Prévia do material em texto
FUNDAMENTOS DE ADMINISTRAÇÃO Luis Agune , 17 2 ABORDAGEM CLÁSSICA E HUMANÍSTICA Neste bloco, vamos apresentar as primeiras Teorias da Administração que tiveram foco em tarefas, estrutura organizacional e relacionamento das pessoas. Com a explicação da Teoria Clássica, que foi a pioneira, vamos analisar os princípios da administração. Na administração científica, estudaremos as principais ferramentas utilizadas para melhorar a eficiência nas tarefas. Através da Teoria das Relações Humanas e da Teoria Comportamental, explicaremos o que é estudado referente ao relacionamento nas organizações para identificar o comportamento e impacto no desempenho organizacional. Por último, veremos os principais tipos de liderança para estimular a motivação nas organizações. O objetivo desse bloco é permitir um entendimento dos princípios da administração, suas principais ferramentas e como desenvolver a liderança e motivação para melhorar o desempenho da organização. 2.1 Teoria Clássica O representante de maior vulto da Teoria Clássica da Administração foi Henri Fayol (1841-1925), nascido em Constantinopla, estudou no Liceu de Lion, na França e graduou-se engenheiro pela Escola Nacional de Minas em Saint Étienne. Foi um dos mais influentes nomes das Teorias de Administração, considerado pai da administração moderna e seus conceitos são referência até hoje nas empresas. Principais tópicos abordados: • Ênfase na estrutura das organizações: entendia que uma empresa para ser eficiente, deveria ter uma boa estrutura organizacional; , 18 • Ligação entre a estratégia e as premissas estabelecidas na teoria empresarial: uma empresa precisa saber planejar, definir estratégias e realizar suas atividades, seguindo tais premissas; • Necessidade de aprofundar os aspectos da gestão organizacional e de implantar e incentivar o uso da liderança: para Fayol uma boa gestão organizacional começa pela indicação e uso de bons líderes. Henry Fayol foi o pioneiro em definir quais eram as funções básicas de toda organização, classificou da seguinte maneira (CHIAVENATO, 2014, p. 82): 1. Funções técnicas: destinadas à produção de bens e serviços da empresa; 2. Funções comerciais: relacionadas à compra e venda da empresa; 3. Funções financeiras: captação e gerenciamento de capitais 4. Funções de segurança: responsáveis pelo cuidado e preservação dos bens patrimoniais e dos colaboradores; 5. Funções contábeis: registros, balanços, inventários, custos e estatísticas diversas. 6. Funções de administração: busca dar suporte para a integração das demais funções da organização. Fayol definiu que administração era a realização de atividades administrativas utilizando as seguintes funções (CHIAVENATO, 2014, p. 83): Previsão: com base nas informações do presente, tentar visualizar o futuro que deseja alcançar e elaborar um programa de ação, hoje conhecido como Plano Estratégico ou Objetivo Estratégico; Organização: identificar todos os recursos necessários para realizar o programa de ação definido na Previsão; Comando: orientar os funcionários a realizarem o programa de ação com base nos recursos identificados na Organização; Coordenação: unir todas as atividades e ações necessárias para alcançar os resultados esperados; , 19 Controle: verificar se todas as atividades e ações realizadas estão de acordo com o programa de ação definido na Previsão. Contudo, Fayol definiu quais eram os 14 Princípios Gerais da Administração que toda empresa deveria adotar, que são os seguintes (CHIAVENATO, 2014, p. 85): 1. Divisão de Trabalho: utilizando a especialização do trabalho, fracionando as atividades em partes para torná-la mais fácil. 2. Autoridade e Responsabilidade: para Fayol, autoridade era o direito de dar ordens e responsabilidade estava relacionada à confiabilidade para executar as ordens. 3. Disciplina: criar a necessidade de todos realizarem um esforço comum, para evitar as punições. 4. Unidade de comando: cada trabalhador deveria obedecer a um único chefe, para evitar confusão. 5. Unidade de direção: todas as áreas da empresa deveriam movimentar-se na mesma direção para alcançar um objetivo comum. 6. Subordinação do interesse individual ao geral: o interesse de um funcionário ou grupo, não deveria prevalecer aos interesses da organização. 7. Remuneração do pessoal: o pagamento deveria ser justo para recompensar o desempenho através de vários critérios como tempo e quantidade de produção. 8. Centralização: para Fayol, quanto maior a centralização, menor é o papel do funcionário, que varia dependendo do tipo de empresa. 9. Cadeia escalar: para Fayol era a linha de autoridade correspondente à posição hierárquica dentro da empresa. 10. Ordem: cada coisa em seu lugar para tornar o trabalho mais fácil. 11. Equidade: todos os funcionários deveriam ser tratados igualmente. 12. Estabilidade do pessoal no cargo: para reter os trabalhadores mais produtivos. 13. Iniciativa: todos os funcionários deveriam propor uma nova atividade. 14. Espírito de equipe: os gerentes deveriam enfatizar a harmonia entre os trabalhadores, para melhorar o desempenho da organização. , 20 Principais Funções da Administração, segundo Fayol: PLANEJAMENTO • Planejar é definir, buscar os objetivos ou resultados que a empresa pretende alcançar; • É estabelecer, através de técnicas consagradas, mecanismos que possibilite a realização de objetivos planejados; • É interferir na realidade, para passar de uma situação conhecida a uma situação desejada, dentro de um intervalo definido de tempo, que poderá ser de curto, médio ou longo prazo; • Objetivos: São resultados que a empresa precisa alcançar em determinado prazo estabelecido, para fortalecer sua visão e buscar sua competitividade no ambiente atual e futuro. Passos necessários para realizar um planejamento: • O que? – saber exatamente o que se deseja – definir objetivos; • Por quê? – significa validar o que se deseja fazer; • Como? – onde a empresa se encontra atualmente e onde pretendemos chegar; • Quando? – se não estabelecer um prazo, não será possível checar o desempenho da organização; • Quanto? – o volume de recursos necessários para alcançar os objetivos planejados; • Com que recursos? – de “onde” se vai retirar o montante, capital próprio, financiar. , 21 ORGANIZAÇÃO • É o processo de estabelecer um conjunto de recursos em uma estrutura para possibilitar o alcance dos objetivos; • Ordenar as partes de um todo, segundo algum tipo de critério (processo, custo, prazo); • Definir a estrutura organizacional da empresa que melhor irá atender aos seus objetivos. EXECUÇÃO/DIREÇÃO • Consiste em realizar atividades planejadas com liderança e motivação; • A natureza de cada atividade varia muito de empresa para empresa. CONTROLE • O controle é importante ferramenta para assegurar à consecução e realização dos objetivos; • O processo de controle auxilia a empresa na tomada de decisões; • Informa quais objetivos necessitam ser atingidos; • Informa como a empresa está em relação ao seu desempenho para alcançar os objetivos. Até hoje as Funções da Administração, definidas por Fayol, são muito utilizadas nas empresas, conhecidas como Ciclo PDCO (Planejamento-Organização-Direção- Controle), cada uma com características próprias, conforme quadro abaixo: , 22 Fonte: SILVA, 2008, p. 10 Figura 2.1 Críticas da Teoria Clássica Apesar de muito elogiada na época, a Teoria Clássica também foi objeto de várias críticas, dentre as quais, segundo Chiavenato (2014), destacamos as seguintes: Abordagem simplificada da organização formal: a maioria dos autores da Teoria Clássica consideraram a organização somente sob o lado lógico e racional, não considerando o lado psicológicode grande importância, que é a relação entre os funcionários; Ausência de Trabalhos Experimentais: a maioria dos conceitos e fundamentações estabelecidas foram com base em observações e no senso comum, o que contraria os pressupostos de tratar a Administração como uma Ciência; Abordagem incompleta da organização: foram analisados somente os aspectos da organização formal, preocupando-se demais com a estrutura organizacional e esquecendo a organização informal (não reconhecida nas estruturas organizacionais). , 23 2.2 Administração Científica Frederick Taylor (1856-1915) nascido na Pensilvânia – EUA, principal criador, do movimento que ficou conhecido como Administração Científica. Taylor inovou processos tradicionais de trabalho, utilizando métodos científicos que aprendeu quando estudou Engenharia. A Administração Científica tem como principal objetivo economizar trabalho, produzindo mais com a menor utilização do tempo. Conforme Silva (2008) os princípios básicos da Administração Científica, definidos por Taylor, foram: Desenvolvimento de um método científico para o trabalho dos operários: em substituição ao método tradicional que existia baseado no empirismo (regra do polegar); Estabelecimento de processo científico de seleção e treinamento do operário: na época não existia um processo de seleção e nem de treinamento. Cada um adotava o seu; Cooperação entre as gerências e os operários: para tentar garantir o uso de métodos científicos apropriados; Divisão do trabalho dos operários em função da sua especialização: para aumentar a eficiência na produção. A busca de substituir os métodos de trabalho com base no empirismo por outro com base em métodos científicos, ficou conhecido como Organizacional Racional do Trabalho – ORT. Segundo Chiavenato (2014) a Organização Racional do Trabalho se baseia nos seguintes princípios: Análise do Trabalho e Estudo dos Tempos e Movimentos: para analisar um trabalho era necessário identificar todas as fases (movimentos), colocando-as em ordem lógica e estabelecendo um tempo padrão para cada uma. Tal estudo permitia a racionalização dos métodos de trabalho; , 24 Estudo da fadiga humana: a fadiga tende a diminuir a produtividade do trabalhador. Estudando a fadiga, procurando eliminar os movimentos inúteis e arrumando adequadamente as ferramentas e equipamentos necessários ao trabalho, era possível reduzi-la. Um grande estudioso da fadiga na época foi Frank Gilbreth (1868-1924); Divisão do Trabalho e especialização do operário: com base no estudo dos tempos, movimentos e análise do trabalho, criou-se a Divisão de Trabalho, separando as tarefas em partes menores e especializando o operário em cada parte, tornando-o mais produtivo. A ideia que surgiu era que a eficiência aumenta a especialização; Desenho de cargos e tarefas: Taylor foi um pioneiro em desenhar um cargo, relacionando-o como um conjunto de tarefas a ser realizada por um operário; Incentivos salariais e prêmios de produção: com o desenho de cargos estabelecido e o tempo padrão de cada tarefa determinado, Taylor criou um sistema de remuneração baseado na quantidade de peças produzidas e não mais no total de horas trabalhadas, o que revolucionou os conceitos na época; Padronização: além de criar os estudos de tempo padrão, a descrição de cargos e tarefas, também houve uma preocupação com a padronização dos métodos e processos de trabalho, ferramentas e matéria-prima. Tudo isso procurando eliminar desperdícios e aumentar a eficiência; Supervisão funcional: Taylor propôs que cada supervisor tinha que ter a especialização necessária da área, tornando-o um supervisor funcional, pois entendia todas as atividades e tarefas que os funcionários executavam. A Administração Científica teve outros representantes, além de Taylor: • Frank Bunker Gilbreth (1868-1924) e Lilian Moler Gilbreth (1878-1972). Frank publicou o livro Fatigue study (estudo da fadiga em 1916). Ele e sua esposa fizeram inúmeros estudos a respeito da fadiga humana e iniciou os estudos de tempo e movimento, dando inúmeras contribuições na busca da racionalização do trabalho e aumento da produtividade; , 25 • Henry Gantt (1861-1919): trabalhou junto com Taylor e foi o criador do Gráfico de Gantt, até hoje muito utilizado, para controlar atividades de um projeto em relação ao plano original; • Harrington Emerson (1853-1931): sua grande preocupação foi com a questão da produtividade correta das empresas. Segundo Silva (2008), definiu os 12 princípios da eficiência (muito utilizado pelas empresas na época), conforme abaixo: 1. Definir objetivos 2. Utilizar o bom senso 3. Ter orientação competente 4. Manter a disciplina 5. Praticar o tratamento justo 6. Ter registros confiáveis 7. Rapidez e prontidão nas rotinas 8. Estabelecer padrões e programações 9. Condições de trabalho devem ser padronizadas 10. As operações precisam ser padronizadas 11. Todas as instruções das práticas-padrão devem ser escritas 12. Dar recompensas pela eficiência alcançada • Henry Ford (1863-1947): Trouxe inúmeras contribuições para as indústrias da época. Implantou o sistema de produção em série na indústria automobilística, reduzindo tempo e custos de fabricação. Ford adotou três princípios básicos segundo Silva (2008): I. Princípio de intensificação: reduzir ao máximo o tempo de fabricação, hoje denominado de redução do ciclo de tempo. II. Princípio da economicidade: reduzir os estoques da matéria-prima ao mínimo. III. Princípio da produtividade: aumentar ao máximo a produtividade utilizando a especialização do trabalhador. , 26 Críticas a Administração Científica segundo Chiavenato (2014): Assim como aconteceu na Teoria Clássica, apesar das grandes contribuições que a Administração Científica trouxe para as organizações, também houve várias críticas. Mecanicismo: a Administração Científica se preocupou demais com a melhoria da tarefa, racionalização do trabalho e especialização do funcionário, tornando sua tarefa enfadonha. Ou seja, para tais estudiosos o homem deveria se comportar como uma máquina, com o máximo de produtividade, sem se preocupar com o lado psicológico e social do trabalhador, conforme demonstra a figura abaixo: Fonte: CHIAVENATO, 2014, p.70 Figura 2.2 Superespecialização do Operário: na busca de aumentar cada vez mais a produtividade, as atividades eram divididas em várias tarefas, para torná-la mais simples e, com isso, o funcionário ficava superespecializado em fazer só aquilo, trazendo inúmeros problemas como esgotamento físico, monotonia e outros. , 27 2.3 Teoria das Relações Humanas Origem A Experiência em Hawthorne, desenvolvida por Elton Mayo (1880-1949) e seus colaboradores, foi o principal movimento que deu início à Teoria das Relações Humanas. O foco da Teoria das Relações Humanas foi fazer oposição à Teoria Clássica da Administração que não se preocupava com o ser humano. O desenvolvimento das ciências humanas começou a influenciar várias aplicações práticas na organização, principalmente a psicologia e a sociologia. Elton Mayo e a Teoria das Relações Humanas A Teoria das Relações Humanas teve foco em estudar o ser humano e suas relações dentro da organização. Para os estudiosos dessa teoria o desempenho das organizações depende da eficiência dos sistemas técnicos existentes e do desempenho das pessoas. As organizações são sistemas cooperativos, pois dependem da integração das diversas áreas e dos colaboradores para realização dos seus objetivos. Para que haja cooperação entre as áreas e colaboradores, a organização precisa alcançar um equilíbrio entre os benefícios que oferece para seus colaboradores (inducements) em troca do esforço que o colaborador dá para a organização (contributions).Experimento de Hawthorne • Experimento desenvolvido e coordenado pelo professor Elton Mayo na fábrica da Western Eletric Co., no bairro de Hawthorne, em Chicago – EUA; • Inicialmente o objetivo da pesquisa era saber se a luminosidade do ambiente afetava ou não a produtividade da equipe de trabalho; , 28 • Como Mayo era observador, percebeu durante a pesquisa que a produtividade não era causada só por fatores físicos ou materiais, mas também, ou principalmente, por fatores sociais e psicológicos; • Tal experimento conseguiu demonstrar a importância do grupo sobre o desempenho dos indivíduos. Principais conclusões da Experiência de Hawthorne (CHIAVENATO, 2014, p.108): • Nível de Produção: quanto maior a integração da equipe de trabalho, maior a produtividade; • Comportamento Social dos Empregados: apoiam-se totalmente no grupo e não na empresa ou no chefe imediato; • Relações Humanas: os indivíduos dentro da organização participam de grupos sociais que nem sempre pertencem à mesma área de trabalho; • Grupos Informais: mantêm uma constante interação social, tornando-os fortes e unidos; • A relevância do Conteúdo do Cargo: quanto mais se sentir valorizado, maior é a motivação do funcionário. A conclusão da Experiência de Hawthorne trouxe novos conceitos para a Administração e vários outros estudiosos começaram a estudar a organização, com foco nos funcionários e seus relacionamentos. Segundo Fayol (2014), Roethlisberger e Dickson que participaram da pesquisa com Mayo, a organização industrial tem duas funções importantes: a função econômica (que é produzir bens ou serviços) e a função social (que tem a responsabilidade de distribuir satisfações aos funcionários), conforme figura abaixo: , 29 Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 113 Figura 2.3 Críticas da Teoria das Relações Humanas segundo Chiavenato (2014) Desde que a Teoria das Relações Humanas foi criada, surgiram inúmeras críticas: • A negação do conflito empresa-funcionário. Para os estudiosos dessa teoria não havia conflitos; • Restrição de poucas variáveis e limitando-se apenas à análise de fábricas, pois a maioria dos estudos foi em indústrias; • Concepção utópica: visão idealizada de um funcionário feliz e integrado ao ambiente de trabalho; • Ênfase excessiva nos grupos informais: existiu uma supervalorização no fator “Integração Grupal” com relação à produtividade; , 30 • Espionagem: a participação dos funcionários nas decisões acabou sendo desvirtuada, pois alguns se tornaram “espiões” da empresa; • A Teoria das Relações Humanas não trouxe novos critérios de gestão diferentes da Teoria Clássica e da Administração Científica. A seguir veremos as principais diferenças entre a Teoria Clássica e a Teoria de Relações Humanas, segundo Silva (2008). Características Clássicas Relações Humanas Estrutura Mecânica, impessoal A organização é um sistema social Comportamento na organização Com base nas regras e regulamentos Depende dos sentimentos e atitudes dos funcionários Foco No trabalho, tarefas e nas necessidades econômicas dos trabalhadores Nos grupos e nas qualidades humanas e emocionais dos empregados Ênfase Na ordem e na racionalidade Na segurança pessoal e nas necessidades sociais dos trabalhadores Resultados Insatisfação, alienação no trabalho Empregados felizes tentam produzir mais Características Clássicas Relações Humanas Estrutura Mecânica, impessoal A organização é um sistema social Comportamento na organização Com base nas regras e regulamentos Depende dos sentimentos e atitudes dos funcionários Foco No trabalho, tarefas e nas necessidades econômicas dos trabalhadores Nos grupos e nas qualidades humanas e emocionais dos empregados Ênfase Na ordem e na racionalidade Na segurança pessoal e nas necessidades sociais dos trabalhadores Resultados Insatisfação, alienação no trabalho Empregados felizes tentam produzir mais , 31 2.4 Teoria Comportamental A Teoria Comportamental surgiu como um desdobramento das Teorias de Relações Humanas, mas preocupando-se com o comportamento organizacional, ou seja, com o comportamento dos funcionários, dos diversos grupos formais e informais e das organizações. Para tentar entender o comportamento organizacional, foi necessário estudar a motivação humana, já que ela é um dos principais elementos para entender o comportamento dos funcionários. Vários estudiosos da Teoria Comportamental despontaram e vamos falar dos mais importantes. Abraham Harold Maslow (1908-1970) Maslow foi um dos mais ilustres estudiosos da motivação, conhecido pela “Pirâmide de Maslow” onde apresentou uma teoria da motivação com base na hierarquia de necessidades. Segundo ele as pessoas são motivadas especialmente pelas necessidades humanas. Quanto mais forte é a necessidade, maior é a motivação. As necessidades humanas se dividem em cinco grupos, denominadas de Pirâmide das Necessidades de Maslow, conforme figura abaixo: , 32 Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 326 Figura 2.4 Se um funcionário estiver com necessidades fisiológicas é porque ele necessita de descanso, conforto físico ou uma redução na jornada de trabalho. Conforme uma necessidade é atendida, passa para outro nível hierárquico, conforme demonstrado na figura acima. Frederick Herzberg (1923-2000) – Teoria da Motivação dois fatores Segundo Herzberg (CHIAVENATO, 2014, p. 326), na sua Teoria da Motivação dos Dois Fatores, existem dois fatores que podem explicar o comportamento dos funcionários no ambiente de trabalho: 1. Fatores higiênicos ou fatores extrínsecos: são localizados no ambiente de trabalho e afetam as condições do funcionário exercer seu papel. Tais fatores são administrados pela empresa, portanto o funcionário não tem qualquer poder sobre eles. Segundo a pesquisa realizada por Herzberg, quando tais fatores são bons servem apenas para evitar a insatisfação dos funcionários ou, , 33 quando muito, deixá-los satisfeitos por pouco tempo. Se tais fatores são ruins, provocam a insatisfação do funcionário. 2. Fatores motivacionais ou fatores intrínsecos: são os fatores que estão relacionados com tipo e conteúdo do cargo, bem como com as atividades que o funcionário executa. Tais fatores estão sob controle do funcionário, pois, dependendo do cargo que ocupa, poderá sentir-se satisfeito, quer pelo tipo de trabalho, possibilidade de crescimento, reconhecimento, etc. Esses fatores influenciam de maneira mais vigorosa na satisfação dos funcionários. Veja o quadro abaixo para melhor compreensão: Quadro 2.1 FATORES MOTIVACIONAIS (Satisfacientes) FATORES HIGIÊNICOS (Insatisfacientes) Conteúdo do cargo (como a pessoa se sente em relação a seu cargo) Contexto do cargo (como a pessoa se sente em relação a sua empresa) • O trabalho em si • Realização • Reconhecimento • Progresso profissional • Responsabilidade • Condições de trabalho • Administração da empresa • Salário • Relações com o supervisor • Benefícios e serviços sociais (CHIAVENATO, 2014, p. 328) Douglas McGregor (1906-1964) McGregor estudou os modelos de administrar uma empresa. Escolheu dois modelos que são opostos e que denominou de Teoria X e Y. Para ele o modelo mais tradicional de administrar é aquele onde o homem é considerado preguiçoso, sem ambição, resistente às mudanças e que precisa constantemente ser monitorado. Para esse estilo de administrar, deu o nome de Teoria X. , 34 O outro modelo, completamente oposto e com base nos pressupostos da Teoria Comportamental, o homem gosta de trabalhar, tem motivação e ambição, aceita mudanças e é responsável, não precisando de monitoramento constante. Para esse estilo de administrar, deu o nome de Teoria Y. Portanto, dependendo do modelo da organização, poderá desenvolver o estilo X ouY de administrar, sendo que o Y é o modelo mais democrático, participativo e que valoriza as pessoas. E o modelo X é um modelo mais autoritário com vários controles impostos aos funcionários no sentido de supervisioná-los e fazê-los executar suas atividades, conforme quadro abaixo: Quadro 2.2 Pressuposições da Teoria X Pressuposições da Teoria Y • As pessoas são preguiçosas e indolentes; • As pessoas evitam o trabalho; • As pessoas evitam a responsabilidade, a fim de se sentirem mais seguras; • As pessoas precisam ser controladas e dirigidas; • As pessoas são ingênuas e sem iniciativa. • As pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer; • O trabalho é uma atividade tão natural como brincar ou descansar; • As pessoas procuram e aceitam responsabilidades e desafios; • As pessoas podem motivar e dirigir a si mesmas; • As pessoas são criativas e competentes. (CHIAVENATO, 2014, p. 333) Rensis Likert (1903-981) Foi professor e pesquisador. Trabalhou como diretor do Instituto de Pesquisas Sociais de Michigan-EUA e desenvolveu vários estudos sobre estilos de liderança e administração de empresas. Segundo ele a administração não pode ser igual para várias empresas e deve assumir diferentes modos de administrar, de acordo com várias condições internas e externas. , 35 No seu estudo criou quatro modelos de organização com base em quatro variáveis: processo de decisão, sistema de comunicação, tipo de relacionamento interpessoal e modelo de recompensas e punições. Tais modelos de administração foram denominados de: Autoritário-coercitivo, Autoritário-benevolente, Consultivo e Participativo. Dependendo da empresa e suas condições internas e externas, deverá adotar o modelo mais apropriado, conforme demonstra tabela abaixo: Quadro 2.3 Variáveis Autoritário- Coercitivo Autoritário - Benevolente Consultivo Participativo Processo de decisão Totalmente centralizado na cúpula da organização Centralizado na cúpula, mas permite alguma delegação, de caráter rotineiro Consulta aos níveis inferiores, permitindo participação e delegação Totalmente descentralizad o. A cúpula define políticas e controla os resultados Sistema de Comunicação Muito precário. Somente comunicações verticais e descendentes com ordens Relativamente precário, prevalecendo comunicações descendentes. A cúpula procura facilitar o fluxo no sentido vertical e horizontal Sistemas de comunicação eficientes são fundamentais para o sucesso da empresa Relacionamento interpessoal Provocam desconfiança. Organização informal é proibida. Cargos confinam as pessoas. São tolerados, com anuência. Organização informal é incipiente e considera uma ameaça à empresa Certa confiança nas pessoas e nas relações. A cúpula facilita a organização informal sadia. Trabalho em equipe. Formação de grupos é importante. Confiança mútua, participação e envolvimento grupal intenso. Modelo de recompensas e punições Utilização de punições e medidas disciplinares. Obediência restrita aos regulamentos. Raras recompensas sociais Utilizações de punições e medidas disciplinares, mas com menor arbitrariedade. Recompensas salariais e raras recompensas sociais Utilização de recompensas materiais. Recompensas sociais ocasionais. Raras punições ou castigos Utilização de recompensas sociais e recompensas materiais e salariais. Punições são raras e, quando ocorrem, são definidas pelas equipes (CHIAVENATO, 2014, p. 337) , 36 O modelo de administração Autoritário-Coercitivo é mais utilizado onde há muito volume de funcionários com pouca qualificação profissional, tais como empresas de construção civil, algumas indústrias de montagem e empresas de prestação de serviços operacionais (limpeza, jardinagem etc.). O modelo de administração Autoritário-Benevolente é mais utilizado em empresas com muitos funcionários especializados. É comum em grandes empresas de montagens industriais ou em algumas áreas de produção de grandes indústrias. O modelo de administração Consultivo é mais utilizado por empresas que prestam serviços como bancos ou em escritórios de empresas mais organizadas e modernas. O modelo de administração Participativo é para empresas que trabalham com tecnologia de ponta e/ou com pessoal altamente especializado tais como empresas de consultoria, tecnologia da informação, robótica etc. 2.5 Motivação e Liderança Motivação Motivação indica a origem ou motivo que faz com que o ser humano tenha determinado comportamento. A motivação é única e individual, ou seja, cada um tem sua forma diferente de estar motivado. Segundo Silva (2008), em 1982 T. E. Mitchell apresentou uma revisão da teoria da motivação, identificando quatro características da motivação: É definida como um fenômeno individual: cada pessoa tem sua maneira específica de encontrar motivação; É descrita, geralmente, como intencional: cada funcionário tem a sua própria intenção de realizar ou deixar de realizar algo, que o faz ficar motivado; É multifacetada: a pessoa tem um estímulo, que vai gerar um comportamento e ele vai escolher que tipo de comportamento vai adotar; , 37 O propósito das teorias de motivação é predizer o comportamento, ou seja, a motivação não é o comportamento que um determinado funcionário tem, mas sim é uma consequência de variáveis internas e externas que, através de uma decisão sua, gerou tal comportamento. Mitchell define motivação da seguinte forma: “é o grau para o qual um indivíduo quer e escolhe adotar determinado comportamento” (SILVA, 2008, p. 204). Podemos concluir que cada pessoa tem um determinado comportamento, de acordo com seu nível de motivação. Nesse sentido, se um gerente deseja melhorar o desempenho da sua equipe, através da motivação, precisa estar atento para identificar os comportamentos de cada funcionário e as razões que os levou a tal comportamento. O modelo básico de motivação pode ser representado, conforme a figura abaixo: Fonte: SILVA, 2008, p. 204 Figura 2.5 Na vida profissional, o indivíduo tem diversas necessidades e expectativas, que podem ser caracterizadas de várias maneiras. Pode ser necessidade de recompensas psicológicas, normalmente oriundas das ações individuais realizadas pelo gerente (motivações intrínsecas). Pode ser de necessidades de recompensas materiais, tais como salário, benefícios, condições de trabalho e outras, que a empresa é responsável (motivações extrínsecas). A motivação tem um ciclo, com uma sequência de eventos, que se inicia a partir do momento que a pessoa cria uma necessidade e ou expectativa, passa por vários , 38 estágios, até chegar a um comportamento final. Nesse momento, se a pessoa conseguiu realizar parte ou totalmente a necessidade criada, terá um grau de motivação positivo (geralmente de alegria e felicidade) por ter conseguido e, com bom desempenho. Caso contrário, terá um grau de motivação negativo (geralmente de tristeza, frustração) com baixo desempenho. A figura abaixo é um modelo do ciclo de motivação – desempenho. Fonte: SILVA, 2008, p. 207 Figura 2.6 Várias teorias de motivação foram desenvolvidas, sendo que duas são mais importantes: a Teoria dos Dois Fatores (Herzberg) e Teoria da Hierarquia das Necessidades (Maslow), já foram explicadas no subitem 2.4 desse bloco. Liderança Os estudiosos das Teorias das Relações Humanas e da Teoria Comportamental puderam perceber a grande importância que um líder pode exercer em seus liderados, dependendo da maneira como atuar. , 39 Surgiram então várias pesquisas e estudos para tentar entender o modelo ideal de liderança para uma empresa e atualmente a liderança é considerada como uma habilidade importante na função de direção. Existem inúmeros conceitos de liderança,mas o mais simples é esse: é um processo de conduzir e influenciar as atividades realizadas por um grupo de funcionários no sentido de alcançar os objetivos planejados previamente. Segundo Chiavenato (2014), a liderança pode ser vista e analisada sob diversos pontos de vista: Como fenômeno de influência interpessoal: dependendo da capacidade do líder de utilizar sua comunicação para influenciar as pessoas, poderá alcançar inúmeros adeptos que seguirão sua ordem no alcance dos objetivos, conseguindo um poder maior que sua autoridade funcional (derivada do cargo que ocupa); Como processo de redução da incerteza de um grupo: quanto mais o grupo acreditar na capacidade do líder de que poderá ajudá-los a alcançarem o objetivo, maior será seu poder sobre eles, eliminando ou reduzindo o grau de incerteza; Como uma relação funcional entre líder e subordinados: todo subordinado tem suas necessidades, mas sabe que sozinho, dificilmente irá alcançá-las. Quando encontra um líder em quem acredita que seja capaz de ajudá-lo na realização de suas necessidades, estabelece uma relação funcional com ele, onde um ajuda o outro; Como um processo em função do líder, dos seguidores e de variáveis da situação: a liderança, em cada situação, dependendo das variáveis envolvidas exige um modo de agir e decidir diferente. Portanto o líder deve saber como trabalhar com tais variáveis para conseguir o apoio dos funcionários naquela situação específica, conhecida como abordagem situacional. , 40 Por se tratar de um tema muito importante na organização, a Liderança tem inúmeras teorias e estudos que, segundo Chiavenato (2014) podem ser classificadas em três grupos: I. Teorias sobre traços de personalidade II. Teorias sobre estilos de liderança III. Teorias situacionais da liderança Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 125 Figura 2.7 Teorias sobre Traços de Personalidade Consideram que alguns traços poderão ajudar a ser um bom líder. Ou seja, deverá ter bons traços físicos, intelectuais, sociais e traços relacionados com a tarefa (experiência, competência, iniciativa). Teorias sobre Estilos de Liderança Foram analisados e estudados quais tipos de comportamento um líder deve possuir em relação a seus subordinados. , 41 Segundo Chiavenato (2014), uma das principais Teorias foi desenvolvida por Whitte e Lippitt através de uma pesquisa que realizaram, agrupou em três tipos: liderança democrática, liderança autocrática e liderança liberal (laissez-faire), conforme quadro abaixo: Quadro 2.4 Autocrática Democrática Liberal (laissez-faire) O líder determina as diretrizes, sem qualquer participação do grupo. As diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder. Há liberdade total para as decisões grupais ou individuais, e mínima participação do líder. O líder determina as providências para a execução das tarefas, cada uma por vez, na medida em que se tornam necessárias e de modo imprevisível para o grupo. O grupo esboça as providências para atingir o alvo e pede aconselhamento ao líder que sugere alternativas para o grupo escolher. As tarefas ganham novas perspectivas com os debates. A participação do líder é limitada, apresentando apenas materiais variados ao grupo, esclarecendo que poderia fornecer informações desde que as pedissem. O líder determina a tarefa que cada um deve executar e o companheiro de trabalho. A divisão das tarefas fica a critério do grupo e cada membro tem liberdade de escolher seus companheiros de trabalho A divisão das tarefas e escolha dos colegas fica totalmente a cargo do grupo. Absoluta falta de participação do líder. O líder é dominador e é “pessoal” nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro. O líder procura ser um membro normal do grupo, em espírito. O líder é “objetivo” e limita-se aos “fatos” nas críticas e elogios. O líder não avalia o grupo e nem controla os acontecimentos. Apenas comenta as atividades quando perguntado. (CHIAVENATO, 2014, p.127) Teorias Situacionais da Liderança Estudiosos dessas teorias afirmam que a liderança não pode ser baseada em traços de personalidade nem em estilo de liderança. A Liderança deve ser baseada em variáveis e na situação que o momento exige, assim é possível trocar o líder de acordo com a situação específica. Segundo Chiavenato (2014), Tannenbaum e Schmidt definiram um estilo de liderança situacional com base no grau de centralização ou descentralização de autoridade que o líder dá para seus subordinados. Para eles dependendo do tipo de tarefa e tipo de subordinado, é possível estabelecer um continuum de padrões de liderança, conforme figura abaixo. , 42 Figura 2.8 – Estilos de Liderança Estudos recentes demonstram preocupação com a motivação e liderança sob um novo ângulo que foi denominado de Qualidade de Vida no Trabalho – QVT. A QVT baseia-se numa visão integral da pessoa, denominada de biopsicossocial. Ou seja, para o homem trabalhar motivado é necessário que esteja bem biologicamente (saúde), psicologicamente (pessoa, família) e socialmente (ambiente de trabalho, relações sociais). Conclusão Foram abordados os princípios da administração, definidos na teoria clássica; as principais ferramentas da Administração Científica; como se forma o relacionamento humano nas organizações; o impacto que o comportamento humano, a liderança e a motivação proporcionam no desempenho da empresa. O administrador poderá utilizar os conhecimentos estudados nesse bloco para buscar crescimento profissional, colaborando ativamente na melhoria contínua da gestão organizacional. , 43 Referências CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral de Administração. 9. ed. Barueri: Manole, 2014. SILVA, Reinaldo O. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008.