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AO JUÍZO DA 200ª VARA DO TRABALHO DE SÃO PAULO/SP
Processo nº: 0101010-50.2020.5.02.0200
AUDITORIA PENTE FINO S.A., pessoa jurídica, inscrita no CNPJ sob o nº, com sede na, nº, CEP, São Paulo/SP, vem, por intermédio de sua procuradora signatária (procuração em anexo), perante Vossa Excelência apresentar CONTESTAÇÃO, consoante art. 847, da CLT E 336 CPC à ação movida por Érica Grama Verde já qualificada nos autos do processo em epígrafe, perfazendo nos seguintes fatos e fundamentos jurídicos.
I – SÍNTESE DA EXORDIAL
3 LINHAS
Trata-se de reclamação trabalhista na qual a reclamante afirma ter trabalhado para a sociedade empresária Auditoria Pente Fino S.A. de 29/09/2011 a 07/01/2020, na função de gerente do setor de auditoria de médias empresas, em São Paulo, onde comandava 25 auditores, com salário de R$20.000,00 mais gratificação de R$10.000,00. Pediu demissão em 07/01/2022 e ajuizou ação em 30/01/2020, requerendo pagamento de horas extras por trabalhar de segunda a sábado, das 8h às 20h, sem controle de ponto, indenização de 40% sobre o FGTS não depositado (com base em extrato analítico juntado), regularização dos recolhimentos do INSS de 2018 e 2019, integração à remuneração de prêmios em pecúnia recebidos a partir de 2018, com reflexos nas verbas salariais e rescisórias, inclusive FGTS, além das diferenças salariais em relação à colega Silvana Céu Azul, que exercia função idêntica com salário 10% superior. Alegou ainda exercer suas atividades em prédio situado ao lado de comunidade violenta, tendo presenciado operações policiais, pleiteando adicional de periculosidade. Por fim, requereu honorários advocatícios de 20% com base no Art. 85, § 2º, do CPC. Todavia, tais argumentos não merecem prosperar.
II – PRELIMINARMENTE
a) DA INCOMPETÊNCIA MATERIAL
A parte autora pleiteia a condenação da reclamada ao pagamento e recolhimento de contribuições previdenciárias referentes aos anos de 2018 e 2019. Contudo, tal pedido não merece acolhimento, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 53 do STF e a Súmula 368, I, do TST, as quais estabelecem que a competência da Justiça do Trabalho limita-se à determinação do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas reconhecidas em sentença ou acordo por ela homologado.
b) DA INÉPCIA DO PLEITO DA EQUIPARAÇÃO
A mera alegação de que outro colega exerce a mesma função não é suficiente para justificar o direito à equiparação salarial, sendo imprescindível a formulação de pedido claro e devidamente fundamentado em fatos. Trata-se de entendimento consolidado, conforme dispõe o art. 330, § 1º, I, do CPC, que considera inepta a petição inicial quando lhe faltar pedido ou causa de pedir. Assim, o pleito de equiparação salarial revela-se inepto, devendo ser rejeitado com fundamento no referido dispositivo legal.
III – PREJUDICIAL DE MÉRITO
a) DA PRESCRIÇÃO QUINQUENAL (PREJUDICIAL DE MÉRITO)
DATA DO AJUIZAMENTO E DO CONTRATO
A reclamada requer o acolhimento da prescrição parcial, com fulcro no art. 7º, XXIX, da CRFB/88, art. 11, da CLT e súmula 308, I, do TST, em virtude de estarem prescritos quaisquer direitos trabalhistas e pretensões anteriores a data de 30/01/2015, na chamada prescrição quinquenal.
DESTA FORMA REQUER A PRONÚNCIA DA PREJUDICIAL DE MÉRITO ARGUIDA, OU SEJA, PRECRIÇÃO QUINQUENAL, CONFORME ART. 7º XXIX DA CF, PARA JULGAR IMPROCENDENTES OS PEDIDOS ANTERIORES A 30/01/2015
DO MÉRITO
b) DA INEXISTÊNCIA DE HORAS EXTRAS
SEMPRE COMEÇAR COM OS ARGUMENTOS USADOS PELA RECLMANTE
art. 62, II, E PARÁGRAFO ÚNICO da CLT
GRATIFICAÇÃO SUPERIOR A 40% DO SALÁRIO BASE
A reclamante exercia a função de gerente e, efetivamente, detinha poder de gestão, por isso percebia salário diferenciado, com gratificação de função superior a 40%, com salário de R$20.000,00 reais acrescidos de R$10.000,00 reais.
Bem verdade, por ocupar cargo de confiança não tem direito a limite de jornada. Assim, nos termos do art. 62, II, da CLT, resta demonstrado que também não faz jus a nenhum reflexo de horas extras, já que a estas não possui direito.
A IMPROCEDÊNCIA DA CONDENAÇÃO DA RECLAMADA NO PAGAMENTO DE HORAS EXTRAS, UMA VEZ QUE A RECLAMANTE EXERCIA CARGO DE CONFIANÇA E GRATIFICAÇÃO ACIMA DE 40%...
c) DO PEDIDO A MULTA DO FGTS
A reclamante busca a indenização da multa dos 40% sobre o saldo do FGTS, contudo, tal pleito não merece prosperar, porquanto não há direito à indenização de 40% sobre o FGTS, uma vez que a autora pediu demissão, em 30/01/2022, o que impede a pretensão, pois essa hipótese não é prevista na norma cogente, na forma do Art. 18, § 1º, da Lei nº 8.036/90.
Assim, a reclamada requer a improcedência de tal pedido.
(A RECLAMANTE PEDIU DEMISSÃO)
d) DA NÃO INTEGRAÇÃO DE PRÊMIO A REMUNERAÇÃO
Quanto à integração dos valores recebidos a título de prêmio ao salário, a alegação não merece prosperar, pois contraria o disposto no art. 457, § 2º, da CLT, que expressamente exclui os prêmios da composição da remuneração, mesmo quando pagos de forma habitual. Assim, a mera juntada de contracheques indicando o recebimento de valores variáveis a esse título, a partir de 2018, é insuficiente para sustentar o pedido, que deve ser julgado improcedente, inclusive quanto aos reflexos em verbas salariais, rescisórias e FGTS.
e) DA EQUIPARAÇÃO SALARIAL
A reclamante alegou que, desde o início do contrato, exercia as mesmas funções que Silvana Blue, gerente do mesmo setor, contratada em 29/09/2011, e que recebia salário 10% superior, conforme contracheques apresentados. Contudo, o pedido de equiparação salarial não merece acolhimento, pois, nos termos do art. 461, § 1º, da CLT, é vedada a equiparação quando o paradigma possui mais de dois anos na função, como é o caso, o que inviabiliza o pleito.
f) DA AUSÊNCIA DO DIREITO DE ADICIONAL DE PERICULOSIDADE
A reclamante afirma ter desenvolvido suas atividades em local próximo a uma comunidade violenta, onde teria presenciado operações policiais e ouvido disparos de arma de fogo, pleiteando, com isso, o pagamento de adicional de periculosidade. No entanto, tais alegações são insuficientes e carecem de respaldo legal. O art. 193 da CLT prevê o adicional apenas para atividades que, por sua natureza ou métodos de trabalho, exponham o trabalhador a risco acentuado, como no caso de inflamáveis, explosivos, energia elétrica ou violência física nas atividades de segurança pessoal ou patrimonial. Assim, o simples fato de trabalhar próximo a área considerada perigosa, sem exposição direta e permanente ao risco, não configura os requisitos legais para o recebimento do adicional, motivo pelo qual o pedido deve ser julgado improcedente.
g) DOS HONORÁRIOS
A reclamante requereu honorários advocatícios no percentual de 20% sobre o valor da condenação. No entanto, tal pedido não deve prosperar, uma vez que o art. 791-A da CLT estabelece que os honorários de sucumbência devem ser fixados entre 5% e 15% sobre o valor da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, se incalculável, sobre o valor atualizado da causa. Diante disso, requer-se a condenação da reclamante ao pagamento de honorários sucumbenciais no percentual de 15% e, em eventual condenação da reclamada, que os honorários sejam fixados no patamar mínimo legal.
IV – DOS REQUERIMENTOS
337, II, CPC
7ª, IX
Ante o exposto, a reclamada requer:
a) o recebimento da presente contestação escrita, nos termos do art. 847, §ú, da CLT;
b) o acolhimento das preliminares de incompetência material e inépcia;
c) a total improcedência dos pedidos;
d) o acolhimento da prescrição quinquenal;
e) a condenação da reclamante em custas e honorários;
g) a produção de todos os meios de provas, em especial a documental e testemunhal, inclusive com depoimento pessoal da autora, sob pena de confissão;
Nestes termos, pede e espera deferimento.
São Paulo/SP, data.
Advogado/OAB

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