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FACAPE Medicina do Trabalho 4º Período ESTUDO DIRIGIDO 5: Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho Identificação: Marta Souza, 38 anos, sexo feminino, casada, 2 filhos pequenos. Profissão: Analista de Recursos Humanos. Tempo de Serviço: 10 anos na empresa. Queixa Principal: dificuldades para dormir e uma sensação constante de estar "sobrecarregada". HMA: paciente menciona que, nos últimos seis meses, vem tendo insônia e cansaço físico crônico, e que esses sintomas pioraram, tornando-se mais intensos durante a semana de trabalho. Marta trabalha como analista de Recursos Humanos em uma empresa de médio porte, com uma carga de trabalho de 40h/semanais. Nos últimos meses, a empresa passou por uma reestruturação interna, o que aumentou significativamente suas responsabilidades. Ela foi encarregada de reestruturar os processos de recrutamento e seleção, além de lidar com questões relacionadas a conflitos internos entre equipes. Esse aumento de responsabilidades veio acompanhado de uma pressão constante de sua chefia para cumprir prazos mais curtos. Ela relata que, frequentemente, é chamada para reuniões de última hora, o que a impede de cumprir com sua rotina. Além disso, Marta descreve que, apesar de fazer seu trabalho com dedicação, sente-se constantemente sobrecarregada e sem controle sobre suas tarefas diárias. Nos últimos meses, Marta começou a acordar várias vezes durante a noite, tem dificuldade para voltar a dormir e, ao acordar, sente-se exausta. Durante o dia, sente-se frequentemente tensa, com dificuldade de concentração e pensamentos recorrentes sobre o trabalho. Ela também descreve episódios de palpitações e falta de ar, principalmente ao pensar nas suas responsabilidades no trabalho. Ela relata que não consegue mais desfrutar das atividades fora do trabalho, como sair com os filhos ou praticar exercícios, pois está sempre pensando nas pendências de trabalho. Marta afirma que, apesar de tentar se organizar e delegar algumas tarefas, a pressão interna para “dar conta de tudo” a impede de se desconectar completamente do trabalho. Histórico Pessoal: -Saúde prévia: Boa saúde geral, sem histórico de doenças graves ou hospitalizações. -Histórico de saúde mental: Relata que, no passado, teve períodos de estresse no trabalho, mas nada comparado à intensidade atual. Não há histórico de transtornos psiquiátricos familiares. - Medicações: Não faz uso regular de medicamentos. -Hábitos de vida: Dorme em média 5 a 6 horas por noite, com dificuldade para relaxar antes de dormir. Alimenta-se de maneira irregular, optando por refeições rápidas durante o expediente. Não pratica atividade física devido à falta de tempo. Exame Físico: Estado geral: Bom estado geral, com sinais de cansaço visível. Sistemas: Sem alterações significativas no exame físico, com sinais de tensão muscular na região cervical e nos ombros. PA: 130/85 mmHg / Pulso: 88 bpm, regular / FC 102bpm / FR 18irpm. -Exames Complementares: 1. Questionário de Ansiedade (GAD-7): Marcou 15 pontos, indicando um nível moderado de transtorno de ansiedade generalizada (TAG). 2. Escala de Burnout: Resultados indicam um início de burnout, especialmente na área de exaustão emocional e sensação de despersonalização em relação ao trabalho. 3. Eletrocardiograma: Normal, sem alterações significativas. Questões: 1. Porque foi solicitado ECG? Quais outros exames poderiam ser solicitados? O ECG foi solicitado para descartar possíveis alterações cardíacas, considerando os episódios de palpitações e falta de ar relatados pela paciente, que podem estar relacionados a transtornos de ansiedade, mas também a problemas cardiovasculares. 2. Quais os possíveis diagnósticos e CID (10 ou 11) adequado ao caso? Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) - CID-10: F41.1 / CID-11: 6B00 e Síndrome de Burnout - CID-10: Z73.0 / CID-11: QE22 3. No Questionário de Ansiedade (GAD-7) a paciente marcou 15 pontos. O que isso significa? O GAD-7 é uma escala que mede a gravidade do transtorno de ansiedade generalizada. A pontuação de 15 indica um nível moderado a grave de ansiedade, sugerindo que os sintomas interferem significativamente na vida da paciente. Escala GAD-7: 0-4: Ansiedade mínima 5-9: Ansiedade leve 10-14: Ansiedade moderada 15-21: Ansiedade grave 4. Quais os principais pontos abordados na Escala de avalição de Burnout? Exaustão emocional : Sensação de esgotamento físico e emocional. Despersonalização: Indiferença ou atitudes negativas em relação ao trabalho e colegas. Redução da realização pessoal : Sensação de ineficácia e falta de propósito no trabalho. 5. Qual a conduta necessária ao caso? Acompanhamento psicológico , terapia cognitivo comportamental, orientar higiene do sono, possível encaminhamento psiquiátrico, reorganização do ambiente de trabalho ou mudança de empresa, afastamento temporário das atividades laborais até melhora dos sintomas. 6. Qual são as medidas de prevenção que poderiam ser implementadas no caso? Melhorar a gestão de tempo, redistribuir atividades de tal maneira que não seja extremamente desgastante emocionalmente pro paciente, buscar equilíbrio entr a vida pessoal e o trabalha, buscar enjagar-se em hobbies como atividade física e lazer no geral. 7. Discuta sobre o conceito de autocuidado em Saúde Mental. O autocuidado em saúde mental refere-se a práticas que ajudam a manter o bem-estar psicológico e prevenir o adoecimento. São exemplos de tal autocuidado o autoconhecimento, a priorização de hábitos saudáveis como fazer exercícios e dormir adequadamente, estabelecer limites entre a vida pessoal e profissional e buscar apoio em amigos, familiares e em profissionais da saúde. 8. O trabalho não pode ser pensado apenas como fonte de adoecimento. Qual a importância do trabalho na saúde mental dos indivíduos em geral? O trabalho pode ser um fator positivo para a saúde mental quando proporciona sentido e propósito, promove a interação social, permite estabilidade finaceira e crescimento pessoal