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Garantia de emprego e estabilidade
Abordagem da estabilidade provisória no Direito do Trabalho, a partir do escrutínio de suas principais
formas de concretização normativa.
Prof. Felipe Fernandes
1. Itens iniciais
Propósito
A compreensão dos fundamentos e regime jurídico da estabilidade no Direito do Trabalho capacita o aluno
para problemas eventualmente apresentados no dia a dia das relações laborais.
Preparação
Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos a Constituição Federal, a CLT, a Lei nº 8.213/91, a Lei nº 8.036/91 e a
Lei nº 5.764/71.
Objetivos
Reconhecer a estabilidade provisória.
Identificar o seu escopo de aplicação da estabilidade da gestante e da Cipa.
Identificar os regimes jurídicos de estabilidades especiais.
Introdução
Como regra, a relação de emprego é firmada livremente entre as partes (empregado e empregador), podendo
essas dispor, com base na autonomia da vontade, da forma que melhor convenha aos seus interesses
pessoais. Assim, da mesma forma que as partes convenentes podem estabelecer uma relação de emprego,
também podem decidir pelo seu término. A rigor, empregador ou empregado podem tomar a iniciativa de dar
fim ao vínculo empregatício. No entanto, existem algumas situações especiais, que protegem o empregado
contra a despedida arbitrária. Essas situações ganham forma nas chamadas garantias provisórias no emprego
(ou estabilidades provisórias), as quais passam a ser estudadas na sequência. 
• 
• 
• 
1. Aspectos gerais e estabilidade sindical
Ligando os pontos
Você sabe qual é o papel dos sindicatos no direito coletivo brasileiro? Consegue identificar quais são as
prerrogativas dos empregados membros dos sindicatos?
 
Para entendermos a temática, vamos analisar o caso hipotético abaixo.
Os sindicatos desempenham importante papel no Direito Coletivo brasileiro, por representarem os
trabalhadores junto às entidades patronais, dando-lhes força para a luta pelos interesses da categoria. Assim,
a organização de greves, reivindicações e movimentos de pressão são encabeçados pelas respectivas
entidades. À vista disso, a legislação pátria conferiu importantes prerrogativas aos empregados que se
dispõem a atuar junto a esses entes. Dada a sua vocação política e a intenção de melhorar as condições de
trabalho de sua categoria, João, Pedro e Márcio resolveram se candidatar a cargos representativos em suas
respectivas agremiações.
 
Após intensos debates com as chapas adversárias, corpo a corpo com os trabalhadores e toda a
procedimentalidade que uma eleição envolve, eles foram eleitos para ocupar postos distintos em seus
sindicatos. João e Pedro foram eleitos dirigentes, sendo Márcio agraciado com cargo no Conselho Fiscal.
Buscando iniciar seus mandatos com toda a força, os empregados realizaram assembleias com suas
categorias, distribuíram panfletos e chamaram os patrões para rodadas de negociação, sob a ameaça de
greve, caso não fosse encontrada uma saída considerada satisfatória para ambos os lados. 
 
Os três trabalhadores foram demitidos de suas empresas sob a alegação patronal de que aquele tipo de
atividade seria incompatível com os valores defendidos pelos grupos de empregadores.
 
Quanto às situações de cada um dos empregados, no momento do registro da candidatura, Pedro já estava de
aviso-prévio. João e Márcio, todavia, foram comunicados da dispensa e receberam o aviso-prévio após a
eleição. Ainda, no momento das dispensas, que ocorreram no ano de 2022, todos eles contavam com 11 anos
de serviços prestados às empresas.
 
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
Questão 1
Ao analisar o caso, você deve ter percebido que o sindicalismo é uma forma de congregação de
trabalhadores, que obteve consideráveis resultados na busca por melhorias à classe operária. Diante da
proteção conferida aos empregados que exercem cargos de direção ou representação sindical, assinale a
alternativa correta.
A
Como dirigente sindical, João goza de estabilidade, ainda que haja a extinção da atividade empresarial no
âmbito da base territorial do sindicato.
B
Caso tivesse sido nomeado delegado sindical, Márcio seria beneficiário da estabilidade provisória prevista no
art. 8º, VIII, da CF/1988.
C
O registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sindical durante o período de aviso-prévio não
lhe assegura a estabilidade, razão pela qual Pedro não faz jus à prerrogativa.
D
A demissão de empregados que se sindicalizem ou concorram a cargos no sindicato está inserida na
autonomia privada do empregador, de modo que não configura ato antissindical.
E
É vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir da efetiva eleição até 1 ano após o final do mandato,
salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
A alternativa C está correta.
O registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sindical durante o período de aviso-prévio,
ainda que indenizado, não lhe assegura a estabilidade. Dessa maneira, ele apenas gozará da prerrogativa
em questão caso venha a registrar sua candidatura antes do recebimento do aviso-prévio.
Questão 2
A partir dos seus conhecimentos sobre a evolução da estabilidade no direito brasileiro, selecione a asserção
correta.
A
Empregados que recebem FGTS podem ser dispensados em qualquer hipótese, pois fazem jus à indenização
que esse regime assegura, não gozando, pois, de estabilidade em qualquer situação.
B
No caso do texto, tendo em vista que todos os empregados contavam com mais de 10 anos de serviços, a
dispensa dependeria necessariamente do ajuizamento de inquérito judicial para apuração de falta grave.
C
No texto estudado, não é possível afirmar se algum dos empregados gozaria de estabilidade decenal, pois não
foi esclarecido se eles eram optantes do FGTS ou não.
D
No texto estudado, nenhum dos empregados gozaria de estabilidade decenal, pois a Constituição de 1988
estabeleceu a obrigatoriedade do FGTS como regra, afastando a estabilidade por tempo de serviço.
E
Aos empregados citados no texto, deve ser paga a indenização de um salário por ano trabalhado, ou fração
igual ou superior a 6 meses, sob pena de configuração de ato antissindical.
A alternativa D está correta.
Antes da CF/88, o empregado poderia optar pelo regime do FGTS ou fazer jus à estabilidade decenal,
quando atingido o requisito temporal. No entanto, a Constituição Cidadã unificou os regimes,
estabelecendo a obrigatoriedade do FGTS para todos os empregados em geral, acabando, assim, com a
estabilidade decenal, salvo para aquelas que já a possuíam.
Questão 3
Tendo em vista o caso narrado, discorra sobre a legalidade da demissão dos empregados.
Chave de resposta
A Constituição de 1988, em seu art. 8º, VIII, veda a dispensa do dirigente sindical eleito para cargo de
direção ou representação sindical, desde o registro da sua candidatura até 1 ano após o final do mandato,
salvo se cometer falta grave nos termos da lei. A demissão dos empregados nessa condição depende de
apuração em ação específica, o inquérito judicial para apuração de falta grave. Em contrapartida, essa
estabilidade não é estendida aos membros do Conselho Fiscal nos termos da Orientação Jurisprudencial
nº 365 da SDI-1 do TST. Vejamos:
OJ 365, DSI-1. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. MEMBRO DE CONSELHO FISCAL DE SINDICATO.
INEXISTÊNCIA Membro de conselho fiscal de sindicato não tem direito à estabilidade prevista nos arts.
543, § 3º, da CLT e 8º, VIII, da CF/1988, porquanto não representa ou atua na defesa de direitos da
categoria respectiva, tendo sua competência limitada à fiscalização da gestão financeira do sindicato.
(ART. 522, §2º, CLT)
Ainda nos termos da Súmula nº 369, V do TST, o registro da candidatura do empregado a cargo de
dirigente sindical durante o período de aviso-prévio, ainda que indenizado, não lhe assegura a estabilidade.
Portanto, no caso, João goza de estabilidade, só podendo ser demitido caso cometa falta grave,
devidamente apurada em inquérito judicial. Pedro não faz jus à estabilidade, pois, no momento do registroda candidatura, ele já havia recebido aviso-prévio do empregador. Já Márcio não goza de estabilidade por
ser membro do Conselho Fiscal. Por derradeiro, o fato de contarem com mais de 10 anos de serviços em
2022 não gera a estabilidade decenal, uma vez que ela foi extinta para aqueles empregados contratados
após a Constituição de 1988, caso dos trabalhadores em epígrafe.
Estabilidade
Estabilidade decenal
Veja a seguir as principais características da estabilidade decenal.
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Estabilidade decenal e seus desdobramentos
O art. 7º, inciso I da Constituição da República, garante a proteção da relação de emprego contra despedida
arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória,
dentre outros direitos.
Atenção
Até o momento, a referida lei complementar ainda não foi editada, de modo que o dispositivo em questão
é considerado não regulamentado, não se aplicando, portanto, a garantia em tela. 
A rigor, atendidas as obrigações impostas no término da relação contratual trabalhista, seu encerramento é,
como regra, livre às partes. No entanto, antes da Constituição da República de 1988, havia a chamada 
estabilidade decenal.
No regime originário da Consolidação das Leis
do Trabalho, em seu art. 492, era garantido ao
empregado que contasse com mais de 10 anos
de serviço na mesma empresa, a proteção
contra a dispensa imotivada, condicionada ao
cometimento de falta grave ou circunstância de
força maior, devidamente comprovadas.
Nesse contexto, ao empregado dispensado
imotivadamente antes de completados os 10
anos de serviço, era garantida a indenização de
um salário por ano trabalhado ou fração igual
ou superior a 6 meses. Com a edição da Lei nº Lei 5.107/66, o regime foi modificado:
instituiu-se o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), pelo qual os empregados poderiam
optar.
O regime do FGTS garante a realização de depósitos mensais em uma conta vinculada, os quais podem ser
levantados em caso de dispensa imotivada, bem como o pagamento de uma indenização à base de 40%.
Dessa maneira, havia duas situações naquele momento histórico: os empregados optantes do FGTS e os não
optantes, que faziam jus à estabilidade decenal, caso atingidos os requisitos. Sobre essa coexistência de
regimes, é preciso trazer dois apontamentos acerca da jurisprudência do TST, consagrada na sua Súmula nº
98.
Primeiro apontamento
Destaca-se aqui que a equivalência entre os regimes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e da
estabilidade prevista na CLT era meramente jurídica e não econômica, sendo indevidos valores a título
de reposição de diferenças. Desse modo, sendo optante da estabilidade decenal, o empregado faria
jus à indenização nos termos a ela rigorosamente imputados (indenização de um salário por ano
trabalhado ou fração igual ou superior a 6 meses) e, optando pelo FGTS, da mesma forma, não
havendo que se buscar, portanto, a opção mais benéfica ao empregado.
Segundo apontamento
Ressalta-se aqui que fazendo a opção pelo regime do FGTS, o empregado perdia o direito à
estabilidade decenal, mas nada impedia que ele gozasse de eventual estabilidade que fosse prevista
contratualmente ou derivada de regulamento de empresa. No entanto, em momento posterior, a
Constituição de 1988 unificou os regimes, estabelecendo a obrigatoriedade do FGTS para todos os
empregados em geral, acabando, assim, com a estabilidade decenal, salvo para aquelas que já a
possuíam, por se tratar de direito adquirido.
Diante disso, é possível afirmar que a estabilidade existente hoje no Direito do Trabalho é apenas provisória,
atingindo determinadas situações especiais enquanto elas durarem.
Exemplo
O dirigente sindical; o empregado eleito membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – Cipa;
a gestante; o empregado que gozou de auxílio-doença acidentário; o empregado eleito membro do
Conselho Curador do FGTS; o empregado membro do Conselho Nacional da Previdência Social; o
empregado eleito diretor de sociedade cooperativa. 
Dirigente sindical
Os sindicatos são figuras muito importantes no Direito Coletivo do Trabalho, desempenhando, dentre outras
funções, o mister de representar os trabalhadores e pleitear, junto aos empregadores, melhorias e condições
condignas para suas respectivas categorias. A fim de garantir que os empregados incumbidos desse ônus
possam desempenhar suas funções com independência, protegidos de perseguições ou represálias, a
Constituição de 1988, em seu art. 8º, VIII, vedou a dispensa do dirigente sindical eleito para cargo de direção
ou representação sindical, desde o registro da sua candidatura até 1 ano após o final do mandato, salvo se
cometer falta grave nos termos da lei. 
Reunião do Sindicato dos Metalúrgicos logo após a justiça ter reconhecido o direito
à estabilidade no emprego de um dirigente sindical da categoria na cidade de
Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre (2021). Foi determinada a reintegração
imediata.
A dispensa do dirigente sindical pressupõe o cometimento de falta grave, que deve ser comprovada em ação
específica ajuizada na Justiça do Trabalho: o inquérito judicial para apuração de falta grave. Todavia, havendo
extinção da atividade empresarial no âmbito da base territorial do sindicato, não haverá razão para subsistir a
estabilidade (Súmula nº 369, IV, TST). Quanto ao registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente
sindical durante o período de aviso-prévio, ainda que seja indenizado, não lhe é assegurada a estabilidade. 
Por derradeiro, lembramos que apenas os empregados eleitos para os cargos de direção ou representação
sindical gozam de proteção contra a dispensa arbitrária, o que não ocorre em favor dos membros de Conselho
Fiscal de sindicato nem dos delegados sindicais.
Vem que eu te explico!
Estabilidades provisórias
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Dirigente sindical
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(2010 - COPEVE-UFAL - Prefeitura de Penedo - AL - Procurador Municipal) Sobre o FGTS, o TST entende que
A
a equivalência entre os regimes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e da estabilidade prevista na CLT
é meramente econômica e não jurídica, sendo indevidos valores a título de reposição de diferenças.
B
a estabilidade contratual ou a derivada de regulamento de empresa são incompatíveis com o regime do FGTS.
C
a equivalência entre os regimes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e da estabilidade prevista na CLT
é meramente jurídica e não econômica, sendo devidos valores a título de reposição de diferenças.
D
a estabilidade legal (decenal, art. 492 da CLT), apesar de ser renunciada com a opção pelo FGTS, é
compatível com o regime do FGTS.
E
a estabilidade contratual ou a derivada de regulamento de empresa são compatíveis com o regime do FGTS.
De forma contrária, ocorre com a estabilidade legal (decenal, art. 492 da CLT), que é renunciada com a opção
pelo FGTS.
A alternativa E está correta.
O entendimento em questão está consolidado na Súmula nº 98 do TST, que dispõe que a estabilidade
contratual ou a derivada de regulamento de empresa são compatíveis com o regime do FGTS, diversamente
do que ocorria com a estabilidade legal (decenal, art. 492 da CLT), que é renunciada com a opção pelo
FGTS. Nesses casos, referentes às hipóteses de opção ou não pelo regime do FGTS (anteriores à CF/88), o
TST fixou que quem fizesse essa opção não gozaria da estabilidade decenal, mas isso não impediria que
eles gozassem, por exemplo, de uma estabilidade por tempo de serviço fixada em acordo ou convenção
coletiva.
Questão 2
(2016 - VUNESP - IPSMI - VUNESP - Procurador) A estabilidade provisória destinada ao dirigente sindical
A
aplica-se a todos os eleitos, titulares e suplentes.
B
fica limitada a 7 eleitos titulares e igual número de suplentes.
C
aplica-se a todos os eleitos, apenas limitando a 7 o número de suplentes.D
não beneficia os suplentes.
E
subsiste na hipótese de extinção da atividade empresarial na base territorial do sindicato correspondente.
A alternativa B está correta.
O art. 522 da CLT limita o número de dirigentes sindicais que gozam de estabilidade, estabelecendo que a
administração do sindicato será exercida por uma diretoria constituída no máximo de 7 e no mínimo de três
membros. Tal dispositivo já foi impugnado, decidindo TST e STF que ele é compatível com a Constituição
da República de 1988. Assim, conforme cristalizado no inciso II da Súmula nº 369 do TST, o art. 522 da CLT
foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, fixando, assim, limitada a estabilidade a que alude o
art. 543, §3.º, da CLT a 7 dirigentes sindicais e igual número de suplentes.
2. Gestante e membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
Ligando os pontos
A proteção à maternidade, ao planejamento familiar e à família são importantes salvaguardas que a
Constituição da República de 1988 estabeleceu como forma de garantir uma sociedade mais justa e igualitária.
Neste cenário, a Constituição Cidadã e a legislação criada e mantida sob sua influência valorativa
estabeleceram uma série de limites para evitar medidas deletérias à mulher no mercado de trabalho. Dentre
elas, garantiu-se a estabilidade à gestante desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto, como
forma de evitar eventuais abusos, bem como garantir alguma estabilidade ao nascituro, à mãe e àquela
unidade familiar.
 
Dito isso, vejamos a seguinte situação.
Maria e Joana se conheceram na clínica em que ambas, gestantes, faziam seus exames pré-natais. As duas
darão à luz em 4 meses. Conversando, elas compartilharam algumas angústias, dividindo que ambas foram
contratadas a termo e agora veem que a perspectiva de seus vínculos acabou.
 
Maria foi admitida por meio de contrato de trabalho por tempo determinado, nos termos do art. 443 da CLT, o
qual deverá chegar a seu termo dali a 2 meses.
 
Já Joana foi contratada por meio de empresa de trabalho temporário, nos termos da Lei nº 6.019/74 para
trabalhar junto a uma empresa que produz ovos de chocolate, o que se deu apenas em razão da demanda
gerada no período de Páscoa. Passado o prazo previamente estabelecido, seu contrato estará encerrado em 1
mês.
 
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
Questão 1
Acerca da estabilidade provisória da gestante, qual alternativa você considera correta?
A
A estabilidade da gestante é uma forma retrógrada de interferência do Estado nas relações de trabalho,
herança do Estado corporativista, o que leva à precarização do trabalho da mulher.
B
Segundo os valores encartados na Constituição da República de 1988, dentre eles a liberdade de iniciativa, é
inconstitucional impedir a dispensa de empregadas gestantes, pois isso é uma decisão do empregador.
C
A Constituição de 1988 reconhece a proteção à maternidade, por meio da estabilidade da gestante, mas
também admite a possibilidade de composição entre empregada e empregador para esses fins.
D
A estabilidade da gestante é garantida em todos os casos em que a empregada estiver presente numa relação
empregatícia, sendo o único requisito para tanto o estado gravídico.
E
Nos termos estabelecidos pela Constituição de 1988, é garantida a estabilidade provisória no emprego à
empregada gestante desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto.
A alternativa E está correta.
Esse direito está garantido no art. 10, II, b do ADCT, que veda a dispensa arbitrária ou sem justa causa da
empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto.
Questão 2
Márcia foi contratada temporariamente, nos termos da Lei nº 6.019/74, pelo prazo de 6 meses. No quarto mês
de vigência do contrato, ela confirmou por exame que estava grávida, encontrando-se no início da gestação.
Ao final do prazo de 6 meses estabelecido em seu contrato de trabalho temporário, o contrato restou extinto.
Consoante seus conhecimentos sobre as leis trabalhistas, a orientação que você daria a Márcia seria a de que
ela
A
fará jus à estabilidade prevista no art. 10, II, b do ADCT, por estar gestante, devendo ser reintegrada.
B
fará jus à estabilidade, mas não terá direito à reintegração, sendo a ela devidos apenas o pagamento da
indenização correspondente ao período estabilitário.
C
não terá direito à estabilidade, mas será assegurado o seu direito de permanecer no trabalho até o parto, com
o pagamento das custas hospitalares.
D
não terá direito à estabilidade, mas deverá receber indenização equivalente à metade da remuneração a que
faria jus até o final do período estabilitário.
E
não terá direito à estabilidade, pois o contrato de trabalho temporário tem prazo certo para o encerramento e
foi cumprido integralmente.
A alternativa E está correta.
No que tange ao contrato temporário, ou seja, aquele firmado com base na Lei nº 6.019/74 e que
compreende uma relação triangular entre empresa de trabalho temporário, empresa tomadora e empregado
temporário, o TST reconheceu no Incidente de Assunção de Competência nº 02 que essas não fazem jus à
estabilidade ora tratada. Conforme decidido, é inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado
pela Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante, prevista no art. 10, II, b, do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Questão 3
Verifique a situação de Joana e Maria, tecendo considerações embasadas por dispositivos legais sobre
estabilidade da gestante e sua aplicação aos respectivos contratos.
Chave de resposta
Conforme estabelecido no art. 10, II, B do ADCT, as gestantes gozam de estabilidade provisória no
emprego desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto.
O Tribunal Superior do Trabalho já reconheceu, em entendimento sumulado, que essa estabilidade se
estende também às empregadas admitidas por meio de contrato por prazo determinado. Essa é a redação
do inciso III da Súmula nº 244 do TST. Vejamos:
GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA
(...) III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”,
do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato
por tempo determinado. (SÚMULA Nº 244, TST)
Ressalvamos a existência de julgado em sentido contrário, proferido pela 4ª Turma do TST
(RR-1001345-83.2017.5.02.0041, 04/08/2020), o qual afastou a estabilidade provisória da gestante
admitida por contrato por prazo determinado, mas, até o momento, é defensável tratar-se apenas de uma
decisão turmária, ou seja, decisão que não supera a jurisprudência consolidada na Súmula nº 244. Doutra
ponta, no que tange ao contrato temporário, ou seja, aquele firmado com base na Lei nº 6.019, 74, o qual
compreende uma relação triangular entre empresa de trabalho temporário, empresa tomadora e
empregado temporário, o TST reconheceu no Incidente de Assunção de Competência nº 02 que essas não
fazem jus à estabilidade ora tratada. Conforme decidido, é inaplicável ao regime de trabalho temporário,
disciplinado pela Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante, prevista no
art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Diante disso, concluímos que, segundo a
jurisprudência majoritária do TST, Maria fará jus à estabilidade, mas Joana, não.
Outras formas de estabilidade provisória: gestante e Cipa
Noções gerais
Outras formas de estabilidade provisória que ganharam muita importância com a Constituição da República de
1988 foram aquelas conferidas às gestantes e aos empregados eleitos membros da Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes – Cipa. Vejamos o que consta no art. 10, II, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias:
Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição: (...) II -
fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado eleito paracargo de direção de
comissões internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o
final de seu mandato; b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses
após o parto.
(ART. 10, II, ADCT)
Estabilidade da gestante
Veja a seguir as especificidades da estabilidade da gestante.
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Gestante
Conforme disposição do art. 10, II, b do ADCT, é garantida à gestante a proteção contra a dispensa imotivada
desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto.
Atenção
Nos termos da Súmula nº 244 do TST, o desconhecimento da gravidez pelo empregador não afasta a
estabilidade. O Supremo Tribunal Federal, inclusive, comungou dessa posição para fixar que a
salvaguarda em tela somente exige a anterioridade da gravidez à dispensa sem justa causa (RE 629.053,
tema 497 de repercussão geral). 
Neste contexto, a dispensa da empregada gestante depende do cometimento de falta grave, a qual, todavia,
não depende de inquérito judicial para sua apuração.
Não obstante, a empregada que faz jus a essa salvaguarda pode pedir demissão, mas dependerá da
assistência do respectivo sindicato e, se não o houver, perante autoridade local competente do Ministério do
Trabalho, nos termos do art. 500 da CLT.
É importante notar que, ainda que a gravidez
ocorra no período de aviso-prévio, trabalhado
ou indenizado, a empregada gestante fará jus à
estabilidade provisória, o que também se aplica
ao empregado adotante para qual tenha sido
concedida guarda provisória para fins de
adoção (art. 391-A, CLT). 
Ainda, segundo o art. 1º da Lei Complementar
nº 146/2014, em caso de falecimento da
genitora, será garantida a estabilidade
provisória a quem detiver a guarda do seu filho.
Na hipótese de a empregada gestante ser dispensada indevidamente no período estabilitário, ela fará jus à
reintegração. No entanto, caso esse já tenha sido exaurido, a ela serão devidos os salários do período
compreendido entre a data da despedida e o final do período de estabilidade, não lhe sendo assegurada a
reintegração no emprego (Súmula nº 396 do TST).
Por fim, ressaltamos que, como regra geral, as gestantes, seja qual for o vínculo, gozam da garantia ora
tratada. No entanto, há situações excepcionais às quais não se aplica.
Exemplo
As empregadas contratadas para o exercício de trabalho temporário, nos termos da Lei nº 6.019/74. Esse
é considerado o labor prestado por pessoa física contratada por empresa de trabalho temporário que a
coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, a fim de atender à necessidade de
substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. Entendeu o
TST, no Incidente de Assunção de Competência nº 02, que é inaplicável ao regime de trabalho
temporário, disciplinado pela Lei nº 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada
gestante, prevista no art. 10, II, b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 
Membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa)
A CLT prevê a obrigatoriedade da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), de conformidade com
instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou locais de obra nelas
especificadas. Segundo o item 5.2 da Norma Regulamentadora nº 5, devem constituir Cipa, por
estabelecimento, e mantê-la em regular funcionamento as empresas privadas, públicas, sociedades de
economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas,
cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores como empregados. Essas têm a
função justamente de acompanhar a realização dos trabalhos nas empresas, a fim de identificar os riscos do
processo de trabalho, verificar o ambiente e as condições de trabalho, requerer a paralisação de máquina ou
setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores, dentre outras.
Desse modo, observamos que essas possuem relevantes funções na proteção dos trabalhadores, o que pode
levar a atritos entre os seus integrantes e os empregadores.
Eleição de representantes da Cipa do sindicato dos
trabalhadores em transporte rodoviário urbano de São
Paulo, 2018.
Segundo o art. 164 da CLT, cada Cipa será
composta de representantes da empresa e dos
empregados, de acordo com os critérios a
serem adotados na regulamentação de que
trata o parágrafo único do artigo anterior. Os
representantes dos empregadores serão por
eles designados, ao passo que os
representantes dos empregados serão eleitos
em escrutínio secreto.
Nesses termos, o art. 10, II, a do ADCT garante
a estabilidade provisória do empregado eleito
para cargo de direção de comissões internas de
prevenção de acidentes, desde o registro de
sua candidatura até 1 ano após o final de seu
mandato. Observe-se que aos representantes
do empregador (designados), a garantia em questão não se aplica. Alguma polêmica se instaurou em relação
aos suplentes, já que a disposição do ADCT não foi expressa quanto a eles. O Supremo Tribunal Federal
sepultou a questão, por meio da Súmula nº 676, para reconhecer a garantia da estabilidade provisória prevista
no art. 10, II, a, do ADCT também aos suplentes.
Por fim, lembramos de que não é necessária a instauração de Inquérito Judicial para apuração de falta grave
para a dispensa de membro da Cipa, a qual pode se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou
financeiro, nos termos do art. 165 da CLT.
Vem que eu te explico!
A Cipa
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Estabilidade dos membros da Cipa
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(2018 - CESPE - CEBRASPE - PGM - João Pessoa - PB - Procurador do Município) Acerca da estabilidade dos
membros da Cipa, assinale a opção correta.
A
O empregado que tiver registrado a candidatura e tiver sido eleito membro da Cipa durante a vigência de
contrato de experiência não terá direito à estabilidade.
B
A extinção do estabelecimento onde o empregado eleito membro da Cipa trabalhe não acarreta a extinção da
estabilidade, visto que o empregado terá direito ao recebimento de todas as garantias até o final da projeção
do seu mandato.
C
Terão direito à estabilidade os membros da Cipa representantes dos empregados e dos empregadores, sejam
eles titulares ou suplentes.
D
Em regra, a estabilidade dos membros da Cipa permanece até o final do mandato, ainda que o empregado
renuncie ao cargo de membro da Cipa.
E
Não existe limite para reeleição de empregado como membro da Cipa, de forma que a estabilidade permanece
até o final do último mandato.
A alternativa A está correta.
A resposta à questão em tela advém da jurisprudência do TST, que, por meio de sua Quinta Turma,
manteve decisão que não reconheceu o direito à estabilidade provisória a um atendente de empresa que foi
eleito membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) durante o contrato de experiência,
ao fim do qual foi desligado. O entendimento foi de que o contrato de experiência é uma modalidade de
contratação por prazo determinado, ao qual não se aplica a estabilidade provisória prevista na Constituição
Federal, leis ou instrumentos normativos. Segundo o relator, ministro Barros Levenhagen, o reconhecimento
da estabilidade nesse caso estaria "desnaturando o contrato a prazo por fato alheio à sua celebração,
dando-lhe ultratividade, incompatível com a lei" (Processo: RR-130471-22.2015.5.13.0025).
Questão 2
(2018 - FGV - Câmara de Salvador - BA - Especialista - Advogado Legislativo) Em uma indústria farmacêutica,
há a seguinte situação: Maria é empregada no setor de vendas e engravidou; Pedro, que atua no setor de
faturamento, foi eleito suplente de dirigente sindical; Rosa, que atua no setor fabril, foi indicada como
representante do empregador na Cipa.
 
Considerando os ditames legais, é correto afirmar que
A
todos os empregados terãoestabilidade, por motivos variados.
B
somente Maria e Pedro terão garantia no emprego.
C
Pedro não terá garantia no emprego por ser suplente, já que a lei garante estabilidade somente ao titular.
D
nenhum dos empregados citados terá garantia no emprego.
E
todos os membros que integram a Cipa possuem estabilidade durante todo o mandato e até 1 ano após.
A alternativa B está correta.
Maria está gestante. Logo, goza de estabilidade nos termos do art. 10, II, b do ADCT, que estabelece que,
até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição, fica vedada a
dispensa arbitrária ou sem justa causa: da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até 5
meses após o parto. Pedro é dirigente sindical, logo, faz à estabilidade prevista no §3º do art. 543 da CLT,
que veda a dispensa do empregado sindicalizado ou associado, a partir do momento do registro de sua
candidatura a cargo de direção ou representação de entidade sindical ou de associação profissional, até 1
ano após o final do seu mandato, caso seja eleito, inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave
devidamente apurada. Por fim, Rosa não goza de garantia no emprego, pois foi indicada como membro da
Cipa pelo empregador, sendo que apenas os titulares da representação dos empregados nas Cipa não
poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar,
técnico, econômico ou financeiro.
3. Outras formas de estabilidade
Ligando os pontos
Globalmente, a cada 15 segundos, um trabalhador falece em decorrência de acidente de trabalho ou doença
laboral. Dentre esses, considerados os anos de 2012 a 2020, 21.467 eram brasileiros. Em termos estatísticos,
isso constitui uma taxa de 6 óbitos a cada 100 mil empregos nesse lapso temporal, segundo estudo elaborado
pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre os países do
G20, o Brasil é o segundo em termos de mortalidade no trabalho.
 
Diante desses números, é possível vislumbrar como os sinistros laborais podem representar, além de um
infortúnio ao indivíduo em si, um problema social.
Frederico foi acometido por esse tipo de problema: trabalhava regularmente no período noturno em uma
fábrica de itens metálicos, de maneira que, ao manusear a máquina industrial pela qual era responsável, teve
um pequeno lapso de sono, que tirou sua atenção, acabando por fazê-lo derrubar alguns canos metálicos que
moldava, os quais caíram sobre seu braço, esmagando-o e rompendo o tendão do bíceps. O trabalhador foi
levado ao hospital por colegas, onde rapidamente foi atendido e recebeu a notícia de que precisaria fazer uma
operação para religar o tendão. A operação deveria ser feita em prazo exíguo, devendo ele ficar afastado do
trabalho por 6 meses, período em que ficaria com o braço imobilizado e, aos poucos, recuperaria o movimento
por meio de fisioterapia e tratamentos complementares.
 
Durante os primeiros 15 dias de afastamento do trabalhado, Frederico teve seu pagamento salarial realizado
pelo empregador e, posteriormente, passou a receber o auxílio-doença acidentário do INSS. No curso dos
tratamentos, ele conheceu outros dois empregados, que viviam situação semelhante: Marcos, que sofreu
acidente no curso de contrato por prazo determinado e José, que se acidentou no percurso entre a casa e o
trabalho, quando fez um pequeno desvio para parar em uma padaria. Ambos foram afastados por alguns
meses de suas respectivas empresas e hoje recebem benefício previdenciário (auxílio-doença acidentário).
 
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
Questão 1
Sobre o caso apresentado e a garantia provisória do empregado acidentado, qual alternativa você analisa
como correta?
A
Quando retornar às atividades, Frederico terá garantia no emprego pelo prazo de 11 meses, só podendo ser
dispensado por meio de processo administrativo disciplinar.
B
Quando retornar às atividades, Frederico terá garantia no emprego pelo prazo de 12 meses, não podendo ser
dispensado imotivadamente nesse período.
C
Quando retornar às atividades, Frederico terá garantia no emprego pelo prazo de 12 meses, não podendo ser
dispensado imotivadamente nesse período.
D
Quando retornar às atividades, Frederico terá garantia no emprego pelo prazo de 6 meses, não podendo ser
dispensado imotivadamente nesse período.
E
Quando retornar às atividades, Frederico não terá garantia no emprego, pois não consta que ele tenha
recebido o auxílio-acidente.
A alternativa C está correta.
Segundo o art. 118 da Lei 8.213/91, o segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo
mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-
doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente. Interpretando esse dispositivo,
o TST impõe como condições à estabilidade em questão o afastamento superior a 15 dias e a percepção do
auxílio-doença acidentário, requisitos cumpridos por Frederico.
Questão 2
Sobre o caso apresentado e a garantia provisória do empregado acidentado, é correto dizer que
A
o empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado não goza da garantia provisória de
emprego decorrente de acidente.
B
o empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de
emprego decorrente de acidente pelo prazo referente ao contrato.
C
não é assegurada a estabilidade provisória ao empregado que sofre acidente de trajeto, haja vista que não se
trata de tempo à disposição do empregador.
D
é assegurada a estabilidade provisória ao empregado que sofre acidente de trajeto, ainda que haja pequenos
desvios, razão pela qual José fará jus a ela.
E
É assegurada a estabilidade provisória ao empregado que sofre acidente de trajeto, desde que não haja
pequenos desvios, razão pela qual José não fará jus a ela.
A alternativa D está correta.
Conforme a jurisprudência do TST, é assegurada a estabilidade provisória para quem sofre o chamado
acidente de trajeto. Conforme decidiu a Corte Laboral (Recurso de Revista nº 9938420105040251), nos
termos do art. 118 da Lei nº 8.213/91, o segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo
mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-
doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente. Por sua vez, o art. 21, IV, d, do
mesmo diploma legal, equipara ao acidente do trabalho o acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do
local e horário de trabalho, no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. Ainda, mesmo que
haja pequenos desvios, considera-se o acidente de trajeto como acidente de trabalho (apenas
afastamentos relevantes servem para esse fim).
Questão 3
Analisando as situações funcionais dos empregados, suponha que eles retornaram às suas atividades após o
período de afastamento. Diante disso, responda se Frederico, Marcos e José gozam de estabilidade provisória
no emprego.
Chave de resposta
A legislação pátria garante a estabilidade provisória ao empregado que sofreu acidente do trabalho, pelo
prazo mínimo de 12 meses, após a cessação do auxílio-doença acidentário (ou seja, após o retorno à
empresa), independentemente de percepção de auxílio-acidente.
São pressupostos de tal prerrogativa, o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do
auxílio-doença acidentário. Essa é estendida ao empregado admitido por meio de contrato por prazo
determinado, bem como àquele que sofreu acidente de trajeto, nos termos da jurisprudência do TST,
segundo a qual, nos termos do art. 118 da Lei nº 8.213 /91, o segurado que sofreu acidente do trabalho tem
garantida, pelo prazo mínimo de 12 meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a
cessação do auxílio-doença acidentário, independentementede percepção de auxílio-acidente.
Diante disso, os três empregados farão jus à estabilidade provisória no emprego quando retornarem às
atividades, ressalvando-se que o fato de José ter realizado um pequeno desvio não afeta sua condição,
haja vista não ter sido um afastamento relevante do percurso.
Outras hipóteses de estabilidade
Estabilidade do empregado acidentado
Veja a seguir as condições de estabilidade do empregado acidentado.
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Empregado acidentado
Além das hipóteses de estabilidade provisória acima previstas, há outras hipóteses consolidadas na legislação
esparsa, as quais também demandam atenção.
O acidente de trabalho é infortúnio que pode acometer os empregados no decorrer de suas atividades ou em
razão delas e possui repercussão no fenômeno jurídico. Segundo o art. 19 da Lei nº 8.213/1997, trata-se de
evento que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo
exercício do trabalho dos segurados referidos na legislação pertinente, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o
trabalho. Além das situações acima mencionadas, que compreendem o chamado acidente de trabalho típico, a
legislação também considera acidente de trabalho as moléstias profissionais ou do trabalho (art. 20, Lei nº
8.123/97), bem como os eventos equiparados (art. 21, Lei nº 8.213/97).
Vale ressaltar que, em caso de afastamento, a remuneração
referente aos primeiros 15 dias ficará a cargo do
empregador, passando a incumbência ao órgão
previdenciário apenas a partir do 16º dia, quando o
segurado passará a receber o respectivo benefício
previdenciário.
Configurados esses pressupostos, nos termos do art. 118
da Lei nº 8.213/91, o segurado que sofreu acidente de
trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 meses, a
manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após
a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente. A título de
acréscimo, a Súmula nº 378 do TST cristaliza importantes diretrizes acerca da estabilidade em questão.
Vamos conferir!
I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por
período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. II - São
pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente
percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional
que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. III - O empregado
submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego
decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei nº 8.213/91.
(SÚMULA Nº 378, TST)
Assim, são requisitos para a obtenção da estabilidade em questão: 
Afastamento superior a 15 dias
Percepção do auxílio-doença acidentário
Quando retornar à empresa, o empregado terá garantia no emprego pelo prazo de 12 meses.
Empregados membros do Conselho Curador do FGTS
• 
• 
Segundo o art. 3º da Lei nº 8.036/91, o FGTS será regido por normas e diretrizes estabelecidas por um
Conselho Curador, composto por representação de trabalhadores, empregadores e órgãos e entidades
governamentais, na forma estabelecida pelo Poder Executivo. Para salvaguardar o bom desempenho de suas
funções, é garantido no §9º do mesmo dispositivo que aos membros do Conselho Curador, enquanto 
representantes dos trabalhadores, efetivos e suplentes, é assegurada a estabilidade no emprego, da
nomeação até 1 ano após o término do mandato de representação, somente podendo ser demitidos por
motivo de falta grave, regularmente comprovada através de processo sindical. 
Empregados membros do Conselho Nacional da Previdência Social
A Lei nº 8.213/91 prevê a existência do
Conselho Nacional de Previdência Social –
CNPS, a quem, dentre outras funções, compete
estabelecer diretrizes gerais e apreciar as
decisões de políticas aplicáveis à Previdência
Social. Será constituído por representantes do
Governo Federal e da sociedade civil. 
Dentre os representantes da sociedade civil,
haverá mandatários dos aposentados e
pensionistas, dos trabalhadores em atividade e
dos empregadores.
Nesses termos, o art. 3º, §7º do Lei nº 8.213/91 garante aos membros do CNPS, enquanto representantes dos
trabalhadores em atividade, titulares e suplentes, a estabilidade no emprego, da nomeação até 1 ano após o
término do mandato de representação, somente podendo ser demitidos por motivo de falta grave,
regularmente comprovada através de processo judicial. 
Empregados eleitos diretores de sociedades cooperativas
A Lei nº 5.764/71, em seu art. 55, garante aos empregados de empresas que sejam eleitos diretores de
sociedades cooperativas por eles criadas, as mesmas garantias asseguradas aos dirigentes sindicais pelo art.
543 da Consolidação das Leis do Trabalho. Ou seja, gozam de estabilidade, tal qual os dirigentes sindicais,
desde o registro da candidatura até 1 ano após o final do mandato. 
Importante notar que essa salvaguarda não se estende aos seus suplentes, nos termos da Orientação
Jurisprudencial nº 253 da SDI-I do TST.
Empregado membro da Comissão de Conciliação Prévia
A CLT, em seu art. 625-A, prevê a possibilidade de empresas e sindicatos instituírem Comissões de
Conciliação Prévia, de composição paritária, com representante dos empregados e dos empregadores, com a
atribuição de tentar conciliar os conflitos individuais do trabalho.
As empresas serão compostas de, no mínimo, 2 e, no máximo, 10 membros, sendo metade de seus membros
indicada pelo empregador e outra metade eleita pelos empregados, em escrutínio, secreto, fiscalizado pelo
sindicato de categoria profissional.
Aos empregados eleitos membros da Comissão de
Conciliação Prévia, ou seja, apenas os representantes dos
empregados (titulares e suplentes), é vedada a sua
dispensa até 1 ano após o final do mandato, salvo se
cometerem falta grave, nos termos da lei. Ressalve-se, por
fim, que a sua estabilidade tem início com a eleição.
Representantes dos empregados
O legislador infraconstitucional, por meio da Lei nº
13.467/2017 (Reforma Trabalhista), regulamentou o
dispositivo em referência, inserindo o art. 510-A e seguintes no texto consolidado, para estabelecer que, nas
empresas com mais de 200 empregados, é assegurada a eleição de uma comissão para representá-los, com a
finalidade de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. 
A comissão será composta da seguinte forma:
3 membros
Nas empresas com mais de 200 e até 3.000
empregados.
5 membros
Nas empresas com mais de 3.000 e até 5.000
empregados.
7 membros
Nas empresas com mais de 5.000 empregados.
Tais componentes terão mandato de 1 ano, sendo-lhes assegurado, desde o registro da candidatura até 1 ano
após o fim do mandato, a proteção contra a despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar
em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro.
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Empregados membros do Conselho Curador do FGTS
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Representantes dos empregados
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Questão 1
(2019 – VUNESP - SERTPREV - SP - Procurador Jurídico) Sobre o membro da comissão de representantes dos
empregados, é corretor afirmar que
A
possui estabilidade provisória idêntica àquela destinada aos dirigentes sindicais.
B
possui estabilidade provisória idêntica àquela dos empregados eleitos para a comissão interna de prevenção
de acidentes.
C
não possui estabilidade provisória.
D
poderá ter estabilidade provisória se houver previsão em aditivo contratual.
E
poderá ter estabilidade provisória se houver previsão em convenção ou acordo coletivo de trabalho.
A alternativa B está correta.
Segundo o Art. 510-D da CLT,o mandato dos membros da comissão de representantes dos empregados
será de 1 ano, estabelecendo seu §3º que, desde o registro da candidatura até 1 ano após o fim do
mandato, o membro da comissão de representantes dos empregados não poderá sofrer despedida
arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou
financeiro. Em sentido semelhante, o art. 165 da CLT determina que os titulares da representação dos
empregados na Cipa não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar
em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro.
Questão 2
(2014 - FGV - PGM - Niterói - Procurador do Município, 3ª Categoria - P3) A dispensa do empregado sem
justa causa é, em regra, um direito potestativo do empregador que, contudo, pode sofrer limitações.
 
A esse respeito, indique a opção que, de acordo com o entendimento consolidado do TST, não autoriza, por si
só, a reintegração ou a readmissão do empregado, caso seja dispensado sem justa causa.
A
O empregado eleito membro suplente de sociedade cooperativa criada pelos trabalhadores de uma empresa.
B
A empregada reabilitada, contratada por prazo indeterminado, dispensada sem o empregador contratar outro
em condição semelhante.
C
O empregado que foi eleito membro suplente da Cipa.
D
A empregada que se recuperou de uma doença profissional e retornou há 6 meses ao trabalho.
E
O empregado dispensado por ato discriminatório.
A alternativa A está correta.
Segundo a Orientação Jurisprudencial nº 253 da SDI-I do TST, o art. 55 da Lei nº 5.764/71 assegura a
garantia de emprego apenas aos empregados eleitos diretores de cooperativas, não abrangendo os
membros suplentes.
4. Conclusão
Considerações finais
Os textos analisados nos deram um panorama da estabilidade no Brasil e a evolução pela qual ela passou, 
migrando de uma ampla estabilidade decenal para estabilidades provisórias, condicionadas a certas situações
específicas e transitórias de cada trabalhador.
Como vimos, é de grande relevância a estabilidade do dirigente sindical, cristalizada no art. 8º, VIII da
Constituição Federal, que veda a dispensa do dirigente sindical eleito para cargo de direção ou representação
sindical, desde o registro da sua candidatura até 1 ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave
nos termos da lei. A garantia em questão se reveste de destaque, pois tem como fim maior garantir a atuação
sindical independente e, como consequência, a melhor busca pelos direitos dos trabalhadores, revestindo
seus representantes de prerrogativas para tanto.
Para além disso, a garantia provisória no emprego se estende, também, às gestantes e aos representantes
dos empregados na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Cada uma dessas salvaguardas possui um
viés específico: com a proteção ao emprego da gestante, busca-se proteger a família, o nascituro e a própria
igualdade de condições da mulher no mercado de trabalho. Já com a garantia conferida aos representantes
da Cipa, busca-se proteger a higidez das condições laborais e a devida autonomia àqueles que devem auditá-
las.
Por fim, vimos que, além da estabilidade decenal do dirigente sindical, da gestante e do representante dos
empregados da Cipa, existem ainda outras formas de garantia provisória no emprego, as quais também se
revestem de importância, dadas as funções e condições que protegem.
Dentre essas, merece destaque a estabilidade conferida ao empregado acidentado, haja vista o grave
problema social que os sinistros no ambiente de trabalho representam. Para fazer jus à estabilidade, o
empregado deve ter sido afastado por período superior a 15 dias e ter percebido o auxílio-doença acidentário.
Assim, garante-se que o empregado que passou por essa situação não seja discriminado no seu retorno e
possa retomar suas atividades com alguma dignidade.
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Para encerrar, ouça sobre as principais espécies de estabilidade e seus requisitos.
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Leia:
 
A tese Mulher e mercado de trabalho no Brasil: um estudo sobre igualdade efetiva baseado no modelo
normativo espanhol, de Marcelo Uchoa Ribeiro, disponível na Biblioteca de teses e dissertações da
Universidade de Fortaleza.
O livro Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais, de Antonio Lopes Monteiro e Roberto Fleury de
Souza Bertagni, em sua décima edição.
• 
• 
 
Assista:
 
Ao documentário Como ela Faz, disponível no YouTube.
Referências
ANDRADE, G.; FERNANDES, F.; GOUVEIA, R. Direito e Processo do Trabalho para a Advocacia Pública. 3. ed.
Salvador: Juspodivm, 2022.
 
CASSAR, V. B. Direito do Trabalho. 17. ed. Rio de Janeiro: Método, 2020.
 
CORREIA, H. Curso de Direito do Trabalho. 6. ed. Salvador: Juspodivm, 2021.
 
DELGADO, M. G. Curso de Direito do Trabalho. 17. ed. São Paulo: LTr, 2018.
 
SCHIAVI, M. Manual Didático de Direito do Trabalho. Salvador: Juspodivm, 2021.
• 
	Garantia de emprego e estabilidade
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Aspectos gerais e estabilidade sindical
	Ligando os pontos
	Questão 3
	Estabilidade
	Estabilidade decenal
	Conteúdo interativo
	Estabilidade decenal e seus desdobramentos
	Atenção
	Primeiro apontamento
	Segundo apontamento
	Exemplo
	Dirigente sindical
	Vem que eu te explico!
	Estabilidades provisórias
	Conteúdo interativo
	Dirigente sindical
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Gestante e membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
	Ligando os pontos
	Outras formas de estabilidade provisória: gestante e Cipa
	Noções gerais
	Estabilidade da gestante
	Conteúdo interativo
	Gestante
	Atenção
	Exemplo
	Membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa)
	Vem que eu te explico!
	A Cipa
	Conteúdo interativo
	Estabilidade dos membros da Cipa
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Outras formas de estabilidade
	Ligando os pontos
	Outras hipóteses de estabilidade
	Estabilidade do empregado acidentado
	Conteúdo interativo
	Empregado acidentado
	Empregados membros do Conselho Curador do FGTS
	Empregados membros do Conselho Nacional da Previdência Social
	Empregados eleitos diretores de sociedades cooperativas
	Empregado membro da Comissão de Conciliação Prévia
	Representantes dos empregados
	3 membros
	5 membros
	7 membros
	Vem que eu te explico!
	Empregados membros do Conselho Curador do FGTS
	Conteúdo interativo
	Representantes dos empregados
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
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	Referências

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