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MEDICINA VETERINÁRIA CLÍNICA MÉDICA E CIRÚRGICA DE EQUINOS Prof. Me. Gabriel Bottini PRINCIPAIS DOENÇAS DE POTROS PRINCIPAIS DOENÇAS DE POTROS - Neonatologia - Doenças sistêmicas graves: Isoeritrólise neonatal Sepse Rodococose Diarréia PREMATURIDADE TRANSMISSÃO IMUNIDADE PASSIVA MANEJO PREMATURIDADE (- 320 dias) TRANSMISSÃO IMUNIDADE PASSIVA MANEJO Cuidados com a égua Cura do umbigo Garantir mamar o colostro Higiene Gestação: 315 a 365 dias Características do potro prematuro (pré-termo) ou imaturo Colostro – IgG, IgA e IgM, 100% pós parto 3 a 24% ocorre falha da transmissão da imunidade CUIDADOS COM A ÉGUA Manejo alimentar e peso adequados. Manejo higiênico-sanitário. Vacinação e desverminação em dia. Avaliar também: - Saída do Canal Vaginal - Velocidade do parto. Se houve necessidade de ajuda. - Eliminação da placenta. - Produção, secreção e avaliação do colostro. Gestação: 315 a 365 dias (+ 330) O PARTO Falhas nos cuidados durante e após o parto são responsáveis por mais da metade das mortes de neonatos nos 2 primeiros dias de vida. HIPOTERMIA, HIPOGLICEMIA e ANORMALIDADES RELACIONADAS A DISTOCIA O NEONATO SADIO FC: 40 a 80 bpm - imediato ao parto 70 a 120 bpm - começa a se mexer. f: 20 a 40 mpm Temperatura retal: 37,2 a 38,8 ºC Reflexo de sucção: 30 minutos Ficar em estação: até 1 hora Mamar com vigor: até 2 horas Eliminar o mecônio: até 4 horas Urinar: até 12 horas CUIDADOS COM O NEONATO Ambiente limpo e seguro. Desobstrução das vias aéreas. Ruptura do cordão umbilical. Direcionar o sangue do cordão ao potro. Secagem e limpeza do potro. Cura do umbigo com Tintura de Iodo 5% (30 segundos, TID). O COLOSTRO Colostro - IgG, IgA e IgM, 100% pós parto. Dosagem de IgG sérico em 24 horas: 400 mg/dl transmissão satisfatória. 200 a 400 mg/dl transmissão parcial. - 200 mg/dl transmissão nula. * * Transfusão de Plasma. Em 3 a 24% dos nascimentos ocorre falha da transmissão da imunidade. TRANSMISSÃO da IMUNIDADE PASSIVA PREMATURIDADE Gestação: 315 a 365 dias (+ 330) Idade gestacional para determinar o grau de prematuridade dos órgãos Características do potro imaturo: Pulmões são os últimos a se desenvolverem: - ventilação e surfactante. Reflexos de mamar e deglutir ausentes ou fracos. Imaturidade de centros de controle cerebrais: - controle da temperatura corporal, dispneia e apneia, bradicardia O NEONATO PREMATURO ou IMATURO PREMATURIDADE O NEONATO IMATURO 500ml leite a cada 2 a 3 horas DESMAME Aos 6 MESES - Primeiramente introduzir gradativamente volumoso e depois a ração, para só depois desmamar. VACINA E VERMÍFUGO VACINAS: 1ª dose aos 3 meses e reforço após 30 dias Tétano, Influenza, Encefalomielite, Rinopneumonite e Raiva DESVERMINAÇÃO: 1ª dose 60 dias e reforço a cada 3 ou 4 meses. - Controle por coproparasitológico ou promover o rodízio de princípios ativos a cada 4 aplicações. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES NA CLÍNICA MÉDICA Farmacologia e Terapêutica de filhotes é distinta de adultos. - Elevado ganho de peso nas primeiras semanas. (recalcular as doses dos medicamentos) - Maior quantidade de fluido extracelular, como consequência, a concentração plasmática de certos fármacos pode não atingir níveis desejados. - A imaturidade do fígado e do intestino devem ser consideradas, quanto a metabolização e absorção de fármacos. (Microbiota intestinal incompetente, pH gástrico e duodenal e alta capacidade de absorção) “FILHOTES NÃO DEVEM SER MEDICADOS COMO ADULTOS PEQUENOS” DIARRÉIA em POTROS É o aumento na frequência de defecação, da fluidez das fezes, ou no volume do movimentos intestinais. Pode ser um sintoma de um problema intestinal primário ou uma resposta inespecífica à septicemia, toxemia, ou afecção de outro sistema do organismo. Diarréia do cio do potro Transitória e branca Causa desconhecida 5 e 14 dias de vida Diarréias bacterianas Clostridium perfingens Salmonella Escherichia coli DIARRÉIA Diarréia virais Rotavírus Coronavírus Adenovírus Diarréias por parasitas Nematóides - Strongyloides westeri e Strogylus vulgaris Protozoários – Crypitosporidium e Trichomonas Mais comuns Diarréias de origem bacteriana: surgimento agudo desconforto abdominal fezes aquosas e profusas Diarréias de origem parasitária: surgimento mais gradativo desconforto abdominal fezes aquosas e profusas DIARRÉIA CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DIAGNÓSTICO Identificação do vírus nas fezes (ELISA) Identificação da bactéria por cultura / antibiograma Identificação de parasitas por coproparasitológico DIARRÉIA TRATAMENTO Suporte Estimular a imunidade do potro - Ripercol 2 ml/VO/48h - Plasma hiperimune 10ml/kg IV Dor abdominal - Dipirona 25 mg/kg 2 a 4 vezes ao dia (IV ou IM) - Flunixin meglumine 0,5 mg/kg 1 vez ao dia (IV ou IM) - Cetoprofeno 2,2 mg/kg 1 vez ao dia (IV ou IM) DIARRÉIA TRATAMENTO Suporte: Desidratação Fluidoterapia Solução de Ringer com Lactato Reposição Sódio, Cloro e Potássio (% de desidratação x peso do animal) + perdas diárias 100 Ex: (10 x 45) + 3 = 450 + 3 = 4,5 + 3 = 7,5 Litros* 100 100 * Quantidade a ser administrada em 24 horas DIARRÉIA TRATAMENTO Antibióticos (Amplo espectro x específica) Antiparasitários Nematódeos - Ivermectina 0,02 mg/kg IM - Tiabendazol 440 mg/kg VO (2 dias) Protozoários - Metronidazol 5 mg/kg VO TID DIARRÉIA Cuidado! - Não usar drogas que interrompam o peristaltismo - Pode usar droga para diminuir o peristaltismo (xilazina ou escopolamina) TRATAMENTO Diminuir a secreção do cólon - caolin (30g) ou carvão ativado (50g) Reposição da microbiota intestinal - Saccharomyces DIARRÉIA PROGNÓSTICO Desfavorável se não for instituído tratamento precoce Diarreia mata! DIARRÉIA RODOCOCOSE RHODOCOCCUS EQUI MICOBACTÉRIA AERÓBIA GRAM-POSITIVA CRESCIMENTO A 30ºC FEZES E SOLO SECO TRATO RESPIRATÓRIO E DIGESTÓRIO BRONCOPNEUMONIA SUPURATIVA / PLEURITE DIARRÉIA ARTRITE PERITONITE RODOCOCOSE DIAGNÓSTICO - SINTOMAS - ASPIRADO TRANSTRAQUEAL e ARTICULARES (CULTURA / CITOLOGIA / COLORAÇÃO DE GRAM) RODOCOCOSE TRATAMENTO Suporte Fluidoterapia, oxigenação, febre, nutrição Antibióticos - RIFAMPICINA 10 mg/kg a cada 24 horas (VO) - ERITROMICINA 25 mg/kg a cada 6 ou 8 horas (VO) AZITROMICINA 10 mg/kg a cada 24 horas (VO) 5 dias e depois a cada 48 horas ou CLARITROMICINA 7,5 mg/kg a cada 12 horas (VO) RODOCOCOSE PROGNÓSTICO - Reservado PREVENÇÃO - Isolamento dos doentes - Descarte adequado das fezes RODOCOCOSE SEPSE Doença sistêmica causada pela disseminação hematógena de microorganismos. Maior causa de óbitos até 7 dias de vida. Requer cuidados hospitalares. Gram-negativos Escherichia coli, Salmonella spp, Klebsiela Gram-positivos Streptococcus spp, Staphylococcus aureus, Clostridium spp SEPSE Características do potro septicêmico Estado mental Deprimido Reflexo de sucção Provavelmente ausente Disposição para se levantar Deprimida Temperatura Alta, normal, baixa FC e FR Elevadas *Primeiro sinal pode ser a distensão do úbere da égua **Proprietário relata claudicação SINAIS CLÍNICOS Depressão leve a moribundo. Dorme mais que o normal Envolvimento sistêmico múltiplo Artrite séptica Taquicardia e taquipneia - hipovolemia e hipoperfusão Auscultação pulmonar - creptação Distensão abdominal sem demonstração evidente de dor SEPSE Laboratório e Diagnóstico Isolamento da bactéria no sangue Dosar níveis de IgG (ELISA) Glicemia Uréia e creatinina Gasometria - Acidose metabólica e respiratória AST e CK aumentadas - decúbito prolongado Enzimas hepáticas elevadas- hepatite Hemograma variável e inespecífico Fibrinogênio aumentado SEPSE Cuidados com o potro septicêmico Colocação do cateter de longa duração de forma antisséptica Mudar o lado do decúbito frequentemente Monitoramento da função respiratória Fornecer leite a cada 2h ou por gotejamento via sonda Aquecimento corpóreo SEPSE Tratamento Suporte Antibioticoterapia (amplo espectro x específica) SEPSE Tratamento Febre - aumentar oxigenioterapia Hipotermia - aquecer o soro (cuidado com aquecimento da pele, - sangue nos órgãos) Fluidoterapia reposição volêmica e da glicemia e de eletróitos Solução fisiológica 0,45% + 5% glicose (início) - Choque: Solução fisiológica 7% (2 a 5ml/kg) seguido de 30 a 40ml/kg/hora solução isotônica SEPSE Tratamento Critérios para determinar a Terapia Antibiótica 1) Gram-negativos e Gram-positivos 2) Bactericida e não bacteriostático 3) Penetrar nos tecido de preocupação primária Deve atingir os padrões de isolados bacterianos da região SEPSE TRATAMENTO Terapia antibiótica Amicacina (-) 4 a 8 mg/kg a cada 8 ou 12 horas (IV) Penicilina G sódica (+) 15.000 a 30.000 UI/kg a cada 6 horas (IV) ou Penicilina G procaína (+) 25.000 UI/kg a cada 24 horas (IM) ou Ceftiofur sódico (+ e -) 4,4 a 10 mg/kg a cada 6 ou 12 horas (IM) Metronidazol (anaeróbicos) 15 a 25 mg/kg a cada 12 horas (VO) SEPSE Tratamento AINEs Flunixin meglumine 0,5 mg/kg a cada 24 horas (IV ou IM) Anticonvulsivante Diazepan 0,1 a 0,4 mg/kg (IV) Sedativo Xilazina 1,1 mg/kg (IV ou IM) Reforço imunológico Plasma hiperimune 10 ml/kg (IV) Corticóides Uso ou não uso? SEPSE PROGNÓSTICO - Reservado a desfavorável - Bom, se tratado no início SEPSE SINONÍMIA Anemia hemolítica do recém-nascido DEFINIÇÃO É uma incompatibilidade entre os grupos sanguíneos da mãe e do filhote, resultando em uma reação de hipersensibilidade tipo II. A incompatibilidade ocasiona a produção de anticorpos maternos que atuam destruindo as hemácias do filhote. ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA OCORRÊNCIA Acomete 1 a 2% dos potros neonatos. ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA É mais comum acontecer em éguas que já tenham parido alguma vez, mas também pode ocorrer em mães de primeira viagem caso ela tenha recebido uma transfusão anteriormente ou que desenvolveu alguma anormalidade placentária no início da gestação que permita a entrada de hemácias fetais na circulação materna. A placenta dos equinos é chamada de epiteliocorial que consiste numa placenta repleta de camadas, dificultando assim, o contato do sangue materno com o do feto e por isso o primeiro contato do filhote com o sistema imune da mãe ocorre quando o animal ingere o colostro do leite. ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA Nos equinos existem mais de trinta antígenos de tipos sanguíneos, agrupados em 7 sistemas (A, C, D, K, P, Q e U), mas a maioria dos casos da doença estão ligados contra os antígenos Aa e Qa. ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA Os anticorpos que são contra Aa é que causam maior gravidade da doença, já os que são contra Qa provocarão um quadro "mais leve." Aparecem de 2 – 24 horas após a ingestão do colostro, ocasionando um quadro de anemia e hipóxia sistêmica, geralmente fatal. SINAIS CLÍNICOS ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA é necessário que o animal pare de ingerir o colostro da mãe nas primeiras 48 horas Fluidoterapia antibioticoterapia transfusão TRATAMENTO se ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA Teste de Coleta o sangue do potro com anticoagulante e o colostro da égua, onde ele será diluido na salina e o sangue adicionado uma gota em cada tubo. Os tubos serão centrifugados e onde ocorrer aglutinação o teste é considerado positivo. DIAGNÓSTICO ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA Hemorragia, alterações hereditárias, sepse, babesiose, hemólise por DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA PROGNÓSTICO Ruim A tipagem sanguínea é a melhor maneira de prevenir reações de incompatibilidade sanguínea, já que determina o tipo de antígeno que existe na membrana dos eritrócitos. Pode ser realizada por meio de antissoros monoclonais ou policlonais. Impedir que as éguas com os anticorpos Aa e Qa amamentem seus filhotes. Evitar vacinas desenvolvidas com sangue total ou partes celulares. PREVENÇÃO: ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA DÚVIDAS?