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Aula 1 – Relação entre Sexualidade, Reprodução e Cidadania.
Desafios de uma política pública de saúde concernente ao campo dos direitos reprodutivos e direitos sexuais.
Autoria original do feminismo: o feminismo lançou os questionamentos e a ideias que vão historicamente produzir o conceito de direitos reprodutivos e servir de base para a construção de direitos sexuais. esses direitos estão reconhecidos como valores democráticos. 
Na perspectiva feminista, os direitos reprodutivos dizem respeito à igualdade e à liberdade na esfera da vida reprodutiva. Os direitos sexuais dizem respeito à igualdade e à liberdade no exercício da sexualidade. O que significa tratar sexualidade e reprodução como dimensões da cidadania e consequentemente da vida democrática. 
Direitos Reprodutivos-> Vida reprodutiva –> Feminismo
Direitos Sexuais-> Exercício da Sexualidade –> Movimentos sociais (gays e de lésbicas + feminista)
Valores Democráticos -> Dimensões da Cidadania -> Vida Democrática -> Igualdade -> Liberdade
A luta no campo ideológico para romper com a moral conservadora, que prescrevia para as mulheres a submissão da sexualidade à reprodução, teve um significado muito forte na história da prática política e do pensamento feministas. O modelo de sexualidade baseado em sexo-procriação, isto é, a heterossexualidade como forma “natural” de relação foi garantida por meio da repressão sexual às outras formas de expressão sexual.
É importante tratar esses direitos no sentido libertário e igualitário e não no sentido prescritivo de constituição de um modelo e regras para o exercício da sexualidade e da vida reprodutiva. E dessa forma, também contradizer a tradição que regula mentou e normatizou – no sentido repressivo e discriminador – a sexualidade e a reprodução.
Moral conservadora -> Submissão da Sexualidade à reprodução -> Heterossexualidade -> Sexo-Procriação -> Repressão Sexual x Expressão Sexual -> Discriminador 
Novos Sentidos para a Cidadania -> Liberdade Sexual e Reprodutiva
O que é relevante é que ao não pensar esses direitos como prescrições de modelos sobre sexualidade e reprodução, devemos abordá-los como campos éticos. Ter direitos é também ter poder. Portanto um direito não é concedido, mas algo que é conquistado e conservado, porque ele é um poder. O que temos é aquilo que ainda classicamente se chama a democracia formal. Mas é preciso uma democracia social e cultural”. 
A violência na vida cotidiana tem sido um forte mecanismo de manutenção da dominação sobre a vida sexual das mulheres. No terreno político, há uma forte reação por parte dos setores conservadores contra as propostas feministas de transformação social e cultural nestes campos. Um exemplo contundente é a reação contrária à legalização do aborto. 
Esse modelo hegemônico distancia os homens dos cuidados paternais e os libera da responsabilidade com a prevenção da gravidez indesejada e também das doenças sexualmente transmissíveis.
Alterar esse modelo significa buscar uma sociabilidade na qual o sentido da paternidade e da maternidade sejam completamente transformados, levando a uma divisão sexual igualitária do trabalho no âmbito doméstico e em particular nas tarefas de cuidar das crianças na vida cotidiana. 
Alterar modelo - sociabilidade ►Transformar sentido da paternidade e da maternidade ►Divisão sexual igualitária: ►Trabalho/afazeres domésticos ►Cuidado das crianças ►Inserção – homens – responsabilidade “esfera reprodutiva” ►Transformação cultural ►Novas relações baseadas em direitos
A transformação cultural é uma dimensão estratégica para produção de uma nova forma de relação entre os homens e as mulheres com base nos direitos reprodutivos. Direitos sexuais ao colocar as relações sexuais como relações sociais a serem considera das no plano da cidadania, a serem, portanto, mediadas e garantidas nas necessidades que produzem por meio de direitos, colocam a heterossexualidade e a homossexualidade como práticas sexuais igualmente livres
Ser heterossexual ou homossexual é uma questão da vida privada, que de um lado não pode ser uma questão secreta, no sentido de ser interditada de aparecer socialmente, mas por outro, não deve se tornar necessariamente uma identificação pública de alguém. Diferentemente são as organizações políticas identificadas como movimentos gay, lésbico, etc. Nesses casos são identidades construídas politicamente, na luta pela conquista de direitos específicos, para transformar a realidade social. Penso que parte dessa transformação é justamente superar a atitude social de identificar as pessoas pela sua expressão sexual, o que ocorre ainda com conotações de julgamento. Uma transformação que vai no sentido de deslocar o princípio lógico da prescrição e controle, para o princípio da ética e da liberdade. 
A demanda por políticas sociais na área da saúde constitui um campo de ação estratégico para os sujeitos que defendem os direitos reprodutivos e sexuais. A reprodução e a sexualidade devem constar como áreas específicas da política geral de saúde pública. Gravidez, parto, puerpério, aleitamento materno, concepção, contracepção, aborto, doenças sexualmente transmissíveis e violência sexual são questões cruciais que hoje estão colocadas para a política de saúde.
O saber no campo da saúde ao se deslocar do lugar de sustentação da repressão para o lugar de garantia de direitos passa por um processo de transformação. Estamos por tanto, tratando de superar processos que levem a uma democratização da vida social.
A demanda por políticas sociais na área da saúde está baseada em uma visão de direitos reprodutivos e sexuais como parte dos direitos sociais, como defesa de um Estado promotor de bem-estar e de transformação social. São exemplares dessa configuração a luta pelo Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher e a luta por uma política de saúde voltada para HIV/AIDS.
No campo econômico, recursos suficientes formação técnica para lidar com reprodução e questões da sexualidade, mas a formação enquanto consciência de cidadania que implica o se reconhecer e reconhecer o/a outro/a como cidadão/ã. Há nesse campo um desafio específico no plano cultural/ideológico que é o de romper com o conservadorismo e o preconceito que não só discriminam socialmente, mas afetam a saúde física e mental das pessoas e as vulnerabilizam. O preconceito não pode fazer parte da relação entre os profissionais da saúde e os/as usuários/as dos serviços. O desafio do poder público de reconhecer que as políticas de saúde voltadas para reprodução e sexualidade devem ser consideradas como parte das atribuições de um Estado laico e democrático, e portanto, suas ações devem responder à garantia dos direitos da população e, neste sentido não podem ser formuladas nem implantadas segundo as normas e os preceitos de qualquer religião.
Aula 2 – Pré-natal e Puerpério: Atenção Qualificada e Humanizada
Reconhecer estado normal de ambivalência •Acolher dúvidas capacidades maternas: físicas (gerar bebê saudável) e psíquicas (desempenho do papel de mãe) •Reconhecer condições emocionais – contexto e repercussões •Apoio do ambiente para a mãe •Compreender estado vulnerabilidade psíquica •Figura de apoio x idealização •Estabelecer a relação de confiança •Facilitar a participação ativa do parceiro no processo equilíbrio das relações. 
PRIMEIRO TRIMESTRE:
 Ambivalência (querer e não querer a gravidez) Medo de Abortar / Oscilações do Humor (aumento da irritabilidade) Primeiras Modificações corporais (alguns desconfortos: náuseas, sonolência) Desejos e Aversões (por determinados alimentos)
SEGUNDO TRIMESTRE: 
Introspecção e passividade/ Alteração do desejo e desempenho sexual / Alteração da estrutura corporal (que para a adolescente tem uma repercussão ainda mais intensa) / Percepção dos Movimentos fetais (presença do filho é concretamente sentida) 
TERCEIRO TRIMESTRE: 
Ansiedades Intensificam-se (proximidade do parto) / Temores do Parto (medo da dor e da morte) Aumento das queixas (físicas) 
PURPÉRIO: Ansiedades e os sintomas depressivos são comuns, temuma redução da idealização do bebê + aumento da vivência deste como ser real/diferente da mãe, necessidades da mulher postergadas e necessidade de amparo/proteção da mulher. Alterações emocionais► Provisórias ► Vulnerabilidade psíquica - bebê e mãe ► Identificação materna – ligação intensa – vínculo afetivo ► Atendimento às necessidades básicas – bebê ► Puérperas adolescentes – maior vulnerabilidade – atenção especial ► Díade mãe-bebê ► pouco estruturada ► comunicação não-verbal
Tristeza Materna: 3º dia – 2as semanas ►Fragilidade, hiper emotividade, alterações do humor, falta de confiança em si própria, sentimentos de incapacidade
Depressão: perturbação do apetite, do sono, decréscimo de energia, sentimento de desvalia ou culpa excessiva, pensamentos recorrentes de morte e ideação suicida, sentimento de inadequação e rejeição ao bebê.
Lutos transição gravidez-maternidade (corpo e separação mãe-bebê) 
Amamentação: medo permanecer ligada ao bebê, estética, aleitamento suficiente, dificuldades incapacitação (inadequação)
Aula 3: Maternidade: Mudanças Sociais e Históricas Sobre o Conceito de Maternidade
· Idade Média (entre sec V e XV) – Desvalorização da maternidade, os casamentos eram arranjados e visavam à manutenção dos bens familiares, as crianças eram criadas por camponeses pobres até 8 anos de idade. Alta taxa de mortalidade, pouco investimento nos bebês
· Idade Pré-moderna (entre sec XVI ao XVIII) Valorização - a maternagem passa a ser extremamente valorizada e os cuidados relativos a essa atividade passam a ser exclusivos da mãe. Ela é quem deve cuidar e amamentar os filhos. 
· Idade moderna (sec XIX até 1960) Dever da mulher - a maternidade um dever patriótico, além do cuidado materno, o estado passa a ter interesse na educação dos futuros cidadãos em virtude do sistema capitalista, maior status adquirido na sociedade, mulheres que não tinham o desejo da maternidade a sensação de inadequação social. 
· Idade Contemporânea (atualidade) movimento feministas – disputa do espeço público, o movimento radical, maternidade submissão ao homem (Szapiro, 2008), e o movimento maternalista, reconhecimento dessas funções como um trabalho (Bock, 1991). 
Aula 4: IRDI: Indicadores de Risco no Desenvolvimento Infantil
Protocolo IRDI (Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil) instrumento de observação e inquérito do laço mãe e bebê nos 18 primeiros meses de vida com o objetivo de avaliar a presença de risco psíquico para o desenvolvimento infantil. 
· Problemas de desenvolvimento: sinalizam a presença de dificuldades subjetivas que afetam ou incidem no desenvolvimento da criança, mas não questionam a instalação do sujeito psíquico. Exemplos destes quadros clínicos podem ser: hiperatividade, problemas com regras e leis, enurese. 
· Problemas na constituição subjetiva”: problemas mais estruturais, apontando um risco de evolução em direção às psicopatologias graves da infância, tais como os chamados distúrbios globais do desenvolvimento
O conjunto de 31 indicadores do IRDI foi construído a partir dos seguintes eixos teóricos e é deles considerado uma expressão fenomênica: 
· Suposição do sujeito (SS): antecipação realizada pela mãe ou cuidador, causa grande prazer ao bebê, são palavras carregadas de uma musicalidade prazerosa, chamadas de mamanhês o que fará o bebê “buscar” corresponder (sorriso) ao que foi antecipado sobre ele. 
· Estabelecimento da demanda (ED): as primeiras reações involuntárias que o bebê apresenta ao nascer, tais como o choro, e que serão reconhecidas pela mãe como um pedido que a criança dirige a ela, esse reconhecimento permitirá a construção de uma demanda (de amor) essa demanda estará na base de toda a atividade posterior de linguagem e de relação com os outros construção de uma demanda de amor. 
· Alternância presença/ausência (PA): ações maternas que a tornam alternadamente presente e ausente. A ausência materna marcará toda ausência humana como um acontecimento existencial, digno de nota, obrigando a criança a desenvolver um dispositivo subjetivo para a sua simbolização. A presença materna não será apenas física, mas será, sobretudo, simbólica. Entre a demanda da criança e a experiência de satisfação proporcionada pela mãe, espera-se que haja um intervalo no qual poderá surgir a resposta da criança, base para as respostas ou demandas futuras. 
· Função paterna (FP): entende-se que a função paterna ocupa, para a dupla mãe-bebê, o lugar de terceira instância, orientada pela dimensão social.
Aula 5: A escuta psicanalítica da maternidade: Narcisismo e Castração Materna Revisitadas, o nascimento de uma Mãe
O conceito de narcisismo, dentre suas várias formas de entendimento, oferece elementos para entender a constituição do eu e do objeto externo. Trata-se da evolução libidinal do sujeito normal, do auto-erotismo ao amor de objeto, constituição do eu e do objeto. 
· esse bebê foi tomado como objeto de desejo para uma mãe, sendo investido libidinalmente a partir do seu próprio narcisismo.
	Narcisismo primário
	Seria o estado precoce em que a criança investe toda a sua libido em si mesma. Essa é a fase do desenvolvimento que a libido está dirigida ao próprio eu. Pode-se dizer que é o reservatório da libido, para onde ela faz o seu retorno, trabalhando no autoerotismo. ► ela própria (narcísico) ► si mesmo ► Auto-erotismo 
 
	Narcisismo secundário
	Aqui é quando a libido não está somente no eu, ela passa a ir em direção aos objetos externos, porém, acontece o fracasso da pulsão ao tentar obter satisfação por meio de objetos externos, levando o sujeito a novamente redirecionar essa energia para o próprio eu. É quando acontece um recolhimento dos investimentos objetais
Eu Ideal: Formação narcísica •Reencontro consigo mesmo – passado, aquilo que gostaríamos de ter sido, que teria sido nosso lugar no desejo dos nossos pais, das expectativas da sociedade, aquilo que o outro espera da gente (é a construção de uma imagem perfeita de si mesma, uma imagem que corresponde ao que o outro espera da gente)
Ideal do Eu: Perspectiva futura • Relações (instancia secundaria) substituição simbólica do narcisismo primário. É o conjunto de coisas que ouvimos quando crianças a cerda de como deveríamos ser
Aula 6: Relações Inconscientes e Parentalidade

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