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Doença Renal Crônica Critérios diagnósticos para DRC (presentes por período> 3 meses): A DRC é classificada conforme a TFG e a albuminúria, com aumento do risco de progressão da doença de acordo com o declínio da TFG e aumento da albuminúria. Isso é muito usado na prática clínica, uma vez que a proteinúria é o principal fator de risco relacionado à progressão da drc. Essa classificação nos ajuda a guiar estratégias terapêuticas, pois, em estágios mais precoces foca-se em medidas preventivas para atenuar a progressão e, em estágios mais avançados, o enfoque é no controle de sintomas e preparo para a terapia renal substituitiva. DEFINIÇÃO: A doença renal crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal, por meio da substituição do parênquima renal normal por tecido de fibrose e que tem como consequência a ocorrência de distúrbios metabólicos, hidroeletrolíticos e sinais de sobrecarga volêmica. A DRC é definida pela presença de alteração na taxa de filtração glomerular 3 meses. 1. Redução da TFG: Presença de alteração estrutural 2. TFGda disfunção renal. HIPERTENSÃO ARTERIAL COMO CAUSA DE DRC: A PA elevada é é transmitida aos glomérulos e provoca hipertensão glomerular o que contribui para acelerar o dano renal. A exposição prolongada a altos níveis pressóricos promove alterações dos vasos sanguíneos: hipertrofia da camada média arterial, associada à fibrose intimal, com estreitamento da luz do vaso e redução do suprimento sanguíneo aos órgãos, ou seja, uma lesão isquêmica. → Há evidência de uma doença de longa data (em geral >10 anos) e com difícil controle pressórico, o que se traduz por PA elevada ou controlada com uso de mais ou 3 classes de anti-hipertensivos. DRC COMO CAUSA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL: Isso pode ocorrer por meio de diversos mecanismos, como a redução da massa total de néfrons, aumento da retenção de sódio e água (sobrecarga hidrossalina), hiperatividade do sistema nervoso simpático, disfunção endotelial e ativação do sistema renina-angiotensina aldosterona (SRAA). A HAS causa lesões em outros órgãos, por isso deve-se fazer exames complementares para auxiliar o diagnóstico. Faz parte do rastreamento os seguintes exames: DIABETES MELLITUS Na DM, o o descontrole glicêmico provoca dano endotelial que culmina com lesão de pequenos vasos, como os capilares renais e retinianos. No rim, o primeiro fator é a alteração da hemodinâmica renal, com vasodilatação acentuada da arteríola aferente, o que contribui para o aumento do fluxo sanguíneo e para a hiperfiltração glomerular. Além disso, a hiperglicemia estimula a liberação de fatores de crescimento, que produzem aumento da matriz mesangial dos glomérulos, contribuindo para a glomerulomegalia (aumento do tamanho dos glomérulos) e aumento do tamanho renal —um fato importante é que os rins de pacientes diabéticos podem não atrofiar na presença de falência renal e permanecerem de tamanho normal ou aumentado. A presença de e albuminúria é o primeiro evento que ocorre. A hiperfiltração é o evento mais marcante da nefropatia diabética inicial, quando ainda não há alteração na taxa de filtração glomerular (o paciente apresenta creatinina normal) e traduz-se na perda de proteínas, detectada na albuminúria. Com a evolução da doença, há o aumento do nível sérico de creatinina e a perda de proteínas intensifica-se, com uma proteinúria que pode chegar a níveis nefróticos (> 3,5g/24horas). A PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO CLÍNICA É A ALBUMINÚRIA. As manifestações renais traduzem-se pela redução da taxa de filtração glomerular associada a exame de urina com proteinúria ausente ou subnefrótica (na faixa de 0,5-2g/24horas). O restante do exame de urina é negativo: sem leucocitúria ou hematúria. Na macroscopia, a imagem renal é de rins reduzidos de tamanho (devido a isquemia prolongada) com sinais de cronicidade. Fundo de olho para investigar retinopatia hipertensiva. Eletrocardiograma para investigar sobrecarga ventricular esquerda. Ecocardiograma para investigar hipertrofia de ventrículo esquerdo. Em geral, os pacientes possuem doença de longa data (usualmente, ≥ 10 anos), associada a mau controle glicêmico (comumente, pacientes insulinodependentes e com níveis aumentados de hemoglobina glicada, glicemia de jejum e glicosúria). As manifestações renais possuem uma história natural bem definida, como vimos anteriormente: hiperfiltração > albuminúria > redução da taxa de filtração glomerular > preparação para terapia renal substitutiva; → . A hematúria dismórfica em pequena quantidade pode coexistir nos casos de nefropatia diabética. A imagem mostra rins de tamanho normal, com os sinais de cronicidade (hiperecogenicidade e redução da espessura cortical). Como a DM atinge outros órgão deve-se realizar busca por lesões de outros órgãos-alvo. Os principais achados são retinopatia diabética e neuropatia diabética. Ou seja, , na investigação etiológica de um paciente com nefropatia diabética, sempre solicitar fundo de olho e pesquisar sintomas de disautonomia, como hipotensão postural e perda de sensibilidade em extremidade. As principais características que levantam a suspeita de doença renal não diabética são as seguintes: Quando essas características estão presentes, ainda mais se associadas a curto tempo de doença e à ausência de retinopatia ou neuropatia, devemos investigar outras etiologias para a disfunção renal, além da nefropatia diabética. O método padrão-ouro para identificar as alterações renais é a realização de biópsia renal: o exame histopatológico direto consegue diferenciar qual é a doença primária que está lesando o rim! Como realizar o diagnóstico de nefropatia diabética? O diagnóstico é realizado diante e de alteração na taxa de filtração glomerular 30% da TFG dentro de 2-3 meses da introdução de inibidores da enzima conversora de angiotensina (iECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA). GLOMERULONEFRITE CRÔNICA As doenças glomerulares são doenças primárias renais que cursam com alterações do sedimento urinário e são frequentes em crianças e adultos jovens.O mecanismo de perda de função renal é a lesão direta dos próprios componentes do parênquima renal, principalmente o glomérulo. As principais alterações são identificadas no exame de urina: leucocitúria com urocultura negativa, hematúria com dismorfismo eritrocitário positivo e proteinúria, a qual pode se apresentar em níveis nefróticos (> 3,5g/24 horas) ou subnefróticos (entre 0,5-3,5g/24 horas). → As glomerulonefrites crônicas são decorrentes de síndromes glomerulares que foram ativas no passado e levaram à perda de função renal. As dicas são as alterações urinárias que vimos acima, associadas ou não a diagnóstico prévio de síndrome glomerular. DOENÇA RENAL POLICÍSTICA A doença renal policística (DRPAD-Doença renal policística autossômica dominante) é a doença renal monogênica mais comum.m. O padrão de herança é a transmissão autossômica dominante, por isso o componente familiar é muito importante nesses casos — a suspeita é realizada pela forte história familiar de DRC com necessidade de diálise ou transplante renal. Dessa forma, em geral acomete indivíduos desde a idade jovem, mas evolui com queda da taxa de filtração glomerular por volta da 4ª a 6ª décadas de vida. A principal manifestação é o aumento do tamanho renal às custas de grande quantidade de cistos, bilateralmente. É sempre necessária a realização de exame de imagem que mostre essas alterações — o exame de triagem é um ultrassom de rins e vias urinárias, e o acompanhamento é idealmente realizado com (RM).- QUADRO CLÍNICO DA DRPAD: 15-39 anos: ≥ 3 cistos uni ou bilateralmente. 40-59 anos: ≥ 2 cistos bilateralmente. ≥ 60 anos: ≥ 4 cistos bilateralmente 1. HAS: É a mais comum e o principal fator de progressão da DRC, sendo preconizado o uso de bloqueadores do SRAA — inibidores da enzima conversora de angiotensina ou bloqueadores do receptor de angiotensina. 2. Hiperfiltração e redução da capacidade de concentração urinária: poliúria e noctúria. 3. Maior ocorrência de nefrolitíase: Devido à estase urinária por anormalidades anatômicas e pH urinário baixo, temos s maior formação de cálculos, principalmente de ácido úrico e oxalato de cálcio. O ideal para diagnóstico é TC. 4. Complicaçõesdos cistos: Hematúria pelo rompimento de cistos ou infecções de cistos. Não há maior incidência de tumores renais nessa população. 5. Manifestações extrarrenais: presença de múltiplos cistos hepáticos, maior r incidência de aneurismas intracranianos do que na população geral, ocorrência de prolapso de valva mitral, divertículos colônicos e cistos pancreáticos. As principais complicações são a anemia, a doença mineral óssea e a síndrome urêmica. Anemia A anemia na DRC é multifatorial e bastante prevalente, podendo iniciar a partir do estágio 3 da DRC. Ela decorre tanto da redução da a sobrevida das hemácias quanto da queda da taxa de produção delas → o fator mais importante é a deficiência relativa de eritropoetina (EPO), a qual é produzida no parênquima renal. Dessa forma, à medida que essas células são substituídas por tecido de fibrose com a evolução da DRC, há menor produção de EPO e menor estímulo para a formação de hemácias. Outra condição relevante é a deficiência de ferro , a qual pode ocorrer por perdas (via TGI e por retenção no sistema de hemodiálise) ou redução da absorção intestinal. Complicações Como o paciente renal crônico é naturalmente inflamado pela uremia, há estímulo para a produção da hepcidina pelo fígado. A hepcidina é um peptídeo que se liga à ferroportina, proteína que permite a saída do ferro do meio intracelular (onde ele encontra-se armazenado na forma de ferritina) para ser utilizado na fabricação de eritrócitos. A ligação da hepcidina com a ferroportina impede essa saída, dificultando a utilização dos estoques de ferro. Esse fenômeno possui duas consequências: inibe a absorção do ferro no trato gastrointestinal e a liberação do ferro intracelular para ser utilizado como matéria-prima para a fabricação de novas hemácias → Com o aumento do ferro intracelular, há aumento dos níveis de ferritina, mesmo com deficiência relativa de ferro (não pode ser usado para fabricar novas hemácias). → Como a ferritina é uma proteína de fase aguda, ela também está elevada pela inflamação característica do ambiente urêmico. No entanto, como não há ferro disponível na circulação sanguínea, o índice de saturação de transferrina é baixo. → A deficiência de ácido fólico e de vitamina B12 também podem contribuir para a anemia na DRC. Na DRC, a anemia é tipicamente normocrômica e normocítica isolada, isso é, sem leucopenia ou plaquetopenia e pode iniciar a partir de uma taxa de filtração glomerular 20%; Ferritina > 100 ng/mL (pacientes em tratamento conservador ou diálise peritoneal) ou > 200 ng/mL (para paciente em hemodiálise). Hiperparatireoidismo secundário ou terciário: caracterizado por um PTH elevado e alto turn over ósseo – a manifestação anatomopatológica é a osteíte fibrosa; Doença óssea adinâmica e osteomalácia: Caracterizada por PTH baixo e baixo turn over ósseo. Doença mista: Com características de ambos os processos. processo. A deficiência de vitamina D ativada provoca menor absorção de cálcio e fósforo no intestino, o que contribui com a hipocalcemia. Em conjunto, a hiperfosfatemia, a hipocalcemia e a hipovitaminose D são gatilhos para aumentar a a produção e secreção de PTH pelas glândulas paratireoides, que com o passar do tempo leva ao hiperparatireoidismo (HPT). → Por outro lado, o tratamento excessivo com uso de múltiplas drogas e reposição de cálcio pode levar a outro espectro da DMO-DRC, a doença óssea adinâmica, caracterizada por baixos níveis séricos de PTH. A principal medida é reduzir a ingesta de fósforo na dieta, através da limitação da ingestão de proteínas e produtos ultraprocessados. Em segundo lugar, pode-se tentar r reduzir sua absorção intestinal através do uso de quelantes de fósforo durante as refeições (carbonato ou acetato de cálcio e o sevelamer). Para aumentar a biodisponibilidade da vitamina D, devemos repor a mesma com objetivo de níveis >30ng/mL. Em estágios avançados da DRC, podemos utilizar os ativadores do receptor de vitamina D – o calcitriol e o paricalcitol – ou calcimiméticos, como o cinacalcete, que auxiliam no controle da doença. Casos refratários em que não houve resposta à terapia medicamentosa possuem indicação de tratamento cirúrgico, com remoção das glândulas através de paratireoidectomia. Obs: Os tratamentos são gradativos em um primeiro momento, com associação das medidas. A longo prazo atuam de maneira concomitante. Síndrome urêmica É secundária ao acúmulo de toxinas urêmicas que alteram todo o metablismo celular. Os sintomas gerais incluem: cansaço, fraqueza, inapetência, soluços, náuseas e vômitos. Como são sintomas inespecíficos, nem sempre chamam a atenção para ocorrência de DRC. Outros mais específicos incluem o risco de sangramentos volumosos, pericardite urêmica e alterações neurológicas (encefalopatia urêmica, variando desde alteração do ciclo sono-vigília e tremor de extremidades até quadros graves, como coma ou convulsões). A pericardite urêmica é rara, mas potencialmente fatal, sendo indicação de diálise de urgênica em pacientes sintomáticos. Cursa com dor torácica pleurítica ventilatório-dependente (com irradiação para pescoço e trapézio) e presença de atrito pericárdico. A característica de piorar com o decúbito dorsal e melhorar na posição sentada ou na posição genupeitoral não é tão comum nos pacientes portadores de pericardite urêmica -mais comum em outras formas de pericardite. → Padrão eletrocardiográfico: Elevação do segmento ST em diversas variações e que não respeita território de irrigação coronariana. Infradesnivelamento do segmento PR. O tratamento é a prescrição de hemodiálise. Em casos de sintomas graves (e por isso fique atento aos sintomas de encefalopatia avançada, sangramentos volumosos e pericardite) em pacientes com DRC avançada (lembre-se: a palavra crônica denota irreversibilidade da disfunção renal), a terapia efetiva para uremia é o início de diálise. Outras: 3.Dislipidemia: São comuns na DRC e existe uma associação a desfechos negativos, tanto com níveis aumentados de colesterol, favorecendo formação de placas de ateroma, quanto com níveis mais baixos, refletindo um estado nutricional inadequado. O ambiente urêmico e inflamatório da DRC provoca alterações no perfil lipídico que incluem aumento dos níveis de triglicérides e de colesterol total, redução do HDL e, mais tardiamente, aumento do LDL. O manejo inclui mudanças no estilo de vida, estatinas em associação ou não com ezetimiba. No paciente renal crônico, a combinaçãode estatinas e fibrato é contraindicada se houver disfunção renal avançada. 4.Deficit de crescimento: Comuns em crianças portadoras de DRC por diversos motivos: suporte nutricional inadequado, acidose metabólica, doença mineral e óssea e insensibilidade à ação do hormônio do crescimento (GH). Na DRC há resistência ao GH circulante e pela menor atividade do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), que é o principal mediador do metabolismo e ação do GH. No entanto, essa ação é relativa, pois crianças com deficit persistente do crescimento podem ser tratadas com reposição hormonal de GH recombinante, como terapia para melhorar a estatura. Tratamento MANEJO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL O manejo pressórico é um dos principais pilares do manejo da DRC e da prevenção de doença cardiovascular. O alvo indicado para pacientes portadores de DRC é: 1. Coagulopatia: Pacientes com DRC tem maior risco de sangramento devido à disfunção plaquetária, que leva à redução da aderência das plaquetas ao endotélio vascular e ao prejuízo da hemostasia. Essa discrasia sanguínea não se reflete em prolongamento do tempo de protrombina ou no tempo de tromboplastina parcial ativada e, habitualmente, o número de plaquetas encontra-se normal ou discretamente reduzido. 2. Doença cardiovascular: É é muito prevalente em pacientes portadores de DRC e é a principal causa de mortalidade nessa população! E o contrário também é verdadeiro: a DRC aumenta o risco de DCV em todos os seus estágios, sendo maior o risco à medida que a taxa de filtração glomerular decai. Isso ocorre pela presença de fatores de risco tradicionais e não tradicionais que aumentam o risco de eventos cardiovasculares isquêmicos, , maior incidência de insuficiência cardíaca e predisposição a arritmias. → PA 30 mL/min/1.73m2 . OBS sobre inibidores de ECA ou BRA: → O uso combinado de iECA e BRA não mostrou maior benefício em reduzir progressão de DRC ou melhora de desfechos cardiovasculares - apenas aumentou os efeitos colaterais – assim, essas drogas não devem ser prescritas em conjunto. Bem como inibidores diretos da renina que não podem ser usados em conjunto ao iECA ou BRA. → Essas medicações inibem o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e promovem vasodilatação da arteríola eferente, assim há maior facillidade para o sangue sair dos glomérulos, aliviando a pressão retrógrada, consequentemente reduzindo a pressão de filtração e a perda de proteínas na urina, ou seja possuem efeito antiproteinúrico. → Essas medicações promovem alteração hemodinâmica renal que podem causar aumento dos valores de creatinina em até 30%, - valores acima desse percentual podem sugerir estenose de artéria renal! → Outro efeito colateral da inibição do SRAA é a hipercalemia. A aldosterona promove a reabsorção de sódio em troca de íon potássio ou hidrogênio. Quando há inibição da produção de aldosterona pelo uso de iECA ou BRA, há menor Redução da ingesta de sal 1,3 g/kg/dia) em pacientes com risco de progressão Alvo glicêmico Hemoglobina glicada ao redor de 7%. Níveis mais altos podem ser tolerados em pacientes com alto risco de hipoglicemia, múltiplas comorbidades ou expectativa de vida limitada Controle da acidose Pode-se e prescrever suplementação de bicarbonato com objetivo de manter bicarbonato sérico ≥ 22 mmoL/L Mudanças no estilo de vida Realização o de atividades físicas, cessação do tabagismo e controle do peso para manter o índice de massa corpórea dentro da normalidade Evitar Uso de medicações nefrotóxicas e corrigir a dosagem de medicações de acordo com a taxa de filtração glomerular.