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Contrato de trabalho
A relação existente entre o Direito Constitucional e o Direito do Trabalho, princípios e características dos
contratos de trabalho.
Prof. Fabrício Veiga Costa
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender os fundamentos teóricos dos contratos de trabalho, os princípios regentes, as modalidades de
contratação, sua caracterização e morfologia é de fulcral importância para a trajetória prático-profissional do
estudante de Direito.
Preparação
Antes de iniciar seu estudo, é importante ter em mãos a Constituição brasileira de 1988, as legislações
disponíveis no Portal de Legislação do Planalto e a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Objetivos
Reconhecer a relação existente entre o Direito Constitucional e o Direito do Trabalho.
Analisar os fundamentos jurídico-legais dos contratos de trabalho.
Listar as espécies de contratos de trabalho e suas especificidades no contexto da proteção dos 
direitos dos trabalhadores.
Introdução
Analisaremos os reflexos diretos e indiretos de o Direito do Trabalho estar nucleado na Constituição Federal, o
que significa que a constitucionalização do direito mostrará a influência dos princípios do Direito do Trabalho
nas relações jurídicas de emprego e/ou trabalho.
Em seguida, delinearemos sobre quais teorias e fundamentos jurídico-legais são considerados necessários
para distinguir relações de trabalho e relações de emprego, sob o manto protetivo constitucional oferecido ao
trabalhador.
Por fim, debateremos sobre os aspectos jurídicos das espécies de contrato de trabalho, o qual é envolto na
proteção constitucional ao trabalhador, assim como apontaremos as características das novas modalidades
de contrato de trabalho vigentes. 
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1. Direito Constitucional e Direito do Trabalho
Ligando os pontos
Você sabe a importância do Direito Constitucional para o Direito do Trabalho? A fim de entendermos esse
conceito na prática, vamos analisar o cenário duma contratação e as suas exigências para isso.
 
A liberdade de firmar contratos de trabalho é regida pelos princípios da dignidade humana, não discriminação,
isonomia contratual, proteção, indisponibilidade e irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. O ordenamento
jurídico brasileiro vigente traz uma gama de normas jurídicas destinadas especificamente a garantir a ampla e
integral proteção do trabalhador no âmbito dos contratos de trabalho e das relações de emprego. Trata-se de
proposições normativas destinadas a assegurar igualdade jurídica dos empregados frente ao poder diretivo do
empregador, pessoa que detém os meios de produção e, por isso, assume o risco das atividades econômicas.
 
Nesse contexto propositivo, torna-se importante ressaltar que o fenômeno da constitucionalização do Direito
do Trabalho ocorreu especificamente para limitar a liberdade do empregador no que atine à imposição de
cláusulas contratuais consideradas lesivas ao empregado. A partir das proposições teóricas aqui
apresentadas, responda à questão dissertativa e às duas questões objetivas a seguir.
 
A empresa Vila das Flores, cujo ramo de atividade é a prestação de serviços de telemarketing, anunciou a
seguinte vaga de emprego: “contratamos mulher que seja loira, alta, magra, boa aparência, com fluência em
língua inglesa e que tenha diplomacia para atendimento a clientes estrangeiros”.7
 
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
Questão 1
O fenômeno jurídico da constitucionalização do Direito do Trabalho causa reflexos diretos na liberdade de
contratar no Brasil. O dirigismo contratual é visto como critério limitador na liberdade de as partes
interessadas estabelecerem cláusulas nos contratos de trabalho. Identifique a alternativa correta a respeito do
caso que você leu.
A
Os contratos de trabalho são regidos exclusivamente por normas de direito privado e, por isso, o Estado não
poderá limitar a liberdade de contratar das partes (empregador e empregado).
B
O empregador poderá anunciar uma vaga de emprego e afirmar explicitamente que não contrata pessoas com
deficiência sem violar o princípio constitucional da não discriminação, pois ele assume o risco da atividade
econômica e tem ampla liberdade e autonomia na forma de contratar, sem poder sofrer qualquer ingerência
estatal.
C
Os princípios da dignidade da pessoa humana e da isonomia contratual podem ser utilizados como
fundamentos e critérios regentes para limitar a liberdade das partes na forma de estabelecer as cláusulas do
contrato de trabalho.
D
Considerando-se que o contrato de trabalho é regido especificamente por normas de direito privado, o Estado
não tem legitimidade jurídica para intervir na forma de contratar, pois é o empregador que assume
integralmente os riscos da atividade econômica.
E
A desigualdade fática e estrutural que há entre empregador e empregado será juridicamente corrigida pelo
Direito brasileiro de forma integral, no momento da realização do contrato de trabalho, haja vista a aplicação
exclusiva de normas de direito privado para regê-lo.
A alternativa C está correta.
A constitucionalização do Direito do Trabalho coincidiu com o advento do princípio da dignidade da pessoa
humana, direito fundamental à igualdade e princípio da não discriminação. Nesse sentido, pode-se afirmar
que o contrato de trabalho é regido tanto por normas de direito privado quanto normas de direito público. A
liberdade de contratar não é absoluta; o dirigismo contratual consiste no direito conferido ao Estado de
poder intervir na autonomia privada das partes contratantes, especialmente para garantir a proteção dos
direitos fundamentais sociais dos trabalhadores. Sempre que um contrato de trabalho for juridicamente
indigno, lesivo ao trabalhador, reduzindo-o à condição análoga de escravo o Estado não apenas poderá,
mas terá o dever de intervir em favor da proteção dos direitos fundamentais.
Questão 2
Os princípios são normas jurídicas de conteúdo generalista e amplo, utilizados como parâmetro para a
interpretação, aplicabilidade e integração do ordenamento jurídico brasileiro vigente. A partir dos seus
conhecimentos com relação aos princípios regentes do contrato de trabalho, assinale a alternativa correta:
A
A autonomia privada do empregador e do empregado legitima as partes a estabelecerem livremente as
cláusulas do contrato de trabalho.
B
O princípio constitucional da não discriminação poderá ser aplicado de forma temperada nas relações de
emprego regidas pela CLT, haja vista tratar-se de norma jurídica dispositiva.
C
O princípio da proteção é corolário da isonomia contratual e possui estreito diálogo jurídico-constitucional com
o princípio da dignidade da pessoa humana.
D
A alteração lesiva do contrato de trabalho é admissível excepcionalmente, desde que tenha como condão
assegurar a preservação dos postos de trabalhos para os empregados.
E
A imperatividade das normas trabalhistas torna viável a interpretação restritiva dos direitos fundamentais
sociais, haja vista tratar-se de normas constitucionais de natureza dispositiva.
A alternativa C está correta.
Os princípios são importantes normas jurídicas utilizadas como parâmetro para assegurar a proteção
integral dos direitos fundamentais dos trabalhadores no que atine às relações de emprego. Nesse sentido,
torna-se importante ressaltar que a autonomia privada é regrada pelo princípio da proteção e da dignidade
da pessoa humana. O estreito diálogo existente entre o princípio da proteção, isonomia contratual e
dignidade humana torna concreta a aplicabilidade da vedação de alteração lesiva do contrato de trabalho,
haja vista a imperatividade das normas trabalhistas.
Questão 3
Analise, cientificamente, se o anúncio de vaga de emprego acima exposto viola ou não alguma norma
constitucional, infraconstitucional ou princípio jurídico que regula os contratos de trabalho. Argumente
juridicamente sua análise.
Chave de resposta
O anúncio de vaga de emprego em questão viola diretamente o princípio da não discriminação, haja vistade trabalho objetivam garantir a proteção de relações de emprego
originariamente não previstas na CLT. O contrato intermitente foi criado na última reforma trabalhista e
objetiva remunerar o trabalhador apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. 
No contrato de trabalho parcial, a carga horária semanal do empregado poderá ser de 30 (trinta) horas
semanais, sem a possibilidade de implementação de horas extras ou, ainda, de 26 (vinte e seis) horas
semanais, com a possibilidade de acréscimo de até 6 (seis) horas semanais extraordinárias. Na
terceirização, o empregado possui vínculo formal de emprego com a empresa interveniente, mas está
subordinado à empresa tomadora. 
No contrato de trabalho autônomo, não existe vínculo formal de emprego, haja vista que não estão
presentes os requisitos legais previstos no artigo 3º da CLT. O contrato de trabalho para estagiário não
gera vínculo formal de emprego, haja vista que nele não estão previstos todos os requisitos legais do artigo
3º da CLT.
4. Conclusão
Considerações finais
No presente conteúdo, para além de termos estudamos os reflexos da constitucionalização do Direito do
Trabalho na relação jurídica de trabalho e/ou emprego, vimos os requisitos e tipos contratuais dispostos na
CLT, bem como nos novos tipos de contrato de trabalho. 
Podcast
Neste podcast, o professor Marcos Dias explica como se caracteriza o contrato de trabalho, bem como
apresenta suas classificações.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Leia o texto intitulado Contrato de trabalho intermitente: a importação do modelo britânico e seu potencial
precarizante, de autoria de Patrícia Maeda, para aprimorar o entendimento sobre o contrato intermitente no
contexto da reforma trabalhista.
Referências
DELGADO, M. G. Curso de Direito do Trabalho. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
 
MACHADO JÚNIOR, C. P. S. Direito do Trabalho. São Paulo: LTR, 1999.
 
MARTINS, S. P. Direito do Trabalho. 38 ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
	Contrato de trabalho
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Direito Constitucional e Direito do Trabalho
	Ligando os pontos
	O Direito do Trabalho e o Direito Constitucional
	Constitucionalização do Direito do Trabalho
	Conteúdo interativo
	Princípios do Direito do Direito do Trabalho
	Características
	Primeiro desmembramento
	Segundo desmembramento
	Terceiro desmembramento
	Vem que eu te explico!
	Princípio da proteção
	Conteúdo interativo
	Inalterabilidade lesiva do contrato de trabalho
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Fundamentos jurídico-legais do contrato de trabalho
	Ligando os pontos
	Fundamentos jurídico-legais dos contratos de trabalho
	Apontamentos teóricos e legais do contrato de trabalho
	Caracterização dos contratos de trabalho
	Contrato de trabalho
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	Proteção jurídica dos empregados nos contratos de trabalho
	Peculiaridades
	Elementos essenciais
	Elementos naturais
	Elementos acidentais
	Vem que eu te explico!
	Fase pré-contratual
	Conteúdo interativo
	Teoria da concepção tripartida do contrato de trabalho
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Espécies de contratos de trabalho
	Ligando os pontos
	Empregados
	Modalidades de empregados dispostos na CLT
	Contratos de trabalho
	Espécies de contrato de trabalho
	Novas modalidades dos contratos de trabalho
	Os novos contratos de trabalho
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Contratos determinados e indeterminados
	Conteúdo interativo
	Contratos temporários e eventuais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasque impossibilita a candidatura de mulheres negras e obesas à vaga de emprego anunciada. Trata-se de
anúncio que atenta contra o princípio da dignidade da pessoa humana, haja vista que é segregacionista,
racista, eugenista, ou seja, pretende a empresa em tela selecionar um perfil específico de candidatas,
impedindo que outras mulheres, com as mesmas habilidades técnicas, possam concorrer à vaga, em
evidente ofensa ao princípio da isonomia contratual.
O Direito do Trabalho e o Direito Constitucional
Constitucionalização do Direito do Trabalho
Neste vídeo, o professor discorre sobre o fenômeno da constitucionalização do Direito do Trabalho.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A finalidade principal do Direito do Trabalho é sistematizar normas jurídicas que objetivam a proteção da
dignidade humana dos trabalhadores, haja vista que o trabalho tanto poderá humanizar quanto desumanizar o
homem, a depender das condições em que é realizado. Nesse contexto propositivo pode-se afirmar que a
finalidade precípua do Direito do Trabalho é: 
Respeitar a pessoa humana que trabalha, para que ela não seja considerada como custo de produção,
para que não seja absorvida pelo sistema produtivo.
(MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 27-28)
O Direito do Trabalho é considerado juridicamente um ramo do direito privado, haja vista que sua principal
finalidade é regulamentar contratos de trabalho e emprego pactuado entre particulares, quais sejam o 
empregador e o empregado.
Sob o ponto de vista fático sabe-se que existe uma desigualdade estrutural entre as partes que integram o
contrato de trabalho, ou seja, considerando-se que o empregado é quem vende sua mão de obra, pode-se
afirmar que ele se encontra em posição de desigualdade perante o empregador, o detentor do capital e dos
meios de produção.
Não obstante o direito de o trabalho ser ramo do direito privado, encontramos nele normas
preponderantemente de ordem pública que se caracterizam pela intervenção estatal na autonomia das
partes contratantes, em prol do economicamente frágil.
(MACHADO JUNIOR, 1999, p. 36)
A liberdade de contratar no âmbito do Direito do Trabalho não é absoluta, haja vista que em todo contrato de
trabalho devem ser observados os direitos fundamentais sociais dos empregados. O dirigismo contratual
objetiva legitimar o Estado a intervir nas relações contratuais quando verificada a ofensa de normas jurídicas
cogentes.
A constitucionalização do Direito do Trabalho é um fenômeno jurídico que tem como finalidade precípua
garantir a proteção da dignidade humana do trabalhador ao longo do contrato de trabalho e do exercício das
suas atividades laborativas. O direito fundamental à igualdade deve ser observado nas relações de emprego,
especialmente pelo fato de o empregado ser a parte hipossuficiente da relação de emprego. O direito
Empregador 
O empregador é o detentor dos meios de
produção e, por isso, assume o risco de sua
atividade.
Empregado 
O empregado é a pessoa física que
vende sua mão de obra em troca de
remuneração.
fundamental à liberdade de contratar é limitado, especialmente em razão do princípio da dignidade da pessoa
humana, sendo expressamente vedado, por exemplo, o trabalho escravo ou qualquer modalidade de atividade
laborativa que coisifica ou despersonifica a pessoa do empregado.
É inadmissível, sob o ponto de vista da Constituição brasileira de 1998, a discriminação do
empregado, tanto na contratação quanto ao longo do contrato de trabalho.
As premissas acima expostas possuem relação direta com a proteção dos direitos humanos, ou seja, “o Direito
do Trabalho corresponde à dimensão social mais significativa dos direitos humanos” (DELGADO, 2022, p. 76).
As normas constitucionais e infraconstitucionais existentes objetivam humanizar mais as relações laborativas,
de modo a prevenir e reprimir qualquer tipo de conduta que seja contrária aos direitos fundamentais dos
empregados.
“Dentre às fontes do Direito do Trabalho, ressalta-se a Constituição brasileira de 1988, normas
infraconstitucionais, como é o caso da CLT e normas de direito internacional” (PINTO MARTINS, 2022, p. 71).
Princípios do Direito do Direito do Trabalho
Características
O estudo dos princípios que regem os contratos de trabalho é de significativa importância para o
entendimento das questões que permeiam a temática aqui exposta. Princípios são normas jurídicas que
trazem em seu bojo um conteúdo amplo e generalista, utilizado como parâmetro para a interpretação
sistemático-integrativa do ordenamento jurídico brasileiro vigente.
O primeiro princípio a ser abordado é o da proteção, que guarda direta relação com o direito fundamental à
igualdade.
É imperioso amparar-se com a proteção jurídica a debilidade econômica do empregado, na relação
individual de emprego, a fim de restabelecer, em termos reais, a igualdade jurídica entre ele e o
empregador.
(MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 65)
Partindo-se do pressuposto de que o empregado se encontra faticamente em condição de desigualdade
perante o empregador, as normas jurídico-legais são utilizadas como parâmetro para corrigir essa
desigualdade estrutural. A proteção é considerada um princípio angular do Direito do Trabalho, haja vista que
no âmbito de sua abrangência busca-se conferir proteção especial aos direitos dos trabalhadores a fim de
corrigir “uma diferença prática de poder e de influência econômica e social apreendida entre os sujeitos da
relação empregatícia” (DELGADO, 2022, 184). Nesse contexto propositivo, pode-se afirmar, de acordo com
Martins (2022, p. 97), pode-se afirmar que “o princípio da proteção pode ser desmembrado em três":
Primeiro desmembramento
O in dubio pro operario.
Segundo desmembramento
O da aplicação da norma mais favorável ao
trabalhador.
Terceiro desmembramento
O da aplicação da condição mais benéfica ao
trabalhador.
A dimensão processual do princípio do in dubio pro operario (também denominado de in dubio pro misero)
guarda relação direta com o princípio da isonomia processual. Nesse sentido, “as mesmas razões de
desigualdade compensatória que deram origem à aplicação deste princípio, justifica que se estenda à análise
dos fatos já que, em geral, o trabalhador tem muito maior dificuldade do que o empregador para provar certos
fatos, trazer certos dados ou obter certas informações ou documentos” (DELGADO, 2022, p. 197).
Os princípios da imperatividade das normas trabalhistas; da indisponibilidade dos direitos trabalhistas e da 
irrenunciabilidade de direitos são de significativa importância para a compreensão jurídica dos contratos de
trabalho. Segundo Machado Júnior (199, p. 69), a renúncia, no Direito do Trabalho, sempre deve ser vista
como ato de exceção e, portanto, de interpretação restritiva, que não pode ser presumida, devendo ser
manifestada de forma mais clara possível para não gerar qualquer dúvida quanto à sua existência e ao seu
alcance.
A força cogente das normas jurídicas trabalhistas as torna imperativas, ou seja, “as regras justrabalhistas são,
desse modo, essencialmente imperativas, não podendo, de maneira geral, ter sua regência contratual
afastada pela simples manifestação de vontade das partes” (DELGADO, 2022, p. 186). A negociação de
direitos trabalhistas, se tiver o condão de suprimir direitos fundamentais sociais, robustecendo a desigualdade
estrutural suportada pelo empregado, não terá validade jurídica. Assim, deve-se ressaltar:
A inviabilidade técnico-jurídica de poder o empregado despojar-se, por simples manifestação de
vontade, das vantagens e proteções que lhe asseguram a ordem jurídica e o contrato.
(DELGADO, 2022, p. 186)
Novamente é importante ressaltar que a liberdade das partes que integram o contrato de trabalho não é
absoluta o suficiente para permitir que o empregado renuncie a direitos trabalhistas como condição para obter
um emprego e poder exercer suas atividades laborativas com regularidade. Ampliar demasiadamente a
liberdade de contratar pode ser vista como uma forma de precarização de mão de obrado trabalhador e
fortalecimento dos poderes diretivos do empregador, na contramão do princípio da dignidade da pessoa
humana e do direito fundamental de igualdade jurídica no âmbito das relações contratuais.
O princípio da continuidade da relação de emprego é corolário do princípio da proteção. “O contrato de
emprego tem como uma de suas características a continuidade, ou seja, a prestação de trabalho não se
esgota em um ato único, mas é contínua e reiterada sucessivamente” (MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 73). Dessa
forma, resta evidente que todo o ordenamento jurídico foi pensado no sentido de assegurar ao empregado
proteção integral no que atine à sua dignidade humana e aos direitos fundamentais expressamente previstos
no plano constitucional. Presume-se que o contrato de trabalho terá validade por tempo indeterminado, ou
seja, haverá a continuidade da relação de emprego (MARTINS, 2022, p. 99), salvo nos casos específicos de
contratos de trabalho por tempo determinado.
A presunção iuris tantum de continuidade do contrato de trabalho, além de assegurar ampla e integralmente
estabilidade ao empregado na sua relação contratual, constitui um meio de resguardar condições dignas de o
trabalhador exercer com regularidade suas atividades laborativas.
É de interesse do Direito do Trabalho a permanência do vínculo empregatício, com a integração do
trabalhador na estrutura e dinâmica empresariais.
(DELGADO, 2022, p. 193)
A prevalência da condição mais benéfica para o empregado também é um princípio considerado de
significativa importância para a regulamentação do contrato de trabalho. O princípio da condição mais
benéfica “importa na garantia de preservação, ao longo do contrato, da cláusula contratual mais vantajosa
para o trabalhador, que se reveste de caráter de direito adquirido” (DELGADO, 2022, p. 187).
Toda cláusula contratual deverá ser interpretada de forma sistemática e condizente com a proteção integral
dos direitos trabalhistas da parte hipossuficiente, ou seja, do trabalhador. Havendo mais de uma forma de
interpretar e compreender as cláusulas que regem o contrato de trabalho, deve-se optar e adotar a forma que
assegure e garanta maior proteção jurídico-constitucional à dignidade humana da pessoa do trabalhador.
A igualdade é um direito fundamental considerado de grande envergadura no Estado Democrático de Direito.
O legislador constituinte e infraconstitucional instituiu a isonomia como um dos princípios regentes do
contrato de trabalho, ou seja:
O princípio da isonomia ou da igualdade de tratamento é um dos principais
critérios de aplicação das leis trabalhistas e de sua interpretação e que nos
possibilita encontrar soluções justas e de equilíbrio nas relações entre o
capital e o trabalho.
(MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 83)
A igualdade jurídica de tratamento no âmbito do contrato de trabalho objetiva prevenir tratamento
discriminatório entre empregador e empregado e, assim, assegurar a proteção jurídica da dignidade humana
da parte hipossuficiente.
A inalterabilidade lesiva do contrato de trabalho é outro importante princípio que deve ser compreendido na
temática aqui apresentada. Qualquer modificação das cláusulas contratuais que sejam lesivas ao empregado é
considerada nula de pleno direito, haja vista que isso constitui ofensa a norma jurídica de natureza cogente.
Nesse sentido, é possível afirmar que:
“(...) o conteúdo do contrato empregatício não poderia ser modificado, mesmo que ocorresse efetiva
mudança no plano do sujeito empresarial” (DELGADO, 2022, p. 190).
Outro princípio que dialoga diretamente com o que foi exposto é a intangibilidade salarial, ou seja, esse
princípio é claro ao estabelecer que a “parcela justrabalhista merece garantias diversificadas da ordem
jurídica, de modo a assegurar seu valor, montante e sua disponibilidade em benefício do empregado”
(DELGADO, 2022, p. 191). A impenhorabilidade do salário e sua natureza alimentar são desdobramentos
jurídico-legais da interpretação extensiva do princípio da proteção e da intangibilidade salarial, fato esse que
assegura igualdade jurídica e proteção da dignidade humana do empregado no âmbito do contrato de
trabalho. 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Princípio da proteção
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Inalterabilidade lesiva do contrato de trabalho
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A constitucionalização do Direito do Trabalho é um fenômeno jurídico que veio com o objetivo de assegurar
aos empregados maior proteção no que atine aos direitos trabalhistas. A respeito da temática aqui
apresentada, assinale a alternativa correta:
A
O princípio da dignidade humana tem o condão de assegurar maior proteção às questões patrimoniais dos
empregados que envolvem as relações de emprego.
B
O princípio da isonomia não tem previsão expressa no texto constitucional e, por isso, não é possível sua
aplicabilidade no âmbito das relações de emprego.
C
O princípio da dignidade da pessoa humana é consequência dos princípios da isonomia e da proteção.
D
O ambiente do trabalho não é diretamente protegido pelo princípio da dignidade da pessoa humana.
E
Os princípios da isonomia e dignidade humana devem ser interpretados restritivamente quando se busca sua
aplicabilidade no âmbito das relações de emprego.
A alternativa C está correta.
A constitucionalização do Direito do Trabalho teve como objetivo principal despatrimonializar esse ramo do
Direito para garantir maior proteção à pessoa do empregado. Nesse sentido, a interpretação dos princípios
da dignidade humana, isonomia e proteção deve ser sistemática, integrativa e ampla, de modo a assegurar
a integral preservação dos direitos trabalhistas dos trabalhadores no âmbito das relações de emprego.
Questão 2
Os princípios são normas que trazem em seu bojo um conteúdo amplo e destinado a garantir a interpretação
sistemático-integrativa do ordenamento jurídico brasileiro. A respeito do tema aqui apresentado, quando
aplicados no âmbito dos contratos de trabalho, assinale a alternativa correta:
A
O princípio da isonomia objetiva corrigir a desigualdade estrutural existente nas relações de emprego, pois o
empregador é o detentor dos meios de produção.
B
Excepcionalmente, é admissível a alteração lesiva do contrato de trabalho, desde que seja por motivo
justificado para que o empregador consiga manter o vínculo de emprego de todos os empregados da
organização.
C
O princípio da proteção nem sempre assegurará a aplicabilidade da norma jurídica mais benéfica ao
empregado.
D
Os princípios que regem os contratos de trabalho encontram-se previstos em normas jurídicas dispositivas.Os
princípios que regem os contratos de trabalho encontram-se previstos em normas jurídicas dispositivas.
E
O princípio da autonomia privada, no âmbito das relações de emprego, deve ser interpretado de forma
extensiva e sistemática, privilegiando a vontade de contratar do empregador.
A alternativa A está correta.
Os princípios são normas jurídicas que trazem em seu bojo um comando amplo, que objetiva a integração
do ordenamento jurídico brasileiro. O princípio da isonomia, quando interpretado e aplicado, objetiva
corrigir a desigualdade estrutural existente entre empregador e empregado. No ordenamento jurídico
brasileiro, não se admite a alteração lesiva do contrato de trabalho. 
No que diz respeito à aplicabilidade das normas que regem o contrato de trabalho, a legislação vigente
estabelece a obrigatoriedade de aplicação da norma que seja considerada mais benéfica ao empregado,
pois todos os princípios se encontram previstos em normas jurídicas cogentes. No que diz respeito à
liberdade de contratar, ressalta-se o dirigismo contratual, que nada mais é do que a liberdade regrada no
ato de confeccionar o contrato de trabalho.
2. Fundamentos jurídico-legais do contrato de trabalho
Ligando os pontosVocê sabe quais são os requisitos de um contrato de trabalho para dar-se início a uma relação de trabalho ou
de emprego? Vamos analisar um caso hipotético para trazer maior concretude a estes requisitos.
 
As tratativas para a realização do contrato de trabalho devem ser claras, objetivas e respeitar os direitos
fundamentais sociais do empregado. Os testes admissionais serão realizados no sentido de auferir as
habilidades e competências exigidas na vaga de emprego anunciada, mas jamais poderão ser definidos de
modo a gerar discriminação, exclusão, marginalidade do candidato à vaga de emprego e exploração ilegal da
mão de obra.
 
O empregador não poderá se utilizar dos testes admissionais como mecanismo para a exploração prévia da
mão de obra do empregado, exigindo que mesmo ao longo do processo seletivo o trabalhador já inicie a
prestação de serviço, acreditando, pois, que esse seria mais um dos requisitos existentes ao longo da seleção
dos candidatos.
 
Nesse sentido, torna-se relevante destacar a importância da aplicação dos princípios da igualdade e não
discriminação tanto na fase pré-contratual quanto ao longo da execução do contrato de trabalho. A partir das
proposições aqui apresentadas, responda à questão dissertativa e às duas questões objetivas a seguir:
 
Maria candidatou-se a uma vaga de secretária na empresa Vale dos Sonhos, cujo ramo de atividade é a
comercialização de roupas. Ao longo do processo seletivo, a referida empresa determinou que a candidata
iniciasse as atividades laborativas como forma de analisar se ela preenchia os requisitos exigidos na
contratação.
 
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
Questão 1
O contrato de trabalho pode ser visto e compreendido tanto em lato quanto em stricto sensu. Com relação à
temática apresentada aqui, indique a alternativa correta:
A
O contrato de trabalho que regulamenta a relação de emprego, institui entre empregado e empregador
obrigações que devem ser reciprocamente cumpridas, e é caracterizado pela pessoalidade, não
eventualidade, onerosidade e subordinação.
B
O empregado pode ser pessoa física ou jurídica que, no âmbito de um contrato de trabalho que regulamenta
uma relação de emprego, exerça atividade remunerada, não eventual e seja subordinado ao empregador.
C
A atividade do trabalhador avulso e eventual é exercida de forma subordinada e, por isso, materializa-se numa
relação de emprego formalizada por meio de um contrato de trabalho.
D
O prestador de serviços eventual poderá constituir excepcionalmente uma relação de emprego, nos termos
previstos na CLT.
E
O contrato de empreitada é uma das modalidades jurídicas de relação de emprego existente no ordenamento
jurídico brasileiro.
A alternativa A está correta.
O contrato de trabalho que institui uma relação de emprego tem como requisitos legais obrigatórios a
onerosidade, pessoalidade, não eventualidade e subordinação. Nesse sentido, nos termos dispostos na
legislação brasileira vigente, somente pessoas físicas poderão ser consideradas empregados, já que
pessoas jurídicas poderão assumir apenas a condição de empregadores. Mesmo havendo subordinação
nas atividades dos trabalhadores avulsos e eventuais, não se torna juridicamente possível a constituição de
uma relação de emprego. Tanto o contrato de empreitada como o de prestação de serviços eventuais são
modalidades de contratos de trabalho que não materializam relações de emprego.
Questão 2
O contrato de emprego institui entre empregador e empregado obrigações assumidas reciprocamente, haja
vista que é regido pelo direito privado e pelo princípio da bilateralidade. Com relação ao tema aqui
apresentado, assinale a alternativa correta:
A
O empregado deve proceder com boa-fé, diligência, assiduidade e tem plena autonomia para gerir e conduzir
suas atividades laborativas nos termos previstos no princípio da proteção.
B
O empregador é detentor dos meios de produção, assume o risco da atividade econômica e, por isso, poderá
impor unilateralmente as cláusulas do contrato de trabalho, mesmo que eventualmente violem os direitos
fundamentais sociais.
C
É facultado ao empregador oferecer equipamento de proteção individual ao empregado, haja vista que no
momento da contratação este já tinha conhecimento dos riscos das atividades laborativas que seriam por ele
executadas.
D
A insubordinação não gera consequências jurídicas ao empregado, haja vista que ele tem autonomia na
execução de suas atividades laborativas e goza dos benefícios do princípio da proteção.
E
O empregado deverá ser pontual, assíduo, diligente, agir com boa-fé e aderir às condições propostas para a
execução do contrato de trabalho, como forma de garantir o cumprimento integral de todas as obrigações
assumidas pelas partes.
A alternativa E está correta.
As obrigações assumidas reciprocamente entre empregado e empregador objetivam assegurar a igualdade
no âmbito da relação contratual, além de preservar a dignidade humana do empregado. O empregado deve
agir com boa-fé, diligência, assiduidade, ter espírito colaborador para, assim, assegurar o cumprimento do
contrato de trabalho tal como foi instituído entre as partes. 
O empregador, considerado o detentor dos meios de produção e quem assume o risco da atividade
econômica, deverá proporcionar aos seus empregados um ambiente de trabalho saudável, digno e não
adoecedor. Em razão disso, o empregador tem o dever de oferecer equipamento de proteção individual,
além de proporcionar segurança no ambiente de trabalho.
Questão 3
Discorra, justificando juridicamente, se é possível afirmarmos que já foi iniciada a execução do contrato de
trabalho de Maria e, caso seja positiva sua resposta, analise as consequências jurídica decorrentes desse
contexto.
Chave de resposta
No caso concreto apresentado, é juridicamente possível afirmar que a execução do contrato de emprego
de Maria foi iniciada, pois as atividades laborativas integram os requisitos da seleção de contratação da
empregada. No momento em que a candidata passa a exercer as atividades de secretária, pode-se
reconhecer que o contrato de trabalho foi iniciado.
Testes admissionais objetivam auferir habilidades e competências do candidato e, nesse sentido, exigir
que o candidato exerça atividades laborativas sob a justificativa de que esse é um dos requisitos do
processo seletivo, é uma forma de mascarar a execução do contrato de trabalho e, desse modo, explorar a
mão de obra da trabalhadora, em absoluta ofensa aos direitos trabalhistas e aos princípios que regem os
contratos de trabalho.
Fundamentos jurídico-legais dos contratos de trabalho
Apontamentos teóricos e legais do contrato de trabalho
Inicialmente, é importante esclarecer quais são os apontamentos teóricos e jurídico-legais considerados
necessários para diferenciar relações de emprego de relações de trabalho no contexto da proteção
constitucional oferecida ao trabalhador, que é considerado a parte hipossuficiente no âmbito das relações de
emprego.
“A relação empregatícia, enquanto fenômeno sociojurídico, resulta da síntese de um diversificado conjunto de
fatores (ou elementos) reunidos em dado contexto social ou interpessoal” (DELGADO, 2022, p. 269). Nesse
sentido, afirma-se que: 
O fenômeno sociojurídico da relação de emprego deriva da conjugação de certos elementos inarredáveis
(elementos fático-jurídicos), sem os quais não se configura a mencionada relação.
(DELGADO, 2022, p. 269)
Entender teoricamente o que é trabalhador torna-se essencial para a compreensão sobre as relações de
trabalho. Trabalhador, no sentido amplo da expressão, é a pessoa física que exerce atividades laborativas na
qualidade de autônomo, subordinado, avulso ou eventual. “O Direito do Trabalho surgiu da necessidade de
proteção de um tipo específico de trabalhador: o trabalhador subordinado” (MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 115). 
Considera-se autônomo o trabalhador que dispende sua energia pessoal para o exercício de
atividades laborativas e sob sua própriadireção. 
O trabalhador subordinado “é aquele que, mediante contrato, entrega a um terceiro, o empregador, o poder de
direção dos serviços, submetendo-se ao seu poder organizacional, diretivo e disciplinar” (MACHADO JÚNIOR,
1999, p. 116). Nesse contexto propositivo, torna-se importante esclarecer que “a atividade de trabalhador
avulso e do eventual também é executada de forma subordinada, mas esses trabalhadores não preenchem
todos os requisitos da definição legal de empregado” (MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 116).
O conceito stricto sensu de empregado encontra-se previsto no artigo 3º da CLT, que é categórico ao afirmar
que se considera empregado toda pessoa física que prestar serviço de natureza não eventual a empregador,
sob a dependência deste e mediante salário. “O empregado somente poderá ser pessoa física, uma vez que
todos os institutos do Direito do Trabalho visam à proteção do ser humano, garantindo-lhe um conjunto de
proteção que somente tem sentido se considerarmos o empregado como tal” (MACHADO JÚNIOR, 1999, 116).
De acordo com Delgado (2022, p. 269), os elementos fático-jurídicos componentes da relação de emprego
são cinco:
 
Prestação de trabalho por pessoa física a um tomador qualquer.
Prestação efetuada com pessoalidade pelo trabalhador.
Também efetuada com não eventualidade.
Efetuada ainda sob subordinação ao tomador dos serviços.
Prestação de trabalho efetuada com onerosidade.
A partir das proposições aqui expostas, fica claro que relações de trabalho podem ser consideradas um
gênero cuja espécie são as relações de emprego. Toda relação jurídica que tem como objetivo central a
prestação de serviços e o exercício de atividades laborativas pode ser considerada, no sentido amplo da
palavra, como relação de trabalho. De forma mais específica, as relações de emprego possuem continuidade, 
não eventualidade, pessoalidade, subordinação e onerosidade. Os requisitos das relações de emprego, além
de muito específicos, são regulados por normas jurídicas cogentes que regem os contratos de trabalho.
Caracterização dos contratos de trabalho
Contrato de trabalho
Neste vídeo, o professor explica os elementos caracterizadores do contrato de trabalho. 
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Nos contratos de trabalho que regulamentam as relações de emprego, temos tanto uma relação pessoal
quanto patrimonial, ou seja, trata-se de relação pessoal porque envolve pessoas específicas, quais sejam o
empregado e o empregador. Ao mesmo tempo, é uma relação jurídica de cunho patrimonial, haja vista que o
empregado trabalha e é remunerado monetariamente em razão do exercício de suas atividades laborativas,
desenvolvidas de forma subordinada e não eventual ao empregador. Assim, pode-se afirmar que “o contrato
de trabalho é bilateral, consensual, oneroso, comutativo e de trato sucessivo” (MARTINS, 2022, p. 129),
dispensando-se a exclusividade do empregado no que atine ao exercício das atividades laborativas.
O trabalhador poderá ter mais de um vínculo de emprego simultaneamente, desde que consiga
compatibilizá-los e cumprir todos os requisitos exigidos em lei. 
O empregado tem o dever de proceder com boa-fé, diligência, fidelidade, assiduidade, colaboração ao longo
da vigência do contrato de trabalho. Deverá prestar o serviço e exercer suas atividades laborativas nos
termos em que foi contratado, submetendo-se ao poder hierárquico, diretivo e disciplinar do empregador, com
diligência, pontualidade e espírito colaborador. A insubordinação do empregado constitui violação de cláusula
do contrato de trabalho, facultando-se ao empregador a possibilidade de punir disciplinarmente o empregado,
desde que observadas as peculiaridades do caso concreto a fim de evitar excessos no exercício do poder
diretivo do empregador.
Quando um trabalhador desrespeita normas, circulares, regulamentos e diretrizes gerais de uma empresa, o 
ato de indisciplina é configurado. Já a insubordinação tem como característica o descumprimento de ordens
pessoais dadas pelo chefe a determinado empregado ou grupo. 
Exemplo
Quando uma empresa determina que é proibido fumar no ambiente laboral e o trabalhador desrespeita a
norma, ou ainda quando o regulamento prevê que o profissional utilize o uniforme e o empregado, de
maneira repetitiva, comparece ao serviço com trajes diversos, ambos são considerados atos de
indisciplina. 
Agora acompanhe o seguinte caso: uma empregada, responsável pela limpeza de um estabelecimento que,
após solicitação do chefe, recusa-se a limpar as persianas das janelas da empresa comete um ato de
insubordinação.
Por outro lado, caso a ordem seja não relacionada ao contrato de trabalho do empregado, este poderá recusar
o cumprimento da ordem sem que caracterize insubordinação.
O empregador é o detentor dos meios de produção, assume o risco da atividade econômica, e deverá atuar
com boa-fé, além de observar rigorosamente as normas de segurança e de medicina do trabalho. A postura
por ele adotada não pode fomentar discriminação, marginalização ou indignidade dos seus subordinados. A
obrigatoriedade de fornecimento de EPI (equipamento de proteção individual), por exemplo, constitui
importante obrigação assumida pelo empregador na vigência do contrato de trabalho, além de reduzir os
riscos de as atividades laborativas serem exercidas contrariamente à saúde e à segurança do trabalhador. 
O contrato de trabalho pode ser definido como: 
Acordo de vontades, tácito ou expresso, pelo qual uma pessoa física coloca
seus serviços à disposição de outrem, a serem prestados com
pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação ao tomador.
(DELGADO, 2022, p. 461)
Trata-se de negócio jurídico que se realiza de forma expressa ou tácita, por meio do qual uma pessoa física se
obriga perante uma pessoa física, jurídica ou ente despersonalizado, assumindo a obrigação de exercer suas
atividades laborativas de forma não eventual, subordinada e onerosa.
O contrato de trabalho é o instrumento jurídico que formaliza a relação de emprego constituída entre
empregado e empregador. A expressão contrato de trabalho é ampla, haja vista que “o trabalho pode ser
executado de formas muito variadas, desde o trabalho voluntário e gratuito, passando pelo trabalho
autônomo, realizado por conta própria, e até o trabalho subordinado por conta alheia” (MACHADO JÚNIOR,
1999, p. 184).
Proteção jurídica dos empregados nos contratos de
trabalho
Peculiaridades
Os direitos fundamentais sociais devem ser observados tanto na fase pré-contratual quanto na execução do
contrato de trabalho que regulamente uma relação de emprego. Tal afirmação é importante no sentido de
demonstrar que o anúncio de vagas de emprego não pode ter o condão discriminatório e tampouco atentar
contra a dignidade humana dos candidatos. Tudo o que é oferecido para o candidato na fase de testes
admissionais deve ser cumprido pelo empregador, de modo a não gerar expectativas frustradas que violem os
direitos trabalhistas consagrados na legislação brasileira vigente.
O candidato a emprego que está realizando testes admissionais pode simular inúmeras atividades de
seu futuro profissional, mas elas devem ser realizadas de maneira que visem, exclusivamente, a verificar
aptidões do trabalhador, pois se além da verificação de sua aptidão ele começar a produzir, ao lado de
outros empregados, estaremos diante da própria execução do contrato.
(MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 188)
Concluída a fase pré-contratual, teremos o início da execução do contrato de trabalho, nos termos
previamente acordados.
Quando o empregador não propicia o início da prestação dos serviços, ou o
empregado não comparece ao trabalho, sem justo motivo, a parte lesada
poderá exigir o cumprimento do contrato e considerá-lo rescindido por
inadimplência da outra parte, pleiteando as verbas rescisórias devidas.
(MACHADO JÚNIOR, 1999, p. 189)
A teoria da concepção tripartida do contrato de trabalho é importante proposição que deve ser apresentada
para viabilizara compreensão sistemática do tema aqui exposto. Segundo essa teoria, três seriam os 
elementos configuradores do contrato de trabalho:
 
O contrato preliminar destina-se a estabelecer a data futura para a constituição da relação de
emprego, definindo-se quando o empregado se apresentará ao empregador para o início de suas
atividades laborativas.
 
A inserção formal e material do empregado na empresa, fato esse que ocorrerá com o início do
desenvolvimento e da execução de suas atividades laborativas.
 
A definição das condições de trabalho, ressaltando-se o dever de o empregador, quando necessário,
disponibilizar ao empregado os equipamentos de proteção individual.
O contrato de trabalho que regulamenta uma relação de emprego pode, assim, ser compreendido como um
pacto laboral, um contrato típico, nominado, com regras próprias, regido pelo princípio da bilateralidade, haja
vista que o empregado e o empregador assumem, reciprocamente, obrigações que deverão ser por eles
cumpridas. Em sentido amplo, o contrato de trabalho engloba, ainda, “o contrato de empreitada, o contrato de
prestação autônoma de serviços, de prestação eventual de serviços e outros contratos de prestação laboral
distinta de empregativamente pactuada” (DELGADO, 2022, p. 463).
É juridicamente admissível no Direito do Trabalho vigente a realização do que se denomina de contrato de
trabalho intuito personae. Trata-se de modalidade de contrato de trabalho cuja execução deverá ocorrer
especificamente pelo trabalhador contratado, haja vista sua habilidade acerca do que fora contratado. O
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contrato de trabalho que regulamenta a relação de emprego com o artista profissional e com o atleta de
futebol são alguns exemplos que ilustram a espécie desse contrato. “Enquanto o empregado é figura
subjetivamente infungível no contexto do contrato de trabalho – sob pena de descaracterizar-se esse contrato
-, autoriza a ordem justrabalhista, em princípio, a plena fungibilidade da figura do empregador, que pode,
assim, ser sucedido por outrem no contexto da mesma relação de emprego” (DELGADO, 2022, p. 465).
O contrato de trabalho, que regulamenta relações de emprego, é morfologicamente constituído por elementos
essenciais, naturais e acidentais. Vamos entender melhor esses elementos a seguir:
Elementos essenciais
Os elementos essenciais são aqueles considerados de fundamental importância para a formação do
contrato, ressaltando-se que sua ausência poderá levar à nulidade do contrato. A capacidade das
partes, a licitude do objeto, a manifestação livre e não viciada da vontade das partes e a observância
das demais formalidades legais são requisitos que garantem a validade jurídica do contrato firmado
entre as partes. 
Elementos naturais
Os elementos naturais são aqueles que, mesmo não sendo imprescindíveis no contexto da relação
contratual, quase sempre estão presentes nos contratos de trabalho. A cláusula que institui a jornada
de trabalho é um exemplo que ilustra com clareza e objetividade os elementos naturais do contrato
de trabalho que regulamentam formalmente a relação de emprego. 
Elementos acidentais
Elementos acidentais são aqueles que se encontram esporadicamente presentes no contrato de
trabalho, como é o caso da condição ou dos termos como fundamentos regentes da relação de
emprego.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Fase pré-contratual
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Teoria da concepção tripartida do contrato de trabalho
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O ordenamento jurídico brasileiro prevê os fundamentos legais considerados essenciais para a
regulamentação dos contratos de trabalho. A respeito do tema aqui apresentado, assinale a alternativa
correta:
A
Os contratos de trabalho poderão regulamentar apenas relações de emprego, já que as relações de trabalho
não preenchem os requisitos do artigo 3º da CLT, exigidos para a configuração das relações de emprego e,
por isso, não devem ser formalmente regulamentadas.
B
Excepcionalmente a subordinação será dispensável no âmbito das relações de emprego, desde que estejam
presentes os demais requisitos legais, quais sejam pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
C
A bilateralidade e o dirigismo contratual são alguns dos requisitos legais para garantir a validade jurídica dos
contratos de trabalho que regulamentam as relações de emprego.
D
Encontram-se previstos em normas jurídicas dispositivas os requisitos legais das relações de emprego, quais
sejam pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade.
E
O trabalhador avulso e o eventual deverão ser subordinados ao empregador, haja vista a pessoalidade e a
onerosidade, que são características essenciais para a validade do contrato de trabalho.
A alternativa C está correta.
Os contratos de trabalho encontram-se previamente regulamentados no âmbito da legislação brasileira
vigente. O Direito do Trabalho autoriza que relações de emprego e relações de trabalho sejam formalizadas
e regulamentadas por meio dos contratos de trabalho. A subordinação não é requisito dispensável no
reconhecimento da relação de emprego, haja vista que o artigo 3º da CLT é categórico ao prever a
subordinação como um dos requisitos legais obrigatórios à validade da relação de emprego. Os requisitos
legais de validade das relações de emprego encontram-se previstos em normas jurídicas cogentes. O
trabalhador avulso e o eventual não devem estar subordinados ao empregador, haja vista que não há,
nesses casos, a constituição de uma relação de emprego.
Questão 2
Os direitos fundamentais sociais deverão ser observados e aplicados tanto na fase pré-contratual quanto na
vigência e na execução do contrato de trabalho, já que se destinam a proteger a dignidade humana dos
trabalhadores. A respeito da temática aqui apresentada, assinale a alternativa correta:
A
O anúncio de vagas de emprego não pode ter o condão discriminatório e tampouco atentar contra a dignidade
humana dos candidatos, salvo se excepcionalmente for necessário especificar características físicas dos
candidatos que sejam pertinentes com a vaga ofertada.
B
O candidato a emprego que está realizando testes admissionais poderá excepcionalmente iniciar o exercício
das atividades profissionais sem que isso configure vínculo de emprego, haja vista que o propósito da seleção
é auferir suas habilidades e competências.
C
O contrato de trabalho que regula as relações de emprego pode ser entendido como um acordo laboral, sendo
um contrato típico, com regramento próprio, seguindo o princípio da bilateralidade, segundo o qual
trabalhador e empregador assumem obrigações mútuas e, por conseguinte, obrigações que deverão ser por
eles cumpridas.
D
Excepcionalmente, os direitos fundamentais sociais poderão ser relativizados na formalização e na execução
do contrato de trabalho, de modo a garantir ao empregado condições regulares de exercício de suas
atividades laborativas que sejam compatíveis aos interesses do empregador.
E
A capacidade das partes, a licitude do objeto, a manifestação livre e não viciada da vontade das partes e a
observância das demais formalidades legais são requisitos que garantem a eficácia jurídica do contrato
firmado entre as partes.
A alternativa C está correta.
Os direitos fundamentais sociais destinam-se a garantir a proteção jurídica da dignidade humana dos
trabalhadores. O anúncio de vagas de emprego não pode ter o condão segregacionista, haja vista que, se
isso ocorrer, teremos a ofensa do princípio constitucional da não discriminação. O princípio da
bilateralidade regula o contrato de trabalho, de modo a resguardar igualdade entre trabalhador e
empregador no âmbito das relações de emprego. É juridicamente inadmissível a relativização ou a
flexibilização dos direitos fundamentais sociais, haja vista que isso constitui alteração lesiva do contratode
trabalho. A capacidade das partes, a licitude do objeto, a manifestação livre e não viciada da vontade das
partes e a observância das demais formalidades legais são requisitos que garantem a validade jurídica do
contrato firmado entre as partes.
3. Espécies de contratos de trabalho
Ligando os pontos
Você sabe diferenciar as peculiaridades de cada contrato de trabalho para diferentes relações de emprego?
Vamos analisar um caso prático para entender esses reflexos na prática jurídica.
 
O contrato de trabalho que institui uma relação de emprego tem, dentre seus requisitos legais, subordinação,
onerosidade, pessoalidade e não eventualidade. Especificamente na relação jurídica do empregado
doméstico, o exercício das atividades laborativas deve ser realizado na residência do empregador, com a
finalidade apenas de realizar os afazeres domésticos. A partir das proposições aqui trazidas, torna-se
relevante destacar a necessidade de compreender as peculiaridades que permeiam cada relação de emprego,
de modo a diferenciá-las no contexto dos princípios regentes dos contratos de trabalho. Face o exposto,
responda à questão dissertativa e às duas questões objetivas a seguir:
 
João da Silva trabalha na Fazenda das Flores, localizada na zona rural do município de Cririri. Dentre as
atividades desenvolvidas por João da Silva, ressaltamos a colheita, torrada e moagem do café, bem como a
industrialização do produto para fins de comercialização, tanto no atacado quanto no varejo.
 
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
Questão 1
A classificação das modalidades de contrato de trabalho é de significativa importância para o entendimento
sistematizado do tema. A partir da proposição aqui exposta, assinale a alternativa correta:
A
Se após o transcurso do prazo determinado de até 2 (dois) anos e meio o empregado continuar a exercer suas
atividades laborativas de forma regular e não eventual, o contrato de trabalho que inicialmente era por prazo
determinado será prorrogado por prazo indeterminado, assegurando-se ao empregado todos os direitos
trabalhistas previstos na legislação brasileira vigente.
B
O contrato de trabalho temporário, por ser considerado juridicamente uma espécie de contrato a termo, não
desencadeará a constituição de vínculo de emprego, haja vista que se equipara a uma mera prestação de
serviços, sem observar os requisitos legais das relações de emprego.
C
No contrato de trabalho remoto (home office) é jurídica e faticamente inviável o controle da jornada de
trabalho, além de não constituir vínculo de emprego em razão da ausência de subordinação e da
impossibilidade de o empregador exercer seu poder diretivo-disciplinar.
D
O contrato intermitente não gera vínculo de emprego, tem natureza de contrato de prestação de serviços, não
submete o empregado à subordinação do empregador, além de facultar que o empregado exerça suas
atividades laborativas apenas quando efetivamente estiver interessado e disposto.
E
No contrato de trabalho terceirizado, o empregado está diretamente subordinado à empresa tomadora, com
quem tem vínculo de emprego formal regido pela CLT, incumbindo à empresa prestadora dos serviços apenas
a gestão da forma como esses empregados exercerão suas atividades laborativas.
A alternativa A está correta.
Se o contrato por prazo determinado for encerrado e, mesmo assim, o empregado continuar a exercer suas
atividades laborativas, com regularidade, teremos a prorrogação do referido contrato por prazo
indeterminado, assegurando-se ao trabalhador todos os direitos previstos na legislação brasileira vigente. 
O contrato de trabalho temporário gera vínculo de emprego e assegura ao trabalhador todos os direitos
decorrentes da relação empregatícia. Há constituição de vínculo de emprego no contrato de trabalho
remoto (home office), ressaltando-se que normalmente o controle de jornada não ocorre, embora seja
possível. 
O contrato intermitente gera vínculo de emprego, além de garantir aos empregados todos os direito e
reflexos trabalhistas previstos em lei. No contrato de trabalho terceirizado, o empregado fica subordinado
ao tomador, embora o vínculo formal de emprego seja constituído com a empresa prestadora de serviços.
Questão 2
O entendimento das modalidades de empregados apresentadas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) é
de grande importância para a compreensão das peculiaridades jurídicas existentes em cada espécie de
contrato de trabalho. A respeito do tema aqui apresentado, assinale a alternativa correta:
A
Considera-se empregado doméstico aquele que exerce suas atividades laborativas remuneradas, com
pessoalidade, não eventualidade e subordinação, sendo executado na residência do seu empregador, que
produz gêneros alimentares para comercializar em seu restaurante, local em que aufere lucro mediante o
exercício da atividade empresarial.
B
O empregado rural é aquele que exerce suas atividades laborativas em favor de empregador, pessoa que
explora atividade agroeconômica, que não industrializa o produto e nem altera a condição e a natureza da
matéria-prima, podendo tal atividade ser realizada em perímetro urbano ou rural do município.
C
O empregado que exerce o trabalho em domicílio encontra-se sob a fiscalidade direta do empregador, tem
rígido controle de jornada de trabalho, além de ser obrigatório o monitoramento remoto de todas as atividades
laborativas exercidas cotidianamente pelo trabalhador.
D
Excepcionalmente, a equipe de empregados poderá exercer separadamente suas atividades laborativas sem
que isso comprometa sua natureza jurídica no âmbito do Direito do Trabalho brasileiro vigente.
E
No caso de empregados em confiança, não se verifica a limitação de direitos, como é o caso das horas extras
e da estabilidade do emprego, tendo em vista que eles exercem cargos de gestão e tem padrão de
vencimentos maior, em termos comparativos com os demais empregados.
A alternativa B está correta.
Considera-se doméstico o empregado que exerce suas atividades laborativas no domicílio do empregador,
não se admitindo juridicamente que o empregador desenvolva atividades empresariais em casa e exija que
seu empregado doméstico o auxilie nesse pleito. 
O empregado rural é aquele diretamente vinculado a empregador que exerce atividade agroeconômica, não
industrializada e sem modificar a natureza da matéria-prima. O empregado em domicílio não tem controle
direto de jornada, está subordinado ao empregador e poderá ser monitorado ao longo do exercício de suas
atividades laborativas. 
A equipe de empregados tem como foco central o desenvolvimento e a execução de suas atividades
laborativas de forma conjunta e simultânea. Os empregados em confiança suportam limitações de direitos
trabalhistas, especificamente no que atine às horas extras e à estabilidade do emprego.
Questão 3
Analise e explique juridicamente se João da Silva possui com a Fazenda das Flores um contrato de trabalho
que regulamenta relação de emprego de trabalhador rural. Justifique sua resposta.
Chave de resposta
João da Silva não possui com a Fazenda das Flores uma relação de emprego como empregado rural. Tal
afirmação se justifica porque uma das características da atividade de empregado rural é que a atividade
exercida pelo empregador não coincida com a industrialização de produtos e a alteração de matéria-prima.
No caso em análise, fica claro que temos a modificação da matéria-prima (café) quando alteramos sua
natureza para fins de comercialização.
Empregados
Modalidades de empregados dispostos na CLT
A categorização das espécies de contratos de trabalho, de modo geral, é de significativa importância para o
entendimento sistemático do tema aqui apresentado. Inicialmente, torna-se relevante apresentar as
modalidades de empregados elencadas na CLT, que se subdividem em:
 
Empregado em domicílio
Equipe de empregados
Empregados de confiança
Empregado rural
Empregado doméstico
• 
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No trabalho em domicílio, o “empregadodas Leis do Trabalho).
O contrato de trabalho parcial adota as mesmas diretrizes gerais do contrato por tempo indeterminado.
Porém, dentre suas peculiaridades, ressaltamos a carga horária semanal do empregado, que poderá ser de 30
(trinta) horas semanais, sem a possibilidade de implementação de horas extras ou, ainda, de 26 (vinte e seis)
horas semanais, com a possibilidade de acréscimo de até 6 (seis) horas semanais extraordinárias.
No contrato de trabalho terceirizado, o
empregado não possui vínculo empregatício
junto à empresa em que presta serviços, haja
vista que se encontra juridicamente vinculado a
outra empresa que oferece mão de obra de
trabalhadores.
Em razão disso, as obrigações legais quanto ao
exercício e à observância dos direitos
trabalhistas dos empregados terceirizados
caberá à organização prestadora dos serviços e
não à empresa tomadora.
No contrato de trabalho autônomo, não há a
constituição de vínculo empregatício, haja vista que não se verifica o preenchimento de todos os requisitos
exigidos na lei, ou seja, esse tipo de empregado não tem direito a FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço), férias, décimo terceiro salário e outros direitos trabalhistas decorrentes tipicamente da relação de
emprego. O autônomo presta serviços de forma eventual, não é subordinado a nenhum empregador, poderá
decidir se a prestação de serviços será feita de forma direta ou não por ele, sendo remunerado apenas pelo
serviço que comprovadamente prestou.
O contrato de trabalho para estagiário não desencadeia a constituição de vínculo empregatício, haja vista que
seu objetivo específico é conferir ao estagiário oportunidade de aprendizagem ao longo de sua formação
acadêmico-profissional. Em razão disso, o estagiário não terá direito às verbas rescisórias – décimo terceiro
salário, férias, aviso prévio e nem depósito de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) –, porém faz
jus ao seguro de acidentes mensais e a um auxílio financeiro mensal em razão da prestação de serviços.
O contrato de trabalho trainee é destinado especificamente para profissionais que concluíram o ensino
superior e estão com idade entre 21 e 30 anos. Trata-se de contrato cujo prazo de validade varia de 6 (seis)
meses a 4 (quatro) anos, facultando-se à empresa empregadora definir se o contrato será por prazo
determinado ou indeterminado, mas, nesse caso, temos a configuração do vínculo trabalhista, com todos os
reflexos e direitos trabalhistas que a legislação brasileira assegura ao trabalhador. 
O contrato de jovem aprendiz é destinado a estudantes regularmente matriculados no ensino médio,
facultando à empresa contratar pessoas entre 14 e 24 anos, que estejam cadastradas em um programa de
aprendizagem de alguma organização formadora (se o jovem aprendiz for pessoa com deficiência, não será
aplicado o limite de idade aqui exposto). O contrato de trabalho não deve durar mais de 2 (dois) anos e,
diferentemente do estagiário, o jovem aprendiz possui vínculo de emprego e goza de todos os direitos
previstos na legislação brasileira vigente.
A empreitada é outra modalidade de contrato de trabalho que não gera vínculo empregatício, ou seja:
Empreitada é o contrato mediante o qual uma ou mais pessoas comprometem-se a realizar ou mandar
realizar uma obra certa e especificada para outrem, sob a imediata direção do próprio prestador, em
contraponto a retribuição material predeterminada ou proporcional aos serviços concretizados.
(DELGADO, 2022, p. 549)
É importante desenvolver, ainda, um estudo científico sobre as distinções teóricas existentes entre contrato
de sociedade empresarial e contrato de trabalho com vínculo de emprego regulado pela CLT. “Contrato de
sociedade é o pacto mediante o qual duas ou mais pessoas mutuamente se obrigam a combinar seus esforços
ou recursos para lograr fins comuns” (DELGADO, 2022, p. 555).
O sócio de uma empresa não pode constituir com ela vínculo empregatício, haja vista que o contrato de
sociedade é um “tipo de pacto bilateral ou plurilateral que dá origem a direitos e obrigações recíprocas entre
os sócios, propiciando também o surgimento de um feixe de direitos e obrigações entre tais sócios e o ente
societário surgido em face do negócio jurídico celebrado” (DELGADO, 2022, p. 555). 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Contratos determinados e indeterminados
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Contratos temporários e eventuais
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A CLT trouxe a categorização dos empregados com o objetivo de estabelecer jurídico-legalmente as
peculiaridades de cada categoria profissional. A respeito do tema aqui apresentado, assinale a alternativa
correta:
A
A equipe de empregados atingirá o fim específico do contrato de trabalho independentemente de os
trabalhadores exercerem de forma conjunta suas atividades laborativas.
B
A restrição de direitos trabalhistas aos empregados de confiança ocorrerá em virtude de não ter que cumprir
rigorosamente a jornada de trabalho, tal como ocorre com os demais empregados.
C
O empregado rural é aquele que exerce atividade agroeconômica, em qualquer ramo, industrial ou não, não
podendo industrializar o produto nem alterar sua condição de matéria-prima, e as atividades laborativas
somente poderão ser exercidas no campo.
D
Empregado doméstico é aquele que exerce suas atividades laborativas na residência do empregador,
ressaltando-se que o empregador poderá contar com os préstimos do empregado doméstico para o exercício
das atividades empresariais em casa.
E
O empregado avulso possui vínculo formal de emprego, haja vista que na relação de emprego estão presentes
onerosidade, não eventualidade, subordinação e pessoalidade.
A alternativa B está correta.
A CLT categoriza (classifica) os empregados com o objetivo de assegurar a distinção dos requisitos que
caracterizam cada relação de emprego. A principal característica da equipe de empregados é exercer
conjuntamente suas atividades laborativas. O empregado de confiança é aquele que não bate ponto,
exerce com maior liberdade suas atividades laborativas e, por isso, não tem controle de jornada de trabalho
e não faz jus a horas extraordinárias. O empregado doméstico é aquele que trabalha na residência do seu
empregador exercendo apenas atividades de cunho doméstico. O empregado avulso não possui vínculo
formal de emprego. O que define a categoria de empregado rural não é o seu local de trabalho.
Questão 2
As novas modalidades de contrato de trabalho foram criadas para garantir a proteção de trabalhadores que
exercem atividades laborativas não previstas originariamente na CLT. A respeito do tema aqui apresentado,
assinale a alternativa correta:
A
No contrato de trabalho intermitente, a prestação de serviços ocorrerá em períodos alternados, ressaltando-
se que os intervalos existentes entre uma e outra prestação de serviço podem ser contados em meses,
semanas, dias ou horas, sobre os quais são contabilizados os pagamentos e as verbas indenizatórias.
B
No contrato de trabalho parcial, a carga horária semanal do empregado poderá ser de 20 (vinte) horas
semanais, com a possibilidade de implementação de horas extras ou, ainda, de 28 (vinte e oito) horas
semanais, sem a possibilidade de acréscimo de até 6 (seis) horas semanais extraordinárias.
C
Na terceirização, o empregado tem vínculo formal de emprego com a empresa tomadora, mas está
subordinado à empresa interveniente (prestadora de serviços).
D
No contrato de trabalho autônomo, o empregado possui vínculo formal de emprego, é subordinado ao
empregador, exerce com pessoalidade suas atividades e de forma não eventual.
E
QO contrato de trabalho para estagiário gera vínculo formal de emprego, haja vista que nele estão previstos
todos os requisitos legais do artigo 3º da CLT.
A alternativa A está correta.
As novas modalidades de contratode trabalho objetivam garantir a proteção de relações de emprego
originariamente não previstas na CLT. O contrato intermitente foi criado na última reforma trabalhista e
objetiva remunerar o trabalhador apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. 
No contrato de trabalho parcial, a carga horária semanal do empregado poderá ser de 30 (trinta) horas
semanais, sem a possibilidade de implementação de horas extras ou, ainda, de 26 (vinte e seis) horas
semanais, com a possibilidade de acréscimo de até 6 (seis) horas semanais extraordinárias. Na
terceirização, o empregado possui vínculo formal de emprego com a empresa interveniente, mas está
subordinado à empresa tomadora. 
No contrato de trabalho autônomo, não existe vínculo formal de emprego, haja vista que não estão
presentes os requisitos legais previstos no artigo 3º da CLT. O contrato de trabalho para estagiário não
gera vínculo formal de emprego, haja vista que nele não estão previstos todos os requisitos legais do artigo
3º da CLT.
4. Conclusão
Considerações finais
No presente conteúdo, para além de termos estudamos os reflexos da constitucionalização do Direito do
Trabalho na relação jurídica de trabalho e/ou emprego, vimos os requisitos e tipos contratuais dispostos na
CLT, bem como nos novos tipos de contrato de trabalho. 
Podcast
Neste podcast, o professor Marcos Dias explica como se caracteriza o contrato de trabalho, bem como
apresenta suas classificações.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Leia o texto intitulado Contrato de trabalho intermitente: a importação do modelo britânico e seu potencial
precarizante, de autoria de Patrícia Maeda, para aprimorar o entendimento sobre o contrato intermitente no
contexto da reforma trabalhista.
Referências
DELGADO, M. G. Curso de Direito do Trabalho. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
 
MACHADO JÚNIOR, C. P. S. Direito do Trabalho. São Paulo: LTR, 1999.
 
MARTINS, S. P. Direito do Trabalho. 38 ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
	Contrato de trabalho
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Direito Constitucional e Direito do Trabalho
	Ligando os pontos
	O Direito do Trabalho e o Direito Constitucional
	Constitucionalização do Direito do Trabalho
	Conteúdo interativo
	Princípios do Direito do Direito do Trabalho
	Características
	Primeiro desmembramento
	Segundo desmembramento
	Terceiro desmembramento
	Vem que eu te explico!
	Princípio da proteção
	Conteúdo interativo
	Inalterabilidade lesiva do contrato de trabalho
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Fundamentos jurídico-legais do contrato de trabalho
	Ligando os pontos
	Fundamentos jurídico-legais dos contratos de trabalho
	Apontamentos teóricos e legais do contrato de trabalho
	Caracterização dos contratos de trabalho
	Contrato de trabalho
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	Proteção jurídica dos empregados nos contratos de trabalho
	Peculiaridades
	Elementos essenciais
	Elementos naturais
	Elementos acidentais
	Vem que eu te explico!
	Fase pré-contratual
	Conteúdo interativo
	Teoria da concepção tripartida do contrato de trabalho
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Espécies de contratos de trabalho
	Ligando os pontos
	Empregados
	Modalidades de empregados dispostos na CLT
	Contratos de trabalho
	Espécies de contrato de trabalho
	Novas modalidades dos contratos de trabalho
	Os novos contratos de trabalho
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Contratos determinados e indeterminados
	Conteúdo interativo
	Contratos temporários e eventuais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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