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Avaliação individual de Tradução Literária com questões de múltipla escolha baseadas em trechos de Gentzler, Millôr Fernandes e Oustinoff sobre teorias da tradução, tomada de decisões, competências do tradutor e o exemplo da Pedra de Roseta.

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Odair José

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Questões resolvidas

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Avaliação I - Individual (Cod.:1023573)Tradução Literária (115063)
Prova97610238
Período para responder21/04/2025 - 05/05/2025
1) Abordagens descritivistas; desconstrucionistas e de tradução cultural [...]. Outros tipos de teoria são necessários para satisfazer o aspecto seletivo da tradução, quando é preciso fazer escolhas entre as alternativas disponíveis. [...] Os principais usos da teoria ocorrem nos debates a respeito das diferentes maneiras de se resolverem problemas de tradução. Pode-se promover esse tipo de confronto com base nas traduções que você e outros já tenham feito. Descobriremos que, em determinados momentos, um grupo de tradutores não concordará com outro.	
Fonte: GENTZLER, E. Teorias contemporâneas da tradução. São Paulo: Madras, 2009. p. 25.
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. As teorias de tradução podem fornecer diversas razões para se escolher uma solução e descartar o resto e, também, para defender tal solução quando necessário.
PORQUE
II. Ter ciência de uma gama de teorias complicará o processo de elaboração de tradução e a profissão de uma forma mais direta. 
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
A)  
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
B)  
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
C)  
As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
D)  
As asserções I e II são falsas.
E)  
As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
2) Passei boa parte da minha vida traduzindo furiosamente, sobretudo do inglês. [...] Com a experiência que tenho, hoje, em vários ramos de atividade cultural, considero a tradução a mais difícil das empreitadas intelectuais. [...] As traduções, quase sem exceção (e não falo só do Brasil), têm tanto a ver com o original quanto uma filha tem a ver com o pai ou um filho a ver com a mãe. Lembram, no todo, o de onde saíram, mas, pra começo de conversa, adquirem como que um outro sexo. No Brasil, especialmente (o problema econômico é básico), entre o ir e o vir da tradução perde-se o humor, a graça, o talento, a poesia, o pensamento, e, mais que tudo, o estilo do autor. Não se pode traduzir sem ter o mais absoluto respeito pelo original e, paradoxalmente, sem o atrevimento ocasional de desrespeitar a letra do original exatamente para lhe captar melhor o espírito. Não se pode traduzir sem o mais amplo conhecimento da língua traduzida, mas, acima de tudo, sem o fácil domínio da língua para a qual se traduz. Não se pode traduzir sem cultura e, também, contraditoriamente, não se pode traduzir quando se é um erudito, profissional utilíssimo pelas informações que nos presta – que seria de nós sem os eruditos em Shakespeare? –, mas cuja tendência fatal é empalhar a borboleta. Não se pode traduzir sem intuição. Não se pode traduzir sem ser escritor, com estilo próprio, originalidade sua, senso profissional. Não se pode traduzir sem dignidade. 
Fonte: FERNANDES, M. Sobre tradução. In: MARTINS, M. A. P.; GUERINI, A. (org.). Palavra de tradutor: reflexões sobre tradução por tradutores brasileiros. Florianópolis: Editora da UFSC, 2018. p. 133-134.
Considerando o relato de Millôr Fernandes sobre as perdas e ganhos em uma tradução literária, sobre o processo de tradução no Brasil, analise as afirmativas a seguir:
I. Millôr Fernandes, escritor e cartunista brasileiro, considera a tradução uma das tarefas mais difíceis.
II.  O escritor como tradutor excluiu a interculturalidade e o amadurecimento intelectual da atividade de tradução.
III. A tradução no Brasil é a melhor experiência de ganhos linguísticos, sem perda no texto de chegada e até econômicos.
IV. De acordo com a citação, o conhecimento linguístico, flexibilidade e cultura são necessários na bagagem do tradutor.
É correto o que se afirma em:
A)  
II e III, apenas.
B)  
I e IV, apenas.
C)  
I, II e III, apenas.
D)  
II, III e IV, apenas.
E)  
III e IV, apenas.
3) Se a pedra de Roseta não contivesse a tradução de um texto redigido em hieróglifos e em demótico (uma versão simplificada dos hieróglifos) para uma língua conhecida, o grego, Champollion não teria chegado a decifrá-los, e a língua dos faraós teria permanecido, sem dúvida, tão impenetrável quanto a dos etruscos. Uma língua que não se consegue mais traduzir é uma língua morta, antes de a tradição vir a ressuscitá-la (Oustinoff, 2011, p. 13).
Fonte: OUSTINOFF, M. Tradução: história, teorias e métodos. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
Diante do exposto por Oustinoff, analise as afirmativas a seguir:
I. A Pedra de Roseta foi a chave para a decifração dos hieróglifos, pois continha a tradução de um texto para o grego, uma língua conhecida.
II. A incapacidade de traduzir uma língua pode resultar em seu esquecimento, tornando-a uma língua morta até que uma descoberta, como a de Roseta, até que uma pesquisa a reviva.
III. Sem a tradução dos hieróglifos para o inglês, Champollion não teria conseguido decifrar a língua dos faraós.
É correto o que se afirma em:
A)  
I, II e III.    
B)  
I e II, apenas.
C)  
II e III, apenas.
D)  
I, apenas. 
E)  
III, apenas.
4) A compreensão a respeito da dimensão cultural no processo tradutório levou muito rapidamente à percepção a respeito das relações de poder que condicionam esse processo. Precisamente, as assimetrias de processos tradutórios podem ser elaboradas de forma consistente por uma teoria cultural pós-colonial. Precursor, nesse sentido, foi o assim chamado conceito de reescritura de André Lefevere (1992). Lefevere, um dos fundadores da Escola da Manipulação, que elaborara, no âmbito de diversos congressos, uma abordagem que ressalta a manipulação de toda ação translatória, continuou desenvolvendo a mesma de modo coerente e cunhou, com o conceito de re-escritura, uma práxis que se refere tanto às intervenções manipuladoras no nível textual, quanto – e sobretudo – aos meios culturais (literários) que, em concomitância com as forças sociais, dirigem e controlam o processo de produção.  
Fonte: WOLFF, M. A “vontade de poder”: tradução no campo de tensão entre tradução e relações de poder. Tubarão: Copiart; Florianópolis: PGET; UFSC, 2013. p. 156. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/178907/Rosvitha_Friesen_Blume%2c_Patricia_Peterle%20%28Organizadoras%29._Traducao_e_Relacoes_de_Poder.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 16 set. 2024.
Considerando a teoria pós-colonial como uma abordagem que pode analisar de forma consistente as assimetrias nos processos de tradução, sobre sua influência nos processos de tradução, analise as afirmativas a seguir:
I. Os estudos coloniais aplicados à tradução são uma falácia sobre a noção de manipulação de textos traduzidos. 
II. Nos estudos da tradução, a crítica provém dos países eurocêntricos que supervalorizam as produções textuais dos periféricos. 
III. A teoria pós-colonial se refere a uma perspectiva teórica e cultural que realiza uma releitura da colonização como parte de um processo global.
IV. O conceito de reescrita de Lefevere sugere que as traduções não são neutras, mas são moldadas pelas forças culturais e sociais do contexto em que são produzidas.
É correto o que se afirma em:
A)  
 II e III, apenas.
B)  
 I, II e III, apenas.
C)  
 III e IV, apenas.
D)  
 II, III e IV, apenas.
E)  
 I e IV, apenas.
5) Todo texto possui apenas uma pequena superfície exposta, de percepção mais imediata, e uma imensa área imersa subjacente. Para se chegar às profundezas do implícito e dele extrair um sentido, faz-se necessário o recurso aos vários sistemas de conhecimento e a ativação de processos e estratégias cognitivas e interacionais 
Fonte: OCH, I. V. O texto e a construção de sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. p. 30.
Considerando a complexidade da compreensão textual, sobre como isso implica no processo de tradução, analise as afirmativas a seguir:
I. Traduzir prosa ou verso implica em uma seleção de estratégias para a transposiçãocultural.
II. Os tradutores, ao interpretar os elementos culturais subjacentes ao texto-fonte, não precisam traduzir quando não fazem parte da cultura local.
III. Além da compreensão linguística, os elementos culturais estão presentes no texto-fonte e é necessária a percepção do tradutor para não ignorar as informações.
IV. Traduzir os elementos culturais implica em desenvolver competência na língua de chegada e por conseguinte excluir o contexto, valores e referências das entrelinhas.
É correto o que se afirma em:
A)  
II e III, apenas.
B)  
I e IV, apenas.
C)  
II, III e IV, apenas.
D)  
III e IV, apenas.
E)  
I, II e III, apenas.
6) A principal função do tradutor na tradução literária é preservar a intenção do autor da obra na língua de destino, o que implica traduzir entre línguas a estética literária ou artística e não apenas a informação. Esta é uma das áreas mais complexas de tradução, pois o tradutor deve ser criativo e traduzir as figuras do texto fonte para a língua de destino e fazê-las produzir o mesmo efeito na língua de destino e na língua de partida. A tradução literária inclui a tradução de contos, peças de teatro, poemas, romances, banda desenhada, adaptações etc.
Fonte: https://www.blarlo.com/pt/servicos-de-traducao/literaria#:~:text=A%20tradu%C3%A7%C3%A3o%20liter%C3%A1ria%20consiste%20na,%C3%A1reas%20mais%20complexas%20da%20tradu%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 16 set. 2024.
Ao traduzir textos literários, são pressupostos alguns elementos fundamentais sobre eles. Considerando tais aspectos, assinale a alternativa correta:
A)  
A interpretação de elementos culturais obedece a regras gramaticais da língua de chegada e exclui referências da língua de partida.
B)  
A tradução literária deve ser sempre fluente e legível para que o leitor tenha a leitura facilitada na língua de chegada.
C)  
As intenções implícitas no texto e o que o autor não deixa claro para o leitor, incluindo qualquer simbolismo ou temas recorrentes, devem ser compreendidos e refletidos na tradução.
D)  
A tradução deve preservar a cultura de chegada e dessa forma preservar a língua sem a inclusão de elementos estrangeiros.
E)  
A tradução literária tem como foco a tradução de textos científicos e com o devido uso das normas da ABNT.
7) As diferentes maneiras de traduzir, tanto quanto os quadros teóricos, apresentam uma imensa diversidade. Daí decorre a importância de pôr a descoberto os mecanismos subjacentes à tradução, da maneira mais objetiva possível. Privilegiamos a abordagem descritiva ("como se traduz?"), em detrimento da abordagem prescritiva ("como se deve traduzir?"), ou puramente teórica ("o que é traduzir?"). 
Fonte: OUSTINOFF, Michael. Tradução: história, teorias e métodos. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. p. 9.
Pensando na diversidade de diretrizes que determinam as formas de tradução, sobre o método descritivo, analise as afirmativas a seguir:
I. Abordagem que busca compreender o processo de tradução a partir da observação e análise de textos traduzidos e do contexto em que são produzidos e recebidos. 
II. Abordagem que investiga a natureza da tradução, explorando teorias linguísticas, culturais e filosóficas relacionadas à tradução. Nem sempre oferece orientações práticas para a tradução. 
III. Abordagem que estabelece orientações para o processo de tradução. Ela se baseia em normas e regras que pretendem assegurar a qualidade da tradução em termos de precisão, fluência e fidelidade.
IV. Abordagem que se afere nos aspectos gramaticais, numa pesquisa que analisa as estruturas linguísticas entre os idiomas para estabelecer correspondências que estão se relacionando do processo de tradução.
É correto o que se afirma em:
A)  
I, II e III, apenas.
B)  
I, II, III e IV.
C)  
III e IV, apenas.
D)  
II e IV, apenas.
E)  
I, apenas.
8) Britto, tradutor brasileiro, comenta sobre o posicionamento de Schleiermacher sobre a tradução desde uma perspectiva que preserva a cultura do texto-fonte. Sobre os diferentes métodos de tradução, de 1813, em última análise, o tradutor tem duas opções: ou ele traz o texto até o leitor, “domesticando-o” para usar a terminologia atual; ou ele leva o leitor até o texto, numa tradução “estrangeirizante”. Schleiermacher afirma que os dois métodos são tão diferentes um do outro que um deles tem de ser seguido tão rigidamente quanto possível do início ao fim.
Fonte: BRITTO, Paulo Henriques. O tradutor como mediador cultural. Synergies Brésil, [s. l.], n. 2, p. 135-141, 2010.
Considerando os processos de tradução propostos por Schleiermacher, assinale a alternativa correta:
A)  
Schleiermacher sugere que a estrangeirização não preserva a cultura do texto-fonte.
B)  
Schleiermacher defende que a escolha entre “domesticação” e “estrangeirização” deve ser feita de forma casual e não precisa ser consistente ao longo de toda a tradução.
C)  
Schleiermacher argumenta sobre a tradução desde uma perspectiva estrangeirizante ou domesticadora.
D)  
Britto argumenta que Schleiermacher não vê diferenças significativas entre os métodos de “domesticação” e “estrangeirização”.
E)  
Segundo Britto, Schleiermacher defende quatro formas de abordagem de tradução que devem ser a prática do tradutor.
9) Traduzir significa sempre cortar algumas das consequências que o termo original implicava. Nesse sentido, ao traduzir não se diz nunca o mesmo. A interpretação que precede cada tradução deve estabelecer quantas e quais das possíveis consequências ilativas que o termo sugere podemos cortar. No entanto, a negociação nem sempre é uma tratativa que distribui perdas e ganhos com equanimidade entre as partes em jogo.
Fonte: adaptado de: ECO, Umberto. Quase a mesma coisa. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 107.
Sobre a tradução e a equanimidade na relação de traduzir, analise as afirmativas a seguir:
I. Traduzir ficção deve apresentar o texto de chegada sem perdas e com melhorias feitas pelo tradutor.
II. A tradução de textos de literatura sempre envolve algum grau de perda e isso deve ser esperado pelo tradutor.
III. Traduzir, embora tenha perda, significa traduzir, literalmente, cada palavra, e ordenar de acordo com as normas gramaticais. 
IV. A relação com o texto original, por parte do tradutor, deve compreender os limites que se impõe entre uma língua e outra. 
É correto o que se afirma em:
A)  
I, II e III, apenas.
B)  
II e IV, apenas.
C)  
III e IV, apenas.
D)  
I, II, III e IV.
E)  
I, apenas.
10) O etnocentrismo é um fenômeno que se manifesta na tradução quando o tradutor não consegue se desvencilhar de sua própria cultura e impõe seus valores e concepções ao texto traduzido, ignorando ou distorcendo os aspectos culturais da língua e da cultura de origem. Essa atitude pode gerar traduções inadequadas, incompletas ou infiéis, que não respeitam a intenção comunicativa do autor original nem a expectativa do leitor receptor.
Fonte: SILVA, A. C. Etnocentrismo e tradução: um estudo de caso. Revista de Letras, Fortaleza, v. 35, n. 1, p. 1-12, 2014. Disponível em: http://www.periodicos.ufc.br/revletras/article/view/1200. Acesso em: 10 nov. 2023.
Sobre o fator do etnocentrismo na atuação do tradutor, assinale a alternativa correta: 
A)  
 O etnocentrismo somente é constatado quando está presente em um texto traduzido porque vem com uma nota de apresentação por parte do tradutor. 
B)  
O texto etnocêntrico é uma das formas que uma tradução promove o entendimento cultural para o leitor do texto de chegada.
C)  
 O etnocentrismo é um elemento sem importância atualmente para o tradutor que se propõe a resguardar a cultura fonte.
D)  
O etnocentrismo na tradução acaba por sobrepor uma visão cultural às demais, implicando num texto enviesado e que não reflete a plenitude artística da obra traduzida 
E)  
 O etnocentrismo é uma ferramenta útil na tradução para o entendimento e a adaptação da cultura fonte para a cultura de destino.
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