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1 
 
 
PATOLOGIA DA VOZ 
 
 
 
Sumário 
 
FACUMINAS ............................................................................................ 2 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 
A Voz ....................................................................................................... 4 
Como a voz é produzida .......................................................................... 8 
Efeitos das patologias da voz no sinal de fala ....................................... 11 
Patologias vocais e seus tratamentos.................................................... 14 
Principais problemas causados pelo uso excessivo da voz ................... 28 
CONCLUSÃO ........................................................................................ 31 
REFERÊNCIA ........................................................................................ 32 
 
 
 
 
 FACUMINAS 
 
 
A história do Instituto FACUMINAS, inicia com a realização do sonho de 
um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para 
cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a FACUMINAS, 
como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A FACUMINAS tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas 
de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
A voz é produzida quando o ar respiratório (vindo dos pulmões) passa 
pelas pregas vocais, e por nosso comando neural, por meio de ajustes 
musculares, faz pressões de diferentes graus na região abaixo das 
pregas vocais, fazendo-as vibrarem. Esse mecanismo se assemelha ao balão, 
quando o secamos apertando sua "boca", provocando um ruído agudo, fruto da 
vibração da borracha. 
O ar expiratório, que fez as pregas vocais vibrarem, vai sendo modificado 
e os sons vão sendo articulados (vogais e consoantes). Depois, emitidos pela 
boca, criam a onda sonora que vai atingir a cóclea do ouvinte. Então a voz é 
ouvida. 
As pregas vocais vibram muito rapidamente. Nos homens, esse número 
de ciclos vibratórios fica em torno de 125 vezes em um segundo. Na mulher, que 
tem voz, geralmente, mais aguda, o número aumenta para 250 vezes por 
segundo. A essa característica damos o nome de frequência. As pregas vocais 
do homem têm mais massa e são menos esticadas que as da mulher (como no 
violão, as cordas mais esticadas são mais agudas e vibram mais que as cordas 
mais graves). 
 O uso excessivo da voz sem os devidos cuidados, pode causar doenças 
que devem ser tratadas por um otorrinolaringologista. A voz depende de vias 
aéreas funcionando por isso, quem usa a voz precisa tratar problemas como 
roncos, rinites, sinusites, amigdalas aumentadas de volume, desvios de septo e 
outras causas de obstruções nasais. 
Como a laringe é uma estrutura mais interna que só é adequadamente 
visível através de exames vídeo-endoscópicos, em qualquer caso de falha da 
voz, rouquidão, dor ou cansaço para falar ou engolir, o otorrinolaringologista 
deve ser consultado para determinar qual o diagnóstico e a melhor forma de 
tratamento 
 
 
 
 
 
A Voz 
 
A voz humana consiste no som produzido pelo ser humano usando as 
suas cordas vocais para falar, cantar, gargalhar, chorar, gritar… A frequência 
pode variar entre 60 e 7000 Hz. 
 
A voz é uma característica humana intimamente relacionada com a 
necessidade do homem se agrupar e comunicar. Ela é produto da sua evolução, 
um trabalho em conjunto do sistema nervoso, respiratório e digestivo e de 
músculos, ligamentos e ossos, atuando harmoniosamente para ser possível 
obter uma emissão eficiente. 
As cordas vocais, primordialmente, não foram feitas para o uso da voz. 
Esta foi uma função na qual a laringe (local onde se encontram as cordas vocais) 
se especializou, mas estes músculos foram desenvolvidos, em primeiro lugar, 
para as funções de respiração, alimentação e esficteriana. 
De modo geral, o mecanismo para gerar a voz humana pode ser 
subdividido em três partes: os pulmões, as pregas (cordas) vocais (que se 
 
 
encontram dentro da laringe) e os responsáveis pela articulação: lábios, língua, 
dentes, palato duro, véu do palato e mandíbula. 
Os pulmões geram um fluxo de ar, que é o "combustível da voz”. O 
diafragma expulsa este ar, que passa pelas pregas vocais, fazendo-as vibrar, 
transformando o ar em impulsos sonoros. Os músculos da laringe ajustam a 
duração e a tensão das pregas vocais para adequar a altura e o tom podendo 
sugerir emoções variadas (raiva, felicidade…). Isto é particularmente importante 
para quem trabalha com a voz. 
As pregas vocais vibram muito rapidamente. Nos homens, o número de 
ciclos vibratórios é de cerca de 125 vezes por segundo. Na mulher, que tem voz, 
geralmente, mais aguda, o número aumenta para 250 vezes por segundo. A esta 
característica damos o nome de frequência. As pregas vocais do homem têm 
mais massa e são menos esticadas que as da mulher (como no violão, as cordas 
mais esticadas são mais agudas e vibram mais que as cordas mais graves). 
 
O mau uso da voz é responsável por grande número de doenças do 
aparelho vocal. 
A voz está associada à fala, na realização da comunicação verbal, e pode 
variar quanto à intensidade, altura, inflexão, ressonância, articulação e muitas 
outras características. 
 
 
 
Frequência 
A mais baixa frequência que pode dar a audibilidade a um ser humano é mais 
ou menos de 20 hertz (vibrações por segundo), enquanto a mais alta se encontra 
entre 10.000 e 20.000 hertz, dependendo da idade/capacidade do ouvinte 
(quanto mais idoso menores as frequências máximas ouvidas). 
A frequência comum de um piano é de 40 a 4.000 hertz e a da voz humana 
encontra-se entre os 60 e os 7.000 hertz. 
 
Eufonia e disfonia 
 
Eufonia é o nome dado à emissão de uma voz saudável. O contrário, ou seja, 
uma voz doente com uma ou mais características alteradas é denominada de 
disfonia. 
A disfonia pode ser orgânica, funcional ou mista (orgânica e funcional). 
Não é propriamente uma doença, mas o sintoma, uma manifestação do mau 
funcionamento de um dos sistemas ou estruturas que actuam na produção da 
voz. Por exemplo a rouquidão, (quando está constipado) é um tipo de disfonia. 
Já à incapacidade de produzir a voz o nome dado é de afonia. 
 
 
Existe tratamento para a disfonia e o profissional habilitado e responsável 
pela intervenção das disfonias é o fonoaudiologista. Habitualmente este 
profissional trabalha em conjunto (no caso da voz) com o otorrinolaringologista 
ou o laringologista. 
 
As várias doenças da voz: 
- Fuga glótica; 
- Utilização de bandas ventriculares; 
- Disfonia psicogénica; 
- Paralisia das cordas vocais; 
- Pólipos, nódulos, quistos; 
- Refluxo; 
- Papiloma; 
- Laringite crónica, leucoplasias e queratoses; 
- Cancro da laringe. 
 
 
 
Como a voz é produzida 
 
 
A voz é um dos principais meios de comunicação do ser humano com os 
seus semelhantes. Desde o nascimento, já produzimos ruídos, sons e choro e 
futuramente aprendemos a organizar esses sons em palavras. Quando 
cantamos, a voz é o nosso instrumento musical,portanto é importante saber 
como ela funciona para que possamos cantar de forma consciente. Para isso, 
precisamos saber de onde vem a voz e como ela é produzida pelo nosso corpo. 
 A matéria prima da voz é o ar, que entra pelo nossos nariz e boca 
chegando aos pulmões. A produção do som irá ocorrer no momento da expiração 
na nossa laringe, que se localiza no pescoço. Lá estão posicionadas as nossas 
cordas vocais e quando expiramos, a laringe se aproxima de maneira que o ar 
que está voltando passe pelas cordas e faça com que elas vibrem. A frequência 
da nossa voz é definida pelo comprimento das nossas pregas vocais. Por isso 
que as mulheres têm a voz mais aguda que a dos homens, pois suas pregas são 
mais curtas, assim como as das crianças que são menores que as dos adultos. 
 
 
 
Esse som que é produzido nas cordas vocais será amplificado nas 
cavidades de ressonância que possuímos, os chamados ressonadores. Os 
ressonadores são os nossos “auto-falantes” naturais, formado por cavidades na 
boca, laringe e nariz. Para saber mais, confira esse vídeo sobre o que são os 
ressonadores. 
A voz, portanto, é o resultado da combinação de duas forças: a do ar que 
sai de nossos pulmões e a força muscular da nossa laringe. O equilíbrio entre 
elas é essencial. Uma boa voz é considerada aquela que possua equilíbrio entre 
a ressonância, frequência e intensidade 
O Aparelho Fonador e os Mecanismos de Produção dos Sons 
 
 
 
Quando falamos, produzimos uma corrente de ar que sai dos pulmões e 
vai até a cavidade oral, passando por diversos órgãos e estruturas. Os sons da 
fala são produzidos quando alguns desses órgãos e estruturas agem sobre essa 
corrente, ou seja, quando há mudança dessa corrente de ar. O conjunto de 
órgãos e estruturas que produzem os sons de nossa fala é chamado de aparelho 
fonador. O aparelho fonador, também chamado de trato vocal, para Palmer 
(2003:53) é uma “série de cavidades variadas e interligadas associada com o ato 
da fala, começa com a cavidade oral. Suas funções vitais são diversas, porém a 
principal é a ingestão de alimentos. Pode atuar também como uma passagem 
para o ar até o trato respiratório. Na fala, a cavidade oral atua como um volume 
continuamente variável para modificar o tom produzido na laringe na produção 
da vogal e como uma câmara de obstrução através da qual o ar exalado é 
direcionado pra criar algumas consoantes”. 
Zemlin (2000¬) cita que o trato vocal pode ser subdividido, em bases 
anatômicas, em cinco cavidades: bucal ou vestibular, oral, faríngea e cavidades 
nasais (par). 
https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fonoaudiologia/o-aparelho-fonador-e-os-mecanismos-de-producao-dos-sons/23463
 
 
Podemos dizer que o aparelho fonador divide-se em três partes - 
articulatório, fonatório e respiratório que são fisiologicamente responsáveis pela 
produção dos sons da fala (Silva, 1999:25). 
 
• Articulatório: é constituído pela língua, faringe, nariz, lábios e dentes; são 
estruturas que se encontram na parte superior da glote. O sistema articulatório 
é responsável por várias funções primárias, principalmente ao ato de comer – 
morder, mastigar, sentir o paladar, cheirar, sugar e engolir. 
 
• Fonatório: constituído pela laringe. Na laringe encontramos músculos 
estriados que podem obstruir a passagem da corrente de ar – as pregas vocais. 
A glote é o espaço decorrente da não obstrução dos músculos laríngeos. A 
função primária da laringe é atuar como válvula que obstrui a entrada de 
alimentos nos pulmões por meio do abaixamento da epiglote. 
 
• Respiratório: constituído pela traqueia, pulmões, brônquios e diafragma. 
Encontra-se na parte inferior à glote – cavidade infraglotal. Sua função principal 
é a respiração. 
 
Efeitos das patologias da voz no sinal de fala 
 
 
 
 
 As patologias das pregas vocais e nomeadamente da laringe afectam a 
produção do sinal de fala. As vozes soprosas (breathy) e crepitantes (creaky) 
são exemplos de perturbação no sinal de fala que podem ocorrer devido à 
existência de patologias da voz. 
O incorrecto funcionamento das pregas vocais ou da glote devido às 
patologias descritas no ponto anterior pode provocar que as pregas vocais 
permaneçam inadvertidamente abertas ou fechadas criado assim perturbações 
no sinal de fala. 
As vozes soprosas são caracterizadas pela passagem indesejada de ar 
pelas pregas vocais sem que esta provoque a vibração adequada das mesmas. 
A voz, apesar de vozeada, apresenta algum ruído de origem soprosa devido às 
pregas vocais não terem capacidade para fechar adequadamente. No limite, o 
vozeamento é nulo, sendo que neste caso está-se na presença de uma voz 
sussurrada. Por outro lado, as pregas vocais permanecem fechadas com mais 
pressão e estão mais tensas que o normal, pelo que apenas a parte anterior das 
pregas vocais permite a passagem de ar. A parte posterior não vibra ou vibra 
com uma frequência diferente da parte anterior. Neste caso, está-se na presença 
de uma voz crepitante. 
 
 
 
As alterações na voz são perceptíveis através da qualidade vocal com 
alterações no timbre da voz, nomeadamente através de uma frequência 
fundamental muito baixa. No limite, a glote pode mesmo permanecer fechada 
sem que ocorra vibração nem passagem de ar pelas pregas vocais na produção 
de fonemas vozeados. A variação da tensão das pregas vocais pode ainda 
provocar uma voz rouca, que resulta no aumento da tensão laríngea e na 
irregularidade das vibrações das pregas vocais. Este tipo de voz caracteriza-se 
pelas alterações na frequência fundamental, tornando-a mais grave e sendo 
patente uma maior tensão e esforço ao falar. 
 
 
 
 
Patologias vocais e seus tratamentos 
 
As patologias vocais que podem surgir após o abuso ou mau uso da voz 
são: nódulos, pólipos, cistos, edema, sulco vocal e fendas etc. Para cada uma 
dessas alterações vocais, um tratamento diferente, conforme descrito a seguir: 
 
Nódulos 
https://tasabendo.com.br/wp-content/uploads/2014/11/cap214_fig1.jpg
 
 
 
 
Os nódulos vocais em adulto são crescimentos benignos localizados nas 
pregas vocais, sendo uma reação do tecido devido ao constante movimento 
brusco das pregas vocais, tais como: falar alto, gritar, imitar vozes; dentro outros. 
Os nódulos iniciais são relativamente macios e flexíveis. Neste estágio 
inicial, o nódulo pode estar evidente apenas unilateral e pode facilmente ser 
confundido com um pólipo. 
Os nódulos crônicos são geralmente duros, brancos, espessos e 
fibrosados, geralmente bilaterais, e nem sempre simétrico em tamanho. O 
principal sintoma vocal é a rouquidão e foco ressoante de voz concentrada na 
garganta, com tom baixo; podendo também se queixar de dor na garganta; 
esforço para falar. O tratamento pode ser cirúrgico quando os nódulos ainda 
estão pequenos e recém-adquiridos, já os maiores podem ser tratados por 
cirurgias com um breve período de descanso vocal seguido de terapia 
fonoaudiológica para uma reeducação vocal. 
 
 
 
Pólipos 
 
 
Os pólipos de pregas vocais são massas pedunculares ou sésseis, 
geralmente unilaterais, que se apresentam com aspecto por vezes gelatinoso, 
hialinos ou fibrosados. Se localizam entre o terço anterior e o terço médio do 
bordo livre da prega vocal. Uma vez que um pólipo pequeno inicie, qualquer 
abuso ou mau uso vocal repetido irritará a área contribuindo para seu 
crescimento continuo. Os principais sintomas são a ausência de timbre, 
rouquidão e soprosidade. 
O tratamento inicial, geralmente é cirúrgico seguido de um tratamento 
fonoaudiológico. No pré-cirúrgico o fonoaudiólogo deve favorecer a vibração da 
mucosa para facilitar a retirada do pólipo e no pós-cirúrgico o objetivo é suavizar 
o abuso vocal. 
 
Cistos 
 
 
 
 
Os cistos são tumores constituídos por secreções amareladas por um 
epitélio claro e transparente. O principal sintoma vocal é a rouquidão,há um 
enfraquecimento vocal e esforço na emissão. A incidência é maior em mulheres 
adultas jovens e também muito frequente em profissionais da voz. O tratamento 
é cirúrgico com intervenção fonoaudiológica (pré- e pos-cirúrgico). Também 
observamos cansaço ao falar e dificuldades para coordenar o ar durante a fala, 
e cansaço. A prospecção do paciente deverá ser observada e caso necessária, 
trabalhada durante todo o tratamento. 
 
Edema 
 
 
 
 
O edema refere-se a um acúmulo de fluido em algum lugar na prega vocal. 
Ele pode ocorrer profundamente na prega vocal ou em camadas mais 
superficias. Quando ocorre na primeira camada da lâmina própria ,é referido 
como edema de Reinke, pois o espaço de Reinke ocorre nessa camada. 
Edema é uma reação natural do tecido a trauma e mau uso da voz. Além de 
abuso vocal, o edema de Reinke crônico é mais frequentemente associado ao 
fumo. Os sintomas típicos de um edema incluem um nível de frequência abaixo 
do normal e rouquidão. O tratamento é cirúrgico e fonoaudiológico. A evolução 
do paciente depende de inúmeros aspectos inclusive da motivação do paciente 
para seguir corretamente o tratamento. Conhecer as motivações do paciente e 
averiguá-las periodicamente é imprescindível nestes casos. 
 
Sulco 
 
 
 
 
O sulco vocal refere-se a uma valeta ao longo da margem mediana 
superior das prega vocais. Sua extensão e profundidade é variável, quando 
muito profundo parece dividir a prega na metade. A etiologia do sulco vocal é 
incerta embora alguns autores a atribua ao mau uso e abuso vocal. 
Os sintomas incluem uma qualidade de voz rouca e soprosa 
aparentemente devido ao fechamento incompleto das pregas vocais. O 
tratamento é a fototerapia nos casos em que o sulco é relativamente raso, 
quando se apresenta profundo e com limites bem definidos a cirurgia está 
indicada. 
 
Paralisia das pregas vocais 
 
 
 
A tensão e posição das pregas vocais são controladas pelos músculos 
laríngeos, que por sua vez são controlados pelo sistema nervoso. A paralisia das 
pregas vocais surge quando estes músculos não conseguem executar a sua 
função. A paralisia é efetivamente no músculo sendo que as pregas vocais 
podem continuar a vibrar (no caso de paresia) embora de um modo não 
controlado. 
A paralisia pode ser provocada por vários fenómenos tais como a 
compressão dos músculos devido a infeções, tumores ou intoxicações. Em 
alguns casos, embora raros, é originada por traumatismos no sistema nervoso 
central causadas por acidentes vasculares ou como manifestação de uma 
doença neurológica. A paralisia pode afetar apenas uma prega vocal fazendo 
com que as pregas vibrem com frequências diferentes. Nestes casos, a voz 
apresenta um som bitonal e o paciente não consegue falar alto, perdendo o 
poder de amplificação vocal. Se, por outro lado, a paralisia afetar as duas pregas, 
pode existir o risco da abertura da glote não ser total, provocando com isso 
dificuldades respiratórias assim como ruído à passagem do ar respirado. 
 
Lesões neurológicas periféricas 
 
 
 
 As patologias da voz como a disfonia espasmódica e a paralisia das 
pregas vocais têm tipicamente origem em lesões do sistema nervoso e 
consistem na incapacidade do paciente realizar o correto controlo dos músculos 
do aparelho fonador. 
 
 
Úlceras de contacto 
 
 
 
As úlceras são feridas nas pregas vocais que ocorrem devido ao esforço 
vocal, ao fumo do tabaco, à tosse persistente ou ao refluxo do ácido gástrico. Os 
sintomas são dores ligeiras e diferentes graus de rouquidão, dependendo da 
dimensão e da posição da úlcera. Embora estas lesões sejam tipicamente 
pequenas comprometem frequentemente o fecho da glote. 
Quistos 
 
 
 
 
Os quistos são aglomerações de líquidos cuja causa típica é o bloqueio 
glandular. Encontramse localizados na camada superficial da lâmina própria 
sendo tipicamente unilaterais. Esta patologia pode variar de cor e tamanho 
podendo ter ligeiras fendas com perda ocasional de líquido. O principal sintoma 
desta patologia é a disfonia acompanhada por um maior esforço vocal. 
 
Pólipos 
 
Os pólipos surgem tipicamente isolados, com tamanho variável, sendo 
habitualmente maiores do que os nódulos. Este tumor benigno tende a sair fora 
 
 
da prega vocal e a dilatar-se, ficando preso à superfície através de um pedúnculo 
(pólipo pediculado), ou então surge como uma massa distribuída na lâmina 
própria (pólipo séssil). 
Os pólipos surgem em indivíduos que usam exaustivamente a voz, 
apresentando normalmente sintomas idênticos aos nódulos, embora possam 
causar também tosse. Em casos extremos, o pólipo pode obstruir a laringe 
causando mesmo dificuldades respiratórias. 
O grau de disfonia provocado por esta patologia é bastante variável, 
dependendo da posição, tamanho do pólipo e dimensão do pedúnculo (que lhe 
concede maior ou menor mobilidade). 
 
 
 
Lesões de massa localizada 
 
As lesões de massa localizada afetam a camada membranosa das pregas 
vocais. Estas lesões podem ser unilaterais ou bilaterais, podem ser benignas, 
pré-malignas ou malignas. Pólipos, nódulos, quistos e ulceras de contacto são 
algumas das lesões mais comuns. 
 
 
 
Variações mínimas 
 
 As variações mínimas são desvios da anatomia laríngea e/ou fisiologia 
laríngea e podem aparecer ou não juntamente com outras patologias. Consistem 
em diferenças na posição, forma ou massa, tensão, elasticidade e viscosidade 
das pregas vocais. Dependendo do grau das perturbações podem ser 
clinicamente insignificantes. A desidratação das pregas vocais devido ao 
consumo de agentes desidratantes quer seja medicação ou álcool, as 
inflamações, a variz na prega vocal e o edema que consiste no aumento do 
volume das pregas vocais devido nomeadamente ao abuso vocal, são exemplos 
destas variações mínimas. 
 
Edema de Reinke 
 
 
 
O edema de Reinke surge tipicamente nas duas pregas vocais, sendo 
caracterizado pelo seu edema (‘inchaço’), provocado pela acumulação dispersa 
de líquido no espaço de Reinke. À medida que o líquido se acumula, este espaço 
aumenta, fazendo com que as pregas vocais aumentem de espessura e se 
projetem para o interior da laringe. 
Em consequência, a voz fica mais rouca e com tonalidade mais grave uma 
vez que o edema provoca alterações na elasticidade das pregas vocais. Em 
casos extremos, o edema pode mesmo dificultar a passagem de ar. Em reação 
a estas alterações o paciente tende a efetuar um maior esforço 18 vocal 
originando a abertura excessiva da glote e uma vibração assimétrica, irregular e 
aperiódica das pregas vocais. 
Uma vez que esta patologia, cuja principal causa é o tabagismo, provoca 
uma voz mais grave, os seus sintomas são mais fáceis de detectar nos oradores 
femininos, uma vez que têm normalmente a voz mais aguda. 
 
Disfonia espasmódica 
 
 
 
 
A disfonia espasmódica é uma patologia que consiste nos movimentos 
involuntários dos músculos do aparelho fonador, quer seja de forma permanente, 
quer seja esporádica. As causas desta patologia não estão determinadas. 
Existem, no entanto, indicadores de que esta patologia esteja relacionada com 
o sistema nervoso que não permite o controlo dos músculos. Existem também 
casos em que esta patologia ocorre em famílias, indiciando uma origem genética. 
Esta patologia tem três vertentes: a disfonia espasmódica adutora, abdutora e 
mista. 
Na disfonia espasmódica adutora os movimentos involuntários dos 
músculos da laringe levam a que as pregas vocais fechem inibindo a sua 
vibração e, em caso extremos, a produção de fala. Neste caso a voz é produzida 
com muito esforço, como que estrangulada. A disfonia espasmódica abdutora 
traduz-se em movimentos inesperados que forçam as pregas vocais a abrir, não 
permitindo a sua vibração e passando o ar diretamente dos pulmões para o trato 
vocal, originado uma voz com bastante ruído e como que asussurrar, sendo uma 
voz pouco audível e de baixa intensidade. 
Por último, a disfonia espasmódica mista envolve os dois tipos anteriores. 
Associados a esta patologia, podem também ocorrer movimentos involuntários 
de outros músculos que não da laringe, como por exemplo dos músculos da boca 
 
 
e da língua, o piscar de 19 olhos, movimentos involuntários do pescoço e 
movimentos repetitivos dos braços e das pernas. 
O diagnóstico desta patologia envolve tipicamente um médico 
otorrinolaringologista, um terapeuta da fala que analisa a qualidade vocal do 
paciente e um neurologista que avalia outros distúrbios do paciente. 
 
 
 
Principais problemas causados pelo uso excessivo 
da voz 
 
 
Disfonia/Afonia: qualquer alteração na voz é chamado disfonia. 
Naqueles casos em que “perdemos” a voz completamente, chamamos de afonia. 
Normalmente, a disfonia se apresenta como uma voz muito baixa ou rouca. 
Ambas podem ser causadas pelo uso excessivo da voz que podem gerar lesões 
nas pregas vocais como os nódulos. Inflamações como laringites, malformações 
das cordas vocais ou até tumores podem ser causadores de alterações na voz. 
 
Laringite: a inflamação na laringe pode causar rouquidão, falhas e até a 
perda da voz. Além disso, o paciente pode ter tosse, febre e dificuldade para 
engolir. A laringite pode ser aguda ou crônica. No primeiro caso, ela dura até 
sete dias e pode ser semelhante a um resfriado. Na laringite crônica, pode durar 
semanas ou até anos. 
Nódulos nas pregas vocais: essas lesões são benignas e são 
popularmente conhecidas como “calos” nas cordas vocais. Entre as principais 
causas está o uso incorreto da voz inclusive em crianças. Com os nódulos, a 
pessoa fica rouca, tem dificuldades ou cansaço para falar ou cantar. Sempre que 
 
 
esses sintomas persistirem por mais de 15 dias, o otorrinolaringologista deve ser 
procurado. 
Alterações estruturais mínimas da laringe: são pequenas 
malformações congênitas, muitas vezes muito difíceis de serem diagnosticadas, 
que podem ocorrer nas pregas vocais e que persistem pela vida toda gerando 
quadros de disfonia bastante variados, desde disfonias leves mas recorrentes 
àquelas bastante acentuadas e persistentes. Algumas destas alterações são os 
sulcos vocais, cistos epidermóides, cisto aberto, ponte de mucosa, 
microdiafragma, vásculodisgenesias. O diagnóstico é realizado pela estória do 
paciente de uma rouquidão que, na maioria das vezes já existia na infância, em 
menor intensidade mas que foi piorando coma idade e o uso da voz, confirmada 
naturalmente pelos exames vídeo-endoscópicos da laringe. 
Câncer de laringe: este é um dos cânceres mais comuns que atingem a 
região da cabeça e pescoço, representando, segundo o Inca (Instituto Nacional 
do Câncer), 25% dos tumores malignos que acometem essa área. A ocorrência 
pode se dar em uma das três áreas em que se divide o órgão: supraglote, glote 
e subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal 
verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das 
cordas vocais). 
Os sintomas mais comuns são a rouquidão e a disfagia que pode se 
apresentar como uma dor de garganta ou uma sensação de “caroço” ou 
“embucho” na garganta, principalmente durante a deglutição. 
Nas lesões avançadas estes sintomas podem se tornar mais intensos e 
podem apresentar dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar). De acordo 
com a localização e a extensão do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou 
radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia. Quanto mais 
precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar 
deformidades físicas e problemas psicossociais. 
 
COMO PROTEGER A VOZ? 
 
 
 
Alguns cuidados são fundamentais para prevenir as doenças da voz. 
– beba mais de 2 litros de água por dia 
– não faça automedicação quando sentir algum desconforto na voz 
– evite o consumo de gorduras, condimentos e refrigerantes 
– evite o consumo de bebidas alcoólicas 
– não fume 
– consuma café de forma moderada 
– evite passar muito tempo em ambientes poluídos 
– evite gritar ou alterar o tom de voz 
– a laringe é formada por cartilagens e músculos. 
 As pregas ou cordas vocais inclusive, são músculos. Como todo músculo, 
estes também necessitam de exercícios regulares. 
 
 
 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
A voz é o instrumento de comunicação mais imediato que existe, 
este elemento fundamental pode revelar diversas sensações do corpo humano 
como entusiasmo, cansaço, ansiedade ou estado de humor, pode também, 
expressar sua personalidade, e sotaques que definem a região de onde o 
indivíduo veio. A voz recebe influência de hormônios (masculinos, femininos e 
de crescimento) e de nossas emoções. 
A importância da voz vai muito além da mensagem ser compreendida, 
nela pode-se transmitir confiança, liderança, credibilidade e assertividade. Todos 
esses quesitos precisam de harmonia e coerência. 
O uso excessivo da voz sem os devidos cuidados, pode causar doenças 
que devem ser tratadas por um otorrinolaringologista. As patologias vocais que 
podem surgir após o abuso ou mau uso da voz são: nódulos, pólipos, cistos, 
edema, sulco vocal e fendas. Para cada uma dessas alterações vocais, um 
tratamento diferente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIA 
 
PINHO, SILVIA. MÚSCULOS INTRÍNSECOS DA LARINGE E DINÂMICA VOCAL. V. 1 
(SÉRIE: DESVENDANDO OS SEGREDOS DA VOZ). SÃO PAULO, REVINTER, 2008. 
PINHO, SILVIA, JARRUS, MARTA E TSUJI, DOMINGO. MANUAL DE SAÚDE VOCAL 
INFANTIL. SÃO PAULO, REVINTER, 2004. 
PINHO, SILVIA. FUNDAMENTOS EM FONOAUDIOLOGIA. RIO DE JANEIRO, 
GUANABARA KOOGAN, 1998. 
KAHLE, CHARLOTTE. MANUAL PRÁTICO DE TÉCNICA VOCAL. PORTO ALEGRE, 
SULINA, 1966 
COSTA, HENRIQUE E ANDRADA E SILVA, MARTA, VOZ CANTADA - EVOLUÇÃO, 
AVALIAÇÃO E TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA. SÃO PAULO, LOUVISE LTDA, 1998. 
MANUAL PRÁTICO DE TÉCNICA VOCAL, CHARLOTTE KAHLE, PORTO ALEGRE, 
LIVRARIA SULINA EDITORA, 1966 
ESTÉTICA DA VOZ – UMA VOZ PARA O ATOR, EUDÓSIA ACUÑA QUINTEIRO. SUMMUS 
EDITORIAL, SÃO PAULO, 1989. 
FUNDAMENTOS EM FONOAUDIOLOGIA, SILVIA M. REBELO PINHO, EDITORA 
GUANABARA KOOGAN. RIO DE JANEIRO 1998. 
VOZ CANTADA – EVOLUÇÃO, AVALIAÇÃO E TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA, 
HENRIQUE OLIVAL COSTA E MARTA ASSUMPÇÃO DE ANDRADA E SILVA. EDITORA 
LOUVISE LTDA, SÃO PAULO, 1998. 
CANTO Y DICCIÓN, JORGE PERELLÓ, MONSERRAT CABALÍE E ENRIQUE GUITART, 
EDITORA CIENTÍFICO-MÉDICA, BARCELONA

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