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13 02Rorscharch - História Hermann Rorschach “Nunca mais quero só ser livros como eu fazia em Schaffhausen. Quero ler pessoas (...) quero é trabalhar num hospício. Isso não é motivo para não ter treinamento completo de médico, mas a coisa mais interessante da natureza é a alma humana, e a melhor coisa que uma pessoa pode fazer é curar a essas almas, essas almas humanas.” Nasce em Zurique, em novembro de 1884, estudou medicina e teve contato com as ideias de Freud na faculdade; Vinha de uma família ligada a parte artística, tanto seu pai quanto sua mãe foram artistas ligados a artes plásticas. Hermann era o mais velho de 4 irmãos. Durante a infância tinha o apelido de Klex (mancha de tinta em alemão), pois era fascinado por manchas de tintas feitas de forma aleatória; Durante o curso conheceu Olga Stempelin, russa com quem se casou, o aproximando ainda mais da cultura russa. Ele vai para Rússia, onde conheceu Toistoi, depois volta para Zurique um ano depois; Entre 1909 e 1913, fez parte deum grupo psicanalítico com grandes cientistas e estudiosos, como Beuler, Jung, Pfister, etc. Rorschach não é um teste especificamente psicanalítico. Iniciou seus estudos de manchas de tintas em 1911 tendo como grande insight uma dissertação que utilizava manhas de tintas para avaliar a criatividade das pessoas. Imaginou que poderia ser possível avaliar mais do que isso e inicia a pesquisa criando manchas de tintas e aplicando em seus pacientes em Herisau. A versão inicial deste teste contava com 25 pranchas, que acabaram sendo reduzidas para 10 por ordem de seu editor quando tenta publicar seu livro em 1921. A primeira versão do livro se chamava “Método e Resultados de um Experimento em Diagnóstico baseado na percepção”; A primeira versão dos cartões feitas por ele foi publicada em 1918 e a final foi em 1921, o ano que oficialmente nasce o teste, o mesmo ano que nasce o livro Psicodiagnóstico (Psychodiagnostik) de também sua autoria. Faleceu em 1922, o que o impediu de receber o reconhecimento da Psicologia por seus estudos; Além disso, ele próprio reconhecia que o seu trabalho precisava de estudos mais aprofundados, os quais ele pretendia seguir nos anos seguintes; Não tem explicação do porquê umas serem coloridas e outras em preto e branco — Manifestação de emoções. Durante 10 anos seus estudos ficaram restrito a um pequeno grupo de amigos, mas no início da década de 30 eles são expandidos, chegando em toda a Europa e nos EUA. A partir daí vários sistemas foram criados de todos podemos destacar os seguintes: Sistema Klopfer; Anibal da Silveira; Sistema Escola Francesa; R-PAS (Sistema de Avaliação por Performance de Rorscharch); Sistema Compreensivo Revisado. OBS.: Existiam vários sistemas porque cada um acreditava que um era melhor do que o outro, também por conta da época etc. Hans Zulliger Base teórica Não há nada que impeça um sistema de ser utilizado em qualquer outro. Foi um psicólogo Suíço que trabalhou com diversos experimentos de Rorschach. O primeiro trabalho foi feito com as manchas de tintas, após a morte de Rorschach aconteceu em 1932, com uma pesquisa voltada ao sistema educacional. Tinha interesse com as áreas mais psicanalíticas. Porém, aos poucos foi se desligando dessa área. Por conta da 2 guerra mundial, ele foi chamado pelas forças armadas suiças para aplicar a técnica de Rorschach. Mas o fator tempo passou a ser um grande obstáculo para este trabalho. Com isso, acabou desenvolvendo esta técnica, baseada no Rorscharch, mas que fosse menor. Passou a fazer experimentos com manchas de tintas em diversos grupos, fazendo a administração do Rorscharch paralelamente. A partir daí surgiu o conjunto de 3 manchas para administração coletiva e individual. O teste pode ser aplicado em adolescente e adultos, a partir dos 16 anos. O próprio Zulliger afirma que seu teste não tem a pretensão de ser um instrumento de um modelo específico de avaliação ou de alguma abordagem. Já Hermann Rorschach sempre defendeu que seu experimento (como ele gostava de chamar) não deveria ser usado como um instrumento definitivo de análise da personalidade, mas como algo que pode ser trabalhado com outras fontes de dados. As pranchas de Rorscharch são produzidas na Suíça desde 1921 por conta de Direitos Autorais. mas agora são de domínio público. Hoje existem 3 sistemas validados no Brasil para a técnica de Zulliger: Z-SEP — Zulliger da Escola de Paris = Baseado no sistema da Escola Francesa ZSC — Zulliger Sistema Compreensivo = Busca abarcar os principais pontos de todos os sistemas; Z-Teste — Coletivo e individual = Baseado no sistema desenvolvido por Bruno Kopfler. É o único teste projetivo no Brasil que pode ser aplicado coletivamente. https://spotify.link/fIDUBeTEcRb https://spotify.link/fIDUBeTEcRb https://spotify.link/fIDUBeTEcRb Teoria da personalidade no Rorschach Anibal propõe uma teoria sistêmico-cognitivista; A estrutura da personalidade é formada com funções subjetivas hierarquicamente organizadas; Existem 3 esferas: Afetiva: setor básico da personalidade, que reúne os instintos (manutenção da vida) e as emoções (funções de sociabilidade). Resposta de cor (FC, CF, C) índices de impulsividade (IMP) e afetividade (AF); Conativa: Do latim conatus (executo). Antecedem o comportamento explícito. Reúne a iniciativa (desencadeia a ação explocota e estimula o raciocínio), a manutenção (mantem a atenção, por exemplo) e a inibição (seleciona reações mais adequadas.) Respostas de forma (F1, F, F0); Mais ligada ao comportamento Intelectual: Funções que estabelecem a observação, adaptação lógica e a captação de fenômenos. Respostas de movimento (M, m, M1) e de perspectiva (Ps, ps, ps1). Mais ligada a parte lógica, cognitiva. Temperamento: tempera (mistura diferentes trações de personalidade. Aspecto dinâmico da constituição da personalidade (mas não é a constituição). É mais passível de mudanças). Níveis da Teoria da Personalidade no Rorschach Nível 1: Pleno contato com a realidade objetiva (mais frequente na população média); Nível 2: Menor subordinação ao ambiente (frequência ainda aferível estatisticamente); Nível 3: predomínio do polo subjetivo (reação muito pessoal ao estímulo do ambiente); Campos de aplicação Campo Clínico1. Análise patogenética dos distúrbios: Sistema psíquico primariamente afetado; Natureza da repercussão mórbida nos demais sistemas. Expressão psicopatológica do quadro clínico: Transtornos neuróticos, psicóticos, neurológicos ou apenas de ordem reativa e atual. Distúrbios emocionais centrais e mecanismos de controle; Prognóstico dos distúrbios e orientação de tratamento; Recursos cognitivos, conativos e afetivos do examinando. 2. Campo de Seleção Profissional e Orientação Vocacional Perfil psicológico para o exercício de uma profissão: Condições ideais; Condições desejáveis; Condições indesejáveis ou limitadoras. Recursos cognitivos, conativos e afetivos pertinentes para o exercício profissional; Modo específico com que um transtorno psíquico possa afetar a atividade profissional e recursos de controle; 3. Campo Jurídico (semelhante ao campo clínico, mas com ênfase...) Grau de noção da realidade: Modo de adaptação ao ambiente Julgamento crítico e intencionalidade Recursos subjetivos para a reintegração social Análise específica do caráter: Distúrbios Motores: Impulsividade, instabilidade, bloqueio. Distúrbios Afetivos: Fabulação, simulação, hiper ou hipossensibilidade afetiva, alterações instintivas ou nas relações interpessoais. 4. Campo Antropológico Visão de mundo e modos de organizar as experiências; Significado simbólico dos conteúdos culturais; Papéis e interesses dominantes: grau de flexibilidade; Tipo de processamento das imagens mentais nos diferentes estímulos do Rorschach; Nível de integração dos valores culturais dominantes. 5. Campo Experimental Utilização seletiva de índices e fatores da prova em função da hipótese testada; Modificação controlada do estado do sujeito ou das propriedades das pranchas; Rigor na seleção dos gruposexperimentais e controle. 20 02Técnica de aplicação: rapport e fases de associação e inquérito Uma aplicação profissional demora entre 1h e 1h30. O que é o Rorscharch Não é um teste de identificação de imagens, mas um processo de construção e elaboração interna. Coelho (1980) aponta que a capacidade do indivíduo de associar, modificar e expressar as imagens obtidas nos cartões estão ligadas à sua imaginação e comportamento criador. Esta imaginação, por sua vez, resulta da ação de forma conjunta das funções afetivas, conativas e intelectuais, etc. Imaginação e criação (por exemplo, ao ver movimento nas manchas). Assim, a prova de Rorschach estimula uma visão que integra das experiências do individuais, nos mostrando a forma como ele percebe a realidade. Esta prova fala muito do indivíduo pois este traz para a mancha as experiências individuais que ele tem. Isso pode ser alterado por contextos sociais, culturais, individuais, etc (experiências individuais se transformam em imagens nas manchas). Cuidados para antes da aplicação Sala com pouca estimulação, tranquila e bem iluminada. Recomenda-se a aplicação durante o dia, para utilizar-se a luz natural; Estabelecer um bom rapport; É importante para que se obtenha respostas mais espontâneas, pois tem “confiança” no aplicador. Tem rapports que podem durar 40 minutos. Começamos a aplicação do teste apenas quando o examinado parece estar 100% confortável. Com relação a posição examinador-examinando recomenda-se que seja adequada as condições do ambiente e que não cause constrangimento. Mas é importante que possibilite que o examinador possa observar as reações e expressões corporais do examinado, bem como a visão das manchas. O professor sugere que a gente se sente meio que de lado com o examinando. Material necessário Precisamos deixar todos os materiais organizados, prontos para anotar tudo necessário. Pranchas de Rorschach — sempre as originais, pois elas que são aprovadas; Cronômetro — não é indicado utilizar-se o cronometro do celular; 2 folhas de localização — utilizamos para marcar o local onde o examinado localizou as imagens nas manchas; Dependendo da quantidade de respostas, apenas 1 folha pode ficar muito poluída; 2 canetas de cores diferentes (uma para cada fase da aplicação); Várias folhas para respostas em branco. Procedimento para aplicação — Associação A fase de associação é onde ocorre a construção livre diante das pranchas. Após, estabelecer o rapport de forma satisfatória, deve dar as seguintes instruções: “Vou lhe mostrar algumas manchas de tinta e gostaria que você me dissesse o que você vê nelas, o que essas manchas parecem para você. Não se preocupe em acertar ou errar, porque não existem respostas certas ou erradas; as pessoas veem coisas completamente diferentes umas das outras e, portanto, por isso não há certo nem errado: o importante é que você se sinta à vontade para falar tudo aquilo que você vê nas manchas que vou lhe mostrar. As manchas podem ser vistas em qualquer posição e vou anotar tudo o que você disser. Anotarei também o tempo, mas não se preocupe com o tempo pois é um controle meu, você tem o tempo que achar necessário. Quando você terminar de ver, você me devolve a prancha.” Anota-se palavra por palavra do que a pessoa disser, mesmo que sejam repetições ou vícios de fala. Dadas as instruções, entrega-se a Prancha I para o examinando e aciona-se o cronometro. A partir deste momento o examinador deve: Anotar o movimento que o examinando fizer na prancha, expressões fisionômicas, corporais, comentários e a verbalização; Códigos dos movimentos: ∧ posição "normal" – em que se entrega a Prancha; ∨ posição "invertida" – virada de "cabeça para baixo"; > virada para a direita do examinando; p: quando a frequência de escolha na população é menor do que 1:22. São as respostas numeradas de 16 em diante no mapa de localização. Modalidades Secundárias Resposta de Espaço - E: Atribui ao espaço em branco dos borrões uma resposta; Somente o espaço em branco é notado na resposta; O mapa de localização atribui espaço em brancos. Ex.: Pr I, noivinhas (E30). https://spotify.link/fIDUBeTEcRb Respostas Globais com Espaços - GE: Abrange toda a mancha, e inclui alguma região branca; Quando se combina espaço em branco com alguma parte da figura anota as diferentes modalidades. Por exemplo, Pr II: uma caverna, a caverna é aqui (P1), parecem pedras e aqui no Branco (E5) é a entrada da caverna - P(E); O elemento principal vem primeiro, ou seja, se an entrada da caverna (E) viesse antes da caverna em si (P1), o código seria E(P). 13 03Determinantes O que determinou a resposta; Muito importante entender como o indivíduo construiu aquela resposta. Utilizamos as informações obtidas na fase de inquérito; Se dividem em 5 séries distintas: Forma — RF (F+, F-, F0); Cor — RC (FC, CF, C); Movimento — (M, m, m’); Perspectiva — RPs (Ps, ps, ps’); Luminosidade — RL (L, C’, l, l’). Nós fazemos o inquérito basicamente querendo saber quais são os determinantes. Forma Quando apenas a forma da imagem contribuiu para a resposta, nenhum dos outros determinantes são citados; Podem ser classificadas em F+, F- e F0 a depender da frequência da resposta; A frequência deve ser verificada, consultando a Tabela de Frequência de F+ e F-; Respostas F0 são as respostas não encontradas nessa tabela. Cor 20 03 As cores determinam ou colaboram com a resposta. Cores acromáticas não entram (luminosidade); A classificação, quando falamos de cor, começa a ser menos objetiva; Não consideramos, por exemplo, respostas como “vejo uma gravata na parte vermelha”. Quando falamos de cor, falamos sobre as emoções (como a pessoa lida com emoções de modo geral. Forma e Cor - FC Nomeação de cor: o examinando nomeia ou enumera a cor, sem qualquer interpretação; Projeção de cor: o examinando atribui cor a uma área (cor diferente — Ex.: ver azul no branco); Critica a cor: percebe a cor, mas não integra na resposta, criticando-a (Ex.: essa vaca é verde, mas não existe vaca verde). Cor e Forma - CF A percepção de forma é difusa, ambígua e associada a cor; Quando o sujeito tem dúvida na forma, mas tem certeza da cor. Cor sem forma Desconsidera o contorno da figura, utilizando somente a cor na resposta; Por exemplo: a cor azul é esperança. Reações a cor A percepção de forma é precisa e associada a cor; Quando a cor é integrada na resposta (Ex.: gravata vermelha). Movimento O movimento deve ser “sentido” e não nomeado por dedução. É necessário uma empatia cinestésica entre o examinando e a figura percebida. É o paciente que deve esclarecer se tem movimento ou não (mesmo a cachoeira pode não ter movimento). Existem 3 tipos de movimento, e eles são atribuídos classificação Formal, seguindo as regras da forma. Movimento Humano (M) Resposta de forma humana em movimento, tipicamente de um ser humano e que ele tenha controle sobre esse movimento, ou de postura que envolva tensão muscular (até a pessoa sentada é movimento); Respostas de pessoas reais ou não, fazendo uma atividade espontânea; Figuras humanas reais ou não, em postura com tensão muscular para mantê-la; Figuras inteiras em movimento, mesmo que o examinando veja apenas uma parte da pessoa (Ex: como assim duas meninas conversando, elas estão inteiras ou apenas parte? / São duas meninas dando high-five, são só as mãos / Não é movimento humano); Animais realizando ações humanas. Movimento animal Figuras animais em movimentos característicos de animais; Movimentos impossíveis de serem executados e parte de corpo de animal em movimentos não são classificados como MOVIMENTO. Movimento subjetivo Objetos, elementos da natureza e abstratos em movimento; Humanos ou animais em movimentos decorrentes de forças externas; Humanos ou animais em movimento contido ou retido, impedindo de se expressar livremente. Uma pessoa brava é um movimento subjetivo DETERMINANTE PRINCIPAL E ADICIONAL Quando temos mais de um determinante é necessário verificar qual é o principal e qual é o secundário (analisamos o principal e o adicional a gente usa de forma mais qualitativa); Uma forma de verificar esta questão é observar de que forma a resposta é dada prioritariamente (Ex.: o que o sujeito diz primeiro); Outra possibilidade é quando o adicional surgiu no inquérito. Conteúdo Refere-se sobre o que o examinando viu; Existe uma lista com diversos conteúdos no início da Tabela de Qualidade Formal; Os conteúdos Humanos (H), Parte Humana (pH), Animal (A) e Parte Animal (PA) tem prioridade sobre os demais devido a sua interpretação. Assim, uma estátua, por exemplo, se for descrita com características humanas, deve ser codificada como H e não como Obj. (objeto); Classificamos como Respostas Vulgares (VU) respostas muito comuns de serem encontradas (senso comum). Isso está também na TQF). Uma resposta de Rorschach tem obrigatoriament e um mod./det./conteú do.