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LÍ
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31
Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse
o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é
que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Expe-
rimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver.
Parece ácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é amiliar,
já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é
como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se
alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho,
você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um prossio-
nal que passou 32 anos a o pelo mesmo hall do prédio do seu
escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, omesmo porteiro.
Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma
correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de
falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não
azia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado,
o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse
uma giraa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém
desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a
voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E
vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos
e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver
pela primeira vez o que, de ato, ninguém vê. Há pai que nunca
viu o próprio lho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso
existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos.
É por aí que se instala no coração o monstro da indierença.
RESENDE, Otto Lara. Disponível em: http://www.releituras.com/olresende_
vista.asp Acesso em: 21 dez. 2010. (Adaptado)
“...e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência.”
“isso existe às pampas.”
Quais as locuções destacadas que encerram, respectivamente,
asmesmas circunstâncias das destacadas nos trechos transcri-
tos acima?
a) Aos poucos, ele ia percebendo que não precisavamais dela.
/ Nada emvolta causavamais surpresa.
b) Saiu às pressas porque tinha um compromisso. /De vez em
quando, é preciso repensar as estratégias.
c) Vá em frente que você encontrará o que procura. /Demodo
algum aceitarei a proposta feita pelomeu superior.
d) Em breve, estarei terminando de escrever minha biografia.
/ Trabalhou emexcesso para apresentar seu projeto final.
e) A notícia chegou de súbito causando, assim, um gran-
de impacto. / Hoje em dia, as pessoas pensam mais nelas
próprias.
Æ CRASE
115. (CESGRANRIO – 2018) De acordo com a norma-padrão, o
acento grave indicador da crase deve ser utilizado obrigatoria-
mente em
a) As emissões de gases do eeito estua têm ocasionado as
principaismudanças climáticas no planeta.
b) As pesquisas de opinião mostram que, para os brasileiros,
a mudança climática é maior ameaça a população do que a
violência urbana.
c) O aumento da temperatura do planeta é consequência de
ações humanas tomadas a partir da Revolução Industrial,
no século 18.
d) O Greenpeace trabalha para pressionar governos e empre-
sas a diminuir as emissões de gases de efeito estufa.
e) O aquecimento global pode levar o planeta a situações irre-
versíveis para a humanidade.
116. (CESGRANRIO–2012)A rase redigida de acordo comanor-
ma-padrão é:
a) O diretor pediu paramim fazer esse documento.
b) No almoço, vou pedir um bife amoda da casa.
c) A noite, costumo dar uma volta com omeu cachorrinho.
d) Não dirijo a palavra aquelas pessoas.
e) A prova consiste em duas páginas.
117. (CESGRANRIO – 2011)Em qual dos pares de frases abaixo o
a destacado deve apresentar acento grave indicativo da crase?
a) Sempre que possível não trabalhava a noite. / Não se referia
a pessoas que não participaram do seminário.
b) Não conte a ninguém que receberei um aumento salarial. /
Sua curiosidade aumentava amedida que lia o relatório.
c) Após o julgamento, ficaram rente a frente com o acusado. /
Seu comportamento descontrolado levou-o auma situação
irremediável.
d) O auditório IV fica, no segundo andar, a esquerda. / O bom
funcionário vive a espera de uma promoção.
e) Aja com cautela porque nem todos são iguais a você. / Por
recomendação do médico da empresa, caminhava da qua-
dra dois a dez.
Æ ACENTUAÇÃO
118. (CESGRANRIO – 2016)Texto
Do fogo às lâmpadas de LED
Ao longo de nossa evolução, desenvolvemos uma orma
muito eciente de detectar a luz: nosso olho. Esse órgão nos
permite enxergar ormas e cores de maneira ímpar. O que
denominamos luz no cotidiano é, de ato, uma onda eletro-
magnética que não é muito dierente, por exemplo, das ondas
de rádio ou micro-ondas, usadas em comunicação via celular,
ou dos raios X, empregados em exames médicos.
Para que pudesse enxergar seu caminho à noite, o homem
buscou o desenvolvimento de ontes de iluminação articial.
Os primeiros humanos recolhiam restos de queimadas natu-
rais, mantendo as chamas em ogueiras. Posteriormente, des-
cobriu-se que o ogo poderia ser produzido ao se atritarem
pedras ou madeiras, dando o primeiro passo rumo à tecnolo-
gia de iluminação articial.
A necessidade de transporte e manutenção do fogo levou
ao desenvolvimento de dispositivos de iluminação mais com-
pactos e de maior durabilidade. Assim, há cerca de 50 mil
anos, surgiram as primeiras lâmpadas a óleo, eitas a partir de
rochas e conchas, tendo, como pavio, bras vegetais que quei-
mavam em óleo animal ou vegetal. Mais tarde, a eciência des-
ses dispositivos oi aumentada, com o uso de óleo de tecidos
gordurosos de animais marinhos, como baleias e ocas.
As lâmpadas a óleo não eram adequadas para que áreas
maiores (ruas, praças etc.) ossem iluminadas, o que motivou
o surgimento das lâmpadas a gás obtido por meio da destila-
ção do carvão mineral. Esse gás poderia ser transportado por
tubulações ao local de consumo e inamado para produzir luz.
O domínio da tecnologia de geração de energia elétrica e
o entendimento de eeitos associados à passagem de corrente
elétrica emmateriais viabilizaram o desenvolvimento de novas
tecnologias de iluminação: lâmpadas incandescentes, com la-
mentos de bambu carbonizado, que garantem durabilidade de
cerca de 1,2 mil horas à sua lâmpada; e as lâmpadas halóge-
nas, com maior vida útil e luz com maior intensidade e mais
parecida com a luz solar.
AZEVEDO, E. R.; NUNES, L. A. O. Revista Ciência Hoje. Rio de Janeiro: Instituto
Ciência Hoje. n. 327, julho 2015, p. 38-40. Disponível em: . Acesso em: 4
ago. 2015. Adaptado.
Todas as palavras do grupo devem receber corretamente acen-
tuação gráfica em:

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