Prévia do material em texto
FACULDADE DE MINAS EAD – FACUMINAS RELATÓRIO DE ESTÁGIO SURVISIONADO: NEUROPSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, CLÍNICA E HOSPITALAR CIBELE PEREIRA OLIVEIRA NEUROPSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, CLÍNICA E HOSPITALAR SUZANO/SP 2024 Sumário 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 4 3. DESENVOLVIMENTO ....................................................................................... 7 3.1 Descrição detalhada do local do estágio ........................................................... 11 3.2 Descrição das atividades desenvolvidas ........................................................... 12 3.3 Relatos de Observação ..................................................................................... 13 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 14 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 115 1. INTRODUÇÃO A vivência gerada pelo estágio curricular obrigatório em uma instituição de ensino não apenas possibilitou um contato direto com a prática, mas também ampliou a compreensão sobre uma das vertentes da Neuropsicopedagogia. Este é um setor que apresenta uma demanda considerável por profissionais capacitados, ao mesmo tempo em que enfrenta uma evidente carência desses especialistas nas escolas. O estágio incentivou uma análise aprofundada sobre a função do Neuropsicopedagogia no ambiente escolar, onde é necessário lidar com as especificidades do funcionamento do cérebro, especialmente em relação aos estímulos que influenciam o processo de aprendizagem. As funções cerebrais oferecem respostas relevantes para várias questões discutidas na Pedagogia. Nesse contexto, as Neurociências trazem uma contribuição valiosa para diversas áreas do saber, dando origem à Neuropsicopedagogia a partir dessa integração. É relevante mencionar a observação de Bossa sobre diagnóstico, que ilumina ainda mais essa confluência de conhecimentos. “O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito.” (BOSSA, 1994, p. 74). A assistência Neuropsicopedagogia clínica consiste na avaliação e intervenção voltadas para compreender o sentido, a motivação e o modo de aprendizagem do indivíduo, buscando superar suas dificuldades. Nesse contexto, o diferencial do neuropsicopedagogo em relação a outros profissionais reside no fato de que seu foco principal é o processo de aprendizado. Enquanto o neurologista enfatiza os aspectos biológicos, o psicólogo aborda questões relacionadas à psique, e o pedagogo foca no ensino escolar, o neuropsicopedagogo trabalha integrando esses elementos sob a perspectiva do aprendizado. A neuropsicopedagogia clínica investiga diversos fatores que influenciam a aprendizagem, como os processos cognitivos, emocionais, sociais, culturais, orgânicos e pedagógicos. Seu objetivo é criar condições favoráveis para promover uma compreensão mais ampla do aprendizado, fortalecendo a interação entre professores, pais, educadores e outros especialistas envolvidos na formação do estudante. No contato com o aluno, o neuropsicopedagogo realiza uma análise criteriosa que possibilita a formulação de estratégias adequadas para desenvolver condições ideais de aprendizado. Além disso, trabalha aspectos relacionados ao comportamento, à motivação e à afinidade do estudante com o processo de aprendizagem, incentivando-o a se tornar protagonista de sua trajetória educacional. Com isso, busca-se que o aluno adquira autonomia na construção do conhecimento e aperfeiçoe sua autovalorização. De maneira geral, a neuropsicopedagogia clínica tem como principal propósito investigar obstáculos no processo de aprendizagem do sujeito. Isso inclui compreender as razões que dificultam seu entendimento e intervir em questões relacionadas ao não aprender. O trabalho envolve a análise dos problemas de aprendizagem em crianças, adolescentes e adultos, focando no entendimento das rupturas no sistema de aprendizagem a partir da realidade de cada indivíduo e de todos os fatores que influenciam esse processo. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O neuropsicopedagogo, tanto na atuação clínica quanto institucional, realiza avaliações, oferece tratamento e apoia indivíduos que enfrentam dificuldades de aprendizagem, sempre com ética e respeito pela sua área de atuação. As funções executivas desempenham um papel crucial no processo de ensino-aprendizagem, pois englobam habilidades como atenção, controle inibitório, memória operacional e flexibilidade cognitiva. Assim, o profissional de neuropsicopedagogia, atuando em ambientes clínicos e institucionais, pode avaliar e intervir nas funções executivas durante o desenvolvimento infantil, visando aprimorar as habilidades das crianças por meio de atividades recreativas que estimulem seu interesse. Este artigo foi elaborado utilizando uma metodologia científica, fundamentando-se em artigos, documentos e livros que enriquecem a base teórica do tema. Para compreender a neuropsicopedagogia e como atuar nessa área, é essencial entender o que cada conceito significa e como eles estão interligados com o processo de ensino-aprendizagem em contextos clínicos e institucionais. Como afirmado por Victor da Fonseca em 2021: [...] A neuropsicologia busca conhecer algumas propriedades e funções do órgão relacionado à aprendizagem e à cognição; a psicologia apresenta uma interação íntima entre os componentes cognitivos do processamento de informações, que vão desde a percepção até a ação, passando pela memorização, integração, planejamento e execução; e a pedagogia, por sua vez, implica que a transmissão empática e intersubjetiva da cultura entre gerações envolve simultaneamente uma arte e uma ciência. Consequentemente, pode-se afirmar que a neuropsicopedagogia, tanto no âmbito clínico quanto institucional, é um campo que abrange diversas disciplinas e se caracteriza como uma ciência que atravessa várias áreas de conhecimento. Esta disciplina investiga de que maneira ocorre o aprendizado e quais estratégias podem ser utilizadas para solucionar dificuldades cognitivas, visando aprimorar a comunicação e o processo de aprendizado. A fundamentação teórica está ancorada na Neurociência e na Educação, que fornecem aos especialistas em neuropsicopedagogia insights sobre o funcionamento cerebral e sua influência nos comportamentos dos indivíduos. A partir desse entendimento, há uma possibilidade de compreender a dinâmica do ensino e da As informações obtidas a partir das avaliações clínicas e/ou institucionais devem servir como base para a intervenção do neuropsicopedagogo. A avaliação precisa ser feita em várias sessões fundamentadas em testes. Esses testes quantitativos permitirão que o médico avalie com base em seu diagnóstico clínico, usando recursos específicos para cada faixa etária, como jogos, atividades em folhas e dinâmicas. O emprego de testes quantitativos, que se baseiam em estudos verídicos, padrões e análises fatoriais, é essencial. Essas técnicas são estruturadas e possuem regras específicas para sua aplicação De acordo com o Artigo 10°, a Neuropsicopedagogia se define como uma ciência que integra conhecimentos das neurociênciasaplicados ao campo educacional, estabelecendo conexões com a pedagogia e a psicologia cognitiva. Seu foco de estudo centra-se na interrelação entre o funcionamento do sistema nervoso e os processos de aprendizagem humana, adotando uma perspectiva que busca a reintegração nas esferas pessoal, social e educacional. (SBNPp, 2021, p.3). Por isso, é fundamental lembrar que o profissional de neuropsicopedagogia não tem permissão para diagnosticar distúrbios de neurodesenvolvimento, problemas de aprendizagem ou doenças. Quando necessário, o diagnóstico deve ser realizado por um médico especializado em saúde mental, como neurologista, psicólogo ou psiquiatra. Os relatórios e avaliações do neuropsicopedagogo apoiam o diagnóstico, mas não constituem um diagnóstico em si. Como mencionado por Caetano em 2021, na página 133: Um sintoma ou sinal não é um diagnóstico! Os resultados devem ser integrados, e a avaliação faz parte de um processo diagnóstico que, em geral, envolve outros profissionais. Devemos sempre ter em mente que o profissional de neuropsicopedagogia não realiza diagnósticos. Seu trabalho envolve a formulação de hipóteses ou a apresentação dos sintomas observados no paciente durante a aplicação dos testes em seu relatório. Esse documento será analisado pelo médico que acompanha o paciente. O relatório servirá como suporte ao diagnóstico que será fornecido pelo médico. [...] Como existem testes padronizados exclusivos para psicólogos e fonoaudiólogos, o profissional em neuropsicopedagogia deve se familiarizar com os protocolos e testes que podem ser utilizados durante as avaliações. Em relação a isso, a Nota Técnica No 02/2017 afirma: O neuropsicopedagogo deve consultar o site http://satepsi.cfp.org.br/, no item instrumentos não privativos de psicólogos, e verificar os instrumentos (testes, escalas) que estão favoráveis ao uso, pois existe a possibilidade de o teste/escala ser considerado desfavorável em determinado momento para o estudo. Segundo o código de ética profissional do psicólogo, o termo NÃO PRIVATIVO se refere a um instrumento que pode ser usado tanto pela Psicologia quanto por outras profissões. O mesmo procedimento deve ser adotado em relação aos instrumentos da área de fonoaudiologia. Para tanto, é necessário consultar o Conselho Federal de Fonoaudiologia através do site http://www.fonoaudiologia.org.br/cffa. [...] (2017, p. 2 e 3). O neuropsicopedagogo deve planejar sua avaliação de acordo com as necessidades do indivíduo para que seja clara e pontual de um ponto de vista clínico e institucional. Para isso, ele deve realizar uma anamnese com o indivíduo e seus pais para entender seu contexto social. Como resultado, a avaliação do indivíduo deve ser feita através de testes qualitativos e quantitativos com foco no aprendizado e desenvolvimento do indivíduo, incluindo aspectos comportamentais, motores e cognitivos. Ela é feita em grupo dentro da instituição e, se necessário, o indivíduo com problemas específicos é encaminhado para o profissional adequado. O sujeito é avaliado individualmente em um ambiente clínico. Os planos de intervenção devem ser elaborados para a intervenção neuropsicopedagógica clínica. Esses planos de intervenção devem incluir metas para as dificuldades do indivíduo, que podem ser adaptadas ao longo do processo de aprendizagem. Na maioria das vezes, ocorrem em duas sessões semanais e os avanços são comunicados para família e escola e, além disso, analisando a possibilidade de alta em casos de dificuldade transitória. A colaboração da equipe técnica pedagógica é essencial para a execução da intervenção neuropsicopedagógica institucional. Isso irá auxiliar na definição de como atuar com base no coletivo, oferecendo recursos que todos os alunos poderão utilizar. Isso abrange projetos de trabalho e/ou laboratórios. 3. DESENVOLVIMENTO A primeira etapa do estágio de 150 horas foi bem-sucedida na CLINICA DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR MARTINS & FILHO é 57.514.501/0001- 03. Este CNPJ é de uma Matriz do tipo União, de porte Microempresa (ME) que está localizada em Suzano - SP. A empresa de Razão social ESPACO TERAPEUTICO PALACIO AZUL LTDA foi fundada em 01/10/2024 e está com a situação cadastral Ativa na Receita Federal. Sua principal atividade econômica é Atividades de psicologia e psicanálise. "A Clínica Martins & Filhos é especializada no atendimento multidisciplinar de pessoas com autismo, oferecendo um ambiente acolhedor e preparado para receber tanto crianças quanto adultos. Nossa equipe é composta por profissionais altamente qualificados, dedicados a proporcionar um cuidado individualizado e abrangente, promovendo o desenvolvimento e bem-estar de nossos pacientes. Venha conhecer nossos serviços e experimente o cuidado que faz a diferença!" O estágio teve duração de seis horas diárias, ocorrendo no período das 13h30 às 19h30, entre os dias 10/07/2024 e 10/01/2024, sob a supervisão da professora especialista em educação especial Neuropsicopedagogo, especialista em ABA e outras especificidade. A clínica terapêutica é voltada para pessoas neurodiversas, incluindo aqueles com TEA (transtorno do espectro autista), síndrome de Down, TDAH, TOD, dificuldades na fala, atrasos motores, entre outros. Além das sessões individuais de terapia, realizamos atividades de socialização, como o programa “Interagindo com amigos”, e durante as férias, promovemos uma colônia terapêutica inclusiva chamada “Interagindo Adventures”. Também disponibilizamos o projeto “Interagindo em casa”, que complementa as terapias com assistentes terapêuticos no domicílio do paciente, além de iniciativas educacionais através do “Interagindo na educação”. Oferecemos um grupo de apoio para pais, com encontros presenciais. A Interagindo continua a se dedicar ao atendimento de seus pacientes por meio de uma equipe multidisciplinar coesa, sempre empenhada em oferecer as práticas mais modernas e seguras no tratamento de indivíduos com neurodiversidade, na qual tive a oportunidade de avompanhar vários profissionais vomo psicólogos, fisioteraoeutas, fonoaudiólogo, terapeuta ocapacional, vivências em psico pedagogia, psicomotricidade e musicoterapia. Com espaços para o aatendimento de maneira lúdica e materiais adequados ao atendimento, O local dispõe de duas salas amplas equipadas com os materiais necessários para a realização dos procedimentos. Além disso, conta com uma antessala equipada com computador, copiadora, interfone, telefone, internet, máquina de cartão e equipamento de som. Há também uma cozinha e um banheiro. Durante o estágio, todos foram receptivos e mantiveram uma boa interação. O ambiente é muito agradável. O estágio é uma disciplina obrigatória do curso para obtenção do título de Neuropsicopedagoga Clínica. Da mesma forma, o curso de pós- graduação da Instituição Facuominas inclui o estágio supervisionado como requisito. No cenário educacional atual, diversos transtornos e dificuldades de aprendizagem não são resolvidos pelas instituições tradicionais. A deficiência educacional e os desafios de aprendizagem dificultam o trabalho dos profissionais da área. É essencial destacar que, em todos os aspectos da vida escolar, a formação acadêmica dos professores e a atuação conjunta dos profissionais são fundamentais para intervenções multidisciplinares e transdisciplinares. A participação da família também é essencial para o desenvolvimento emocional e a autoestima do aluno, pois o fracasso escolar pode impactar sua vida na comunidade. Durante o estágio, foi possível observar a atuação da psicopedagoga em entrevistas familiares, onde foram expostas as dificuldades e reclamações dos alunos, além da obtenção da autorização para iniciar as sessões. A terapia utilizou uma abordagem dinâmica das relações familiares, incluindo comunicação,expressão, autoridade, afetividade, sintomas apresentados e tonicidade corporal. Após a análise do contexto familiar e do enquadramento do caso, foram definidos o tempo de atendimento, horários, custos, contrato, período das sessões e técnicas mais adequadas. A avaliação psicopedagógica seguiu um roteiro estruturado, iniciando-se com uma entrevista exploratória da família e incluindo: • E.F.E.S (Entrevista Familiar Exploratória Situacional) • Anamnese (desde a gestação) • Sessões lúdicas • Provas e testes • Prognóstico e devolutiva • Jogos pedagógicos baseados em Piaget, arteterapia e caixa de areia • Atividades de lateralidade e referência lógica • Consciência fonológica e teste de compreensão oral • Provas operatórias A psicopedagoga aplicou e avaliou o desempenho evolutivo do aluno sempre que necessário, preenchendo relatórios durante dez sessões e enviando-os aos responsáveis. Casos Acompanhados Durante o estágio, foi possível acompanhar alunos com dislexia, autismo, síndrome de Down, transtorno compulsivo, transtorno emocional, afetivo e TDAH. Uma aluna de 8 anos, no terceiro ano do ensino fundamental, apresentou dificuldades de aprendizagem e atenção na escrita, como grafia desordenada, contagem incorreta e problemas ortográficos com sílabas e dígrafos. Para auxiliar, foi utilizado o sussurrofone, permitindo que ela ouvisse melhor os fonemas, além de exercícios de escrita, identificação de imagens e ditado. Outra criança de 6 anos, com síndrome de Down, demonstrou boa percepção e capacidade de identificar objetos, mas apresentava comportamento difícil e dificuldades com proporção de massa e reconhecimento de letras. Foram aplicadas atividades lúdicas, como jogos de pesca para nomeação de objetos e organização de itens por letras iniciais. Em outro caso, uma aluna de 6 anos, com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e ansiedade, possuía escrita espelhada e bom desempenho em componentes cognitivos. Durante a EOCA (Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem), mostrou-se nervosa e realizou apenas atividades com massinha de modelar, mas obteve bons resultados nas provas piagetianas. Um paciente enfrentava dificuldades de memorização e leitura fluente. Foram utilizadas estratégias como alfabeto móvel, consciência fonética e jogos de sílabas para melhorar seu desempenho. 3.1 Descrição detalhada do local do estágio A clínica possui uma recepção ampla e áreas dedicadas. A Terapia Cognitiva-Comportamental é uma técnica bem definida, desenvolvida por meio da colaboração entre o terapeuta e o paciente. Essa abordagem visa promover uma reestruturação cognitiva das emoções e dos comportamentos, através de intervenções nas cognições ligadas a eventos significativos para o paciente. Além disso, a clínica disponibiliza um espaço específico para atendimentos psicopedagógicos, que é o campo que analisa a aprendizagem em suas diversas interações e contextos. Esse setor se dedica ao processo de aprender e suas diferentes manifestações, além de criar estratégias para superar dificuldades no aprendizado, enfatizando a importância da autonomia no pensamento e na aprendizagem. Outra área interessante é reservada para a Neuropsicopedagogia que trata-se de uma área de estudo que abrange diversas disciplinas e investiga a conexão entre o funcionamento do sistema nervoso e a forma como aprendemos. Para alcançar esse propósito, ela procura integrar os achados das neurociências com os saberes da psicologia cognitiva e da pedagogia. A Análise Comportamental Aplicada (ABA) é uma abordagem científica que se fundamenta nos princípios do comportamento e visa desenvolver comportamentos que tenham relevância social. Em um ambiente voltado para a nutrição, o profissional da área se concentra em promover o bem-estar através do cuidado com a saúde alimentar. Isso inclui a realização de diagnósticos nutricionais, a formulação de dietas e a indicação de suplementos para indivíduos tanto saudáveis quanto com problemas de saúde. Além disso, o nutricionista atua na verificação da qualidade dos alimentos e na criação e análise de produtos destinados à alimentação.. 3.2 Descrição das atividades desenvolvidas Ao longo do estágio em Neuropsicopedagogia Clínica na Clínica Martins Filho, foram realizadas várias atividades focadas na avaliação e na intervenção de problemas de aprendizagem e distúrbios neurocognitivos. Uma das atividades mais relevantes realizadas envolveu a coleta de uma anamnese minuciosa, visando entender o passado do paciente e detectar potenciais aspectos que afetam seu rendimento escolar e habilidades cognitivas. Essa etapa abrangeu conversas com os responsáveis, a obtenção de dados sobre o desenvolvimento neuropsicomotor e o histórico educacional, bem como a aplicação de questionários direcionados. Testes neuropsicológicos e pedagógicos foram realizados para analisar aspectos como atenção, memória, funções executivas, linguagem, capacidades matemáticas e leitura. A partir das informações coletadas, foram criados planos de intervenção personalizados, visando o aprimoramento das habilidades e a redução das dificuldades enfrentadas pelos pacientes. As intervenções na área de neuropsicopedagogia incluíram abordagens lúdicas e cognitivas, utilizando jogos educativos, exercícios de estimulação cognitiva e métodos de reabilitação neuropsicológica. A finalidade foi incentivar a independência dos pacientes na aprendizagem e ajudar na criação de estratégias compensatórias para lidar com suas dificuldades. Adicionalmente, foi feito o monitoramento de cada situação por meio de relatórios detalhados e encontros de debate com a equipe multidisciplinar da clínica, composta por psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Essa colaboração possibilitou uma abordagem mais abrangente e coesa, facilitando a compreensão das dificuldades enfrentadas pelos pacientes. A experiência do estágio foi extremamente valiosa na aplicação da neuropsicopedagogia, contribuindo para o aperfeiçoamento de competências na detecção e no manejo das dificuldades de aprendizagem, além de aprofundar o entendimento teórico sobre o tema. A vivência também enfatizou a relevância de um atendimento centrado na humanidade e da cooperação entre diferentes áreas do conhecimento para um suporte eficaz e impactante aos pacientes. 3.3 Relatos de Observação Este relato tem como objetivo descrever as observações durante o estágio em neuropsicopedagogia na Clínica Martins Filho. Nesse período, foi possível acompanhar a assistência a vários pacientes, reconhecendo suas dificuldades cognitivas e comportamentais, assim como entender as abordagens utilizadas pelos profissionais para fomentar o desenvolvimento e a aprendizagem. **Contextualização do Estágio** O estágio foi realizado na Clínica Martins Filho, que se dedica a intervenções neuropsicopedagógicas para crianças, adolescentes e adultos com dificuldades de aprendizagem, transtornos do neurodesenvolvimento e outros desafios cognitivos. Sob a supervisão de profissionais experientes, o trabalho envolveu a utilização de técnicas e ferramentas específicas para avaliações e intervenções. **Observação dos Pacientes** Ao longo do estágio, foram observados casos variados, incluindo crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de dificuldades em leitura e escrita e limitações em memória e atenção. As sessões incluíram a aplicação de testes neuropsicopedagógicos, atividades lúdicas e metodologias que estimulam a cognição. **Estratégias Adotadas** Os profissionais utilizaram diversas estratégias para fomentar o desenvolvimento cognitivo dos pacientes, como: - Jogos pedagógicos para melhorar a atenção e a concentração; - Atividades de leiturae escrita personalizadas segundo as necessidades de cada um; - Recursos tecnológicos, como aplicativos educacionais; - Exercícios focados no aprimoramento da memória e do raciocínio lógico; - Colaboração entre profissionais, como fonoaudiólogos e psicólogos, para uma abordagem integrada. **Reflexão e Aprendizado** A experiência do estágio proporcionou uma compreensão mais ampla da atuação profissional na área, ressaltando a importância de avaliações personalizadas e do planejamento de estratégias específicas para cada paciente. Além disso, fortaleceu a percepção do valor da empatia e da paciência ao lidar com indivíduos que enfrentam dificuldades de aprendizagem. **Conclusão** A vivência na Clínica Martins Filho foi extremamente enriquecedora, abrangendo tanto a profundidade sobre as dificuldades cognitivas quanto a prática de intervenções eficazes. O estágio ressaltou a importância da neuropsicopedagogia na promoção do desenvolvimento e da inclusão educacional, afirmando seu papel essencial no suporte ao aprendizado. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluir este estágio em Neuropsicopedagogia na Clínica Martins Filho representa um marco significativo em minha trajetória educacional e profissional. Durante essa vivência, tive a oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos teóricos que adquiri ao longo da minha formação, enriquecendo minha compreensão sobre a interligação entre os processos neurológicos, cognitivos e educacionais. O estágio me proporcionou experiências diretas na avaliação e intervenção neuropsicopedagógica, permitindo que eu observasse e implementasse técnicas que favorecem o aprendizado e o desenvolvimento dos pacientes. A supervisão e o acompanhamento de casos clínicos ampliaram minha visão sobre as dificuldades de aprendizagem e os transtornos neurocognitivos, destacando a importância de uma abordagem interdisciplinar no cuidado dos indivíduos atendidos. Além disso, essa vivência contribuiu para o avanço das minhas competências técnicas e interpessoais, reforçando habilidades como escuta ativa, empatia e adaptação às diferentes necessidades e perfis. O intercâmbio com profissionais experientes e o contato com os pacientes solidificaram minha decisão de atuar nessa área, reafirmando a importância de um atendimento humanizado e personalizado na neuropsicopedagogia. Ao concluir este ciclo, expresso minha profunda gratidão à equipe da Clínica Martins Filho, que proporcionou um ambiente acolhedor e altamente instrutivo. Saio desta fase com mais confiança e preparo para enfrentar os desafios da minha carreira, trazendo não apenas conhecimentos técnicos, mas também experiências que fortaleceram minha formação e ampliaram minha perspectiva sobre a Neuropsicopedagogia. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOSSA, Nadia A.. A Psicopedagogia no Brasil: Contribuições a Partir da Prática . 2. ed. Porto Alegre: Wak Editora, 2000 . ______. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Wak Editora, 1994. SAMPAIO, Simaia. Manual prático do diagnóstico psicopedagógico clínico. 7. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2009. VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica: Epistemologia Convergente. Porto Alegre: Artes médicas, 1987. WEISS, Maria Lúcia. Psicopedagogia clinica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2003