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1 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 
LABORATÓRIO DE TECNOLOGIA DOS MEDICAMENTOS 
 
 
 
 
Coordenador da disciplina: Prof. Dr. Pedro Rolim 
Colaboradores: Mestranda Bruna França e Doutorando Emerson Oliveira 
Estágio docência: Mestranda Samilly Sales 
 
 
APOSTILA TEÓRICA – Parte II 
TECNOLOGIA FARMACÊUTICA 
FA-618 
 
 
 
 
 
 
RECIFE, 2024 
 
 
2 
MÉTODOS DE ESTUDO DE ESTABILIDADE DE IFAS E MEDICAMENTOS 
 
 
Estabilidade é um teste obrigatório na indústria farmacêutica. Ele vai ser importante para avaliar a 
manutenção das características de propriedades e de características físico-químicas do produto, além de 
avaliar se ele se mantém nos limites especificados (como avaliação de teor, já que potência reduzida pode 
influenciar no efeito terapêutico). 
Tipos de estabilidade: física, química, microbiológica, terapêutica e toxicológica. 
“finalidade de garantir a integridade química, física, microbiológica, terapêutica e toxicológica do fármaco e 
da forma farmacêutica dentro dos limites especificados, sob influência dos fatores ambientais em função do 
tempo, são preconizados estudos de estabilidade” 
>>> Vai ser importante para estabelecimento de prazo de validade, assim como o seu acompanhamento. É 
uma exigência legal que os produtos apresentem prazo de validade, sendo inclusive importante para 
o registro do produto. 
 
Fatores que influenciam na estabilidade: 
 
■ Fatores extrínsecos: temperatura, umidade e luz. 
■ Fatores intrínsecos ao produto (ligados a propriedades físicas e químicas dos IFAs e excipientes, 
forma farmacêutica, processo de fabricação e aspectos ligados à embalagem): estabilidade do IFA, 
interações entre os componentes da formulação, interação com o material de acondicionamento. 
 
Objetivos do ensaio de estabilidade: 
 
 Determinação das condições de armazenamento/conservação 
 Seleção do melhor material de acondicionamento e embalagem 
 Determinação da cinética de degradação 
 Determinação do prazo de validade 
 Conhecer os produtos de degradação 
 
LEGISLAÇÕES ASSOCIADAS 
 
RDC 17/2010 ⇒ 658/2022 - Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos (BPF) 
"Política da Qualidade" - diretrizes globais relativas à qualidade 
Atualização de 2022 permite que fabricantes nacionais possam acessar os mercados externos de maneira 
mais fácil e transparente por adotar protocolo condizente com o Esquema de Cooperação em Inspeção 
Farmacêutica (PIC/S) 
 
3 
 
 
Os elementos básicos do gerenciamento da qualidade devem ser: 
Infra-estrutura apropriada ou "sistema de qualidade", englobando instalações, procedimentos, processos e 
recursos organizacionais e ações sistemáticas necessárias para assegurar com confiança adequada que 
um produto (ou serviço) cumpre seus requisitos de qualidade. A totalidade dessas ações é chamada de 
"garantia da qualidade". 
 
A garantia da qualidade é utilizada como ferramenta de gerenciamento. Em situações contratuais, a garantia 
da qualidade também serve para gerar confiança em seus fornecedores. 
 
 
 
PIC/S - Pharmaceutical Inspection Co-operation Scheme 
Em 2020 o Brasil entra no PIC/S, passando a ser reconhecido internacionalmente na excelência das 
inspeções em Boas Práticas de Fabricação (BPF) de medicamentos e insumos farmacêuticos de uso 
humano. 
 
Benefícios de ser membro do PIC/S 
Para as indústrias 
 Os medicamentos produzidos em países membros do PIC/S são percebidos como de 
qualidade, tornando-se mais competitivos, por serem supervisionados por uma autoridade 
sanitária considerada como equivalente às principais do mundo. 
 Redução da duplicação de inspeções realizadas por diferentes autoridades. 
 Economia de tempo e recursos financeiros. 
 Facilidades no processo de exportação para alguns países que aceitam a certificação de 
autoridades regulatórias que integram o PIC/S. 
 Maior acesso a mercados. 
Para a autoridade reguladora 
 Oportunidades de treinamento e atualizações constantes. 
 Harmonização das Boas Práticas de Fabricação. 
 Formação de redes de contato entre inspetores. 
 Adoção de Guias de Alto Padrão, com avaliações periódicas tanto do marco regulatório, 
quanto da performance das autoridades reguladoras do PIC/S. 
 Participação no Sistema de Alerta Rápido e Recall do PIC/S. 
 Facilidade na conclusão de acordos bilaterais de interesse dos países. 
 
Fonte: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/anvisa-e-aprovada-para-cooperacao-em-
inspecao-farmaceutica-2013-pic-s 
 Elevação do reconhecimento e credibilidade internacionais das decisões tomadas pela 
Agência. 
 
 
 
Pontos implementados pela 658/2022 
 Gestão de qualidade -> Sistema de Gestão de Qualidade Farmacêutica – agora não só a 
indústria é responsável pela qualidade, toda a equipe envolvida até o produto chegar á farmácia 
tem comprometimento 
 Melhoria de plano de amostragem estatístico + melhora de capacitação dos colaboradores 
 Auditorias nacionais e internacionais – permite internacionalização das indústrias. Essas 
auditorias podem ser presenciais quando se trata de pontos mais críticos (como fabricação) ou 
online quando for algo menos crítico (documentação). 
 Estabelecimento de um “Sistema de Visão” – sendo um software que garanta a rastreabilidade, 
impressão, verificação, embalagem, dimensão, gramatura e tudo que seja possível ser 
rastreável nas linhas produtivas. 
 Plano de gerenciamento de risco e aplicação dele em todos os processos. 
 Garantir a melhoria contínua em todos os seus processos do Sistema de Gestão de Qualidade 
sendo necessário ter processos que assegurem essa qualificação, como o SGQ e treinamentos. 
4 
As BPF determinam que: 
I - todos os processos de fabricação devam ser claramente definidos e sistematicamente revisados em 
função da experiência adquirida. Além disso, devem ser capazes de fabricar medicamentos dentro dos 
padrões de qualidade exigidos, atendendo às respectivas especificações; 
II - sejam realizadas as qualificações e validações necessárias; 
III - sejam fornecidos todos os recursos necessários, incluindo: 
a) pessoal qualificado e devidamente treinado; 
b) instalações e espaço adequados e identificados; 
c) equipamentos, sistemas computadorizados e serviços adequados; 
d) materiais, recipientes e rótulos apropriados; 
e) procedimentos e instruções aprovados e vigentes; 
f) armazenamento e transporte adequados; e 
g) instalações, equipamentos e pessoal qualificado para controle em processo. 
IV - as instruções e os procedimentos devam ser escritos em linguagem clara, inequívoca e serem aplicáveis 
de forma específica às instalações utilizadas; 
V - os funcionários devam ser treinados para desempenharem corretamente os procedimentos; 
VI - devam ser feitos registros (manualmente e/ou por meio de instrumentos de registro) durante a produção 
para demonstrar que todas as etapas constantes nos procedimentos e instruções foram seguidas e que a 
quantidade e a qualidade do produto obtido estejam em conformidade com o esperado. Quaisquer desvios 
significativos devem ser registrados e investigados; 
VII - os registros referentes à fabricação e distribuição, que possibilitam o rastreamento completo de um lote, 
sejam arquivados de maneira organizada e de fácil acesso; 
VIII - o armazenamento seja adequado e a distribuição dos produtos minimize qualquer risco à sua 
qualidade; 
IX - esteja implantado um sistema capaz de recolher qualquer lote, após sua comercialização ou distribuição; 
X - as reclamações sobre produtos comercializados devam ser examinadas, registradas e as causas dos 
desvios da qualidade, investigadas e documentadas. Devem ser tomadas medidas com relação aos 
produtos com desvio da qualidade e adotadas as providências no sentido de prevenir reincidências. 
Art. 15. A empresa deve identificar quais os trabalhos de qualificação e validaçãosão necessários para 
comprovar que todos os aspectos críticos de operação estejam sob controle. 
Art. 18. Qualquer aspecto da operação, incluindo mudanças significativas nas instalações, local, sistemas 
computadorizados, equipamentos ou processos, que possa afetar a qualidade do produto, direta ou 
indiretamente, deve ser qualificado e/ou validado. 
Art. 19. A qualificação e a validação não devem ser consideradas exercícios únicos. Após a aprovação do 
relatório de qualificação e/ou validação deve haver um programa contínuo de monitoramento, o qual deve 
ser embasado em uma revisão periódica. 
RDC 899/03 ⇒ RDC 166/2017 - Relacionado a validação de métodos analíticos e bioanalíticos. 
A validação deve demonstrar que o método analítico produz resultados confiáveis e é adequado à finalidade 
a que se destina, de forma documentada e mediante critérios objetivos. 
5 
> A validação parcial deve avaliar, pelo menos, os parâmetros de precisão, exatidão e seletividade. 
RDC 318/2019 - Estabelece os critérios para a realização de Estudos de Estabilidade de insumos 
farmacêuticos ativos e medicamentos, exceto biológicos, e dá outras providências. 
Internacionalmente o que rege os estudos de estabilidade 
são regidos pelos documentos do ICH - Conselho 
Internacional para Harmonização de Requisitos 
Técnicos para Medicamentos de Uso Humano 
Os principais tipos de estudos que devem ser realizados 
em medicamentos registrados ou que precisem fazer 
modificação pós-registro são: 
■ Estudo de Estabilidade de Longa Duração: estudo 
projetado para verificação das características físicas, 
químicas e microbiológicas de IFA ou medicamento, 
nas Condições de Armazenamento e Prazo de 
Validade propostos, podendo também ser utilizado 
para definição do prazo de reteste do IFA; 
□ Prazo de Reteste do IFA: prazo estabelecido, baseado em Estudos de Estabilidade, após o qual 
o material deve ser novamente testado para garantir que permanece adequado para uso imediato, 
conforme testes indicativos de estabilidade definidos pelo fabricante do IFA, mantidas as 
Condições de Armazenamento preestabelecidas; 
□ Para medicamentos acondicionados em Embalagens Multidose, estudo adicional deve ser 
realizado para determinar o prazo de validade do produto após aberto. 
□ Realiza testes no tempo; 3 meses, 6 meses, 9 meses, 12 meses, 18 meses e 24 meses e 
anualmente até o prazo de validade. 
■ Testes: aspecto; teor do IFA; quantificação de produtos de degradação individuais e totais; 
e identificação de produtos de degradação, quando aplicável. 
■ Estudo de Estabilidade Acelerado: estudo projetado para avaliar possíveis alterações físicas, 
químicas e microbiológicas de IFA ou medicamentos, em condições forçadas de armazenamento, 
visando a auxiliar na determinação do Prazo de Reteste do IFA ou Prazo de Validade do IFA e do 
medicamento e a avaliar o efeito de curtas excursões fora dos Cuidados de Conservação preconizados; 
□ Devem ser realizados, quando previstos no protocolo, os seguintes testes no 3º e no 6º mês do 
estudo: 
■ IFA: aspecto; teor do IFA; quantificação de produtos de degradação individuais e totais; e 
identificação de produtos de degradação, quando aplicável. 
■ Medicamento: aspecto; teor; quantificação de produtos de degradação; dissolução ou teste 
de desempenho do produto, a depender da forma farmacêutica; pH; e quantificação de 
antimicrobianos e antioxidantes. 
★ Estudos de Estabilidade Acelerados e de Longa Duração devem ser conduzidos com, no mínimo, 3 
lotes de IFA. 
★ Os lotes devem ser no mínimo fabricados em escala piloto, pela mesma rota de síntese e com método 
de procedimento de fabricação que simula o processo final que será aplicado nos lotes industriais. 
★ A qualidade geral dos lotes do IFA deve ser representativa da qualidade dos lotes a serem fabricados 
em escala industrial. 
★ A quantidade exigida de lotes pode ser menor que 3, em função de regulamentação em norma que 
dispõe sobre regularização de IFA. 
★ Os Estudos de Estabilidade de Acompanhamento devem ser conduzidos com, no mínimo, 1 lote de 
IFA por ano, exceto se nenhum lote do IFA houver sido produzido no ano. 
6 
 
 Condições de teste para IFA 
 
 
■ Estudo de Estabilidade de Acompanhamento: estudo realizado com o objetivo de monitorar e 
confirmar o Prazo de Validade para medicamento ou IFA e o Prazo de Reteste de IFA; 
□ Deve ser realizado conforme previsto em Resolução que trata sobre as BPF. 
■ Estudo de Fotoestabilidade: estudo que tem a finalidade de demonstrar que o IFA ou medicamento, 
quando exposto à luz, mantém-se dentro das especificações; 
Documento correspondente: ICH Q1B 
□ Deve ser realizado no medicamento fora de sua 
Embalagem Primária, completamente exposto à 
fonte de luz; 
□ Realizado com 1 lote representativo de produção do 
IFA. Caso haja resultado inconclusivo, o estudo deve 
ser repetido com 2 lotes adicionais representativos 
de produção do IFA. 
Registro de medicamentos com IFA já registrado no país, 
de pós-registro de medicamento, registro de novas 
concentrações e novas formas farmacêuticas de IFA já 
existentes no Brasil, e mudanças pós-regularização de 
IFA: 
■ Estudos de Estabilidade de Longa Duração em 
andamento, com no mínimo 6 meses; 
■ Estudos de Estabilidade Acelerados concluídos. 
 
Regularização de IFA, registro de medicamento com novo IFA no país, 
● Estudos de Estabilidade de Longa Duração em andamento, com resultados de no mínimo 12 meses 
● Estudos de Estabilidade Acelerados concluídos. 
 
Caso haja um resultado fora da especificação em um Estudo de Estabilidade, é responsabilidade da 
detentora do registro do medicamento realizar as investigações necessárias para identificação da causa raiz 
dos resultados. E caso a investigação seja inconclusiva ou conclua que o resultado não se tenha dado por 
FOTOESTABILIDADE – ICH Q1B 
Ele recomenda uma abordagem 
sistemática: 
i) Ensaios sobre a substância 
medicamentosa 
ii) Ensaios no medicamento exposto 
fora da embalagem imediata; 
e, se necessário; 
iii) Ensaios do medicamento dentro da 
embalagem imediata; 
e, se necessário 
iv) Testes ao medicamento na 
embalagem de comercialização. 
7 
um erro analítico, a empresa responsável deve enviar notificação à ANVISA, informando ainda as medidas 
que tomou para mitigação do risco sanitário. 
 
São consideradas mudanças significativas: 
■ Perda de 5% no teor em relação ao valor inicial ou resultado fora da especificação para potência por 
método microbiológico ou imunológico, exceto medicamentos que contenham IFA vegetal e 
opoterápico; 
■ Qualquer resultado fora do limite especificado; 
■ Dissolução com resultado fora do limite especificado para 12 unidades; 
■ Alterações significativas no perfil cromatográfico ou perda de 10% no teor do IFA para medicamentos 
que contenham IFA vegetal e opoterápico; ou 
■ Perda de peso maior ou igual a 5% em 3 meses. 
 
Estudo de Degradação Forçada: estudo que permite a geração de produtos de degradação, por meio da 
exposição do IFA ou produto acabado a condições de estresse, como luz, temperatura, calor, umidade, 
hidrólise ácida/ básica, oxidação, entre outras; 
>>> Deve ser conduzido em 1 lote. Os procedimentos de amostragem adotados devem assegurar total 
representatividade e homogeneidade do(s) lote(s) objeto(s) do estudo. 
>>> Devem promover degradação em extensão suficiente para avaliação da formação de produtos de 
degradação, e inferior àquela que levaria à degradação excessiva e completa da amostra do IFA. 
>>> As amostras devem ser expostas a, no mínimo, 1,2 milhões de lux.horas e a uma energia de ultravioleta 
próxima de no mínimo 200 watt.horas/m2 em um sistema devidamente qualificado. 
RDC 53/2015 - Estabelece parâmetros para a notificação, identificação e qualificação de produtos de 
degradação em medicamentos com substâncias ativas sintéticas e semissintéticas, classificados 
como novos, genéricos e similares, e dá outras providências. Estabelece MIE (MétodosIndicativos 
de Estabilidade) = métodos de detectar e quantificar produtos de degradação. 
 
 
Consulta pública em andamento 
que tem como objetivo implementar 
a RDC 53/2015 
Ela traz parâmetros correlacionados 
com os da ICH, tendo como 
principal objetivo facilitar a 
internacionalização 
 
8 
O estudo do perfil de degradação forçada deve obedecer aos seguintes requisitos: 
I - condução do estudo em um lote, em escala laboratorial, piloto ou industrial do medicamento; e 
II - para fins de comparação, a execução do estudo deve ser feita também com a formulação, com o placebo 
e no insumo(s) farmacêutico(s) ativo(s) isolado(s) e associado(s) no caso de associações em dose fixa. 
>>> O estudo do perfil de degradação forçada deve ser realizado em todas as concentrações do 
medicamento. 
>>> No caso das associações em dose fixa, deverão ser executados também os estudos de degradação 
forçada com os insumos farmacêuticos ativos isolados, associados e na formulação. 
 
Condições de estresse submetidas: 
■ aquecimento - 60°C 
■ umidade - 75% UR ou > 
■ solução ácida - 0,1 M de HCl por 12 horas 
■ solução básica - 0,1 M de NaOH por 12 horas 
■ solução oxidante - peróxido de hidrogênio 3% 
■ exposição fotolítica - 1,2 milhões de lux.horas >>> 6 milhões de lux.horas 
■ íons metálicos - não tem especificação de quais devem ser utilizados, mas normalmente se utiliza óxidos 
de ferro, manganês e cobre 
 
Os testes devem promover uma degradação superior a 10% e inferior àquela que levaria à degradação 
completa da amostra, comprometendo o teste. Nos testes em que a degradação for inferior a 10%, a 
empresa deve apresentar justificativa técnica fundamentada. Objetivo é que se identifique apenas os 
produtos de degradação, não os PD dos PDs. 
Para saber se vai notificar, identificar ou 
qualificar o PD precisa analisar os limites 
que ele aparece considerando a dose 
máxima diária daquele medicamento. 
■ Limite de notificação: valor acima do 
qual um produto de degradação deverá ser 
reportado no(s) estudo(s) de estabilidade; 
■ Limite de identificação: valor acima do 
qual um produto de degradação deverá ter 
sua estrutura química identificada; 
■ Limite de qualificação: valor acima do 
qual um produto de degradação deverá ser 
qualificado. PDs devem ser isolados para que 
possam ser qualificados e quantificados 
também, com objetivo de estabelecerem um perfil de segurança e perfil de toxicidade. Importante que 
eles sejam qualificados se forem encontrados em estudos com humanos ou quando a quantidade 
observada e o limite de aceitação proposto estiverem justificados em literatura; e também não exceder 
o limite de toxicidade. 
○ Estabelecer a classificação de produto potencialmente tóxico 
9 
 
Análise crítica do perfil de degradação deve contemplar: 
● Verificação da pureza cromatográfica do pico do insumo farmacêutico ativo no medicamento; 
● Avaliação dos fatores que podem interferir de alguma forma na estabilidade do medicamento. 
 
O método analítico mais utilizado vai ser o HPLC devido a matriz complexa que compõem o produto. Vai 
avaliar pureza e similaridade dos picos cromatográficos. 
 
10 
DESENV. DE MEDICAMENTOS E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA PARA INDÚSTRIA 
 
Aspectos importantes que são requisitos para P, D & I que vão influenciar: 
■ Expertise reconhecida - importante que o laboratório tenha reconhecimento pela indústria e pelo 
governo para que ela entre como uma possível parceira no desenvolvimento de produtos; 
■ Recursos humanos qualificados - equipe precisa ter qualificação, tendo treinamentos e cursos de 
especialização; 
■ Infra-estrutura de laboratórios semelhante ao PDI de uma indústria para que seja possível a 
transposição de tecnologia posteriormente; 
■ Rede de pesquisadores associados - ligada principalmente a integração de trabalhos, networking… 
■ Conhecimento do aspecto regulatório, principalmente sobre a ANVISA; 
■ Financiamento de diferentes projetos - rotatividade de custos, às vezes o dinheiro que entra agora não 
vai pro trabalho de agora, vai pra um que já está em andamento; 
■ Negociação com mercado Público e Privado - produtos desenvolvidos são de interesse desses dois. 
 
METODOLOGIA 
1. Isolamento e síntese de IFAs e adjuvantes; 
2. Caracterização e/ou Padronização dos insumos (é OBRIGATÓRIO essa etapa); 
3. Realização de estudo de compatibilidade; 
4. Planejamento de exemplos de formulação e forma farmacêutica: 
■ Planejamento racional da formulação; 
5. Desenvolvimento de formas farmacêuticas - fazer sistemas e formas farmacêuticas diferentes e avaliar; 
6. Controle de qualidade de insumo e da forma farmacêutica; 
7. Sistemas de liberação de fármacos - observar o que tem a resposta mais otimizada; 
8. Estudo de estabilidade do IFA e da forma farmacêutica; 
9. Transferência de tecnologia para sítio industrial - adequação para as condições daquela empresa. 
10. Registro de patentes em NIT e INPI 
■ INPI - concessão e garantia de direitos de propriedade intelectual para a indústria. 
11. Registro de novos produtos na ANVISA 
12. Distribuição para mercado via SUS e mercado de iniciativa privada. 
 
11 
PLANEJAMENTO DE CONTROLE DE PRODUÇÃO (PCP) 
“O PCP permite planejar quando, quanto, onde e em que ordem produzir, além de garantir a verificação 
contínua do funcionamento, para que tudo aconteça conforme o previsto. Assim, a fábrica vai produzir 
melhor e em todo o seu potencial.” → otimizam a produção da indústria e conquistam mais vantagem 
competitiva e melhorias de desempenho. 
>>> Relacionado a indústria 4.0 - beneficiada pela utilização de sistemas cibernéticos, internet das 
coisas, inteligência artificial e armazenamento em sistemas de nuvem. 
Controle e avaliação de produções, com objetivo de identificar mudanças fora do limite aceitável nos 
processos dentro da produção, como corrigi-los, para que não se tenha a perda total de um lote. 
Sistema de transformação de informações: informações sobre estoque existente, vendas previstas, linha 
de produtos, modo de produzir e a capacidade de produção são sistematicamente transformadas na ordem 
de fabricação ou Dossiê de fabricação. 
 
Objetivos da PCP 
■ Minimizar as ociosidades de homens e máquinas - otimizar o trabalho para que nada fique só ocupando 
espaço e sem estar produzindo. 
■ Manter o material em níveis de estoque satisfatórios - impedir que a empresa pare por causa de falta de 
suprimento. Otimização da cadeia de suprimentos. 
■ Reduzir a movimentação de materiais e o custo de armazenamento - excesso de determinado composto 
fique ali ocupando espaço e chegue a passar da validade = perda de dinheiro. 
■ Permite obter uma produção na qualidade e quantidade desejada e a custo mais baixo. 
 
Funções da PCP 
■ Planejar necessidades futuras da capacidade produtiva; 
■ Planejar os materiais comprados; 
■ Planejar os níveis de estoque 
■ Programar as atividades de produção; 
■ Ser capaz de saber e informar a respeito dos recursos e das ordens; 
■ Prever os menores prazos possíveis aos clientes e cumpri-los 
■ Ser capaz de agir eficazmente - caso aconteça algum problema, vai conseguir ver a causa e como corrigi-
la. 
 
Benefícios PCP 
■ Fluxo inteligente de matérias-primas e outros materiais na linha de produção 
■ Redução de custos com mais racionalidade 
■ Mais integração entre as diferentes áreas do negócio 
12 
■ Tomada de decisão com base em dados 
■ Incremento de resultados 
■ Redução de perdas e danos na produção 
■ Gestão de estoque mais assertiva. 
 
Objetivos principais desse sistema de gestão. 
■ Planejamento: São definidos quando e quais produtos devem ser produzidos. Todas as demandas 
devem ser colocadas no papel, após a análise completa de processos do negócio. Ao entender os 
gargalos e possibilidades, as lideranças podem definir os objetivos e planejar ações. 
■ Programação: aqui, serão identificados os recursos necessários para realizar cada fase da operação. 
Issoinclui máquinas, matérias-primas, pessoas e até tecnologias. Também há definição de prioridades, 
limitações, sequenciamento da produção e monitoramento. 
■ Controle: o objetivo é controlar se o planejamento e a programação foram realizados com base nos 
parâmetros definidos e se há apontamentos na produção. 
 
ERP - conjunto de aplicativos ou módulos integrados para gestão dos principais processos de negócios de 
uma empresa, incluindo finanças e contabilidade, cadeia de suprimentos, RH, procurement, vendas, gestão 
de estoques e muito mais. 
↪ Possível fazer diagnósticos aprofundados sobre as medidas necessárias para reduzir custos e aumentar 
a produtividade. 
↪ Gerenciamento e monitoramento em tempo real. 
↪ Aumenta a eficácia e facilita a comunicação entre os setores. 
 
O Plano Mestre de Produção - Fase I - Planejamento de produção. Fase II = Liberação 
É a etapa fundamental no planejamento de produção da sua indústria. Ele prioriza quais são as ordens de 
fabricação mais importantes, define prazos, utilização de mão de obra, equipamentos, orçamento e utilizará 
de forma otimizada a sua capacidade produtiva. 
↪ Avaliação de prioridades e necessidades, monitoramento fino na execução (onde muitos detalhes são 
avaliados), sincronização de operações e estabelecimento de planos reservas caso aconteçam 
intercorrências no processo. 
↪ Importante programar a partir de informações de areas estratégias: marketing (previsão de vendas), 
departamento de compras (relacionado aos pedidos de compra) e estoque (capacidade produtiva). 
↪ Avaliação das pessoas que trabalham no setor e se elas têm capacitação de trabalhar ali ou precisam de 
treinamento. 
 
Previsibilidade do produto – Esboço para a previsão de demanda industrial para projeção da capacidade 
produtiva. 
13 
↪ Afeta diretamente o desempenho esperado de suas funções de planejamento e controle no sistema 
produtivo. 
↪ Fatores dependentes: 
■ Projeções de Tendência 
■ Sazonalidade 
■ Variações irregulares - fatores excepcionais 
■ Variações aleatórias que não podem ser previsíveis (Ex. pandemia) 
 
Controle de produção: 
Índice de produtividade - avalia a produtividade e compara com valor estimado 
Índice de eficiência - avaliar se toda eficiência industrial está sendo utilizada. 
(Produção realizada / Capacidade - parada das máquinas) x 100 
Índice de perdas - percentagem padrão de perda aceitável/normalmente é até 3% 
Produção padrão - produção realizada / produção padrão 
Controle de estoque - cálculo do limite mínimo ou de segurança para manter o fluxo de consumo quando 
ocorrerem situações inesperadas/contratempos de suprimento ou de consumo do produto. Vai considerar 
no cálculo o tempo de espera para aquele produto chegar na indústria para ser utilizado. 
 
>>> Fatores que afetam estoque: 
● Sazonalidade e variação de demanda 
● Diversidade ou variedade de produção 
- relacionado ao tamanho do lote, limitações de 
maquinário 
● Prazo de validade - importante que 
tenha rotatividade para que os produtos não 
expirem a validade 
● Ciclo de produção 
● Estoque em trânsito - produtos que 
estão em rota de deslocamento pelas transportadoras 
 
Lote econômico de compra (LEC) - a quantidade de material a encomendar de cada vez para obter o 
mínimo custo total, levando-se em conta as despesas de armazenamento, os juros do capital empatado e 
as despesas gerais de compra. 
Resultado depois da implantação: melhoria na produtividade geral da empresa, ganho de qualidade e 
disponibilidade de informações gerenciais de forma rápida e segura. 
 
14 
CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSO (CEP) 
“Controle Estatístico de Processo (CEP) é um método de medição e controle do processo de fabricação. Ele 
é uma ferramenta essencial para controle de qualidade, sendo eficaz para impulsionar a melhoria contínua 
e detectar um problema ou falha preventivamente.” 
Ferramenta estatística que vai examinar quando vai ser necessário aplicação de uma ação corretiva num 
processo. Ela vai se basear principalmente no monitoramento on-line da qualidade para melhorar processos 
de produção com menos variabilidade, para que se tenham níveis melhores no resultado. 
↪ permite o aumento de produtividade e quantidade → melhora a competitividade da empresa através da 
qualidade. 
Todos os processos estão sujeitos a variabilidade. Ela não pode ser zerada 100%, mas é possível reduzir 
até certo ponto para evitar retrabalho. 
As principais fontes de variabilidade em processos produtivos - onde é necessário avaliar 
multivariáveis juntas. 
■ Relacionado a mão de obra; 
■ Relacionada a matéria prima; 
■ Relacionada ao método (processos); 
■ Relacionado ao meio ambiente de produção - como luminosidade e umidade; 
■ Relacionada às máquinas; 
■ Relacionada ao meio de medição. 
 
As causas das variações podem ser: 
 Comuns: Cujas variáveis são inerentes ao tempo e podem se repetitivas. As soluções demandam um 
longo prazo. 
 
 Especiais: Apontam variações atípicas no processo, mas que podem ser eliminadas por ações locais e 
imediatas. 
 
 
CEP vai ser importante para melhorar a qualidade e a capacidade dos processos. Considerando BPFC 
(Boas Práticas de Fabricação e Controle) e PCP (Planejamento e Controle de Produção) como formas de 
otimização de processos e redução de perdas, é quase obrigatório que uma empresa use CEP pra se manter 
competitivo no mercado. 
→ Utilização de algumas ferramentas de qualidade: PDCA, Diagrama de Ishikawa, 5 porquês, SIPOC, Carta 
Controle. 
SIPOC - diagrama cuja função é reunir as informações necessárias a fim de demonstrar de forma clara quais 
são as entradas e saídas de um processo, seu início e término, a sequência de atividades e os responsáveis 
por elas, além dos clientes → possível esclarecer melhor as etapas do processo, definindo e formalizando 
diversos fatores que impactam diretamente na execução do trabalho. 
15 
→ Para a aplicação de ferramentas do CEP, apenas 10% têm o cunho estatístico e 90% administrativo na 
detecção, planejamento e controle das possíveis falhas. 
Um controle eficaz vai apresentar 5 componentes: 
1. Técnicas estatísticas; 
2. Técnicas de solução de problemas; 
3. Liderança e atitudes para aperfeiçoamento da 
produtividade; 
4. Planejamento de qualidade; 
5. Método sistemático que atua como catalisador da 
qualidade no processo. 
 Por meio do CEP é possível: 
■ Detalhar o comportamento do processo; 
■ Identificar a sua variabilidade; 
■ Possibilita o seu controle ao longo do tempo; 
■ Coleta dados contínuos de produção 
■ Mais importante: análise e bloqueio de 
possíveis causas especiais, responsáveis pela 
instabilidade no processo. 
 
Condições importantes para implantar o CEP: 
● Descrever todo o processo cuja histórico será documentado; 
● Definir os principais parâmetros a serem controlados; 
● Definir critérios referentes às condições de controle (estabelecimento de linha central de tendência 
de média) e as condições fora dos limites de controle da qualidade do produto (linhas de controle 
dos parâmetros selecionados). 
Aplicação da Carta Controle: indicam instabilidades ao longo do processo; estabelece limites de 
especificações para os produtos e mostra uma tendência de variação de dados. 
Existe uma diferença entre linha de controle e linha de especificação. Essa segunda vai estar muito mais 
ligada a especificações ligadas ao produto, não a variabilidade dentro do processo. 
● Definir quais, como, quando e onde os dados serão coletados e registrados (setores e atores 
envolvidos). 
É importante que os produtos fiquem dentro do intervalo, 
sendo melhor próximo à linha média (LM) do intervalo, para 
garantir que ele não esteja fora dos limites a ponto de ser 
perdido ou causar prejuízos para a indústria. 
 
Importante que seja um processo centralizado: cujos resultados e 
medições apresentam variações dentro dos limites aceitáveis da 
amplitude da especificação (LIE - limite inferior de especificação- e 
LSE - limite superior de especificação) - processo vai ter uma 
distribuição normal. 
>>> Avaliação da capacidade do processo: uma vez que verifique 
estabilidade do processo, pode avaliar se o processo atende às 
especificações ou não. 
16 
Processo Incapaz - Valores ultrapassam a 
amplitude especificada ou estão desviados para 
fora do intervalo da amplitude ou fora dos limites 
estabelecidos. 
Processo Satisfatório (Cp bom) - Valores estão 
dentro da amplitude (limites estabelecidos) porém 
tem distribuição mais ampla/com menor 
centralização. 
Processo Capaz (Cp alto) - Valores estão dentro 
da amplitude e tem uma distribuição bem 
centralizada de resultados, pico fino. 
Vai ser importante para obter informações para 
melhoria contínua do processo. 
Uma forma de garantir uma boa capacidade do processo é por meio da adoção das Boas Práticas de 
Fabricação. 
 
REVISANDO AS PRINCIPAIS FERRAMENTAS DO CEP: 
★ CARTA DE CONTROLE - avaliar se o processo tem mudado ao longo do tempo. 
As cartas de controle são úteis para realçar valores dos parâmetros analisados que permitem verificar 
variação no lote ou entre lotes, por acompanhamento das variações da média de uma especificação. 
O CEP gera os limites de controle que são mais estreitos que os resultados trazidos pelas especificações 
fornecidas pela farmacopeia para avaliar esses parâmetros. Ela vai conseguir avaliar mais intimamente a 
reprodutibilidade de um processo. 
★ ESTUDO DE CAPACIDADE - saber se o processo é bom o bastante. 
As causas relacionadas às variações são divididas em 2 tipos: 
★ Causa comum - inerente ao processo. Ex.: discreta desregulação de uma máquina pelo passar do 
tempo. Normalmente, mesmo que elas aconteçam, ela ainda tende a manter o processo dentro dos 
seus limites de controle 
★ Causa especial - algo aleatório, inesperado e que as pessoas acham difícil de acontecer. São causas 
que ocorrem fora do controle estatístico e podem ser ocasionadas por problemas com matéria-prima 
que estejam com propriedades diferentes da esperada, meio de medição fora do padrão ou erros 
relacionados a equipamentos. 
 
Vai ser importante a análise e bloqueio de possíveis causas especiais responsáveis pela instabilidade de 
processos → importante determinar o problema, sua extensão e como ele pode ser resolvido → utilizar 
ferramentas de qualidade como diagrama de causa e efeito, por exemplo. 
 
 
17 
BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO DE MEDICAMENTOS (BPFM) - 658/2022 
Diretrizes gerais de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos do 
Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica (PIC/S), como 
requisitos mínimos a serem seguidos na fabricação de medicamentos. ⇒ 
Processo para garantir a qualidade do meio de produção. 
CBPF - Certificado de Boas Práticas de Fabricação é OBRIGATÓRIO ⇒ 
já que ele é relacionado aos aspectos mínimos necessários para 
fabricação de medicamentos. Os certificados ISO são mais a título de 
melhora, como mais uma forma de garantir a qualidade, o que acaba 
sendo um diferencial entre diferentes empresas. 
** Para alcançar qualidade é necessário um Sistema da 
Qualidade Farmacêutica abrangente e corretamente 
implementado, incorporando as Boas Práticas de Fabricação e 
Gerenciamento dos Riscos de Qualidade. 
>> Para garantir a qualidade é necessário processo de autoinspeção e/ou auditoria da qualidade, que 
avalie regularmente a efetividade e a aplicabilidade do Sistema da Qualidade Farmacêutica 
↪ estabelecimento por meio da aplicação dos princípios de Gerenciamento de Risco na Qualidade; 
↪ nos casos em que a(s) verdadeira(s) causa(s) raiz(es) do problema não puder(em) ser determinada(s), 
deve-se considerar a identificação da(s) causa(s) raiz(es) mais provável(eis) e abordá-la(s) 
↪ quando se suspeitar ou identificar erro humano como causa, isso deve ser justificado, tendo-se o cuidado 
de garantir que erros ou problemas de processo, de procedimento ou de sistema não tenham sido 
negligenciados, se for o caso 
↪ ações corretivas e/ou ações preventivas (CAPAs) apropriadas devem ser identificadas e implementadas 
em resposta às investigações, devendo ser monitorada e avaliada a eficácia dessas ações, de acordo com 
os princípios do Gerenciamento de Riscos da Qualidade. 
Um Manual da Qualidade ou documentação equivalente deve estar estabelecido e deve conter uma 
descrição do Sistema de Gestão da Qualidade Farmacêutica, 
 
Os requisitos básicos das BPF são: 
I - todos os processos de fabricação devem estar claramente definidos, sistematicamente revisados à luz da 
experiência, e demonstrar serem capazes de produzir medicamentos com a qualidade exigida e em 
conformidade com as suas especificações; 
II - as etapas críticas dos processos de fabricação, bem como quaisquer mudanças significativas, devem 
estar validadas; 
III - o fornecimento de todos os recursos necessários, incluindo: 
a) pessoal qualificado e adequadamente treinado; 
b) instalações e áreas adequadas; 
 
 Significa que seu 
fornecedor estabeleceu uma 
abordagem sistêmica para a 
gestão da qualidade e que 
está gerenciando seu 
negócio de tal forma que 
assegura que as suas 
necessidades estejam 
compreendidas, aceitas e 
atendidas. 
18 
c) equipamentos e serviços apropriados; 
d) materiais, recipientes e rótulos corretos; 
e) procedimentos e instruções aprovadas, de acordo com o Sistema da Qualidade Farmacêutica; e 
f) armazenagem e transporte adequados. 
 
Gerenciamento de Riscos da Qualidade - um processo sistemático de avaliação, controle, comunicação 
e revisão de riscos para a qualidade do medicamento, Ele pode ser aplicado de forma proativa (Identificar 
comportamentos que levem à ocorrência de perigo, e detê-lo antes que ele ocorra) e retrospectiva (olhar o 
que aconteceu antes para descobrir a raiz daquele risco/problema). 
Os princípios do : 
I - a avaliação do risco à qualidade é baseada em conhecimento científico, experiência com o processo 
e, em última instância, vincula-se à proteção do paciente; e 
II - o nível de esforço, formalidade e documentação do processo de Gerenciamento de Risco da 
Qualidade é compatível com o nível de risco 
“A adesão do Brasil ao PIC/s contribuirá para a melhoria da qualidade e da imagem dos medicamentos 
produzidos no País, além de possibilitar o aumento da competitividade das empresas nacionais e seus 
produtos nos mercados internacionais”. 
>>>> Foram adotados então por diferentes países regulamentos para previsão do prazo de validade de 
fármacos e medicamentos. No entanto, a multiplicidade de documentos gerava divergências entre os 
profissionais da área ⇒ harmonização da legislação ⇒ ICH 
>>>> Convenção Farmacêutica Internacional e Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica - é 
uma iniciativa de modernização dos instrumentos regulatórios, voltado para duas principais atividades: 
■ Harmonização internacional, por meio do estabelecimento de guias de referência na área de Boas 
Práticas de Fabricação e de Distribuição de produtos farmacêuticos (BPF e BPD); e 
■ Realização de treinamentos a fim de tornar equivalentes os sistemas de inspeção de boas práticas de 
fabricação de todo o mundo. 
Processo de harmonização é importante para as transações comerciais ⇒ facilita processo ja que por ter os 
mesmos parâmetros padronizados, permite que seja mais rápido a avaliação do produto. 
 
CAPA - Sistema de Ação Corretiva e Ação Preventiva: processo de trabalho, no qual podem ser utilizadas 
diversas ferramentas, tanto de gestão da qualidade, quanto do gerenciamento de risco, que se aplica à 
identificação; à avaliação e à investigação de eventos (desvios, não conformidades, etc.) passados; à 
definição do plano de ação; à implementação das ações definidas no plano de ação e, por último, à 
verificação da efetividade das ações (corretivas e preventivas) implementadas, ou para cessar a causa raiz 
de eventos passados (desvios, não conformidades, etc.), evitando-sereincidências, ou para prevenir a 
ocorrência de eventos futuros (desvios, não conformidades, etc.); e se referindo a um componente do 
sistema da qualidade que, conduzido de maneira consistente e eficaz pela empresa, tem o poder de auxiliar 
na promoção da melhoria contínua do Sistema da Qualidade Farmacêutica; 
 
EM RELAÇÃO AO PESSOAL 
19 
★ Deve haver pessoal qualificado em quantidade suficiente para desempenhar corretamente todas as 
atividades pelas quais o fabricante é responsável. 
★ As responsabilidades individuais devem estar claramente definidas, compreendidas e registradas por 
todos os envolvidos. 
★ Todo o pessoal deve estar ciente dos princípios das Boas Práticas de Fabricação que os afetam e 
receber treinamento inicial e contínuo, incluindo instruções de higiene, relevantes para suas 
necessidades. 
★ As responsabilidades atribuídas a qualquer indivíduo não deve ser tão extenso a ponto de apresentar 
qualquer risco para a qualidade - Responsáveis pela Produção, Controle de Qualidade e o Responsável 
pela Garantia da Qualidade ou Unidade da Qualidade estão em hierarquias diferentes e organizados de 
modo que não tenha conflito de interesses. 
★ O fabricante deve fornecer treinamento para todo o pessoal cujas funções sejam exercidas nas áreas 
de produção e armazenamento ou laboratórios de controle (incluindo o pessoal técnico, de manutenção 
e limpeza) e para outras pessoas cujas atividades possam afetar a qualidade do produto - e os 
treinamentos devem ser registrados. 
 
EM RELAÇÃO A INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS 
★ As instalações e os equipamentos devem estar localizados, projetados, construídos, adaptados e 
mantidos de acordo com as operações a serem executadas. 
★ O desenho e o projeto devem minimizar risco de erros e permitir limpeza e manutenção efetiva, de modo 
a evitar a contaminação cruzada, o acúmulo de pó ou sujeira ou quaisquer prejuízos para a qualidade 
dos produtos. 
★ A iluminação, temperatura, umidade e ventilação devem ser adequadas, não devendo prejudicar, direta 
ou indiretamente, os medicamentos durante a sua fabricação e armazenamento, ou o funcionamento 
preciso dos equipamentos. 
★ Os princípios do Gerenciamento de Riscos da Qualidade devem ser utilizados para avaliar e controlar 
os riscos. 
★ Nas áreas onde matérias-primas, materiais de embalagem primária, produtos intermediários ou a granel 
estiverem expostos ao ambiente, as superfícies internas (paredes, pisos e tetos) devem ser lisas, livres 
de rachaduras e juntas abertas, e não devem liberar material particulado, permitindo limpeza fácil e 
efetiva e, se necessário, desinfecção 
★ Os laboratórios de Controle de Qualidade devem ser preferencialmente separados das áreas de 
produção. ⇒ Os laboratórios de controle de produtos biológicos, microbiológicos e radioisótopos 
também devem estar separados não somente entre si, mas também das áreas de produção. 
★ Os equipamentos de medição, pesagem, registro e controle devem ser calibrados e verificados em 
intervalos definidos e por métodos apropriados. Parágrafo único. ⇒ Registros adequados da calibração 
de que trata o caput deste artigo devem ser mantidos. 
 
EM RELAÇÃO A DOCUMENTAÇÃO 
★ O principal objetivo do sistema de documentação utilizado deve ser estabelecer, controlar, monitorar e 
registrar todas as atividades que, direta ou indiretamente, afetam todos os aspectos da qualidade dos 
medicamentos ⇒ deve incluir detalhes instrutivos suficientes para facilitar o entendimento comum dos 
20 
requerimentos, além de permitir o registro satisfatório dos vários processos e a avaliação de quaisquer 
observações, para que a aplicação contínua dos requisitos possa ser demonstrada. 
★ Medidas de controle e de relação para documentos mestres, cópias oficiais, manuseio de dados e 
registros precisam ser definidos para sistemas híbridos e homogêneos. 
★ Os Procedimentos Operacionais Padrão, as Instruções de Trabalho e os Métodos devem ser escritos 
preferencialmente no modo imperativo. 
★ As especificações para produtos intermediários e a granel devem estar disponíveis para etapas críticas 
ou se esses produtos forem adquiridos ou expedidos 
Produto acabado: produto que tenha passado por todas as etapas de produção, incluindo rotulagem e 
embalagem final ⇒ Os produtos acabados devem ser mantidos em quarentena até a sua liberação final, sob 
as condições estabelecidas pelo fabricante. 
Produto a granel: qualquer produto que tenha completado todos os estágios de processamento até, mas 
não incluindo, a embalagem primária, sendo os produtos estéreis em sua embalagem primária considerados 
produto a granel; 
Produto intermediário: produto parcialmente processado que deve ser submetido a etapas subsequentes 
de fabricação antes de se tornar um produto a granel; 
Antes que qualquer operação de processo seja iniciada, devem ser tomadas medidas para assegurar que a 
área de trabalho e o equipamento estejam limpos e livres de quaisquer matérias-primas, produtos, resíduos 
de produtos ou documentos não necessários para a operação atual. 
 
EM RELAÇÃO A DOCUMENTAÇÃO 
As operações de produção devem respeitar procedimentos claramente definidos, devem satisfazer os 
princípios das Boas Práticas de Fabricação a fim de que sejam obtidos produtos com a qualidade exigida e 
em conformidade com as respectivas autorizações de fabricação e com o registro 
>>> Todo o manuseio de materiais e produtos, como recebimento e quarentena, amostragem, 
armazenamento, rotulagem, dispensação, processamento, embalagem e distribuição deve ser feito em 
conformidade com procedimentos ou instruções escritas e, se necessário, ser registrado. 
As etiquetas aplicadas em recipientes, equipamentos ou instalações devem ser claras, não ambíguas e no 
formato acordado pela empresa ⇒ É recomendável e útil que, em adição ao texto nas etiquetas, se utilizem 
cores para indicar o status (por exemplo, em quarentena, aprovado, reprovado, limpo). 
 
VALIDAÇÃO - Os estudos de validação devem reforçar as Boas Práticas de Fabricação e serem conduzidos 
de acordo com procedimentos definidos. Os resultados e conclusões dos estudos de validação devem ser 
registrados. Quando qualquer nova fórmula de fabricação ou método de preparação for adotado, devem ser 
tomadas medidas para demonstrar sua adequação ao processo da rotina. 
*** Alterações significativas no processo de fabricação, incluindo qualquer mudança no equipamento ou 
materiais, que possam afetar a qualidade do produto e/ou a reprodutibilidade do processo, devem ser 
validadas. 
*** Auditorias subsequentes devem ser realizadas em intervalos definidos pelo processo de Gerenciamento 
de Riscos de Qualidade, para garantir a manutenção dos padrões e o uso contínuo da cadeia de suprimentos 
aprovada. 
 
21 
CONTROLE DE QUALIDADE - é responsável pela amostragem, especificações e testes, bem como na 
organização, documentação e procedimentos de liberação que asseguram que os testes necessários e 
relevantes sejam realizados, que os materiais não sejam liberados para uso, nem produtos liberados para 
venda ou fornecimento, até que sua qualidade tenha sido considerada satisfatória. 
>>> A independência do Controle de Qualidade da Produção é considerada fundamental para o bom 
funcionamento do Controle de Qualidade. 
>>> O Sistema da Qualidade do Contratante deve incluir o controle e revisão de quaisquer atividades 
terceirizadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
RADIOFÁRMACOS E RADIOTERAPIA 
 
 
DEFINIÇÕES: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pela absorção da energia das radiações (em forma de calor) células ou pequenos organismos 
podem ser destruídos. Essa propriedade, que normalmente é altamente inconveniente para os seres vivos, 
pode ser usada em seu benefício, quando empregada para destruir células ou microorganismos nocivos. 
 
 
MEDICINA NUCLEAR: 
 
É a especialidade médica que utiliza as propriedades nucleares de compostosradioativos para 
realizar avaliações diagnósticas das condições anatômicas ou fisiológicas, tratamentos terapêuticos e 
pesquisas médicas. Um aspecto único da Medicina Nuclear é a sensibilidade elevada para detectar 
alterações na função ou morfologia de um determinado órgão, fazendo uso dos radiofármacos (Sorenson, 
Phelps, 1987; Shung, Smith, Tsui, 1992; Chandra, 1992; Zolle, 2007). 
 
Como ocorre? 
 
Radioisótopos administrados a pacientes passam a emitir suas radiações do lugar (no caso, órgão) 
onde têm preferência em ficar. Um exemplo prático bem conhecido é o uso do iodo-131 (I-131), que emite 
partícula beta, radiação gama e tem meia-vida de oito dias. O elemento iodo, radioativo ou não, é absorvido 
pelo organismo humano preferencialmente pela glândula tireóide, onde se concentra. O funcionamento da 
tireóide influi muito no comportamento das pessoas e depende de como o iodo é por ela absorvido. O fato 
de ser radioativo não tem qualquer influência no comportamento de um elemento químico em relação aos 
demais elementos. 
Radioisótopos: elementos com o mesmo número de prótons, dos quais pelo menos um é radioativo. 
 
Radionuclídeo: proposto em 1947 como mais apropriado, uma vez que a radiação é proveniente 
do núcleo do átomo. 
 
Radiotraçador: substância que permite acompanhar um processo químico ou biológico e que emite 
radiação gama. São radioisótopos que, usados em pequenas quantidades, podem ser acompanhados 
por detectores de radiação. 
 
Radiofármaco: medicamento composto por preparado farmacêutico marcado com um 
radionucleotídeo. 
 
23 
 
 
 
 
RADIOTERAPIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um objeto ou o próprio corpo, quando irradiado (exposto à radiação) por uma fonte radiativa, NÃO FICA 
RADIOATIVO. 
 
RADIOISÓTOPOS 
 
Os radiofármacos usados em medicina no Brasil são, em grande parte, produzidos pelo Instituto de 
Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN, da CNEN, em São Paulo. O tecnécio-99 (Tc-99m) é utilizado, 
para obtenção de mapeamentos (cintilografia) de diversos órgãos: 
 
 cintilografia renal, cerebral, hepato-biliar (fígado), pulmonar e óssea; 
 diagnóstico do infarto agudo do miocárdio e em estudos circulatórios; 
 cintilografia de placenta. 
 
Outro radioisótopo, o Samário-153 (Sm-153), é aplicado (injetado) em pacientes com metástase óssea, 
como paliativo para a dor. Esses produtos são distribuídos semanalmente pelo IPEN para os usuários. 
Fonte: Apostilha educativa. Aplicações da Energia Nuclear 
Para diagnóstico de tireóide, o paciente ingere uma solução 
de iodo-131, que vai ser absorvido pela glândula. 
“Passando” um detector pela frente do pescoço do paciente, 
pode-se observar se o iodo foi muito ou pouco absorvido em 
relação ao normal (padrão) e como se distribui na glândula. 
O detector é associado a um mecanismo que permite obter 
um “desenho” ou mapeamento, em preto e branco ou 
colorido, da tireóide. Um diagnóstico, no caso um 
radiodiagnóstico, é feito por comparação com um mapa 
padrão de uma tireóide normal. A mesma técnica é usada 
para mapeamento de fígado e de pulmão 
Iodo-131: é usado para eliminar lesões identificadas nos radiodiagnósticos da tireóide, aplicando-
se, no caso, uma dose maior do que a usada nos diagnósticos. 
Fontes radiativas (= fontes de radiação) de césio-137 e cobalto-60 são usadas para destruir células 
de tumores, uma vez que estas são mais sensíveis à radiação do que os tecidos normais (sãos). 
24 
 
 
 
 
RADIOTRAÇADORES 
 
 
 
 
Equipamentos 
 
 Câmara de cintilação (câmara gama): responsável 
por captar a radiação gama e gerar um sinal elétrico 
que irá fornecer informações anatômicas e 
funcionais que serão computadorizadas gerando 
uma imagem que será interpretada pelo médico 
nuclear responsável. 
 
Aplicações 
 
 Danos fisiológicos no coração 
 Fluxo sanguíneo no cérebro 
 Patologias da tireóide 
 
 
Características 
 
 Meia-vida radioativa e biológica curta 
 Boa biodisponibilidade 
 Emissor gama 
 Alta energia (para atingir o cintilador) 
 Pode ou não ter captação seletiva 
 
Traçadores 
 
 Cloreto de tálio (TL-201) 
 Iodeto de sódio (I-131) 
 MDP (Tc-99m) 
 
 
RADIOFÁRMACOS 
 
 Tratam-se da medicamentos com finalidade diagnóstica obtidos pela associação de um 
fármaco ou vetor fisiológico (que quando administrado tem fixação preferencial em um determinado tecido 
ou órgão) com um ou mais radionuclídeos. 
 
 
 
 
 
Fonte: Radiofármacos e radioterapia. Professor Mario 
Gandra. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=1dWx53L6qeQ 
Espera-se que a radiação não saia do organismo. O tecido será irradiado, por consequência do 
acúmulo do radiofármaco, para que a radiação haja sobre o tecido. 
Espera-se que a radiação saia do indivíduo para chegar ao equipamento para diagnóstico. 
25 
 Os ligantes empregados na elaboração de radiofármacos incluem compostos orgânicos, 
inorgânicos e biomoléculas (peptídeos, anticorpos monoclonais e seus fragmentos e oligonucleotídeos). 
Desta forma os radiofármacos são classificados pelo FDA como droga ou produto biológico (CFR 21, Part 
315). 
 
 
Vias de administração: 
a. Oral 
b. Inalatória 
c. Intravenosa 
 
 
 A grande aplicação dos radiofármacos está em Medicina Nuclear diagnóstica, representando 
cerca de 95% dos procedimentos em Medicina Nuclear. Nos últimos anos, entretanto, tem crescido 
consideravelmente a aplicação dos radiofármacos em procedimentos terapêuticos, envolvendo desde a 
simples administração de solução de iodeto de sódio (iodo-131) para terapia de câncer de tireóide e 
hipertireoidismo, até o uso de peptídeos e anticorpos monoclonais específicos, como o anticorpo anti-CD-
20 marcado com elementos radioativos emissores beta (itrio90, lutécio-177 e iodo-131), empregado na 
terapia de linfoma do tipo não-Hodgkin, numa modalidade terapêutica denominada Radioimunoterapia 
(Araújo et al., 2004; Araújo et al., 2005; Akanji et al., 2005; Nagamati et al., 2005; Caldeira Filho et al., 2005; 
Caldeira Filho et al., 2006). 
 
 
 
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a responsável pela notificação, registro e pós 
registro de medicamentos radiofármacos. A Agência avalia, conforme a regulamentação vigente, os 
requisitos de qualidade, eficácia e segurança necessários para a aprovação e disponibilização destes 
produtos no mercado. A categoria compreende os radiofármacos prontos para uso, os componentes 
nãoradioativos para marcação e os precursores radiofarmacêuticos, incluindo os componentes extraídos 
dos geradores de radionuclídeos 
 
 
 
 
 
 
Normas atualmente vigentes: 
 RDC nº 738/2022, que dispõe sobre o registro, notificação, importação e controle de qualidade de 
radiofármacos; 
 Instrução Normativa (IN) nº 80/2020, que regulamenta a documentação necessária para o protocolo 
de registro de radiofármacos; 
 IN nº 81/2020, que regulamenta a lista de radiofármacos passíveis de apresentarem dados de 
literatura para comprovação da segurança e eficácia. 
 
 
 
 
 
 
A lista de radiofármacos registrados, e a 
situação do registro, pode ser consultada no 
portal da ANVISA através do link: 
https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamento
s/q/?categoriasRegulatorias=7 
26 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aplicação de radiofármacos em terapias: 
 
 O radionuclídeo é geralmente um elemento emissor de partículas ionizantes (partículas α, β, ou 
elétrons Auger), com energia para promover a destruição de células e alcance relativamente curto, evitando 
a irradiação de tecidos sadios situados ao redor do tecido alvo. O tipo de partícula a utilizar depende do 
tamanho do tumor, da distribuição intratumoral e farmacocinética do radiofármaco. Os radiofármacos para 
terapia são utilizados para promover uma alteração em uma estrutura alvo ou um processo de doença, 
apresentando aplicação mais freqüente na terapia do câncer (destruição do tecido tumoral)e também em 
radiosinovectomia (tratamento de artrite reumatóide a partir da aplicação de radiofármacos na cavidade 
sinovial) (Couto et al., 2006A; Couto et al., 2006B). 
 
 
Radionuclídeos emissores de partículas β - 
São os radionuclídeos mais utilizados em terapia. 
As partículas β- permitem uma dose de radiação 
uniforme apesar da sua deposição nos tecidos alvo 
(tumores) ser heterogênea. 
 
 Radionuclídeos emissores de partículas α 
Estes radionuclídeos são os escolhidos quando se 
pretende que a radiação tenha um pequeno 
alcance. 
 
 
 
 Radionuclídeos emissores de elétrons Auger 
Ainda não existem radiofármacos comercializados 
emissores de elétrons Auger, mas a concepção de 
radiofármacos baseados nos elétrons Auger 
constitui-se em área ativa de investigação. Será 
necessário conceber um radiofármaco específico 
internalizado pelas células e que atinja o núcleo das 
mesmas. 
 
O inciso XV do artigo 3º da RDC nº 738/2022 define que Radiofármaco é o medicamento com 
finalidade diagnóstica ou terapêutica que, quando pronto para o uso, contém um ou mais 
radionuclídeos. Os radiofármacos compreendem, também, os componentes não radioativos para 
marcação e os precursores radiofarmacêuticos, incluindo os componentes extraídos dos geradores de 
radionuclídeos. Dessa forma, os precursores radiofarmacêuticos e os kits para marcação são também 
considerados Radiofármacos. 
27 
 
 
 
 
 
 
Aplicação de radiofármacos em diagnósticos: 
 
 Os radiofármacos para diagnóstico, por sua vez, são utilizados para adquirir imagens ou 
identificar uma estrutura interna ou um processo de doença. O componente de imagem geralmente é um 
elemento radioativo de meia vida curta que emite fótons a partir do decaimento radioativo com suficiente 
energia para penetrar a massa tecidual do paciente. Os fótons emitidos são detectados por aparatos 
especiais que geram imagens (câmaras gama ou tomógrafos para emissão de fótons – SPECT (“Single 
Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&format=html 
Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&format=html 
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Photon Emission Computer Tomography”) ou para emissão de pósitrons – PET (“Positron Emission 
Tomography”) (Sorenson, Phelps, 1987; Shung, Smith, Tsui, 1992; Chandra, 1992). 
 
 
 
 
 
Produção de radionuclídeos 
 
 Os radionuclídeos usados em Medicina Nuclear para diagnóstico e terapia são produzidos 
artificialmente em reatores ou aceleradores de partículas. Podem, ainda, ser acessíveis através de 
geradores de radioisótopos, que permitem a utilização de radionuclídeos de t1/2 curto, a partir do decaimento 
de um radionuclídeo com t1/2 longo. Estes radionuclídeos de t1/2 longo são produzidos em reator ou 
cíclotron (Saha, 1998). 
Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&for
mat=html 
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Preparação de radiofármacos 
 
Fatores importantes: 
 Eficiência do processo de marcação; 
 Estabilidade química do composto; 
 Condições físico-químicas da marcação; 
 Condições de armazenamento; 
 Radiólise: muitos compostos marcados decompõem-se por ação da radiação emitida pelo próprio 
radionuclídeo e este efeito aumenta quanto maior for a atividade específica do composto. A radiólise 
pode provocar a quebra da ligação química entre o radionuclídeo e a molécula, ou pode interagir 
com o solvente formando radicais livres, que também podem ter efeito nocivo para o composto 
radioativo, promovendo o aparecimento de impurezas radioquímicas; 
 Prazo de validade: A perda de eficácia depende do tempo de semi-desintegração do radionuclídeo, 
do tipo de solvente, dos excipientes, do tipo de radiação emitida e da natureza da ligação química 
entre o radionuclídeo e o composto ao qual ele se liga. 
 
Preparações radiofarmacêuticas: 
 
 Prontas para uso: São radiofármacos que incorporam na sua estrutura um radionuclídeo com meia-
vida suficientemente longa para permitir a sua produção industrial e distribuição, desde o laboratório 
produtor até ao local de aplicação. São fornecidos na sua forma final, prontos a usar ou exigindo 
Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&for
mat=html 
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apenas operações simples de diluição ou reconstituição, para preparação de doses individuais de 
acordo com uma prescrição concreta. 
 Preparadas a partir de produtos semi-manufaturados (kits frios): utilizam radionuclídeos com tempo 
de meia vida curto. A preparação do radiofármaco é feita imediatamente antes de sua administração. 
 Tc-99m: Os radiofármacos de tecnécio são preparados pela adição de pertecnetato de sódio a um 
“kit” liofilizado, que contém os componentes necessários para preparar o composto radioativo. 
 Autólogas: São radiofármacos resultantes da marcação com radionuclídeos de amostras do paciente 
(geralmente células sanguíneas), que são depois readministradas. A marcação de células 
sanguíneas pode ser efetuada in vitro ou in vivo, sendo a marcação in vitro a que produz melhores 
imagens cintilográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1992. p.164-180, 195-207. 
 
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