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1 APS Medicina da Família e Comunidade Conceito: Princípios É um clínico qualificado, possui competência em método clínico centrado na pessoa e medicina baseada em evidências A atuação é influenciada pela comunidade em que está inserido Estima-se que devam ser atendidos de 1800 a 2200 pessoas por um médico com 40h semanais A relação médico-pessoa é fundamental para o desempenho do médico de família e comunidade. Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) É uma sistematização da abordagem centrada na pessoa que tem como objetivo estabelecer uma boa relação médico-paciente. Possui 4 componentes interativos: 1. Explorando a saúde, a doença e a experiência com a doença: Entender as percepções e experiências do paciente quanto a saúde; histório médico, exame físico e exames complementares. 2. Entendendo a pessoa como um todo: Compreendendo a pessoa, o contexto próximo (família, trabalho e apoio social) e o contexto amplo (cultura, comunidade e ecossistema) 3. Elaborando um plano conjunto de manejo de problemas: Envolve listar problemas e prioridades, metas de tratamento e estabelecer papéis da pessoa e do médico. 4. Intensificando a relação entre a pessoa e o médico Demonstrar compaixão, empatia, esperança e sabedoria prática, transferência e contratransferência. Doença x Moléstia (Illness x disease) Doença: processo explicável a partir da fisiopatologia, dos sinais e sintomas clínicos e exames complementares, com base em anomalias estruturais, que definem alterações orgânicas funcionais e que se expressam de maneira similar independentemente de cada indivíduo. Especialidade médica que presta assistência à saúde de forma continuada, integral e abrangente para pessoas, suas famílias e a comunidade; integra ciências biológicas, clínicas e comportamentais; abrange todas as idades, ambos os sexos, cada sistema orgânico e cada doença; trabalha com sinais, sintomas e problemas de saúde; e proporciona o contato das pessoas com o médico mesmo antes que exista uma situação de doença ou depois que esta se resolva. Também tem, como característica especial, o acesso do médico de família e comunidade ao domicílio das pessoas. 2 APS Moléstia/adoecimento: experiência subjetiva que vive cada pessoa ao adoecer ou sentir-se mal por qualquer motivo, sendo expressas de forma única por cada pessoa de acordo com seu histórico de vida. É função do médico de família e comunidade ser o primeiro contato do paciente, entender o contexto acerca de seu problema e participar do processo de resolução da situação. Abordagem familiar A família pode atuar como origem ou perpetuadora da crise, bem como servir para ajudar na resolução do conflito. As organizações familiares podem ser definidas como: Família nuclear, conjugal ou elementar: pai, mãe e filhos que moram na mesma casa Família composta: conjunto de cônjuges e de seus filhos na sociedade poligâmica, podendo ocorrer a poliginia (homem com mais de uma esposa) ou a poliandria (mulher com vários maridos) Família extensa: rede familiar ao longo de pelo menos 3 gerações Ferramentas para abordagem familiar: ciclo de vida familiar, genograma, ecomapa, P.R.A.C.T.I.C.E., F.I.R.O. e A.P.G.A.R. familiar. ➔ Ciclo de vida familiar Todas as famílias passam por diferentes fases ao longo da existência e os momentos de transição costuam representar os tempos de maior vulnerabilidade. Ciclo de vida da classe média: 1. Jovens solteiros: momento inicial da vida adulta que os jovens saem de casa e passam a assumir responsabilidades 2. Novo casal: jovens se unem formando novos casais/famílias 3. Família com filhos pequenos: ajustar a realidade do casal e união em torno da educação das crianças 4. Família com adolescentes: momento de reconhecer o início da independência dos filhos e lidar com a fragilidades dos avós 5. Filhos saindo de casa: “ninho vazio” → filhos indo começar o próprio ciclo fora de casa. O casal tem que reiventar-se apenas os dois 6. Estágio tardio da vida: os idosos passam a ter menor controle e a geração do meio (filhos) passa a ter papel central. São frequentes as perdas nesse período. Ciclo de vida da classe popular As etapas aqui são marcadas por um ambiente de limitações financeiras e educacionais. 1. Adolescente e jovem adulto solteiro: a transição entre a adolescência e a idade adulta são mal delimitadas 2. Família com filhos: a geração de filhos é o primeiro momento da formação da nova família e não o casamento. 3. Famílias no estágio tardio: convivem três ou quatro gerações, o que ocorre devido à concepção precoce e o baixo nível educacional, que não permite a independência dos membros ➔ A.P.G.A.R familiar Trata-se de um questionário que pode ser autoaplicado pela família e que reflete a satisfação de cada membro da família. 3 APS Significa: Adaptation (adaptação), Partnership (participação), Growth (crescimento), Affection (afeição) e Resolve (resolução). ➔ Genograma Ferramento que utiliza símbolos para fornecer uma visão ampla do contexto familiar, incluindo aspectos hereditário, de doenças, relacionamentos e hábitos de vida. Obrigatório ter no mínimo 3 gerações, obedecer a cronologia de idade dos mais velhos para os mais novos (da esquerda para a direita); iniciar com a representação do casal e seus filhos; O genograma está indicado em situações que apresentem: sintomas inespecíficos, utilização excessiva dos serviços de saúde, doenças crônicas, isolamento, problemas emocionais graves, situações de risco familiar (violência doméstica, drogadição) e mudanças no ciclo de vida. Seu valor é diagnóstico e terapêutico. ➔ Ecomapa Expressa a relação da pessoa com o meio em que ela vive, sendo a rede social da pessoa ou da família. 4 APS Note que as linhas espessas se relacionam a ligações mais fortes que as linhas finas; sobre as setas, quanto mais longas, indicam que há uma maior dedicação rumo a quem está sendo apontado. ➔ P.R.A.C.T.I.C.E Auxilia o médico na estruturação do seu atendimento as famílias e na avaliação do seu funcionamento. 5 APS E o médico do postinho fez residência médica? IDEALMENTE? SIM. Residência é o padrão-ouro para tornar-se especialista. E quem é o especialista ideal para trabalhar na APS? O MFC. Por quê? Porque apesar de parecer "fácil” é extremamente complexo ofertar cuidados primários dos recém nascidos aos idosos, sem descriminação por órgãos e/ou sistemas. Programas de Provimento Médico no Brasil A Atenção Básica é a porta de entrada preferencial do SUS, organizada pelo modelo Estratégia Saúde da Família, com isso de 2011 a 2014 foram criadas uma série de medidas que reforçam o papel central dessa instituição. Dentre essas medidas, em 2012, foi criado o Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica (PROVAB) para tentar aumentar o número de médicos na AB, no entanto ainda foi insuficiente. Mesmo com essas medidas, ainda não teve um volume e abrangência de médicos para resolver o problema. Logo, em 2013, após inúmeras manifestações o governo criou o Programa mais médicos. Programa Mais Médicos Lançado em 2013, tendo como objetivo diminuir a carência de médicos nas regiões prioritárias para o SUS, diminuindo assim as desigualdades regionais na saúde. Apresentou o intercâmbio de médicos com a finalidade de atuarem na atenção básica. Isso ocasionou a vinda de muitos profissionais de Cuba, tendo como grande polêmica a dispensa da revalidação do diploma e da inscrição no CRM. Podiam participar do Mais Médicos: • Médicos graduado no Brasil, ou revalidados • Médicos graduados no exterior, por meio de intercâmbio médico internacional Tendo a seguinte prioridade: 1. Médicos formados em instituições brasileiras ou com diploma revalidado no país. 2. Médicosbrasileiros formados em instituições estrangeiras com habilitação para exercício da Medicina no exterior. 3. Médicos estrangeiros com habilitação para exercício da medicina no exterior. 6 APS Esse programa é constituído por 3 eixos: o eixo de Provimento Emergencial de médicos, o eixo de Investimento na Infraestrutura da rede de serviços da AB e o eixo Educacional, relacionado à formação médica no Brasil. ➔ Provimento emergencial Recrutar e alocar profissionais para a AB, disponibilizar aos participantes um conjunto de incentivos educacionais, monetários e formativos → para distribuir melhor a proporção de médicos Treinamento em serviço Curso de especialização e supervisão (um tutor para cada 10 médicos, vinculados a um supervisor de 1ES) Pontuação adicional na nota de exames de residência médica, entre outros A meta do Brasil era ter 2,7 médicos para cada 1000 habitantes; ➔ Infraestrutura Em 5 anos: dotar as UBS com qualidade de equipamentos e infraestrutura, a serem definidas nos planos plurianuais (de cada prefeitura, construindo com o conselho municipal de saúde) Alta rotatividade de médicos nas equipes de Saúde da Família (um dos maiores problemas) Articulado a um programa que já existia de melhoria das unidades: o Requalifica UBS ➔ Educação Esse eixo corresponde a um conjunto de medidas estruturantes de médio e longo prazo que visam intervir na formação médica e solucionar o problema da insuficiência de médicos nos serviços de saúde brasileiros. expansão de vagas de graduação em Medicina e a universalização da Residência Médica formação baseada em novas diretrizes, instrumentos e metodologias a fim de diplomar profissionais mais capacitados para a AB → determinava que no mínimo 30% do internato deveria ocorrer na atenção básica e em serviços de urgência e emergência do SUS; A Lei nº 12.871 determinou a universalização da Residência Médica (houvesse o mesmo número de vagas de Residência Médica de acesso direto que o número de egressos em Medicina) e alterou as especialidades que são de acesso direto (Genética Médica; Medicina do Tráfego; Medicina do Trabalho; Medicina Esportiva; Medicina Física e Reabilitação; Medicina Legal; Medicina Nuclear; Patologia; Radioterapia). Alteração das especialidades de acesso direto (Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral, Medicina Preventiva e Social e Psiquiatria) deveriam ter pelo menos um ano de formação em MFC - o que nunca chegou a acontecer, sendo revogado; Acordo OPAS-Cuba O médico intercambista poderia exercer a medicina por 3 anos e depois teria a dispensa de revalidação do diploma; recebendo um número de registro único do ministério da saúde para atuar somente no programa Mais Médicos. 7 APS Fim do Programa → Novembro de 2018: Cuba anunciou sua retirada do programa, com retorno de 8000 cubanos (denúncias, problemas com os pagamentos das bolsas) → Até março de 2019: Brasileiros e estrangeiros com CRM ocuparam todas as 8.517 vagas do Programa Mais Médicos aberto com a saída dos médicos cubanos → Março de 2019: Brasileiros formados no exterior iniciaram as atividades preenchendo vagas → 2021: Abertura de novos ciclos → Esse programa chegou a contar com mais de 15mil médicos em todo o país, tendo como atrativo o bônus de 10% a mais em provas de residência. Programa Médicos pelo Brasil Criado em 2019, após atritos políticos que motivaram a saída de grande parte dos cubanos, sendo substituído de forma gradual o Mais Médicos pelo Médicos pelo Brasil. Apesar dos atritos, o Mais Médicos diminuiu a escassez de médicos em áreas mais precárias, tendo impacto positivo em indicadores de saúde e satisfação de usuários. Tem como objetivo: “incrementar a prestação de serviços médicos em locais de difícil provimento ou de alta vulnerabilidade e de fomentar a formação de médicos especialistas em medicina de família e comunidade, no âmbito da atenção primária à saúde no SUS”. Diferentemente do Mais Médicos, não prevê bônus nas provas de residência. Esse programa prevê que os médicos serão contratados por processo seletivo e poderão atuar como: 1. Médico de Família e Comunidade: precisa ser inscrito no CRM 2. Tutor: tem que ser especialista em Medicina da Família e Comunidade ou em Clínica Médica. O médico inscrito entra em um curso de especialização em MFC por 2 anos, recebendo uma bolsa e sem vínculo empregatício. Após os 2 anos, a carteira é assinada. ADAPS: Agência para o Desenvolvimento da Atenção Primária à saúde → regula o Médicos pelo Brasil - Criada para executar o programa mais médicos pelo brasil, sob a orientação técnica e supervisão do ministério da saúde, mas sob a égide de pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, de interesse coletivo e de utilidade pública (ponto de choque: criar uma agência privada para regular um serviço público dentro do SUS) Objetivos ADAPS Promover, em âmbito nacional, a execução de políticas de desenvolvimento da atenção primária à saúde, com ênfase: - Na saúde da família - Nos locais de difícil provimento ou alta vulnerabilidade - Na valorização da presença dos médicos na APS do SUS - Na promoção da formação profissional, especialmente na área de saúde da família 8 APS - Na incorporação de tecnologias assistenciais e de gestão relacionadas com a APS Composição da ADAPS - Conselho Deliberativo, Diretoria Executiva e Conselho Fiscal - Conselho Deliberativo (resposta à crítica de ser a ADAPS um órgão privado): órgão de deliberação superior com representantes do MS, CONASS, CONASEMS, AMB, CFM, Federação Nacional dos Médicos e Conselho Nacional de Saúde.