Prévia do material em texto
PRINCÍPIOS CIRÚRGICOS 1. PLANEJAMENTO CIRÚRGICO Antes de qualquer cirurgia, o profissional precisa planejar bem para garantir segurança e sucesso. Esse planejamento inclui três partes principais: 1.1. Planejamento clínico relacionado à clínica, ao atendimento direto ao paciente. Planejamento clínico: pensar em tudo que precisa ser feito com base na conversa com o paciente, exames e histórico. ● Anamnese É a entrevista inicial feita com o paciente para saber do que ele sofre, o que sente e se tem doenças sistêmicas. Doença sistêmica: qualquer doença que afeta o corpo todo, como: ● Diabetes ● Hipertensão (pressão alta) ● Doenças cardíacas ● Asma ● Alergias Importante perguntar: Se toma algum remédio? Se tem problema com anestesia? Se já fez alguma cirurgia antes? ● Exames complementares Exames que ajudam a confirmar o diagnóstico ou planejar o procedimento, como: Exames de sangue Radiografias (imagens da boca, dos dentes, do osso) --- 1.2. Planejamento radiológico relacionado ao uso de radiografias (exames com raio-X). A pergunta aqui é: qual o melhor tipo de radiografia para esse caso? Exemplos: ● Periapical: mostra detalhes de um ou poucos dentes. ● Panorâmica: mostra toda a boca de uma vez. ● Tomografia: mostra imagens em 3D, mais detalhadas. --- 2. MANOBRAS CIRÚRGICAS FUNDAMENTAIS Manobras cirúrgicas = ações que o cirurgião realiza com as mãos e os instrumentos durante uma cirurgia. As principais são: --- 2.1. DIÉRESE Significa “cortar, abrir os tecidos” para acessar o local da cirurgia. Incisão É o corte inicial na pele ou mucosa (tecido da boca). Feito com bisturi (instrumento com lâmina). Regras importantes da incisão: ● A lâmina deve estar afiada. ● O corte deve ser firme e constante, sem tremer. ● Evitar estruturas importantes (nervos, vasos). ● Formas de segurar o bisturi (empunhadura): Como caneta / Como arco de violino ● Ângulo da lâmina: Começa com 45° / Termina com 90° ● O movimento vem da mão e do punho (não só do dedo). --- 2.2. RETALHOS É a parte do tecido que o cirurgião levanta após a incisão para ver e mexer no que está por baixo (como osso ou dente). O retalho continua preso por uma parte para manter a circulação de sangue. Isso é chamado de suprimento sanguíneo próprio. Princípios do retalho: ● Deve evitar machucar estruturas vitais. ● A base do retalho (parte que fica presa) deve ser maior que a borda livre. ● As margens devem ficar sobre osso saudável. ● Deve ser feito com cuidado, sem rasgar ou puxar demais. ● Em cirurgias ósseas, o retalho deve ser: ● Muco-periosteal (pega mucosa e periósteo junto). ● Espessura total (não deixa parte do tecido para trás). Tipos de retalho: ● Semilunar: em forma de meia-lua. ● Triangular ● Quadrangular ● Envelope: sem cortes verticais, só na horizontal. --- 2.3. DIVULSÃO Significa separar os tecidos sem cortar. Serve para abrir espaço com cuidado, sem machucar demais. Instrumentos usados: ● Tesoura de ponta romba (sem ponta afiada) ● Descoladores (como o de Molt) Como fazer: 1. Coloca o instrumento fechado entre os tecidos. 2. Abre o instrumento dentro dos tecidos. 3. Retira ele aberto. Descolamento subperiosteal (quando se separa o periósteo do osso): Começa pela papila interdental (gengiva entre dois dentes). Usa a ponta cortante do descolador. Gira o instrumento para soltar o tecido. --- 2.4. EXÉRESE Significa retirar algo, como um dente, uma lesão ou parte de tecido. É uma das finalidades mais comuns de cirurgias. --- 2.5. HEMOSTASIA Hemo = sangue; stasia = parar. Ou seja: parar o sangramento durante a cirurgia. Tipos de sangramento: ● Venoso: sangue sai de forma contínua, escorrendo. ● Arterial: sangue sai em jatos (pulsátil). ● Capilar: em lençol, vários pontos ao mesmo tempo. Métodos de hemostasia: 1. Compressão: Pressiona o local com gaze por 5 minutos. Simples, rápido e eficaz. 2. Pinçagem: Usa pinça hemostática para segurar o vaso. 3. Ligadura: Amarra o vaso com fio depois de pinçar. 4. Termocoagulação: Usa instrumento quente (como bisturi elétrico). Queima o vaso para parar o sangue. 5. Substâncias hemostáticas: Esponja de gelatina Fibrina Celulose oxidada Cera para osso (ajuda em sangramento do osso) --- 3. OSTEOTOMIA X ODONTOSSECÇÃO Osteotomia “Osteo” = osso, “tomia” = corte. Ou seja: corte no osso. Usada para remover dente incluso, por exemplo. Usado: ● Alta rotação ● Irrigação (para não aquecer demais) ● Brocas especiais (702HL, 6HL, ZECRIA) Odontossecção “Odonto” = dente, “secção” = separação. É quando se divide o dente em partes para facilitar a remoção. Benefícios: ● Menos força e menos trauma ● Menor tempo de cirurgia ● Menor risco de machucar nervos e vasos --- 4. SÍNTESE É o fechamento da cirurgia, o “ponto”. Serve para: ● Juntar os tecidos de volta ● Facilitar a cicatrização ● Evitar infecção ● Proteger o coágulo (importante para formar o osso) ● Evitar cicatriz feia Como fazer a sutura: ● A agulha entra perpendicular ao tecido. ● O movimento da agulha é circular, acompanhando sua curvatura. ● Não pode apertar demais. ● Começa-se o ponto pelo meio da incisão, depois vai para as extremidades. ● O nó deve ficar do lado da incisão, não em cima. Técnicas de sutura: ● Ponto simples: um ponto normal. ● Sutura em X: dois pontos cruzados. ● Sutura colchoeiro: parecida com costura de colchão (pode ser horizontal ou vertical). --- PRÉ, TRANS E PÓS-OPERATÓRIO --- 1. O que significa cada termo? ● Pré-operatório: É o período antes da cirurgia. Serve para avaliar o paciente e se preparar. ● Transoperatório: É o momento da cirurgia em si. ● Pós-operatório: É o período depois da cirurgia, onde se acompanha a recuperação. --- AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA O que deve ser avaliado? 1. Anamnese Significa entrevista com o paciente. Você pergunta: o que ele sente? Tem doenças? Usa remédios? Qual o histórico médico e odontológico? 2. Exames clínicos Avaliação direta e física do paciente (olhar, tocar, medir...). 3. Exames complementares São exames que ajudam no diagnóstico: Hemograma completo: mostra se há infecção ou anemia. Coagulograma: avalia a capacidade do sangue de coagular. Glicemia: mede açúcar no sangue (importante pra diabéticos). 4. Sinais vitais Temperatura, frequência respiratória, pulso, pressão arterial. 5. Estudo de modelos e fotográficos Moldes e fotos da boca do paciente para planejamento. --- Avaliação da cavidade oral 1. Tecido ósseo Ver e tocar os ossos da boca. Pode pedir radiografia. 2. Tecido mole Avaliar gengiva, língua, bochechas, etc. Inclui: 3. Visualização