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1 PATOLOGIA DA VOZ Sumário FACUMINAS ............................................................................................ 2 INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 A Voz ....................................................................................................... 4 Como a voz é produzida .......................................................................... 8 Efeitos das patologias da voz no sinal de fala ....................................... 11 Patologias vocais e seus tratamentos.................................................... 14 Principais problemas causados pelo uso excessivo da voz ................... 28 CONCLUSÃO ........................................................................................ 31 REFERÊNCIA ........................................................................................ 32 FACUMINAS A história do Instituto FACUMINAS, inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a FACUMINAS, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A FACUMINAS tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. INTRODUÇÃO A voz é produzida quando o ar respiratório (vindo dos pulmões) passa pelas pregas vocais, e por nosso comando neural, por meio de ajustes musculares, faz pressões de diferentes graus na região abaixo das pregas vocais, fazendo-as vibrarem. Esse mecanismo se assemelha ao balão, quando o secamos apertando sua "boca", provocando um ruído agudo, fruto da vibração da borracha. O ar expiratório, que fez as pregas vocais vibrarem, vai sendo modificado e os sons vão sendo articulados (vogais e consoantes). Depois, emitidos pela boca, criam a onda sonora que vai atingir a cóclea do ouvinte. Então a voz é ouvida. As pregas vocais vibram muito rapidamente. Nos homens, esse número de ciclos vibratórios fica em torno de 125 vezes em um segundo. Na mulher, que tem voz, geralmente, mais aguda, o número aumenta para 250 vezes por segundo. A essa característica damos o nome de frequência. As pregas vocais do homem têm mais massa e são menos esticadas que as da mulher (como no violão, as cordas mais esticadas são mais agudas e vibram mais que as cordas mais graves). O uso excessivo da voz sem os devidos cuidados, pode causar doenças que devem ser tratadas por um otorrinolaringologista. A voz depende de vias aéreas funcionando por isso, quem usa a voz precisa tratar problemas como roncos, rinites, sinusites, amigdalas aumentadas de volume, desvios de septo e outras causas de obstruções nasais. Como a laringe é uma estrutura mais interna que só é adequadamente visível através de exames vídeo-endoscópicos, em qualquer caso de falha da voz, rouquidão, dor ou cansaço para falar ou engolir, o otorrinolaringologista deve ser consultado para determinar qual o diagnóstico e a melhor forma de tratamento A Voz A voz humana consiste no som produzido pelo ser humano usando as suas cordas vocais para falar, cantar, gargalhar, chorar, gritar… A frequência pode variar entre 60 e 7000 Hz. A voz é uma característica humana intimamente relacionada com a necessidade do homem se agrupar e comunicar. Ela é produto da sua evolução, um trabalho em conjunto do sistema nervoso, respiratório e digestivo e de músculos, ligamentos e ossos, atuando harmoniosamente para ser possível obter uma emissão eficiente. As cordas vocais, primordialmente, não foram feitas para o uso da voz. Esta foi uma função na qual a laringe (local onde se encontram as cordas vocais) se especializou, mas estes músculos foram desenvolvidos, em primeiro lugar, para as funções de respiração, alimentação e esficteriana. De modo geral, o mecanismo para gerar a voz humana pode ser subdividido em três partes: os pulmões, as pregas (cordas) vocais (que se encontram dentro da laringe) e os responsáveis pela articulação: lábios, língua, dentes, palato duro, véu do palato e mandíbula. Os pulmões geram um fluxo de ar, que é o "combustível da voz”. O diafragma expulsa este ar, que passa pelas pregas vocais, fazendo-as vibrar, transformando o ar em impulsos sonoros. Os músculos da laringe ajustam a duração e a tensão das pregas vocais para adequar a altura e o tom podendo sugerir emoções variadas (raiva, felicidade…). Isto é particularmente importante para quem trabalha com a voz. As pregas vocais vibram muito rapidamente. Nos homens, o número de ciclos vibratórios é de cerca de 125 vezes por segundo. Na mulher, que tem voz, geralmente, mais aguda, o número aumenta para 250 vezes por segundo. A esta característica damos o nome de frequência. As pregas vocais do homem têm mais massa e são menos esticadas que as da mulher (como no violão, as cordas mais esticadas são mais agudas e vibram mais que as cordas mais graves). O mau uso da voz é responsável por grande número de doenças do aparelho vocal. A voz está associada à fala, na realização da comunicação verbal, e pode variar quanto à intensidade, altura, inflexão, ressonância, articulação e muitas outras características. Frequência A mais baixa frequência que pode dar a audibilidade a um ser humano é mais ou menos de 20 hertz (vibrações por segundo), enquanto a mais alta se encontra entre 10.000 e 20.000 hertz, dependendo da idade/capacidade do ouvinte (quanto mais idoso menores as frequências máximas ouvidas). A frequência comum de um piano é de 40 a 4.000 hertz e a da voz humana encontra-se entre os 60 e os 7.000 hertz. Eufonia e disfonia Eufonia é o nome dado à emissão de uma voz saudável. O contrário, ou seja, uma voz doente com uma ou mais características alteradas é denominada de disfonia. A disfonia pode ser orgânica, funcional ou mista (orgânica e funcional). Não é propriamente uma doença, mas o sintoma, uma manifestação do mau funcionamento de um dos sistemas ou estruturas que actuam na produção da voz. Por exemplo a rouquidão, (quando está constipado) é um tipo de disfonia. Já à incapacidade de produzir a voz o nome dado é de afonia. Existe tratamento para a disfonia e o profissional habilitado e responsável pela intervenção das disfonias é o fonoaudiologista. Habitualmente este profissional trabalha em conjunto (no caso da voz) com o otorrinolaringologista ou o laringologista. As várias doenças da voz: - Fuga glótica; - Utilização de bandas ventriculares; - Disfonia psicogénica; - Paralisia das cordas vocais; - Pólipos, nódulos, quistos; - Refluxo; - Papiloma; - Laringite crónica, leucoplasias e queratoses; - Cancro da laringe. Como a voz é produzida A voz é um dos principais meios de comunicação do ser humano com os seus semelhantes. Desde o nascimento, já produzimos ruídos, sons e choro e futuramente aprendemos a organizar esses sons em palavras. Quando cantamos, a voz é o nosso instrumento musical,portanto é importante saber como ela funciona para que possamos cantar de forma consciente. Para isso, precisamos saber de onde vem a voz e como ela é produzida pelo nosso corpo. A matéria prima da voz é o ar, que entra pelo nossos nariz e boca chegando aos pulmões. A produção do som irá ocorrer no momento da expiração na nossa laringe, que se localiza no pescoço. Lá estão posicionadas as nossas cordas vocais e quando expiramos, a laringe se aproxima de maneira que o ar que está voltando passe pelas cordas e faça com que elas vibrem. A frequência da nossa voz é definida pelo comprimento das nossas pregas vocais. Por isso que as mulheres têm a voz mais aguda que a dos homens, pois suas pregas são mais curtas, assim como as das crianças que são menores que as dos adultos. Esse som que é produzido nas cordas vocais será amplificado nas cavidades de ressonância que possuímos, os chamados ressonadores. Os ressonadores são os nossos “auto-falantes” naturais, formado por cavidades na boca, laringe e nariz. Para saber mais, confira esse vídeo sobre o que são os ressonadores. A voz, portanto, é o resultado da combinação de duas forças: a do ar que sai de nossos pulmões e a força muscular da nossa laringe. O equilíbrio entre elas é essencial. Uma boa voz é considerada aquela que possua equilíbrio entre a ressonância, frequência e intensidade O Aparelho Fonador e os Mecanismos de Produção dos Sons Quando falamos, produzimos uma corrente de ar que sai dos pulmões e vai até a cavidade oral, passando por diversos órgãos e estruturas. Os sons da fala são produzidos quando alguns desses órgãos e estruturas agem sobre essa corrente, ou seja, quando há mudança dessa corrente de ar. O conjunto de órgãos e estruturas que produzem os sons de nossa fala é chamado de aparelho fonador. O aparelho fonador, também chamado de trato vocal, para Palmer (2003:53) é uma “série de cavidades variadas e interligadas associada com o ato da fala, começa com a cavidade oral. Suas funções vitais são diversas, porém a principal é a ingestão de alimentos. Pode atuar também como uma passagem para o ar até o trato respiratório. Na fala, a cavidade oral atua como um volume continuamente variável para modificar o tom produzido na laringe na produção da vogal e como uma câmara de obstrução através da qual o ar exalado é direcionado pra criar algumas consoantes”. Zemlin (2000¬) cita que o trato vocal pode ser subdividido, em bases anatômicas, em cinco cavidades: bucal ou vestibular, oral, faríngea e cavidades nasais (par). https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fonoaudiologia/o-aparelho-fonador-e-os-mecanismos-de-producao-dos-sons/23463 Podemos dizer que o aparelho fonador divide-se em três partes - articulatório, fonatório e respiratório que são fisiologicamente responsáveis pela produção dos sons da fala (Silva, 1999:25). • Articulatório: é constituído pela língua, faringe, nariz, lábios e dentes; são estruturas que se encontram na parte superior da glote. O sistema articulatório é responsável por várias funções primárias, principalmente ao ato de comer – morder, mastigar, sentir o paladar, cheirar, sugar e engolir. • Fonatório: constituído pela laringe. Na laringe encontramos músculos estriados que podem obstruir a passagem da corrente de ar – as pregas vocais. A glote é o espaço decorrente da não obstrução dos músculos laríngeos. A função primária da laringe é atuar como válvula que obstrui a entrada de alimentos nos pulmões por meio do abaixamento da epiglote. • Respiratório: constituído pela traqueia, pulmões, brônquios e diafragma. Encontra-se na parte inferior à glote – cavidade infraglotal. Sua função principal é a respiração. Efeitos das patologias da voz no sinal de fala As patologias das pregas vocais e nomeadamente da laringe afectam a produção do sinal de fala. As vozes soprosas (breathy) e crepitantes (creaky) são exemplos de perturbação no sinal de fala que podem ocorrer devido à existência de patologias da voz. O incorrecto funcionamento das pregas vocais ou da glote devido às patologias descritas no ponto anterior pode provocar que as pregas vocais permaneçam inadvertidamente abertas ou fechadas criado assim perturbações no sinal de fala. As vozes soprosas são caracterizadas pela passagem indesejada de ar pelas pregas vocais sem que esta provoque a vibração adequada das mesmas. A voz, apesar de vozeada, apresenta algum ruído de origem soprosa devido às pregas vocais não terem capacidade para fechar adequadamente. No limite, o vozeamento é nulo, sendo que neste caso está-se na presença de uma voz sussurrada. Por outro lado, as pregas vocais permanecem fechadas com mais pressão e estão mais tensas que o normal, pelo que apenas a parte anterior das pregas vocais permite a passagem de ar. A parte posterior não vibra ou vibra com uma frequência diferente da parte anterior. Neste caso, está-se na presença de uma voz crepitante. As alterações na voz são perceptíveis através da qualidade vocal com alterações no timbre da voz, nomeadamente através de uma frequência fundamental muito baixa. No limite, a glote pode mesmo permanecer fechada sem que ocorra vibração nem passagem de ar pelas pregas vocais na produção de fonemas vozeados. A variação da tensão das pregas vocais pode ainda provocar uma voz rouca, que resulta no aumento da tensão laríngea e na irregularidade das vibrações das pregas vocais. Este tipo de voz caracteriza-se pelas alterações na frequência fundamental, tornando-a mais grave e sendo patente uma maior tensão e esforço ao falar. Patologias vocais e seus tratamentos As patologias vocais que podem surgir após o abuso ou mau uso da voz são: nódulos, pólipos, cistos, edema, sulco vocal e fendas etc. Para cada uma dessas alterações vocais, um tratamento diferente, conforme descrito a seguir: Nódulos https://tasabendo.com.br/wp-content/uploads/2014/11/cap214_fig1.jpg Os nódulos vocais em adulto são crescimentos benignos localizados nas pregas vocais, sendo uma reação do tecido devido ao constante movimento brusco das pregas vocais, tais como: falar alto, gritar, imitar vozes; dentro outros. Os nódulos iniciais são relativamente macios e flexíveis. Neste estágio inicial, o nódulo pode estar evidente apenas unilateral e pode facilmente ser confundido com um pólipo. Os nódulos crônicos são geralmente duros, brancos, espessos e fibrosados, geralmente bilaterais, e nem sempre simétrico em tamanho. O principal sintoma vocal é a rouquidão e foco ressoante de voz concentrada na garganta, com tom baixo; podendo também se queixar de dor na garganta; esforço para falar. O tratamento pode ser cirúrgico quando os nódulos ainda estão pequenos e recém-adquiridos, já os maiores podem ser tratados por cirurgias com um breve período de descanso vocal seguido de terapia fonoaudiológica para uma reeducação vocal. Pólipos Os pólipos de pregas vocais são massas pedunculares ou sésseis, geralmente unilaterais, que se apresentam com aspecto por vezes gelatinoso, hialinos ou fibrosados. Se localizam entre o terço anterior e o terço médio do bordo livre da prega vocal. Uma vez que um pólipo pequeno inicie, qualquer abuso ou mau uso vocal repetido irritará a área contribuindo para seu crescimento continuo. Os principais sintomas são a ausência de timbre, rouquidão e soprosidade. O tratamento inicial, geralmente é cirúrgico seguido de um tratamento fonoaudiológico. No pré-cirúrgico o fonoaudiólogo deve favorecer a vibração da mucosa para facilitar a retirada do pólipo e no pós-cirúrgico o objetivo é suavizar o abuso vocal. Cistos Os cistos são tumores constituídos por secreções amareladas por um epitélio claro e transparente. O principal sintoma vocal é a rouquidão,há um enfraquecimento vocal e esforço na emissão. A incidência é maior em mulheres adultas jovens e também muito frequente em profissionais da voz. O tratamento é cirúrgico com intervenção fonoaudiológica (pré- e pos-cirúrgico). Também observamos cansaço ao falar e dificuldades para coordenar o ar durante a fala, e cansaço. A prospecção do paciente deverá ser observada e caso necessária, trabalhada durante todo o tratamento. Edema O edema refere-se a um acúmulo de fluido em algum lugar na prega vocal. Ele pode ocorrer profundamente na prega vocal ou em camadas mais superficias. Quando ocorre na primeira camada da lâmina própria ,é referido como edema de Reinke, pois o espaço de Reinke ocorre nessa camada. Edema é uma reação natural do tecido a trauma e mau uso da voz. Além de abuso vocal, o edema de Reinke crônico é mais frequentemente associado ao fumo. Os sintomas típicos de um edema incluem um nível de frequência abaixo do normal e rouquidão. O tratamento é cirúrgico e fonoaudiológico. A evolução do paciente depende de inúmeros aspectos inclusive da motivação do paciente para seguir corretamente o tratamento. Conhecer as motivações do paciente e averiguá-las periodicamente é imprescindível nestes casos. Sulco O sulco vocal refere-se a uma valeta ao longo da margem mediana superior das prega vocais. Sua extensão e profundidade é variável, quando muito profundo parece dividir a prega na metade. A etiologia do sulco vocal é incerta embora alguns autores a atribua ao mau uso e abuso vocal. Os sintomas incluem uma qualidade de voz rouca e soprosa aparentemente devido ao fechamento incompleto das pregas vocais. O tratamento é a fototerapia nos casos em que o sulco é relativamente raso, quando se apresenta profundo e com limites bem definidos a cirurgia está indicada. Paralisia das pregas vocais A tensão e posição das pregas vocais são controladas pelos músculos laríngeos, que por sua vez são controlados pelo sistema nervoso. A paralisia das pregas vocais surge quando estes músculos não conseguem executar a sua função. A paralisia é efetivamente no músculo sendo que as pregas vocais podem continuar a vibrar (no caso de paresia) embora de um modo não controlado. A paralisia pode ser provocada por vários fenómenos tais como a compressão dos músculos devido a infeções, tumores ou intoxicações. Em alguns casos, embora raros, é originada por traumatismos no sistema nervoso central causadas por acidentes vasculares ou como manifestação de uma doença neurológica. A paralisia pode afetar apenas uma prega vocal fazendo com que as pregas vibrem com frequências diferentes. Nestes casos, a voz apresenta um som bitonal e o paciente não consegue falar alto, perdendo o poder de amplificação vocal. Se, por outro lado, a paralisia afetar as duas pregas, pode existir o risco da abertura da glote não ser total, provocando com isso dificuldades respiratórias assim como ruído à passagem do ar respirado. Lesões neurológicas periféricas As patologias da voz como a disfonia espasmódica e a paralisia das pregas vocais têm tipicamente origem em lesões do sistema nervoso e consistem na incapacidade do paciente realizar o correto controlo dos músculos do aparelho fonador. Úlceras de contacto As úlceras são feridas nas pregas vocais que ocorrem devido ao esforço vocal, ao fumo do tabaco, à tosse persistente ou ao refluxo do ácido gástrico. Os sintomas são dores ligeiras e diferentes graus de rouquidão, dependendo da dimensão e da posição da úlcera. Embora estas lesões sejam tipicamente pequenas comprometem frequentemente o fecho da glote. Quistos Os quistos são aglomerações de líquidos cuja causa típica é o bloqueio glandular. Encontramse localizados na camada superficial da lâmina própria sendo tipicamente unilaterais. Esta patologia pode variar de cor e tamanho podendo ter ligeiras fendas com perda ocasional de líquido. O principal sintoma desta patologia é a disfonia acompanhada por um maior esforço vocal. Pólipos Os pólipos surgem tipicamente isolados, com tamanho variável, sendo habitualmente maiores do que os nódulos. Este tumor benigno tende a sair fora da prega vocal e a dilatar-se, ficando preso à superfície através de um pedúnculo (pólipo pediculado), ou então surge como uma massa distribuída na lâmina própria (pólipo séssil). Os pólipos surgem em indivíduos que usam exaustivamente a voz, apresentando normalmente sintomas idênticos aos nódulos, embora possam causar também tosse. Em casos extremos, o pólipo pode obstruir a laringe causando mesmo dificuldades respiratórias. O grau de disfonia provocado por esta patologia é bastante variável, dependendo da posição, tamanho do pólipo e dimensão do pedúnculo (que lhe concede maior ou menor mobilidade). Lesões de massa localizada As lesões de massa localizada afetam a camada membranosa das pregas vocais. Estas lesões podem ser unilaterais ou bilaterais, podem ser benignas, pré-malignas ou malignas. Pólipos, nódulos, quistos e ulceras de contacto são algumas das lesões mais comuns. Variações mínimas As variações mínimas são desvios da anatomia laríngea e/ou fisiologia laríngea e podem aparecer ou não juntamente com outras patologias. Consistem em diferenças na posição, forma ou massa, tensão, elasticidade e viscosidade das pregas vocais. Dependendo do grau das perturbações podem ser clinicamente insignificantes. A desidratação das pregas vocais devido ao consumo de agentes desidratantes quer seja medicação ou álcool, as inflamações, a variz na prega vocal e o edema que consiste no aumento do volume das pregas vocais devido nomeadamente ao abuso vocal, são exemplos destas variações mínimas. Edema de Reinke O edema de Reinke surge tipicamente nas duas pregas vocais, sendo caracterizado pelo seu edema (‘inchaço’), provocado pela acumulação dispersa de líquido no espaço de Reinke. À medida que o líquido se acumula, este espaço aumenta, fazendo com que as pregas vocais aumentem de espessura e se projetem para o interior da laringe. Em consequência, a voz fica mais rouca e com tonalidade mais grave uma vez que o edema provoca alterações na elasticidade das pregas vocais. Em casos extremos, o edema pode mesmo dificultar a passagem de ar. Em reação a estas alterações o paciente tende a efetuar um maior esforço 18 vocal originando a abertura excessiva da glote e uma vibração assimétrica, irregular e aperiódica das pregas vocais. Uma vez que esta patologia, cuja principal causa é o tabagismo, provoca uma voz mais grave, os seus sintomas são mais fáceis de detectar nos oradores femininos, uma vez que têm normalmente a voz mais aguda. Disfonia espasmódica A disfonia espasmódica é uma patologia que consiste nos movimentos involuntários dos músculos do aparelho fonador, quer seja de forma permanente, quer seja esporádica. As causas desta patologia não estão determinadas. Existem, no entanto, indicadores de que esta patologia esteja relacionada com o sistema nervoso que não permite o controlo dos músculos. Existem também casos em que esta patologia ocorre em famílias, indiciando uma origem genética. Esta patologia tem três vertentes: a disfonia espasmódica adutora, abdutora e mista. Na disfonia espasmódica adutora os movimentos involuntários dos músculos da laringe levam a que as pregas vocais fechem inibindo a sua vibração e, em caso extremos, a produção de fala. Neste caso a voz é produzida com muito esforço, como que estrangulada. A disfonia espasmódica abdutora traduz-se em movimentos inesperados que forçam as pregas vocais a abrir, não permitindo a sua vibração e passando o ar diretamente dos pulmões para o trato vocal, originado uma voz com bastante ruído e como que asussurrar, sendo uma voz pouco audível e de baixa intensidade. Por último, a disfonia espasmódica mista envolve os dois tipos anteriores. Associados a esta patologia, podem também ocorrer movimentos involuntários de outros músculos que não da laringe, como por exemplo dos músculos da boca e da língua, o piscar de 19 olhos, movimentos involuntários do pescoço e movimentos repetitivos dos braços e das pernas. O diagnóstico desta patologia envolve tipicamente um médico otorrinolaringologista, um terapeuta da fala que analisa a qualidade vocal do paciente e um neurologista que avalia outros distúrbios do paciente. Principais problemas causados pelo uso excessivo da voz Disfonia/Afonia: qualquer alteração na voz é chamado disfonia. Naqueles casos em que “perdemos” a voz completamente, chamamos de afonia. Normalmente, a disfonia se apresenta como uma voz muito baixa ou rouca. Ambas podem ser causadas pelo uso excessivo da voz que podem gerar lesões nas pregas vocais como os nódulos. Inflamações como laringites, malformações das cordas vocais ou até tumores podem ser causadores de alterações na voz. Laringite: a inflamação na laringe pode causar rouquidão, falhas e até a perda da voz. Além disso, o paciente pode ter tosse, febre e dificuldade para engolir. A laringite pode ser aguda ou crônica. No primeiro caso, ela dura até sete dias e pode ser semelhante a um resfriado. Na laringite crônica, pode durar semanas ou até anos. Nódulos nas pregas vocais: essas lesões são benignas e são popularmente conhecidas como “calos” nas cordas vocais. Entre as principais causas está o uso incorreto da voz inclusive em crianças. Com os nódulos, a pessoa fica rouca, tem dificuldades ou cansaço para falar ou cantar. Sempre que esses sintomas persistirem por mais de 15 dias, o otorrinolaringologista deve ser procurado. Alterações estruturais mínimas da laringe: são pequenas malformações congênitas, muitas vezes muito difíceis de serem diagnosticadas, que podem ocorrer nas pregas vocais e que persistem pela vida toda gerando quadros de disfonia bastante variados, desde disfonias leves mas recorrentes àquelas bastante acentuadas e persistentes. Algumas destas alterações são os sulcos vocais, cistos epidermóides, cisto aberto, ponte de mucosa, microdiafragma, vásculodisgenesias. O diagnóstico é realizado pela estória do paciente de uma rouquidão que, na maioria das vezes já existia na infância, em menor intensidade mas que foi piorando coma idade e o uso da voz, confirmada naturalmente pelos exames vídeo-endoscópicos da laringe. Câncer de laringe: este é um dos cânceres mais comuns que atingem a região da cabeça e pescoço, representando, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), 25% dos tumores malignos que acometem essa área. A ocorrência pode se dar em uma das três áreas em que se divide o órgão: supraglote, glote e subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais). Os sintomas mais comuns são a rouquidão e a disfagia que pode se apresentar como uma dor de garganta ou uma sensação de “caroço” ou “embucho” na garganta, principalmente durante a deglutição. Nas lesões avançadas estes sintomas podem se tornar mais intensos e podem apresentar dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar). De acordo com a localização e a extensão do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia. Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais. COMO PROTEGER A VOZ? Alguns cuidados são fundamentais para prevenir as doenças da voz. – beba mais de 2 litros de água por dia – não faça automedicação quando sentir algum desconforto na voz – evite o consumo de gorduras, condimentos e refrigerantes – evite o consumo de bebidas alcoólicas – não fume – consuma café de forma moderada – evite passar muito tempo em ambientes poluídos – evite gritar ou alterar o tom de voz – a laringe é formada por cartilagens e músculos. As pregas ou cordas vocais inclusive, são músculos. Como todo músculo, estes também necessitam de exercícios regulares. CONCLUSÃO A voz é o instrumento de comunicação mais imediato que existe, este elemento fundamental pode revelar diversas sensações do corpo humano como entusiasmo, cansaço, ansiedade ou estado de humor, pode também, expressar sua personalidade, e sotaques que definem a região de onde o indivíduo veio. A voz recebe influência de hormônios (masculinos, femininos e de crescimento) e de nossas emoções. A importância da voz vai muito além da mensagem ser compreendida, nela pode-se transmitir confiança, liderança, credibilidade e assertividade. Todos esses quesitos precisam de harmonia e coerência. O uso excessivo da voz sem os devidos cuidados, pode causar doenças que devem ser tratadas por um otorrinolaringologista. As patologias vocais que podem surgir após o abuso ou mau uso da voz são: nódulos, pólipos, cistos, edema, sulco vocal e fendas. Para cada uma dessas alterações vocais, um tratamento diferente REFERÊNCIA PINHO, SILVIA. MÚSCULOS INTRÍNSECOS DA LARINGE E DINÂMICA VOCAL. V. 1 (SÉRIE: DESVENDANDO OS SEGREDOS DA VOZ). SÃO PAULO, REVINTER, 2008. PINHO, SILVIA, JARRUS, MARTA E TSUJI, DOMINGO. MANUAL DE SAÚDE VOCAL INFANTIL. SÃO PAULO, REVINTER, 2004. PINHO, SILVIA. FUNDAMENTOS EM FONOAUDIOLOGIA. RIO DE JANEIRO, GUANABARA KOOGAN, 1998. KAHLE, CHARLOTTE. MANUAL PRÁTICO DE TÉCNICA VOCAL. PORTO ALEGRE, SULINA, 1966 COSTA, HENRIQUE E ANDRADA E SILVA, MARTA, VOZ CANTADA - EVOLUÇÃO, AVALIAÇÃO E TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA. SÃO PAULO, LOUVISE LTDA, 1998. MANUAL PRÁTICO DE TÉCNICA VOCAL, CHARLOTTE KAHLE, PORTO ALEGRE, LIVRARIA SULINA EDITORA, 1966 ESTÉTICA DA VOZ – UMA VOZ PARA O ATOR, EUDÓSIA ACUÑA QUINTEIRO. SUMMUS EDITORIAL, SÃO PAULO, 1989. FUNDAMENTOS EM FONOAUDIOLOGIA, SILVIA M. REBELO PINHO, EDITORA GUANABARA KOOGAN. RIO DE JANEIRO 1998. VOZ CANTADA – EVOLUÇÃO, AVALIAÇÃO E TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA, HENRIQUE OLIVAL COSTA E MARTA ASSUMPÇÃO DE ANDRADA E SILVA. EDITORA LOUVISE LTDA, SÃO PAULO, 1998. CANTO Y DICCIÓN, JORGE PERELLÓ, MONSERRAT CABALÍE E ENRIQUE GUITART, EDITORA CIENTÍFICO-MÉDICA, BARCELONA