a aprendizagem da língua sem estarem diretamente relacionadas a ela. São as estratégias metacognitivas, afetivas e sociais. As estratégias metacognitivas oferecem maior controle sobre o processo de aprendizagem, como o planejamento, a organização e a avaliação da aprendizagem. As estratégias afetivas regulam as emoções, motivações e atitudes, como redução de ansiedade, encorajamento e cons- cientização do estado emocional. As estratégias sociais ajudam o aprendiz a interagir com outras pessoas, com a elaboração de perguntas, compreensão Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa8 cultural, cooperação com pares e usuários proficientes da língua-alvo. Essas estratégias, ligadas direta ou indiretamente à língua-alvo são usadas de forma simultânea, muitas vezes, para permitir o entendimento do ouvinte. Outro ponto que deve ser levado em conta quando selecionamos estratégias linguísticas para situações comunicativas diversas se refere à atenção e ao foco para o que se ouve, que se relaciona com o objetivo da escuta. Por exemplo, quando escutamos uma música, fazemos isso por entretenimento. Essa é uma escuta relaxada, em que não há preocupação em se dirigir a atenção ao que é dito, mas sim ao prazer ou inspiração trazidos por ela. A esse tipo de escuta denominamos escuta apreciativa, segundo a classificação de Crespo (2007), que apresenta alguns outros tipos de escuta, a saber: � Escuta seletiva: é aquela em que selecionamos a informação que nos interessa, em que retiramos da mensagem a parte mais importante para o nosso objetivo. Quando estamos em uma conferência, por exemplo, captamos as ideias que despertam nosso interesse. � Escuta discernitiva: possibilita ouvir a mensagem completa, permitindo uma separação em ideias principais e ideias secundárias. Quando esta- mos em uma aula e tomamos notas para, posteriormente, escrevermos resumos ou fazermos uma apresentação, fazemos uso desse tipo de escuta. � Escuta analítica: é a que temos quando analisamoso que nos dizem, examinando a lógica das ideias e verificando se estão corretas. Um exemplo desse tipo de escuta é a que os psicanalistas e psiquiatras realizam com seus pacientes. � Escuta sintetizada: é quando dirigimos a conversa mediante os nossos próprios objetivos, ou seja, quando queremos buscar respostas, como quando os comerciantes querem obter informação sobre os seus clientes para descobrirem as suas necessidades. � Escuta empática: é aquela em que nos colocamos no lugar de quem nos fala, oferecendo apoio e conselhos. � Escuta ativa: é aquela em que estamos com mais atenção e concentra- ção, pois tentamos obter a totalidade de uma mensagem, interpretando seu significado correto por meio do que é comunicado, do tom de voz e da linguagem corporal. A escuta ativa é a mais completa e importante, uma vez que inclui todos os outros tipos de escuta. 9Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa Acesse o link a seguir e leia um guia prático e breve (em inglês) sobre estratégias para facilitar a compreensão oral em situações reais (materiais autênticos) preparado para a sala de aula. https://qrgo.page.link/U5T7R BROWN, H. D. Teaching by principles: an interactive approach to language pedagogy. New York: Pearson Education, 2001. CRESPO, R. Aprender a escuchar. Madrid: Editorial Lulu, 2007. GERVAIN, J.; MEHLER, J. Speech perception and language acquisition in the first year of life. Annual Review of Psychology, v. 61, p. 191–218, 2010. OXFORD, R. L. Language learning strategies: what every teacher should know. Boston: Heinle & Heinle Publishers, 1990. REES, G. Pre-listening activities. In: BBC. Estados Unidos, 2003. Disponível em: https:// www.teachingenglish.org.uk/article/pre-listening-activities. Acesso em: 19 dez. 2019. ROST, M. Listening in language learning. New York: Longman, 1990. ROST, M. Listening tasks and language acquisition. In: JALT CONFERENCE, 2002. Pro- ceedings... [S. l.]: JALT Publications, 2002. Disponível em: http://jalt-publications.org/ archive/proceedings/2002/018.pdf. Acesso em: 19 dez. 2019. UR, P. Teaching listening comprehension. Cambridge: Cambridge University Press, 1984. VANDERGRIFT, L. Listening: theory and practice in modern foreign language com- petence. In: CENTRE FOR LANGUAGES, LINGUISTICS & AREA STUDIES. Southampton, 2016. Disponível em: https://www.llas.ac.uk/resources/gpg/67. Acesso em: 19 dez. 2019. Leituras recomendadas ALVES, L. R. Compreensão oral: a habilidade Cinderela. 2003. Dissertação (Mestrado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: http://www4.pucsp.br/liaac/download/ dissertacao_lucia_26_04(01).pdf. Acesso em: 19 dez. 2019. Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa10 Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. LEFFA, V. J. Aspectos da leitura: uma perspectiva psicolingüística. Porto Alegre: Sagra D.C. Luzzatto Editores, 1996. O’MALLEY, J. M.; CHAMOT, A. U. Learning strategies in second language acquisition. New York: Cambridge University Press, 1990. UNDERWOOD, M. Teaching listening. London: Longman, 1989. 11Estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa Dica do professor A compreensão auditiva é fundamental para a aquisição e aprendizagem da língua inglesa; por isso, deve ser amplamente trabalhada desde o início da aprendizagem. No entanto, a rapidez da fala e a dificuldade em se reconhecer sons individuais e sentenças, acento, pronúncia, muitas vezes são fatores que desmotivam os aprendizes. Então, essa habilidade precisa ser trabalhada em sala de aula. Nesta Dica do Professor, você vai ser apresentado à importância e ao passo a passo que prepara os alunos para atividades de compreensão auditiva em sala de aula. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/609b237514d4a114d46e2ce8ffeb6982 Exercícios 1) Tanto a leitura quanto a compreensão auditiva são habilidades receptivas, ou seja, o processamento e a interação são feitos de forma silenciosa com o texto falado ou escrito. Duas estratégias de processamento têm lugar nessas habilidades: top down e bottom up. Quais as suas diferenças? A) Bottom up exercita a capacidade de formular hipóteses e top down, a criatividade do ouvinte. B) Top down requer o conhecimento prévio do aluno e bottom up, a identificação de características do que ouve. C) Reconhecimento de sons individuais é um exemplo de top down e a entonação um exemplo de bottom up. D) Distinguir stress em palavras e sentenças é uma atividade top down e antecipar o tema é uma atividade bottom up. E) Discutir o tema após assisitir ao vídeo é uma atividade bottom up e comentar a pronúncia dos atores é top down. 2) Você verificou que diversas estratégias de leitura são também válidas para auxiliar no processo de compreensão auditiva. Quais estratégias e elementos podem ser usados na compreensão dessas duas habilidades? A) Stress, gênero textual e parágrafos. B) Marcadores discursivos, hesitação e pontuação. C) Skimming, scanning e entonação. D) Tópico frasal, palavras repetidas e cognatas. E) Conhecimento prévio, predição e revisão. 3) Na audição, o ouvinte faz uso de diversos procedimentos para que possa compreender e interpretar o que ouve. Um desses procedimentos é o reconhecimento, que consiste em: A) distinguir palavras relevantes e irrelevantes de um discurso. B) reconhecer fonemas, morfemas e oposições fonológicas. C) compreender a forma e o conteúdo de um texto oral. D) prever o tema, a linguagem e o estilo de um discurso. E) deduzir dados a partir de códigos verbais e não verbais. 4) As estratégias de aprendizagem podem ser diretas ou indiretas ao se relacionar com a língua-alvo ou servir como apoio à aprendizagem desta, como classifica Oxford (1990). Quais dessas estratégias são consideradas indiretas nessa classificação? A) Focalização de atenção, utilização de relaxamento e cooperação em pares. B) Utilização da tradução na língua-mãe, prática auditiva e associações mentais. C) Representação de sons na memória, mímica e planejamento de tarefas. D) Determinação de metas, exercícios de pronúncia e uso de sinônimos. E) Uso de afirmações positivas, criação de palavras e uso de gestos. 5) A atenção e a concentração do ouvinte variam de acordo com o tipo de escuta em cada situação comunicativa. Têm-se então as escutas apreciativa, seletiva, discernitiva, analítica, sintetizada, empática e ativa, conforme classificação de Crespo (2007). A que tipo de escuta podem-se associar conselhos e apoio dados a um amigo? A) Escuta empática. B) Escuta apreciativa. C) Escuta seletiva. D) Escuta analítica. E) Escuta discernitiva. Na prática As estratégias utilizadas na compreensão auditiva variam de acordo com o objetivo do ouvinte. Se a intenção for compreender o tema, presta-se atenção no todo e não em passagens específicas do discurso oral. Caso se queira uma informação específica, presta-se atenção no trecho que se pretende compreender. Neste Na Prática, você irá verificar uma atividade em sala de aula que exercita a compreensão auditiva a partir de uma escuta mais geral para se buscar o narrador, o tipo de vídeo e o tema. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A aprendizagem das habilidades auditivas: um meio e um fim na aquisição de línguas estrangeiras Leia este interessante eesclarecedor artigo a respeito de processos e estratégias de compreensão auditiva em língua inglesa. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. COMPREENSÃO DO DISCURSO ORAL EM LÍNGUA INGLESA Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.scielo.br/j/alfa/a/Wxfvv984JRHDyyB3YNycYRw/?format=pdf&lang=pt http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1942-8.pdf