Prévia do material em texto
1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS LABORATÓRIO DE TECNOLOGIA DOS MEDICAMENTOS Coordenador da disciplina: Prof. Dr. Pedro Rolim Colaboradores: Mestranda Bruna França e Doutorando Emerson Oliveira Estágio docência: Mestranda Samilly Sales APOSTILA TEÓRICA – Parte II TECNOLOGIA FARMACÊUTICA FA-618 RECIFE, 2024 2 MÉTODOS DE ESTUDO DE ESTABILIDADE DE IFAS E MEDICAMENTOS Estabilidade é um teste obrigatório na indústria farmacêutica. Ele vai ser importante para avaliar a manutenção das características de propriedades e de características físico-químicas do produto, além de avaliar se ele se mantém nos limites especificados (como avaliação de teor, já que potência reduzida pode influenciar no efeito terapêutico). Tipos de estabilidade: física, química, microbiológica, terapêutica e toxicológica. “finalidade de garantir a integridade química, física, microbiológica, terapêutica e toxicológica do fármaco e da forma farmacêutica dentro dos limites especificados, sob influência dos fatores ambientais em função do tempo, são preconizados estudos de estabilidade” >>> Vai ser importante para estabelecimento de prazo de validade, assim como o seu acompanhamento. É uma exigência legal que os produtos apresentem prazo de validade, sendo inclusive importante para o registro do produto. Fatores que influenciam na estabilidade: ■ Fatores extrínsecos: temperatura, umidade e luz. ■ Fatores intrínsecos ao produto (ligados a propriedades físicas e químicas dos IFAs e excipientes, forma farmacêutica, processo de fabricação e aspectos ligados à embalagem): estabilidade do IFA, interações entre os componentes da formulação, interação com o material de acondicionamento. Objetivos do ensaio de estabilidade: Determinação das condições de armazenamento/conservação Seleção do melhor material de acondicionamento e embalagem Determinação da cinética de degradação Determinação do prazo de validade Conhecer os produtos de degradação LEGISLAÇÕES ASSOCIADAS RDC 17/2010 ⇒ 658/2022 - Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos (BPF) "Política da Qualidade" - diretrizes globais relativas à qualidade Atualização de 2022 permite que fabricantes nacionais possam acessar os mercados externos de maneira mais fácil e transparente por adotar protocolo condizente com o Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica (PIC/S) 3 Os elementos básicos do gerenciamento da qualidade devem ser: Infra-estrutura apropriada ou "sistema de qualidade", englobando instalações, procedimentos, processos e recursos organizacionais e ações sistemáticas necessárias para assegurar com confiança adequada que um produto (ou serviço) cumpre seus requisitos de qualidade. A totalidade dessas ações é chamada de "garantia da qualidade". A garantia da qualidade é utilizada como ferramenta de gerenciamento. Em situações contratuais, a garantia da qualidade também serve para gerar confiança em seus fornecedores. PIC/S - Pharmaceutical Inspection Co-operation Scheme Em 2020 o Brasil entra no PIC/S, passando a ser reconhecido internacionalmente na excelência das inspeções em Boas Práticas de Fabricação (BPF) de medicamentos e insumos farmacêuticos de uso humano. Benefícios de ser membro do PIC/S Para as indústrias Os medicamentos produzidos em países membros do PIC/S são percebidos como de qualidade, tornando-se mais competitivos, por serem supervisionados por uma autoridade sanitária considerada como equivalente às principais do mundo. Redução da duplicação de inspeções realizadas por diferentes autoridades. Economia de tempo e recursos financeiros. Facilidades no processo de exportação para alguns países que aceitam a certificação de autoridades regulatórias que integram o PIC/S. Maior acesso a mercados. Para a autoridade reguladora Oportunidades de treinamento e atualizações constantes. Harmonização das Boas Práticas de Fabricação. Formação de redes de contato entre inspetores. Adoção de Guias de Alto Padrão, com avaliações periódicas tanto do marco regulatório, quanto da performance das autoridades reguladoras do PIC/S. Participação no Sistema de Alerta Rápido e Recall do PIC/S. Facilidade na conclusão de acordos bilaterais de interesse dos países. Fonte: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/anvisa-e-aprovada-para-cooperacao-em- inspecao-farmaceutica-2013-pic-s Elevação do reconhecimento e credibilidade internacionais das decisões tomadas pela Agência. Pontos implementados pela 658/2022 Gestão de qualidade -> Sistema de Gestão de Qualidade Farmacêutica – agora não só a indústria é responsável pela qualidade, toda a equipe envolvida até o produto chegar á farmácia tem comprometimento Melhoria de plano de amostragem estatístico + melhora de capacitação dos colaboradores Auditorias nacionais e internacionais – permite internacionalização das indústrias. Essas auditorias podem ser presenciais quando se trata de pontos mais críticos (como fabricação) ou online quando for algo menos crítico (documentação). Estabelecimento de um “Sistema de Visão” – sendo um software que garanta a rastreabilidade, impressão, verificação, embalagem, dimensão, gramatura e tudo que seja possível ser rastreável nas linhas produtivas. Plano de gerenciamento de risco e aplicação dele em todos os processos. Garantir a melhoria contínua em todos os seus processos do Sistema de Gestão de Qualidade sendo necessário ter processos que assegurem essa qualificação, como o SGQ e treinamentos. 4 As BPF determinam que: I - todos os processos de fabricação devam ser claramente definidos e sistematicamente revisados em função da experiência adquirida. Além disso, devem ser capazes de fabricar medicamentos dentro dos padrões de qualidade exigidos, atendendo às respectivas especificações; II - sejam realizadas as qualificações e validações necessárias; III - sejam fornecidos todos os recursos necessários, incluindo: a) pessoal qualificado e devidamente treinado; b) instalações e espaço adequados e identificados; c) equipamentos, sistemas computadorizados e serviços adequados; d) materiais, recipientes e rótulos apropriados; e) procedimentos e instruções aprovados e vigentes; f) armazenamento e transporte adequados; e g) instalações, equipamentos e pessoal qualificado para controle em processo. IV - as instruções e os procedimentos devam ser escritos em linguagem clara, inequívoca e serem aplicáveis de forma específica às instalações utilizadas; V - os funcionários devam ser treinados para desempenharem corretamente os procedimentos; VI - devam ser feitos registros (manualmente e/ou por meio de instrumentos de registro) durante a produção para demonstrar que todas as etapas constantes nos procedimentos e instruções foram seguidas e que a quantidade e a qualidade do produto obtido estejam em conformidade com o esperado. Quaisquer desvios significativos devem ser registrados e investigados; VII - os registros referentes à fabricação e distribuição, que possibilitam o rastreamento completo de um lote, sejam arquivados de maneira organizada e de fácil acesso; VIII - o armazenamento seja adequado e a distribuição dos produtos minimize qualquer risco à sua qualidade; IX - esteja implantado um sistema capaz de recolher qualquer lote, após sua comercialização ou distribuição; X - as reclamações sobre produtos comercializados devam ser examinadas, registradas e as causas dos desvios da qualidade, investigadas e documentadas. Devem ser tomadas medidas com relação aos produtos com desvio da qualidade e adotadas as providências no sentido de prevenir reincidências. Art. 15. A empresa deve identificar quais os trabalhos de qualificação e validaçãosão necessários para comprovar que todos os aspectos críticos de operação estejam sob controle. Art. 18. Qualquer aspecto da operação, incluindo mudanças significativas nas instalações, local, sistemas computadorizados, equipamentos ou processos, que possa afetar a qualidade do produto, direta ou indiretamente, deve ser qualificado e/ou validado. Art. 19. A qualificação e a validação não devem ser consideradas exercícios únicos. Após a aprovação do relatório de qualificação e/ou validação deve haver um programa contínuo de monitoramento, o qual deve ser embasado em uma revisão periódica. RDC 899/03 ⇒ RDC 166/2017 - Relacionado a validação de métodos analíticos e bioanalíticos. A validação deve demonstrar que o método analítico produz resultados confiáveis e é adequado à finalidade a que se destina, de forma documentada e mediante critérios objetivos. 5 > A validação parcial deve avaliar, pelo menos, os parâmetros de precisão, exatidão e seletividade. RDC 318/2019 - Estabelece os critérios para a realização de Estudos de Estabilidade de insumos farmacêuticos ativos e medicamentos, exceto biológicos, e dá outras providências. Internacionalmente o que rege os estudos de estabilidade são regidos pelos documentos do ICH - Conselho Internacional para Harmonização de Requisitos Técnicos para Medicamentos de Uso Humano Os principais tipos de estudos que devem ser realizados em medicamentos registrados ou que precisem fazer modificação pós-registro são: ■ Estudo de Estabilidade de Longa Duração: estudo projetado para verificação das características físicas, químicas e microbiológicas de IFA ou medicamento, nas Condições de Armazenamento e Prazo de Validade propostos, podendo também ser utilizado para definição do prazo de reteste do IFA; □ Prazo de Reteste do IFA: prazo estabelecido, baseado em Estudos de Estabilidade, após o qual o material deve ser novamente testado para garantir que permanece adequado para uso imediato, conforme testes indicativos de estabilidade definidos pelo fabricante do IFA, mantidas as Condições de Armazenamento preestabelecidas; □ Para medicamentos acondicionados em Embalagens Multidose, estudo adicional deve ser realizado para determinar o prazo de validade do produto após aberto. □ Realiza testes no tempo; 3 meses, 6 meses, 9 meses, 12 meses, 18 meses e 24 meses e anualmente até o prazo de validade. ■ Testes: aspecto; teor do IFA; quantificação de produtos de degradação individuais e totais; e identificação de produtos de degradação, quando aplicável. ■ Estudo de Estabilidade Acelerado: estudo projetado para avaliar possíveis alterações físicas, químicas e microbiológicas de IFA ou medicamentos, em condições forçadas de armazenamento, visando a auxiliar na determinação do Prazo de Reteste do IFA ou Prazo de Validade do IFA e do medicamento e a avaliar o efeito de curtas excursões fora dos Cuidados de Conservação preconizados; □ Devem ser realizados, quando previstos no protocolo, os seguintes testes no 3º e no 6º mês do estudo: ■ IFA: aspecto; teor do IFA; quantificação de produtos de degradação individuais e totais; e identificação de produtos de degradação, quando aplicável. ■ Medicamento: aspecto; teor; quantificação de produtos de degradação; dissolução ou teste de desempenho do produto, a depender da forma farmacêutica; pH; e quantificação de antimicrobianos e antioxidantes. ★ Estudos de Estabilidade Acelerados e de Longa Duração devem ser conduzidos com, no mínimo, 3 lotes de IFA. ★ Os lotes devem ser no mínimo fabricados em escala piloto, pela mesma rota de síntese e com método de procedimento de fabricação que simula o processo final que será aplicado nos lotes industriais. ★ A qualidade geral dos lotes do IFA deve ser representativa da qualidade dos lotes a serem fabricados em escala industrial. ★ A quantidade exigida de lotes pode ser menor que 3, em função de regulamentação em norma que dispõe sobre regularização de IFA. ★ Os Estudos de Estabilidade de Acompanhamento devem ser conduzidos com, no mínimo, 1 lote de IFA por ano, exceto se nenhum lote do IFA houver sido produzido no ano. 6 Condições de teste para IFA ■ Estudo de Estabilidade de Acompanhamento: estudo realizado com o objetivo de monitorar e confirmar o Prazo de Validade para medicamento ou IFA e o Prazo de Reteste de IFA; □ Deve ser realizado conforme previsto em Resolução que trata sobre as BPF. ■ Estudo de Fotoestabilidade: estudo que tem a finalidade de demonstrar que o IFA ou medicamento, quando exposto à luz, mantém-se dentro das especificações; Documento correspondente: ICH Q1B □ Deve ser realizado no medicamento fora de sua Embalagem Primária, completamente exposto à fonte de luz; □ Realizado com 1 lote representativo de produção do IFA. Caso haja resultado inconclusivo, o estudo deve ser repetido com 2 lotes adicionais representativos de produção do IFA. Registro de medicamentos com IFA já registrado no país, de pós-registro de medicamento, registro de novas concentrações e novas formas farmacêuticas de IFA já existentes no Brasil, e mudanças pós-regularização de IFA: ■ Estudos de Estabilidade de Longa Duração em andamento, com no mínimo 6 meses; ■ Estudos de Estabilidade Acelerados concluídos. Regularização de IFA, registro de medicamento com novo IFA no país, ● Estudos de Estabilidade de Longa Duração em andamento, com resultados de no mínimo 12 meses ● Estudos de Estabilidade Acelerados concluídos. Caso haja um resultado fora da especificação em um Estudo de Estabilidade, é responsabilidade da detentora do registro do medicamento realizar as investigações necessárias para identificação da causa raiz dos resultados. E caso a investigação seja inconclusiva ou conclua que o resultado não se tenha dado por FOTOESTABILIDADE – ICH Q1B Ele recomenda uma abordagem sistemática: i) Ensaios sobre a substância medicamentosa ii) Ensaios no medicamento exposto fora da embalagem imediata; e, se necessário; iii) Ensaios do medicamento dentro da embalagem imediata; e, se necessário iv) Testes ao medicamento na embalagem de comercialização. 7 um erro analítico, a empresa responsável deve enviar notificação à ANVISA, informando ainda as medidas que tomou para mitigação do risco sanitário. São consideradas mudanças significativas: ■ Perda de 5% no teor em relação ao valor inicial ou resultado fora da especificação para potência por método microbiológico ou imunológico, exceto medicamentos que contenham IFA vegetal e opoterápico; ■ Qualquer resultado fora do limite especificado; ■ Dissolução com resultado fora do limite especificado para 12 unidades; ■ Alterações significativas no perfil cromatográfico ou perda de 10% no teor do IFA para medicamentos que contenham IFA vegetal e opoterápico; ou ■ Perda de peso maior ou igual a 5% em 3 meses. Estudo de Degradação Forçada: estudo que permite a geração de produtos de degradação, por meio da exposição do IFA ou produto acabado a condições de estresse, como luz, temperatura, calor, umidade, hidrólise ácida/ básica, oxidação, entre outras; >>> Deve ser conduzido em 1 lote. Os procedimentos de amostragem adotados devem assegurar total representatividade e homogeneidade do(s) lote(s) objeto(s) do estudo. >>> Devem promover degradação em extensão suficiente para avaliação da formação de produtos de degradação, e inferior àquela que levaria à degradação excessiva e completa da amostra do IFA. >>> As amostras devem ser expostas a, no mínimo, 1,2 milhões de lux.horas e a uma energia de ultravioleta próxima de no mínimo 200 watt.horas/m2 em um sistema devidamente qualificado. RDC 53/2015 - Estabelece parâmetros para a notificação, identificação e qualificação de produtos de degradação em medicamentos com substâncias ativas sintéticas e semissintéticas, classificados como novos, genéricos e similares, e dá outras providências. Estabelece MIE (MétodosIndicativos de Estabilidade) = métodos de detectar e quantificar produtos de degradação. Consulta pública em andamento que tem como objetivo implementar a RDC 53/2015 Ela traz parâmetros correlacionados com os da ICH, tendo como principal objetivo facilitar a internacionalização 8 O estudo do perfil de degradação forçada deve obedecer aos seguintes requisitos: I - condução do estudo em um lote, em escala laboratorial, piloto ou industrial do medicamento; e II - para fins de comparação, a execução do estudo deve ser feita também com a formulação, com o placebo e no insumo(s) farmacêutico(s) ativo(s) isolado(s) e associado(s) no caso de associações em dose fixa. >>> O estudo do perfil de degradação forçada deve ser realizado em todas as concentrações do medicamento. >>> No caso das associações em dose fixa, deverão ser executados também os estudos de degradação forçada com os insumos farmacêuticos ativos isolados, associados e na formulação. Condições de estresse submetidas: ■ aquecimento - 60°C ■ umidade - 75% UR ou > ■ solução ácida - 0,1 M de HCl por 12 horas ■ solução básica - 0,1 M de NaOH por 12 horas ■ solução oxidante - peróxido de hidrogênio 3% ■ exposição fotolítica - 1,2 milhões de lux.horas >>> 6 milhões de lux.horas ■ íons metálicos - não tem especificação de quais devem ser utilizados, mas normalmente se utiliza óxidos de ferro, manganês e cobre Os testes devem promover uma degradação superior a 10% e inferior àquela que levaria à degradação completa da amostra, comprometendo o teste. Nos testes em que a degradação for inferior a 10%, a empresa deve apresentar justificativa técnica fundamentada. Objetivo é que se identifique apenas os produtos de degradação, não os PD dos PDs. Para saber se vai notificar, identificar ou qualificar o PD precisa analisar os limites que ele aparece considerando a dose máxima diária daquele medicamento. ■ Limite de notificação: valor acima do qual um produto de degradação deverá ser reportado no(s) estudo(s) de estabilidade; ■ Limite de identificação: valor acima do qual um produto de degradação deverá ter sua estrutura química identificada; ■ Limite de qualificação: valor acima do qual um produto de degradação deverá ser qualificado. PDs devem ser isolados para que possam ser qualificados e quantificados também, com objetivo de estabelecerem um perfil de segurança e perfil de toxicidade. Importante que eles sejam qualificados se forem encontrados em estudos com humanos ou quando a quantidade observada e o limite de aceitação proposto estiverem justificados em literatura; e também não exceder o limite de toxicidade. ○ Estabelecer a classificação de produto potencialmente tóxico 9 Análise crítica do perfil de degradação deve contemplar: ● Verificação da pureza cromatográfica do pico do insumo farmacêutico ativo no medicamento; ● Avaliação dos fatores que podem interferir de alguma forma na estabilidade do medicamento. O método analítico mais utilizado vai ser o HPLC devido a matriz complexa que compõem o produto. Vai avaliar pureza e similaridade dos picos cromatográficos. 10 DESENV. DE MEDICAMENTOS E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA PARA INDÚSTRIA Aspectos importantes que são requisitos para P, D & I que vão influenciar: ■ Expertise reconhecida - importante que o laboratório tenha reconhecimento pela indústria e pelo governo para que ela entre como uma possível parceira no desenvolvimento de produtos; ■ Recursos humanos qualificados - equipe precisa ter qualificação, tendo treinamentos e cursos de especialização; ■ Infra-estrutura de laboratórios semelhante ao PDI de uma indústria para que seja possível a transposição de tecnologia posteriormente; ■ Rede de pesquisadores associados - ligada principalmente a integração de trabalhos, networking… ■ Conhecimento do aspecto regulatório, principalmente sobre a ANVISA; ■ Financiamento de diferentes projetos - rotatividade de custos, às vezes o dinheiro que entra agora não vai pro trabalho de agora, vai pra um que já está em andamento; ■ Negociação com mercado Público e Privado - produtos desenvolvidos são de interesse desses dois. METODOLOGIA 1. Isolamento e síntese de IFAs e adjuvantes; 2. Caracterização e/ou Padronização dos insumos (é OBRIGATÓRIO essa etapa); 3. Realização de estudo de compatibilidade; 4. Planejamento de exemplos de formulação e forma farmacêutica: ■ Planejamento racional da formulação; 5. Desenvolvimento de formas farmacêuticas - fazer sistemas e formas farmacêuticas diferentes e avaliar; 6. Controle de qualidade de insumo e da forma farmacêutica; 7. Sistemas de liberação de fármacos - observar o que tem a resposta mais otimizada; 8. Estudo de estabilidade do IFA e da forma farmacêutica; 9. Transferência de tecnologia para sítio industrial - adequação para as condições daquela empresa. 10. Registro de patentes em NIT e INPI ■ INPI - concessão e garantia de direitos de propriedade intelectual para a indústria. 11. Registro de novos produtos na ANVISA 12. Distribuição para mercado via SUS e mercado de iniciativa privada. 11 PLANEJAMENTO DE CONTROLE DE PRODUÇÃO (PCP) “O PCP permite planejar quando, quanto, onde e em que ordem produzir, além de garantir a verificação contínua do funcionamento, para que tudo aconteça conforme o previsto. Assim, a fábrica vai produzir melhor e em todo o seu potencial.” → otimizam a produção da indústria e conquistam mais vantagem competitiva e melhorias de desempenho. >>> Relacionado a indústria 4.0 - beneficiada pela utilização de sistemas cibernéticos, internet das coisas, inteligência artificial e armazenamento em sistemas de nuvem. Controle e avaliação de produções, com objetivo de identificar mudanças fora do limite aceitável nos processos dentro da produção, como corrigi-los, para que não se tenha a perda total de um lote. Sistema de transformação de informações: informações sobre estoque existente, vendas previstas, linha de produtos, modo de produzir e a capacidade de produção são sistematicamente transformadas na ordem de fabricação ou Dossiê de fabricação. Objetivos da PCP ■ Minimizar as ociosidades de homens e máquinas - otimizar o trabalho para que nada fique só ocupando espaço e sem estar produzindo. ■ Manter o material em níveis de estoque satisfatórios - impedir que a empresa pare por causa de falta de suprimento. Otimização da cadeia de suprimentos. ■ Reduzir a movimentação de materiais e o custo de armazenamento - excesso de determinado composto fique ali ocupando espaço e chegue a passar da validade = perda de dinheiro. ■ Permite obter uma produção na qualidade e quantidade desejada e a custo mais baixo. Funções da PCP ■ Planejar necessidades futuras da capacidade produtiva; ■ Planejar os materiais comprados; ■ Planejar os níveis de estoque ■ Programar as atividades de produção; ■ Ser capaz de saber e informar a respeito dos recursos e das ordens; ■ Prever os menores prazos possíveis aos clientes e cumpri-los ■ Ser capaz de agir eficazmente - caso aconteça algum problema, vai conseguir ver a causa e como corrigi- la. Benefícios PCP ■ Fluxo inteligente de matérias-primas e outros materiais na linha de produção ■ Redução de custos com mais racionalidade ■ Mais integração entre as diferentes áreas do negócio 12 ■ Tomada de decisão com base em dados ■ Incremento de resultados ■ Redução de perdas e danos na produção ■ Gestão de estoque mais assertiva. Objetivos principais desse sistema de gestão. ■ Planejamento: São definidos quando e quais produtos devem ser produzidos. Todas as demandas devem ser colocadas no papel, após a análise completa de processos do negócio. Ao entender os gargalos e possibilidades, as lideranças podem definir os objetivos e planejar ações. ■ Programação: aqui, serão identificados os recursos necessários para realizar cada fase da operação. Issoinclui máquinas, matérias-primas, pessoas e até tecnologias. Também há definição de prioridades, limitações, sequenciamento da produção e monitoramento. ■ Controle: o objetivo é controlar se o planejamento e a programação foram realizados com base nos parâmetros definidos e se há apontamentos na produção. ERP - conjunto de aplicativos ou módulos integrados para gestão dos principais processos de negócios de uma empresa, incluindo finanças e contabilidade, cadeia de suprimentos, RH, procurement, vendas, gestão de estoques e muito mais. ↪ Possível fazer diagnósticos aprofundados sobre as medidas necessárias para reduzir custos e aumentar a produtividade. ↪ Gerenciamento e monitoramento em tempo real. ↪ Aumenta a eficácia e facilita a comunicação entre os setores. O Plano Mestre de Produção - Fase I - Planejamento de produção. Fase II = Liberação É a etapa fundamental no planejamento de produção da sua indústria. Ele prioriza quais são as ordens de fabricação mais importantes, define prazos, utilização de mão de obra, equipamentos, orçamento e utilizará de forma otimizada a sua capacidade produtiva. ↪ Avaliação de prioridades e necessidades, monitoramento fino na execução (onde muitos detalhes são avaliados), sincronização de operações e estabelecimento de planos reservas caso aconteçam intercorrências no processo. ↪ Importante programar a partir de informações de areas estratégias: marketing (previsão de vendas), departamento de compras (relacionado aos pedidos de compra) e estoque (capacidade produtiva). ↪ Avaliação das pessoas que trabalham no setor e se elas têm capacitação de trabalhar ali ou precisam de treinamento. Previsibilidade do produto – Esboço para a previsão de demanda industrial para projeção da capacidade produtiva. 13 ↪ Afeta diretamente o desempenho esperado de suas funções de planejamento e controle no sistema produtivo. ↪ Fatores dependentes: ■ Projeções de Tendência ■ Sazonalidade ■ Variações irregulares - fatores excepcionais ■ Variações aleatórias que não podem ser previsíveis (Ex. pandemia) Controle de produção: Índice de produtividade - avalia a produtividade e compara com valor estimado Índice de eficiência - avaliar se toda eficiência industrial está sendo utilizada. (Produção realizada / Capacidade - parada das máquinas) x 100 Índice de perdas - percentagem padrão de perda aceitável/normalmente é até 3% Produção padrão - produção realizada / produção padrão Controle de estoque - cálculo do limite mínimo ou de segurança para manter o fluxo de consumo quando ocorrerem situações inesperadas/contratempos de suprimento ou de consumo do produto. Vai considerar no cálculo o tempo de espera para aquele produto chegar na indústria para ser utilizado. >>> Fatores que afetam estoque: ● Sazonalidade e variação de demanda ● Diversidade ou variedade de produção - relacionado ao tamanho do lote, limitações de maquinário ● Prazo de validade - importante que tenha rotatividade para que os produtos não expirem a validade ● Ciclo de produção ● Estoque em trânsito - produtos que estão em rota de deslocamento pelas transportadoras Lote econômico de compra (LEC) - a quantidade de material a encomendar de cada vez para obter o mínimo custo total, levando-se em conta as despesas de armazenamento, os juros do capital empatado e as despesas gerais de compra. Resultado depois da implantação: melhoria na produtividade geral da empresa, ganho de qualidade e disponibilidade de informações gerenciais de forma rápida e segura. 14 CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSO (CEP) “Controle Estatístico de Processo (CEP) é um método de medição e controle do processo de fabricação. Ele é uma ferramenta essencial para controle de qualidade, sendo eficaz para impulsionar a melhoria contínua e detectar um problema ou falha preventivamente.” Ferramenta estatística que vai examinar quando vai ser necessário aplicação de uma ação corretiva num processo. Ela vai se basear principalmente no monitoramento on-line da qualidade para melhorar processos de produção com menos variabilidade, para que se tenham níveis melhores no resultado. ↪ permite o aumento de produtividade e quantidade → melhora a competitividade da empresa através da qualidade. Todos os processos estão sujeitos a variabilidade. Ela não pode ser zerada 100%, mas é possível reduzir até certo ponto para evitar retrabalho. As principais fontes de variabilidade em processos produtivos - onde é necessário avaliar multivariáveis juntas. ■ Relacionado a mão de obra; ■ Relacionada a matéria prima; ■ Relacionada ao método (processos); ■ Relacionado ao meio ambiente de produção - como luminosidade e umidade; ■ Relacionada às máquinas; ■ Relacionada ao meio de medição. As causas das variações podem ser: Comuns: Cujas variáveis são inerentes ao tempo e podem se repetitivas. As soluções demandam um longo prazo. Especiais: Apontam variações atípicas no processo, mas que podem ser eliminadas por ações locais e imediatas. CEP vai ser importante para melhorar a qualidade e a capacidade dos processos. Considerando BPFC (Boas Práticas de Fabricação e Controle) e PCP (Planejamento e Controle de Produção) como formas de otimização de processos e redução de perdas, é quase obrigatório que uma empresa use CEP pra se manter competitivo no mercado. → Utilização de algumas ferramentas de qualidade: PDCA, Diagrama de Ishikawa, 5 porquês, SIPOC, Carta Controle. SIPOC - diagrama cuja função é reunir as informações necessárias a fim de demonstrar de forma clara quais são as entradas e saídas de um processo, seu início e término, a sequência de atividades e os responsáveis por elas, além dos clientes → possível esclarecer melhor as etapas do processo, definindo e formalizando diversos fatores que impactam diretamente na execução do trabalho. 15 → Para a aplicação de ferramentas do CEP, apenas 10% têm o cunho estatístico e 90% administrativo na detecção, planejamento e controle das possíveis falhas. Um controle eficaz vai apresentar 5 componentes: 1. Técnicas estatísticas; 2. Técnicas de solução de problemas; 3. Liderança e atitudes para aperfeiçoamento da produtividade; 4. Planejamento de qualidade; 5. Método sistemático que atua como catalisador da qualidade no processo. Por meio do CEP é possível: ■ Detalhar o comportamento do processo; ■ Identificar a sua variabilidade; ■ Possibilita o seu controle ao longo do tempo; ■ Coleta dados contínuos de produção ■ Mais importante: análise e bloqueio de possíveis causas especiais, responsáveis pela instabilidade no processo. Condições importantes para implantar o CEP: ● Descrever todo o processo cuja histórico será documentado; ● Definir os principais parâmetros a serem controlados; ● Definir critérios referentes às condições de controle (estabelecimento de linha central de tendência de média) e as condições fora dos limites de controle da qualidade do produto (linhas de controle dos parâmetros selecionados). Aplicação da Carta Controle: indicam instabilidades ao longo do processo; estabelece limites de especificações para os produtos e mostra uma tendência de variação de dados. Existe uma diferença entre linha de controle e linha de especificação. Essa segunda vai estar muito mais ligada a especificações ligadas ao produto, não a variabilidade dentro do processo. ● Definir quais, como, quando e onde os dados serão coletados e registrados (setores e atores envolvidos). É importante que os produtos fiquem dentro do intervalo, sendo melhor próximo à linha média (LM) do intervalo, para garantir que ele não esteja fora dos limites a ponto de ser perdido ou causar prejuízos para a indústria. Importante que seja um processo centralizado: cujos resultados e medições apresentam variações dentro dos limites aceitáveis da amplitude da especificação (LIE - limite inferior de especificação- e LSE - limite superior de especificação) - processo vai ter uma distribuição normal. >>> Avaliação da capacidade do processo: uma vez que verifique estabilidade do processo, pode avaliar se o processo atende às especificações ou não. 16 Processo Incapaz - Valores ultrapassam a amplitude especificada ou estão desviados para fora do intervalo da amplitude ou fora dos limites estabelecidos. Processo Satisfatório (Cp bom) - Valores estão dentro da amplitude (limites estabelecidos) porém tem distribuição mais ampla/com menor centralização. Processo Capaz (Cp alto) - Valores estão dentro da amplitude e tem uma distribuição bem centralizada de resultados, pico fino. Vai ser importante para obter informações para melhoria contínua do processo. Uma forma de garantir uma boa capacidade do processo é por meio da adoção das Boas Práticas de Fabricação. REVISANDO AS PRINCIPAIS FERRAMENTAS DO CEP: ★ CARTA DE CONTROLE - avaliar se o processo tem mudado ao longo do tempo. As cartas de controle são úteis para realçar valores dos parâmetros analisados que permitem verificar variação no lote ou entre lotes, por acompanhamento das variações da média de uma especificação. O CEP gera os limites de controle que são mais estreitos que os resultados trazidos pelas especificações fornecidas pela farmacopeia para avaliar esses parâmetros. Ela vai conseguir avaliar mais intimamente a reprodutibilidade de um processo. ★ ESTUDO DE CAPACIDADE - saber se o processo é bom o bastante. As causas relacionadas às variações são divididas em 2 tipos: ★ Causa comum - inerente ao processo. Ex.: discreta desregulação de uma máquina pelo passar do tempo. Normalmente, mesmo que elas aconteçam, ela ainda tende a manter o processo dentro dos seus limites de controle ★ Causa especial - algo aleatório, inesperado e que as pessoas acham difícil de acontecer. São causas que ocorrem fora do controle estatístico e podem ser ocasionadas por problemas com matéria-prima que estejam com propriedades diferentes da esperada, meio de medição fora do padrão ou erros relacionados a equipamentos. Vai ser importante a análise e bloqueio de possíveis causas especiais responsáveis pela instabilidade de processos → importante determinar o problema, sua extensão e como ele pode ser resolvido → utilizar ferramentas de qualidade como diagrama de causa e efeito, por exemplo. 17 BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO DE MEDICAMENTOS (BPFM) - 658/2022 Diretrizes gerais de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos do Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica (PIC/S), como requisitos mínimos a serem seguidos na fabricação de medicamentos. ⇒ Processo para garantir a qualidade do meio de produção. CBPF - Certificado de Boas Práticas de Fabricação é OBRIGATÓRIO ⇒ já que ele é relacionado aos aspectos mínimos necessários para fabricação de medicamentos. Os certificados ISO são mais a título de melhora, como mais uma forma de garantir a qualidade, o que acaba sendo um diferencial entre diferentes empresas. ** Para alcançar qualidade é necessário um Sistema da Qualidade Farmacêutica abrangente e corretamente implementado, incorporando as Boas Práticas de Fabricação e Gerenciamento dos Riscos de Qualidade. >> Para garantir a qualidade é necessário processo de autoinspeção e/ou auditoria da qualidade, que avalie regularmente a efetividade e a aplicabilidade do Sistema da Qualidade Farmacêutica ↪ estabelecimento por meio da aplicação dos princípios de Gerenciamento de Risco na Qualidade; ↪ nos casos em que a(s) verdadeira(s) causa(s) raiz(es) do problema não puder(em) ser determinada(s), deve-se considerar a identificação da(s) causa(s) raiz(es) mais provável(eis) e abordá-la(s) ↪ quando se suspeitar ou identificar erro humano como causa, isso deve ser justificado, tendo-se o cuidado de garantir que erros ou problemas de processo, de procedimento ou de sistema não tenham sido negligenciados, se for o caso ↪ ações corretivas e/ou ações preventivas (CAPAs) apropriadas devem ser identificadas e implementadas em resposta às investigações, devendo ser monitorada e avaliada a eficácia dessas ações, de acordo com os princípios do Gerenciamento de Riscos da Qualidade. Um Manual da Qualidade ou documentação equivalente deve estar estabelecido e deve conter uma descrição do Sistema de Gestão da Qualidade Farmacêutica, Os requisitos básicos das BPF são: I - todos os processos de fabricação devem estar claramente definidos, sistematicamente revisados à luz da experiência, e demonstrar serem capazes de produzir medicamentos com a qualidade exigida e em conformidade com as suas especificações; II - as etapas críticas dos processos de fabricação, bem como quaisquer mudanças significativas, devem estar validadas; III - o fornecimento de todos os recursos necessários, incluindo: a) pessoal qualificado e adequadamente treinado; b) instalações e áreas adequadas; Significa que seu fornecedor estabeleceu uma abordagem sistêmica para a gestão da qualidade e que está gerenciando seu negócio de tal forma que assegura que as suas necessidades estejam compreendidas, aceitas e atendidas. 18 c) equipamentos e serviços apropriados; d) materiais, recipientes e rótulos corretos; e) procedimentos e instruções aprovadas, de acordo com o Sistema da Qualidade Farmacêutica; e f) armazenagem e transporte adequados. Gerenciamento de Riscos da Qualidade - um processo sistemático de avaliação, controle, comunicação e revisão de riscos para a qualidade do medicamento, Ele pode ser aplicado de forma proativa (Identificar comportamentos que levem à ocorrência de perigo, e detê-lo antes que ele ocorra) e retrospectiva (olhar o que aconteceu antes para descobrir a raiz daquele risco/problema). Os princípios do : I - a avaliação do risco à qualidade é baseada em conhecimento científico, experiência com o processo e, em última instância, vincula-se à proteção do paciente; e II - o nível de esforço, formalidade e documentação do processo de Gerenciamento de Risco da Qualidade é compatível com o nível de risco “A adesão do Brasil ao PIC/s contribuirá para a melhoria da qualidade e da imagem dos medicamentos produzidos no País, além de possibilitar o aumento da competitividade das empresas nacionais e seus produtos nos mercados internacionais”. >>>> Foram adotados então por diferentes países regulamentos para previsão do prazo de validade de fármacos e medicamentos. No entanto, a multiplicidade de documentos gerava divergências entre os profissionais da área ⇒ harmonização da legislação ⇒ ICH >>>> Convenção Farmacêutica Internacional e Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica - é uma iniciativa de modernização dos instrumentos regulatórios, voltado para duas principais atividades: ■ Harmonização internacional, por meio do estabelecimento de guias de referência na área de Boas Práticas de Fabricação e de Distribuição de produtos farmacêuticos (BPF e BPD); e ■ Realização de treinamentos a fim de tornar equivalentes os sistemas de inspeção de boas práticas de fabricação de todo o mundo. Processo de harmonização é importante para as transações comerciais ⇒ facilita processo ja que por ter os mesmos parâmetros padronizados, permite que seja mais rápido a avaliação do produto. CAPA - Sistema de Ação Corretiva e Ação Preventiva: processo de trabalho, no qual podem ser utilizadas diversas ferramentas, tanto de gestão da qualidade, quanto do gerenciamento de risco, que se aplica à identificação; à avaliação e à investigação de eventos (desvios, não conformidades, etc.) passados; à definição do plano de ação; à implementação das ações definidas no plano de ação e, por último, à verificação da efetividade das ações (corretivas e preventivas) implementadas, ou para cessar a causa raiz de eventos passados (desvios, não conformidades, etc.), evitando-sereincidências, ou para prevenir a ocorrência de eventos futuros (desvios, não conformidades, etc.); e se referindo a um componente do sistema da qualidade que, conduzido de maneira consistente e eficaz pela empresa, tem o poder de auxiliar na promoção da melhoria contínua do Sistema da Qualidade Farmacêutica; EM RELAÇÃO AO PESSOAL 19 ★ Deve haver pessoal qualificado em quantidade suficiente para desempenhar corretamente todas as atividades pelas quais o fabricante é responsável. ★ As responsabilidades individuais devem estar claramente definidas, compreendidas e registradas por todos os envolvidos. ★ Todo o pessoal deve estar ciente dos princípios das Boas Práticas de Fabricação que os afetam e receber treinamento inicial e contínuo, incluindo instruções de higiene, relevantes para suas necessidades. ★ As responsabilidades atribuídas a qualquer indivíduo não deve ser tão extenso a ponto de apresentar qualquer risco para a qualidade - Responsáveis pela Produção, Controle de Qualidade e o Responsável pela Garantia da Qualidade ou Unidade da Qualidade estão em hierarquias diferentes e organizados de modo que não tenha conflito de interesses. ★ O fabricante deve fornecer treinamento para todo o pessoal cujas funções sejam exercidas nas áreas de produção e armazenamento ou laboratórios de controle (incluindo o pessoal técnico, de manutenção e limpeza) e para outras pessoas cujas atividades possam afetar a qualidade do produto - e os treinamentos devem ser registrados. EM RELAÇÃO A INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS ★ As instalações e os equipamentos devem estar localizados, projetados, construídos, adaptados e mantidos de acordo com as operações a serem executadas. ★ O desenho e o projeto devem minimizar risco de erros e permitir limpeza e manutenção efetiva, de modo a evitar a contaminação cruzada, o acúmulo de pó ou sujeira ou quaisquer prejuízos para a qualidade dos produtos. ★ A iluminação, temperatura, umidade e ventilação devem ser adequadas, não devendo prejudicar, direta ou indiretamente, os medicamentos durante a sua fabricação e armazenamento, ou o funcionamento preciso dos equipamentos. ★ Os princípios do Gerenciamento de Riscos da Qualidade devem ser utilizados para avaliar e controlar os riscos. ★ Nas áreas onde matérias-primas, materiais de embalagem primária, produtos intermediários ou a granel estiverem expostos ao ambiente, as superfícies internas (paredes, pisos e tetos) devem ser lisas, livres de rachaduras e juntas abertas, e não devem liberar material particulado, permitindo limpeza fácil e efetiva e, se necessário, desinfecção ★ Os laboratórios de Controle de Qualidade devem ser preferencialmente separados das áreas de produção. ⇒ Os laboratórios de controle de produtos biológicos, microbiológicos e radioisótopos também devem estar separados não somente entre si, mas também das áreas de produção. ★ Os equipamentos de medição, pesagem, registro e controle devem ser calibrados e verificados em intervalos definidos e por métodos apropriados. Parágrafo único. ⇒ Registros adequados da calibração de que trata o caput deste artigo devem ser mantidos. EM RELAÇÃO A DOCUMENTAÇÃO ★ O principal objetivo do sistema de documentação utilizado deve ser estabelecer, controlar, monitorar e registrar todas as atividades que, direta ou indiretamente, afetam todos os aspectos da qualidade dos medicamentos ⇒ deve incluir detalhes instrutivos suficientes para facilitar o entendimento comum dos 20 requerimentos, além de permitir o registro satisfatório dos vários processos e a avaliação de quaisquer observações, para que a aplicação contínua dos requisitos possa ser demonstrada. ★ Medidas de controle e de relação para documentos mestres, cópias oficiais, manuseio de dados e registros precisam ser definidos para sistemas híbridos e homogêneos. ★ Os Procedimentos Operacionais Padrão, as Instruções de Trabalho e os Métodos devem ser escritos preferencialmente no modo imperativo. ★ As especificações para produtos intermediários e a granel devem estar disponíveis para etapas críticas ou se esses produtos forem adquiridos ou expedidos Produto acabado: produto que tenha passado por todas as etapas de produção, incluindo rotulagem e embalagem final ⇒ Os produtos acabados devem ser mantidos em quarentena até a sua liberação final, sob as condições estabelecidas pelo fabricante. Produto a granel: qualquer produto que tenha completado todos os estágios de processamento até, mas não incluindo, a embalagem primária, sendo os produtos estéreis em sua embalagem primária considerados produto a granel; Produto intermediário: produto parcialmente processado que deve ser submetido a etapas subsequentes de fabricação antes de se tornar um produto a granel; Antes que qualquer operação de processo seja iniciada, devem ser tomadas medidas para assegurar que a área de trabalho e o equipamento estejam limpos e livres de quaisquer matérias-primas, produtos, resíduos de produtos ou documentos não necessários para a operação atual. EM RELAÇÃO A DOCUMENTAÇÃO As operações de produção devem respeitar procedimentos claramente definidos, devem satisfazer os princípios das Boas Práticas de Fabricação a fim de que sejam obtidos produtos com a qualidade exigida e em conformidade com as respectivas autorizações de fabricação e com o registro >>> Todo o manuseio de materiais e produtos, como recebimento e quarentena, amostragem, armazenamento, rotulagem, dispensação, processamento, embalagem e distribuição deve ser feito em conformidade com procedimentos ou instruções escritas e, se necessário, ser registrado. As etiquetas aplicadas em recipientes, equipamentos ou instalações devem ser claras, não ambíguas e no formato acordado pela empresa ⇒ É recomendável e útil que, em adição ao texto nas etiquetas, se utilizem cores para indicar o status (por exemplo, em quarentena, aprovado, reprovado, limpo). VALIDAÇÃO - Os estudos de validação devem reforçar as Boas Práticas de Fabricação e serem conduzidos de acordo com procedimentos definidos. Os resultados e conclusões dos estudos de validação devem ser registrados. Quando qualquer nova fórmula de fabricação ou método de preparação for adotado, devem ser tomadas medidas para demonstrar sua adequação ao processo da rotina. *** Alterações significativas no processo de fabricação, incluindo qualquer mudança no equipamento ou materiais, que possam afetar a qualidade do produto e/ou a reprodutibilidade do processo, devem ser validadas. *** Auditorias subsequentes devem ser realizadas em intervalos definidos pelo processo de Gerenciamento de Riscos de Qualidade, para garantir a manutenção dos padrões e o uso contínuo da cadeia de suprimentos aprovada. 21 CONTROLE DE QUALIDADE - é responsável pela amostragem, especificações e testes, bem como na organização, documentação e procedimentos de liberação que asseguram que os testes necessários e relevantes sejam realizados, que os materiais não sejam liberados para uso, nem produtos liberados para venda ou fornecimento, até que sua qualidade tenha sido considerada satisfatória. >>> A independência do Controle de Qualidade da Produção é considerada fundamental para o bom funcionamento do Controle de Qualidade. >>> O Sistema da Qualidade do Contratante deve incluir o controle e revisão de quaisquer atividades terceirizadas. 22 RADIOFÁRMACOS E RADIOTERAPIA DEFINIÇÕES: Pela absorção da energia das radiações (em forma de calor) células ou pequenos organismos podem ser destruídos. Essa propriedade, que normalmente é altamente inconveniente para os seres vivos, pode ser usada em seu benefício, quando empregada para destruir células ou microorganismos nocivos. MEDICINA NUCLEAR: É a especialidade médica que utiliza as propriedades nucleares de compostosradioativos para realizar avaliações diagnósticas das condições anatômicas ou fisiológicas, tratamentos terapêuticos e pesquisas médicas. Um aspecto único da Medicina Nuclear é a sensibilidade elevada para detectar alterações na função ou morfologia de um determinado órgão, fazendo uso dos radiofármacos (Sorenson, Phelps, 1987; Shung, Smith, Tsui, 1992; Chandra, 1992; Zolle, 2007). Como ocorre? Radioisótopos administrados a pacientes passam a emitir suas radiações do lugar (no caso, órgão) onde têm preferência em ficar. Um exemplo prático bem conhecido é o uso do iodo-131 (I-131), que emite partícula beta, radiação gama e tem meia-vida de oito dias. O elemento iodo, radioativo ou não, é absorvido pelo organismo humano preferencialmente pela glândula tireóide, onde se concentra. O funcionamento da tireóide influi muito no comportamento das pessoas e depende de como o iodo é por ela absorvido. O fato de ser radioativo não tem qualquer influência no comportamento de um elemento químico em relação aos demais elementos. Radioisótopos: elementos com o mesmo número de prótons, dos quais pelo menos um é radioativo. Radionuclídeo: proposto em 1947 como mais apropriado, uma vez que a radiação é proveniente do núcleo do átomo. Radiotraçador: substância que permite acompanhar um processo químico ou biológico e que emite radiação gama. São radioisótopos que, usados em pequenas quantidades, podem ser acompanhados por detectores de radiação. Radiofármaco: medicamento composto por preparado farmacêutico marcado com um radionucleotídeo. 23 RADIOTERAPIA Um objeto ou o próprio corpo, quando irradiado (exposto à radiação) por uma fonte radiativa, NÃO FICA RADIOATIVO. RADIOISÓTOPOS Os radiofármacos usados em medicina no Brasil são, em grande parte, produzidos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN, da CNEN, em São Paulo. O tecnécio-99 (Tc-99m) é utilizado, para obtenção de mapeamentos (cintilografia) de diversos órgãos: cintilografia renal, cerebral, hepato-biliar (fígado), pulmonar e óssea; diagnóstico do infarto agudo do miocárdio e em estudos circulatórios; cintilografia de placenta. Outro radioisótopo, o Samário-153 (Sm-153), é aplicado (injetado) em pacientes com metástase óssea, como paliativo para a dor. Esses produtos são distribuídos semanalmente pelo IPEN para os usuários. Fonte: Apostilha educativa. Aplicações da Energia Nuclear Para diagnóstico de tireóide, o paciente ingere uma solução de iodo-131, que vai ser absorvido pela glândula. “Passando” um detector pela frente do pescoço do paciente, pode-se observar se o iodo foi muito ou pouco absorvido em relação ao normal (padrão) e como se distribui na glândula. O detector é associado a um mecanismo que permite obter um “desenho” ou mapeamento, em preto e branco ou colorido, da tireóide. Um diagnóstico, no caso um radiodiagnóstico, é feito por comparação com um mapa padrão de uma tireóide normal. A mesma técnica é usada para mapeamento de fígado e de pulmão Iodo-131: é usado para eliminar lesões identificadas nos radiodiagnósticos da tireóide, aplicando- se, no caso, uma dose maior do que a usada nos diagnósticos. Fontes radiativas (= fontes de radiação) de césio-137 e cobalto-60 são usadas para destruir células de tumores, uma vez que estas são mais sensíveis à radiação do que os tecidos normais (sãos). 24 RADIOTRAÇADORES Equipamentos Câmara de cintilação (câmara gama): responsável por captar a radiação gama e gerar um sinal elétrico que irá fornecer informações anatômicas e funcionais que serão computadorizadas gerando uma imagem que será interpretada pelo médico nuclear responsável. Aplicações Danos fisiológicos no coração Fluxo sanguíneo no cérebro Patologias da tireóide Características Meia-vida radioativa e biológica curta Boa biodisponibilidade Emissor gama Alta energia (para atingir o cintilador) Pode ou não ter captação seletiva Traçadores Cloreto de tálio (TL-201) Iodeto de sódio (I-131) MDP (Tc-99m) RADIOFÁRMACOS Tratam-se da medicamentos com finalidade diagnóstica obtidos pela associação de um fármaco ou vetor fisiológico (que quando administrado tem fixação preferencial em um determinado tecido ou órgão) com um ou mais radionuclídeos. Fonte: Radiofármacos e radioterapia. Professor Mario Gandra. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1dWx53L6qeQ Espera-se que a radiação não saia do organismo. O tecido será irradiado, por consequência do acúmulo do radiofármaco, para que a radiação haja sobre o tecido. Espera-se que a radiação saia do indivíduo para chegar ao equipamento para diagnóstico. 25 Os ligantes empregados na elaboração de radiofármacos incluem compostos orgânicos, inorgânicos e biomoléculas (peptídeos, anticorpos monoclonais e seus fragmentos e oligonucleotídeos). Desta forma os radiofármacos são classificados pelo FDA como droga ou produto biológico (CFR 21, Part 315). Vias de administração: a. Oral b. Inalatória c. Intravenosa A grande aplicação dos radiofármacos está em Medicina Nuclear diagnóstica, representando cerca de 95% dos procedimentos em Medicina Nuclear. Nos últimos anos, entretanto, tem crescido consideravelmente a aplicação dos radiofármacos em procedimentos terapêuticos, envolvendo desde a simples administração de solução de iodeto de sódio (iodo-131) para terapia de câncer de tireóide e hipertireoidismo, até o uso de peptídeos e anticorpos monoclonais específicos, como o anticorpo anti-CD- 20 marcado com elementos radioativos emissores beta (itrio90, lutécio-177 e iodo-131), empregado na terapia de linfoma do tipo não-Hodgkin, numa modalidade terapêutica denominada Radioimunoterapia (Araújo et al., 2004; Araújo et al., 2005; Akanji et al., 2005; Nagamati et al., 2005; Caldeira Filho et al., 2005; Caldeira Filho et al., 2006). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a responsável pela notificação, registro e pós registro de medicamentos radiofármacos. A Agência avalia, conforme a regulamentação vigente, os requisitos de qualidade, eficácia e segurança necessários para a aprovação e disponibilização destes produtos no mercado. A categoria compreende os radiofármacos prontos para uso, os componentes nãoradioativos para marcação e os precursores radiofarmacêuticos, incluindo os componentes extraídos dos geradores de radionuclídeos Normas atualmente vigentes: RDC nº 738/2022, que dispõe sobre o registro, notificação, importação e controle de qualidade de radiofármacos; Instrução Normativa (IN) nº 80/2020, que regulamenta a documentação necessária para o protocolo de registro de radiofármacos; IN nº 81/2020, que regulamenta a lista de radiofármacos passíveis de apresentarem dados de literatura para comprovação da segurança e eficácia. A lista de radiofármacos registrados, e a situação do registro, pode ser consultada no portal da ANVISA através do link: https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamento s/q/?categoriasRegulatorias=7 26 Aplicação de radiofármacos em terapias: O radionuclídeo é geralmente um elemento emissor de partículas ionizantes (partículas α, β, ou elétrons Auger), com energia para promover a destruição de células e alcance relativamente curto, evitando a irradiação de tecidos sadios situados ao redor do tecido alvo. O tipo de partícula a utilizar depende do tamanho do tumor, da distribuição intratumoral e farmacocinética do radiofármaco. Os radiofármacos para terapia são utilizados para promover uma alteração em uma estrutura alvo ou um processo de doença, apresentando aplicação mais freqüente na terapia do câncer (destruição do tecido tumoral)e também em radiosinovectomia (tratamento de artrite reumatóide a partir da aplicação de radiofármacos na cavidade sinovial) (Couto et al., 2006A; Couto et al., 2006B). Radionuclídeos emissores de partículas β - São os radionuclídeos mais utilizados em terapia. As partículas β- permitem uma dose de radiação uniforme apesar da sua deposição nos tecidos alvo (tumores) ser heterogênea. Radionuclídeos emissores de partículas α Estes radionuclídeos são os escolhidos quando se pretende que a radiação tenha um pequeno alcance. Radionuclídeos emissores de elétrons Auger Ainda não existem radiofármacos comercializados emissores de elétrons Auger, mas a concepção de radiofármacos baseados nos elétrons Auger constitui-se em área ativa de investigação. Será necessário conceber um radiofármaco específico internalizado pelas células e que atinja o núcleo das mesmas. O inciso XV do artigo 3º da RDC nº 738/2022 define que Radiofármaco é o medicamento com finalidade diagnóstica ou terapêutica que, quando pronto para o uso, contém um ou mais radionuclídeos. Os radiofármacos compreendem, também, os componentes não radioativos para marcação e os precursores radiofarmacêuticos, incluindo os componentes extraídos dos geradores de radionuclídeos. Dessa forma, os precursores radiofarmacêuticos e os kits para marcação são também considerados Radiofármacos. 27 Aplicação de radiofármacos em diagnósticos: Os radiofármacos para diagnóstico, por sua vez, são utilizados para adquirir imagens ou identificar uma estrutura interna ou um processo de doença. O componente de imagem geralmente é um elemento radioativo de meia vida curta que emite fótons a partir do decaimento radioativo com suficiente energia para penetrar a massa tecidual do paciente. Os fótons emitidos são detectados por aparatos especiais que geram imagens (câmaras gama ou tomógrafos para emissão de fótons – SPECT (“Single Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&format=html Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&format=html 28 Photon Emission Computer Tomography”) ou para emissão de pósitrons – PET (“Positron Emission Tomography”) (Sorenson, Phelps, 1987; Shung, Smith, Tsui, 1992; Chandra, 1992). Produção de radionuclídeos Os radionuclídeos usados em Medicina Nuclear para diagnóstico e terapia são produzidos artificialmente em reatores ou aceleradores de partículas. Podem, ainda, ser acessíveis através de geradores de radioisótopos, que permitem a utilização de radionuclídeos de t1/2 curto, a partir do decaimento de um radionuclídeo com t1/2 longo. Estes radionuclídeos de t1/2 longo são produzidos em reator ou cíclotron (Saha, 1998). Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&for mat=html 29 Preparação de radiofármacos Fatores importantes: Eficiência do processo de marcação; Estabilidade química do composto; Condições físico-químicas da marcação; Condições de armazenamento; Radiólise: muitos compostos marcados decompõem-se por ação da radiação emitida pelo próprio radionuclídeo e este efeito aumenta quanto maior for a atividade específica do composto. A radiólise pode provocar a quebra da ligação química entre o radionuclídeo e a molécula, ou pode interagir com o solvente formando radicais livres, que também podem ter efeito nocivo para o composto radioativo, promovendo o aparecimento de impurezas radioquímicas; Prazo de validade: A perda de eficácia depende do tempo de semi-desintegração do radionuclídeo, do tipo de solvente, dos excipientes, do tipo de radiação emitida e da natureza da ligação química entre o radionuclídeo e o composto ao qual ele se liga. Preparações radiofarmacêuticas: Prontas para uso: São radiofármacos que incorporam na sua estrutura um radionuclídeo com meia- vida suficientemente longa para permitir a sua produção industrial e distribuição, desde o laboratório produtor até ao local de aplicação. São fornecidos na sua forma final, prontos a usar ou exigindo Fonte: Oliveira et al., 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/RjFqKQxWrfCHv8Z4hqgq68m/?lang=pt&for mat=html 30 apenas operações simples de diluição ou reconstituição, para preparação de doses individuais de acordo com uma prescrição concreta. Preparadas a partir de produtos semi-manufaturados (kits frios): utilizam radionuclídeos com tempo de meia vida curto. A preparação do radiofármaco é feita imediatamente antes de sua administração. Tc-99m: Os radiofármacos de tecnécio são preparados pela adição de pertecnetato de sódio a um “kit” liofilizado, que contém os componentes necessários para preparar o composto radioativo. Autólogas: São radiofármacos resultantes da marcação com radionuclídeos de amostras do paciente (geralmente células sanguíneas), que são depois readministradas. A marcação de células sanguíneas pode ser efetuada in vitro ou in vivo, sendo a marcação in vitro a que produz melhores imagens cintilográficas. 31 REFERÊNCIAS Agência Nacional de Vigilância Sanitária. ANVISA. Assunto: radiofármacos. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/regularizacao/medicamentos/radiofarmacos/documentos- orientativos-e-guias/pr_rf_rdc_451_v27-10-22_revggbio-1.pdf Comissão Nacional de Energia Nuclear. CNEN. Apostilha educativa: aplicações da energia nuclear. Disponível em: https://www.gov.br/cnen/pt-br/material-divulgacao-videos-imagens-publicacoes/publicacoes- 1/aplicacoesdaenergianuclear.pdf SORENSON, J.A.; PHELPS, M.E. Physics in nuclear medicine. 2. ed. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 1987. p. 13-21, 143-151, 391-451, 543-548. SHUNG, K.K.; SMITH, M.B.; TSUI, B. Principles of medical imaging. 1. ed. California: Academic Press, 1992. p.164-180, 195-207. CHANDRA, R. Introdutory Physics in Nuclear Medicine. 4 ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 1992. p. 9-23, 43-53, 141-155, 157-170. COUTO, R.M., ARAÚJO, E.B., SOUZA, A.A., MENGATTI, J., BARBOZA, M.F. Preparation of Hidroxiapatite (90Y-HA) for synovectyomy. Radiol. Bras., São Paulo, v.39, n.2, p. 95, 2006A. COUTO, R.M., ARAÚJO, E.B., SOUZA, A.A., MENGATTI,J., BARBOZA, M.F. Preparation of 90Ycitrate for synovectyomy. Radiol. Bras., São Paulo, v.39, n.2, p. 95, 2006B. ARAÚJO, E.B.; CARVALHO, O.G.; MURAMOTO,E.; ALMEIDA,M.A.T.M. Produção de reativos liofilizados para obtenção de L,L-EC-99mTc. Radiol. Bras., São Paulo, v.28, p.147-150, 1990 ARAÚJO, E.B. Conjunto de reativos liofilizados de compostos diaminoditiólicos para marcação com tecnécio-99m. Estudo farmacocinético e elaboração de modelos compartimentalizados dos respectivos complexos. São Paulo, 1995, 147p. [Tese de doutorado. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares]. ARAÚJO, E.B.; SANTOS, J.S.; COLTURATO, M.T.; MURAMOTO, E.; SILVA, C.P.G. Optimization of a convenient route to produce N-succinimidyl 4- radioiodobenzoate for radioiodination of proteins. Appl. Radiat. Isotopes, Oxford, v. 58, p.667-673, 2003. ARAUJO E.B., NAGAMATI L.T., CALDEIRA FILHO J.S., COLTURATO M.T., SILVA C.P.G. Labeling of DOTATATE with 131-iodine for therapy application. World J. Nucl. Med., Lemesos, v.3, suppl. 1, S32, 2004. AKANJI, A.G.; MURAMOTO, E.; CALDEIRA FILHO, J.S. COUTO, R.M.; ARAUJO, E.B. Radiolabeling and biodistribution of monoclonal antibody (Mab) anti-CD20 with iodine-131. Braz. Arch. Biol. Technol., Curitiba , v.48, p.69- 72, 2005. NAGAMATI, L.T.; CALDEIRA FILHO, J.S.; MURAMOTO, E.; ARAÚJO, E.B.; DA SILVA, C.P.G. Labeling of DOTA-Tyr3-Octreotate with 131-iodine for therapy application.In: ANNUAL MEETING OF THE SOCIETY https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/regularizacao/medicamentos/radiofarmacos/documentos-orientativos-e-guias/pr_rf_rdc_451_v27-10-22_revggbio-1.pdf https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/regularizacao/medicamentos/radiofarmacos/documentos-orientativos-e-guias/pr_rf_rdc_451_v27-10-22_revggbio-1.pdf https://www.gov.br/cnen/pt-br/material-divulgacao-videos-imagens-publicacoes/publicacoes-1/aplicacoesdaenergianuclear.pdf https://www.gov.br/cnen/pt-br/material-divulgacao-videos-imagens-publicacoes/publicacoes-1/aplicacoesdaenergianuclear.pdf 32 OF NUCLEAR MEDICINE, 52., Toronto, 2005. Scientific Abstracts. Toronto: Society of Nuclear Medicine, 2005. n.p., Abstract No 806. (CD-ROM). CALDEIRA FILHO, J.S., HERRERIAS, R., BARBOZA, M.F., FUKUMORI, N.T.O., LIMA, E.N., ARAÚJO, E.B. Production of 177Lu-DOTA-Tyr3 -octreotate to clinical application in neuroendocrine tumors. Radiol. Bras., São Paulo, v.39, n.2, p. 96, 2006. CALDEIRA FILHO J.S., MURAMOTO E., SILVA C.P.G., ARAUJO E.B. Labeling of DOTA-Tyr3 -octreotate with 177Lu – stability and biodistribution study. ALASBIMN J., Santiago, v.7 (28), 2005. Article N° AJ28-3. CFR 21 Part 315 - Code of Federal Regulations, Title 21, volume 5 - Diagnostic Radiopharmaceuticals. ARAÚJO, Elaine Bortoleti de et al. Garantia da qualidade aplicada à produção de radiofármacos. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 44, p. 1-12, 2008. OLIVEIRA, Rita et al. Preparações radiofarmacêuticas e suas aplicações. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 42, p. 151-165, 2006. 33