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AFYA CURSO DE MEDICINA - AFYA NOTA FINAL Aluno: Componente Curricular: Sistemas Orgânicos Integrados III Professor (es): Período: 202501 Turma: Data: N1 ESPECÍFICA_3 PERIODO_07ABRIL_2025.1_SOI RELATÓRIO DE DEVOLUTIVA DE PROVA PROVA 15479 - CADERNO 001 1ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA SANTA INÊS) Um homem de 58 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica (HAS) de longa data e disfunção renal crônica limítrofe, procura atendimento na unidade de emergência referindo astenia intensa e dispneia progressiva aos esforços há três semanas. Nos últimos dias, o paciente apresenta dispneia paroxística noturna (DPN) e edema progressivo de membros inferiores. Nega febre, expectoração ou sintomas infecciosos recentes. Refere controle inadequado da pressão arterial e episódios esporádicos de dor torácica atípica nos últimos meses. Exame físico: Pressão arterial: 155/95 mmHg. Frequência cardíaca: 94 bpm. Ausculta cardíaca: ritmo regular, bulhas normofonéticas, sem sopros audíveis. Ausculta pulmonar: presença de estertores crepitantes em bases pulmonares. Extremidades: edema de membros inferiores (+2/+4). Exames complementares: Radiografia de tórax: congestão venocapilar pulmonar discreta, silhueta cardíaca levemente aumentada e presença de Linhas B de Kerley nas bases pulmonares. Eletrocardiograma: ritmo sinusal, sobrecarga ventricular não conclusiva. Hemoglobina: 10,8 g/dL (VR: 13-17 g/dL). Creatinina sérica: 1,9 mg/dL (VR: 0,7-1,3 mg/dL). Perguntas: A) Com base nos achados clínicos e semiológicos, qual é a principal hipótese diagnóstica? Justifique sua resposta. B) Analise o resultado dos exames complementares apresentados e explique como cada um deles pode contribuir para a hipótese diagnóstica proposta. Alternativas: -- Resposta comentada: A) Com base nos achados clínicos e semiológicos, qual é a principal hipótese diagnóstica? Justifique sua resposta. A hipótese diagnóstica provável é insuficiência cardíaca congestiva (ICC), possivelmente associada a disfunção diastólica secundária à hipertrofia ventricular concêntrica induzida por 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 1 de 27 hipertensão arterial crônica. Justificativa clínica: Dispneia progressiva aos esforços e dispneia paroxística noturna (DPN) → indicam aumento da pressão de enchimento ventricular esquerdo e congestão pulmonar. Edema progressivo de membros inferiores → pode refletir retenção hidrossalina mediada pelo SRAA, caracterizando congestão sistêmica secundária à IC esquerda crônica. Estertores crepitantes em bases pulmonares → sugerem congestão pulmonar por hipertensão venocapilar. Histórico de HAS de longa data → predisposição para hipertrofia ventricular concêntrica e disfunção diastólica. Disfunção renal crônica limítrofe → pode ser consequência da ICC (síndrome cardiorrenal) ou um fator agravante da retenção de fluidos. B) Analise o resultado dos exames complementares apresentados e explique como cada um deles pode contribuir para a hipótese diagnóstica proposta. Radiografia de tórax: Silhueta cardíaca levemente aumentada → sugere remodelamento ventricular, possivelmente associado à hipertrofia ventricular concêntrica por HAS crônica. Congestão venocapilar pulmonar discreta → indica elevação da pressão de enchimento ventricular esquerdo, compatível com ICC. Presença de Linhas B de Kerley nas bases pulmonares → achado radiológico clássico de congestão pulmonar. Eletrocardiograma: Ritmo sinusal, sem sobrecarga ventricular evidente → não confirma ICC, mas não exclui remodelamento ventricular associado à HAS crônica. Exames laboratoriais: Hemoglobina 10,8 g/dL → anemia leve, que pode contribuir para astenia, mas não justifica ortopneia e sinais de congestão sistêmica. Creatinina 1,9 mg/dL → indica possível disfunção cardiorrenal, frequentemente associada à ICC descompensada. Referências: JAMESON, J. L. et al. Medicina interna de Harrison - 2 volumes. 20ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 2019. E-book. ISBN 9788580556346. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/. Acesso em: 30 mar. 2025. KUMAR, Vinay. Robbins Patologia Básica. 10ª edição. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2018. E-book. ISBN 9788595151895. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595151895/. Acesso em: 30 mar. 2025. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq. Bras. Cardiol., set. 2018, 111(3):436-539. Doi: 10.5935/abc.20180190. Erratum in: Arq. Bras. Cardiol., jan. 2019, 112(1):116. PMID: 30379264. Acesso em: 27 de nov. 2024. 2ª QUESTÃO 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 2 de 27 Enunciado: (UNINOVAFAPI) Uma paciente idosa, do sexo feminino, 72 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica, comparece ao ambulatório para avaliação de uma lesão ulcerativa crônica na perna direita. No exame físico, observam-se edema persistente, hiperpigmentação da pele (dermatite ocre) e uma úlcera parcialmente cicatrizada, com pequena área de tecido necrótico ainda aberta. A paciente refere sensação de peso e dor nas pernas, piora ao longo do dia e melhora com a elevação dos membros inferiores. Nos últimos anos, apresentou episódios recorrentes de edema e alterações cutâneas progressivas. Já realizou ecodoppler venoso, sem sinais de trombose. Com base nessa condição clínica, qual mecanismo fisiopatológico explica o desenvolvimento da dermatite ocre e úlcera venosa na doença? Alternativas: (alternativa A) A hipertensão venosa promove a redução da atividade do sistema renina-angiotensina- aldosterona, favorecendo a retenção de líquidos e o edema progressivo, o que gera ruptura do endotélio e formação da úlcera. (alternativa B) O aumento crônico da pressão venosa favorece o acúmulo de metabólitos inflamatórios no interstício, promovendo ativação de células imunes e a lise de fibrina, resultando em necrose tecidual e formação da úlcera. (alternativa C) (CORRETA) A hipertensão venosa sustentada provoca extravasamento de hemácias e proteínas plasmáticas no interstício, desencadeando inflamação crônica, fibrose tecidual e comprometimento da microcirculação, levando à isquemia e formação da úlcera. (alternativa D) O fluxo venoso reduzido aumenta a viscosidade sanguínea e predispõe à formação de microtrombos nos capilares, que levam à isquemia localizada e morte celular, resultando em lesões ulcerativas. Resposta comentada: Correta - A hipertensão venosa sustentada provoca extravasamento de hemácias e proteínas plasmáticas no interstício, desencadeando inflamação crônica, fibrose tecidual e comprometimento da microcirculação, levando à isquemia e formação da úlcera. A insuficiência venosa crônica decorre da incompetência das válvulas venosas, que resulta em refluxo sanguíneo e estase venosa nos membros inferiores. Esse processo leva ao extravasamento de hemácias e proteínas plasmáticas, ativando macrófagos e desencadeando inflamação crônica. Com a degradação das hemácias, há liberação de hemossiderina, causando hiperpigmentação cutânea característica da dermatite ocre. A inflamação persistente leva à deposição de fibrina pericapilar, comprometendo a perfusão tecidual e levando à isquemia, necrose e formação das úlceras venosas. Incorreta - O aumento crônico da pressão venosa favorece o acúmulo de metabólitos inflamatórios no interstício, promovendo ativação de células imunes e a lise de fibrina, resultando em necrose tecidual e formação da úlcera. A hipertensão venosa sustentada leva ao extravasamento de hemácias e proteínas plasmáticas, causando inflamação e deposição de fibrina ao redor dos capilares. Entretanto, a lise da fibrina 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 3 de 27 não é um mecanismo primário na fisiopatologia da úlcera venosa. Pelo contrário, a deposição de fibrina dificulta a oxigenação tecidual, favorecendo a isquemia local e contribuindo para a necrose. Além disso, a ativação das células imunes é um evento secundário aoextravasamento de hemácias e à deposição de fibrina, mas não é o fator inicial determinante para o desenvolvimento da úlcera. Portanto, essa alternativa está incorreta, pois menciona erroneamente a lise da fibrina, que, na verdade, se acumula nos tecidos, agravando a condição. Incorreta - O fluxo venoso reduzido aumenta a viscosidade sanguínea e predispõe à formação de microtrombos capilares, que levam à isquemia localizada e morte celular, resultando em lesões ulcerativas. A insuficiência venosa crônica não está associada a aumento da viscosidade sanguínea nem à formação de microtrombos nos capilares. A principal causa das manifestações clínicas da IVC não é trombogênese microvascular, mas sim o extravasamento de hemácias e proteínas plasmáticas devido à hipertensão venosa sustentada. O comprometimento da microcirculação ocorre pela deposição de fibrina e inflamação crônica, e não por isquemia localizada por trombose capilar, mecanismo mais característico da doença arterial obstrutiva periférica. Portanto, essa alternativa está incorreta, pois atribui um mecanismo de insuficiência arterial à IVC, o que não é correto. Incorreta - A hipertensão venosa promove a redução da atividade do sistema renina-angiotensina- aldosterona, favorecendo a retenção de líquidos e o edema progressivo, o que gera ruptura do endotélio e formação da úlcera. O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) tem um papel fundamental no controle da pressão arterial sistêmica e na homeostase hídrica, mas não está diretamente envolvido na fisiopatologia das úlceras venosas. A insuficiência venosa crônica ocorre devido à hipertensão venosa sustentada, levando à disfunção endotelial e extravasamento de hemácias, e não por redução da atividade do SRAA. Embora o edema seja um sintoma comum na IVC, ele não ocorre primariamente por disfunção do SRAA, mas sim pelo aumento da pressão venosa e alteração da permeabilidade vascular. Além disso, a ruptura do endotélio não é um mecanismo central na formação das úlceras venosas. Portanto, essa alternativa está incorreta, pois descreve um mecanismo fisiopatológico não relevante para a IVC, atribuindo erroneamente um papel central ao SRAA. Referências: LOSCALZO, Joseph; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para Diagnóstico e Tratamento da Insuficiência Venosa Crônica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins & Cotran - Bases Patológicas das Doenças. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. MCCANCE, Kathryn L.; HUETHER, Sue E. Fisiopatologia da doença: uma introdução à medicina clínica. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020. RUBIN, Emanuel; STRAYER, David S. Fisiopatologia - Bases da Medicina. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 3ª QUESTÃO 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 4 de 27 Enunciado: (FESAR) Paciente do sexo masculino, interno da UTI há algumas semanas, iniciou tratamento com medicamentos para combater as infecções, sendo necessária a inserção de cateter endovenoso para administração dos fármacos e monitoramento hemodinâmico. Após o início do tratamento, foi identificada uma piora no quadro, com o surgimento de lesão endotelial e presença de febre, apesar do uso de anti-inflamatórios. O cateter endovenoso foi retirado para investigação, revelando a presença de biofilme, sugerindo colonização bacteriana no dispositivo e suspeita de lesões nas valvas cardíacas. Em relação à possível hipótese clínica do caso, analise as informações a seguir. I. O paciente pode ter desenvolvido endocardite infecciosa devido à contaminação por bactérias no cateter, o que desencadeou uma doença valvar. II. A agressão endotelial do paciente levou à liberação de citocinas inflamatórias e fatores teciduais, com expressão de fibronectina associada à agregação de plaquetas e fibrina, resultando na endocardite. III. Na endocardite por cateter endovenoso, bactérias do grupo Streptococcus viridans são os agentes etiológicos mais comuns, desenvolvendo um quadro agudo da doença. IV. Os microrganismos, nesta condição, podem se aderir à superfície endotelial do coração ou a alguns outros dispositivos, como eletrodos de marca-passos, desfibriladores implantáveis ou próteses cardíacas. Estão corretas apenas as afirmativas: Alternativas: (alternativa A) II e IV. (alternativa B) I, II e III. (alternativa C) (CORRETA) I, II e IV. (alternativa D) I e III. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 5 de 27 Resposta comentada: As informações I, II e IV são corretas: I. O paciente pode ter desenvolvido endocardite infecciosa devido à contaminação por bactérias no cateter, o que desencadeou uma doença valvar. Correto. O biofilme no cateter pode ser responsável pela bacteremia transitória e consequentemente pela infecção de uma vegetação previamente estéril. II. A agressão endotelial do paciente levou à liberação de citocinas inflamatórias e fatores teciduais, com expressão de fibronectina associada à agregação de plaquetas e fibrina, resultando na endocardite. Correto. A lesão endotelial permite a infecção direta por microrganismos virulentos ou a formação de um trombo não infectado de plaquetas e fibrina (vegetações). Esse trombo serve como local de inserção bacteriana durante a bacteriemia transitória, resultando na endocardite. III. Na endocardite por cateter endovenoso, bactérias Streptococcus viridans são os agentes etiológicos mais comuns e a valva mitral é a mais atingida. Incorreto. Nesse tipo de endocardite por cateter endovenoso, o agente etiológico mais comum é o Staphylococcus aureus, causando um quadro de endocardite aguda. Além disso, o Streptococcus viridans não está relacionado aos quadros agudos da doença. IV. Os microrganismos, nesta condição, podem se aderir à superfície endotelial do coração ou a alguns outros dispositivos, como eletrodos de marca-passos, desfibriladores implantáveis ou próteses cardíacas. Correto. Após a bacteremia, as bactérias podem aderir à superfície endotelial do coração, especialmente em áreas previamente danificadas e contendo vegetações estéreis. Além disso, dispositivos cardíacos implantáveis perturbam a superfície endotelial e predispõem à infecção e à formação de biofilmes, particularmente logo após sua colocação e antes que ocorram endotelização e fibrose. Referências: GOLDMAN, Lee; SCHAFER, Andrew I. Goldman-Cecil Medicina. 26. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2022. JATENE, Ieda B.; FERREIRA, João Fernando M.; DRAGER, Luciano F.; et al. Tratado de cardiologia SOCESP. [Digite o Local da Editora]: Editora Manole, 2022. FILHO, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. [Digite o Local da Editora]: Grupo GEN, 2021. LOSCALZO, Joseph; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2024. 4ª QUESTÃO 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 6 de 27 Enunciado: (AFYA ITACOATIARA) Carlos, de 68 anos, com histórico de hipertensão e diabetes tipo 2, chega à triagem hospitalar queixando-se de dispneia progressiva aos esforços, ortopneia e edema de membros inferiores. Ao exame físico, apresenta crepitações pulmonares bilaterais, turgência jugular e ritmo de galope. Considerando a apresentação clínica do paciente, o manejo farmacológico mais adequado nesse caso seria. I. O uso de diuréticos de alça, como a furosemida, é indicado para alívio rápido da congestão pulmonar e edema periférico. II. A introdução de betabloqueadores, como o carvedilol, deve ser iniciada em altas doses para controle imediato da frequência cardíaca e redução da morbimortalidade. III. Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o enalapril, são recomendados para bloquear o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e reduzir a progressão da doença. É correto apenaso que se afirma em Alternativas: (alternativa A) II e III. (alternativa B) I e II. (alternativa C) I, II e III. (alternativa D) (CORRETA) I e III. Resposta comentada: Opção I - correta: Diuréticos de alça são eficazes para aliviar rapidamente a congestão pulmonar e o edema em pacientes com IC. Opção II - incorreta: Betabloqueadores devem ser iniciados em doses baixas e titulados gradualmente para evitar hipotensão e bradicardia excessiva. Opção III - correta: IECA são medicamentos de primeira linha para IC, pois bloqueiam o SRAA, reduzem a progressão da doença e melhoram a sobrevida. Referências: SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq. Bras. Cardiol., set. 2018, 111(3):436-539. Doi: 10.5935/abc.20180190. Erratum in: Arq. Bras. Cardiol., jan. 2019, 112(1):116. PMID: 30379264. JAMESON, J. L. et al. Medicina interna de Harrison - 2 volumes. 20ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 2019. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 7 de 27 5ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA PALMAS) Um paciente masculino, 58 anos, hipertenso e tabagista há 30 anos, procura atendimento ambulatorial devido a episódios de dor torácica precordial opressiva há dois meses. Relata que a dor surge ao caminhar rapidamente por cerca de 10 minutos e melhora ao repouso em aproximadamente cinco minutos. Há uma semana, percebeu que a dor iniciou com menor esforço e demorou mais para cessar. Nega febre ou sintomas respiratórios associados. O exame físico não revelou alterações significativas. Com base no quadro clínico e nos dados apresentados, qual é o diagnóstico mais provável para o caso desse paciente? Alternativas: (alternativa A) Pericardite aguda – manifestada por dor torácica pleurítica que piora em decúbito dorsal, com melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente, além de atrito pericárdico na ausculta cardíaca, podendo estar associada a quadros de infecção. (alternativa B) Infarto agudo do miocárdio com supra de ST (IAMCSST) – caracterizado por dor torácica intensa e prolongada, geralmente associada a sintomas vegetativos (náuseas, sudorese), sinais clínicos de instabilidade hemodinâmica e elevação do segmento ST ao eletrocardiograma. (alternativa C) Angina estável – caracterizada por dor precordial desencadeada por esforço físico e aliviada com repouso, com padrão estável por pelo menos seis meses, provocada por rotura de placa ateromatosa, levando a um suprimento coronariano insuficiente para a demanda cardíaca. (alternativa D) (CORRETA) Angina instável – definida como dor torácica de início recente ou com piora progressiva, podendo ocorrer em repouso ou em esforços progressivamente menores, refletindo uma redução súbita do fluxo sanguíneo coronariano devido à desestabilização de uma placa aterosclerótica. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 8 de 27 Resposta comentada: Alternativa correta: "Angina instável – definida como dor torácica de início recente ou com piora progressiva, podendo ocorrer em repouso ou em esforços progressivamente menores, refletindo uma redução súbita do fluxo sanguíneo coronariano devido à desestabilização de uma placa aterosclerótica.": A angina instável é caracterizada por mudança na intensidade, frequência ou duração da dor torácica, sugerindo maior risco de infarto iminente devido à desestabilização (rotura ou erosão) de uma placa aterosclerótica. Alternativas incorretas: "Angina estável – caracterizada por dor precordial desencadeada por esforço físico e aliviada com repouso, com padrão estável por pelo menos seis meses, indicando suprimento coronariano suficiente para a demanda cardíaca.": A dor torácica do paciente inicialmente tinha um padrão típico de angina estável, porém sua piora recente, com início em menores esforços e prolongamento do tempo de alívio, caracteriza progressão do quadro, sugerindo angina instável. Segundo Jatene et al. (2022) "(...) Na síndrome coronariana estável, lesões ateroscleróticas geram obstruções significativas ao fluxo arterial epicárdico, limitando a oferta de oxigênio em valores fixos (...). Com o aumento da demanda, por exemplo, durante exercícios físicos, a oferta torna-se insuficiente, gerando isquemia. A representação clínica caracteriza-se por angina estável aos esforços." Ou seja, há uma obstrução do fluxo que prejudica a oferta de oxigênio e não a desestabilização da placa, que já é típica da angina instável. "Infarto agudo do miocárdio com supra de ST (IAMCSST) – caracterizado por dor torácica intensa e prolongada, geralmente associada a sintomas vegetativos (náuseas, sudorese), sinais clínicos de instabilidade hemodinâmica e elevação do segmento ST ao eletrocardiograma.": O infarto agudo do miocárdio com supra de ST (IAMCSST) apresenta dor torácica intensa e persistente, geralmente superior a 20 minutos, sem alívio com repouso, além de sintomas vegetativos e alterações eletrocardiográficas específicas, as quais não foram elencadas no caso, tornando essa opção inadequada. "Pericardite aguda – manifestada por dor torácica pleurítica que piora em decúbito dorsal, com melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente, além de atrito pericárdico na ausculta cardíaca, podendo estar associada a quadros de infecção.": A pericardite apresenta um padrão típico de dor torácica pleurítica e posicional, frequentemente associada a infecções virais, o que não se enquadra no quadro clínico do paciente. Referências: FILHO, Geraldo B. Bogliolo. Patologia. 10ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E- book. pág. 1. ISBN 9788527738378. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527738378/. Acesso em: 24 mar. 2025. JAMESON, J. L. et al. Medicina interna de Harrison - 2 volumes. 20ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 2019. E-book. ISBN 9788580556346. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/. Acesso em 24 mar. 2025. JATENE, Ieda B. et al. Tratado de cardiologia SOCESP. Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2022. E-book. ISBN 9786555765182. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555765182/. Acesso em 24 mar. 2025. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz de Doença Arterial Coronariana Crônica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 111, n. 1, p. 1-80, 2018. 6ª QUESTÃO 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 9 de 27 Enunciado: (AFYA GARANHUNS) Observe a imagem abaixo sobre o ciclo de vida do agente etiológico da doença de Chagas e as afirmações feitas sobre ela. Fonte: http://www.ciencias.seed.pr.gov.br/ I - O ciclo biológico do Trypanosoma cruzi envolve um vetor principal, o barbeiro, que se infecta ao picar um hospedeiro humano ou animal. Após a infecção, o parasita se transforma em epimastigotas (6) no intestino do vetor, onde se multiplica (7). O vetor então excreta nas fezes a forma tripomastigota metacíclica (2), que pode ser introduzida no organismo do hospedeiro durante a coceira causada pela picada. II - Após a introdução da forma tripomastigota metacíclica no organismo do hospedeiro, os parasitas invadem células do tecido, especialmente as do coração e do intestino, onde se transformam em amastigotas (3), multiplicando-se intracelularmente. Após a multiplicação, os amastigotas se transformam novamente em tripomastigotas (4) e são liberados na corrente sanguínea, perpetuando o ciclo da infecção. III - Durante a fase aguda da infecção por Trypanosoma cruzi, muitos indivíduos podem não apresentar sintomas ou podem apresentar apenas sintomas leves. Contudo, uma proporção pode evoluir para doenças mais graves, como a cardiomiopatia chagásica crônica, decorrente da resposta inflamatória do corpo à infecção persistente pelo parasita. O diagnóstico precoce e o tratamento são essenciais para evitar complicações a longo prazo. É correto apenas o que se afirma em 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 10 de 27 Alternativas: (alternativa A) II e III. (alternativaB) I e II. (alternativa C) (CORRETA) I, II e III. (alternativa D) I. Resposta comentada: Assertiva I - correta. Descrição: O ciclo biológico do Trypanosoma cruzi envolve um vetor principal, o barbeiro, que se infecta ao picar um hospedeiro humano ou animal. Após a infecção, o parasita se transforma em epimastigotas no intestino do vetor, onde se multiplica. O vetor então excreta nas fezes a forma tripomastigota metacíclica, que pode ser introduzida no organismo do hospedeiro durante a coceira causada pela picada. Justificativa: O ciclo de vida do Trypanosoma cruzi é amplamente documentado na literatura sobre a Doença de Chagas. O barbeiro é o vetor principal e, ao se alimentar do sangue de um hospedeiro infectado, ingere formas tripomastigotas. Dentro do tubo digestivo do vetor, essas formas se transformam em epimastigotas, onde se multiplicam. Quando o barbeiro excreta fezes que contêm as formas tripomastigotas metacíclicas, essas podem entrar no corpo do hospedeiro, muitas vezes durante a coceira após a picada, evidenciando a importância do vetor e da forma da infecção. Assertiva II - correta. Descrição: Após a introdução da forma tripomastigota metacíclica no organismo do hospedeiro, os parasitas invadem células do tecido, especialmente as do coração e do intestino, onde se transformam em amastigotas, multiplicando-se intracelularmente. Após a multiplicação, os amastigotas se transformam novamente em tripomastigotas e são liberados na corrente sanguínea, perpetuando o ciclo da infecção. Justificativa: Uma vez introduzidos no hospedeiro, os parasitas infiltram-se nas células do tecido, onde se transformam em amastigotas e se reproduzem. Essa multiplicação intracelular é uma característica fundamental da infecção por T. cruzi, levando à destruição celular e à resposta inflamatória do hospedeiro. Ao final do ciclo de multiplicação, os amastigotas se convertem em tripomastigotas e são liberados novamente na corrente sanguínea, permitindo a disseminação da infecção, o que é corroborado por estudos sobre a fisiopatologia da Doença de Chagas. Assertiva III - correta. Descrição: Durante a fase aguda da infecção por Trypanosoma cruzi, muitos indivíduos podem não apresentar sintomas ou podem apresentar apenas sintomas leves. Contudo, uma proporção 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 11 de 27 pode evoluir para doenças mais graves, como a cardiomiopatia chagásica crônica, decorrente da resposta inflamatória do corpo à infecção persistente pelo parasita. O diagnóstico precoce e o tratamento são essenciais para evitar complicações a longo prazo. Justificativa: A fase aguda da infecção por T. cruzi é caracterizada pela presença variável de sintomas, que pode ir de assintomáticos a casos com sintomas leves. Estudos epidemiológicos confirmam que, enquanto muitos pacientes apresentam uma infecção assintomática, outros desenvolvem manifestações graves, como a cardiomiopatia chagásica crônica. Essa condição é frequentemente resultado da resposta imunológica do corpo ao parasita em infecção persistente, o que pode levar a complicações severas. Assim, a detecção e o tratamento precoces são cruciais para mitigar as repercussões da doença, refletindo a importância do manejo clínico apropriado na Doença de Chagas. Essas justificativas destacam a validade das assertivas em relação ao ciclo biológico e à fisiopatologia da Doença de Chagas, demonstrando o conhecimento contemporâneo sobre a infecção. Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde. 5ª ed. rev. e atual. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_5ed_rev_atual.pdf. Acesso em: 22 nov. 2024. GOLDMAN, Lee; SCHAFER, Andrew I. Goldman-Cecil Medicina. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. 26ª edição. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2022. E-book. p.Capa. ISBN 9788595159297. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159297/. Acesso em: 22 nov. 2024. 7ª QUESTÃO Enunciado: (UNIREDENTOR) Um homem, de 58 anos, comparece ao ambulatório de clínica médica com queixa de dor em panturrilha direita que surge ao caminhar cerca de 200 metros e melhora com o repouso. Relata que o sintoma começou há 6 meses e tem piorado progressivamente, limitando suas atividades diárias. Refere tabagismo de 1 maço/dia há 30 anos, hipertensão arterial em tratamento irregular e diabetes mellitus tipo 2 mal controlada (HbA1c = 8,5%). No exame físico, observa-se pele fria e pálida no membro inferior direito, pulsos pediosos diminuídos e ausência de pelos na perna direita. O índice tornozelo-braquial (ITB) é de 0,6 no lado direito. Dentre as hipóteses diagnósticas e os mecanismos fisiopatológicos propostos nas alternativas abaixo, qual mais se adequa aos dados do caso supracitado? 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 12 de 27 Alternativas: (alternativa A) Insuficiência venosa crônica (IVC) – Disfunção das válvulas venosas com refluxo sanguíneo e hipertensão venosa. (alternativa B) (CORRETA) Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) – Aterosclerose com redução do fluxo sanguíneo arterial. (alternativa C) Oclusão arterial aguda (OAA) – Isquemia devido a obstrução arterial completa por êmbolos ou trombos. (alternativa D) Trombose venosa profunda (TVP) – Obstrução venosa por coágulo sanguíneo, causando inflamação local. Resposta comentada: Resposta correta: Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) – Aterosclerose com redução do fluxo sanguíneo arterial. Justificativa da resposta correta: O caso descreve um paciente com claudicação intermitente (dor em panturrilha ao caminhar que melhora com o repouso), um sintoma clássico da DAOP. Os fatores de risco presentes (tabagismo, hipertensão arterial, diabetes mellitus) são fortemente associados ao desenvolvimento de aterosclerose, que leva à redução do fluxo sanguíneo arterial para os membros inferiores. O exame físico (pele fria, pulsos diminuídos, ausência de pelos) e o ITB reduzido (0,6) corroboram o diagnóstico de DAOP. Justificativa das alternativas incorretas: Trombose venosa profunda (TVP) – Obstrução venosa por coágulo sanguíneo: a TVP geralmente causa edema, calor e dor contínua no membro afetado, além de não estar associada a claudicação intermitente. O caso descrito não apresenta achados sugestivos de TVP. Oclusão arterial aguda (OAA) – Isquemia devido a obstrução arterial completa por êmbolos ou trombos: embora OAA tenha como manifestação clínica a dor intensa do membro afetado, ela apresenta um início súbito, o que não ocorre no caso clínico. A obstrução arterial é repentina e completa, sem tempo para o desenvolvimento de circulação colateral. Insuficiência venosa crônica – Disfunção das válvulas venosas com refluxo sanguíneo: a insuficiência venosa crônica causa edema, pigmentação da pele e úlceras, mas não está relacionada à claudicação intermitente ou à redução do fluxo arterial. Referências: LOSCALZO, Joseph; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2024. E-book. p. 2107. WING, Edward J.; SCHIFFMAN, Fred J. Cecil Medicina Essencial. 10ª ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2023. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 13 de 27 8ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA IPATINGA) Homem, de 52 anos, diabético, apresenta queixa recorrente de hipoglicemia e foi atendido na UBS devido a alterações nos níveis pressóricos verificados em casa. O médico havia solicitado a monitorização residencial da pressão arterial, sendo confirmado o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica, pois a média dos valores pressóricos foi de 170 x 100 mmHg. Conforme a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2020), foi iniciado prontamenteo tratamento medicamentoso e solicitados exames de rotina que revelaram aumento do ácido úrico. Com base no caso clínico supracitado, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa que indica as opções para o manejo terapêutico inicial mais adequado do paciente em questão. I – Pode-se iniciar o tratamento utilizando um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA), como enalapril, associado a um bloqueador dos canais de cálcio, como o nifedipino. II – Pode-se iniciar o tratamento associando um antagonista dos receptores de angiotensina 2, como a losartana, a um bloqueador dos receptores beta-adrenérgicos, como o propranolol. III – Pode-se iniciar o tratamento utilizando um bloqueador dos canais de cálcio, como anlodipino, associado a um antagonista dos receptores de angiotensina 2, como a valsartana. IV – Pode-se iniciar o tratamento com um diurético de alça, que bloqueia os simportadores de sódio, potássio e cloreto, como a hidroclorotiazida, associado a um IECA, como captopril. A opção que contém somente as afirmativas corretas é: Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) I e III. (alternativa B) I e IV. (alternativa C) II e IV. (alternativa D) II e III. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 14 de 27 Resposta comentada: Comentário: a paciente apresenta hipertensão arterial sistêmica estágio 2. Neste caso, a diretriz recomenda que o tratamento deve ser iniciado com terapia dupla, e não em monoterapia. Deve-se utilizar um bloqueador dos canais de cálcio, como anlodipino, associado a um antagonista dos receptores de angiotensina 2, como a valsartana. Pode-se também utilizar um inibidor da enzima conversora de angiotensina, como enalapril, com um bloqueador dos canais de cálcio, como nifedipino. A afirmativa II está incorreta, pois o uso de betabloqueadores não seletivos, como o propranolol, aumenta o risco de hipoglicemia em pacientes diabéticos, devendo ser evitados, especialmente em pacientes com queixas de hipoglicemia recorrente. Logo, essa seria a associação mais adequada para o paciente do caso. A afirmativa IV está incorreta, pois a hidroclorotiazida é um diurético tiazídico e não um diurético de alça, e não recomenda-se o uso de diuréticos tiazídicos em pacientes com ácido úrico elevado. Ademais, os tiazídicos não atuam na alça de Henle e bloqueiam simportadores de Na+ e Cl- e não de Na+, K+ e Cl-. Referências: BRUTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman e Gilman. São Paulo: Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788580556155. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556155/. Acesso em: 24 mar. 2025. BARROSO, Weimar Kunz Sebba et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Disponível em https://abccardiol.org/wp-content/uploads/articles_xml/0066-782X-abc-116-03- 0516/0066-782X-abc-116-03-0516.x27815.pdf. Acesso em: 24 mar. 2025. 9ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA GARANHUNS) Na última semana, chegou à UBS paciente com histórico de lúpus eritematoso sistêmico. Durante a anamnese, a paciente revelou não realizar atividades físicas, além de fumar há mais de 6 anos. Na avaliação, o médico concluiu que a paciente apresenta dor torácica retroesternal de início súbito há 2 meses, intensidade 7/10, com notável piora com inspiração profunda e alívio moderado quando inclinada para frente. No exame físico, foi observada fricção pericárdica durante a ausculta cardíaca, pressão de 120/80 mmHg e ECG com elevações difusas do segmento ST em várias derivações, além de baixos níveis séricos de marcadores bioquímicos de lesões miocárdicas. Assinale a alternativa correspondente ao provável diagnóstico, levando em consideração as manifestações clínicas da paciente. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 15 de 27 Alternativas: (alternativa A) Derrame pericárdico. (alternativa B) Pericardite crônica. (alternativa C) (CORRETA) Pericardite aguda. (alternativa D) Tamponamento cardíaco. Resposta comentada: Alternativa correta: Pericardite aguda. Uma vez que esse processo patológico envolve os aspectos apresentados na questão, sendo estes: uma possível associação com o lúpus eritematoso sistêmico, doença autoimune capaz de comprometer o pericárdio; dor torácica retroesternal; alívio moderado quando a paciente se inclina para frente e, ainda, no ECG apresenta elevações difusas do segmento ST em várias derivações, no qual pode ser em diferentes derivações a depender do caso, como derivações I, II, aVF, etc. Alternativas incorretas: Derrame pericárdico: apesar de ser um quadro que surge como consequência da pericardite, as manifestações clínicas apresentadas não sugerem esta evolução. Ademais, a presença de atrito pericárdico, evidenciado pela fricção pericárdica durante a ausculta, não é um sinal clínico do derrame pericárdico. Um derrame pericárdico isolado de acumulação lenta, sem tamponamento, costuma ser completamente assintomático. Os resultados do exame físico podem ser normais, mas os sons cardíacos podem estar abafados. O diagnóstico geralmente é sugerido por uma radiografia de tórax que mostra cardiomegalia com coração globular. Tamponamento cardíaco: consiste em uma condição cujas causas são pericardite idiopática ou secundária à doença neoplásica. Suas manifestações são, normalmente, hipotensão, bulhas cardíacas hipofonéticas ou ausentes e distensão venosa jugular com deflexão x proeminente, mas deflexão e ausente. Essas manifestações clínicas não foram apresentadas pelo paciente. Pericardite crônica: essa alternativa está incorreta, pois a pericardite crônica se caracteriza por pericardite persistente por mais de 6 meses. Referências: GOLDMAN, Lee; SCHAFER, Andrew I. Goldman-Cecil Medicina. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. E-book. ISBN 9788595159297. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595159297/. Acesso em: 21 out. 2023. JAMESON, J. L. et al. Medicina interna de Harrison - 2 volumes. Porto Alegre: Grupo A, 2019. E-book. ISBN 9788580556346. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556346/. Acesso em: 21 out. 2023. JATENE, Ieda B. et al. Tratado de cardiologia SOCESP. Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2022. E-book. ISBN 9786555765182. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555765182/. Acesso em: 21 out. 2023. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 16 de 27 10ª QUESTÃO Enunciado: (UNISL PORTO VELHO) Um paciente de 60 anos, com histórico de hipertensão arterial e tabagismo, deu entrada no pronto-socorro com quadro de dor torácica intensa há 40 minutos. O eletrocardiograma evidenciou supradesnivelamento do segmento ST e, laboratorialmente, detectou-se elevação nos níveis de mioglobina e troponina I, confirmando o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio com supra de ST (IAMCSST). Foi indicada a terapia fibrinolítica com alteplase, bem como a administração de enoxaparina, além de outras medidas para manejo da dor e estabilização do quadro do paciente. Em relação aos fármacos citados no caso clínico, analise as assertivas abaixo e a relação proposta entre elas: I. Os agentes fibrinolíticos, como a alteplase, atuam ativando a plasmina, enzima responsável pela degradação da fibrina, promovendo a dissolução de trombos, inclusive dos que são decorrentes de situações como o IAMCSST. Esta ação traz efeitos imediatos sobre o trombo formado, porém a administração de anticoagulantes como a enoxaparina ainda é necessária. Porque II. Após a administração de agentes fibrinolíticos, como a alteplase, é indicado o uso de anticoagulantes, como a enoxaparina, que atua ligando-se à antitrombina, aumentando sua afinidade pelo fator Xa, acelerando sua inibição e consequentemente reduzindo a conversão da protrombina em trombina. Logo, este anticoagulante irá prevenir a formação de novos trombos, garantindo a eficácia do tratamento. Com base nessas afirmações, identifique a alternativa correta. Alternativas: (alternativa A) A assertiva Ié falsa e a assertiva II é verdadeira. (alternativa B) A assertiva I é verdadeira, e a assertiva II é falsa. (alternativa C) As duas assertivas são verdadeiras, mas a II não justifica a I. (alternativa D) (CORRETA) As duas assertivas são verdadeiras e a II justifica corretamente a I. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 17 de 27 Resposta comentada: Alternativa correta: As duas assertivas são verdadeiras e a II justifica corretamente a I. "Os agentes fibrinolíticos, como a alteplase, atuam ativando a plasmina, enzima responsável pela degradação da fibrina, promovendo a dissolução do trombo no infarto agudo do miocárdio com supra de ST." Os ativadores do plasminogênio tecidual (tPA), como alteplase, tenecteplase e reteplase, convertem o plasminogênio em plasmina, que degrada a fibrina, promovendo a lise do coágulo. No contexto do IAMCSST, a dissolução do trombo é essencial para restaurar o fluxo sanguíneo coronariano." Após a administração de agentes fibrinolíticos, como a alteplase, é indicado o uso de anticoagulantes, como a heparina, para reduzir o risco de nova formação trombótica e garantir a eficácia do tratamento." A terapia fibrinolítica é habitualmente seguida de um período de tratamento anticoagulante com heparina. Isso acontece porque, após a dissolução do trombo, há um risco aumentado de formação de novos coágulos, já que a superfície endotelial exposta pode favorecer a coagulação. Os anticoagulantes impedem essa nova formação trombótica. O uso de anticoagulantes não apenas complementa, mas é uma consequência direta da fibrinólise. Sem a anticoagulação subsequente, o efeito da fibrinólise pode ser parcialmente perdido, pois a ativação da cascata de coagulação poderia gerar novos trombos. Isso justifica a importância da sequência de tratamento: primeiro a fibrinólise para dissolver o trombo, depois a anticoagulação para evitar nova formação trombótica. As duas assertivas são verdadeiras, mas a II não justifica a I. A segunda afirmativa explica diretamente a necessidade do uso de anticoagulantes após a fibrinólise, então a justificativa está correta. A assertiva I é verdadeira, e a assertiva II é falsa. A segunda afirmativa é verdadeira, pois o uso de anticoagulantes realmente é recomendado após a fibrinólise para evitar nova formação trombótica. A assertiva I é falsa, e a assertiva II é verdadeira. A primeira afirmativa é verdadeira, pois os fibrinolíticos de fato ativam a plasmina, promovendo a degradação da fibrina (fibrinólise). Referências: BRUTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman e Gilman. São Paulo: Grupo A, 2018. 13ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 2018. E-book. p.Capa. ISBN 9788580556155. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556155/. Acesso em: 01 mar. 2025. JAMESON, J. L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Manual de medicina de Harrison. 20. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2021. E-book. p. 284. ISBN 9786558040040. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040040/. Acesso em: 01 mar. 2025. JATENE, Ieda B. et al. Tratado de cardiologia SOCESP. Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2022. E-book. ISBN 9786555765182. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555765182/. Acesso em: 01 mar. 2025. 11ª QUESTÃO 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 18 de 27 Enunciado: (AFYA ABAETETUBA) Um paciente do sexo masculino, 52 anos, obeso (IMC = 32 kg/m²), com histórico de tabagismo e sedentarismo, foi atendido em uma unidade básica de saúde. Ele relatou dores de cabeça frequentes e cansaço ao realizar atividades físicas leves. A aferição da pressão arterial mostrou valores de 150/95 mmHg (mesmo valor obtido em 2 consultas anteriores e em aferições alternadas, feitas na residência do paciente, nos últimos 2 meses). O médico suspeitou de uma doença crônica relacionada à disfunção endotelial e aos mecanismos compensatórios. Com base no exposto, qual dos seguintes mecanismos fisiopatológicos pode estar associado à provável condição do paciente? Alternativas: (alternativa A) Aumento da produção de óxido nítrico pelo endotélio vascular. (alternativa B) Diminuição da atividade do sistema nervoso simpático. (alternativa C) (CORRETA) Hiperatividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). (alternativa D) Redução da reabsorção de sódio nos túbulos renais. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 19 de 27 Resposta comentada: Resposta correta: Hiperatividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). A hiperatividade do SRAA é um mecanismo fisiopatológico central na HAS, pois a produção de angiotensina II produz vasoconstrição e aumento da resistência vascular periférica, além de induzir a liberação da aldosterona gera uma reabsorção do sódio e água nos túbulos renais, aumentando a volemia plasmática e consequentemente a pressão arterial. Alternativas incorretas: Diminuição da atividade do sistema nervoso simpático - A diminuição da atividade do sistema nervoso simpático não está associada à HAS, mas sim a uma redução da pressão arterial. Redução da reabsorção de sódio nos túbulos renais - A redução da reabsorção de sódio nos túbulos renais diminuiria a pressão arterial, não a aumentaria. Aumento da produção de óxido nítrico pelo endotélio vascular - O aumento da produção de óxido nítrico promove vasodilatação, o que reduziria a pressão arterial. Referências: NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E-book. p.Capa. ISBN 9788527737876. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/. Acesso em: 12 mar. 2025. JATENE, Ieda B. et al. Tratado de cardiologia SOCESP. Santana de Parnaíba: Editora Manole, 2022. 12ª QUESTÃO Enunciado: (UNISL PORTO VELHO) Homem, 58 anos, hipertenso, tabagista e com histórico de obesidade, procura atendimento ambulatorial referindo dor e edema progressivo na perna direita há quatro dias. Relata que recentemente fez uma viagem longa de avião e que, desde então, sente um desconforto na panturrilha direita. Ao exame físico, apresenta edema unilateral em membro inferior direito, aumento da temperatura local e dor à palpação da panturrilha. Dois dias após a consulta inicial, retorna ao serviço com queixa de dispneia súbita, dor torácica pleurítica e episódios de tosse seca. Ao exame, encontra-se taquicárdico (FC 110 bpm), taquipneico (FR 26 irpm) e com saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente. Não há relato de febre, sintomas gripais ou antecedentes cardíacos prévios. Com base no quadro clínico, analise as alternativas abaixo e assinale a que explica corretamente o processo fisiopatológico da condição clínica do paciente, bem como os exames recomendados para a investigação do caso. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 20 de 27 Alternativas: (alternativa A) A obstrução arterial periférica reduz a perfusão tecidual e causa necrose muscular, podendo desencadear a embolização pulmonar. O diagnóstico da doença arterial periférica pode ser confirmado pela dosagem de D-dímero, enquanto o ecocardiograma vai auxiliar na investigação de tromboembolismo pulmonar. (alternativa B) A ativação da cascata de coagulação associada à disfunção endotelial favorece a formação de trombos venosos profundos, com risco de embolia pulmonar. A doença pode ser confirmada com ressonância magnética venosa, e o tromboembolismo pulmonar é investigado por eletrocardiograma e radiografia de tórax. (alternativa C) (CORRETA) A estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade predispõem à formação de trombos venosos profundos, que podem embolizar para a circulação pulmonar. A doença é diagnosticada com ultrassonografia Doppler venosa, enquanto o exame de escolha para o tromboembolismo pulmonar é a angiotomografia de tórax. (alternativa D) A trombose venosa ocorre devido à incompetência valvular e inflamaçãoda parede vascular, reduzindo o retorno venoso e favorecendo a formação de êmbolos. Para o diagnóstico, o exame de primeira escolha é a cintilografia pulmonar, enquanto a radiografia de tórax é utilizada para descartar o tromboembolismo pulmonar. Resposta comentada: Justificativa da alternativa correta: A estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade predispõem à formação de trombos venosos profundos, que podem embolizar para a circulação pulmonar. A doença é diagnosticada com ultrassonografia Doppler venosa, enquanto o exame de escolha para o tromboembolismo pulmonar é a angiotomografia de tórax. Justificativa: A tríade de Virchow (estase venosa, hipercoagulabilidade e lesão endotelial) é o principal mecanismo envolvido na formação da trombose venosa profunda (TVP), podendo levar ao tromboembolismo pulmonar (TEP). O exame de primeira escolha para diagnóstico de TVP é a ultrassonografia Doppler venosa, enquanto a angiotomografia de tórax é o exame padrão-ouro para confirmação de TEP. Justificativa das alternativas incorretas: A obstrução arterial periférica reduz a perfusão tecidual e causa necrose muscular, podendo desencadear a embolização pulmonar. O diagnóstico da doença arterial periférica pode ser confirmado pela dosagem de D-dímero, enquanto o ecocardiograma vai auxiliar na investigação de tromboembolismo pulmonar. Justificativa: A obstrução arterial periférica está associada à doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), e não à trombose venosa. Além disso, D-dímero tem alto valor preditivo negativo, mas não confirma TVP e nem é utilizado para o diagnóstico da DAOP. O ecocardiograma não é o exame de escolha para diagnóstico de TEP. A trombose venosa ocorre devido à incompetência valvular e inflamação da parede vascular, reduzindo o retorno venoso e favorecendo a formação de êmbolos. Para o diagnóstico, o exame 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 21 de 27 de primeira escolha é a cintilografia pulmonar, enquanto a radiografia de tórax é utilizada para descartar o tromboembolismo pulmonar. Justificativa: A trombose venosa ocorre primariamente por estase, hipercoagulabilidade e lesão endotelial, e não por inflamação da parede vascular e incompetência valvular. A incompetência das válvulas venosas está associada à Insuficiência Venosa Crônica (IVC). Além disso, a cintilografia pulmonar pode ser usada em casos de contraindicação à angiotomografia, mas não é o exame de primeira escolha. A radiografia de tórax não descarta TEP, pois pode ser normal mesmo em casos graves. A ativação da cascata de coagulação associada à disfunção endotelial favorece a formação de trombos venosos profundos, com risco de embolia pulmonar. A doença pode ser confirmada com ressonância magnética venosa, e o tromboembolismo pulmonar é investigado por eletrocardiograma e radiografia de tórax. Justificativa: A ressonância magnética venosa não é um exame de rotina para TVP e é usada apenas em situações específicas. Além disso, a radiografia de tórax e o eletrocardiograma não confirmam TEP, sendo úteis apenas para descartar diagnósticos diferenciais. Referências: GOLDMAN, Lee; SCHAFER, Andrew I. Goldman-Cecil Medicina. 26. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2022. E-book. p. 530. ISBN 9788595159297. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595159297/. Acesso em: 26 mar. 2025. JAMESON, J. L. et al. Medicina interna de Harrison - 2 volumes. 20ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 2019. E-book. ISBN 9788580556346. ALBRICKER, A. C. L. et al. Diretriz Conjunta sobre Tromboembolismo Venoso – 2022. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 118, n. 4, p. 797–857, abr. 2022. Disponível em https://www.scielo.br/j/abc/a/3gPSskJ5XBTPcKTf6sQvCqv/#. Acesso em: 30 mar. 2025. 13ª QUESTÃO Enunciado: (UNISL JI-PARANÁ) Homem, 60 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica há mais de 15 anos e baixa adesão ao tratamento, procura atendimento devido a fadiga progressiva e dispneia aos esforços moderados. Ele nega episódios de dor torácica ou síncope, mas relata piora na tolerância ao exercício e sensação de peso no peito ao subir escadas. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 175/105 mmHg, frequência cardíaca de 78 bpm e bulhas cardíacas normofonéticas, sem sopros audíveis. O eletrocardiograma revela aumento da amplitude do complexo QRS e desvio do eixo elétrico para a esquerda. A radiografia de tórax não mostra cardiomegalia significativa. A ecocardiografia evidencia espessamento ventricular com fração de ejeção de 50% e alteração no relaxamento diastólico, sem dilatação da cavidade ventricular. Com base nos achados clínicos e nos exames complementares, marque a alternativa que apresente a principal alteração cardíaca subjacente no paciente. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 22 de 27 Alternativas: (alternativa A) Miocardiopatia restritiva de origem idiopática. (alternativa B) Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. (alternativa C) Cardiomiopatia dilatada secundária à hipertensão arterial. (alternativa D) (CORRETA) Hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 23 de 27 Resposta comentada: Resposta correta é: Hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo. Justificativa: A hipertensão arterial crônica aumenta a pós-carga, resultando no espessamento da parede ventricular sem dilatação significativa da cavidade, caracterizando hipertrofia concêntrica. A cardiomiopatia dilatada (Cardiomiopatia dilatada secundária à hipertensão arterial) estaria associada à dilatação ventricular e disfunção sistólica, o que não é observado neste caso. A miocardiopatia restritiva (Miocardiopatia restritiva de origem idiopática) ocorre por fibrose miocárdica ou depósitos anormais, sem relação direta com hipertensão. Já a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida) está associada a comprometimento da função sistólica, o que também não é compatível com o quadro descrito. Análise das alternativas incorretas: Miocardiopatia restritiva de origem idiopática. As miocardiopatias restritivas são raras e caracterizadas por fibrose miocárdica ou infiltração anormal (como na amiloidose ou hemocromatose), levando à disfunção diastólica grave sem hipertrofia significativa. No caso do paciente, há história de hipertensão crônica, e o achado predominante é hipertrofia ventricular esquerda, o que não é típico de uma miocardiopatia restritiva primária. Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER). O paciente apresenta fração de ejeção preservada na ecocardiografia, o que exclui insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER). Na ICFER, esperam-se achados como dilatação do ventrículo esquerdo e redução significativa da fração de ejeção (superior esquerdo iniciada há cerca de 40 minutos, acompanhada de epigastralgia, astenia, sensação de peso no peito e leve dispneia. Nega uso de álcool e entorpecentes. Os exames laboratoriais realizados horas após a admissão revelaram elevação de mioglobina e Troponina I. Como abordagem terapêutica inicial, foram administrados 300mg de Ácido Acetilsalicílico (AAS) e 300mg de Clopidogrel. Em relação à situação clínica descrita, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I - Os dados do caso apontam para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio (IAM). Nessa condição, a lesão endotelial pela rotura da placa de ateroma resulta em ativação plaquetária e liberação de mediadores trombogênicos, o que justifica como abordagem inicial a associação do AAS com o Clopidogrel. Porque II - Os fármacos não competem entre si, pois agem em sítios de ação distintos nas plaquetas. O AAS impede a síntese de Tromboxano A2 por inibição irreversível da enzima cicloxigenase 1, já o metabólito ativo do Clopidogrel irá se ligar de forma irreversível ao receptor plaquetário P2Y12, bloqueando a ligação do ADP ao receptor, promovendo uma antiagregação mais eficaz. Assinale a alternativa correta. Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a asserção II é uma justificativa correta da I. (alternativa B) A asserção I é uma proposição falsa, enquanto a II é uma proposição verdadeira. (alternativa C) As asserções I e II são proposições verdadeiras, entretanto a II não é uma justificativa correta da I. (alternativa D) As asserções I e II são proposições falsas. 000154.790014.20e174.0e0cfe.da94c8.10dcf5.182f86.37734 Pgina 25 de 27 Resposta comentada: As assertivas estão corretas, bem como a relação proposta entre ambas. Na primeira asserção, os sintomas manifestos pelo paciente, junto com os marcadores laboratoriais alterados, apontam para um provável quadro de IAM. Essa assertiva explica de maneira direta e objetiva o processo fisiopatológico da ativação plaquetária que se segue a uma ruptura de placa ateromatosa e o papel dos fármacos antiplaquetários na prevenção da formação de trombos, ao atuar na etapa inicial, que é a formação do tampão plaquetário. A segunda asserção detalha os diferentes mecanismos de ação de cada fármaco, AAS e Clopidogrel. A inibição permanente da enzima cicloxigenase pelo AAS impede a formação de tromboxano A2 a partir do ácido araquidônico. A inibição da aglutinação induzida pelo AAS perdura por toda a existência da plaqueta, aproximadamente 7 a 10 dias. Por outro lado, o clopidogrel, ao bloquear o receptor P2Y12, impede a ação do ADP, um mediador essencial na propagação e estabilização do trombo. As ações combinadas dos dois fármacos são eficazes para prevenção de eventos cardiovasculares maiores e, consequentemente, para a redução da mortalidade associada ao IAM e suas repercussões. Dessa forma, a segunda asserção descreve o mecanismo de ação de cada fármaco e sua aplicação na provável condição proposta, justificando adequadamente a primeira, tornando a questão fundamentada e correta. Referências: BRUTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman e Gilman. São Paulo: Grupo A, 2018. 13ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 2018. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021. Arq. Bras. Cardiol. 2021, 117(1): 181-264. ZANINI, A. C.; OGA, S.; BATISTUZZO, J. A. O. Farmacologia Aplicada. 6ª edição. Rio de Janeiro: Atheneu, 2018. 15ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA PARAÍBA) Paciente do sexo masculino, 11 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhado da mãe, com queixa de dor intensa e inchaço no joelho direito há cerca de cinco dias. Refere que, após dois dias do início dos sintomas, a dor começou a migrar para o tornozelo esquerdo, acompanhada de vermelhidão e calor local. A mãe relata que o filho tem apresentado febre diária de 38,5°C e cansaço excessivo. No exame físico, apresenta-se febril (38°C), taquicárdico (110 bpm) e com sopro cardíaco novo em foco mitral. As articulações afetadas mostram sinais inflamatórios. Os exames laboratoriais revelam elevação de PCR e VHS. A dosagem de anticorpos antiestreptolisina O (ASLO) apresentou valor elevado de 800 UI/mL (referência