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LIBRAS E LEITURA LABIAL 
 
 
 
 
2 
 
Sumário 
 
Introdução a Libras e Leitura Labial ........................................................................ 3 
Leitura Labial ............................................................................................................. 5 
Importante desta na Leitura Labial .......................................................................... 8 
SUGESTÕES DE ATIVIDADES ................................................................................................. 10 
Procure dar vida a ALFABETIZAÇÃO ..................................................................................... 11 
Escrita de Sinais – SIGN WRITING ........................................................................ 15 
Produção e compreensão de sinais ...................................................................................... 16 
Para sinalizar as horas do relógio é importante saber que: ................................................. 17 
Para sinalizar as horas com sentido de duração é importante saber que: .......................... 17 
Referencias Bibliográficas ..................................................................................... 18 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Introdução a Libras e Leitura Labial 
Uma tendência vem se estabelecendo no país: o uso do bilinguismo na educação 
de crianças surdas. As ações do Ministério da Educação e Cultura (MEC) têm esse foco, 
assim como as experiências de escolas em diferentes estados. O uso de duas línguas 
na educação de surdos, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e a língua portuguesa, 
é uma solução que supre as necessidades de quem pouco ou nada pode ouvir. Embora 
ainda não haja consenso sobre o assunto, a polêmica sobre a preferência de uma ou 
outra vem diminuindo. Se, antes, especialistas divergiam sobre a melhor modalidade 
educativa para surdos, a dúvida atual é sobre a capacidade das instituições de ensino 
para atuar eficientemente. Boas iniciativas pipocam no país, mas são o início de um 
processo. 
É importante que a LIBRAS seja oferecida precocemente aos surdos, afirma a 
coordenadora do Espaço Universitário de Estudos Surdos da Universidade Federal da 
Bahia (UFBA) e doutora pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), 
Nídia de Sá. A primeira língua, ou língua materna, é aquela que a criança adquire 
naturalmente. No entanto, é importante que o surdo tenha acesso a outras línguas. Para 
ela, o acesso precoce à LIBRAS possibilita à criança ter condições para desenvolver 
plenamente seu sistema cognitivo. Como crianças surdas assimilam conhecimento 
através das imagens (e não pela sonorização de palavras), sua língua materna deve ser 
visual. O que não significa que o uso da LIBRAS seja suficiente. Os sinais devem ser um 
meio para que aprendam a língua portuguesa, que dará a elas acesso a um mundo 
majoritariamente ouvinte. A utilização do português escrito e falado é essencial para a 
criança ampliar seu vocabulário, ter acesso a todos os níveis de ensino e, futuramente, 
ao mercado de trabalho. Como é possível concluir, o ideal é a criança receber 
acompanhamento fonoaudiólogo ainda na primeira infância, para que aprenda leitura 
labial e a articular a fala. 
O reconhecimento da LIBRAS como meio legal de comunicação aconteceu com 
a Lei 10.4362002, que obrigou os cursos de educação especial, fonoaudiologia e de 
magistério a incluir seu ensino como parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais. 
 
 
4 
Naquele ano, 52.422 alunos com surdez estavam matriculados no ensino básico (que 
inclui infantil, fundamental e médio), sendo que a presença deles no ensino médio era 
de apenas 376 alunos. Já nos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o número 
era de 2.134 alunos. Essa é uma característica do ensino brasileiro como um todo, afirma 
a coordenadora da Secretaria de Educação Especial do MEC, Marlene Gotti. O índice 
de evasão é crescente do ensino infantil para o médio e há um aumento significativo nos 
cursos de EJA, demonstrando a preocupação de jovens e adultos voltarem a estudar. 
Com os surdos também é assim. A diferença é que a presença deles no ensino médio, 
que era rara, vem aumentando significativamente. Ao comparar os números de 
matrículas no ensino médio em 2002 e 2006, veremos que a participação de surdos 
aumentou de 376 para 4.353 alunos - cerca de 1.057%. 
A presença dos intérpretes de LIBRAS e instrutores especializados nas escolas 
regulares têm possibilitado o aumento e a permanência dos surdos no sistema de ensino, 
afirma Nídia. A tendência é que o quadro continue melhorando, mas ainda há muito 
trabalho a ser feito, uma vez que cerca de 75% dos surdos em idade escolar estão fora 
do sistema de ensino regular. Essa porcentagem é uma estimativa baseada no 
cruzamento de dados do MEC e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 
que apontou a existência de 519 mil surdos com até 17 anos no Brasil, no Censo 2000. 
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que coordenou a primeira 
edição do Prolibras, projeto realizado em parceria com o MEC que inclui o Exame 
Nacional de Certificação de Proficiência em LIBRAS e o Exame Nacional de Certificação 
de Proficiência em Tradução e Interpretação da LIBRAS Língua Portuguesa, divulgou, 
em março, a aprovação de 1.349 profissionais. São pessoas qualificadas para traduzir e 
interpretar a linguagem de sinais dentro da sala de aula nos diferentes níveis de ensino. 
A UFSC também possui o primeiro curso superior de licenciatura em Letras LIBRAS, que 
funciona em parceria com outras oito universidades brasileiras e conta, atualmente, com 
500 alunos. 
Esses profissionais estão sendo preparados para lecionar pela abordagem 
bilíngue no ensino médio e superior, explica a coordenadora do curso, Ronice de 
Quadros. Temos carência de intérpretes qualificados. Muitas vezes, eles aprendem em 
espaços religiosos ou em cursos desqualificados. As universidades precisam assumir a 
função de formar esses profissionais. Não se pode mesmo comparar o aprendizado 
 
 
5 
especializado com o apenas bem intencionado. Na prática, a educação bilíngue é 
vivenciada de maneiras diferentes pelas escolas. Há aquelas chamadas especiais, que 
possuem professores especializados em ensinar em LIBRAS e que são exclusivas para 
alunos surdos. Há aquelas chamadas regulares, ou comuns, que mesclam surdos e 
ouvintes nas salas, ou que montam salas exclusivas para surdos, mas dentro do mesmo 
ambiente escolar. Nessas instituições de ensino, a presença de intérpretes, salas de 
recursos ou de monitores especializados auxiliam o estudante na rotina escolar. As 
diferentes experiências praticadas nos estados têm pontos em comum. 
Elas comprovam que o aprendizado da língua portuguesa é essencial para a 
inclusão do surdo e, especialmente, para que ele desenvolva uma boa capacidade de 
comunicação. Da mesma forma, a LIBRAS tem sido destacada como uma porta de 
acesso a diferentes universos - especialmente o da escrita e leitura. Assim, para as 
escolas que estão inseguras quanto à melhor maneira de educar seus alunos surdos, 
aprender com os erros e acertos de outros lugares é sempre uma boa alternativa. 
Leitura Labial 
Em termos médicos, a surdez é categorizada em níveis do ligeiro ao profundo. É 
classificada de deficiência auditiva, ou hipoacúsia. Os tipos de surdez quanto ao grau de 
perda auditiva desta maneira, a surdez não poderia se constituir num obstáculo para o 
surdo adquirir o conhecimento. Reily (2007) comenta que foram enviados ao mosteiro, 
apenas, os filhos das famílias que faziam parte da nobreza espanhola para receberem 
atendimento educacional e os surdos que não pertenciam à elite social da época viviam 
em verdadeira miséria, sofrendo a falta de trabalho e o isolamento social. O Oralismo 
vigorou na educação do aluno surdo por um longo período, até mesmo nos diasatuais 
encontramos escolas de educação de surdos que seguem essa perspectiva. Nesta 
filosofia são utilizados três elementos para o seu desenvolvimento, que são: o 
treinamento auditivo, a leitura labial e o desenvolvimento da fala, o uso da prótese 
individual que amplifica os sons, com o objetivo de aproveitar os resíduos auditivos . 
Com o Oralismo, constata-se o fracasso acadêmico sofrido pelos alunos surdos, por 
meio de resultados de pesquisas, de acordo com Sacks (1990, p.45), “o Oralismo e a 
supressão do sinal resultaram numa deterioração dramática das conquistas 
educacionais das crianças surdas e no grau de instrução do surdo em geral”. Na tentativa 
 
 
6 
de impor o meio oral, proibindo a comunicação gestual-visual, o Oralismo diminuiu a 
sociabilidade do surdo, criando obstáculos para a sua inclusão (DIAS, 2006). 
 A filosofia bilíngue, segundo análises de Dias (2006, p. 42), “não privilegia uma 
língua, mas quer dar direito e condições ao indivíduo surdo de poder utilizar duas línguas; 
portanto, não se trata de negação, mas de respeito; o indivíduo escolherá a língua que 
irá utilizar em cada situação linguística em que se encontrar”, pois ela considera as 
características e opiniões dos próprios surdos, de acordo com o seu processo 
educacional. A história da educação dos surdos teve seu início marcado por duas 
vertentes: a médica e a religiosa. 
O interesse dos médicos sobre a mudez, ocasionada pela surdez, poderia ser 
atribuído ao importante papel da medicina no período da revolução científica, em 
especial da anatomia, em que passaram a se dedicar ao estudo da fala dos surdos, 
assim como de suas possibilidades de aprendizagem. Desta forma, estabeleceu-se uma 
estreita relação entre educação especial e medicina. Nos Congressos sobre surdez 
realizados, não houve preocupação em fazer com que o surdo pudesse adquirir a 
instrução, conforme era compreendida para os normais. Por outro lado, os métodos, 
objetivos e técnicas da medicina alcançaram a hegemonia da ciência na higienização da 
população cultural. Estudos têm classificado os surdos em duas categorias: Os 
portadores de surdez patológica, normalmente adquirida em idade adulta; E aqueles cuja 
surdez é um traço fisiológico distintivo, não implicando, necessariamente, em deficiência 
neurológica ou mental. Ponto de vista médico foi constatado que os surdos, durante os 
diversos períodos da história, foram colocados às margens do mundo econômico, social, 
cultural, educacional e político, sendo considerados como deficientes, incapazes e 
desapropriados de seus direitos e da possibilidade de escolhas. 
Até meados do século XVI, conforme Dias (2006), os surdos eram vistos como 
ineducáveis; em consequência disto, considerados como inúteis à coletividade. Devido 
a este fato enfrentavam o preconceito, a piedade, o descrédito, e até mesmo a 
denominação de loucos. No início do século XVI, temos registros das experiências do 
médico pesquisador italiano Gerolamo Cardano, que viveu no período de (1501-1576), 
o qual “concluiu que a surdez não prejudicava a aprendizagem, uma vez que os surdos 
poderiam aprender a escrever e assim expressar seus sentimentos” (JANNUZZI, 2004, 
p. 31). Conforme testemunhas oculares, o monge utilizava o alfabeto manual, que seria 
 
 
7 
“um modo de soletrar no ar, formando letras com os dedos" (PLANN, 1997, p. 30). 
Também o francês Auguste Bébian, um ouvinte, resolveu aprender a Língua de Sinais 
no Instituto de Surdos de Paris e escreveu o livro Mimographia, em 1822, sendo 
considerado como a primeira tentativa de transcrição da língua de sinais (GUARINELLO; 
MASSI; BERBERIAN, 2007). 
Em termos médicos, a surdez é categorizada em níveis do ligeiro ao profundo. É 
classificada de deficiência auditiva, ou hipoacúsia. Os tipos de surdez quanto ao grau de 
perda auditiva: 
Perda auditiva leve: Não tem efeito significativo no desenvolvimento desde que 
não progrida, geralmente não é necessário uso de aparelho auditivo. Perda auditiva 
moderada: Pode interferir no desenvolvimento da fala e linguagem, mas não chega a 
impedir que o indivíduo fale. 
Perda auditiva severa: Interfere no desenvolvimento da fala e linguagem, mas 
com o uso de aparelho auditivo poderá receber informações utilizando a audição para o 
desenvolvimento da fala e linguagem. Perda auditiva profunda: Sem intervenção a fala 
e a linguagem dificilmente irá ocorrer. 
O ouvido é dividido em três partes: externo, médio e interno. Ouvido externo: É 
formado pela orelha e canal auditivo com a membrana timpânica no fundo do canal. 
Ouvido médio: Estão os três ossículos (martelo, bigorna, estribo) e a abertura da 
tuba auditiva. 
Ouvido interno: Também chamado de labirinto, é formado pelo aparelho vestibular 
(equilíbrio) Cóclea. O ouvido capta vibrações do ar (sons) e as transforma em impulsos 
nervosos que o cérebro “ouve”. O ouvido externo é composto pelo pavilhão e pelo canal 
auditivo. 
O canal auditivo leva o som a uma membrana circular e flexível, chamada 
tímpano, que vibra ao receber ondas sonoras. Esta, por sua vez, faz vibrar, no ouvido 
médio, três ossículos, que ampliam e intensificam as vibrações, conduzindo-as ao ouvido 
interno. 
 
 
8 
O ouvido interno é formado por um complexo sistema de canais contendo líquido 
aquoso. Vibrações do ouvido médio fazem com que esse líquido se mova e as 
extremidades dos nervos sensitivos convertem esse movimento em sinais elétricos, que 
são enviados ao cérebro, através do nervo da audição (nervo auditivo). O modo como 
os sinais elétricos são interpretados pelo cérebro ainda não está claramente entendido. 
Ponto de vista educacional, surdez refere-se à incapacidade da criança aprender 
a falar naturalmente, por via auditiva e ter um desempenho acadêmico. 
A criança surda pode aprender a falar, ainda que haja dificuldades. A partir da Lei 
10436, o governo brasileiro reconhece a LIBRAS, como língua, e os surdos têm o direito 
de, nas instituições educacionais, as aulas sejam ministradas em LIBRAS, ou, pelo 
menos com a presença de um interprete de língua de sinais. Pois a surdez não interfere 
no desenvolvimento cognitivo. Também em Portugal, o decreto-lei 3/2008 regulamentou 
a educação especial, em particular, o direito da criança surda crescer bilíngue. 
Ponto de vista cultural, surdez é descrita como diferença linguística e identidade 
cultural, a qual é partilhada entre indivíduos surdos. A surdez é o paradigma da cultura 
surda, a base sobre a qual se constrói a estrutura e forma da cultura surda, cujo principal 
elemento espelhador é a Língua de Sinais, o idioma natural dos surdos portanto, sem 
surdez não há cultura surda. 
Os surdos, além de serem indivíduos que possuem surdez, por norma são 
utilizadores de uma comunicação espaço-visual, como principal meio de conhecer o 
mundo em substituição à audição e à fala, tendo ainda uma cultura característica. 
No Brasil eles desenvolveram a LIBRAS, e em Portugal, a LGP. Já outros, por 
viverem isolados ou em locais onde não exista uma comunidade surda, apenas se 
comunicam por gestos. Existem surdos que por imposição familiar ou opção pessoal 
preferem utilizar a língua falada. 
 
Importante desta na Leitura Labial 
 
 
 
9 
No caso específico dos surdos brasileiros, cuja língua materna de sinais é a 
LIBRAS, os intérpretes que os assistem são chamados de “Intérpretes de LIBRAS”. Não 
é correto dizer que alguém é surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não falam porque não 
aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, e podem fazer muitos sons com a 
garganta, ao rir, e mesmo ao gestualizar, com o uso da face, mãos, e braços. 
 
 
 
 
10 
Devemos falar de maneira clara, pronunciando bem as palavras, em tom 
normal, usando a velocidade normal, falar de frente para a pessoa. Devemos ser 
expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de 
tom de voz, que indicamsentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as 
expressões faciais, os gestos ou sinais e o movimento do corpo são excelentes 
indicações do que se quer dizer. 
Se for necessário, comunicar-se através de bilhetes. O importante é se 
comunicar. 
O método não é tão importante. Em suma, os surdos são pessoas que têm os 
mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos, 
assim como todos. Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de 
delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falha. 
 
SUGESTÕES DE ATIVIDADES 
 
Contação de História 
 
 Utilize recursos visuais e, ao longo da narrativa, observe se as crianças- 
mediante, por exemplo, expressões de admiração, medo, riso, etc.- demonstram 
compreender o que está ocorrendo. Utilize objetos: bonecos, bichos, carrinhos, 
casinhas, etc. ao terminar, peça aos alunos que desenhem a história e então procure 
perceber no desenho da criança, surda os detalhes das cores, dos tamanhos e, 
sobretudo, dos sentimentos que se evidenciam no texto: medo, maldade, alivio, etc. 
 
 
 
 
11 
 
Faça kits de “contação” de histórias: 
- Avental de histórias 
- Saco de histórias 
- Caixa de histórias 
 
Ao contar histórias lidas, observe se o livro está sendo visto pelo aluno. Deixe-
o sempre na posição que possa observar os detalhes da escrita e da ilustração. 
Procure dar vida– cor, cheiro, textura e gosto – à história. Peça também, no final, que 
os alunos desenhem ou reescrevam a história. Conte então novamente a história, 
apontando com o dedo as ilustrações e para o texto. Se possível faça tarjas com o 
texto da história e as coloque na parede. 
Procure dar vida a ALFABETIZAÇÃO 
Para os alunos surdos/DAs, não é muito indicado que utilize o método sintético 
– silabação. A escrita deve estar sempre associada ao seu significado, ou seja, a 
palavras, frases ou textos. Em ditado deve- se utilizar desenhos, objetos e dizer as 
palavras pausadamente, olhando para os alunos, para fazerem a leitura labial. Para 
ampliar e especificar a linguagem por meio do vocabulário utilizar os objetos a que 
corresponde. 
Escrever palavras faltando letras, para que sejam completadas. A essas 
palavras associe desenhos. Essa atividade chama a atenção dos alunos para o 
número de letras necessário à composição das palavras. No caso dos alunos 
surdos/DAs, que não percebem o nível fonético da língua, a atividade também auxilia 
 
 
 
 
12 
na construção do conhecimento da escrita, o qual se realiza por meio do recurso da 
memória visual. 
Fazer palavras cruzadas com nomes de alunos da classe ou com outras 
palavras, sempre associadas a uma imagem, auxilia no aprendizado. Antes iniciar um 
conteúdo, com um aluno surdo, deverá trabalhar os aspectos da sua colação social e 
o vocabulário próprio, seu significado. Melhor seria utilizar a LIBRAS, mas na ausência 
desta estabelecer com o aluno sinais e gestos específicos para cada palavra a ser 
utilizada. 
A repetição rítmica de uma simples quadrinha, com palmas ou outras batidas 
corporais, com certeza será bastante enriquecedora, dando condições para uma 
estruturação rítmica, e conceitos de sequência e seriação. Estes conceitos serão 
transpostos gradativamente a estrutura frasal. Metodologia para memorização e 
associação das palavras. 
Faça uma atividade de escrita com os nomes dos objetos da sala e, em 
seguida, afixe-os nos lugares correspondentes a eles: porta, janela, lousa, etc. Faça 
listas de outros objetos da escola, da casa, da cidade, do parque, da igreja, etc. - Para 
fazer um ditado, utilize desenhos, objetos, ou diga as palavras de forma bem pausada, 
olhando para os alunos. Esta última forma auxilia os surdos/DA na aprendizagem da 
leitura labial. 
 
- Faça um painel com rótulos de produtos. Faça a leitura desses rótulos, 
associando os à utilização dos produtos a que correspondem. Essa atividade 
possibilita ao aluno surdos/DA ampliar e especificar a linguagem por meio do 
vocabulário. 
 
 
 
 
 
13 
- Faça crachás com os nomes de todos, incluindo o seu, para serem 
usados durante a aula, isso ajuda a memorizar a escrita. 
 
- Para escrever os nomes das cores, utilize o lápis da cor escrita. Por 
exemplo, escreva vermelho com lápis vermelho, etc. 
 
- Utilize a mímica de animais: macaco, onça, pássaro, etc; objetos: escova 
de dentes, peças de vestuário, livros, etc. 
 
- Fazer um quebra-cabeça de palavras associando-as um desenho, pois 
as imagens constituem um suporte importante no processo de aprendizagem. 
 
- Fazer um painel com as letras do alfabeto e, na vertical, na direção da 
letra, peça aos alunos que colem figuras e escrevam o nome correspondente. 
 
 Estudos têm classificado os surdos em duas categorias: 
Os portadores de surdez patológica, normalmente adquirida em idade adulta; 
E aqueles cuja surdez é um traço fisiológico distintivo, não implicando, 
necessariamente, em deficiência neurológica ou mental. 
No caso específico dos surdos brasileiros, cuja língua materna de sinais é a 
 
 
 
 
14 
LIBRAS, os intérpretes que os assistem são chamados de “Intérpretes de 
LIBRAS”. 
Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não 
falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, e podem fazer 
muitos sons com a garganta, ao rir, e mesmo ao gestualizar, com o uso da face, mãos, 
e braços. 
Devemos falar de maneira clara, pronunciando bem as palavras, em tom 
normal, usando a velocidade normal, falar de frente para a pessoa. Devemos ser 
expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de 
tom de voz, que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as 
expressões faciais, os gestos ou sinais e o movimento do corpo são excelentes 
indicações do que se quer dizer. 
Se for necessário, comunicar-se através de bilhetes. O importante é se 
comunicar. O método não é tão importante. 
Em suma, os surdos são pessoas que têm os mesmos direitos, os mesmos 
sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos, assim como todos. Se ocorrer 
alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor 
nunca falham. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
Escrita de Sinais – SIGN WRITING 
Os primeiros estudos brasileiros sobre a escrita da Língua de Sinais, mais 
precisamente sobre o Sign Writing 8, tiveram início com o Dr. Antônio Carlos da 
Rocha Costa, Marianne Stumpf (Surda) e a Professora Márcia Borba, na 
Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, em 1996. Segundo 
Costa (COSTA et. al., 2004), William C. Stokoe foi o primeiro linguista a realizar um 
estudo sistemático das línguas de sinais nos Estados Unidos, iniciando inclusive a 
escrita dessas línguas. O mesmo informa que: 
O Sign Writing é um sistema de escrita com características 
gráficoesquemáticas, que permite uma representação de textos de línguas de 
sinais através de uma forma intuitiva e de fácil compreensão. O sistema é 
constituído de um conjunto de símbolos e um conjunto de regras de escrita, 
definidos para representar os diversos aspectos fonético-fonológicos das 
línguas de sinais. Desse modo, o Sign Writing apresenta a feição de um 
sistema de escrita fonética para línguas de sinais, mas plenamente apto a 
suportar a delimitação de um subsistema de escrita de línguas de sinais que 
tenha características estritamente fonológicas. (COSTA et. al., 
2004:pág.254). 
 
Quadros (2004) em seu artigo, “Um capítulo da história do Sign Writing”, relata 
que o Sign Writing teve origem num sistema para escrever passos de dança, que 
acabou despertando o interesse de pesquisadores da Língua de Sinais dinamarquesa 
que estavam procurando uma forma de escrever os sinais. A autora nos diz também 
que: 
 
Em 1974, a Universidade de Copenhagen solicitou a Sutton que registrasse 
os sinais gravados em vídeo cassete.As primeiras formas foram inspiradas 
no sistema escrito de danças. A década de 70 caracterizou um período de 
transição de Dancewriting para Sign Writing, isto é, da escrita de danças para 
a escrita de sinais das línguas de sinais. (QUADROS, 2004, disponível em: 
http://www.signwriting.org/library/history/hist010.html). 
 
 
 
 
16 
Produção e compreensão de sinais 
A escrita de sinais de Valerie Sutton é um sistema de representação gráfica das 
línguas de sinais que permite, através de símbolos visuais, representar as 
configurações das mãos, seus movimentos, as expressões faciais e os deslocamentos 
corporais. 
O Sign Writing possui um alfabeto que pode ser comparado com o alfabeto 
usado para escrever a Língua Portuguesa, a Inglesa, a Espanhola, a Francesa, etc. 
Dessa mesma forma, os símbolos do alfabeto Sign Writing também podem ser 
utilizados para escrever diferentes línguas de sinais. Atualmente, o Sign Writing se 
encontra em uso em vários países, como Dinamarca, Irlanda, Itália, México, 
Nicarágua, Holanda, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e em fase de pesquisa no 
Brasil. (CAPOVILLA, 2002). 
Em Libras as horas são sinalizadas de formas diferentes dependendo do que 
se quer expressar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
Para sinalizar as horas do relógio é importante saber que: 
 
Não se sinaliza as horas com dois algarismos a partir das 13h até às 24h. 
Acrescentasse o substantivo manhã, tarde, noite e madrugada quando 
necessário; 
Os números de 1 a 4 são sinalizados como cardinais de quantidade; 
As horas são sinalizadas como quantidade enquanto os minutos são 
sinalizados com cardinais como código representativo; 
Para a fração 30 minutos a configuração varia de acordo com região da 
comunidade surda. 
 
Para sinalizar as horas com sentido de duração é importante 
saber que: 
 
A partir do número 5 são usadas duas configurações (horas-quantidade + 
cardinal como código representativo). 
A duração das horas tem incorporação dos numerais quando se trata de 1 a 
4h. 
 
 
 
 
 
 
18 
Referencias Bibliográficas 
BRITO, Lucinda Ferreira. Por uma gramática de línguas de sinais . Rio de 
Janeiro: Tempo Brasileiro: UFRJ, Departamento de Lingüística e Filologia, 
1995. 
COSTA, Antônio Carlos; STUMPF, Marianne Rossi; FREITAS, Juliano Baldez; 
DIMURO, Graçaliz Pereira. Um convite ao processamento da língua de sinais. 
. UCEPEL-RS, PGIE / UFRGS, 
RS, PPGC / UFRGS, RS, Brasil. Acessado em 06/09/2005. 
FELIPE, Tanya A; MONTEIRO, Myrna S. Libras em Contexto: curso básico, livro 
do professor instrutor – Brasília : Programa Nacional de Apoio à Educação dos 
Surdos, MEC: SEESP, 2001. 
PIMENTA, Nelson; QUADROS, Ronice Muller de. Curso de Libras 1 . Rio de 
Janeiro : LSB Vídeo, 2006. 
QUADROS, Ronice Muller de; KARNOPP, Lodenir Becker. Língua de sinais 
brasileira: estudos lingüísticos . Porto Alegre : Artmed, 2004. 
REIS, Flaviane, Professor Surdo: a política e a poética da transgressão 
pedagógica. Florianópolis : UFSC/GES/CED – Dissertação de Mestrado, 2006. 
SÁ, Nídia Limeira de. Existe uma cultura surda? Artigo disponível em 
http://www.eusurdo.ufba.br/arquivos/cultura_surda.doc. Acessado em 28/03/2007. 
SÁ, Nídia Limeira. A produção de significados sobre a surdez e sobre os surdos: 
práticas discursivas em educação. Porto Alegre: 
UFRGS/FACED/PPGEDU - Tese de Doutorado, 2001. 
 
 
 
 
19 
SILVA, Fábio I.; SCHMITT, Deonísio; BASSO, Idavania M. S. Língua Brasileira 
de Sinais: pedagogia para surdos. Caderno Pedagógico I. Florianópolis : 
UDESC/CEAD, 2002. 
VASCONCELOS, Silvana Patrícia; SANTOS, Fabrícia da Silva; SOUZA, 
Gláucia Rosa da. LIBRAS: língua de sinais. Nível 1 . AJA - Brasília : Programa 
Nacional de Direitos Humanos. Ministério da Justiça / Secretaria de Estado dos 
Direitos Humanos CORDE.

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