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CBI of Miami 
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CBI of Miami 
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CBI of Miami 
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Automonitoramento 
Lucelmo Lacerda 
 
 De fato, a melhor forma possível de mudar um comportamento é quando 
este comportamento fica sob controle do próprio sujeito, que é capaz de se auto-
observar e aferir qual é seu estado emocional e, mais ainda, tomar decisões a 
partir desta observação sobre o que quer fazer e o que é melhor para si. 
 Ocorre que a auto-observação, apesar de parecer uma habilidade 
simples, não o é. Trata-se de um comportamento complexo, que exige que o 
sujeito tenha habilidades verbais prévias para descrever diferentes estados 
emocionais e responder a um interlocutor ou a um equipamento (como no 
exemplo da aula) sobre sua condição e o que decide fazer. 
 Todas as intervenções comportamentais devem ser planejadas para que 
o comportamento passe a ocorrer nas contingências naturais da vida, com o 
comportamento modificado. Então o bom dia que pode ser ensinado pela mãe 
com um cutucão, ao final tem que ser evocado pelo simples “bom dia” da outra 
pessoa e a leitura de um livro que pode ocorrer em uma atividade de sala deve 
ser evocada talvez na rede, com uma brisa no rosto, à procura de um deleite. Da 
mesma forma ocorre com os comportamentos inadequados, que podem ser 
reduzidos por meio de procedimentos como DRO, DRA, DRI, entre outros, mas 
que devem se manter eliminados ou em níveis aceitáveis sem qualquer 
procedimento em vigor, somente pelas contingências usuais da vida do cliente 
(em ABA normalmente não se fala em paciente, mas em cliente). 
 Vou dar um exemplo, suponhamos que um menino grita todos os dias, no 
horário de suas refeições. Então implementa-se um Treino de Comunicação 
Funcional – FCT para este comportamento e se escolhe a entrega de um cartão 
como Resposta de Comunicação Funcional para que ele tenha acesso a comida. 
Sim, existe todo um apoio para que ele aprenda a entregar o cartão e não a 
gritar, depois talvez ele entregue muitas vezes este cartão e tenhamos que 
empobrecer o esquema de reforçamento para que ele só peça comida quando 
estiver nos horários de refeição, mas o fato é que quando este objetivo for 
atingido, não será mais preciso qualquer intervenção, ele será simplesmente um 
menino que se comunica de maneira diferente e que, na escola, não fala, mas 
 
 
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entrega um cartão para ter acesso à merenda ou a um salgadinho, na 
lanchonete, a balconista precisa discriminar entre a foto de um salgado ou um 
prato de comida, mas, se dá fato, as contingências da vida natural seguramente 
são capazes de manter seu comportamento. 
 Uma das estratégias mais bem sucedidas e baseadas em evidências é o 
automonitoramento, em que o indivíduo aprende a descrever o que está sentindo 
e a tomar decisões acerca desta condição, isto pode ser feito por meio do diálogo 
e por meio de programações em tecnologias assistivas que ampliam a autonomia 
do sujeito. 
 
Ética 
 Um outro assunto fundamental, que será muito bem explorado no próximo 
módulo é a questão da ética, mas vamos pontuar aqui alguns itens fundamentais 
que trouxemos no vídeo: 
 As estereotipias não são inimigas da intervenção porque fazem a pessoa 
parecer uma pessoa com autismo. Na verdade, todos nós temos estereotipias e 
elas devem ser avaliadas e, caso tragam prejuízo, podem passar por intervenção 
para redução ou eliminação, mas caso não tragam prejuízo, não devem ser 
enfrentadas. 
 O trabalho fundamental de uma intervenção baseada em ABA ocorre com 
o reforçamento positivo e não com estratégias aversivas, como reforçamento 
negativo, extinção e punição e quando isto ocorre, é preciso que seja quando 
não há melhores estratégias disponíveis, sem qualquer potencial de dano ao 
cliente e sob rigoroso e transparente escrutínio público. 
 O rigor técnico-científico e o seguimento à risca do procedimento tal como 
elaborado e não uma aplicação “criativa” da ABA é um compromisso ético com 
a integridade e desenvolvimento do cliente. 
 Por fim, é preciso estabelecer um compromisso de transparência total 
com os pais ou responsáveis da pessoa com autismo ou desenvolvimento 
atípico, evitando assim abusos e enganos. 
 Ambos os tópicos deste módulo falam da responsabilidade do aplicador 
em ABA e do empoderamento das pessoas com autismo e suas famílias e estes 
são aspectos essenciais da ética e da técnica analítico-comportamental.

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